{"id":1611,"date":"2012-04-18T01:42:50","date_gmt":"2012-04-18T01:42:50","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1611"},"modified":"2012-04-18T01:42:50","modified_gmt":"2012-04-18T01:42:50","slug":"as-portas-giram-e-os-mesmos-nomes-ocupam-postos-chave","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1611","title":{"rendered":"As portas giram e os \u201cmesmos\u201d nomes ocupam postos-chave"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/portas.jpg\" title=\"As portas at\u00e9 giram, mas n\u00e3o se v\u00ea agentes diferentes - Foto:\" alt=\"As portas at\u00e9 giram, mas n\u00e3o se v\u00ea agentes diferentes - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">As portas at\u00e9 giram, mas n\u00e3o se v\u00ea agentes diferentes<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p>&quot;As portas giram e segue quase tudo na mesma no Imp&eacute;rio&quot;, analisa o NIEG. Segundo o grupo de estudos, &quot;embora keynesiano no discurso, Barack Obama manteve v&aacute;rios dos intelectuais delinq&uuml;entes de Wall Street (como nos comprova o document&aacute;rio Inside Job de Charles Ferguson, 2010, com narra&ccedil;&atilde;o de Matt Damon), n&atilde;o por acaso &ldquo;renomados&rdquo; economistas (titulares em seus departamentos), conselheiros de empresas operadoras no &ldquo;jogo do capital financeiro&rdquo; (titulares e tamb&eacute;m conselheiros de fundos de investimentos de risco em sua s&eacute;rie de &ldquo;produtos ex&oacute;ticos&rdquo;) e figuras carimbadas na m&iacute;dia corporativa em suas editorias &ldquo;especializadas&rdquo;.<\/p>\n<p>Um dos conceitos mais aplicados pelo N&uacute;cleo Interdisciplinar de Estudos da Globaliza&ccedil;&atilde;o Transnacional e da Cultura do Capitalismo &#8211; NIEG para entender a &ldquo;farsa com o nome de crise&rdquo;, e at&eacute; que explica a utiliza&ccedil;&atilde;o dessa premissa para analisarmos os acontecimentos provocados pelos agentes do capital financeiro no mundo, &eacute; o de &ldquo;portas girat&oacute;rias&rdquo;. As portas girat&oacute;rias s&atilde;o uma analogia consagrada pela an&aacute;lise pol&iacute;tica dos EUA para entender como se d&aacute; a forma&ccedil;&atilde;o de elites dirigentes num sistema onde n&atilde;o h&aacute; uma tradi&ccedil;&atilde;o nobili&aacute;rquica e tudo passa por treinamento, rela&ccedil;&otilde;es e, obviamente, ponto de partida na pir&acirc;mide social.<\/p>\n<p>Al&eacute;m de uma &oacute;tima met&aacute;fora para tratar de bancos, as &ldquo;portas girat&oacute;rias&rdquo; significam que se podem analisar os principais agentes de mercado, o Estado, a Academia e at&eacute; os representantes escolhidos pela Ind&uacute;stria Cultural para falar sobre a economia, a pol&iacute;tica e temas de decis&atilde;o-chave em sociedade e se chegar&aacute; a v&aacute;rios nomes que partem das mesmas premissas: desregulamenta&ccedil;&atilde;o, privatiza&ccedil;&atilde;o e cortes de investimentos sociais. Ou seja, roda, roda e se entra em ambientes sob o comando dos &ldquo;mesmos&rdquo;.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia, de forma geral, acredita-se que o que se denominou como neoliberalismo &ndash; que veio a substituir o Estado de Bem-Estar Social nos pa&iacute;ses desenvolvidos &ndash; come&ccedil;ou com as elei&ccedil;&otilde;es de Margareth Thatcher como primeira-ministra brit&acirc;nica, em 1979, e de Ronald Reagan como presidente dos Estados Unidos, em 1981.<\/p>\n<p>Mas se lembrarmos que se trata de uma aplica&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica, com forte teor ideol&oacute;gico, deve-se considerar que os defensores de ideias liberalizantes s&atilde;o de muito tempo, como comprovam os &ldquo;deuses&rdquo; criados para justificar a exclus&atilde;o de qualquer controle estatal sobre diversos setores econ&ocirc;micos durante as d&eacute;cadas de 1980 e 1990, especialmente.<\/p>\n<p>Os primeiros textos, e at&eacute; reuni&otilde;es (da Sociedade de Mont-P&egrave;lerin), com proposi&ccedil;&atilde;o de um mundo sem o controle estatal se d&atilde;o logo ap&oacute;s a Segunda Guerra Mundial &ndash; isso sem considerar outros momentos hist&oacute;ricos, com estouros de bolhas espec&iacute;ficas, como no crack de 1929 e a transforma&ccedil;&atilde;o do neg&oacute;cio dos bancos em algo s&oacute;lido e aborrecido. A este avan&ccedil;o da presen&ccedil;a estatal na esfera da produ&ccedil;&atilde;o, demanda de oferta de trabalho e sobre a autoridade monet&aacute;ria, seguiu-se uma insanidade como a Confer&ecirc;ncia de Viena, quando em plena avan&ccedil;ada nazista, intelectuais judeus (de direita) estavam mais preocupados com o papel do Estado na economia do que com a guerra de exterm&iacute;nio promovida pelo III Reich (&agrave; &eacute;poca ainda aliado das pot&ecirc;ncias. Por sorte o nazismo foi derrotado na 2&ordf; Guerra Mundial e, para o Ocidente, aplicou-se outra sa&iacute;da para o capitalismo de ent&atilde;o.<\/p>\n<p>A outra op&ccedil;&atilde;o &#8211; forjada no New Deal de Franklin Delano Roosevelt e &ldquo;motivada&rdquo; pela press&atilde;o de sindicatos e movimentos populares em f&uacute;ria pela Grande Depress&atilde;o &#8211; foi mais prop&iacute;cia para o per&iacute;odo hist&oacute;rico. Seguir o modelo de desenvolvimento apelidado de keynesianismo significava possibilitar a reconstru&ccedil;&atilde;o total dos principais pa&iacute;ses do mundo (atrav&eacute;s do Plano Marshall e de um pacto social propiciado pelos partidos comunistas da linha de Moscou), com benef&iacute;cios iniciais a diferentes classes sociais at&eacute; mesmo como forma de criar novos mercados consumidores, ainda que com lideran&ccedil;a estadunidense (e a difus&atilde;o de seus produtos, inclusive bens culturais).<\/p>\n<p>Os primeiros livros sobre o assunto &ndash; fazendo cr&iacute;ticas ferozes contra a distribui&ccedil;&atilde;o impositiva e os pre&ccedil;os subsidiados do modelo keynesiano &#8211; datam da d&eacute;cada de 1950. Um dos principais defensores do neoliberalismo, n&atilde;o tratando neste termo (e sim da economia neocl&aacute;ssica matematizada e &ldquo;pura&rdquo;), foi o estadunidense Milton Friedman que pedia a aplica&ccedil;&atilde;o imediata de uma Grande Estrat&eacute;gia com: isonomia impositiva, taxando em igualdade de grandeza a ricos e pobres; livre circula&ccedil;&atilde;o de produtos industrializados; e proibi&ccedil;&atilde;o dos governos defenderem e protegerem seus parques industriais. A ideia de pre&ccedil;o era superior a de remunera&ccedil;&atilde;o (uma dem&ecirc;ncia ao estilo de um axioma de demanda perfeita!), assim, o pre&ccedil;o do valor trabalho tamb&eacute;m seria ditado pelo &ldquo;mercado&rdquo; e n&atilde;o por uma base legal.<\/p>\n<p>A gesta&ccedil;&atilde;o da besta deu-se no ovo da serpente. O programa de conv&ecirc;nio entre estudantes chilenos e a Universidade de Chicago &eacute; de 1956. Em 1965, a experi&ecirc;ncia se expande para toda a Am&eacute;rica Latina, com participa&ccedil;&otilde;es significativas de estudantes de Brasil, Argentina e M&eacute;xico. Enquanto o programa durou, um em cada tr&ecirc;s alunos de gradua&ccedil;&atilde;o em economia pela Universidade de Chicago era latino-americano. Vem da&iacute; o famigerado termo &ldquo;Chicago boys&rdquo;.<\/p>\n<p>O golpe militar chileno encabe&ccedil;ado pelo general Augusto Pinochet foi em 11 de setembro de 1973. Neste regime, com &ecirc;nfase nos seus primeiros oito anos, o receitu&aacute;rio macroecon&ocirc;mico derivava da matriz te&oacute;rico-epistemol&oacute;gica de Friedman e do economista e fil&oacute;sofo austro-h&uacute;ngaro Friedrich Hayek. At&eacute; a reuni&atilde;o anual da Sociedade de Mont-P&egrave;lerin, em 1981, ocorreu no balne&aacute;rio de Vi&ntilde;a Del Mar. Ou seja, a previs&atilde;o de &ldquo;progn&oacute;stico&rdquo; de Friedman levou vinte anos para ocorrer e quase uma d&eacute;cada a mais para afirmar seu modelo. O tempo de espera foi proporcional ao &ldquo;apetite&rdquo; destas pessoas em tomar quase tudo para si e os seus. Para os c&uacute;mplices civis das ditaduras militares no Continente, operadores da macro-economia em fun&ccedil;&atilde;o de retirar do patrim&ocirc;nio coletivo as riquezas nacionais. No Chile, a ferocidade desta gente era tamanha, que os economistas de Pinochet (em geral lotados ou rec&eacute;m egressos da Universidade Cat&oacute;lica) eram conhecidos como &ldquo;piranhas vorazes&rdquo;.<\/p>\n<p>Passados trinta anos e o feiti&ccedil;o entorna o caldeir&atilde;o da bruxaria. A &ldquo;farsa com nome de crise&rdquo; sofreu dos mesmos males da aplica&ccedil;&atilde;o das portas girat&oacute;rias na Am&eacute;rica Latina. Sobre uma esp&eacute;cie de m&atilde;o invis&iacute;vel, membros que protagonizam o pensamento neoliberal se articulam e tomam posi&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas no governo e mercado financeiro, garantindo a desregulamenta&ccedil;&atilde;o e medidas de apoio financeiro Estado\/bancos. Teoria essa que &eacute; comprovada com a vota&ccedil;&atilde;o do pacote &ldquo;salva bancos&rdquo; de 700 bilh&otilde;es em 2008 nos EUA, onde Henry Paulson (ex &#8211; presidente da Goldman Sachs) &agrave; frente do Tesouro Estadunidense leva &agrave; vota&ccedil;&atilde;o &ndash; supostamente fraudulenta &ndash; um pacote que salvaria os bancos e garantiria a estabilidade financeira. As portas giram e segue quase tudo na mesma no Imp&eacute;rio. Embora keynesiano no discurso, Barack Obama manteve v&aacute;rios dos intelectuais delinq&uuml;entes de Wall Street (como nos comprova o document&aacute;rio Inside Job (2) de Charles Ferguson, 2010, com narra&ccedil;&atilde;o de Matt Damon), n&atilde;o por acaso &ldquo;renomados&rdquo; economistas (titulares em seus departamentos), conselheiros de empresas operadoras no &ldquo;jogo do capital financeiro&rdquo; (titulares e tamb&eacute;m conselheiros de fundos de investimentos de risco em sua s&eacute;rie de &ldquo;produtos ex&oacute;ticos&rdquo;) e figuras carimbadas na m&iacute;dia corporativa em suas editorias &ldquo;especializadas&rdquo;.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>1.- O N&uacute;cleo Interdisciplinar de Estudos da Globaliza&ccedil;&atilde;o Transnacional e da Cultura do Capitalismo (NIEG) se re&uacute;ne na sala 3A318, no campus Unisinos S&atilde;o Leopoldo, todas as 5as &agrave;s 18 horas. As reuni&otilde;es s&atilde;o abertas a todas e todos, n&atilde;o importando o curso ou a condi&ccedil;&atilde;o de ser estudante, formado, funcion&aacute;rio ou docente. O NIEG &eacute; parte integrante do Grupo de Pesquisa Comunica&ccedil;&atilde;o, Economia Pol&iacute;tica e Sociedade (Cepos), com sede na mesma sala de reuni&otilde;es, atendendo no ramal 1320 e no dom&iacute;nio <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/www.grupocepos.net\" target=\"_blank\" style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; border-image: initial; outline-width: 0px; outline-style: initial; outline-color: initial; font-size: 12px; text-decoration: underline; color: rgb(230, 97, 1); font-weight: bold; font-family: Arial; font-style: normal; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: 15px; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; background-color: rgb(255, 255, 255); \" rel=\"noopener\">www.grupocepos.net<\/a> Todos os textos desta coluna s&atilde;o de autoria coletiva, sendo responsabilidade do conjunto dos membros do NIEG-CEPOS. E-mail: nieg.cepos@gmail.com.<\/p>\n<p>2.- Os filmes Inside Job e Margin Call, ser&atilde;o exibidos e debatidos no Instituto Humanitas Unisinos &#8211; IHU nos dias 9 e 15 de maio. Para saber mais confira <a href=\"http:\/\/bit.ly\/HOXwyO4-\" style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; border-image: initial; outline-width: 0px; outline-style: initial; outline-color: initial; font-size: 12px; text-decoration: underline; color: rgb(230, 97, 1); font-weight: bold; font-family: Arial; font-style: normal; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: 15px; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; background-color: rgb(255, 255, 255); \">http:\/\/bit.ly\/HOXwyO4-<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As portas at\u00e9 giram, mas n\u00e3o se v\u00ea agentes diferentes Foto: &quot;As portas giram e segue quase tudo na mesma no Imp&eacute;rio&quot;, analisa o NIEG. 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