{"id":1630,"date":"2012-05-29T12:18:14","date_gmt":"2012-05-29T12:18:14","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1630"},"modified":"2012-05-29T12:18:14","modified_gmt":"2012-05-29T12:18:14","slug":"o-novo-consenso-da-direita-financeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1630","title":{"rendered":"O novo consenso da direita financeira"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/the-economist-hollande.jpg\" title=\"Para a imprensa mundial, a chamada crise \u00e9 resultado dos gastos p\u00fablicos com direitos e garantias sociais. A revista The Economist tachou de perigosa a candidatura do socialista franc\u00eas Fran\u00e7ois Hollande. O agora presidente eleito representava, at\u00e9 ent\u00e3o, o confronto entre o populismo e a austeridade.  - Foto:The Economist\" alt=\"Para a imprensa mundial, a chamada crise \u00e9 resultado dos gastos p\u00fablicos com direitos e garantias sociais. A revista The Economist tachou de perigosa a candidatura do socialista franc\u00eas Fran\u00e7ois Hollande. O agora presidente eleito representava, at\u00e9 ent\u00e3o, o confronto entre o populismo e a austeridade.  - Foto:The Economist\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Para a imprensa mundial, a chamada crise \u00e9 resultado dos gastos p\u00fablicos com direitos e garantias sociais. A revista The Economist tachou de perigosa a candidatura do socialista franc\u00eas Fran\u00e7ois Hollande. O agora presidente eleito representava, at\u00e9 ent\u00e3o, o confronto entre o populismo e a austeridade. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:The Economist<\/small><\/figure>\n<p><em>29 de maio, Bruno Lima Rocha<\/em><\/p>\n<p>Em setembro de 2008 o mundo informado assistia catat&ocirc;nico ao fen&ocirc;meno que, nas ruas de Madri, ganhara a alcunha de &ldquo;farsa com nome de crise&rdquo;. Ent&atilde;o, ao longo dos doze meses anteriores, o que era mais um produto de &ldquo;risco&rdquo; dos agentes do cassino financeiro, se transformara na &ldquo;m&atilde;e de todas as bolhas&rdquo;. A id&eacute;ia parafraseava a consigna e bravata de Saddam Hussein, quando disse ao ex-presidente George H.W.Bush e, uma d&uacute;zia de anos depois, repetira-a para seu filho, afirmando ter o poder de enfrentar a &ldquo;m&atilde;e de todas as batalhas&rdquo;. Existe uma semelhan&ccedil;a nos dois momentos hist&oacute;ricos recentes. Na pol&iacute;tica externa, Bush Jr. e seu gabinete de falc&otilde;es vinculados a ind&uacute;stria do petr&oacute;leo (como Dick Cheney e Condoleezza Rice), ampliara o conceito de Guerra contra o Terror. Com a ofensiva militar em escala global, veio o per&iacute;odo m&aacute;ximo da &ldquo;exuber&acirc;ncia irracional&rdquo; dos apostadores financeiros. Deu no que deu e nesta senda Barack Obama ganhou as elei&ccedil;&otilde;es de novembro de 2008.<\/p>\n<p>Trata-se de dois consensos forjados na base do consentimento e atrav&eacute;s da forja de meias verdades. O primeiro e j&aacute; deveras estudado foi o golpe midi&aacute;tico de Bush Jr. Manipulando o p&acirc;nico dos EUA p&oacute;s-11 de setembro, conseguiu a autoriza&ccedil;&atilde;o para a guerra atropelando ritos parlamentares (fast track), aprovando o Patriot Act (Ato Patri&oacute;tico) e criando o Minist&eacute;rio do Interior (DHS, Department of Homeland Security). A lista dos absurdos rendeu p&eacute;rolas do cinema, como Farenheit 9\/11 (Michael Moore, 2004, EUA) e um livro j&aacute; cl&aacute;ssico em portugu&ecirc;s, A Desintegra&ccedil;&atilde;o Americana (Record, 2006), do Nobel de Economia Paul Krugman, sendo ele pr&oacute;prio colunista do New York Times e um quase arrependido da globaliza&ccedil;&atilde;o a todo custo. Ap&oacute;s oito anos de Bush Jr. o Imp&eacute;rio estava com uma em cada tr&ecirc;s brigadas operando no exterior, uma crise sem precedentes e os reflexos agudos da infra-estrutura produtiva parasit&aacute;ria baseada em capital fict&iacute;cio. <\/p>\n<p>Esta conta seria paga com a &ldquo;m&atilde;e de todas as bolhas&rdquo;. Para sair desta encruzilhada, os EUA foram beber em sua democracia multirracial (melting pot), parindo a vers&atilde;o de um Kennedy afro-descendente. Barack Hussein Obama fez campanha sentimental, organizou uma transi&ccedil;&atilde;o e os primeiros seis meses de governos baseados na cartilha p&oacute;s-New Deal (2nd Bill of Rights, 2&ordf; Carta de Direitos, de Franklin Delano Roosevelt, jamais executada) e pouco a pouco foi contemporizando com os agiotas e apostadores do cassino financeiro. Tal pacto &eacute; exemplarmente demonstrado no filme Trabalho Interno (Inside Job, de Charles Ferguson, 2010, EUA), dando carne ao conceito de teoria das portas girat&oacute;rias, provando como grandes tubar&otilde;es de Wall Street continuaram ocupando postos-chave. Um exemplo &eacute; a presen&ccedil;a em seu governo do professor de economia de Harvard, Larry Summers, homem forte da desregula&ccedil;&atilde;o promovida por Ronald Reagan. Pouco a pouco os n&iacute;veis de lucro dos grandes operadores financeiros foram sendo retomados, sendo que a conta grande fora paga na rolagem da astron&ocirc;mica d&iacute;vida interna do Imp&eacute;rio, e na bola de neve contaminante das institui&ccedil;&otilde;es banc&aacute;rias europ&eacute;ias.  <\/p>\n<p>Quatro anos depois, o consenso da direita financeira &eacute; forjado no outro lado do Atl&acirc;ntico. Liderados por The Economist, replicado por dezenas de meios massivos e plataformas multim&iacute;dia (como Bloomberg, CNN e o Grupo Prisa espanhol), a vers&atilde;o v&aacute;lida, a id&eacute;ia pens&aacute;vel como nos explica Noam Chomsky &eacute; remodelada. No &uacute;ltimo trimestre de 2008 parecia que a face mais crua do capitalismo estaria exposta. N&atilde;o, pois atrav&eacute;s dos acordos entre m&iacute;dia, operadores financeiros e tomadores de decis&atilde;o, a conta veio sendo paga pelo modelo mais sano dentro deste marco civilizat&oacute;rio de lucro e diferencia&ccedil;&atilde;o social. O Estado de Bem Estar Social (ou o que dele restara) passa a ser o alvo. O argumento &eacute; simples. A conta dos direitos e garantias sociais para uma popula&ccedil;&atilde;o que produz pouco e ganha relativamente bem, n&atilde;o fecha. A Europa n&atilde;o &eacute; competitiva diante dos BRICs (Brasil, R&uacute;ssia, China e &Iacute;ndia) &eacute; preciso um pacto supranacional, tra&ccedil;ado pelo triunvirato da Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica Europ&eacute;ia, o Banco Central Europeu e o FMI, imposto ao Parlamento Europeu em Bruxelas. <\/p>\n<p>Um bom exemplo est&aacute; na Fran&ccedil;a. Em 06 de maio deste corrente ano o &ldquo;socialista&rdquo; Fran&ccedil;ois Hollande vence na urna ao presidente Nicolas Sarkozy, da centro-direita UMP, p&oacute;s-gaullista. Antes de Hollande se oficializar como candidato do PS franc&ecirc;s, o ent&atilde;o favorito era o ex-diretor geral do FMI Dominique Strauss Kahn (DSK). Ou seja, se o presidente eleito franc&ecirc;s sucede o controverso DSK, perigo sist&ecirc;mico algum estava &agrave; vista. Certo? N&atilde;o para a revista The Economist, que fizera um alardeio, considerando um &ldquo;risco&rdquo; o fato de que o novo chefe do Poder Executivo da segunda economia da Zona Euro (Fran&ccedil;a, atr&aacute;s apenas da l&iacute;der Alemanha) seria mais suscet&iacute;vel as press&otilde;es &ldquo;populistas&rdquo; vindas das ruas e dos sindicatos. A elei&ccedil;&atilde;o francesa e a pulveriza&ccedil;&atilde;o do parlamentarismo grego (cujo pleito tamb&eacute;m foi na mesma data) representavam, segundo a narrativa da revista, respectivamente, a quebra da &ldquo;austeridade&rdquo; vigiada por Angela Merkel (chanceler alem&atilde;) e a ingovernabilidade na periferia da Comunidade Europ&eacute;ia.  <\/p>\n<p>Pura invers&atilde;o dos fatos e responsabilidades. Ap&oacute;s quatro anos, a &ldquo;farsa com nome de crise&rdquo; teria como causa alegada a eleva&ccedil;&atilde;o dos gastos p&uacute;blicos e o endividamento. O problema &eacute; que estes crescem na medida da destina&ccedil;&atilde;o estatal dos recursos coletivos para salvar bancos e fundos de risco. Para quem vive de sal&aacute;rio, a &ldquo;austeridade&rdquo; p&uacute;blica implica ganhar menos, tardar a aposentadoria e viver sem perspectiva. Eis o novo consenso da direita financeira e seus ide&oacute;logos midi&aacute;ticos.<\/p>\n<p><font class=\"txt\"><em>Este artigo foi originalmente publicado no site da Revista Instituto Humanitas (IHU Online).<\/em><\/font><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para a imprensa mundial, a chamada crise \u00e9 resultado dos gastos p\u00fablicos com direitos e garantias sociais. A revista The Economist tachou de perigosa a candidatura do socialista franc\u00eas Fran\u00e7ois Hollande. O agora presidente eleito representava, at\u00e9 ent\u00e3o, o confronto entre o populismo e a austeridade. 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