{"id":1685,"date":"2012-11-06T23:09:52","date_gmt":"2012-11-06T23:09:52","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1685"},"modified":"2012-11-06T23:09:52","modified_gmt":"2012-11-06T23:09:52","slug":"entrevista-de-bruno-lima-rocha-para-o-ihu-com-a-jornalista-patricia-facchin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1685","title":{"rendered":"Entrevista de Bruno Lima Rocha para o IHU, com a jornalista Patr\u00edcia Facchin"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/eleicoes_2012.jpg\" title=\"A elei\u00e7\u00e3o municipal costuma ser marcada por tem\u00e1ticas locais e uma dimens\u00e3o paroquiana da cultura pol\u00edtica   - Foto:eleicao2012.net\" alt=\"A elei\u00e7\u00e3o municipal costuma ser marcada por tem\u00e1ticas locais e uma dimens\u00e3o paroquiana da cultura pol\u00edtica   - Foto:eleicao2012.net\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A elei\u00e7\u00e3o municipal costuma ser marcada por tem\u00e1ticas locais e uma dimens\u00e3o paroquiana da cultura pol\u00edtica  <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:eleicao2012.net<\/small><\/figure>\n<p>&#8211; Percebe alguma novidade pol&iacute;tica nas elei&ccedil;&otilde;es municipais do Rio Grande do Sul? <\/p>\n<p>Em princ&iacute;pio n&atilde;o. N&atilde;o necessariamente, apenas um movimento pendular onde alguns grupos novos, ou renovados, retomam posi&ccedil;&otilde;es de poder local e uma legenda que se consolida dia a dia como partido tradicional (o PT) e se distancia de suas origens reformistas. O espa&ccedil;o pol&iacute;tico do PT dos anos &rsquo;80 ainda n&atilde;o foi coberto.<\/p>\n<p>&#8211; A que atribui a reelei&ccedil;&atilde;o de Fortunati em Porto Alegre? Quem s&atilde;o os eleitores do prefeito? <\/p>\n<p>Uma soma de fatores, mas &eacute; preciso dizer que &eacute; dif&iacute;cil que um prefeito surfando na onda de grandes eventos esportivos n&atilde;o consiga a reelei&ccedil;&atilde;o. Fortunati n&atilde;o teve o desgaste da primeira gest&atilde;o Foga&ccedil;a e aproveitou a oportunidade das circunst&acirc;ncias da alian&ccedil;a PMDB-PDT para o Piratini em 2010 e agora vem a compensa&ccedil;&atilde;o. Seus eleitores s&atilde;o a maioria silenciosa, e o impacto da imagem das realiza&ccedil;&otilde;es que sua gest&atilde;o vem fazendo assim como a anterior. Mas, &eacute; preciso dizer que em torno da prefeitura da capital h&aacute; um consenso formado pela m&iacute;dia estadual, a Agenda 2020, os espa&ccedil;os que sua gest&atilde;o privatiza &ndash; ao menos no simb&oacute;lico &#8211; como nas iniciativas de exposi&ccedil;&atilde;o de logomarcas privadas em espa&ccedil;os p&uacute;blicos (locais f&iacute;sicos, como na Orla do Gua&iacute;ba e no Largo Gl&ecirc;nio Peres).<\/p>\n<p>&#8211; Como avalia as campanhas de Vila Verde (PT), de Manuela D&rsquo;&Aacute;vila<br \/>\n(PCdoB) e de Fortunati (PDT)? <\/p>\n<p>O PT sair como cabe&ccedil;a de chapa foi um suic&iacute;dio eleitoral. Vila Verde pode ser um experiente operador pol&iacute;tico, mas n&atilde;o tem nem carisma como &ldquo;produto&rdquo; e menos ainda capacidade de emocionar o eleitor mediano. J&aacute; Manuela s&oacute; teria alguma chance se sa&iacute;sse com o apoio do PT e PSB e, nesta chapa meio puro sangue, batesse duro e com fatos consumados contra a gest&atilde;o de Foga&ccedil;a e Fortunati. Mas, saindo em conjunto com o PSD e tendo o apoio da Ana Am&eacute;lia, fica simplesmente indefens&aacute;vel sua  posi&ccedil;&atilde;o de cr&iacute;tica a atual gest&atilde;o. Ela n&atilde;o se diferenciava de Fortunati e tinha de esconder seu  vice.<\/p>\n<p>&#8211; As pesquisas sempre apontaram Porto Alegre como uma capital de eleitores de esquerda. Por que, no entanto, partidos como PT e PSOL tiveram pouca representatividade nessas elei&ccedil;&otilde;es? <\/p>\n<p>Vejo como planos diferentes. Hoje o PSOL &eacute; um partido ainda embrion&aacute;rio em termos eleitorais, tentando construir uma imagem mais republicana do que classista. O PT se dilacera na capital e tem, na pr&aacute;tica pol&iacute;tica, uma atitude mais pr&oacute;xima do antigo Campo Majorit&aacute;rio. Ou seja, n&atilde;o faz pol&iacute;tica mais &agrave; esquerda, utilizando-se de linguagem de tipo liberal, como &ldquo;parcerias&rdquo;. A novidade nas gest&otilde;es municipais do PT ga&uacute;cho seria o estilo Jairo Jorge, puro pragmatismo e um consenso em seu munic&iacute;pio em torno das realiza&ccedil;&otilde;es aparentes. <\/p>\n<p>&#8211; Os candidatos &agrave; prefeitura de Porto Alegre n&atilde;o fizeram campanhas nos &quot;bols&otilde;es de mis&eacute;ria da capital&quot;. O que mudou nas campanhas? <\/p>\n<p>Trata-se de uma campanha direcionada para a chamada &quot;nova classe m&eacute;dia&quot;? Boa pergunta, &eacute; dif&iacute;cil entender porque a pobreza n&atilde;o mobilizou os candidatos. Mas, para os padr&otilde;es brasileiros, Porto Alegre &eacute; uma capital razoavelmente organizada e com uma apar&ecirc;ncia de &ldquo;classe m&eacute;dia&rdquo; (tomo cuidado com este conceito, pois sociedades de maioria fabril se parecem com a id&eacute;ia de classe m&eacute;dia). O que esteve ausente desta campanha foi a no&ccedil;&atilde;o de antagonismo, ao menos dos candidatos favoritos. <\/p>\n<p>&#8211; Como compreender a reelei&ccedil;&atilde;o de Tarc&iacute;sio Zimmermann (PT) em Novo Hamburgo, sendo que ele tinha a candidatura impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE)? O que isso revela sobre a perspectiva do<br \/>\neleitorado? <\/p>\n<p>Alguns fatores. Um deles &eacute; a aprova&ccedil;&atilde;o do atual prefeito, apesar de uma situa&ccedil;&atilde;o complicada. Outro &eacute; a relativa desinforma&ccedil;&atilde;o do eleitorado, ou mesmo como uma aposta, de que uma vez reeleito ele seria legitimado. Por fim, a aus&ecirc;ncia de competi&ccedil;&atilde;o mais dura, porque apenas com esta amea&ccedil;a de cassa&ccedil;&atilde;o poderia fortalecer os rivais.<\/p>\n<p>&#8211; O PT tinha 60 prefeituras no Rio Grande do Sul, e elegeu candidatos em 72 na &uacute;ltima elei&ccedil;&atilde;o, mas perdeu em algumas cidades estrat&eacute;gicas como em S&atilde;o Leopoldo e Novo Hamburgo, no Vale do Rio dos Sinos, Caxias do Sul, e na capital. Como v&ecirc; a atua&ccedil;&atilde;o do partido no estado? O que esses dados sinalizam? <\/p>\n<p>Assim como o PT ganhou em 2008 o eixo da BR 116, agora perdeu algumas cidades-p&oacute;lo, dentre estas as do Vale dos Sinos. A disputa em munic&iacute;pios mais populosos &eacute; muito forte e pode haver rejei&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m do fator local, a conforma&ccedil;&atilde;o de poderes locais. Outro ind&iacute;cio &eacute; simples. Na medida em que as diferen&ccedil;as partid&aacute;rias v&atilde;o diminuindo, fica menos traum&aacute;tica a troca de governo.<\/p>\n<p>&#8211; Entre as coliga&ccedil;&otilde;es pol&ecirc;micas deste pleito, destaca-se a do PT, em Canoas, que se aliou a v&aacute;rios partidos, e a alian&ccedil;a entre PCdoB e PP, em Porto Alegre. Como compreender coliga&ccedil;&otilde;es entre partidos que t&ecirc;m hist&oacute;ricos divergentes? Pode-se falar de uma crise dos partidos pol&iacute;ticos, considerando as coliga&ccedil;&otilde;es partid&aacute;rias? <\/p>\n<p>Sim, claro que sim. Falei disso na resposta anterior e em outras acima. Jairo Jorge &eacute; o exemplo de pragmatismo pol&iacute;tico e re-incorpora&ccedil;&atilde;o de setores que j&aacute; foram governo, prende-se a realiza&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o a um modelo de acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as.  <\/p>\n<p>&#8211; Em an&aacute;lise recente, o senhor analisa os gastos das elei&ccedil;&otilde;es do Vale do Rio dos Sinos, e aponta um gasto de 32.125.000 reais. O que esse dado representa? <\/p>\n<p>O volume de gastos em Canoas, eu vejo como proporcional ao reflexo da vota&ccedil;&atilde;o do atual prefeito (reelei&ccedil;&atilde;o). Canoas puxa o volume de gastos, mas todo o investimento de campanhas na Regi&atilde;o de justifica, tanto do ponto de vista dos &ldquo;doadores&rdquo; como de quem recebe. A Regi&atilde;o Metropolitana &eacute; fundamental para quem tem pretens&otilde;es estaduais, al&eacute;m de que cada um destes munic&iacute;pios pode ser um fator-chave para a elei&ccedil;&atilde;o de um deputado estadual.  <\/p>\n<p>&#8211; O Mensal&atilde;o pode ter influenciado o resultado das elei&ccedil;&otilde;es no que se refere ao PT? <\/p>\n<p>N&atilde;o creio. A popula&ccedil;&atilde;o observa o Mensal&atilde;o como um epis&oacute;dio e a elei&ccedil;&atilde;o no sentido pragm&aacute;tico, de observar quem realiza a&ccedil;&otilde;es aparentemente concretas (positivas) para o munic&iacute;pio e quem apela para a moral republicana ou o antagonismo social. Infelizmente, os dois &uacute;ltimos itens est&atilde;o com apelo relativamente baixo. <\/p>\n<p>&#8211; Considerando o resultado das elei&ccedil;&otilde;es municipais, j&aacute; &eacute; poss&iacute;vel vislumbrar alguma possibilidade para a elei&ccedil;&atilde;o de governador em 2014? <\/p>\n<p>A posi&ccedil;&atilde;o do desembarque ser&aacute; fundamental, conjecturando o poss&iacute;vel fortalecimento do PDT a partir da capital.  Por enquanto &eacute; o que podemos vislumbrar. E, claro, o PSB em termos nacionais pode for&ccedil;ar algum desembarque do governo estadual, ou uma nova rela&ccedil;&atilde;o na alian&ccedil;a com o PT. <\/p>\n<p>&#8211; Como avalia a elei&ccedil;&atilde;o em Pelotas? Seria o que na an&aacute;lise pol&iacute;tica cl&aacute;ssica chama-se &ldquo;renova&ccedil;&atilde;o para perpetua&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Uma seq&uuml;&ecirc;ncia de embates meio tradicionais, onde quem ganha, Eduardo Leite (PSDB) &eacute; um pol&iacute;tico com ares de novidade (pouca faixa et&aacute;ria e discurso gerencialista), mas reivindica a heran&ccedil;a pol&iacute;tica de Bernardo de Souza. Este derrota a Marroni que tamb&eacute;m implica em uma continuidade. Leite mesmo foi chefe de gabinete de Fetter Jr (quando ainda muito novo), o que, de certa forma, aponta uma continuidade.  <\/p>\n<p>&#8211; Deseja acrescentar algo? <\/p>\n<p>&Eacute; cada vez mais urgente debatermos formas de democracia para al&eacute;m do voto sistem&aacute;tico; aplicando mecanismos onde a popula&ccedil;&atilde;o seja protagonista, ao ser convocada (ou ao convocar) para plebiscitos que decidam sobre temas fundamentais na vida das maiorias. Neste caso, a pol&iacute;tica municipal pode operar como um bom embri&atilde;o de democracia direta e substantiva. Do contr&aacute;rio, a popula&ccedil;&atilde;o &eacute; convocada a autorizar expoentes de carreira pol&iacute;tica com tend&ecirc;ncias para a profissionaliza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; poss&iacute;vel aprofundar e radicalizar a democracia em todos os n&iacute;veis.<\/p>\n<p>A entrevista foi originalmente publicada no blog do IHU,  no dia 1&ordm; de novembro de 2012, na se&ccedil;&atilde;o entrevista do dia, localizada neste <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/515094-o-que-esteve-ausente-desta-campanha-foi-a-nocao-de-antagonismo-entrevista-especial-com-bruno-lima-rocha\">hiperlink. <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A elei\u00e7\u00e3o municipal costuma ser marcada por tem\u00e1ticas locais e uma dimens\u00e3o paroquiana da cultura pol\u00edtica Foto:eleicao2012.net &#8211; Percebe alguma novidade pol&iacute;tica nas elei&ccedil;&otilde;es municipais do Rio Grande do Sul? Em princ&iacute;pio n&atilde;o. 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