{"id":1618,"date":"2012-05-02T18:29:23","date_gmt":"2012-05-02T18:29:23","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1618"},"modified":"2012-05-02T18:29:23","modified_gmt":"2012-05-02T18:29:23","slug":"analise-do-filme-caixa-dois-de-bruno-barreto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1618","title":{"rendered":"An\u00e1lise do filme \u201cCaixa Dois\u201d, de Bruno Barreto"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/caixadois.jpg\" title=\"O termo caixa dois em geral refere-se a recursos n\u00e3o declarados, de origem duvidosa, ou n\u00e3o tributados, ou desviados de seu destino de origem e finalidade. O t\u00edtulo do filme opera a partir da inspira\u00e7\u00e3o em financistas a operar o cassino da moeda, assim como demais formas de manipular \u2013 e muitas vezes desaparecer \u2013 com os recursos alheios e coletivos.   - Foto:cranik.com\" alt=\"O termo caixa dois em geral refere-se a recursos n\u00e3o declarados, de origem duvidosa, ou n\u00e3o tributados, ou desviados de seu destino de origem e finalidade. O t\u00edtulo do filme opera a partir da inspira\u00e7\u00e3o em financistas a operar o cassino da moeda, assim como demais formas de manipular \u2013 e muitas vezes desaparecer \u2013 com os recursos alheios e coletivos.   - Foto:cranik.com\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O termo caixa dois em geral refere-se a recursos n\u00e3o declarados, de origem duvidosa, ou n\u00e3o tributados, ou desviados de seu destino de origem e finalidade. O t\u00edtulo do filme opera a partir da inspira\u00e7\u00e3o em financistas a operar o cassino da moeda, assim como demais formas de manipular \u2013 e muitas vezes desaparecer \u2013 com os recursos alheios e coletivos.  <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:cranik.com<\/small><\/figure>\n<p>Texto coletivo do <strong>N&uacute;cleo Interdisciplinar de Estudos da Globaliza&ccedil;&atilde;o Transnacional e da Cultura do Capitalismo (NIEG) <\/p>\n<p><\/strong>O cinema brasileiro, sob forte apoio de leis de responsabilidade fiscal, produz muito conte&uacute;do audiovisual. Alguns s&atilde;o os que conseguem sair da produ&ccedil;&atilde;o para a distribui&ccedil;&atilde;o e veicula&ccedil;&atilde;o Brasil afora. Ainda muito poucos s&atilde;o os que conseguem alcan&ccedil;ar marcas significativas de p&uacute;blico, mesmo que com elenco, co-produ&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o da Rede Globo de Televis&atilde;o. <\/p>\n<p>O filme que analisaremos na coluna desta semana traz uma das caracter&iacute;sticas que marcam os longa-metragens nacionais p&oacute;s-Retomada. Utilizando o humor para abordar temas como desemprego, corrup&ccedil;&atilde;o e &eacute;tica, o filme Caixa Dois (2007), dirigido por Bruno Barreto, &eacute; uma s&aacute;tira social que pode trazer questionamentos importantes ao expectador.<\/p>\n<p>Nessa com&eacute;dia de costumes, Luiz Fernando (F&uacute;lvio Stefanini) &eacute; um poderoso banqueiro que atrav&eacute;s de uma transa&ccedil;&atilde;o com precat&oacute;rios recebe uma grande quantia em dinheiro: 50 milh&otilde;es de reais. Como o doleiro que geralmente presta servi&ccedil;os de lavagem de dinheiro a ele est&aacute; em coma, Luiz Fernando se v&ecirc; obrigado a encontrar um &ldquo;laranja&rdquo;. A solu&ccedil;&atilde;o &eacute; usar sua secret&aacute;ria &Acirc;ngela (Giovana Antonelli) para tal a&ccedil;&atilde;o. <br \/>\nO primeiro ponto que podemos relacionar com o que ocorre com os agentes financeiros em n&iacute;vel mundial se d&aacute; atrav&eacute;s do privil&eacute;gio de acesso &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es. Luiz Fernando ganha muito dinheiro por saber o que vai acontecer com a aprova&ccedil;&atilde;o judicial de precat&oacute;rios. <\/p>\n<p>No outro n&uacute;cleo do filme vemos mais questionamentos sociais: Roberto (Daniel Dantas) &eacute; um banc&aacute;rio dedicado, que foi demitido com mais de 500 funcion&aacute;rios do banco de Luiz Fernando, devido &agrave; informatiza&ccedil;&atilde;o da empresa. Casado com uma professora trabalhadora e honesta, Angelina Barbosa (Zez&eacute; Polessa), Roberto desacredita que, ap&oacute;s 25 anos de dedica&ccedil;&atilde;o ao banco, foi descartado sem a m&iacute;nima considera&ccedil;&atilde;o mesmo sendo &ldquo;amigo&rdquo; do banqueiro, a quem passou a manteiga num caf&eacute; de um evento organizado pela empresa. <\/p>\n<p>Isso se d&aacute; tamb&eacute;m por conta da imagem que o banqueiro Luiz Fernando constr&oacute;i de si mesmo: algu&eacute;m que venceu vindo de baixo, lutando de forma honesta e agradecida aos seus funcion&aacute;rios. No filme, ele acaba de conseguir, atrav&eacute;s de lobby pol&iacute;tico, a possibilidade de financiar im&oacute;veis para as pessoas atrav&eacute;s dos seus fundos de aposentadoria. Do mesmo jeito do que deu in&iacute;cio ao que viria a ser o boom imobili&aacute;rio nos Estados Unidos, que ocorreu sob decis&atilde;o do presidente George W. Bush e dos asseclas do capital financeiro dentro do Executivo, para movimentar recursos no mercado p&oacute;s-11 de setembro. <\/p>\n<p>Os dois n&uacute;cleos do filme se v&ecirc;em frente a frente quando, por um equ&iacute;voco, o dinheiro que deveria ser depositado na conta da secret&aacute;ria &Acirc;ngela vai parar, na verdade, na conta da mulher de Roberto. <br \/>\nDos temas principais, a corrup&ccedil;&atilde;o &eacute; o destaque do filme. As cenas em que Luiz Fernando negocia suas transa&ccedil;&otilde;es e lavagens de dinheiro s&atilde;o imorais, apesar do clima de humor. O banqueiro corrupto &eacute; um homem que se utiliza de subornos, abuso de poder e intimida&ccedil;&atilde;o para conseguir o que quer. Durante todo o desenrolar da hist&oacute;ria, vemos que mais pessoas participam dos atos il&iacute;citos, como a secret&aacute;ria e o assessor de Luiz Fernando, a fim de garantir ganhos extras ou um futuro melhor. <\/p>\n<p>O assessor do banqueiro, Romeiro (C&aacute;ssio Gabus Mendes), traz nova rela&ccedil;&atilde;o com o que vemos em n&iacute;vel mundial no capital financeiro. Formado numa das mais conhecidas universidades do mundo, Harvard, ele &eacute; questionado por v&aacute;rias personagens durante todo o filme que se intrigam em entender como algu&eacute;m com a forma&ccedil;&atilde;o dele trabalha para um &ldquo;picareta&rdquo;. Um exemplo, claro que em menor escalar e em tom de com&eacute;dia, da utiliza&ccedil;&atilde;o da Academia para a forma&ccedil;&atilde;o de profissionais que dever&atilde;o servir para os agentes financeiros, sem qualquer receio para al&eacute;m de querer parte dos &ldquo;b&ocirc;nus&rdquo; conquistados. <\/p>\n<p>Outro tema abordado pelo filme &eacute; o desemprego. Quando o banc&aacute;rio Roberto se v&ecirc; descartado da empresa ap&oacute;s anos de dedica&ccedil;&atilde;o, podemos constatar o qu&atilde;o explorado ele foi durante todo aquele tempo. Em nenhum momento o banco reconhece os esfor&ccedil;os de Roberto, que acreditava, at&eacute; ent&atilde;o, em poss&iacute;veis valores morais de uma institui&ccedil;&atilde;o que o acionista principal ainda guarda com orgulho a enxada que servira como instrumento de trabalho. <\/p>\n<p>O longa de Bruno Barreto exp&otilde;e de maneira clara o que autores contempor&acirc;neos da Cr&iacute;tica &agrave; Economia Pol&iacute;tica apontam como uma nova &ldquo;divis&atilde;o internacional do trabalho&rdquo;. A justificativa do empres&aacute;rio para o corte de empregos seria uma necess&aacute;ria informatiza&ccedil;&atilde;o, que na verdade aponta um corte de custos com o pessoal de trabalho para gerar mais lucro para o banco. Empresas de &ldquo;consultoria&rdquo; s&atilde;o contratadas apenas para, com f&oacute;rmulas que ningu&eacute;m entende, justificar esses cortes. Do mesmo jeito que poucos entendem que uma ag&ecirc;ncia de ratings do mercado financeiro d&ecirc; boas notas a a&ccedil;&otilde;es de um banco de investimentos internacional que ir&aacute; falir no dia seguinte&#8230; <\/p>\n<p>A &eacute;tica tamb&eacute;m &eacute; outra quest&atilde;o levantada pelo filme, tanto pelas a&ccedil;&otilde;es do banqueiro rico como pelos atos da fam&iacute;lia do funcion&aacute;rio desempregado. Com 50 milh&otilde;es de reais em jogo, os personagens se veem questionando valores &eacute;ticos como honestidade e moralidade. <\/p>\n<p>O que o filme mostra, de forma geral, &eacute; uma realidade que todos j&aacute; sabemos: que a desigualdade social, aliada &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o, gera atos imorais e muitas vezes criminosos. Numa an&aacute;lise apurada sobre um &ldquo;despretensioso&rdquo; audiovisual que trata com humor determinadas caracter&iacute;sticas criadas para a sociedade brasileira, percebemos que temos muito mais em comum com os agentes do capital financeiro e a &ldquo;farsa com o nome de crise&rdquo; criadas por eles. <\/p>\n<p>Este artigo foi originalmente publicado no blog do Instituto Humanitas Unisinos (IHU), na data de 02 de maio de 2012 <\/p>\n<p>Como participar: as pessoas interessadas em participar do N&uacute;cleo Interdisciplinar de Estudos da Globaliza&ccedil;&atilde;o Transnacional e da Cultura do Capitalismo (NIEG) podem nos encontrar todas as 5as, a partir das 18 horas, na sala do Grupo de Pesquisa Cepos (ao qual o N&uacute;cleo pertence), 3&ordf; 318, 3&ordm; andar do centro 3 (pr&eacute;dio A), ci&ecirc;ncias da comunica&ccedil;&atilde;o, Unisinos. O telefone de contato &eacute; o geral da Unisinos (51 3591 1122) no ramal 1320, pedindo para falar com Bruno, Anderson, Ivan ou Dijair, sempre a partir das 14 horas (2&ordf; a 6&ordf;). Ressaltamos que todos os textos desta coluna s&atilde;o de autoria coletiva, sendo responsabilidade do conjunto dos membros do NIEG-CEPOS. E-mail: nieg.cepos@gmail.com &ndash; www.grupocepos.net<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O termo caixa dois em geral refere-se a recursos n\u00e3o declarados, de origem duvidosa, ou n\u00e3o tributados, ou desviados de seu destino de origem e finalidade. 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