{"id":1615,"date":"2012-04-26T00:32:48","date_gmt":"2012-04-26T00:32:48","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1615"},"modified":"2012-04-26T00:32:48","modified_gmt":"2012-04-26T00:32:48","slug":"o-discurso-para-legitimar-o-poder-do-capital-financeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1615","title":{"rendered":"O discurso para legitimar o poder do capital financeiro"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/leitao.jpg\" title=\"A colunista Miriam Leit\u00e3o \u00e9 a autoridade da Rede Globo para comentar economia na TV aberta. Leit\u00e3o e outros comunicadores contribuem com o processo de desinforma\u00e7\u00e3o do jornalismo econ\u00f4mico no Brasil. - Foto:informacaoeconomiacritica.blogspot\" alt=\"A colunista Miriam Leit\u00e3o \u00e9 a autoridade da Rede Globo para comentar economia na TV aberta. Leit\u00e3o e outros comunicadores contribuem com o processo de desinforma\u00e7\u00e3o do jornalismo econ\u00f4mico no Brasil. - Foto:informacaoeconomiacritica.blogspot\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A colunista Miriam Leit\u00e3o \u00e9 a autoridade da Rede Globo para comentar economia na TV aberta. Leit\u00e3o e outros comunicadores contribuem com o processo de desinforma\u00e7\u00e3o do jornalismo econ\u00f4mico no Brasil.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:informacaoeconomiacritica.blogspot<\/small><\/figure>\n<p><em>23 de abril de 2012<\/em><\/p>\n<p>Neste artigo de opini&atilde;o, fazemos uma an&aacute;lise &ldquo;foucaultiana&rdquo; partindo das premissas do NIEG-CEPOS, tendo como alvo de an&aacute;lise o jarg&atilde;o da economia neocl&aacute;ssica difundido sob a forma de consenso (fabricado) midi&aacute;tico. A constru&ccedil;&atilde;o e a fixa&ccedil;&atilde;o do discurso econ&ocirc;mico neoliberal em sua etapa financeira ganha contornos concretos n&atilde;o apenas pelos seus &ldquo;renomados&rdquo; economistas, mas tamb&eacute;m potencializado pelas m&iacute;dias corporativas, que possuem interesses na financeiriza&ccedil;&atilde;o de suas estruturas produtivas. Como se sabe, estes agentes econ&ocirc;micos de difus&atilde;o ideol&oacute;gica (m&iacute;dia), se utilizam de &ldquo;especialistas&rdquo; em economia (muitos ex-operadores de or&ccedil;amentos de Estado) para formar n&atilde;o s&oacute; o discurso que traduz as formas de domina&ccedil;&atilde;o, mas aquilo pelo que almejam, o poder pelo qual querem manter o controle.<\/p>\n<p>Como j&aacute; colocado em textos anteriores, o NIEG utiliza-se de audiovisuais e debates para discutir e difundir o conhecimento sobre a &aacute;rea, mas, para quem se prop&otilde;e a &ldquo;traduzir&rdquo; o quase indecifr&aacute;vel mundo do capital financeiro, &eacute; necess&aacute;ria uma constru&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica um pouco mais densa sobre o assunto.<\/p>\n<p>Um dos textos escolhidos para a discuss&atilde;o interna do n&uacute;cleo foi A Ordem do Discurso (Loyola, 1996), descri&ccedil;&atilde;o da aula inaugural proferida por Michel Foucault no Coll&egrave;ge de France, em 1970. Por mais que o fil&oacute;sofo franc&ecirc;s n&atilde;o esteja entre as &ldquo;prioridades&rdquo; de leitura nos estudos sobre Economia Pol&iacute;tica da Comunica&ccedil;&atilde;o, este livro serve como base para uma hip&oacute;tese trabalhada no NIEG, que &eacute; a desinforma&ccedil;&atilde;o estrutural.<\/p>\n<p>O discurso econ&ocirc;mico, por exemplo, &eacute; conhecido apenas por &ldquo;especialistas&rdquo; e mesmo quem atua no mercado de capitais n&atilde;o sabe bem como explicar o que faz quando tratado no conjunto das a&ccedil;&otilde;es desempenhadas. Ou seja, trabalham sob verdades pensadas, verdades pens&aacute;veis como nos explica Chomsky, tratando-se de racioc&iacute;nio instrumental sem entrar no elemento substantivo das opera&ccedil;&otilde;es em curso.As explica&ccedil;&otilde;es midi&aacute;ticas seguem o ritmo do &ldquo;explicando para te confundir&rdquo;, deixando de lado as interdi&ccedil;&otilde;es que  atingem o discurso e a sua rela&ccedil;&atilde;o, especialmente, com o poder.<\/p>\n<p>As rela&ccedil;&otilde;es de interesse que circundam a atua&ccedil;&atilde;o desastrosa dos agentes do capital financeiro s&atilde;o atravessadas pelos ideais corporativos, uma esp&eacute;cie de inje&ccedil;&atilde;o que &eacute; introduzida na pele de seus especialistas, que tem a fun&ccedil;&atilde;o de pronunciar seus discursos conclusivos, independente de sua forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica, estabelecidos em uma sociedade controlada e organizada, tendo como base de dom&iacute;nio a ades&atilde;o do indiv&iacute;duo ao mundo do consumo e no jogo de esconde-esconde das rela&ccedil;&otilde;es causais mais b&aacute;sicas (como por exemplo o financiamento do Estado para as grandes empresas privadas).<\/p>\n<p>Constatamos que no contexto econ&ocirc;mico atual esse discurso est&aacute; longe de ser neutro. As edifica&ccedil;&otilde;es de novas teorias capitalistas comprometem a vis&atilde;o transparente das rela&ccedil;&otilde;es de poder, com um emaranhado de intelectuais que tentam cauterizar uma ferida j&aacute; necrosada. Existe ent&atilde;o um compromisso de tornar verdadeiro aquilo que em seu discurso &eacute; pura especula&ccedil;&atilde;o transformada em objeto de desejo, o poder. Estas &ldquo;falas&rdquo; ganham ent&atilde;o ares de &ldquo;ci&ecirc;ncia exata&rdquo;, pois originalmente ganham uma moldura &ldquo;t&eacute;cnica&rdquo;, pois originalmente foram formalizadas atrav&eacute;s de modelos matem&aacute;ticos, sendo que ap&oacute;s ganham forma de discurso atrav&eacute;s de axiomas &ldquo;do fant&aacute;stico mundo do Dr. Friedman&rdquo;.<\/p>\n<p>H&aacute; uma separa&ccedil;&atilde;o clara nesse discurso, os limites da raz&atilde;o e da loucura. Entendemos que a loucura &eacute; a palavra que n&atilde;o tem validade, que &eacute; nula, que n&atilde;o h&aacute; tom de verdade nem import&acirc;ncia. Na fase mais recente do sistema capitalista, os limites de abrang&ecirc;ncia e regulamenta&ccedil;&atilde;o de sua atua&ccedil;&atilde;o no mercado s&atilde;o ignorados, agregando valores que n&atilde;o se encontram na raz&atilde;o. A hist&oacute;ria das bolhas &eacute; a prova da insanidade humana traduzida pela avareza, gan&acirc;ncia, cobi&ccedil;a e acumula&ccedil;&atilde;o numa escala de que seus controladores s&atilde;o verdadeiros sociopatas (vide a obra realizada na Argentina durante e p&oacute;s-Menem e a Gr&eacute;cia aconselhada pelo Goldman Sachs Europa!).<\/p>\n<p>Em outra esfera, a m&iacute;dia corporativa vincula seus interesses econ&ocirc;micos nos grandes protagonistas da financeiriza&ccedil;&atilde;o, colocam &agrave; frente de seus notici&aacute;rios um pacote de supostas verdades, que teriam embasamento, acabando por formalizar apenas os discursos que negligenciam o conhecimento cientifico e causam a desinforma&ccedil;&atilde;o estrutural. Materializa este axioma a sempre presente ladainha de &ldquo;independ&ecirc;ncia&rdquo; dos Bancos Centrais em rela&ccedil;&atilde;o aos seus governos, e a chiadeira da m&iacute;dia brasileira quando o Comit&ecirc; de Pol&iacute;tica Monet&aacute;ria baixa a famigerada taxa Selic, diminuindo assim a margem de lucro das institui&ccedil;&otilde;es financeiras, bancos em particular.<\/p>\n<p>Mas o que conseguimos compreender desse discurso que estabelece questionamentos entre a oposi&ccedil;&atilde;o de verdadeiro e falso?<\/p>\n<p>O pensamento e o posicionamento da sociedade s&atilde;o constru&iacute;dos de informa&ccedil;&otilde;es vindas de infinitas fontes de acesso, passando da fam&iacute;lia &agrave; escola e aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, isto para al&eacute;m da plataforma tecnol&oacute;gica de suporte. Independentemente do conte&uacute;do, a import&acirc;ncia cada vez maior da comunica&ccedil;&atilde;o (incluindo as telecomunica&ccedil;&otilde;es) para a sociedade capitalista e para a &ldquo;forma&ccedil;&atilde;o&rdquo; pol&iacute;tico cultural das pessoas, acaba por mascarar a interven&ccedil;&atilde;o por formas de inclus&atilde;o de poder.<\/p>\n<p>A constru&ccedil;&atilde;o do discurso &eacute; carregada de informa&ccedil;&otilde;es que circulam entre o verdadeiro e o falso, mesmo que se passe a questionar o objeto com mais freq&uuml;&ecirc;ncia, houve a desvincula&ccedil;&atilde;o da id&eacute;ia de poder. Agora, h&aacute; sentido nos dois extremos.<\/p>\n<p>Para dar credibilidade ao discurso produzido, empresas de comunica&ccedil;&atilde;o recorrem &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de linguagens &ldquo;fict&iacute;cias&rdquo; em suas produ&ccedil;&otilde;es, ou seja, s&atilde;o reportagens televisivas ou fic&ccedil;&atilde;o documentada explicativas (docudrama). &Eacute; o que geralmente vemos na veicula&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es sobre economia no mundo. Entrevista-se especialistas em economia financeira que est&atilde;o diretamente ligados a bancos e empresas de consultoria, que aliviam os efeitos da &ldquo;farsa com nome de crise&rdquo; transferindo a responsabilidade para a sociedade civil. A vers&atilde;o hegem&ocirc;nica termina por responsabilizar aos governos por farra nos gastos p&uacute;blicos e nunca entra na natureza do endividamento recente dos Estados europeus ou mesmo dos EUA, onde o que opera &eacute; o financiamento coletivo para cobrir o rombo deixado pelos agentes privados de mercado.<\/p>\n<p>\n<em>O N&uacute;cleo Interdisciplinar de Estudos da Globaliza&ccedil;&atilde;o Transnacional e da Cultura do Capitalismo (NIEG) se re&uacute;ne na sala 3A318, no campus Unisinos S&atilde;o Leopoldo, todas as 5as &agrave;s 18 horas. As reuni&otilde;es s&atilde;o abertas a todas e todos, n&atilde;o importando o curso ou a condi&ccedil;&atilde;o de ser estudante, formado, funcion&aacute;rio ou docente. O NIEG &eacute; parte integrante do Grupo de Pesquisa Comunica&ccedil;&atilde;o, Economia Pol&iacute;tica e Sociedade (Cepos), com sede na mesma sala de reuni&otilde;es, atendendo no ramal 1320 e no dom&iacute;nio www.grupocepos.net. Todos os textos desta coluna s&atilde;o de autoria coletiva, sendo responsabilidade do conjunto dos membros do NIEG-CEPOS. E-mail: nieg.cepos@gmail.com<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A colunista Miriam Leit\u00e3o \u00e9 a autoridade da Rede Globo para comentar economia na TV aberta. Leit\u00e3o e outros comunicadores contribuem com o processo de desinforma\u00e7\u00e3o do jornalismo econ\u00f4mico no Brasil. 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