{"id":1628,"date":"2012-05-24T21:11:22","date_gmt":"2012-05-24T21:11:22","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1628"},"modified":"2012-05-24T21:11:22","modified_gmt":"2012-05-24T21:11:22","slug":"futebol-para-as-elites","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1628","title":{"rendered":"Futebol para as elites?"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Velodromo1.jpg\" title=\"Olha a quantidade de p\u00fablico nos prim\u00f3rdios elitistas do futebol! - Foto:br.oleole.com\" alt=\"Olha a quantidade de p\u00fablico nos prim\u00f3rdios elitistas do futebol! - Foto:br.oleole.com\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Olha a quantidade de p\u00fablico nos prim\u00f3rdios elitistas do futebol!<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:br.oleole.com<\/small><\/figure>\n<p><em>24 de maio, Anderson Santos (editor) &amp; Dijair Brilhantes<\/em><\/p>\n<p>Na &uacute;ltima segunda-feira o programa Bem, Amigos!, do canal fechado Sportv (Organiza&ccedil;&otilde;es Globo), trouxe a p&uacute;blico um debate o qual deve ser tratado com muita aten&ccedil;&atilde;o: a &ldquo;elitiza&ccedil;&atilde;o&rdquo; nos est&aacute;dios de futebol.<\/p>\n<p>&Eacute; um rumo que, por mais que sejamos encaminhados no Brasil por conta da Copa do Mundo FIFA 2014, &eacute; impens&aacute;vel de se imaginar, muito menos que alguns profissionais de imprensa esportiva defendam algo desse tipo. Como imaginar o futebol tido como esporte popular a voltar no tempo e ter um p&uacute;blico elitizado nas arquibancadas?<\/p>\n<p><strong>Entendendo o que ocorreu<\/strong><\/p>\n<p>A discuss&atilde;o teve in&iacute;cio quando o tema do programa era se o torcedor do Corinthians aguentaria pagar R$ 60,00 por ingresso em quatro jogos num m&ecirc;s. Vale lembrar que o aumento dos valores nos ingressos corintianos come&ccedil;ou em 2009, com a vinda de Ronaldo ao clube e o avan&ccedil;o do marketing no clube.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, acabados os contratos estabelecidos at&eacute; a aposentadoria de R9, o clube come&ccedil;ou o Brasileir&atilde;o sem patrocinador m&aacute;ster &ndash; e, ao menos, uma camisa bem mais limpa que a de at&eacute; o m&ecirc;s de abril. Apesar do aumento da receita com a TV, os torcedores acabam &ldquo;tendo que ajudar o clube&rdquo; nesse momento dif&iacute;cil e aceitar pagar um valor mais alto&#8230;<\/p>\n<p>O jornalista Alberto Helena J&uacute;nior, um dos participantes fixos do programa semanal, defendeu que o futebol deve sim se tornar um esporte para as &ldquo;elites&rdquo;. Segundo ele, o torcedor &ldquo;comum&rdquo; deve assistir aos jogos pela TV, atual respons&aacute;vel por &ldquo;massificar&rdquo; este esporte:<\/p>\n<p>&ldquo;O est&aacute;dio, como arena, um teatro grego, era uma pra&ccedil;a p&uacute;blica aonde o povo ia para se manifestar, porque voc&ecirc; n&atilde;o tinha outro ve&iacute;culo de comunica&ccedil;&atilde;o. Hoje em dia, o futebol, que &eacute; um entretenimento de massa, encontra o seu palco na televis&atilde;o, que alcan&ccedil;a as grandes multid&otilde;es e todas as categorias sociais. O est&aacute;dio passou a ser o teatro e a receber uma &iacute;nfima parte do torcedor. E essa pequena parte tem que fazer parte do espet&aacute;culo, ent&atilde;o a tend&ecirc;ncia natural &eacute; a grande massa vendo futebol pela TV e uma elite nos est&aacute;dios&rdquo;.<\/p>\n<p>O discurso de Helena J&uacute;nior pode soar com certo preconceito, ao comparar o p&uacute;blico do futebol com o do teatro. Enquanto muitos lutam para que a classe m&eacute;dia tenha acesso a eventos culturais, este senhor acha que devem afastar o &ldquo;povo&rdquo; de um elemento cultural t&atilde;o importante para o brasileiro quanto o futebol &ndash; da mesma forma que fizeram na Europa, com a justificativa de se retirar os hooligans dos est&aacute;dios.<\/p>\n<p>O que ele falou mostra ainda como muitos pensam, s&oacute; que n&atilde;o tem coragem de dizer. O futebol chegou a tal n&iacute;vel de mercantiliza&ccedil;&atilde;o, ou seja, a ser utilizado como mercadoria para as mais diferentes ind&uacute;strias, que vale mais o rico consumidor que o apaixonado torcedor. Movimento este que &eacute; refletido com os &ldquo;novos&rdquo; est&aacute;dios para a Copa do Mundo FIFA Brasil 2014, com o fim das populares gerais.<\/p>\n<p>Mesmo ap&oacute;s uma discuss&atilde;o, Helena J&uacute;nior apontou a sua tese, muito defendida at&eacute; mesmo por diretores de marketing de clubes brasileiros:<\/p>\n<p>&quot;O ve&iacute;culo de comunica&ccedil;&atilde;o de massa atrav&eacute;s da qual o torcedor vai ter acesso a entretenimento, ao espet&aacute;culo &eacute; a televis&atilde;o. N&atilde;o &eacute; mais o est&aacute;dio. Deixou de ser. Sou da tese que esses espet&aacute;culos deveriam ser vendidos para grandes empresas&quot;.<\/p>\n<p><strong>O contraponto <\/strong><\/p>\n<p>No mesmo programa surgiu uma opini&atilde;o contraria ao de Alberto Helena J&uacute;nior. O experiente jornalista ga&uacute;cho Ruy Carlos Ostermann mostrou-se totalmente avesso a essa elitiza&ccedil;&atilde;o e ainda disse que a imprensa pode alterar esse processo:<\/p>\n<p>&ldquo;Isso &eacute; a elitiza&ccedil;&atilde;o do futebol brasileiro. Lament&aacute;vel elitiza&ccedil;&atilde;o. Quando o esporte come&ccedil;ou, era jogado por europeus, ingleses, e o pessoal mais simples observava &agrave; dist&acirc;ncia, depois inverteu e agora quem est&aacute; no campo s&atilde;o os atores e quem est&aacute; vendo &eacute; a elite? Isso &eacute; um problema s&eacute;rio. Eu n&atilde;o concordo que isso seja inevit&aacute;vel. Pode alterar, por que n&atilde;o? Num est&aacute;dio para 60 mil lugares, n&atilde;o pode ter ingressos a pre&ccedil;os populares? N&oacute;s da imprensa temos que tomar uma posi&ccedil;&atilde;o em defesa daquilo que entendemos como importante e n&atilde;o do que est&aacute; acontecendo&rdquo;.<\/p>\n<p>Ostermann aponta um relato hist&oacute;rico, que acabou sendo &ldquo;comum&rdquo; em quase todos os lugares do mundo em que o futebol foi instalado como esporte, j&aacute; com suas normas.<\/p>\n<p>Tanto Inglaterra, o ber&ccedil;o do futebol normatizado, quanto o Brasil, &ldquo;pa&iacute;s do futebol&rdquo;, possuem uma hist&oacute;ria em que h&aacute; a divis&atilde;o inicial entre elite e povo n&atilde;o s&oacute; na pr&aacute;tica quanto at&eacute; para assistir ao jogo &ndash; no caso brasileiro, havia o medo da rea&ccedil;&atilde;o dos espectadores mais pobres&#8230;<br \/>\nS&oacute; d&eacute;cadas depois, com o processo de profissionaliza&ccedil;&atilde;o, que este esporte &ldquo;recebeu&rdquo; membros de classes mais baixas que, no caso brasileiro, significava os negros e os mesti&ccedil;os. A elite largou o campo e passou a comandar o jogo, atrav&eacute;s de clubes e federa&ccedil;&otilde;es, estabelecendo uma nova rela&ccedil;&atilde;o patr&atilde;o-empregado.<\/p>\n<p>Uma volta a estes &ldquo;tempos&rdquo; &eacute; temerosa aqui no Brasil, j&aacute; que a Europa vive isso h&aacute;, pelo menos, duas d&eacute;cadas. Vale lembrar ainda que os pre&ccedil;os atuais dos ingressos j&aacute; est&atilde;o deixando os est&aacute;dios cada vez mais vazios. Assistir futebol pela TV, como quer Alberto Helena J&uacute;nior, tamb&eacute;m &eacute; muito caro. Ou voc&ecirc; compra um pacote de TV a cabo, ou conta com a &ldquo;sorte&rdquo; do jogo do seu time constar na grade de programa&ccedil;&atilde;o da emissora aberta que controla as transmiss&otilde;es no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Para a torcida o que &eacute; da torcida: torcer!<\/strong><\/p>\n<p>Se formos analisar os elementos b&aacute;sicos para uma partida de futebol, vem &agrave; imagina&ccedil;&atilde;o o time dos sonhos, os melhores jogadores, o melhor gramado, a jogada perfeita, mas, principalmente, um est&aacute;dio lotado. Nada &eacute; mais deprimente que entrar em um est&aacute;dio vazio, mesmo que em um dia em que n&atilde;o h&aacute; jogo.<\/p>\n<p>O papel da torcida &eacute; fundamental para o espet&aacute;culo. O futebol tido como esporte de massa, popular, representado por uma imensid&atilde;o de vozes que, mesmo com diversas opini&otilde;es diferentes, tem a mesma paix&atilde;o. Torcidas essas que s&atilde;o, sem d&uacute;vida, a ess&ecirc;ncia do futebol.<\/p>\n<p>Qual o seria o sentido do esporte bret&atilde;o sem torcida?<\/p>\n<p>O mercado do futebol movimenta-se devido a ela. Os clubes investem no marketing para fazer com que o torcedor consuma. Bastou o Santos lan&ccedil;ar uma camisa azul, comemorativa ao ano do seu centen&aacute;rio, que diversos torcedores aderiram ao novo uniforme. Mas qual torcida os clubes querem no est&aacute;dio?<\/p>\n<p>H&aacute; diferen&ccedil;as evidentes entre os tipos de torcida. A classifica&ccedil;&atilde;o &eacute; dada pela m&iacute;dia por classes sociais. Acreditam (ou querem fazer acreditar) que o poder aquisitivo do indiv&iacute;duo decide como ele se comporta dentro do est&aacute;dio. Classes superiores s&atilde;o formadas pelas pessoas do bem; classes inferiores promovem as cenas de viol&ecirc;ncia e desordem.<\/p>\n<p>Pesquisadores ingleses descobriram que os hooligans, &ldquo;principais representantes&rdquo; da viol&ecirc;ncia no futebol mundial, eram homens bem sucedidos, com bons empregos, mas que gostavam de ir aos est&aacute;dios para brigar. No Brasil, a tend&ecirc;ncia &eacute; que os l&iacute;deres de torcidas organizadas tamb&eacute;m sejam da classe m&eacute;dia para cima, que t&ecirc;m tempo, e bons advogados, para entrar em qualquer enrascada.<\/p>\n<p>TORCEDOR precisa ser respeitado, e h&aacute; muito tempo! Ou ser&aacute; que teremos que fazer uma vaquinha entre os amigos para fechar o pay per view dos jogos do nosso time, gritando o m&aacute;ximo poss&iacute;vel enquanto o &ldquo;p&uacute;blico de teatro&rdquo; no est&aacute;dio s&oacute; sabe bater palmas quando algu&eacute;m pede?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Olha a quantidade de p\u00fablico nos prim\u00f3rdios elitistas do futebol! 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