{"id":1645,"date":"2012-07-10T12:21:55","date_gmt":"2012-07-10T12:21:55","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1645"},"modified":"2012-07-10T12:21:55","modified_gmt":"2012-07-10T12:21:55","slug":"divida-publica-qual-e-afinal-a-sua-origem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1645","title":{"rendered":"D\u00edvida P\u00fablica \u2013 qual \u00e9, afinal, a sua origem?"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/575848_323517217734223_471943128_n.jpg\" title=\"Os neoliberais defendem enxugar os gastos p\u00fablicos para colocar recursos nos bancos - Foto:diplomatique.org.br\" alt=\"Os neoliberais defendem enxugar os gastos p\u00fablicos para colocar recursos nos bancos - Foto:diplomatique.org.br\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Os neoliberais defendem enxugar os gastos p\u00fablicos para colocar recursos nos bancos<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:diplomatique.org.br<\/small><\/figure>\n<p><em>10 de julho, coletivo NIEG<\/em><\/p>\n<p>&quot;Recorrendo a uma analogia, imaginemos que o banco central de um pa&iacute;s seja uma torneira, os bancos comerciais, outra, e a economia, uma banheira. A primeira torneira, dentro do sistema atual, existe simplesmente para suprir a necessidade da outra, que por sua vez enche a banheira de &aacute;gua. Se a &aacute;gua n&atilde;o continuar correndo da segunda torneira (consequentemente da primeira tamb&eacute;m), a banheira esvazia e a economia entra em colapso. Logo, a segunda torneira deve manter-se sempre aberta&quot;, explica o N&uacute;cleo Interdisciplinar de Estudos da Globaliza&ccedil;&atilde;o Transnacional e da Cultura do Capitalismo (NIEG), no artigo que descreve a origem da d&iacute;vida p&uacute;blica.<\/p>\n<p>Segundo o NIEG, &quot;aqui est&aacute; a contradi&ccedil;&atilde;o do sistema: ele precisa se manter em d&iacute;vidas para funcionar. Os juros precisam continuar existindo e retroalimentando a segunda torneira, de forma a mant&ecirc;-la aberta. Os impostos pagos pela popula&ccedil;&atilde;o e pelas empresas acabam por retornar a &aacute;gua para a primeira. Logo, para que os juros continuem a existir, pessoas, empresas e governos precisariam continuar a emprestar dinheiro dos bancos privados&quot;.<\/p>\n<p>Muito se ouve falar, pouco se sabe. A quest&atilde;o &eacute; que a origem da d&iacute;vida p&uacute;blica est&aacute; muito longe dos olhos do povo, mas est&aacute; intrinsicamente ligada &agrave;s suas contas e empr&eacute;stimos banc&aacute;rios. A situa&ccedil;&atilde;o &eacute; tal que sempre que cidad&atilde;os ou empresas realizam empr&eacute;stimos de capital em um banco, contribuem tamb&eacute;m para o aumento da d&iacute;vida p&uacute;blica de seus pa&iacute;ses. Contudo, o que se apresenta para n&oacute;s como um paradoxo, possui, na realidade, uma l&oacute;gica de funcionamento bastante simples, que tem cerne e g&ecirc;nese em agentes econ&ocirc;micos privilegiados do mundo capitalista: os bancos privados.<\/p>\n<p>Cada pa&iacute;s possui um banco central, cujo papel principal seria abastecer o Estado com o capital do qual necessita para manter o bem estar da sociedade e a estabilidade da economia. Por vezes, por&eacute;m, principalmente por quest&otilde;es pol&iacute;ticas, esse poder &eacute; usado para gerar vantagens. Pol&iacute;ticos emprestam do banco mais capital do que o suportado, ocasionando infla&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Para evitar tais situa&ccedil;&otilde;es, assinou-se entre os pa&iacute;ses europeus em 2007 o Tratado de Lisboa, cujo artigo 123 pro&iacute;be empr&eacute;stimos de capital, por parte dos bancos centrais, aos Estados europeus. Segundo o artigo: &ldquo;&eacute; proibida a concess&atilde;o de cr&eacute;ditos [&#8230;] pelo Banco Central Europeu ou pelos bancos centrais nacionais dos Estados-Membros, [&#8230;] em benef&iacute;cio de institui&ccedil;&otilde;es, &oacute;rg&atilde;os ou organismos da Uni&atilde;o, governos centrais, autoridades regionais, locais, ou outras autoridades p&uacute;blicas&rdquo;.<\/p>\n<p>A cria&ccedil;&atilde;o de tal lei embasava-se simplesmente na afirma&ccedil;&atilde;o de que pa&iacute;ses n&atilde;o possu&iacute;am capacidade o suficiente para lidarem com empr&eacute;stimos junto a seus bancos centrais.<\/p>\n<p>Esse tratado relegou aos bancos centrais a posi&ccedil;&atilde;o de simples reguladores do capital, pois j&aacute; n&atilde;o os era permitido emprest&aacute;-lo. Deste modo, os governos passaram a recorrer &agrave; &uacute;nica alternativa que lhes foi deixada: tomar empr&eacute;stimo dos bancos privados. Tais bancos possuem uma elevada capacidade de cria&ccedil;&atilde;o de moeda, visto que lhes &eacute; permitido dispor para empr&eacute;stimo um n&uacute;mero seis vezes maior do valor real que possuem em cofre &ndash; por mais que na pr&aacute;tica esse valor acabe sendo bem maior &ndash;, o que tamb&eacute;m lhes confere a capacidade de lan&ccedil;ar capital n&atilde;o s&oacute; para os governos, mas tamb&eacute;m para empresas e cidad&atilde;os. Os juros de bancos privados s&atilde;o, entretanto, alt&iacute;ssimos, fazendo com que os devedores paguem um valor muito superior ao que lhes foi emprestado. Isso os obriga a contrair novas d&iacute;vidas para que possam quitar as antigas, as novas d&iacute;vidas possuem novos juros, causando uma &ldquo;bola-de-neve&rdquo; de crescimento infinito.<\/p>\n<p>Muitas vezes, por&eacute;m, a reserva de cr&eacute;dito da qual os bancos privados disp&otilde;em n&atilde;o &eacute; suficiente para suprir toda a demanda do pa&iacute;s. O valor permitido para empr&eacute;stimo &eacute; regulamentado pelas taxas de reservas banc&aacute;rias, que permitem que o cr&eacute;dito emprestado atinja no m&aacute;ximo seis vezes o valor disposto em cofre. Aqui nos deparamos com a quest&atilde;o mais paradoxal de toda l&oacute;gica de funcionamento do sistema: na medida em que os bancos privados n&atilde;o disp&otilde;em de capital o suficiente, &eacute; permitido a eles recorrer aos bancos centrais. Ou seja: emprestam moeda dos bancos centrais para ent&atilde;o emprest&aacute;-los ao governo, &agrave;s empresas e aos cidad&atilde;os. A economia, em vez de ser suprida com moeda do banco central, &eacute; alimentada somente com dinheiro de bancos privados, que emprestam dos primeiros.<\/p>\n<p>Recorrendo a uma analogia, imaginemos que o banco central de um pa&iacute;s seja uma torneira, os bancos comerciais, outra, e a economia, uma banheira. A primeira torneira, dentro do sistema atual, existe simplesmente para suprir a necessidade da outra, que por sua vez enche a banheira de &aacute;gua. Se a &aacute;gua n&atilde;o continuar correndo da segunda torneira (consequentemente da primeira tamb&eacute;m), a banheira esvazia e a economia entra em colapso. Logo, a segunda torneira deve manter-se sempre aberta. Aqui est&aacute; a segunda contradi&ccedil;&atilde;o do sistema: ele precisa se manter em d&iacute;vidas para funcionar. Os juros precisam continuar existindo e retroalimentando a segunda torneira, de forma a mant&ecirc;-la aberta. Os impostos pagos pela popula&ccedil;&atilde;o e pelas empresas acabam por retornar a &aacute;gua para a primeira. Logo, para que os juros continuem a existir, pessoas, empresas e governos precisariam continuar a emprestar dinheiro dos bancos privados.<\/p>\n<p>A origem da d&iacute;vida p&uacute;blica &eacute; uma simples equa&ccedil;&atilde;o de poder. Bancos privados v&atilde;o continuar a existir e a segunda torneira n&atilde;o fechar&aacute; at&eacute; que seja substitu&iacute;da pela primeira &ndash; num modelo de manuten&ccedil;&atilde;o e maior controle do Estado. A banheira continua a aumentar, por&eacute;m o espa&ccedil;o que est&aacute; tomando &eacute; limitado, ainda mais se considerarmos que a falta de pagamento de taxas e impostos, cada vez em maior quantidade e maior valor por conta da &ldquo;farsa com o nome de crise&rdquo;, em meio a um profundo desemprego, impede que as pessoas possam pagar os empr&eacute;stimos e as taxas governamentais, n&atilde;o enchendo a principal torneira da rela&ccedil;&atilde;o e impedindo o funcionamento regular do mercado.<\/p>\n<p>N&atilde;o vai ser alimentando um setor banc&aacute;rio que a solu&ccedil;&atilde;o aparecer&aacute;. Afinal, enquanto &ldquo;bons&rdquo; recursos s&atilde;o passados para a banca, esta segue infestando o mercado de t&iacute;tulos podres, que caem nas m&atilde;os da popula&ccedil;&atilde;o, que se endivida e acaba por gerar um bloqueio na circula&ccedil;&atilde;o de recursos que, na pr&aacute;tica, n&atilde;o existem.<\/p>\n<p><strong>Nota<\/strong>: as pessoas interessadas em participar do N&uacute;cleo Interdisciplinar de Estudos da Globaliza&ccedil;&atilde;o Transnacional e da Cultura do Capitalismo (NIEG) podem nos encontrar todas as quintas-feiras, a partir das 18 horas, na sala do Grupo de Pesquisa Cepos (ao qual o N&uacute;cleo pertence), 3A318, 3&ordm; andar do Centro 3 (pr&eacute;dio A), Ci&ecirc;ncias da comunica&ccedil;&atilde;o, Unisinos.<\/p>\n<p>O telefone de contato &eacute; o geral da Unisinos (51 3591-1122) no ramal 1320, pedindo para falar com Bruno, Anderson, Ivan ou Diovana, sempre a partir das 14 horas (2&ordf; a 6&ordf;).<\/p>\n<p>Ressaltamos que todos os textos desta coluna s&atilde;o de autoria coletiva, sendo responsabilidade do conjunto dos membros do NIEG-CEPOS. E-mail: nieg.cepos@gmail.com &ndash; www.grupocepos.net<\/p>\n<p>*Texto originalmente publicado no site do Instituto Humanitas Unisinos (IHU).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os neoliberais defendem enxugar os gastos p\u00fablicos para colocar recursos nos bancos Foto:diplomatique.org.br 10 de julho, coletivo NIEG &quot;Recorrendo a uma analogia, imaginemos que o banco central de um pa&iacute;s seja uma torneira, os bancos comerciais, outra, e a economia, uma banheira. 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