{"id":1657,"date":"2012-08-15T18:13:36","date_gmt":"2012-08-15T18:13:36","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1657"},"modified":"2012-08-15T18:13:36","modified_gmt":"2012-08-15T18:13:36","slug":"o-onipresente-goldman-sachs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1657","title":{"rendered":"O onipresente Goldman Sachs"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/acordaterrawordpresscom.jpg\" title=\"Muitos confiam no Goldman Sachs - Foto:acordaterra.wordpress.com\" alt=\"Muitos confiam no Goldman Sachs - Foto:acordaterra.wordpress.com\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Muitos confiam no Goldman Sachs<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:acordaterra.wordpress.com<\/small><\/figure>\n<p><em>Coletivo Nieg-Cepos<\/em><\/p>\n<p>&quot;Se os bancos s&atilde;o &ldquo;muito grandes para falir&rdquo;, o Goldman Sachs nunca cogitou esta hip&oacute;tese porque ganhou muito com a fal&ecirc;ncia de outras empresas e, principalmente, de muitos pa&iacute;ses, sempre estando pr&oacute;ximo, seja para emprestar ou para prestar &ldquo;consultoria&rdquo;, analisa o N&uacute;cleo Interdisciplinar de Estudos da Globaliza&ccedil;&atilde;o Transnacional e da Cultura do Capitalismo (NIEG).<\/p>\n<p>Em setembro do ano passado, o mundo teria ficado estarrecido com a opini&atilde;o do trader independente Alessio Rastani, que em entrevista &agrave; BBC disse que o que importa no ponto de vista dos operadores do jogo &eacute; quando aparece uma oportunidade de ganhar dinheiro, seja com &ldquo;crises&rdquo; ou n&atilde;o, que ele sonhava com uma recess&atilde;o assim h&aacute; tr&ecirc;s anos.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, Rastani foi sincero o suficiente para vislumbrar algo que os pa&iacute;ses se recusam a enxergar, principalmente pelas rela&ccedil;&otilde;es de poder que est&atilde;o em volta: &ldquo;Os governos n&atilde;o mandam no mundo, o Goldman Sachs manda no mundo. E o Goldman Sachs n&atilde;o se importa com esse plano de resgate [da Gr&eacute;cia] e nem os grandes fundos&rdquo;.<\/p>\n<p>J&aacute; foi tratado ao longo dos textos produzidos para o Instituto Humanitas Unisinos &#8211; IHU sobre o quanto os agentes do capital financeiro circulam por v&aacute;rios setores importantes, dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o &agrave;s maiores inst&acirc;ncias de poder financeira (Federal Reserv e Banco Central Europeu), com grande destaque para o Goldman Sachs, que apesar de ter ganho muito com a &ldquo;farsa com o nome de crise&rdquo; a ponto de liderar um mercado oligop&oacute;lico de bancos agora ainda mais reduzido, ele continua a agir e ser a refer&ecirc;ncia para que os problemas sejam &ldquo;resolvidos&rdquo;.<\/p>\n<p>A frase anterior de Rastani deixa uma verdade curiosa no ar. O Goldman participou como consultor do governo grego e ajudou a maquilar os n&uacute;meros do pa&iacute;s para que este pudesse ter condi&ccedil;&otilde;es de entrar na Zona do Euro. Apesar disso, a responsabilidade nunca foi repassada a um banco que apostava contra o seu cliente, justamente por ter informa&ccedil;&otilde;es totais de que aquilo n&atilde;o daria certo no futuro. Pelo contr&aacute;rio, o atual presidente do Banco Central Europeu, M&aacute;rio Draghi, foi presidente do Goldman por muitos anos, e o pr&oacute;prio presidente grego, Karolos Papoulias (Nova Democracia &ndash; centro-direita) admite que far&aacute; o poss&iacute;vel para cumprir com as pend&ecirc;ncias frente os bancos &ndash; muitos deles situados na Alemanha.<\/p>\n<p>Se os bancos s&atilde;o &ldquo;muito grandes para falir&rdquo;, o Goldamn Sachs nunca cogitou esta hip&oacute;tese porque ganhou muito com a fal&ecirc;ncia de outras empresas e, principalmente, de muitos pa&iacute;ses, sempre estando pr&oacute;ximo, seja para emprestar ou para prestar &ldquo;consultoria&rdquo;.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, para quem acha que a financeiriza&ccedil;&atilde;o est&aacute; longe do Brasil, cujo mercado possui regras mais r&iacute;gidas, fica um fato curioso, encontrado no site &ldquo;Mem&oacute;ria Globo&rdquo;:<\/p>\n<p>&ldquo;Para auxiliar na renegocia&ccedil;&atilde;o, a equipe da Globopar contou com dois assessores financeiros e dois assessores legais: o Houlihan Lokey Howard &amp; Zukin Capital, um banco de investimentos norte-americano especializado em processos de reestrutura&ccedil;&atilde;o, e <strong>a Goldman Sachs, com quem o grupo mantinha uma rela&ccedil;&atilde;o de longa data<\/strong>. A assessoria jur&iacute;dica foi contratada junto aos escrit&oacute;rios da Debevoise &amp; Plimpton e do Barbosa M&uuml;ssnich &amp; Arag&atilde;o&rdquo; (grifos nossos).<\/p>\n<p>S&oacute; para explicar o que &eacute; chamado de &ldquo;financeiriza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia&rdquo;, com a abertura do mercado dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m como reflexo da aplica&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas neoliberais na d&eacute;cada de 1980, as empresas de comunica&ccedil;&atilde;o criaram as holdings para tomar conta das a&ccedil;&otilde;es destes grupos no mercado financeiro.<\/p>\n<p>No final da d&eacute;cada de 1990, com a sequ&ecirc;ncia de &ldquo;crises&rdquo; nos pa&iacute;ses subdesenvolvidos, inclusive no Brasil, o c&acirc;mbio passou a ser flutuante, com o d&oacute;lar se desvalorizando ano a ano. As Organiza&ccedil;&otilde;es Globo investiram pesado no mercado de TV fechada e tiveram pouco retorno, necessitando de empr&eacute;stimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social em 1999 para a Globo Cabo.<\/p>\n<p>Em 2002, o mercado ficou temeroso com a elei&ccedil;&atilde;o de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva como presidente do pa&iacute;s &ndash; apesar da &ldquo;Carta aos Brasileiros&rdquo; j&aacute; denotar a coalis&atilde;o com setores bem distantes do in&iacute;cio do Partido dos Trabalhadores. O d&oacute;lar chegou &agrave; casa dos R$ 4,00. As empresas brasileiras, caso das Org. Globo, tinham d&iacute;vidas em d&oacute;lares mas a receita era em reais, o que causou s&eacute;rios problemas, j&aacute; que passaram a dever quatro vezes mais que antes.<\/p>\n<p>Por conta disso, as Organiza&ccedil;&otilde;es Globo quase perdem o controle sobre a sua principal empresa, a Rede Globo de Televis&atilde;o, mas conseguiram negociar para que n&atilde;o houvesse interven&ccedil;&atilde;o sobre ela, contando com a ajuda do Goldman Sachs para isso. A TV entrou como garantia das d&iacute;vidas da hoding Globo Participa&ccedil;&otilde;es S.A. e a fam&iacute;lia Marinho teve que se desfazer de bens extra-m&iacute;dia (im&oacute;veis, etc.) e se afastar ainda mais dos neg&oacute;cios da TV fechada.<\/p>\n<p>At&eacute; hoje o maior grupo comunicacional do Brasil, um dos maiores da Am&eacute;rica Latina e do mundo, tem que tratar com cuidado suas d&iacute;vidas, renegociando prazos quando poss&iacute;vel. O atual momento brasileiro &eacute; bem melhor que fora do pa&iacute;s, mas a financeiriza&ccedil;&atilde;o deste setor pode gerar reflexos num plano futuro.<\/p>\n<p>&Eacute; bem prov&aacute;vel que o onipresente Goldman Sachs continue a prestar consultoria para a Globopar, e para tantas e tantas empresas de grande porte no Brasil, da mesma forma que fez e faz com pa&iacute;ses mundo afora, cujo sistema de &ldquo;portas girat&oacute;rias&rdquo; o garante nos postos-chave da economia mundial. O que Rastani falou e surpreendeu a apresentadora da BBC parece cada vez mais assustador quando olhamos para a realidade pr&oacute;xima e vemos que realmente um s&oacute; banco pode mandar e desmandar no mundo.<\/p>\n<p>*Texto originalmente publicado no site do Instituto Humanitas Unisinos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitos confiam no Goldman Sachs Foto:acordaterra.wordpress.com Coletivo Nieg-Cepos &quot;Se os bancos s&atilde;o &ldquo;muito grandes para falir&rdquo;, o Goldman Sachs nunca cogitou esta hip&oacute;tese porque ganhou muito com a fal&ecirc;ncia de outras empresas e, principalmente, de muitos pa&iacute;ses, sempre estando pr&oacute;ximo, seja para emprestar ou para prestar &ldquo;consultoria&rdquo;, analisa o N&uacute;cleo Interdisciplinar de Estudos da Globaliza&ccedil;&atilde;o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1657","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1657","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1657"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1657\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1657"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1657"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1657"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}