{"id":1625,"date":"2012-05-15T19:52:42","date_gmt":"2012-05-15T19:52:42","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1625"},"modified":"2012-05-15T19:52:42","modified_gmt":"2012-05-15T19:52:42","slug":"os-imperios-do-esporte-continuam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1625","title":{"rendered":"Os imp\u00e9rios do esporte continuam"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sanford-soccer.net.blogspot.com.jpg\" title=\"A Am\u00e9rica do Sul est\u00e1 cheia de \"Poderosos Chef\u00f5es\" - Foto:sanford-soccer.net.blogspot.com\" alt=\"A Am\u00e9rica do Sul est\u00e1 cheia de \"Poderosos Chef\u00f5es\" - Foto:sanford-soccer.net.blogspot.com\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A Am\u00e9rica do Sul est\u00e1 cheia de &#8220;Poderosos Chef\u00f5es&#8221;<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:sanford-soccer.net.blogspot.com<\/small><\/figure>\n<p><em>15 de maio, Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes &amp; Bruno Lima Rocha<\/em><\/p>\n<p>O futebol brasileiro viveu em 2012 um grande momento. A ren&uacute;ncia de Ricardo Teixeira do cargo de presidente da CBF &eacute;, sem d&uacute;vida, um marco na hist&oacute;ria do esporte que &eacute; a paix&atilde;o nacional. Isto ocorre embora o sucessor n&atilde;o seja exatamente o que todos desej&aacute;vamos. Jos&eacute; Maria Mar&iacute;n tem um hist&oacute;rico digamos que tenebroso e sua pr&aacute;tica n&atilde;o vem sendo algo nem um pouco &quot;revolucion&aacute;rio&quot; &#8211; chega a ser mais do mesmo, ou at&eacute;  um pouco pior, se &eacute;  que isso &eacute; poss&iacute;vel.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, o assunto desta coluna &eacute; outro, algo que tamb&eacute;m j&aacute; tratamos algumas vezes antes &ndash; e voltaremos &agrave; carga cada vez que for necess&aacute;rio. Presidentes de entidades esportivas ganham o poder e delas se tornam donos. O &ldquo;saud&aacute;vel&rdquo; rod&iacute;zio no comando, que muitos defendem, sequer &eacute; pensado e, o pior, permitido. AFA, Conmebol e COB elegem &ldquo;imperadores&rdquo;, n&atilde;o presidentes.<\/p>\n<p><strong>O homem que atravessou regimes<\/strong><\/p>\n<p>Como n&atilde;o poderia deixar de ser, na irm&atilde; Argentina, Julio Grondona impera no cargo de presidente da AFA (Associa&ccedil;&atilde;o Argentina de Futebol) por mais de 30 anos, tendo sido reeleito para mais um mandato de quatro anos em 2011.<\/p>\n<p>&ldquo;Don Julio&rdquo; foi designado pela ditadura militar argentina (ainda no governo de Videla!) para assumir o posto, em 1979, passando pelo per&iacute;odo dos militares (resistiu a Guerra das Malvinas), por Carlos Saul Menem, pelas crises do final da d&eacute;cada de 1990 e in&iacute;cio dos anos 2000, e conseguiu negociar com os Kirchner (Nestor e Cristina) novos contratos para transmiss&atilde;o do campeonato local, em 2010.<\/p>\n<p>Grondona sobrevive h&aacute; mais de tr&ecirc;s d&eacute;cadas tendo ganhado &ldquo;apenas&rdquo; uma Copa do Mundo (M&eacute;xico, 1986) &ndash; com Maradona em campo &ndash;, havendo enfrentado quase uma dezena de greves de jogadores, de &aacute;rbitros e presenciando o aumento da viol&ecirc;ncia entre as barras (torcidas), que conseguiram adentrar at&eacute; nas diretorias dos times. Semeou o caos e a semi-fal&ecirc;ncia de um futebol que est&aacute; entre os melhores do mundo. Parab&eacute;ns, Don Julio!<\/p>\n<p>Os clubes da Argentina beiram a fal&ecirc;ncia. Basta ver o River Plate, um dos maiores times da Am&eacute;rica do Sul, que vem h&aacute; anos em decl&iacute;nio e hoje joga a Divis&atilde;o de Acesso na Argentina.<\/p>\n<p>O Boca Juniors tamb&eacute;m viveu um momento ruim &#8211; tendo antes servido de trampolim para Mauricio Macri, menemista e empres&aacute;rio, ganhar na urna a prefeitura da Capital Federal -, ficando dois anos sem disputar a Libertadores. Olha que a AFA cria f&oacute;rmulas e mais f&oacute;rmulas para privilegiar os grandes.<\/p>\n<p>Em 2012, o time se reergueu e j&aacute; est&aacute; nas quartas de final do torneio, onde enfrenta o Fluminense. Por&eacute;m, os problemas financeiros tamb&eacute;m est&atilde;o evidentes.<\/p>\n<p>Tudo bem, algu&eacute;m pode dizer que aqui no Brasil ocorre o mesmo. Contando com dirigentes &ldquo;amadores&rdquo;, a maior parte dos clubes &eacute; uma entidade paraestatal que nada em poss&iacute;veis grandes lucros anuais (ou em endividamentos, comprometendo receitas futuras) &ndash; por honra e gra&ccedil;a de Ricardo Teixeira. Por&eacute;m, h&aacute; de salientar que na Argentina, o tradicional Racing Club de Avellaneda (time de Juan Domingo Per&oacute;n), s&oacute; n&atilde;o acabou por conta dos seus aficionados, que foram &agrave;s ruas.<\/p>\n<p>Talvez uma das melhores proezas de &ldquo;Don Julio&rdquo; tenha sido o acordo para os direitos de transmiss&atilde;o do Campeonato Argentino com a TV estatal. O governo Kirchner paga desde 2009 cerca de 150 milh&otilde;es de d&oacute;lares anuais para ter todos os direitos de transmiss&atilde;o at&eacute; 2019, atrav&eacute;s do programa &ldquo;F&uacute;tbol para todos&rdquo; &ndash; rompendo assim a ditadura do cabo, da antiga parceria de TyC e Fox Sports.<\/p>\n<p><strong>Chapa (eternamente?) &uacute;nica<\/strong><\/p>\n<p>Passemos ao Brasil, e n&atilde;o ao futebol. No final de abril, foi anunciado que o presidente do Comit&ecirc; Ol&iacute;mpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman (cartola do v&ocirc;lei, ex-operador da Bolsa de Valores), formava a &uacute;nica chapa inscrita para a entidade que controla o esporte no Brasil.<\/p>\n<p>O presidente do COB completar&aacute; a maioridade no comando. Sem concorrentes para a disputa eleitoral, Carlos Arthur Nuzman ser&aacute; eleito e concluir&aacute; 21 anos &agrave; frente da entidade que deveria ser respons&aacute;vel por administrar e auxiliar no desenvolvimento de todas as atividades esportivas consideradas &ldquo;ol&iacute;mpicas&rdquo; no pa&iacute;s &#8211; portanto,  amadoras na base.<\/p>\n<p>De fato, se pegarmos esse per&iacute;odo, podemos perceber forte crescimento de determinados esportes, com imenso destaque para o v&ocirc;lei (de quadra e de praia), que se consolidou entre os melhores do mundo principalmente ap&oacute;s a constru&ccedil;&atilde;o do super centro de treinamento no Rio de Janeiro para todas as categorias.<\/p>\n<p>S&oacute; que outras modalidades, como fora o caso do basquete, entraram num t&uacute;nel cuja luz tarda para ser vista. Tudo bem, mais por culpa de quem comandou a CBB (parab&eacute;ns seu Grego!) do que do pessoal do COB. Mas trata-se de um esporte historicamente praticado nas escolas, que s&oacute; perde para o futsal e para o handebol, este &uacute;ltimo  ainda sem grandes sucessos de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Reparem que aqui citamos apenas os esportes mais famosos e de ordem coletiva. Esportes mais &ldquo;desconhecidos&rdquo; vivem &agrave; m&iacute;ngua, esperando um grande talento surgir daqui ou dali. Al&eacute;m disso, vale salientar, que a cada &ldquo;fezinha&rdquo; do brasileiro nas loterias, uma parte vai para o desenvolvimento de esportes ol&iacute;mpicos no Brasil. Se o alto rendimento deu uma melhorada, o refor&ccedil;o do esporte de base onde est&aacute;?<\/p>\n<p>Mais que uma cr&iacute;tica espec&iacute;fica, basta lembrar que os Jogos Ol&iacute;mpicos de Ver&atilde;o ser&atilde;o realizados no Brasil, no Rio de Janeiro em 2016, e pouco se viu de grande mudan&ccedil;a nos esportes nacionais para as Omimp&iacute;adas deste ano, em Londres. Esporte, tal qual a educa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o se faz da noite para o dia, mas com uma forma&ccedil;&atilde;o desde as categorias de base. &Eacute; trabalho de uma ou duas d&eacute;cadas, alinhando cada federa&ccedil;&atilde;o estadual com as metas do COB. E  a&iacute; seu Nuzman, cad&ecirc; o famoso planejamento?<\/p>\n<p><strong>At&eacute; morrer!          <\/strong><\/p>\n<p>At&eacute; aqui tratamos de exemplos de pessoas que se &ldquo;apoderaram&rdquo; de entidades esportivas, sem muita oposi&ccedil;&atilde;o, e que continuam, elei&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s elei&ccedil;&atilde;o, dirigindo esportes important&iacute;ssimos. Mas este &uacute;ltimo caso &eacute; estranh&iacute;ssimo, para o dizer o m&iacute;nimo.<\/p>\n<p>Ao completar no dia 01 de maio 26 anos no cargo de presidente da Confedera&ccedil;&atilde;o Sul Americana de Futebol (Conmebol), o paraguaio Nicol&aacute;s Leoz (eterno amigo do finado Stroessner) foi anunciado como presidente vital&iacute;cio da entidade que coordena o futebol no sul do continente americano, em que tr&ecirc;s sele&ccedil;&otilde;es ganharam nove Copas do Mundo!<\/p>\n<p>V&aacute; l&aacute; que os demais, assim como era Ricardo Teixeira no Brasil, n&atilde;o se imaginam que sair&atilde;o sem ser por vontade pr&oacute;pria, mas o caso de Leoz &eacute; ainda pior. Segundo o diretor da comiss&atilde;o t&eacute;cnica do &oacute;rg&atilde;o, Hildo Nejar, em entrevista ao Lancenet!, um congresso em Santa Cruz de la Sierra (Bol&iacute;via), em 1997, definiu que o paraguaio s&oacute; sairia do cargo se quisesse ou se morresse. Apenas quinze anos depois &eacute; que se tem esta informa&ccedil;&atilde;o divulgada.  Leoz &eacute; o Imperador do  Continente!<\/p>\n<p>&ldquo;Dr. Leoz&rdquo; &eacute; respons&aacute;vel por administrar um torneio do porte de uma Copa Santander Libertadores (arghhh!!! Venderam Bol&iacute;var, San Mart&iacute;n, Sucre, Artigas e cia. para um banco espanhol!), mas que paga menos pr&ecirc;mios que um Campeonato Brasileiro de Futebol.<\/p>\n<p>Este cobi&ccedil;ado torneio tamb&eacute;m permite partidas em est&aacute;dios onde se atira quaisquer coisas nos jogadores (se os ovos podres ainda fossem na cartolagem&#8230;), e que n&atilde;o pune os atletas caso recebam determinada sequ&ecirc;ncia de cart&otilde;es amarelos. Se comparamos, como o Lancenet! fez, com a Uefa Champions League, a&iacute; sim a diferen&ccedil;a &eacute; gritante.<\/p>\n<p>A causa de tamanha balb&uacute;rdia est&aacute; longe de ser por conta da riqueza dos pa&iacute;ses do outro lado do Atl&acirc;ntico. Parece n&atilde;o haver interesse em difundir os neg&oacute;cios no futebol de clubes local &ndash; ou h&aacute; algu&eacute;m ganhando muito bem com isso, sem dividir com quem realmente merece.<\/p>\n<p>Dentre os absurdos de sua gest&atilde;o est&aacute; um caso muito simples. No Brasil, desde o final da d&eacute;cada de 1990, in&iacute;cio dos 2000, que se usa o spray para marca a correta dist&acirc;ncia da barreira para a bola. Mesmo com Teixeira num cargo do conselho de arbitragem da FIFA, e tendo muito poder na Am&eacute;rica do Sul, o spray s&oacute; veio a ser utilizado na Libertadores deste ano. Por&eacute;m, o spray utilizado &eacute;  um modelo fabricado na Argentina, que demora a apagar do campo, assemelhando-se com um creme de barbear.<\/p>\n<p>&Eacute; inadmiss&iacute;vel que um Continente que possui pa&iacute;ses com o hist&oacute;rico de Brasil, Argentina e Uruguai fiquem &agrave; merc&ecirc; de um sujeito como Leoz. Por mais que os presidentes das confedera&ccedil;&otilde;es\/federa&ccedil;&otilde;es destes pa&iacute;ses sirvam como uma justificativa bastante plaus&iacute;vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Am\u00e9rica do Sul est\u00e1 cheia de &#8220;Poderosos Chef\u00f5es&#8221; Foto:sanford-soccer.net.blogspot.com 15 de maio, Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes &amp; Bruno Lima Rocha O futebol brasileiro viveu em 2012 um grande momento. A ren&uacute;ncia de Ricardo Teixeira do cargo de presidente da CBF &eacute;, sem d&uacute;vida, um marco na hist&oacute;ria do esporte que &eacute; a paix&atilde;o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1625","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1625","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1625"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1625\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1625"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1625"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1625"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}