{"id":1718,"date":"2013-02-18T17:47:38","date_gmt":"2013-02-18T17:47:38","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1718"},"modified":"2013-02-18T17:47:38","modified_gmt":"2013-02-18T17:47:38","slug":"os-revolucionarios-ineficazes-de-hobsbawm-reflexoes-criticas-de-sua-abordagem-do-anarquismo-partes-4-e-5-de-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1718","title":{"rendered":"OS REVOLUCION\u00c1RIOS INEFICAZES DE HOBSBAWM: REFLEX\u00d5ES CR\u00cdTICAS DE SUA ABORDAGEM DO ANARQUISMO &#8211; partes 4 e 5 de 5"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mapa_anarquismo_18682012.jpg\" title=\"Contradizendo as afirma\u00e7\u00f5es do historiador ingl\u00eas, as \u00e1reas coloridas do mapa demonstram a presen\u00e7a do anarquismo at\u00e9 o final da 2\u00aa Guerra Mundial. Nota-se a perspectiva de luta classista e mundializada.  - Foto:anarkismo.net\" alt=\"Contradizendo as afirma\u00e7\u00f5es do historiador ingl\u00eas, as \u00e1reas coloridas do mapa demonstram a presen\u00e7a do anarquismo at\u00e9 o final da 2\u00aa Guerra Mundial. Nota-se a perspectiva de luta classista e mundializada.  - Foto:anarkismo.net\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Contradizendo as afirma\u00e7\u00f5es do historiador ingl\u00eas, as \u00e1reas coloridas do mapa demonstram a presen\u00e7a do anarquismo at\u00e9 o final da 2\u00aa Guerra Mundial. Nota-se a perspectiva de luta classista e mundializada. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:anarkismo.net<\/small><\/figure>\n<p><em>Rafael Viana da Silva<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Anarquismo: fen&ocirc;meno pr&eacute;-pol&iacute;tico?<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Ao associar o sucesso das pr&aacute;ticas pol&iacute;ticas anarquistas a um determinado contexto social (fim da Primeira Guerra Mundial e Revolu&ccedil;&atilde;o Russa) e econ&ocirc;mico espec&iacute;fico j&aacute; superado, o historiador brit&acirc;nico, no contexto do Maio de 68 franc&ecirc;s, revigora uma tese corrente no marxismo do p&oacute;s-guerra: a de que o anarquismo &ldquo;desapareceu com os reis e imperadores a quem seus militantes t&atilde;o freq&uuml;entemente tentaram assassinar&rdquo;.[1] As limita&ccedil;&otilde;es dessa tese s&atilde;o ainda mais claras: pressup&otilde;em que o anarquismo tornou-se proeminente com a CGT francesa e morreu com as barricadas de Barcelona, ao fim da Guerra\/Revolu&ccedil;&atilde;o Espanhola, em 1939.<\/p>\n<p>A historiografia sobre o anarquismo foi distorcida com a cria&ccedil;&atilde;o daquilo que Michael Schmidt chama de mito dos &ldquo;cinco grandes momentos&rdquo; do anarquismo. Esse mito, segundo sustenta, hiperdimensionou a participa&ccedil;&atilde;o dos anarquistas em determinados eventos hist&oacute;ricos &ndash; como no caso da revolta de Kronstadt, em 1921 &ndash; e, por outro lado, ignorou as revolu&ccedil;&otilde;es com ampla influ&ecirc;ncia anarquista, como a Revolu&ccedil;&atilde;o Mexicana (1910-1920), na Baixa Calif&oacute;rnia e em Morelos, no M&eacute;xico; a Revolu&ccedil;&atilde;o da Manch&uacute;ria (1929-1931) e a Revolu&ccedil;&atilde;o Cubana (1952-1959), no seio da qual os sindicatos revolucion&aacute;rios tiveram papel determinante. Isso, sem mencionar as diversas experi&ecirc;ncias como as Revoltas Cantonalistas na Espanha (1873-1874) e a Revolta da Maced&ocirc;nia (1903). Em todos esses casos, a tradi&ccedil;&atilde;o anarquista teve profundo enraizamento.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo Schmidt, a maior fraqueza dos historiadores que sustentam o argumento dos &ldquo;cinco grandes momentos&rdquo; &eacute; que eles ignoram completamente n&atilde;o apenas os movimentos anarquistas do leste europeu, mas tamb&eacute;m os movimentos sindicalistas revolucion&aacute;rios[2] e anarco-sindicalistas[3], que foram hegem&ocirc;nicos na classe trabalhadora organizada de Cuba, M&eacute;xico, Brasil, Portugal, Argentina, Uruguai &ndash; isso sem mencionar o leste da &Aacute;sia, como nos casos de Jap&atilde;o, China, Cor&eacute;ia, Vietn&atilde;, e o papel dos anarquistas em estabelecer os primeiros sindicatos no norte da &Aacute;frica e no sudeste africano, no Caribe e na Am&eacute;rica Central, na Oceania, no sudeste asi&aacute;tico, no sul da &Aacute;sia e no Oriente M&eacute;dio.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Em algumas pesquisas, esse mito ajuda a construir a vis&atilde;o do anarquismo como uma sucess&atilde;o &ldquo;martiriol&oacute;gica&rdquo; e uma ideologia que, apesar de difundida, foi terrivelmente mal sucedida &ndash; pela sua inevit&aacute;vel &ldquo;fraqueza&rdquo; te&oacute;rica ou seus horizontes &ldquo;limitados&rdquo; &ndash; em estabelecer sua proposta pol&iacute;tica. Implicitamente, nesta tese h&aacute; a vis&atilde;o consagrada por certa historiografia do anarquismo como uma teoria &ldquo;incoerente&rdquo; e inadequada, sem crit&eacute;rios t&aacute;ticos e estrat&eacute;gicos bem definidos, cuja base se assenta no &ldquo;equ&iacute;voco&rdquo; pol&iacute;tico[4] e no sectarismo dos anarquistas, ao rejeitarem o Estado.[5]<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Estudos mais recentes sobre o anarquismo nos dizem que devemos &ldquo;levar o anarquismo a s&eacute;rio&rdquo; (take serious). Para isso, &eacute; necess&aacute;rio romper com as limita&ccedil;&otilde;es da periodiza&ccedil;&atilde;o dos &ldquo;cinco grandes momentos&rdquo; e abandonar a no&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via e sem comprova&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica[6], de que o anarquismo &eacute; uma ideologia pr&eacute;-pol&iacute;tica ou simplesmente incoerente.[7] Rudolf de Jong, pesquisador do Departamento de Estudos sobre o Anarquismo na Espanha e na Am&eacute;rica Latina, ao preparar uma exposi&ccedil;&atilde;o sobre &ldquo;movimentos pr&eacute;-pol&iacute;ticos em &aacute;reas perif&eacute;ricas&rdquo;, nos alerta que se &ldquo;realmente&nbsp; desejamos concentrar nossas aten&ccedil;&otilde;es nas &aacute;reas perif&eacute;ricas, devemos abandonar o h&aacute;bito de considerar essas &aacute;reas e seus habitantes como &ldquo;perif&eacute;ricos&rdquo;; e &ldquo;quando nos referimos aos movimentos pr&eacute;-pol&iacute;ticos, nosso quadro de refer&ecirc;ncias n&atilde;o &eacute; a pr&oacute;pria &aacute;rea perif&eacute;rica, mas um centro&rdquo;.[8]<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Um exemplo dessa tend&ecirc;ncia s&atilde;o os estudos sobre o movimento oper&aacute;rio brasileiro, nos quais o anarquismo aparece sempre, aos olhos do centro de an&aacute;lise, geralmente marxista, como uma ideologia pr&eacute;-pol&iacute;tica. A maturidade do movimento oper&aacute;rio parecia, enfim, atingida com a forma&ccedil;&atilde;o do Partido Comunista Brasileiro, em 1922. O anarquismo era visto como um est&aacute;gio, talvez infantil, da experi&ecirc;ncia da classe. Ainda que esta vis&atilde;o tenha sido relativizada, a no&ccedil;&atilde;o impl&iacute;cita do anarquismo como uma teoria pol&iacute;tica &ldquo;primitiva&rdquo; ou de vis&atilde;o &ldquo;estreita&rdquo;[9], sublinhada por Hobsbawm, &eacute; um fantasma que assola diferentes estudos.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>O anarquismo, segundo esta perspectiva, &eacute; analisado sempre a partir de um referencial militante ex&oacute;geno &agrave; sua pr&oacute;pria constitui&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica e julgado a partir de um crit&eacute;rio valorativo que n&atilde;o o analisa, em termos hist&oacute;ricos, pelo que realmente foi, mas por aquilo que deveria ter sido. Com o bolchevismo aparecendo furtivamente e a contrapelo, ainda que por um deslocamento sutil de sentido, conclui-se que o anarquismo, de maneira infeliz e tr&aacute;gica, nunca cumpriu as duras exig&ecirc;ncias de seus pesquisadores e advers&aacute;rios pol&iacute;ticos.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Pierre Clastres, questionando a aplica&ccedil;&atilde;o da terminologia pr&eacute;-pol&iacute;tica &agrave;s sociedades amer&iacute;ndias, recorda: &ldquo;Que significa de fato esse tipo de vocabul&aacute;rio onde os termos &lsquo;embrion&aacute;rio&rsquo;, &lsquo;nascente&rsquo;, &lsquo;pouco desenvolvido&rsquo; aparecem com freq&uuml;&ecirc;ncia?&rdquo;[10] Chegando &agrave; conclus&atilde;o que determinados conceitos empregados pelo vocabul&aacute;rio sociol&oacute;gico\/hist&oacute;rico envolvem &ldquo;um julgamento de fato, mas [&#8230;], ao mesmo tempo, um julgamento de valor sobre as sociedades assim qualificadas: avalia&ccedil;&atilde;o que destr&oacute;i imediatamente a objetividade em que ela pretende fixar-se.&rdquo;[11]<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>No que diz respeito ao estudo do anarquismo, isso se traduz pela completa aus&ecirc;ncia de um invent&aacute;rio pol&iacute;tico dos cl&aacute;ssicos anarquistas; algo que parece n&atilde;o ser necess&aacute;rio ao estudo de suas estrat&eacute;gias, pois os anarquistas &ndash; segundo essa caricatura empobrecida, observada em parte de determinada historiografia &ndash; foram basicamente homens de a&ccedil;&atilde;o.[12] As refer&ecirc;ncias te&oacute;ricas s&atilde;o, costumeiramente, reduzidas a um ou dois cl&aacute;ssicos[13] e a investiga&ccedil;&atilde;o da amplitude da teoria pol&iacute;tica anarquista &eacute; costumeiramente substitu&iacute;da pela metodologia que busca na etimologia da palavra an arquia (&ldquo;nega&ccedil;&atilde;o do Estado&rdquo; ou da &ldquo;autoridade&rdquo;) sua base fundamental de compreens&atilde;o.[14]<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Vimos anteriormente que precisamos incluir outras quest&otilde;es para a an&aacute;lise do anarquismo al&eacute;m da simples nega&ccedil;&atilde;o do Estado. Partir de uma no&ccedil;&atilde;o etimol&oacute;gica sobre o anarquismo n&atilde;o &eacute; o caminho mais adequado para compreendermos o contexto ideol&oacute;gico e de suas atividades militantes.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Do mesmo modo, o abandono da categoria do &ldquo;pr&eacute;-pol&iacute;tico&rdquo; permite, tamb&eacute;m, que consigamos expandir nosso recorte temporal. Conseguimos, a partir disso, analisar a presen&ccedil;a do anarquismo em diferentes pa&iacute;ses e contextos hist&oacute;ricos. Em vez de nos restringirmos ao final do s&eacute;culo XIX ou &agrave;s primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX, podemos perceber a atividade anarquista em diferentes per&iacute;odos e regi&otilde;es.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Schmidt&nbsp; prop&otilde;e uma periodiza&ccedil;&atilde;o mais &ldquo;generosa&rdquo;, intitulada de teoria das cinco ondas [five waves theory], que n&atilde;o pretende ser uma &ldquo;lei de ferro&rdquo; do progresso e da rea&ccedil;&atilde;o, mas um guia hist&oacute;rico aberto a adapta&ccedil;&otilde;es.[15] Esse guia fornece uma vis&atilde;o mais ampla do anarquismo.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;A primeira onda, de 1868-1894, pouco conhecida, e a segunda onda, de 1895-1923, bem mais estudada, que cobre as revolu&ccedil;&otilde;es no M&eacute;xico, na R&uacute;ssia e na Ucr&acirc;nia. [&#8230;] A terceira onda, de 1924-1949, igualmente famosa, que abarca as revolu&ccedil;&otilde;es na Manch&uacute;ria e na Espanha, e que, juntamente com a segunda onda, constitui o &lsquo;per&iacute;odo glorioso&rsquo; do anarquismo. [&#8230;] A quarta onda, de 1950-1989, cujo &aacute;pice se deu na Revolu&ccedil;&atilde;o Cubana em 1952-1959 e, novamente, com a Nova Esquerda de 1968. [&#8230;] A quinta onda, atual, gerada em 1989 pela queda do Muro de Berlim e pelo surgimento de mobiliza&ccedil;&otilde;es &lsquo;horizontalistas&rsquo; contrapondo-se ao antigo e velho &lsquo;comunismo&rsquo; marxista (na realidade, um capitalismo de Estado autorit&aacute;rio), &agrave;s ditaduras de direita e ao neoliberalismo, por meio de novos movimentos das classes populares globalizadas.&rdquo; SCHIMDT, 2012a, p. 43-44 apud Corr&ecirc;a, 2012, p. 216.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Al&eacute;m das reflex&otilde;es sobre o uso do conceito &ldquo;pr&eacute;-pol&iacute;tico&rdquo;, a teoria das cinco ondas permite elaborar um breve invent&aacute;rio da presen&ccedil;a anarquista depois do fim da Primeira Grande Guerra. Concentraremo-nos apenas na terceira e na quarta onda. Na terceira onda, que pode ser associada mais claramente ao per&iacute;odo de milit&acirc;ncia que vai de 1924 a 1949, temos um contexto que &eacute; marcado pela repress&atilde;o do fascismo e dos governos autorit&aacute;rios, pelo crescimento da proposta bolchevique, pela institucionaliza&ccedil;&atilde;o dos sindicatos e em alguns pa&iacute;ses, pelas medidas de bem-estar social promovidas por v&aacute;rios Estados.[16]<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Neste per&iacute;odo, podemos mencionar: a funda&ccedil;&atilde;o da Federa&ccedil;&atilde;o Anarquista francesa (FA), em 1945, a atua&ccedil;&atilde;o da Federa&ccedil;&atilde;o Anarquista Comunista da Bulg&aacute;ria (FAKB), a funda&ccedil;&atilde;o da Federa&ccedil;&atilde;o de Anarquistas Comunistas da It&aacute;lia (FdCAI), em 1944, que teve alguma influ&ecirc;ncia na forma&ccedil;&atilde;o da nova Federa&ccedil;&atilde;o Geral dos Trabalhadores Italianos (CGIL). Nesse per&iacute;odo, foi tamb&eacute;m fundada a Federa&ccedil;&atilde;o Anarquista Japonesa, em 1945, que se segue &agrave; funda&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia das Uni&otilde;es Sindicais (CLU). Na Alemanha, houve a funda&ccedil;&atilde;o da Federa&ccedil;&atilde;o dos Socialistas Libert&aacute;rios (FFS), em 1947, e no norte da &Aacute;frica, a funda&ccedil;&atilde;o do Movimento Libert&aacute;rio da &Aacute;frica do Norte.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Sob uma perspectiva internacional, com destaque, podemos citar, segundo Corr&ecirc;a, a<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;East Asian Anarchist Federation (EAAF), fundada em 1928, com organiza&ccedil;&otilde;es dos seguintes pa&iacute;ses: China, Cor&eacute;ia, Formosa (Taiwan), &Iacute;ndia, Jap&atilde;o e Vietn&atilde;. A Asociaci&oacute;n Continental Americana de Trabajadores (ACAT), fundada em 1929, que se constituiu como ramo latino-americano da Internacional Sindicalista, envolvendo mais de 100 sindicatos dos seguintes pa&iacute;ses: Argentina, Bol&iacute;via, Brasil, Chile, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, M&eacute;xico, Paraguai, Peru e Uruguai.&rdquo; CORR&Ecirc;A, 2012, p. 229.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Poder&iacute;amos acrescentar um dado local de nossos estudos que refor&ccedil;a esse mapeamento global feito pelos historiadores sulafricanos, em espec&iacute;fico, no per&iacute;odo que corresponderia a &ldquo;terceira&rdquo; e a &ldquo;quarta onda&rdquo;. Em nossos estudos[17] sobre o anarquismo e o sindicalismo no Brasil de 1945 a 1964, encontramos uma intensa articula&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica internacional nos peri&oacute;dicos analisados. No Brasil, em 1948, houve um congresso anarquista nacional, que contou com a participa&ccedil;&atilde;o de organiza&ccedil;&otilde;es anarquistas de Rio de Janeiro (Uni&atilde;o Anarquista do Rio de Janeiro), Porto Alegre (Grupo &Aacute;cratas) e S&atilde;o Paulo (Uni&atilde;o Anarquista de S&atilde;o Paulo).[18] Nos peri&oacute;dicos anarquistas editados pelos brasileiros, encontramos[19] 24 grupos anarquistas em diversas regi&otilde;es do mundo, mas, segundo o levantamento global realizado por Schimdt, este n&uacute;mero &eacute; ainda maior. Pela Comiss&atilde;o de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais Anarquistas (CRIA), &eacute; poss&iacute;vel ter acesso a informa&ccedil;&otilde;es sobre o anarquismo em todo mundo, avaliando a presen&ccedil;a anarquista na Arg&eacute;lia, Argentina, Austr&aacute;lia, Bol&iacute;via, Gr&atilde; Bretanha, Bulg&aacute;ria[20], Canad&aacute;, Chile, China, Col&ocirc;mbia, Cuba, Equador, Fran&ccedil;a, Alemanha, Guatemala, India, Israel, It&aacute;lia, Jap&atilde;o, Cor&eacute;ia, M&eacute;xico, Marrocos, Holanda, Panam&aacute;, Peru, Portugal, Espanha, Su&iacute;&ccedil;a, Tun&iacute;sia, Uruguai, Estados Unidos, Venezuela, Iugosl&aacute;via[21] e obviamente, Brasil. O caso da Bulg&aacute;ria chama-nos aten&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;Na Bulg&aacute;ria, a FAKB, fundada nos fins da segunda onda, protagonizou experi&ecirc;ncias relevantes envolvendo sindicalismo urbano e rural, cooperativas, guerrilha e mobiliza&ccedil;&atilde;o de juventude. Seu 5&ordm; congresso, em 1923, contou com 104 delegados e 350 observadores de 89 organiza&ccedil;&otilde;es e, entre 1926 e 1927, a FAKB adotou a Plataforma do grupo de exilados russos Dielo Truda, que sustentava a necessidade de uma organiza&ccedil;&atilde;o anarquista program&aacute;tica, fundamentada na unidade ideol&oacute;gica, na unidade t&aacute;tica (m&eacute;todo coletivo de a&ccedil;&atilde;o), na responsabilidade coletiva e no federalismo. A discuss&atilde;o da Plataforma, inclusive, teve, nesta onda, algum impacto no anarquismo europeu. Em 1930, destaca-se, na Bulg&aacute;ria, a influ&ecirc;ncia anarquista na forma&ccedil;&atilde;o da Confedera&ccedil;&atilde;o Vlassovden, de mobiliza&ccedil;&atilde;o rural, que chegou, no ano seguinte, a 130 se&ccedil;&otilde;es, possibilitando ao anarquismo constituir a terceira for&ccedil;a pol&iacute;tica de esquerda no pa&iacute;s.&rdquo; CORR&Ecirc;A, 2012, p. 229.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Nas d&eacute;cadas de 1950 e 1960, que se enquadrariam na &ldquo;quarta onda&rdquo; do anarquismo (1950-1989), a presen&ccedil;a anarquista &eacute; geralmente ignorada ou reduzida a &ldquo;reminisc&ecirc;ncia de um passado j&aacute; distante de bo&ecirc;mios, rebeldes e vanguardistas&rdquo;. Esta caricatura, como vimos anteriormente, n&atilde;o se sustenta diante da an&aacute;lise hist&oacute;rica. Neste contexto, marcado pela Guerra Fria, pela descoloniza&ccedil;&atilde;o Afro-asi&aacute;tica e por se caracterizar de maneira geral como um per&iacute;odo de refluxo[22], a trajet&oacute;ria do anarquismo &eacute; marcada por diversas iniciativas internacionais de atua&ccedil;&atilde;o em projetos da classe trabalhadora.[23] Cabe destacar que s&atilde;o iniciativas tocadas por organiza&ccedil;&otilde;es e grupos anarquistas com projetos pol&iacute;ticos bem definidos, ainda que com diferentes matizes, e que, portanto, chocam-se com a id&eacute;ia pr&eacute;-concebida de uma &ldquo;esp&eacute;cie primitiva[24] de movimento&rdquo;.[25]<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Cabe alertar, que n&atilde;o desejamos aqui hiperdimensionar a for&ccedil;a pol&iacute;tica dos anarquistas nos per&iacute;odos citados, como &ldquo;compensa&ccedil;&atilde;o&rdquo; da &ldquo;unilateralidade&rdquo; dos estere&oacute;tipos anteriormente constru&iacute;dos. Mas se trata, certamente, de compreender seu alcance pol&iacute;tico e sua esfera de influ&ecirc;ncia mediante a an&aacute;lise de diferentes contextos e regi&otilde;es. O primeiro passo de um trabalho como este, s&oacute; pode ser dado com a desconstru&ccedil;&atilde;o de reducionismos que colocam obst&aacute;culos nesta empreitada.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>As limita&ccedil;&otilde;es do estudo sobre o anarquismo e de sua an&aacute;lise ignoram o papel chave dos anarquistas na Confedera&ccedil;&atilde;o do Trabalho Cubano (CTC) e sua presen&ccedil;a na Revolu&ccedil;&atilde;o Cubana, largamente ignorada pelos estudos hist&oacute;ricos.[26] Do mesmo modo, a presen&ccedil;a da Sveriges Arbetares Central (SAC) sueca, do Industrial Workers of the World (IWW) chileno, da Confedera&ccedil;&atilde;o Geral do Trabalho e do Movimento Nacional dos Trabalhadores Unidos do Chile, anarco-sindicalista, que estabeleceu a poderosa Central dos Trabalhadores do Chile (CUT), com a jun&ccedil;&atilde;o de marxistas e socialistas e teve a participa&ccedil;&atilde;o de anarquistas em seu processo.[27] A lideran&ccedil;a nacional da CUT chilena inclu&iacute;a nove socialistas, quatro anarquistas, dois marxistas, dois democratas crist&atilde;os, um crist&atilde;o independente de esquerda e at&eacute; um militante da direita (falangista). A participa&ccedil;&atilde;o dos anarquistas numa greve geral, em 1956, no Chile, entre in&uacute;meros casos, indica que a estrat&eacute;gia de massas permaneceu como uma pr&aacute;tica corrente na d&eacute;cada que se seguiu ao p&oacute;s-guerra. Participaram da funda&ccedil;&atilde;o do Movimiento de Izquierda Revolucionaria (MIR) e nele permaneceram por dois anos.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>No Uruguai, em 1956, &eacute; fundada a Federa&ccedil;&atilde;o Anarquista Uruguaia (FAU), uma organiza&ccedil;&atilde;o que construiu a Conven&ccedil;&atilde;o Nacional dos Trabalhadores (CNT), que inclu&iacute;a 400 mil trabalhadores &ndash; mais de 10% da popula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s). A FAU teve um papel decisivo nos anos posteriores com a forma&ccedil;&atilde;o de um aparato armado subordinado &agrave; federa&ccedil;&atilde;o e que estava profundamente enraizada na classe trabalhadora organizada, por meio do agrupamento de tend&ecirc;ncia chamado Resistencia Obrero-Estudantil (ROE), que reuniu milhares de militantes.[28] Ainda assim, a Federa&ccedil;&atilde;o Anarquista Uruguaia pouco aparece nos estudos sobre a milit&acirc;ncia de esquerda nos anos 60 e 70, tampouco a organiza&ccedil;&atilde;o Resist&ecirc;ncia Libert&aacute;ria, da Argentina[29], que engajou-se em armas contra a ditadura militar argentina. Em nosso entendimento, isso se deve n&atilde;o &agrave; aus&ecirc;ncia de documentos do per&iacute;odo, mas &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de categorias equivocadas, que limitam o estudo do anarquismo a periodiza&ccedil;&atilde;o dos &ldquo;cinco grandes momentos&rdquo; e incorrem nos mesmos problemas metodol&oacute;gicos que dificultam sua compreens&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Seguindo essas pistas, chegamos a um problema conceitual profundamente relevante, que &eacute; ignorar a continuidade do anarquismo e de sua influ&ecirc;ncia ou cultura pol&iacute;tica nas entidades de massas, fato que merece ser explorado com mais detalhes. A vis&atilde;o do sindicalismo combativo como algo espont&acirc;neo e divorciado das origens anarquistas nas d&eacute;cadas de 1940 e 1950 &eacute; uma vis&atilde;o corrente[30] na atual historiografia. Nos anos 1960 e 1970, a influ&ecirc;ncia do anarquismo nas teorias e pr&aacute;ticas guerrilheiras tamb&eacute;m pode ser analisada[31], ainda que faltem pesquisas de f&ocirc;lego neste sentido.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>A tese que comprovaria a voca&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-industrial do anarquismo encontra seu &ldquo;porto&rdquo; na no&ccedil;&atilde;o de que este, como fen&ocirc;meno de massas, teria se restringido &agrave; Espanha. Essa teoria sofreu uma grande revis&atilde;o sob os avan&ccedil;os de certos setores da historiografia. Uma perspectiva global da hist&oacute;ria do anarquismo e do sindicalismo fornece um importante corretivo a ela. Segundo Schmidt e van der Walt:<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;Uma perspectiva global, todavia, nos mostra que o movimento de massas sindicalista e anarquista existiu fora da Espanha. A no&ccedil;&atilde;o da excepcionalidade espanhola tamb&eacute;m d&aacute; pouca aten&ccedil;&atilde;o a um n&uacute;mero importante de casos como os da Europa Ocidental.&rdquo; SCHMIDT, VAN DER WALT, 2009, p. 274, tradu&ccedil;&atilde;o nossa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo Schmidt, ao contr&aacute;rio desta tese da excepcionalidade espanhola, o anarquismo dominou os movimentos sindicais na Argentina, Brasil, Chile, Cuba, Fran&ccedil;a, M&eacute;xico, Holanda, Peru, Portugal e Uruguai. Movimentos camponeses influenciados pelos anarquistas foram desenvolvidos na Bulg&aacute;ria, Manch&uacute;ria, M&eacute;xico, Ucr&acirc;nia assim como a Espanha. O autor tamb&eacute;m afirma que &ldquo;a no&ccedil;&atilde;o de que o anarco-sindicalismo foi algo parecido com a pequena-burguesia &eacute; claramente n&atilde;o convincente&rdquo;.[32]<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;Deixando de lado a ideia f&aacute;cil de que os sindicatos de trabalhadores podem representar a pequena burguesia, &eacute; evidente que o sindicalismo, em seu per&iacute;odo glorioso, n&atilde;o foi uma rea&ccedil;&atilde;o contra a modernidade, isolada da classe trabalhadora moderna &ndash; ele foi um movimento de trabalhadores assalariados, incluindo os locais mais avan&ccedil;ados de produ&ccedil;&atilde;o industrial. [&#8230;]<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Falando da Espanha, J. Romero Maura tem argumentado que a vis&atilde;o da CNT foi obscurecida pela vis&atilde;o de que o anarco-sindicalismo foi uma doutrina messi&acirc;nica e irrealista, incompat&iacute;vel com as condi&ccedil;&otilde;es industriais modernas.&rdquo;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; SCHMIDT, VAN DER WALT, 2009, p. 281.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O anarquismo, como corrente pol&iacute;tica, desenvolveu-se tanto nos pa&iacute;ses &ldquo;avan&ccedil;ados&rdquo; (Fran&ccedil;a, Inglaterra, Estados Unidos, etc.) quanto nos &ldquo;atrasados&rdquo; (Bulg&aacute;ria, Espanha, etc.); permaneceu atuante, ainda que com diferen&ccedil;as em suas singularidades e for&ccedil;a pol&iacute;tica, tanto nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX, quanto nos anos posteriores. Longe de ser um fen&ocirc;meno pr&eacute;-pol&iacute;tico ou &ldquo;pequeno-burgu&ecirc;s&rdquo;, o anarquismo difundiu-se e ajudou a constituir a face organizada da classe trabalhadora em suas entidades de classe.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Obviamente, muitos anarquistas eram cr&iacute;ticos do sindicalismo e enxergavam os limites de um movimento que s&oacute; poderia avan&ccedil;ar sobre os &ldquo;escombros&rdquo; da velha sociedade capitalista; uma minoria presente nos c&iacute;rculos anarquistas de v&aacute;rios pa&iacute;ses, segundo contextos hist&oacute;ricos espec&iacute;ficos, rejeitava a a&ccedil;&atilde;o sindical e restringia-se ao campo da propaganda pelo fato. Ainda assim, o di&aacute;logo fundamental destes militantes, se realizava com a milit&acirc;ncia sindicalista revolucion&aacute;ria e\/ou anarco-sindicalista. Coincidentemente, o estudo do anarquismo como um fen&ocirc;meno hist&oacute;rico cresceu justamente num momento de grande interesse dos historiadores pelo movimento oper&aacute;rio, em que os libert&aacute;rios tiveram um papel de relevo para sua constitui&ccedil;&atilde;o e atuaram fundamentalmente refor&ccedil;ando a associa&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o de classe.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Negar ou dissociar o enraizamento dos anarquistas nas lutas da classe trabalhadora e sua contribui&ccedil;&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o do que hoje chamamos de sindicalismo de inten&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria, sindicalismo de base e\/ou combativo, d&aacute; margem &agrave; reciclagem de velhos preconceitos e permite a reprodu&ccedil;&atilde;o de erros b&aacute;sicos na interpreta&ccedil;&atilde;o de suas pr&aacute;ticas sociais. A pior forma de compreender um movimento pol&iacute;tico &eacute; analis&aacute;-lo pelas caricaturas constru&iacute;das por seus advers&aacute;rios pol&iacute;ticos. A presen&ccedil;a pol&iacute;tica dos anarquistas e sua trajet&oacute;ria hist&oacute;rica foram fundamentais para o enraizamento de determinadas pr&aacute;ticas que possuem na auto-organiza&ccedil;&atilde;o da classe e nas lutas contra as variadas formas de domina&ccedil;&atilde;o seu eixo fundamental. Mantiveram acesas as perspectivas da utopia de um socialismo libert&aacute;rio que se opunha ao capitalismo e aos totalitarismos de esquerda conformados no &ldquo;socialismo real&rdquo;. Ajudaram a incorporar por meio da luta e a a&ccedil;&atilde;o direta de inten&ccedil;&atilde;o classista, muitos direitos que os trabalhadores e as classes oprimidas usufruem. Suas pr&aacute;ticas hist&oacute;ricas, portanto, se inscrevem decisivamente, ainda que de maneira subterr&acirc;nea, no imagin&aacute;rio dos que hoje ainda lutam, a despeito de muitos n&atilde;o perceberem ou optarem abertamente por ignorar seus contornos.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Notas das partes 4 e 5<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. HOBSBAWM, Ibid, p. 90.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Isso quando n&atilde;o incorrem em generaliza&ccedil;&otilde;es grosseiras. O caso do sindicalismo revolucion&aacute;rio &eacute; emblem&aacute;tico. Apenas na It&aacute;lia o sindicalismo revolucion&aacute;rio chegou por obra dos socialistas (Partido Socialista Italiano). Na esmagadora maioria dos pa&iacute;ses, o sindicalismo revolucion&aacute;rio constituiu uma estrat&eacute;gia anarquista para os sindicatos que, rapidamente, foi tomada pela classe trabalhadora organizada como um instrumento de luta e enfrentamento pol&iacute;tico. A pr&aacute;tica sindicalista revolucion&aacute;ria &eacute; prefigurada, no final do s&eacute;culo XIX, nas d&eacute;cadas de 1870, 1880 e 1890, com a atua&ccedil;&atilde;o de determinados setores organizados da classe oper&aacute;ria. Estes setores aproximar-se-&atilde;o do setor bakuninista na Primeira Internacional. Sobre a hist&oacute;ria do sindicalismo revolucion&aacute;rio e do anarco-sindicalismo ao redor do mundo, Cf. COLOMBO, Eduardo; et AL. Hist&oacute;ria do Movimento Oper&aacute;rio Revolucion&aacute;rio. Tradu&ccedil;&atilde;o de Pl&iacute;nio Coelho. 1&ordf; ed., S&atilde;o Paulo, Imagin&aacute;rio, 2004.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. N&atilde;o confundir a categoria de an&aacute;lise anarco-sindicalismo, que dominou certos estudos no movimento oper&aacute;rio brasileiro e que amalgama dois fen&ocirc;menos correlatos\/distintos (sindicalismo e anarquismo), com a estrat&eacute;gia anarco-sindicalista, presente na imprensa e no discurso anarquista de determinados pa&iacute;ses com presen&ccedil;a da milit&acirc;ncia libert&aacute;ria em suas respectivas forma&ccedil;&otilde;es de classe. Esse &uacute;ltimo caso &eacute; o caso da FORA argentina, que define em seus estatutos o finalismo revolucion&aacute;rio (comunismo libert&aacute;rio) e da CNT espanhola, a partir de seu congresso de 1919. O anarco-sindicalismo pode ser compreendido como a estrat&eacute;gia sindical revolucion&aacute;ria explicitamente anarquista e deve ser aplicado enquanto uma categoria de an&aacute;lise de maneira mais criteriosa segundo as especificidades de suas pr&aacute;ticas pol&iacute;ticas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Segundo Raquel Azevedo, essa vis&atilde;o historiogr&aacute;fica sobre o anarquismo aponta que &ldquo;uma das faces das contradi&ccedil;&otilde;es que lhe s&atilde;o imputadas deve-se aos &lsquo;erros t&aacute;ticos&rsquo; ou &agrave;s &lsquo;estrat&eacute;gias inadequadas&rsquo;.&rdquo; (&#8230;) Mas &ldquo;a principal cr&iacute;tica encontra-se no equ&iacute;voco que est&aacute; na raiz de sua proposta, ou seja, em sua rejei&ccedil;&atilde;o &agrave; participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica.&rdquo; AZEVEDO, Raquel. A Resist&ecirc;ncia Anarquista: Uma quest&atilde;o de identidade (1927 &ndash; 1937). S&atilde;o Paulo: Arquivo do Estado\/Imprensa Oficial do Estado, 2002, p. 40.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. A prop&oacute;sito da suposta &ldquo;incoer&ecirc;ncia te&oacute;rica&rdquo; do anarquismo, os pesquisadores sulafricanos aqui mencionados, afirmam que ela foi, em grande medida, constru&iacute;da pelos historiadores, que trabalharam com crit&eacute;rios inadequados para definir os &ldquo;te&oacute;ricos anarquistas&rdquo;. Woodcock, por exemplo, a partir do crit&eacute;rio da nega&ccedil;&atilde;o do Estado como elemento aglutinador e identificador dos anarquistas, inclui Godwin e Stirner, ambos os quais nunca foram anarquistas, juntamente com Bakunin e Kropotkin, no mesmo &ldquo;barco&rdquo;. O resultado dessa disparidade entre os pensadores e tamb&eacute;m entre os contextos hist&oacute;ricos &eacute; a conclus&atilde;o de que a teoria anarquista n&atilde;o seria consistente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>6. Quando nos referimos &agrave; comprova&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, baseamo-nos no historiador Jorn R&uuml;sen, afirmando que Hist&oacute;rias narradas com especificidade cient&iacute;fica s&atilde;o hist&oacute;rias cuja validade est&aacute; garantida mediante uma fundamenta&ccedil;&atilde;o particularmente bem feita. A propriedade do pensamento sobre qual repousa o car&aacute;ter cient&iacute;fico do conhecimento &eacute; justamente mediante suas regras met&oacute;dicas (regras do m&eacute;todo) cuidar para que as pretens&otilde;es de validades das senten&ccedil;as que enuncia sejam bem sustentadas argumentativamente. Sobre isto, Cf. R&Uuml;SEN, J&ouml;rn. Cient&iacute;fica &ndash; a constitui&ccedil;&atilde;o met&oacute;dica da ci&ecirc;ncia da hist&oacute;ria In Raz&atilde;o Hist&oacute;rica &ndash; Teoria da hist&oacute;ria: os fundamentos da ci&ecirc;ncia hist&oacute;rica. Bras&iacute;lia: Editora UNB, 2001.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>7. Este &eacute; o caso quando Hobsbawm, tratando da vida do expropriador Francisco Sabat&eacute; Llopart, caracteriza essa gera&ccedil;&atilde;o de expropriadores do seguinte modo: &ldquo;Como motiva&ccedil;&atilde;o, tinham a &lsquo;id&eacute;ia&rsquo; do anarquismo: aquele sonho totalmente descomprometido e lun&aacute;tico que todos n&oacute;s partilhamos, mas que poucos, exceto espanh&oacute;is, jamais tentaram p&ocirc;r em pr&aacute;tica, ao pre&ccedil;o da derrota total e da impot&ecirc;ncia de seu movimento trabalhista.&rdquo; Al&eacute;m de contestarmos a leitura teleol&oacute;gica sobre a Revolu&ccedil;&atilde;o Espanhola &ndash; que enxerga nela um movimento &ldquo;pr&eacute;-pol&iacute;tico&rdquo;, que foi incapaz de criar um partido trabalhista, pr&oacute;prio de uma sociedade &ldquo;madura&rdquo; e &ldquo;industrial&rdquo; &ndash;, podemos questionar o fato de o autor reiterar um suposto irracionalismo da doutrina anarquista. Cf. HOBSBAWM, Eric. Bandidos. Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria, 2&ordf; edi&ccedil;&atilde;o, 1976, p. 113.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>8. DE JONG, Rudolf. A Concep&ccedil;&atilde;o Libert&aacute;ria da Transforma&ccedil;&atilde;o Social Revolucion&aacute;ria. S&atilde;o Paulo: Fa&iacute;sca, 2008.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>9. Segundo Hobsbawm, os guerrilheiros anarquistas que lutaram contra a ditadura franquista &ldquo;n&atilde;o tinham qualquer express&atilde;o militar. Sua organiza&ccedil;&atilde;o e sua disciplina eram demasiado d&eacute;beis, e seus objetivos eram os de seus dirigentes, homens com perspectivas das mais estreitas.&rdquo;&nbsp; HOBSBAWM, 1976, p. 119.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>10. CLASTRES, Pierre. Cop&eacute;rnico e os Selvagens. In: A Sociedade Contra o Estado. S&atilde;o Paulo: Cosac &amp; Naife, 2003, pp. 23-41.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>11. Ibidem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>12. Segundo esta vis&atilde;o, os grupos espec&iacute;ficos anarquistas que atuavam na Espanha &ldquo;travavam duelos com a Pol&iacute;cia, assassinavam reacion&aacute;rios, resgatavam prisioneiros ou expropriavam bancos com a finalidade de financiar algum jornalzinho, sendo que a avers&atilde;o dos anarquistas &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o dificultava o levantamento regular de recursos.&rdquo; HOBSBAWM, 1976, p. 115. Reitera-se, assim, a associa&ccedil;&atilde;o equivocada entre anarquismo e &ldquo;desorganiza&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Al&eacute;m disso, seria l&iacute;cito recordar que os expropriadores anarquistas espanh&oacute;is estavam conectados a um trabalho amplo, nas entidades sindicais. Os debates de organiza&ccedil;&atilde;o eram fundamentais nesse contexto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>13. Ou substitu&iacute;da pela maior refer&ecirc;ncia de compreens&atilde;o das ideias e pr&aacute;ticas anarquistas. O estudo de George Woodcock, um invent&aacute;rio extremamente problem&aacute;tico das pr&aacute;ticas e ideias anarquistas que mereceria outra resenha cr&iacute;tica, incorre em problemas t&iacute;picos da tradicional Hist&oacute;ria das Id&eacute;ias Pol&iacute;ticas. Sobre a cr&iacute;tica a Hist&oacute;ria das Id&eacute;ias Pol&iacute;ticas, ROSANVALLON, 1995. Outro livro que trabalha com um pequeno referencial de cl&aacute;ssicos, ainda que possua qualidade bastante superior ao de Woodcock, &eacute; o livro de Gu&eacute;rin. GU&Eacute;RIN, Daniel. O Anarquismo: da doutrina &agrave; a&ccedil;&atilde;o. Rio de Janeiro: Germinal, 1968.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>14. Sobre a inadequa&ccedil;&atilde;o desta abordagem, Corr&ecirc;a nos diz que: &ldquo;Em suma, definir o anarquismo como sin&ocirc;nimo de anti-estatismo implica tomar uma defini&ccedil;&atilde;o reducionista, que n&atilde;o permite explicar o que &eacute; o anarquismo. A partir desse conceito, poder-se-ia incluir no rol do anarquismo um conjunto de autores e de tradi&ccedil;&otilde;es que, considerando uma an&aacute;lise mais criteriosa, n&atilde;o constituem parte dessa ideologia.&rdquo; CORR&Ecirc;A, Felipe. Sin&ocirc;nimo de Anti-estatismo. Dispon&iacute;vel em &lt;http:\/\/www.negodito.com\/a-sinonimo-de-anti-estatismo\/&gt; Acessado em 01\/09\/2012.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>15. SCHMIDT, Michael. Cartography of Revolutionary Anarchism. Oakland: AK Press, no prelo, p. 16.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>16. CORR&Ecirc;A, 2012, p. 229.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>17. Cf. SILVA, Rafael Viana da Silva. Indel&eacute;veis Refrat&aacute;rios: As Estrat&eacute;gias Pol&iacute;ticas Anarquistas e o Sindicalismo Revolucion&aacute;rio no Rio de Janeiro em Tempos de Redemocratiza&ccedil;&atilde;o (1946-1954). Orientadora: Maria Paula Nascimento Ara&uacute;jo. Rio de Janeiro: UFRJ \/ IFCS \/ Departamento de Hist&oacute;ria, 2011. Monografia (Bacharelado em Hist&oacute;ria)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>18. Ainda que tenhamos ci&ecirc;ncia dos limites de sua milit&acirc;ncia no per&iacute;odo relacionado, a presen&ccedil;a dos anarquistas nesse contexto indica que o historiador pode expandir seu estudo para al&eacute;m dos per&iacute;odos &ldquo;tradicionais&rdquo; de estudo do anarquismo. Isso s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel quando nos livramos das no&ccedil;&otilde;es &ldquo;carregadas&rdquo; de pr&eacute;-suposi&ccedil;&otilde;es, como o termo &ldquo;pr&eacute;-pol&iacute;tico&rdquo;, incapaz de lidar com um objeto t&atilde;o multifacetado quanto o anarquismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>19. Cf. SILVA, Ibid.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>20. Na Bulg&aacute;ria, com a ocupa&ccedil;&atilde;o do Ex&eacute;rcito Vermelho e a forma&ccedil;&atilde;o de uma frente patri&oacute;tica ap&oacute;s o fim da segunda grande guerra, a situa&ccedil;&atilde;o do anarquismo &eacute; bem delicada. Composta por comunistas e o ex-l&iacute;der da Zveno, o coronel do ex&eacute;rcito (&ldquo;Liga&ccedil;&atilde;o&rdquo;, organiza&ccedil;&atilde;o fascista fundada por oficiais do ex&eacute;rcito em 1930 e respons&aacute;vel por um golpe em 1934) Kimon Gerogiev, o governo de coaliz&atilde;o tratou de perseguir a FAKB (Federa&ccedil;&atilde;o dos Anarco-Comunistas da Bulg&aacute;ria). Em 1948, o &uacute;ltimo encontro massivo dos anarquistas foi duramente reprimido. Centenas de anarquistas foram executadas e cerca de 1000 militantes da FAKB foram mandados para campos de concentra&ccedil;&atilde;o. Cf. SCHMIDT, Michael. Anarquismo B&uacute;lgaro em Armas: a linha de massas anarco-comunista &ndash; parte I. Rio de Janeiro, Editora Fa&iacute;sca, 2009.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>21. SCHMIDT, Michael. Cartography of Revolutionary Anarchism. Oakland: AK Press, no prelo, p.51, tradu&ccedil;&atilde;o nossa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>22. CORR&Ecirc;A, 2012, p. 234.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>23. Segundo Corr&ecirc;a: &ldquo;Na Europa, desenvolveram-se iniciativas no campo das organiza&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas anarquistas, guerrilhas anarquistas, grupos insurrecionalistas, iniciativas sindicais de massas (algumas clandestinas) e uma participa&ccedil;&atilde;o significativa nas revoltas do Maio de 68 franc&ecirc;s, que fizeram parte de um contexto global de mobiliza&ccedil;&otilde;es em todo o mundo.&rdquo; CORR&Ecirc;A, 2012, p. 235.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>24. Segundo Su&aacute;rez, &ldquo;o enraizamento das ideias libert&aacute;rias n&atilde;o teria sido fruto nem do subdesenvolvimento material nem de uma mentalidade arcaica e milenarista de classes populares &agrave; espera de uma nova reden&ccedil;&atilde;o anabatista; o elemento homogeneizador era a identidade, n&atilde;o especificamente a classe; era a experi&ecirc;ncia de um of&iacute;cio compartilhado, n&atilde;o um consci&ecirc;ncia surgida como resposta &agrave; moderniza&ccedil;&atilde;o imposta pelas classes dominantes.&rdquo; SU&Aacute;REZ, 2012, pp. 28-29.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>25. HOBSBAWM, 1985, p. 98.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>26. Algumas exce&ccedil;&otilde;es. DOLGOFF, Sam. Apud SCHMIDT, p. 55. E DOLGOFF, Sam. &ldquo;The Cuban Revolution: a critical perspective.&rdquo; In: Libcom, 2011. Dispon&iacute;vel em &lt;http:\/\/libcom.org\/history\/cuban-revolution-critical-perspective-sam-dolgoff&gt;. Acessado em 05\/11\/12. FERN&Aacute;NDEZ, Frank. El Anarquismo en Cuba. Madri: Fundaci&oacute;n Anselmo Lorenzo, 2000.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>27. SCHMIDT, Michael. Cartography of Revolutionary Anarchism. Oakland: AK Press, no prelo, p. 51, tradu&ccedil;&atilde;o nossa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>28. Sobre a hist&oacute;ria da Federa&ccedil;&atilde;o Anarquista Uruguaia. Cf. MECHOSO, Juan C. Acci&oacute;n directa anarquista: uma historia de FAU. Tomos I, II, III e IV. Montevideo, Editorial Recortes, s\/d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>29. Sobre a hist&oacute;ria desta organiza&ccedil;&atilde;o, consultar o trabalho de DIZ, Ver&ocirc;nica; TRUJILLO, Fernando Lopez. Resist&ecirc;ncia Libertaria. Buenos Aires: Madreselva, 2007.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>30. SCHMIDT, Michael. Cartography of Revolutionary Anarchism. Oakland: AK Press, no prelo, p. 57.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>31. Abraham Guill&eacute;n foi um militante e te&oacute;rico anarquista da guerrilha. Influenciou decisivamente a concep&ccedil;&atilde;o de &ldquo;luta avan&ccedil;ada&rdquo; da Federa&ccedil;&atilde;o Anarquista Uruguai, cr&iacute;tica do foquismo e tamb&eacute;m grande parte das organiza&ccedil;&otilde;es de esquerda que investiram na luta armada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>32. SCHMIDT, VAN DER WALT, p. 281.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas (todas as partes)<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; AZEVEDO, Raquel. A Resist&ecirc;ncia Anarquista: Uma quest&atilde;o de identidade (1927 &ndash; 1937). S&atilde;o Paulo: Arquivo do Estado\/Imprensa Oficial do Estado, 2002<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; BLOCH, G&eacute;rard; TR&Oacute;TSKY, Leon. Marxismo e Anarquismo. S&atilde;o Paulo: Editora Kair&oacute;s, 1981.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; BERKMAN, Alexandre; MAKHNO, Nestor; SKIRDA, Alexandre. Nestor Makhno e a Revolu&ccedil;&atilde;o Social na Ucr&acirc;nia. S&atilde;o Paulo: Imagin&aacute;rio, 2001.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; BOURDIEU, Pierre. Os usos sociais da ci&ecirc;ncia: por uma sociologia cl&iacute;nica do campo cient&iacute;fico. S&atilde;o Paulo: Editora UNESP, 2004.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; _________________. O Poder Simb&oacute;lico; tradu&ccedil;&atilde;o Fernando Tomaz (portugu&ecirc;s de Portugal) &ndash; 2.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CASTORIADIS, Cornelius. &ldquo;Marxismo e Teoria Revolucion&aacute;ria&rdquo; In. A Institui&ccedil;&atilde;o Imagin&aacute;ria da Sociedade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CERUTTI, Simona. Microhistyory: social relations versus cultural models. In: CASTR&Eacute;N, Anna-Maija; LONKILA, Markku; PELTONEN, Matti (Eds). Between sociology and history. 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Orientador: Prof. Dr. Marco Antonio Bettine de Almeida. S&atilde;o Paulo, 2012. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em Ci&ecirc;ncias). Programa de Mudan&ccedil;a Social e Participa&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica, da Escola de Artes, Ci&ecirc;ncias e Humanidades, da Universidade de S&atilde;o Paulo, 2012.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ________________. &ldquo;Sin&ocirc;nimo de Anti-estatismo.&rdquo; Dispon&iacute;vel em &lt;http:\/\/www.negodito.com\/a-sinonimo-de-anti-estatismo\/&gt; Acessado em 01\/09\/2012.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; DE JONG, Rudolf. A Concep&ccedil;&atilde;o Libert&aacute;ria da Transforma&ccedil;&atilde;o Social Revolucion&aacute;ria. S&atilde;o Paulo: Fa&iacute;sca, 2008.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; DIZ, Ver&ocirc;nica; TRUJILLO, Fernando L. Resist&ecirc;ncia Libertaria. Buenos Aires: Madreselva, 2007.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; DOLGOFF, Sam. A Relev&acirc;ncia do Anarquismo para a Sociedade Moderna. 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Revolucion&aacute;rios: ensaios contempor&acirc;neos. 2&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; L&Eacute;NINE, V.I. As Tr&ecirc;s Fontes e as Tr&ecirc;s partes Constitutivas do Marxismo V. I. L&eacute;nine. In The Marxists Internet Archive, Mar&ccedil;o de 1913. Acessado em 13\/06\/2010.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; L&Ecirc;NIN, V.I. Esquerdismo, doen&ccedil;a infantil do comunismo. S&atilde;o Paulo: Editora S&iacute;mbolo, 1978.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; LEVAL, Gaston. Bakunin, Fundador do Sindicalismo Revolucion&aacute;rio. S&atilde;o Paulo: Imagin&aacute;rio; Fa&iacute;sca, 2007.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ______________. Colectividades Libertarias En Espa&ntilde;a. Buenos Aires: Editorial Proyecci&oacute;n, 1972.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; MARX, Karl; ENGELS, Friedrich; L&Ecirc;NIN, Vladimir. Acerca del Anarquismo y el Anarcosindicalismo. 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Oakland: Ak Press, 2009.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;____________________________________________________. Global Fire: 150 fighting years of international anarchism and syndicalism. Oakland: AK Press, no prelo.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; SILVA, Rafael Viana da. &ldquo;Anarquismo Contra o Anarquismo&rdquo;. In: Anarkismo.net, 2011b. Dispon&iacute;vel em &lt;http:\/\/www.anarkismo.net\/article\/20240&gt;. Acessado em 12\/10\/2012.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; _____________________. Indel&eacute;veis Refrat&aacute;rios: As Estrat&eacute;gias Pol&iacute;ticas Anarquistas e o Sindicalismo Revolucion&aacute;rio no Rio de Janeiro em Tempos de Redemocratiza&ccedil;&atilde;o (1946-1954). Orientadora: Maria Paula Nascimento Ara&uacute;jo. Rio de Janeiro: UFRJ \/ IFCS \/ Departamento de Hist&oacute;ria, 2011. Monografia (Bacharelado em Hist&oacute;ria)<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; SU&Aacute;REZ, Michel. Considera&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas sobre a Revolu&ccedil;&atilde;o Espanhola (1936-1937). Rio de Janeiro: Achiam&eacute;, 2012.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; WALTER, Nicolas. Do Anarquismo. Rio de Janeiro: Editora Achiam&eacute;, s\/d<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; WOODCOCK, George. Anarquismo: Uma Hist&oacute;ria das Id&eacute;ias e Movimentos Libert&aacute;rios. Porto Alegre: L&amp;PM Editores, 1983.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Contradizendo as afirma\u00e7\u00f5es do historiador ingl\u00eas, as \u00e1reas coloridas do mapa demonstram a presen\u00e7a do anarquismo at\u00e9 o final da 2\u00aa Guerra Mundial. Nota-se a perspectiva de luta classista e mundializada. Foto:anarkismo.net Rafael Viana da Silva &nbsp; Anarquismo: fen&ocirc;meno pr&eacute;-pol&iacute;tico? &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao associar o sucesso das pr&aacute;ticas pol&iacute;ticas anarquistas a um determinado contexto social (fim [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1718","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1718","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1718"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1718\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1718"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1718"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1718"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}