{"id":1621,"date":"2012-05-08T23:06:38","date_gmt":"2012-05-08T23:06:38","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1621"},"modified":"2012-05-08T23:06:38","modified_gmt":"2012-05-08T23:06:38","slug":"historia-local-e-micro-historia-encontros-e-desencontros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1621","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria Local e Micro-Hist\u00f3ria: encontros e desencontros."},"content":{"rendered":"<p>Este artigo trata da defini&ccedil;&atilde;o de Hist&oacute;ria local e de Micro-Hist&oacute;ria. procura-se conhecer a genese destas modalidades historiograficas, seus encontros e desencontros.<\/p>\n<p>Por Anderson Rom&aacute;rio Pereira Corr&ecirc;a<\/p>\n<p>\nO objetivo deste trabalho &eacute; identificar o que h&aacute; de comum e o que h&aacute; de diferente entre a Hist&oacute;ria Local e a Micro-Hist&oacute;ria. O termo Hist&oacute;ria Local muitas vezes aparece na historiografia como sin&ocirc;nimo de Hist&oacute;ria Regional. Percebe-se que a &uacute;nica diferen&ccedil;a &eacute; no &ldquo;recorte geogr&aacute;fico&rdquo;, ou seja, na escala (Regional\/local). Embora seja poss&iacute;vel encontrar uma farta bibliografia sobre o assunto, essas abordagens historiogr&aacute;ficas geram uma s&eacute;rie de confus&otilde;es. Este artigo foi elaborado para o encontro que teve por t&iacute;tulo &ldquo;II jornada de Estudos Geneal&oacute;gicos; IV Semin&aacute;rio de Hist&oacute;ria e Geografia e Encontro dos IHGs\/RS&rdquo; que aconteceu em Pelotas &ndash; RS, entre os dias 26, 27 e 28 de abril de 2012, promovido pelo Instituto Hist&oacute;rico e Geogr&aacute;fico de Pelotas. Sabe-se que os Institutos Hist&oacute;ricos e Geogr&aacute;ficos trabalham com Hist&oacute;ria Local\/Regional &ndash; dessa forma, pretende-se contribuir no debate metodol&oacute;gico das pr&aacute;ticas de pesquisa dos membros dos IHGs. <br \/>\nSegundo Jos&eacute; D&rsquo;Assun&ccedil;&atilde;o Barros, a Micro-Hist&oacute;ria e a Hist&oacute;ria Regional s&atilde;o &ldquo;abordagens&rdquo;, ou seja, enfoques ou modos de fazer. (Barros, 2004, p.132s.) Portanto, &eacute; um assunto que trata da metodologia da historiografia. Embora o foco deste modesto trabalho sejam os encontros e desencontros da Hist&oacute;ria Local e da Micro-Hist&oacute;ria, &eacute; necess&aacute;rio para compreender essas abordagens, conhecer o contexto de onde essa historiografia emergiu. Em seguida, definir o que cada um desses termos &ndash; Hist&oacute;ria Local e Micro-Hist&oacute;ria&ndash; significam &ndash; com uma abordagem que enfatiza a constru&ccedil;&atilde;o processual dessas pr&aacute;ticas de pesquisa. .As fontes s&atilde;o bibliogr&aacute;ficas e artigos digitalizados na internet. Os autores de fontes bibliogr&aacute;ficas s&atilde;o todos reconhecidos como &ldquo;autoridades&rdquo; no campo da historiografia. Em rela&ccedil;&atilde;o aos autores de materiais na internet, procurou-se conhecer a trajet&oacute;ria de pesquisa dos mesmos e a coer&ecirc;ncia argumentativa de suas produ&ccedil;&otilde;es. &Eacute; importante destacar que a an&aacute;lise que se prop&otilde;e fazer &eacute; desde um ponto de vista &ldquo;cientifico&rdquo;. <\/p>\n<p>1<strong>. Contextualiza&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>A Hist&oacute;ria Local (nova) e a Micro-Hist&oacute;ria come&ccedil;am a ser constru&iacute;das entre os anos de 1950 e 1980. O que estava acontecendo em termos historiogr&aacute;ficos neste per&iacute;odo em que &ldquo;aparecem&rdquo; novas abordagens de Hist&oacute;ria Local (na Inglaterra, Fran&ccedil;a e It&aacute;lia) e a Micro-Hist&oacute;ria? Busca-se descrever a conjuntura historiogr&aacute;fica da Fran&ccedil;a, ber&ccedil;o da Escola dos Annales, que influenciou a historiografia ocidental no final do s&eacute;culo XX, inclusive a historiografia brasileira. <br \/>\nA partir da d&eacute;cada de 1950, ganham for&ccedil;a na Europa as teses &ldquo;P&oacute;s-Modernas&rdquo;, que fazem s&eacute;rias cr&iacute;ticas ao modelo Iluminista. As ideias p&oacute;s-modernas s&atilde;o as ideias estruturalistas, mais especificamente o p&oacute;s-estruturalismo. A Hist&oacute;ria Iluminista (moderna) &eacute; dominada pelos conceitos de sistema, totalidade e universal. O iluminismo busca um conhecimento universal fundamentado na raz&atilde;o. (Reis, 2007, p.68s) O estruturalismo ainda subordina o conhecimento &agrave; raz&atilde;o; por&eacute;m, acredita que n&atilde;o existe um sentido teleol&oacute;gico no devir hist&oacute;rico (a hist&oacute;ria n&atilde;o possui unidade, sentido e nem dire&ccedil;&atilde;o). Os estruturalistas tendem ainda a generaliza&ccedil;&otilde;es ou buscam a totaliza&ccedil;&atilde;o &ndash; o universal. (Idem, p.72) Na segunda fase do estruturalismo, o p&oacute;s-estruturalismo &ndash; seus seguidores abandonam totalmente o projeto moderno e iluminista, desconfiam da raz&atilde;o; para eles, o universal n&atilde;o &eacute; pens&aacute;vel e n&atilde;o sonham mais com a unifica&ccedil;&atilde;o. Segundo Jos&eacute; Carlos Reis, na historiografia, pode-se observar que: &ldquo;O conhecimento hist&oacute;rico p&oacute;s-estruturalista aborda um mundo humano parcial, limitado, descentralizado, em migalhas. Aparece um olhar em migalhas, assim&eacute;trico, antiestrutural, antiglobal, curioso de fatos e indiv&iacute;duos.&rdquo; Em termos historiogr&aacute;ficos: &ldquo;N&atilde;o se busca mais o absoluto e n&atilde;o se quer mais produzir uma obra de valor universal.&rdquo; (Reis, 2007, p.73) <br \/>\nJos&eacute; Carlos Reis dividiu a historiografia dos Annales em tr&ecirc;s fases ou gera&ccedil;&otilde;es: a primeira vai de 1929 a 1946; a segunda vai de 1946 a 1968; e a terceira fase, de 1968 a 1988. (Reis, 2000, p.06). Ele afirma que, na segunda gera&ccedil;&atilde;o, de Braudel, ainda que, sob influ&ecirc;ncia do estruturalismo, pensava-se em uma hist&oacute;ria global. A gera&ccedil;&atilde;o de Braudel esperava uma integra&ccedil;&atilde;o estrutural de estruturas desarticuladas em ritmos, tempos e espa&ccedil;os diferentes. (Ibidem, p.79s). A terceira gera&ccedil;&atilde;o dos Annales pode ser classificada como p&oacute;s-estruturalista, mas de forma impura. &Eacute; essa gera&ccedil;&atilde;o que, influenciada pela antropologia, vai preferir &ldquo;mundos hist&oacute;ricos micro&rdquo;. (Ibidem, p.80) <br \/>\nE, no Brasil, o que estava acontecendo no campo da historiografia? Segundo Marcos Lobato Martins, a partir da d&eacute;cada de 1940 j&aacute; existiam v&aacute;rios cursos de Hist&oacute;ria pelo pa&iacute;s. O controle da produ&ccedil;&atilde;o historiogr&aacute;fica foi, aos poucos, saindo das m&atilde;os dos Institutos Hist&oacute;ricos e caindo nas m&atilde;os das Universidades. As Universidades paulatinamente foram formando grupos de autores especializados e profissionais. O amadorismo e beletrismo perderam terreno. No Brasil, entre os anos de 1930 e 1950 a historiografia acad&ecirc;mica desenvolveu praticamente grandes s&iacute;nteses e &ldquo;macroabordagens&rdquo; de &ldquo;interpreta&ccedil;&otilde;es do Brasil&rdquo;. (Martins, s.d, p.08) <br \/>\nNa d&eacute;cada de 1970, houve um embaralhamento das rela&ccedil;&otilde;es entre o regional e o nacional. As pesquisas, principalmente da USP, generalizavam para todo Brasil as caracter&iacute;sticas elucidadas pelas pesquisas sobre o estado de S&atilde;o Paulo ou sobre a regi&atilde;o sudeste. Foi o que ficou conhecido como o &ldquo;Modelo Paulista&rdquo;. (Martins, s.d, p.13) <br \/>\nDa d&eacute;cada de 1980 at&eacute; os dias de hoje, houve uma dissemina&ccedil;&atilde;o nos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o e de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Hist&oacute;ria. Essa dissemina&ccedil;&atilde;o dos cursos de forma&ccedil;&atilde;o de profissionais da Hist&oacute;ria proporcionou uma &ldquo;onda&rdquo; de interesses para a hist&oacute;ria regional e local. A pesquisa hist&oacute;rica passou a preocupar-se com a hist&oacute;ria ami&uacute;de, com a hist&oacute;ria local. (Martins, s.d, p.18) <br \/>\nEm s&iacute;ntese, para o caso brasileiro podemos dizer que, tanto no aspecto epistemol&oacute;gico (te&oacute;rico e metodol&oacute;gico), quanto no aspecto da difus&atilde;o e prolifera&ccedil;&atilde;o de cursos de gradua&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o aspectos importantes para serem levados em conta para a an&aacute;lise sobre o interesse pela Hist&oacute;ria Regional\/Local e a Micro-Hist&oacute;ria. <\/p>\n<p>\n2.<strong> Defini&ccedil;&atilde;o de Hist&oacute;ria Local <br \/>\n<\/strong><br \/>\nA Hist&oacute;ria Local sofreu mudan&ccedil;as metodol&oacute;gicas significativas nos &uacute;ltimos 50 anos. Sendo assim &eacute; poss&iacute;vel falar em uma &ldquo;hist&oacute;ria Local tradicional&rdquo; e uma &ldquo;hist&oacute;ria local nova&rdquo;. &Eacute; importante ressaltar, mais uma vez, que a hist&oacute;ria local geralmente &eacute; abordada como sin&ocirc;nimo de Hist&oacute;ria regional. Para esta &uacute;ltima, tamb&eacute;m &eacute; valida a divis&atilde;o de uma metodologia &ldquo;tradicional&rdquo; e de novas metodologias. <\/p>\n<p>2.1<strong> A Hist&oacute;ria Local Tradicional<\/strong> <\/p>\n<p>Para abordar a Hist&oacute;ria Local Tradicional, suas caracter&iacute;sticas, apresentam-se duas notas falando desta historiografia na Fran&ccedil;a e na It&aacute;lia, detendo-se mais um pouco sobre o caso brasileiro. <br \/>\nA Hist&oacute;ria Regional, segundo Peter Burke, era deixada antigamente aos antiqu&aacute;rios amadores. Ele explica quem eram os antiqu&aacute;rios e, inclusive, seu papel pol&iacute;tico no s&eacute;culo XVII &ndash; que ao contestarem a hist&oacute;ria da Realeza e defendendo as hist&oacute;rias regionais defendiam maior poder ao parlamento. (Burke, 1992, p.07) Segundo Henrique Espada Lima (2006: 29), na It&aacute;lia, antes de 1950, os estudos de &ldquo;hist&oacute;ria local&rdquo; eram conhecidos como &ldquo;erudi&ccedil;&atilde;o de prov&iacute;ncias&rdquo;, muito semelhante a Cr&ocirc;nicas &#8211; uma &ldquo;hist&oacute;ria menor&rdquo;. <br \/>\nNo livro &ldquo;Hist&oacute;ria e Estudos Regionais&rdquo;, Marcos Lobato Martins inventariou as configura&ccedil;&otilde;es que os estudos regionais assumiram na trajet&oacute;ria da historiografia do Brasil. Segundo o autor, durante o S&eacute;culo XIX e praticamente a metade do S&eacute;culo XX, boa parte dos estudos de hist&oacute;ria regional e local foi feitos fora dos ambientes acad&ecirc;micos (Universidades). Viveu-se, segundo o autor, o auge das corografias. Marcos Lobato Martins define o que s&atilde;o as corografias: &ldquo;(&#8230;) s&atilde;o as descri&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas de regi&otilde;es e localidades associadas ao relato de fatos hist&oacute;ricos destacados nelas ocorridos.&rdquo; (MARTINS, s.d; 02) Essas corografias foram incentivadas, em grande parte, pelos Institutos Hist&oacute;ricos e Geogr&aacute;ficos, e os cor&oacute;grafos eram geralmente membros efetivos ou correspondentes dos Institutos Hist&oacute;ricos (do Brasil ou os de cada Prov&iacute;ncia\/Estado e localidade). As corografias tomavam como fundamento decisivo o espa&ccedil;o e n&atilde;o o tempo. A rela&ccedil;&atilde;o entre as &ldquo;escalas&rdquo; do nacional, regional e local &eacute; reduzida a descri&ccedil;&atilde;o dos impactos dos acontecimentos da historiografia nacional nas regi&otilde;es e localidades. Outra caracter&iacute;stica das corografias, segundo o autor: &ldquo;(&#8230;) eram recheadas de uma hist&oacute;ria apote&oacute;tica, laudat&oacute;ria, antes de tudo um exerc&iacute;cio de exalta&ccedil;&atilde;o dos feitos das elites regionais e locais.&rdquo; (MARTINS, s.d, p.03) <br \/>\nSegundo Marcos Lobato Martins, na virada do s&eacute;culo XIX para o s&eacute;culo XX, existiu um padr&atilde;o, um estere&oacute;tipo de corografias, que, para o autor, tinham as seguintes caracter&iacute;sticas: <br \/>\n&ldquo;Consistiam de descri&ccedil;&otilde;es fisiogr&aacute;ficas das regi&otilde;es ou localidades, nas quais os autores elaboravam exposi&ccedil;&otilde;es da flora e da fauna e invent&aacute;rios dos recursos naturais. Em seguida, havia relatos, muitas vezes pormenorizados, da produ&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, do com&eacute;rcio e dos servi&ccedil;os. Finalmente, os autores das corografias elaboravam efem&eacute;rides e pequenas biografias de pessoas destacadas da hist&oacute;ria regional ou local.&rdquo; (MARTINS, s.d, 03) <\/p>\n<p>Martins afirma que, no per&iacute;odo de 1830 a 1930, as corografias dividiram espa&ccedil;o com as mem&oacute;rias. Estas &uacute;ltimas (as mem&oacute;rias) combinam descri&ccedil;&atilde;o de aspectos da tradi&ccedil;&atilde;o, dos costumes e textos autobiogr&aacute;ficos. (Martins, s.d,p.04) <br \/>\nAinda de acordo com Marcos Lobato Martins, as corografias foram as formas tradicionais mais recorrentes de historiografia, por&eacute;m destaca que existiam exce&ccedil;&otilde;es como os casos citados por ele de Jos&eacute; de Alc&acirc;ntara Machado de Oliveira &ndash; autor da obra Vida e Morte do Bandeirante, publicada em 1929, e de Capistrano de Abreu, autor de Caminhos antigos e povoamento do Brasil (1889) e de Cap&iacute;tulos de hist&oacute;ria Colonial, de 1907 &ndash; que s&atilde;o obras pioneiras da hist&oacute;ria social no Brasil. (Martins, s.d, p.06) <br \/>\nLu&iacute;s Resnik escreve que, no Brasil, o estudo sobre regi&otilde;es ou localidades espec&iacute;ficas remonta ao s&eacute;culo XIX. O pesquisador encontrou duas tend&ecirc;ncias para os estudos hist&oacute;ricos sobre espa&ccedil;os locais na regi&atilde;o de S&atilde;o Gon&ccedil;alo (RJ). A primeira caracter&iacute;stica &eacute; a submiss&atilde;o dos temas e dos ritmos das historiografias locais aos ritmos e temas da historiografia do Brasil: &ldquo;Ou seja, a experi&ecirc;ncia do passado local transforma-se em exemplos esparsos em meio a uma narrativa j&aacute; consolidada pela historiografia nacional&rdquo;.(Resnik, s.d, p.02) A segunda tend&ecirc;ncia desses estudos, segundo Lu&iacute;s Resnik, &eacute; a coloca&ccedil;&atilde;o em evid&ecirc;ncia dos acontecimentos das localidades, como se ali fossem experimentados fatos da mais alta relev&acirc;ncia. S&atilde;o produ&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter ufanista. (Ibidem) <\/p>\n<p>\n2.2 <strong>Hist&oacute;ria Local Nova <br \/>\n<\/strong><br \/>\nEntre 1950 e 1970, na Inglaterra, Fran&ccedil;a e It&aacute;lia, iniciou-se uma renova&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica nas pr&aacute;ticas historiogr&aacute;ficas sobre as regi&otilde;es e localidades. Essas mudan&ccedil;as de metodologia vinham das Universidades. Peter Burke, ao escrever sobre a hist&oacute;ria local e regional, destaca que: <br \/>\n&ldquo;Na d&eacute;cada de 50, o ressurgimento da hist&oacute;ria regional na Fran&ccedil;a tem um paralelo no ressurgimento da hist&oacute;ria local na Inglaterra, vinculada &agrave; escola de W.G. Hoskins, um disc&iacute;pulo de Tawney, cujos livros incluem um estudo da constru&ccedil;&atilde;o da paisagem inglesa e uma hist&oacute;ria socioecon&ocirc;mica, na longa dura&ccedil;&atilde;o (&#8230;)&rdquo; (Burke, 2010, p.138) <\/p>\n<p>Henrique Espada Lima aponta que a refer&ecirc;ncia da nova hist&oacute;ria local (designada, aqui, por Hist&oacute;ria local Nova) na It&aacute;lia &#8211; em termos metodol&oacute;gicos &#8211; &eacute; a Hist&oacute;ria Regional francesa. Assim escreve Espada Lima: &ldquo;Esses estudos locais (&#8230;) traduziam de certo modo os estudos monogr&aacute;ficos regionais que os seguidores de Braudel estavam desenvolvendo na Fran&ccedil;a naquele per&iacute;odo.&rdquo; (Espada Lima, 2006, p.41) <br \/>\nFaz-se necess&aacute;rio destacar alguns dos principais estudos Regionais e locais desenvolvidos na Fran&ccedil;a pela Escola dos Annales na d&eacute;cada de 1960: <br \/>\n&ldquo;(&#8230;) Catalunha de Pierre Vilar, Languedoc de Emmanuel Le Roy Ladurie, Provence de Michel Vovelle. Demangeon escreveu sobre a picardia, Sion sobre a Normandia, de Maurice Agulhon sobre Proven&ccedil;a, de Pierre Deyon sobre Amiens, de AdelineDaumard sobre a burguesia parisiense, de Georgelin sobre Veneza e de J. Nicolas sobre a Savoia.&rdquo;(Burke, 2010.p.80.) <\/p>\n<p>Ainda de acordo com Peter Burke, nesse per&iacute;odo, houve um bom n&uacute;mero de monografias sobre cidades modernas e sobre cidades mediterr&acirc;neas. (Burke, 2010,p.80) Mais adiante, na mesma pagina, Burke descreve as caracter&iacute;sticas metodol&oacute;gicas da &ldquo;nova&rdquo; Hist&oacute;ria Local: <br \/>\n&ldquo;Esses estudos locais, urbanos e rurais, t&ecirc;m grande semelhan&ccedil;a, formando como que um grupo familiar. Quase sempre s&atilde;o divididos em duas partes, estruturas e conjunturas, e se fundamentam em fontes que possibilitam dados bastante homog&ecirc;neos, do tipo que permite serem arrolados em s&eacute;ries de longa dura&ccedil;&atilde;o (&#8230;)&rdquo; (Burke, 2010, p.80.) <br \/>\nAs caracter&iacute;sticas dos estudos regionais desse grupo eram: iniciava-se com pela geografia da regi&atilde;o, descrevia-se em seguida a estrutura econ&ocirc;mica, social e mental e conclu&iacute;a-se com uma analise das atitudes pol&iacute;ticas e com um balan&ccedil;o das transforma&ccedil;&otilde;es no tempo. (Burke, 2010, p.81) Destacam-se os m&eacute;todos cient&iacute;ficos produzidos pelas universidades que fazem parte da Hist&oacute;ria Local a partir de 1960: &ldquo;(&#8230;) os estudos regionais combinam estruturas braudelianas, a conjuntura de Labrouse e a nova demografia hist&oacute;rica.&rdquo; (Burke, 2010,p.80.) <br \/>\nCabe destacar a defini&ccedil;&atilde;o de Hist&oacute;ria Regional feita por Jos&eacute; D&rsquo;Assum&ccedil;&atilde;o Barros: <br \/>\n&ldquo;Quando um historiador se prop&otilde;e a trabalhar dentro do &acirc;mbito da Hist&oacute;ria Regional, ele mostra-se interessado em estudar diretamente uma regi&atilde;o espec&iacute;fica. O espa&ccedil;o regional, &eacute; importante destacar, n&atilde;o estar&aacute; necessariamente associado a um recorte administrativo ou geogr&aacute;fico, podendo se referir a um recorte antropol&oacute;gico (&#8230;). Mas, de qualquer modo, o interesse central do historiador regional &eacute; estudar especificamente este espa&ccedil;o, ou as rela&ccedil;&otilde;es sociais que se estabelecem dentro deste espa&ccedil;o, mesmo que eventualmente pretenda compar&aacute;-lo com outros espa&ccedil;os similares ou examinar, em algum momento de sua pesquisa, a inser&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o regional em um universo maior (&#8230;).&rdquo; (Barros, 2004, p.153.) <\/p>\n<p>A partir do que foi exposto, podemos definir a Hist&oacute;ria Local Nova como uma pr&aacute;tica historiogr&aacute;fica que tem por objetivo o estudo do local. Entende-se como local um lugarejo, aldeia, vila e cidade. As metodologias de pesquisa s&atilde;o herdadas das abordagens constru&iacute;das pela Escola dos Annales utilizadas na Hist&oacute;ria Regional. <br \/>\nLu&iacute;s Resnik escreve, com o subt&iacute;tulo &ldquo;por uma outra hist&oacute;ria local&rdquo;, que, nos aspectos historiogr&aacute;ficos, as novas formas de fazer esse g&ecirc;nero de hist&oacute;ria s&atilde;o uma rea&ccedil;&atilde;o contra metodologias e eixos conceituais dimensionados pela hist&oacute;ria global e total. A Hist&oacute;ria Local Nova &eacute; uma mudan&ccedil;a na escala de observa&ccedil;&atilde;o, que, segundo o autor, pode construir uma nova densidade no quadro das interdepend&ecirc;ncias entre agentes e fatores constitutivos de determinadas experi&ecirc;ncias hist&oacute;ricas. Existe uma costura de rela&ccedil;&otilde;es sociais que ultrapassam os limites do local, do regional e do nacional. A hist&oacute;ria local n&atilde;o se op&otilde;e, dessa forma, &agrave;s outras escalas de observa&ccedil;&atilde;o. (Resnik,s.d,p.03) <\/p>\n<p>3. <strong>A Micro-Hist&oacute;ria<\/strong> <\/p>\n<p>Antes de definir conceitualmente o que significa a Micro-Hist&oacute;ria, cabe descrever o processo de constru&ccedil;&atilde;o desta modalidade historiogr&aacute;fica e perceber como ela foi constru&iacute;da. &Eacute; not&oacute;rio que a Micro-Hist&oacute;ria nasceu na It&aacute;lia &#8211; nos falta o conhecimento de como isso aconteceu. Segundo Espada Lima, a Micro-Hist&oacute;ria italiana &eacute; fruto de um processo n&atilde;o-linear e de diversas pr&aacute;ticas historiogr&aacute;ficas nem sempre homog&ecirc;neas. Para compreendera Micro-hist&oacute;ria, &eacute; necess&aacute;rio conhecer um pouco da trajet&oacute;ria dos historiadores italianos reunidos em torno da revista &rdquo;Quaderni Storici&rdquo;. Esse grupo identificou um dado n&uacute;mero de problemas e refer&ecirc;ncias mais ou menos comuns que foram identificadas como Micro-Hist&oacute;ria. (Espada Lima, 2006, p.25) <\/p>\n<p>3.1 <strong>Da &ldquo;Hist&oacute;ria Local Nova&rdquo; a Micro-Hist&oacute;ria <br \/>\n<\/strong><br \/>\nA Revista Quaderni Storici nasceu em Ancona, uma cidade portu&aacute;ria da It&aacute;lia, na costa do Adri&aacute;tico, em 1965, sob a dire&ccedil;&atilde;o de Alberto Caracciolo. A primeira edi&ccedil;&atilde;o foi no ano de 1966 e teve o titulo &ldquo;Quaderni Storici delle Marche&rdquo;. Manteve esse t&iacute;tulo at&eacute; 1969. O t&iacute;tulo &ldquo;della Marche&rdquo; &eacute; significativo para ilustrar a marca pelo interesse &ldquo;local&rdquo;. Nessa edi&ccedil;&atilde;o inaugural &eacute; publicado um texto de Fernand Braudel &ndash; &ldquo;Hist&oacute;ria e Ci&ecirc;ncias Sociais&rdquo;. Que aborda a quest&atilde;o da longa dura&ccedil;&atilde;o. (Espada Lima, 2006, p.26) A inten&ccedil;&atilde;o nitidamente observada na Revista &eacute; fixar uma tens&atilde;o vinculada ao car&aacute;ter local &ndash; colocado no pr&oacute;prio recorte geogr&aacute;fico do t&iacute;tulo &ndash; e monogr&aacute;fico (em oposi&ccedil;&atilde;o ao generalizador e te&oacute;rico) e o geral. O geral estava expresso na &ldquo;longa dura&ccedil;&atilde;o&rdquo; de Braudel. A ideia era conectar as pesquisas locais com problemas muito mais amplos, mediadas pelas discuss&otilde;es historiogr&aacute;ficas de vanguarda. (Espada Lima, 2006, p.27) Como j&aacute; foi feita a referencia, eles queriam uma &ldquo;nova hist&oacute;ria local&rdquo;. Para estes historiadores italianos: &ldquo;a dimens&atilde;o local como um campo de testes, de experimenta&ccedil;&atilde;o, marcava ent&atilde;o de modo importante o car&aacute;ter central da revista.&rdquo; (Espada Lima, 2006, p.29) <br \/>\nPara argumentar em defesa da ideia da proximidade e influ&ecirc;ncia dos Annales na historiografia italiana do per&iacute;odo, cabe destacar que um dos coordenadores do &ldquo;Quaderni Storici delle Marche&rdquo; &ndash; Alberto Caracciolo estudou na &Eacute;cole Pratique des Hautes &Eacute;tudes, &ldquo;quartel general&rdquo; de Bruadel nas d&eacute;cadas de 1950 e 1960. (Espada Lima, 2006, p.40) <br \/>\nA partir da d&eacute;cada de 1970, os debates sobre a &ldquo;microstoria&rdquo; aparecem na Revista &ldquo;Quaderni Storici&rdquo;. S&atilde;o discuss&otilde;es em torno da Hist&oacute;ria Social, dos estudos de fam&iacute;lias e comunidades, da antropologia hist&oacute;rica etc. Depois de 1970, um grupo maior de historiadores passou a dividir a organiza&ccedil;&atilde;o e dire&ccedil;&atilde;o da Revista que, al&eacute;m de Pasquale Villani e Alberto Caracciolo, tinha:Edoardo Grendi, Angelo Ventura, Ernesto Galli Della Loggia, Raffaele Romanelli. Somam-se ainda, entre outros, nos anos seguintes, Giovanni Levi, Carlo Poni e Carlo Ginzburg. (Espada Lima, 2006, p.59.) <br \/>\nSegundo Espada Lima, ao analisar os primeiros doze n&uacute;meros dos &ldquo;Quaderni Storici&rdquo; &eacute; poss&iacute;vel perceber como seu programa original foi implementado. Segundo o autor, &ldquo;j&aacute; n&atilde;o se tratava de seguir no terreno regional as &lsquo;grandes quest&otilde;es nacionais&rsquo;, mas de pensar a partir da amostra.&rdquo; (Espada Lima, 2006, p.41) <br \/>\nA Micro-Hist&oacute;ria deriva, ou melhor, &eacute; uma &ldquo;evolu&ccedil;&atilde;o&rdquo; no sentido de transforma&ccedil;&atilde;o, da Hist&oacute;ria Local Nova na It&aacute;lia. A Micro-Hist&oacute;ria deixa de ter na &ldquo;delimita&ccedil;&atilde;o espacial&rdquo; seu objeto de estudo e passa a se preocupar com problemas gerais da historiografia utilizando-se da redu&ccedil;&atilde;o de escala, ou seja, &ldquo;pensar a partir da amostra&rdquo;. Segundo Espada Lima: <br \/>\n&ldquo;Em primeiro lugar, no que dizia respeito &agrave; escala de analise: em vez de deter-se sobre as tend&ecirc;ncias de longa dura&ccedil;&atilde;o e os largos espa&ccedil;os geogr&aacute;ficos, propunha-se o estudo intenso sobre comunidades, grupos familiares ou mesmo indiv&iacute;duos. A justificativa dessa redu&ccedil;&atilde;o de escala estava no fato de que apenas no &acirc;mbito microsc&oacute;pio seria poss&iacute;vel articular de modo consistente os v&aacute;rios perfis que as fontes seriais produziam &ndash; originalmente independentes entre si &ndash; em uma compreens&atilde;o coerente da realidade social. As fontes seriais, tratadas em escala reduzida, n&atilde;o deveriam, portanto, ser consideradas separadamente. Ao contrario, seriam combinadas entre si de modo a revelar, ainda que indiretamente, o conjunto de estrat&eacute;gias comuns e individuais que constituem o concreto das rela&ccedil;&otilde;es sociais. (&#8230;)&rdquo;(Espada Lima, 2006, p.62.) <\/p>\n<p>Para diferenciar a Micro-Hist&oacute;ria da Hist&oacute;ria Local, &eacute; importante o coment&aacute;rio de Jos&eacute; D&rsquo;Assum&ccedil;&atilde;o Barros, que escreve assim: <br \/>\n&ldquo;A escolha da micro-historiogr&aacute;fica tamb&eacute;m pode incidir sobre determinada comunidade microlocalizada, mas tal como j&aacute; dissemos, nunca o verdadeiro objeto de que se ocupa o historiador ser&aacute; a comunidade em si mesma (como seria o caso da hist&oacute;ria local), e sim determinado aspecto que incide transversalmente sobre essa comunidade.&rdquo; (Barros, 2004,p.160.) <\/p>\n<p>&Eacute; poss&iacute;vel observar a diferen&ccedil;a de Hist&oacute;ria local e Micro-Hist&oacute;ria em uma frase. O micro-historiador Giovanni Levi parafraseia Geertz e diz que &ldquo;Os historiadores n&atilde;o estudam as aldeias, eles estudam em aldeias.&rdquo; (Levi, 1992, p.138.) <\/p>\n<p>3.2 <strong>A Micro-Hist&oacute;ria<\/strong><\/p>\n<p>Al&eacute;m da trajet&oacute;ria das pesquisas dos historiadores italianos, a Micro-Hist&oacute;ria tamb&eacute;m teve a influ&ecirc;ncia do dialogo entre historiadores e antrop&oacute;logos. Os dois trabalhos mais destacados e conhecidos da Micro-Hist&oacute;ria v&ecirc;m da Fran&ccedil;a e da It&aacute;lia: &ldquo;Montaillou&rdquo; de Le Roy Ladurie e &ldquo;O Queijo e os Vermes&rdquo; de Ginzburg. Isso mostra que a Micro-Hist&oacute;ria pode n&atilde;o ser o resultado de uma transforma&ccedil;&atilde;o dos estudos locais\/regionais, mas tamb&eacute;m o resultado da crise dos paradigmas e da influ&ecirc;ncia da antropologia. Muito embora tenha ocorrido um ac&uacute;mulo de experi&ecirc;ncias em Hist&oacute;ria Local\/Regional na Fran&ccedil;a tamb&eacute;m. <br \/>\nSegundo Giovanni Levi, a micro-hist&oacute;ria pode ser entendida como uma pr&aacute;tica. Essa pr&aacute;tica historiogr&aacute;fica &eacute; &ldquo;essencialmente baseada na redu&ccedil;&atilde;o da escala de observa&ccedil;&atilde;o, em uma an&aacute;lise microscopia e em um estudo intensivo do material documental.&rdquo; (Levi, 1992, p.136.) &Eacute; importante destacar que n&atilde;o devemos ficar presos a ideias de &ldquo;espa&ccedil;o&rdquo; e escalas no sentido geogr&aacute;fico. Por isso, &eacute; importante a observa&ccedil;&atilde;o de Jos&eacute; D&rsquo;Assum&ccedil;&atilde;o Barros, que destaca: <br \/>\n&ldquo;O objeto de estudo do micro-historiador n&atilde;o precisa ser, desta forma, o espa&ccedil;o micro-recortado. Pode ser uma pr&aacute;tica social espec&iacute;fica, a trajet&oacute;ria de determinados atores sociais, um n&uacute;cleo de representa&ccedil;&otilde;es, uma ocorr&ecirc;ncia ou qualquer outro aspecto que o historiador considere revelador em rela&ccedil;&atilde;o aos problemas sociais ou culturais que se disp&ocirc;s a examinar. Se ele elabora a biografia de um indiv&iacute;duo (e frequentemente escolher&aacute; um indiv&iacute;duo an&ocirc;nimo), o que o estar&aacute; interessando n&atilde;o &eacute; propriamente a biografia desse indiv&iacute;duo, mas sim os aspectos que poder&aacute; perceber atrav&eacute;s do exame microlocalizado dessa vida (&#8230;).&rdquo; (Barros, 2004, p.153.) <\/p>\n<p>A micro-hist&oacute;ria tem suas ra&iacute;zes dentro do c&iacute;rculo dos historiadores e possui la&ccedil;os muitos pr&oacute;ximos &agrave; antropologia. A Micro-Hist&oacute;ria, ap&oacute;s iniciar suas observa&ccedil;&otilde;es &agrave; massa documental (emp&iacute;rica), n&atilde;o busca impor sobre estes dados e informa&ccedil;&otilde;es uma teoria do tipo legal. A Micro-Hist&oacute;ria parte do conjunto de sinais significativos e busca ajust&aacute;-los em uma estrutura intelig&iacute;vel. (Levi, 1992, p.141) Nessa passagem a seguir, Giovanni Levi demonstra esse aspecto interpretativo da Micro-hist&oacute;ria: <br \/>\n&ldquo;A abordagem micro-hist&oacute;rica dedica-se ao problema de como obtermos acesso ao conhecimento do passado, atrav&eacute;s de v&aacute;rios ind&iacute;cios, sinais e sintomas. Esse &eacute; um procedimento que toma o particular como seu ponto de partida e prossegue, identificando seu significado &agrave; luz de seu pr&oacute;prio contexto especifico.&rdquo; (Levi, 1992, p.154.) <br \/>\nPelo seu Carter interpretativo, a Micro-Hist&oacute;ria rompe com a ideia tradicional de realidade objetiva. Um dos princ&iacute;pios unificadores da pr&aacute;tica micro-historiogr&aacute;fica &eacute; a ideia segundo a qual um problema abordado pelo microsc&oacute;pio revela quest&otilde;es e respostas que o telesc&oacute;pio n&atilde;o pode captar. Para a micro-hist&oacute;ria, n&atilde;o &eacute; a escala o objeto de an&aacute;lise e estudo, mas sim um problema que &eacute; analisado de forma mais densa. <\/p>\n<p>4. <strong>Considera&ccedil;&otilde;es finais: encontros e desencontros<\/strong><\/p>\n<p>A Hist&oacute;ria Local &eacute; uma modalidade de historiografia muito antiga; por&eacute;m, no mesmo per&iacute;odo em que houve uma renova&ccedil;&atilde;o nas metodologias e abordagens, surgiu a Micro-Hist&oacute;ria. Pode-se afirmar que a Hist&oacute;ria Local Nova e a Micro-Hist&oacute;ria surgiram do encontro de novas t&eacute;cnicas, metodologias e abordagens que a historiografia estava passando na Europa, no mesmo per&iacute;odo hist&oacute;rico. Surgiram no mesmo &ldquo;lugar&rdquo; e momento. Esse &eacute; um fato marcante do que estas modalidades t&ecirc;m em comum <br \/>\nExistem duas formas de Hist&oacute;ria Local: uma &ldquo;tradicional&rdquo; e outra &ldquo;nova&rdquo;. A emerg&ecirc;ncia da Hist&oacute;ria Local Nova na Fran&ccedil;a e na It&aacute;lia se deu num per&iacute;odo de ruptura de paradigmas historiogr&aacute;ficos e como resultado de um acumulo de estudos sobre as regi&otilde;es e localidades. Esse debate vai chegar mais tarde ao Brasil. O interesse pela Hist&oacute;ria local e pela Micro-Hist&oacute;ria no Brasil deve-se, tamb&eacute;m, pelo fato de ocorrer um acumulo de pesquisas globais e totalizantes, assim como pela amplia&ccedil;&atilde;o e dissemina&ccedil;&atilde;o dos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Se analisarmos alguns aspectos como os objetivos, as fontes, a metodologia e os aspectos relacionados &agrave; teoria &ndash; veremos que n&atilde;o existe encontros entre as modalides de Hist&oacute;ria local e Micro-Hist&oacute;ria. Isso n&atilde;o significa que um historiador, que pratica uma modalidade de Hist&oacute;ria, n&atilde;o possa se interessar pelos estudos do outro. Os historiadores de quest&otilde;es locais e regionais podem utilizar o m&eacute;todo da Micro-Hist&oacute;ria para conhecer aspectos da regi&atilde;o ou local que estudam. Um historiador local pode utilizar um estudo Micro-hist&oacute;rico para ilustrar uma trama ocorrida em determinado espa&ccedil;o geogr&aacute;fico. O Micro-Historiador pode utilizar um estudo regional e local para compreender e interpretar um problema analisado em escala reduzida. A Hist&oacute;ria Local Nova e a Micro-Hist&oacute;ria se encontram na Escala. Uma utiliza a escala como fim e a outra como meio. <\/p>\n<p>5. <strong>Bibliografia <\/strong><\/p>\n<p>ARA&Uacute;JO FILHO, Luiz. O Munic&iacute;pio de Alegrete. Alegrete: Gr&aacute;fica Coqueiro, 1908. <br \/>\nBARROS, Jos&eacute; D&rsquo;Assun&ccedil;&atilde;o. O campo da hist&oacute;ria: especialidades e abordagens. Petr&oacute;polis, RJ: Vozes, 2004. <br \/>\nBURKE, Peter. A Escola dos Annales (1929-1989): a revolu&ccedil;&atilde;o francesa da historiografia.2 ed. S&atilde;o Paulo: Editora da Unesp. 2010. <br \/>\nBURKE, Peter. Abertura: A nova hist&oacute;ria, seu passado e seu futuro. In: A Escrita da Hist&oacute;ria: novas perspectivas \/Peter Burke (org.). S&atilde;o Paulo: Editora da UNESP. 1992. <br \/>\nESPADA LIMA, Henrique. A micro-hist&oacute;ria italiana: escalas, ind&iacute;cios e singularidades. Rio de Janeiro, Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 2006. <br \/>\nLEVI, Giovanni. Sobre a micro-hist&oacute;ria. In: A Escrita da Hist&oacute;ria: novas perspectivas \/Peter Burke (org.). S&atilde;o Paulo: Editora da UNESP 1992. <br \/>\nMARTINS,Marcos Lobato. Os estudos regionais na historiografia brasileira. WWW.minasdehistoria.blog.br\/&#8230;\/historia_e_estudos_&#8230;_Acesso:22\/04\/2012, 09:49 (Texto:p.01-19). <br \/>\nREIS, Jos&eacute; Carlos. Hist&oacute;ria &amp; Teoria: historicismo, modernidade, temporalidade e verdade. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007. <br \/>\nREIS, Jos&eacute; Carlos.Escola dos Annales: a inova&ccedil;&atilde;o em hist&oacute;ria.S&atilde;o Paulo, Pz e Terra, 2000. <br \/>\nREZNIK, Lu&iacute;s. Qual o lugar da hist&oacute;ria local? www.historiadesaogoncalo.pro.br\/txt_hsg_artigo_03.pdf. Acesso: 22\/04\/2012, 10:00.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo trata da defini&ccedil;&atilde;o de Hist&oacute;ria local e de Micro-Hist&oacute;ria. procura-se conhecer a genese destas modalidades historiograficas, seus encontros e desencontros. Por Anderson Rom&aacute;rio Pereira Corr&ecirc;a O objetivo deste trabalho &eacute; identificar o que h&aacute; de comum e o que h&aacute; de diferente entre a Hist&oacute;ria Local e a Micro-Hist&oacute;ria. 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