{"id":1640,"date":"2012-06-30T11:05:15","date_gmt":"2012-06-30T11:05:15","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1640"},"modified":"2012-06-30T11:05:15","modified_gmt":"2012-06-30T11:05:15","slug":"quando-algo-se-torna-suficientemente-grande-demais-para-quebrar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1640","title":{"rendered":"Quando algo se torna suficientemente grande demais para quebrar?"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/niegnytimes.jpg\" title=\"Dimens\u00e3o econ\u00f4mica e poder pol\u00edtica das corpora\u00e7\u00f5es s\u00e3o temas do filme Too Big To Fail. - Foto:NY Times\" alt=\"Dimens\u00e3o econ\u00f4mica e poder pol\u00edtica das corpora\u00e7\u00f5es s\u00e3o temas do filme Too Big To Fail. - Foto:NY Times\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Dimens\u00e3o econ\u00f4mica e poder pol\u00edtica das corpora\u00e7\u00f5es s\u00e3o temas do filme Too Big To Fail.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:NY Times<\/small><\/figure>\n<p><em>30 de junho, coletivo NIEG<\/em><\/p>\n<p>J&aacute; tratamos ao longo das colunas neste espa&ccedil;o das rela&ccedil;&otilde;es e dos agentes que deram origem &agrave; &ldquo;farsa com o nome de crise&rdquo;, vivenciada pelo mundo a partir de 2007. &Eacute; curioso observar que as produ&ccedil;&otilde;es cinematogr&aacute;ficas sobre o assunto n&atilde;o param de ser lan&ccedil;adas &ndash; agora com um foco maior na situa&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses do Euro &ndash;, o que prova a hip&oacute;tese deste N&uacute;cleo de que &eacute; algo bem mais f&aacute;cil de ser explicado do que os grupos midi&aacute;ticos o fazem.<\/p>\n<p>No texto desta semana, apresentamos uma an&aacute;lise sobre um filme baseado em fatos reais. Too Big To Fail (&ldquo;Grande Demais para Falir&rdquo;, Curtis Hanson, 2011) trata dos momentos mais cr&iacute;ticos das negocia&ccedil;&otilde;es para salvar, ou n&atilde;o, os bancos que uma atr&aacute;s do outro entravam em processo de fal&ecirc;ncia numa velocidade t&atilde;o r&aacute;pida quanto a que o dinheiro &ldquo;fict&iacute;cio&rdquo; &eacute; movimento nas bolsas de valores.<\/p>\n<p>O filme, produzido de forma independente dos grandes est&uacute;dios estadunidenses pela HBO, &eacute; baseado no livro do jornalista Andrew Ross Sorkin, que al&eacute;m do t&iacute;tulo que leva o longa, tem como subt&iacute;tulo: &ldquo;The Inside Story of How Wall Street and Washington Fought to Save the Financial System &ndash; and Themselves&rdquo; (&ldquo;por dentro da hist&oacute;ria de como Wall Street e Washington lutaram para salvar o sistema financeiro e eles mesmos&rdquo;).<\/p>\n<p>O ponto de vista apresentado &eacute; o de Henry Paulson (William Hunt), secret&aacute;rio do Tesouro dos Estados Unidos que abandonou o cargo de CEO do Goldman Sachs com direito a n&atilde;o ter impostos sobre os seus vencimentos na sa&iacute;da da empresa. O Goldman, vale salientar, acabou sendo um dos grandes benefici&aacute;rios da &ldquo;farsa com o nome de crise&rdquo;. Por&eacute;m, Too big to fail n&atilde;o pretende apresentar estes detalhes, mas as frias negocia&ccedil;&otilde;es do Estado com os bancos ainda &ldquo;vivos&rdquo; e com o Congresso.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s emprestar dinheiro para que milhares de conterr&acirc;neos do Tio Sam conseguissem alcan&ccedil;ar o t&atilde;o esperado &ldquo;sonho americano&rdquo; de ter uma casa pr&oacute;pria, baixando o n&iacute;vel da an&aacute;lise de cr&eacute;dito, possibilitando a um maior n&uacute;mero de pessoas que antes n&atilde;o eram vistas como poss&iacute;veis bons pagadores a oportunidade de ter um bem pr&oacute;prio, os bancos estadunidenses acabaram montando uma enorme bola de neve: pacotes com hipotecas de im&oacute;veis, autom&oacute;veis e os mais diversos tipos de financiamentos, repassando esses montantes para outros bancos.<\/p>\n<p>O mercado estava aquecido, pessoas pegando dinheiro emprestado com bancos, o setor imobili&aacute;rio era algo extremamente lucrativo e os grandes diziam que ele nunca seria desvalorizado, mas ser&aacute; mesmo que poderiam se firmar nisso?<\/p>\n<p>N&atilde;o, n&atilde;o deveriam e nem poderiam, mas fizeram. Isso gerou uma bolha que inflou, inflou at&eacute; estourar, como um pr&eacute;dio condenado, que ao ser detonado, levanta uma grande nuvem de poeira, atingindo outros pr&eacute;dios, impossibilitando com que as pessoas enxerguem ou raciocinem corretamente. Nos Estados Unidos, antes da bolha imobili&aacute;ria, o mercado sofreu no in&iacute;cio do s&eacute;culo com a bolha das empresas ponto.com (eletr&ocirc;nicas), mas nada mudou quanto a maiores cuidados para evitar que a liberdade aos mercados permitisse que isso voltasse a ocorrer t&atilde;o depressa e de forma t&atilde;o avassaladora sobre a economia mundial.<\/p>\n<p>Milhares de americanos que custaram para conseguir uma casa acabaram sem saber o que fazer. Muitos foram pegos de surpresa, despejados, ficaram desamparados, vendo suas casas sendo fechadas com tapumes de madeira nas portas e nas janelas, para que n&atilde;o pudessem entrar l&aacute; novamente.<\/p>\n<p>Financeiras como a Bear Stearns estavam em colapso, algumas vendiam suas a&ccedil;&otilde;es a pre&ccedil;os baix&iacute;ssimos, outras esperavam a ajuda divina do Tesouro Nacional, e havia ainda aquelas que estavam tentando fechar neg&oacute;cios internacionalmente. Uma corrida para salvar os &ldquo;pequenos bancos&rdquo;. Por&eacute;m, nesse caso, o que um fizesse seria revertido a toda a cadeia econ&ocirc;mica dos EUA e posteriormente a mundial. Como evitar que esse verdadeiro castelo de cartas que foi constru&iacute;do a base de muita intriga, dinheiro &ldquo;f&aacute;cil&rdquo; e gan&acirc;ncia, n&atilde;o despencasse agora, n&atilde;o ca&iacute;sse e desestabilizasse toda a economia mundial?<\/p>\n<p>O Tesouro Nacional, que era liderado pelo ex-presidente da Goldman Sachs, Henry Paulson, busca uma solu&ccedil;&atilde;o para algo de tamanha gravidade que se apresenta diante dele e de todo o pa&iacute;s. A equipe de Paulson trabalhou muito sobre esse problema, mas era extremamente dif&iacute;cil fazer com que os bancos se mantivessem calmos diante de tal situa&ccedil;&atilde;o. O salvamento dos fundos hipotec&aacute;rios Fannie Mae e Freddie Mac pelo Governo dos EUA gerou uma expectativa de que caso novos agentes estivessem perto da fal&ecirc;ncia, o Estado voltaria a injetar recursos. Os bancos n&atilde;o podiam esperar &ndash; e n&atilde;o paravam de apostar uns sobre os outros &ndash;, e a equipe do Tesouro n&atilde;o conseguia encontrar uma solu&ccedil;&atilde;o adequada para isso em tempo h&aacute;bil. E l&aacute; se foi o Lehman Brothers, ruindo de vez.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s serem pressionados por todos &ndash; pelos bancos que estavam sem saber para onde correr; pelas pessoas que j&aacute; come&ccedil;avam a dar-se conta da imensa onda de problemas que viria, e corriam aos bancos para sacar seu dinheiro, pois tinham medo de que assim que o banco quebrasse, suas economias ficassem congeladas &ndash;, o Tesouro chegou a uma solu&ccedil;&atilde;o: fazer com que os grandes bancos comprassem as a&ccedil;&otilde;es podres dos que estavam prestes a ruir.<\/p>\n<p>Mas a&iacute; ainda estavam dois problemas, o primeiro era convencer os grandes bancos a comprarem essas a&ccedil;&otilde;es e o outro era o tempo que isso levaria. Precisavam de quase dois meses para fechar essas transa&ccedil;&otilde;es, tempo o qual ningu&eacute;m dispunha, afinal, a economia estava prestes a desmoronar e n&atilde;o esperaria meses por uma solu&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Tentou-se ainda fazer a jun&ccedil;&atilde;o entre os grandes e os pequenos. A equipe do Tesouro organizou os bancos em duplas, as quais deveriam chegar a um consenso, para fazer a uni&atilde;o deles. Era uma quest&atilde;o em que os bancos que estavam &agrave; beira do abismo tinham de &ldquo;namorar&rdquo; bancos grandes para que esses aceitassem fazer esse casamento, mas n&atilde;o deu certo.<\/p>\n<p>O Tesouro percebeu que a &uacute;nica sa&iacute;da era que os grandes bancos emprestassem dinheiro aos pequenos, mas como convencer os grandes a emprestar dinheiro para aqueles que j&aacute; estavam quase quebrando, correndo o risco ainda de n&atilde;o receber o que emprestaram?<\/p>\n<p>Por fim, com a recusa dos agentes financeiros em resolver o problema que eles mesmos criaram, decidiu-se que o governo tomaria capital em nove bancos, cerca de US$ 125 bilh&otilde;es, para injetar nos falimentares. A administra&ccedil;&atilde;o Bush Jr. teria cerca de 5% das a&ccedil;&otilde;es de cada banco, mas n&atilde;o teria direito a voto, o &uacute;nico pedido era que emprestassem dinheiro aos pequenos bancos para estabilizar a economia americana e mundial. S&oacute; uma rodada final, definindo em US$ 700 bilh&otilde;es a ajuda estatal, &eacute; que foi levada a ser aprovada no Congresso.<\/p>\n<p>Numa das partes mais interessantes do filme, Paulson pergunta aos banqueiros ali presentes se eles t&ecirc;m no&ccedil;&atilde;o do que ir&aacute; acontecer: o Estado injetando dinheiro nos bancos, uma &ldquo;suposta&rdquo; estatiza&ccedil;&atilde;o nos moldes inaceit&aacute;veis para o capitalismo que todos ali defendiam!<\/p>\n<p>As batalhas seguintes se deram no Congresso Nacional, que recusou a proposta inicial e s&oacute; a aceitou numa segunda vota&ccedil;&atilde;o, sob enorme press&atilde;o e muito apuro em meio a uma situa&ccedil;&atilde;o em que a popula&ccedil;&atilde;o era contra a proposta, mas o Governo e os bancos amea&ccedil;avam com uma poss&iacute;vel recess&atilde;o bem pior que a de 1929.<\/p>\n<p>Os nove bancos aceitaram, mas nem todos cumpriram com o combinado. V&aacute;rios bancos menores quebraram. Os bancos que receberam dinheiro do governo, ap&oacute;s um tempo, devolveram o que foi injetado, ap&oacute;s terem gasto boa parte dele com reuni&otilde;es em para&iacute;sos naturais e viagens de jatinhos a seus executivos. No fim, ficou comprovada a hip&oacute;tese do mercado que eles eram &ldquo;grandes demais para quebrar&rdquo; e em quantidade bem menor que os verdadeiros prejudicados com a &ldquo;farsa com o nome de crise&rdquo; criada por eles.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em>Nota: as pessoas interessadas em participar do N&uacute;cleo Interdisciplinar de Estudos da Globaliza&ccedil;&atilde;o Transnacional e da Cultura do Capitalismo (NIEG) podem nos encontrar todas as 5as, a partir das 18 horas, na sala do Grupo de Pesquisa Cepos (ao qual o N&uacute;cleo pertence), 3&ordf; 318, 3&ordm; andar do centro 3 (pr&eacute;dio A), ci&ecirc;ncias da comunica&ccedil;&atilde;o, Unisinos. O telefone de contato &eacute; o geral da Unisinos (51 3591 1122) no ramal 1320, pedindo para falar com Bruno, Anderson, Ivan ou Dijair, sempre a partir das 14 horas (2&ordf; a 6&ordf;). Ressaltamos que todos os textos desta coluna s&atilde;o de autoria coletiva, sendo responsabilidade do conjunto dos membros do NIEG-CEPOS. E-mail: nieg.cepos@gmail.com &ndash; www.grupocepos.net<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dimens\u00e3o econ\u00f4mica e poder pol\u00edtica das corpora\u00e7\u00f5es s\u00e3o temas do filme Too Big To Fail. 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