{"id":1658,"date":"2012-08-15T01:10:49","date_gmt":"2012-08-15T01:10:49","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1658"},"modified":"2012-08-15T01:10:49","modified_gmt":"2012-08-15T01:10:49","slug":"o-choque-de-capitalismo-segundo-veja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1658","title":{"rendered":"O Choque de capitalismo, segundo Veja"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/veja 15 de agosto.jpg\" title=\"Veja se supera, mais  uma vez, demonstrando de forma editorializada uma reportagem recheada de fontismos sem fim. - Foto:livraria.jp\" alt=\"Veja se supera, mais  uma vez, demonstrando de forma editorializada uma reportagem recheada de fontismos sem fim. - Foto:livraria.jp\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Veja se supera, mais  uma vez, demonstrando de forma editorializada uma reportagem recheada de fontismos sem fim.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:livraria.jp<\/small><\/figure>\n<p>15 de agosto de 2012, <em>Bruno Lima Rocha <br \/>\n<\/em><br \/>\nPor obriga&ccedil;&atilde;o profissional <a href=\"http:\/\/www.relacoesdotrabalho.com.br\/profiles\/blogs\/na-revista-veja-o-choque-de-capitalismo-de-dilma\">li a mat&eacute;ria de capa de Veja, datada em 12 de agosto deste ano<\/a>. O texto da reportagem de Carolina Rangel e Ot&aacute;vio Cabral, &eacute; atravessado por uma agressiva linha editorial, trata-se de um libelo a favor do empresariado e, obviamente, anti-greve. Surpreende a capacidade da revista semanal da fam&iacute;lia Civita ainda causar espanto. Em pleno momento quando a publica&ccedil;&atilde;o, o grupo controlador da revista e um de seus rep&oacute;rteres especiais est&atilde;o como supostos alvos de investiga&ccedil;&atilde;o federal, a mat&eacute;ria de capa termina por se aproximar do lado mais &agrave; direita da pol&iacute;tica econ&ocirc;mica da economista Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>O argumento central do texto reflete a moral conservadora cruzada com rudimentos de economia neocl&aacute;ssica, que de forma vulgar circula como neoliberalismo. O elogio para as medidas de Dilma v&atilde;o ao encontro das premissas neoliberais, obviamente todas anti-estatistas e contra qualquer demanda por direitos dos trabalhadores, em especial os do servi&ccedil;o p&uacute;blico. A l&oacute;gica do texto &eacute; simples. O governo teria interesse em promover o desenvolvimento de &aacute;reas estrat&eacute;gicas ao pa&iacute;s. E, para isso, abriria m&atilde;o de intervir na infra-estrutura b&aacute;sica do pa&iacute;s (como transporte e energia), sendo que o BNDES seria um financiador parcial ao menos. Assim, estradas, portos e ferrovias retornam para a condi&ccedil;&atilde;o do s&eacute;culo XIX, quando obras de infra-estruturais eram da iniciativa privada e o Estado, &agrave; &eacute;poca gendarme, garantia suas fun&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas de sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o e seguran&ccedil;a. <\/p>\n<p>J&aacute; a virtude, segundo o texto, estaria no empresariado consultado pelo Executivo e futuro gestor das ditas obras. Participariam do processo de escuta os empres&aacute;rios Andr&eacute; Esteves, Eike Batista, Jorge Gerdau, Marcelo Odebrecht e Sergio Andrade. Ora, se os capit&atilde;es de ind&uacute;stria s&atilde;o apresentados como parte da solu&ccedil;&atilde;o, j&aacute; os funcion&aacute;rios p&uacute;blicos grevistas seriam os anti-her&oacute;is. S&atilde;o caracterizados pelos autores como um reflexo do sindicalismo, que seriam desconectados com a realidade! O real fruto da experi&ecirc;ncia vivida pela humanidade, ainda segundo Veja, &eacute; oposto da ret&oacute;rica anti-mercado. Para a publica&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia Civita e seus s&oacute;cios do Grupo sul-africano Naspers, &ldquo;nenhum outro sistema da hist&oacute;ria humana foi mais revolucion&aacute;rio e tirou mais gente da mis&eacute;ria do que o capitalismo, mas o bacana &eacute; posar de cr&iacute;tico engajado em alternativas que ningu&eacute;m sabe quais, para que ou como implement&aacute;-las&rdquo;. <\/p>\n<p>Assim, Veja naturaliza o sistema e o associa com a democracia pol&iacute;tica, como se capitalismo e democracia fossem sin&ocirc;nimos. Tamb&eacute;m isenta a pr&oacute;pria l&oacute;gica do sistema (afirma serem excessos) pela &ldquo;crise&rdquo; de 2008, chamando de &ldquo;desarranjo produtivo&rdquo; a quebradeira geral que vem ocorrendo nas economias de capitalismo avan&ccedil;ado (como Europa ocidental e EUA), fruto da jogatina estrutural que subordina os processos decis&oacute;rios da democracia representativa. <\/p>\n<p>Para al&eacute;m de Veja, um pouco das obviedades da Economia Pol&iacute;tica n&atilde;o fazem mal a ningu&eacute;m<\/p>\n<p>Aquilo que Veja chama de &ldquo;desarranjo produtivo&rdquo; &eacute; simplesmente a S&iacute;ntese do sistema.  Pois o valor de uso perde para valor de troca; depois, o valor de troca j&aacute; n&atilde;o vale nada, mas a representa&ccedil;&atilde;o desse bem que n&atilde;o pode ser resgatado implica num rombo colossal nas reservas financeiras de todo o mundo. Depois, estes dementes dizem que os &quot;mercados s&atilde;o racionais&quot;. S&atilde;o sim, racionalizam a maximiza&ccedil;&atilde;o de lucros a todo e qualquer custo! <\/p>\n<p>J&aacute; o libelo anti-greve tem uma raz&atilde;o de ser. Para o capital, e em especial para a fome gananciosa das bestas financeiras, os direitos s&atilde;o travas para a circula&ccedil;&atilde;o do capital especulativo e sua garantia de volta, os ganhos que adv&ecirc;m de recursos coletivos, garantidos pelo Estado.<\/p>\n<p>O problema de fundo do &ldquo;desarranjo produtivo&rdquo; (segundo Veja) &eacute; que aqui como l&aacute;, nos enfiam goela abaixo que o risco dos bancos &eacute; risco sist&ecirc;mico. Eu diria que a exist&ecirc;ncia das institui&ccedil;&otilde;es financeiras tal como elas se organizam hoje &eacute; que &eacute; um risco para qualquer forma de vida em sociedade. N&atilde;o geram valor real, montam uma cadeia de transfer&ecirc;ncia inventando moeda sem lastro algum na forma de cr&eacute;dito e na maioria das vezes jogam no limiar das possibilidades. O Estado Espanhol passa hoje por isso, e ao inv&eacute;s de intervir nos maiores bancos, permitem que a besta dilapide patrim&ocirc;nio e opere sobre as Caixas aut&ocirc;nomicas e provinciais. <\/p>\n<p>Os bancos s&atilde;o causadores da farsa com nome de crise, assim como as ag&ecirc;ncias de &quot;an&aacute;lise&quot; de risco, as empresas de certifica&ccedil;&atilde;o de auditagem, as mega-corretoras de opera&ccedil;&otilde;es em bolsa, as seguradoras e as autoridades a ocupar postos-chave em processos decis&oacute;rios delicados. No fundo do po&ccedil;o, se raspa o cofre para dar recursos a quem os sugou da sociedade. Mas, como o valor &eacute; antes que nada socialmente constru&iacute;do, vive-se sob o mito da credibilidade e confian&ccedil;a. Balela perigosa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Veja se supera, mais uma vez, demonstrando de forma editorializada uma reportagem recheada de fontismos sem fim. 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