{"id":1719,"date":"2013-02-19T11:29:46","date_gmt":"2013-02-19T11:29:46","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1719"},"modified":"2013-02-19T11:29:46","modified_gmt":"2013-02-19T11:29:46","slug":"politica-e-midia-no-brasil-intersecoes-para-uma-analise-historico-estruturante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1719","title":{"rendered":"Pol\u00edtica e m\u00eddia no Brasil: interse\u00e7\u00f5es para uma an\u00e1lise hist\u00f3rico-estruturante"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/capafinal~1.jpg\" title=\"Capa da revista onde est\u00e1 inserido este artigo - Foto:www.unicentro.br\" alt=\"Capa da revista onde est\u00e1 inserido este artigo - Foto:www.unicentro.br\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Capa da revista onde est\u00e1 inserido este artigo<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:www.unicentro.br<\/small><\/figure>\n<p><strong>Uma justa homenagem<\/strong><\/p>\n<p>Tomamos a palavra, quase que indevidamente, para prestar uma justa homenagem. Ao receber o texto do Val&eacute;rio Brittos em 10 de maio de 2012, n&atilde;o t&iacute;nhamos a menor ideia de que este talvez fosse um dos seus &uacute;ltimos textos escritos e encaminhado para julgamento para ser publicado numa revista cient&iacute;fica. Sentimo-nos, assim, orgulhosos, neste terceiro n&uacute;mero da RBHM de publicar o texto de um pesquisador que deixou uma vasta obra e, sobretudo, diversos &iacute;ndices de um trabalho s&eacute;rio e dedicado.<\/p>\n<p>Ao fazer um mapa te&oacute;rico conceitual e hist&oacute;rico da &aacute;rea de pol&iacute;tica e m&iacute;dia no Brasil, no que denominou &ldquo;an&aacute;lise hist&oacute;rico-estruturante&rdquo;, o autor procurou correlacionar uma vis&atilde;o hist&oacute;rica dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o com a quest&atilde;o da domina&ccedil;&atilde;o exercida pela m&iacute;dia, quest&atilde;o que frequentou suas preocupa&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas de maneira coerente.<\/p>\n<p>&Eacute; uma honra para a RBHM publicar este que &eacute; um dos &uacute;ltimos textos de Val&eacute;rio Brittos. A ele nossa justa (e eterna) homenagem.<\/p>\n<p align=\"right\">Os editores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Val&eacute;rio Cruz Brittos, Bruno Lima Rocha Beaklini e Thiago Eloy Zaidan<\/em><\/p>\n<p><strong>Resumo:<\/strong> Este trabalho condensa alguns momentos da m&iacute;dia brasileira, relacionando sua plataforma (impressa, radiof&ocirc;nica ou televisiva; anal&oacute;gica ou digital), o salto tecnol&oacute;gico para dominar esta cadeia de valor de bens simb&oacute;licos e a rela&ccedil;&atilde;o com a conforma&ccedil;&atilde;o de classe dominante, centrando o eixo de an&aacute;lise na capacidade de (des)regula&ccedil;&atilde;o do Estado brasileiro. Assim, desenvolve um recorde hist&oacute;rico (sem chegar-se a uma periodiza&ccedil;&atilde;o finalizada), no &acirc;mbito da Economia Pol&iacute;tica da Comunica&ccedil;&atilde;o (EPC), desta forma considerando a apropria&ccedil;&atilde;o dos recursos comunicacionais no capitalismo, utilizados preferencialmente para sustenta&ccedil;&atilde;o e reprodu&ccedil;&atilde;o do sistema, sendo perif&eacute;ricas as experi&ecirc;ncias n&atilde;o-hegem&ocirc;nicas desenvolvidas.<\/p>\n<p><strong>Introdu&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>O presente estudo insere-se numa trajet&oacute;ria de pesquisa envolvendo a rela&ccedil;&atilde;o comunica&ccedil;&atilde;o, pol&iacute;ticas e hist&oacute;ria que demarca a trajet&oacute;ria dos autores, direta ou indiretamente presentes em pesquisas anteriores e atual dos autores. Remete ainda &agrave; experi&ecirc;ncia dos pesquisadores Val&eacute;rio Brittos e Bruno Lima Rocha como ex-docentes da disciplina Hist&oacute;ria da Comunica&ccedil;&atilde;o, no Curso de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS).<\/p>\n<p>As fontes de pesquisa s&atilde;o essencialmente bibliogr&aacute;ficas, analisadas n&atilde;o somente em cruzamento, mas considerando a pr&oacute;pria trajet&oacute;ria de observa&ccedil;&atilde;o, investiga&ccedil;&atilde;o e doc&ecirc;ncia dos dois primeiros autores. J&aacute; o per&iacute;odo de an&aacute;lise centra-se prioritariamente no s&eacute;culo XX e d&eacute;cada inicial do s&eacute;culo XXI, n&atilde;o obstante passese pelo s&eacute;culo XIX, quando, tardiamente, &eacute; implantada a imprensa no pa&iacute;s, com a chegada da Fam&iacute;lia Real. O estudo leva em considera&ccedil;&atilde;o as especificidades do campo da comunica&ccedil;&atilde;o: de um lado, o papel simb&oacute;lico dos produtos culturais assegura-lhe uma funcionalidade no capitalismo que vai al&eacute;m da rentabilidade direta, sendo a forma de comunica&ccedil;&atilde;o do sistema com a sociedade; de outro, a subsun&ccedil;&atilde;o dos bens comunicacionais no capitalismo &eacute; parcial, de onde podem se abrir brechas n&atilde;o-hegem&ocirc;nicas.<\/p>\n<p>Ao longo deste artigo destaca-se per&iacute;odos-chave, a come&ccedil;ar pelo s&eacute;culo XIX, com a chegada da imprensa no Brasil &ndash; no bojo de uma transi&ccedil;&atilde;o pactuada que conduz &agrave; descoloniza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s &ndash; e o cen&aacute;rio precedente, marcado pelo controle da metr&oacute;pole &agrave; circula&ccedil;&atilde;o de m&iacute;dias, o que reflete na fragilidade da circula&ccedil;&atilde;o de ideias.<\/p>\n<p>No momento seguinte, no t&oacute;pico referente &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o contra-hegem&ocirc;nica impressa &ndash; situado em meados do primeiro quartel do s&eacute;culo XX &ndash;, versase sobre os esfor&ccedil;os contra-hegem&ocirc;nicos, encetados por meio de imprensas oper&aacute;rias e aparelhos culturais alternativos gestados pela pr&oacute;pria classe.<\/p>\n<p>Aborda-se, ato cont&iacute;nuo, o advento do r&aacute;dio no pa&iacute;s &ndash; a partir da d&eacute;cada de 1920 &ndash;, das primeiras experi&ecirc;ncias &agrave; transmuta&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia r&aacute;dio &ndash; inicialmente fundada em pretens&otilde;es educativas &ndash; ao modelo comercial hegem&ocirc;nico, passando por sua populariza&ccedil;&atilde;o, vinculada essencialmente a interesses econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos consonantes com o <em>status quo. <\/em>Na sequ&ecirc;ncia, trata-se do per&iacute;odo convencionalmente chamado de Era de Ouro do R&aacute;dio, onde a radiofonia, capitaneada pela r&aacute;dio Nacional, refor&ccedil;a a ent&atilde;o capital federal como centro&nbsp; de emiss&atilde;o cultural do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Nos anos posteriores, no seio do segmento privado, beneficiado pela regula&ccedil;&atilde;o existente, surge a complexa corpora&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica de Assis Chateaubriand. Tal complexo sustenta o surgimento da televis&atilde;o no Brasil, a partir de 1950, ponto a partir do qual &eacute; dedicado o t&oacute;pico seguinte: a TV anal&oacute;gica, da fase elitista dos primeiros anos a instrumento de coes&atilde;o social e de identifica&ccedil;&atilde;o de um pa&iacute;s de dimens&otilde;es continentais; a despeito da not&oacute;ria concentra&ccedil;&atilde;o dos polos emissores nos grandes centros &ndash; problem&aacute;tica a respeito da qual tamb&eacute;m se reflete, n&atilde;o sem mencionar o emblem&aacute;tico <em>case <\/em>rede Globo. A emissora de Roberto Marinho pode ser considerada ainda um arqu&eacute;tipo da entrada de capitais estrangeiros no contexto de um regime autorit&aacute;rio civil militar condescendente. Regime este que contou com o suporte ideol&oacute;gico da televis&atilde;o brasileira.<\/p>\n<p>No bojo da redemocratiza&ccedil;&atilde;o, aborda-se a problem&aacute;tica da distribui&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es de r&aacute;dio e TV e os aspectos pol&iacute;ticos envolvidos, passando pela pujante presen&ccedil;a da classe pol&iacute;tica nos meios privados e a consequente utiliza&ccedil;&atilde;o do espectro p&uacute;blico como mat&eacute;ria-prima para cunhagem de moedas de troca pol&iacute;tico-fisiol&oacute;gicas, pr&aacute;tica acentuada nos anos 1980.<\/p>\n<p>Por fim, &eacute; discutida a atual fase da comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil, a da multiplicidade da oferta permeada, induzida pela substitui&ccedil;&atilde;o da plataforma tecnol&oacute;gica, que, especialmente na televis&atilde;o brasileira, ocorre subordinada &agrave;s tradicionais estruturas hegem&ocirc;nicas observ&aacute;veis no sistema anal&oacute;gico, a despeito da potencialidade democratizante da digitaliza&ccedil;&atilde;o e da exist&ecirc;ncia de <em>janelas contra-hegem&ocirc;nicas<\/em>. &Eacute; frisada ainda a digitaliza&ccedil;&atilde;o do r&aacute;dio, em curso, e a TV por assinatura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\" style=\"margin-left:-.25pt;\"><strong>M&iacute;dia impressa e s&eacute;culo XIX<\/strong><\/p>\n<p>Ao atravessar um momento de inflex&atilde;o da pol&iacute;tica brasileira, de descoloniza&ccedil;&atilde;o com transi&ccedil;&atilde;o pactuada, no s&eacute;culo XIX, o Brasil sente o abismo entre a cultura n&atilde;o-letrada e a capacidade de produ&ccedil;&atilde;o de discursos de um liberalismo oscilando entre liberal-conservador e conservador. A imprensa chega ao pa&iacute;s com um enorme atraso, mesmo com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Am&eacute;rica colonial: no M&eacute;xico, a primeira oficina remete a 1539, enquanto nos Estados Unidos &eacute; de 1638. Chega a imprensa no Brasil em 1808, junto com a transfer&ecirc;ncia\/fuga da Fam&iacute;lia Real portuguesa para o pa&iacute;s, curiosamente de forma clandestina, num por&atilde;o do navio Medusa.<\/p>\n<p>O controle da imprensa no per&iacute;odo colonial, inclu&iacute;da dentro da chamada proibi&ccedil;&atilde;o de manufaturas, fez se sentir na aus&ecirc;ncia de inser&ccedil;&atilde;o e circula&ccedil;&atilde;o de discursos pol&iacute;ticos e a n&atilde;o assimila&ccedil;&atilde;o das ideias transformadoras para a &eacute;poca. Apesar da proibi&ccedil;&atilde;o da imprensa at&eacute; 1808, livros e peri&oacute;dicos j&aacute; circulavam antes disso, de forma importada ou ilegal, entre os poucos membros da elite interessada em leitura. Ao mesmo tempo, transcorreram tentativas de implanta&ccedil;&atilde;o da imprensa no s&eacute;culo XVIII, logo eliminadas pela Coroa e seus representantes. De toda forma, a n&atilde;o exist&ecirc;ncia de universidades brasileiras ajudou a conter a circula&ccedil;&atilde;o de ideias. Ainda assim, a primeira greve no sentido moderno da palavra foi a da categoria dos trabalhadores gr&aacute;ficos de Niter&oacute;i, em meados do s&eacute;culo XIX.<\/p>\n<p>Como as elites pol&iacute;ticas eram relativamente pequenas, a palavra impressa circulava com pouco volume, mas de forma contundente, intraelite. Nesse sentido, o jornal como forma de &ldquo;partido&rdquo; tem sua consecu&ccedil;&atilde;o assegurada, uma vez que o voto censit&aacute;rio e a vida pol&iacute;tica da monarquia parlamentar n&atilde;o permitem amoldar em ideias avan&ccedil;adas, de tipo liberal-radical, a palavra impressa e o pr&oacute;prio discurso do mundo da pol&iacute;tica. Enfim, para a reduzida participa&ccedil;&atilde;o que havia, o pouco de m&iacute;dia impressa circulante assegurava a condensa&ccedil;&atilde;o do pensamento dominante e a oposi&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel, contando com aus&ecirc;ncia de elementos populares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Comunica&ccedil;&atilde;o contra-hegem&ocirc;nica impressa e massa de n&atilde;o-letrados<\/strong><\/p>\n<p>O conceito de apropria&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e a reflex&atilde;o que o fen&ocirc;meno jornal&iacute;stico implica na forma&ccedil;&atilde;o de elites e minorias informadas e especializadas se fez notar no Brasil no primeiro per&iacute;odo das lutas e forma&ccedil;&atilde;o da classe oper&aacute;ria no pa&iacute;s (1900-1935).<\/p>\n<p>A maior parte do operariado brasileiro, composto de nacionais ou de imigrantes de primeira e segunda gera&ccedil;&atilde;o, era, ent&atilde;o, n&atilde;o-letrada. A difus&atilde;o de ideias de conflito de classes e n&atilde;o de uma pseudo-harmoniza&ccedil;&atilde;o que imperaria tinha de ultrapassar a barreira da circula&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o-letrados. Entram em cena as t&eacute;cnicas de aparelhos culturais, anexos e ligados &agrave;s lutas sindicais, como parte constitutiva dos discursos de classe.<\/p>\n<p>Estes aparelhos culturais ecoavam os discursos org&acirc;nicos das lideran&ccedil;as oper&aacute;rias. Nos momentos de &aacute;pice da m&iacute;dia oper&aacute;ria, quando se davam greves pelo controle urbano (Rio de Janeiro, S&atilde;o Paulo, Porto Alegre), os com&iacute;cios contavam com oradores simult&acirc;neos, sem amplifica&ccedil;&atilde;o, que davam vaz&atilde;o a discursos vinculados &agrave; linha pol&iacute;tica dos jornais oper&aacute;rios. Estes ve&iacute;culos muitas vezes eram impressos nas gr&aacute;ficas comerciais, fora dos hor&aacute;rios de expediente. Em outros tantos casos, eram confeccionados de forma improvisada, &ldquo;em tipografias de &lsquo;fundo de quintal&rsquo;, no por&atilde;o de um sobrado e, at&eacute; mesmo, confeccionados artesanalmente&rdquo;, &ldquo;chegando aos leitores &lsquo;do jeito que dava&rsquo;&rdquo; (Carneiro, 2003: p. 46), a despeito da concretude da moderniza&ccedil;&atilde;o da imprensa, j&aacute; experimentada naquele per&iacute;odo &ndash; ainda que apenas entre alguns poucos ve&iacute;culos de car&aacute;ter empresarial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\" style=\"margin-left:-.25pt;\"><strong>R&aacute;dio e aus&ecirc;ncia de estrat&eacute;gia nacional<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-left:-.25pt;\">Mesmo reconhecendo que toda compara&ccedil;&atilde;o de per&iacute;odos hist&oacute;ricos &eacute; uma temeridade, podendo ser contestada, cabe aqui uma digress&atilde;o. A incapacidade do pa&iacute;s de p&ocirc;r em sua agenda de governo o avan&ccedil;o das tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o j&aacute; se faz notar na guerra de patentes t&iacute;pica da fase do capitalismo monopolista.<\/p>\n<p>O padre Roberto Landell de Moura faz uma demonstra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de seu experimento de transmiss&atilde;o radiof&ocirc;nica em 1900, conseguindo sua patente em 1901. At&eacute; hoje, no entanto, internacionalmente n&atilde;o &eacute; reconhecido o trabalho de Landell de Moura, sendo o f&iacute;sico italiano Guglielmo Marconi considerado <em>o pai do r&aacute;dio<\/em>, enquanto a inova&ccedil;&atilde;o foi introduzida, difundida e formatada comercialmente a partir dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>No Brasil o advento do r&aacute;dio deu-se na d&eacute;cada de 1920, como meio de comunica&ccedil;&atilde;o da elite, inacess&iacute;vel &agrave;s massas, dirigindo-se a quem tivesse poder aquisitivo para importar do exterior os aparelhos receptores, na &eacute;poca demasiadamente caros. Ind&iacute;cios apontam que as primeiras transmiss&otilde;es radiof&ocirc;nicas no Brasil foram realizadas pela R&aacute;dio Clube de Pernambuco, em 1919. No entanto, a hist&oacute;ria oficial descreve que, no dia 07 de setembro de 1922, durante as comemora&ccedil;&otilde;es do centen&aacute;rio da independ&ecirc;ncia brasileira, foram os cariocas que ouviram o r&aacute;dio pela primeira vez (Ortriwano, 1985: p. 13). No ensejo, o entusiasmo somente n&atilde;o foi maior porque a profus&atilde;o de chiados atravessou-se diante da voz do ent&atilde;o presidente da Rep&uacute;blica, Epit&aacute;cio Pessoa, que discursava. Contudo, o primeiro projeto de radiodifus&atilde;o no Brasil, fazendo comunica&ccedil;&atilde;o social e n&atilde;o experi&ecirc;ncias, deu-se somente no ano seguinte. Coube ao pioneiro Edgar Roquette Pinto, em 1923, a inaugura&ccedil;&atilde;o da primeira esta&ccedil;&atilde;o de r&aacute;dio do pa&iacute;s. Tratava-se da R&aacute;dio Sociedade do Rio de Janeiro, cujos objetivos eram principalmente educativos, o que levou &agrave; inviabiliza&ccedil;&atilde;o da proposta quando o modelo comercial imperou, fazendo com que a emissora tivesse seu controle transferido para o governo federal, em 1936. Por ocasi&atilde;o de sua funda&ccedil;&atilde;o, entretanto, o entusiasmado antrop&oacute;logo Roquette-Pinto chegou a afirmar que &ldquo;o r&aacute;dio &eacute; o jornal de quem n&atilde;o sabe ler; &eacute; o mestre de quem n&atilde;o pode ir &agrave; escola; [&hellip;] o guia dos s&atilde;os, desde que realizado com esp&iacute;rito altru&iacute;sta e elevado&rdquo; (Chagas; Figueira; Mazzonetto, 2010: p. 9).<\/p>\n<p>O Brasil n&atilde;o tinha um parque industrial de fabrica&ccedil;&atilde;o nem de transmissores e nem receptores, enquanto a maior parte da popula&ccedil;&atilde;o brasileira continuava n&atilde;o-letrada e era vetado o voto aos analfabetos. Esta aus&ecirc;ncia de objetivo estrat&eacute;gico para criar um ambiente de circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es se far&aacute; sentir em outras quest&otilde;es estrat&eacute;gicas, como na defesa do petr&oacute;leo brasileiro. A iliteracia do brasileiro permitiu uma enorme expans&atilde;o do r&aacute;dio, mas n&atilde;o para combater esta condi&ccedil;&atilde;o ou para debater os grandes problemas nacionais. Sua incorpora&ccedil;&atilde;o foi essencialmente para permitir o faturamento econ&ocirc;mico de grupos privados ou difus&atilde;o de objetivos pol&iacute;ticos por governos e operadores pol&iacute;ticos, em ambos os casos sustentando o sistema.<\/p>\n<p align=\"left\" style=\"margin-left:-.25pt;\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\" style=\"margin-left:-.25pt;\"><strong>Era do R&aacute;dio e dom&iacute;nio de enclave da capital cultural do Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Na chamada Era de Ouro do r&aacute;dio, a ent&atilde;o capital da Rep&uacute;blica refor&ccedil;a a sua posi&ccedil;&atilde;o como capital &ldquo;cultural&rdquo; do Brasil. O &ldquo;controle da fala&rdquo;, surgido na R&aacute;dio Nacional do Estado Novo, e depois permanecendo na pr&oacute;pria emissora durante uma boa parte do per&iacute;odo da chamada democracia populista, tem sua contrapartida nos modelos de financiamento da m&iacute;dia eletr&ocirc;nica brasileira.<\/p>\n<p>A regula&ccedil;&atilde;o, ou a falta desta, nota-se no ramo privado, quando a complexa corpora&ccedil;&atilde;o de Chateaubriand faz-se valer de mecanismos de financiamento a fundo perdido (bastante &ldquo;heterodoxos&rdquo;), da possibilidade de importa&ccedil;&atilde;o de transmissores potentes para a &eacute;poca e do n&atilde;o desenvolvimento de ind&uacute;stria nacional para o setor.<\/p>\n<p>Caparelli cita que, no Brasil, o r&aacute;dio atuou como um mediador dos discursos das classes hegem&ocirc;nicas para as demais classes da sociedade (Caparelli, 1986). Por meio de tais discursos, a manuten&ccedil;&atilde;o de um modelo que favorecia a uma determinada classe em detrimento dos demais estratos sociais foi justificada e protegida, gra&ccedil;as aos esfor&ccedil;os de desvio de aten&ccedil;&atilde;o de problemas nevr&aacute;lgicos do modelo adotado. H&aacute; de se considerar, ainda, o fato de que:<\/p>\n<p>Muitas emissoras de r&aacute;dio AM brasileiras, ainda hoje, se caracterizam por exercer o papel de canalizadoras das demandas populares atrav&eacute;s de programas comandados por radialistas, muitos dos quais, t&ecirc;m se transformado, com sucesso, em pol&iacute;ticos profissionais [&#8230;]. Mais recentemente, o jornalismo de televis&atilde;o vem tamb&eacute;m assumindo esse papel de canalizador de demandas atrav&eacute;s do chamado &ldquo;jornalismo comunit&aacute;rio&rdquo; (Lima, 2009: p. 23).<\/p>\n<p>No momento do &aacute;pice da comunica&ccedil;&atilde;o radiof&ocirc;nica, o modelo concentrador privado com ausp&iacute;cio estatal surge e consolida-se. O bin&ocirc;mio m&iacute;dia impressa (jornal e revista) e r&aacute;dio, somado aos fundos estatais e &agrave; interven&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica direta, faz dos Di&aacute;rios Associados de Assis Chateaubriand um modelo concreto de lideran&ccedil;a no oligop&oacute;lio.<\/p>\n<p>Chat&ocirc;, como era conhecido o magnata, foi, ali&aacute;s, o respons&aacute;vel pela implanta&ccedil;&atilde;o oficial da televis&atilde;o no Brasil, em setembro de 1950. Na ocasi&atilde;o, seu grupo de m&iacute;dia j&aacute; detinha, al&eacute;m de emissoras radiof&ocirc;nicas consolidadas, a popular&iacute;ssima revista <em>O Cruzeiro<\/em>, considerada uma publica&ccedil;&atilde;o tecnicamente de vanguarda, qui&ccedil;&aacute; o marco do moderno no Brasil. A inflex&atilde;o futura deu-se na entrada de capitais estrangeiros, de forma estruturante na TV brasileira e no novo modelo de Estado, de abrang&ecirc;ncia nacional, surgido ap&oacute;s o 1&ordm; de abril de 1964.<\/p>\n<p align=\"left\" style=\"margin-left:-.25pt;\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\" style=\"margin-left:-.25pt;\"><strong>TV anal&oacute;gica e suas primeiras fases<\/strong><\/p>\n<p>Nas primeiras fases da TV, a Elitista (19501964), a Populista (1964-1971) e do Desenvolvimento Tecnol&oacute;gico (1975-1985) (Mattos, 2002), jogou papel fundamental a rela&ccedil;&atilde;o entre o capital nacional e as rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas destes capitais com o Estado brasileiro e seus centros decis&oacute;rios. O projeto de pa&iacute;s ancorava-se em c&oacute;digos culturais &ldquo;comuns&rdquo;, que pudessem substituir uma aus&ecirc;ncia de coes&atilde;o social e de identifica&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s continental al&eacute;m do padr&atilde;o do idioma.<\/p>\n<p style=\"margin-left:-.25pt;\">Ante a not&oacute;ria tend&ecirc;ncia &agrave; concentra&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica nos grandes centros, como S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro &ndash; quando definido o modelo de rede, no final dos anos 70, com a viabiliza&ccedil;&atilde;o das transmiss&otilde;es por microondas e a dissemina&ccedil;&atilde;o do videoteipe &ndash; os grupos televisivos fixam a produ&ccedil;&atilde;o de seus produtos midi&aacute;ticos nessas mesmas regi&otilde;es. Restam &agrave;s demais emissoras, espalhadas pelo territ&oacute;rio brasileiro, o t&iacute;tulo de afiliadas, na maior parte do tempo repetindo conte&uacute;dos. Tal modelo de estrutura passa pela propugna&ccedil;&atilde;o da redu&ccedil;&atilde;o de custos (Dias, 1979: &nbsp;p. 264) e, posteriormente, passou a estende-ser &agrave; m&iacute;dia r&aacute;dio, embora em escala bem inferior.<\/p>\n<p>Tal modelo &eacute;, ao menos potencialmente, arrefecedor dos regionalismos, em detrimento de uma estandardiza&ccedil;&atilde;o que exp&otilde;e em profus&atilde;o as classes m&eacute;dias dos centros Rio e S&atilde;o Paulo como modelo para todo o Brasil, fen&ocirc;meno fruto de uma m&iacute;dia que produz <em>de<\/em> e <em>para <\/em>os grandes centros, negligenciando as demais localidades, vistas como menos lucrativas, por, inclusive, n&atilde;o serem grandes mercados consumidores. Por outro lado, hoje o espa&ccedil;o local surge revalorizado, inclusive enquanto mercadoria, at&eacute; porque a ideia de uma programa&ccedil;&atilde;o &uacute;nica nacional, com fortes elementos internacionais, provocou rea&ccedil;&otilde;es de p&uacute;blicos interessados em conte&uacute;dos mais pr&oacute;ximos de sua realidade.<\/p>\n<p>S&iacute;mbolo do modelo concentrador, a TV Globo ocupa a posi&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;a ap&oacute;s 1965, atrav&eacute;s de sua rela&ccedil;&atilde;o com o centro decis&oacute;rio pol&iacute;tico e com o ingresso de capital estrangeiro (Time-Life), permitindo a constru&ccedil;&atilde;o de um elevado padr&atilde;o tecnoest&eacute;tico, o que representou a cria&ccedil;&atilde;o de uma linguagem pr&oacute;pria e sua consolida&ccedil;&atilde;o como formadora\/deformadora de seu campo e mercado.<\/p>\n<p>O caso Globo &ndash; Time-Life, descrito por Guareschi (1987. p. 44-48), dentre outros autores, revela-se como um arqu&eacute;tipo de uma das esp&eacute;cies de v&iacute;nculos econ&ocirc;micos as quais os meios de comunica&ccedil;&atilde;o social privados podem ser submetidos: o multinacional. Em 1962, a Globo, ent&atilde;o em implanta&ccedil;&atilde;o, acenou positivamente para a proposta da Time-Life, que oferecia um aporte superior a US$ 5 milh&otilde;es. O grupo estadunidense levava a cabo a sua estrat&eacute;gia de diversifica&ccedil;&atilde;o e a Globo valeu-se da ajuda para montar um aparato que lhe permitiu transmiss&otilde;es com qualidade t&eacute;cnica superior. A entrada de capital estrangeiro continuou pelos anos subseq&uuml;entes, tendo a TV Globo do Rio de Janeiro sido lan&ccedil;ada em 1965.<\/p>\n<p>A quantia oriunda do exterior chocava-se com a legisla&ccedil;&atilde;o brasileira, que impedia a entrada de capitais internacionais nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o nacionais, com vistas &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o da soberania. A infra&ccedil;&atilde;o resultou em uma Comiss&atilde;o Parlamentar de Inqu&eacute;rito (CPI), que, em 1967, declarou o acordo Globo &ndash; Time-Life como ilegal. O pa&iacute;s, entretanto, desde 1964, j&aacute; vivia a conjuntura do regime ditatorial civil-militar. O presidente de ent&atilde;o, general Castello Branco, diante da constata&ccedil;&atilde;o da CPI, agiu de forma amena, concedendo um prazo para regulariza&ccedil;&atilde;o da ocorr&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Guareschi aponta ainda que a TV Globo, j&aacute; ap&oacute;s o golpe e por ocasi&atilde;o de sua instala&ccedil;&atilde;o (1965), al&eacute;m de &ldquo;servir de canal de entrada do capital estrangeiro no pa&iacute;s, como j&aacute; acontecera nos outros pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina&rdquo;, teve participa&ccedil;&atilde;o ativa no enfraquecimento da opini&atilde;o p&uacute;blica contra a manuten&ccedil;&atilde;o do regime ditatorial civil militar instaurado pouco antes, em 1964, fornecendo, na medida do poss&iacute;vel, elementos legitimadores para os golpistas (Guareschi, 1987: p. 47).<\/p>\n<p>O regime autorit&aacute;rio p&oacute;s-1964, por seu turno, pode ser considerado um dos capitaneadores da fase populista da TV brasileira, na medida que, diante de uma autocracia expl&iacute;cita, &ldquo;os ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o passam a exercer papel de difusores ideol&oacute;gicos, mas para isso &eacute; preciso criar p&uacute;blico. E essa cria&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m se d&aacute; via ado&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias de populariza&ccedil;&atilde;o a partir de uma s&eacute;rie de mudan&ccedil;as na programa&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Barbosa, 2007: p. 178). Al&eacute;m da fun&ccedil;&atilde;o de difus&atilde;o ideol&oacute;gica, a populariza&ccedil;&atilde;o da programa&ccedil;&atilde;o foi propugnada pelo acr&eacute;scimo do consumo, acarretado, sobremaneira, pela pol&iacute;tica de expans&atilde;o de cr&eacute;dito.<\/p>\n<p align=\"left\" style=\"margin-left:-.25pt;\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\" style=\"margin-left:-.25pt;\"><strong>Democratiza&ccedil;&atilde;o e regula&ccedil;&atilde;o como moeda de troca<\/strong><\/p>\n<p>Com a volta da democracia formal (representativa), fica clara a sobrerrepresenta&ccedil;&atilde;o do sistema de <em>network<\/em>, com a interse&ccedil;&atilde;o entre filiadas e afiliadas, respectivamente emissoras cujo capital &eacute; detido pelas cabe&ccedil;as de rede e aquelas que retransmitem seu conte&uacute;do, mas possuem outros propriet&aacute;rios. A sobrerrepresenta&ccedil;&atilde;o se d&aacute; no pr&oacute;prio Congresso, onde uma m&eacute;dia de um ter&ccedil;o dos deputados e senadores, em cada legislatura, &eacute; composta por donos de r&aacute;dio e TV.<\/p>\n<p>No Brasil os v&iacute;nculos pol&iacute;ticos est&atilde;o, de fato, fortemente presentes nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o privados. O formato brasileiro de distribui&ccedil;&atilde;o de concess&otilde;es de emissoras de televis&atilde;o e r&aacute;dio deixa a cargo do Estado, ao menos teoricamente, a faculdade de dar &ldquo;a palavra final sobre quem explorar&aacute; a t&iacute;tulo prec&aacute;rio&rdquo; (Caparelli, 1986: p. 23) os nacos de espa&ccedil;os no espectro p&uacute;blico. Caparelli revela que, durante o regime ditatorial civilmilitar, mais precisamente no per&iacute;odo entre 1964 e 1979, foram distribu&iacute;das 112 concess&otilde;es para a explora&ccedil;&atilde;o da difus&atilde;o televisiva pela iniciativa privada, bem mais que as 33 concess&otilde;es autorizadas nos anos imediatamente anteriores, de 1950 a 1964 (Caparelli, 1986: p. 23).<\/p>\n<p>Acerca da distribui&ccedil;&atilde;o de concess&otilde;es pelo Estado, Caparelli afirma serem &ldquo;ditadas por apadrinhamentos pol&iacute;ticos ou por simples desdobramentos do poder econ&ocirc;mico&rdquo; (Caparelli, 1986: p. 80). O poder de irradiar bens simb&oacute;licos em massa &eacute; concedido a grupos que representam os mesmos interesses pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos, desfavorecendo, assim, a pluralidade das id&eacute;ias em pleno espectro p&uacute;blico.<\/p>\n<p>Durante a pr&oacute;pria Assembleia Nacional Constituinte a concess&atilde;o de canais foi moeda de troca para temas de ordem menor e casu&iacute;sticos, como a dura&ccedil;&atilde;o do mandato presidencial. Entre 1985 e 1988 o ent&atilde;o presidente Jos&eacute; Sarney pleiteava apoio para a aprova&ccedil;&atilde;o do mandato de cinco anos, sendo as concess&otilde;es de radiodifus&atilde;o usadas como instrumento para a efetiva&ccedil;&atilde;o deste projeto. Foram distribu&iacute;das outorgas sobretudo para &ldquo;pol&iacute;ticos, parlamentares, ex-parlamentares e chefes pol&iacute;ticos ou grupos empresariais com liga&ccedil;&otilde;es com partidos ou grupos pol&iacute;ticos&rdquo;, ao passo que nenhuma das concess&otilde;es foi destinada a &ldquo;institui&ccedil;&otilde;es da sociedade civil n&atilde;o governamental, sindicatos ou cidad&atilde;os comuns sem vincula&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria ou com grupos pol&iacute;ticos outros&rdquo; (Alves, 1999: p. 109). N&uacute;meros fornecidos por Antunes d&atilde;o conta de que, no per&iacute;odo, 1.028 freq&uuml;&ecirc;ncias do espectro, que praticamente esgotou-se, foram abonadas &ndash; para viabilizar emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o &ndash; por meio do ent&atilde;o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, Ant&ocirc;nio Carlos Magalh&atilde;es (Antunes, 1994: p. 111). Muitos pol&iacute;ticos passaram a enveredar no ramo da comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Trata-se de um caso emblem&aacute;tico de distribui&ccedil;&atilde;o de concess&otilde;es como fomento ao v&iacute;nculo pol&iacute;tico dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, exemplificando a tese de que n&atilde;o s&oacute; o Estado exerce press&otilde;es que possibilitam o v&iacute;nculo pol&iacute;tico com a m&iacute;dia, mas, conforme Faraone (1979: p. 159), os pr&oacute;prios propriet&aacute;rios dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o, n&atilde;o raro, pol&iacute;ticos em atividade. Isto transcorre especialmente no tocante &agrave; m&iacute;dia regional. Em tais termos, o potencial de emiss&atilde;o de bens simb&oacute;licos &eacute; utilizado com finalidades pol&iacute;ticas, agindo n&atilde;o como instrumento democr&aacute;tico &ndash; ep&iacute;teto do qual os meios procuram se revestir &ndash; e sim como fator de desequil&iacute;brio em processos eleitorais. Nessas circunst&acirc;ncias, dissimula&ccedil;&otilde;es &ndash; como o falseamento de fatos &ndash; e favorecimento que levem a votos s&atilde;o utilizados.<\/p>\n<p>A ascens&atilde;o de novas elites civis em um pa&iacute;s nacionalmente integrado implica na pulveriza&ccedil;&atilde;o de redes locais de pequenos complexos de m&iacute;dia eletr&ocirc;nica e impressa, na reprodu&ccedil;&atilde;o em esferas locais das rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas com o Estado &ndash; tanto na concess&atilde;o, como na cobertura jornal&iacute;stica e no financiamento via publicidade estatal. Ao mesmo tempo, abre margens para come&ccedil;ar a multiplicar a oferta de produtos comunicacionais e jornal&iacute;sticos. Desta forma, aumenta relativamente a quantidade dispon&iacute;vel de bens simb&oacute;licos, sem alterar a rela&ccedil;&atilde;o assim&eacute;trica com o Estado, que, assim como a forma&ccedil;&atilde;o de oligop&oacute;lio como classe de mercado, caracteriza o sistema capitalista.<\/p>\n<p align=\"left\" style=\"margin-left:-.25pt;\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\" style=\"margin-left:-.25pt;\"><strong>Multiplicidade da oferta e nova barreira digital<\/strong><\/p>\n<p>A atual fase da comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil e da TV em particular, a da Multiplicidade da Oferta (Brittos, 2010: p. 17-29), foi antecedida pelo per&iacute;odo da Transi&ccedil;&atilde;o e Expans&atilde;o Internacional. Isto se d&aacute; tamb&eacute;m no momento de troca de plataforma tecnol&oacute;gica, o que, pela base conceitual schumpeteriana (Schumpeter, 1982), implica em uma situa&ccedil;&atilde;o de poss&iacute;vel fragilidade das organiza&ccedil;&otilde;es empresariais l&iacute;deres.<\/p>\n<p>A globaliza&ccedil;&atilde;o capitalista, em seus tr&ecirc;s campos inter-relacionados, econ&ocirc;mico, pol&iacute;tico e cultural, faz se sentir nos mercados de comunica&ccedil;&atilde;o do Brasil e na interface com as telecomunica&ccedil;&otilde;es e as transnacionais, que ocupam posi&ccedil;&atilde;o l&iacute;der nesse setor (exemplo: o provedor de acesso e conte&uacute;do Terra, da Telef&oacute;nica espanhola).<\/p>\n<p>Nisso, verificam-se movimentos pendulares, como a chegada da TV paga no Brasil, o esfor&ccedil;o contra-hegem&ocirc;nico que redundou na da Lei do Cabo, a implanta&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica de redes coaxiais primeiro e de fibra &oacute;tica depois e a inexist&ecirc;ncia de um servi&ccedil;o p&uacute;blico de acesso universal para a internet.<\/p>\n<p>Para Ramos e Martins:<\/p>\n<p>A regulamenta&ccedil;&atilde;o da TV a Cabo foi, [&#8230;], apenas um momento de um processo que se anuncia como muito mais longo e, politicamente, mais complicado: a re-regulamenta&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es brasileiras, preparando-as pra as fus&otilde;es, associa&ccedil;&otilde;es e parcerias empresariais, que poder&atilde;o comprometer nossa fr&aacute;gil democracia, caso n&atilde;o sejam acompanhadas das salvaguardas necess&aacute;rias de controle e acesso p&uacute;blico [&hellip;] (Ramos; Martins, 2000: p. 169).<\/p>\n<p>A televis&atilde;o por assinatura surge com a modalidade a cabo no final da d&eacute;cada de 1940, nos Estados Unidos, como recurso t&eacute;cnico em propugna&ccedil;&atilde;o da recep&ccedil;&atilde;o de sinais diante de interfer&ecirc;ncias ocorridas especialmente em regi&otilde;es montanhosas. No Brasil, as primeiras tentativas de implanta&ccedil;&atilde;o de TVs a cabo s&oacute; ocorrem na d&eacute;cada de 1970. No ensejo:<\/p>\n<p>Interesses diversos estavam em jogo, sobretudo pol&iacute;ticos &ndash; centrados no Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e no Poder Legislativo &ndash; e os econ&ocirc;micos, de empresas de equipamentos eletr&ocirc;nicos at&eacute; as grandes redes de r&aacute;dio e TV. Assim, tentou-se, como de costume, regulamentar o novo servi&ccedil;o de uma forma obscura, atrav&eacute;s de Decreto baixado pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es [&hellip;] (Ramos; Martins, 2000: p. 146).<\/p>\n<p>O caso da digitaliza&ccedil;&atilde;o da televis&atilde;o brasileira, por seu turno, tem semelhan&ccedil;a com o padr&atilde;o de desenvolvimento subordinado, onde o Estado ocupase mais em garantir a posi&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;a de uma ou poucas organiza&ccedil;&otilde;es e a manuten&ccedil;&atilde;o do oligop&oacute;lio do que desenvolver as capacidades soberanas de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento estrat&eacute;gico.<\/p>\n<p>Muito se tem esperado das transmiss&otilde;es digitais. Transmitidas digitalmente, as imagens ficam livres de &ldquo;fantasmas&rdquo; e &ldquo;chuviscos&rdquo;, pois s&atilde;o sintonizadas ou n&atilde;o, e a qualidade do som torna-se equivalente ao atributo do CD. Esta tecnologia tamb&eacute;m &eacute; amig&aacute;vel &agrave; mobilidade, sendo o sinal j&aacute; captado por aparelhos m&oacute;veis, e permite a interatividade, embora num n&iacute;vel mais elevado isto depende de (novamente) decis&otilde;es pol&iacute;ticas, o que passa pelos interesses do mercado (principalmente) e da sociedade (via de regra subordfinados).<\/p>\n<p>Ao entrar nesta nova era o Brasil precisou optar por um de tr&ecirc;s padr&otilde;es dispon&iacute;veis. Escolheu o japon&ecirc;s, o preferido dos difusores, especialmente os privados. Ao fazer algumas adapta&ccedil;&otilde;es e incorporar um <em>software<\/em> de interatividade desenvolvido pela PUC do Rio e pela Universidade Federal da Para&iacute;ba, foi concebido o que vem sendo chamado de Sistema Brasileiro de Televis&atilde;o Digital (SBTVD).<\/p>\n<p>Embora festejado pela Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Empresas de R&aacute;dio e Televis&atilde;o (Abert), o sistema brasileiro n&atilde;o &eacute; un&acirc;nime. Especialmente por privilegiar a alta defini&ccedil;&atilde;o em detrimento da multiprograma&ccedil;&atilde;o, que, segundo Lia Ribeiro Dias, colunista do portal especializado <em>TeleS&iacute;ntese<\/em>, &ldquo;limitou o n&uacute;mero de emissoras praticamente &agrave;s existentes&rdquo; (Dias, 2007).<\/p>\n<p>A mudan&ccedil;a para o novo patamar tecnol&oacute;gico poderia se constituir numa possibilidade de abertura para novos atores, n&atilde;o s&oacute; comerciais, mas essencialmente com prop&oacute;sitos contra-hegem&ocirc;nicos, como sindicatos e movimentos sociais em geral, a partir da partilha de cada um dos canais em quatro programadores de conte&uacute;dos, bem como outorga de novas concess&otilde;es.<\/p>\n<p>Para a altera&ccedil;&atilde;o, seria necess&aacute;rio o enfrentamento dos interesses hegem&ocirc;nicos, especialmente dos radiodifusores, que fizeram uma dura campanha pela n&atilde;o entrada na cadeia de valor de operadores de redes (que poderiam fazer a gest&atilde;o dos canais divididos em v&aacute;rias programa&ccedil;&otilde;es). Este &eacute; mais um dos casos da hist&oacute;ria da comunica&ccedil;&atilde;o brasileira (ou da hist&oacute;ria do pa&iacute;s, diretamente) em que a oportunidade de alguma mudan&ccedil;a estrutural foi perdida, comprovando que a inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, por si, n&atilde;o produz a altera&ccedil;&atilde;o no sistema produtivo.<\/p>\n<p>Embora pouco debatido publicamente, neste come&ccedil;o de s&eacute;culo XXI, o r&aacute;dio brasileiro tamb&eacute;m est&aacute; preste a reinventar-se, assim como vem ocorrendo com a televis&atilde;o. Hoje, sob o sistema anal&oacute;gico, para se instalar uma emissora de baixa pot&ecirc;ncia bastam R$ 5 mil em equipamentos (R&Aacute;DIO&#8230;, 2006), de modo que o maior empecilho para o surgimento de novas esta&ccedil;&otilde;es radiof&ocirc;nicas &ldquo;legalizadas&rdquo; reside nos tr&acirc;mites legais para obten&ccedil;&atilde;o de concess&atilde;o junto &agrave; Uni&atilde;o.<\/p>\n<p>Por meio da digitaliza&ccedil;&atilde;o da radiodifus&atilde;o, as transmiss&otilde;es das emissoras AM dever&atilde;o alcan&ccedil;ar a qualidade sonora das transmiss&otilde;es FM. As FM, por sua vez, dever&atilde;o transmitir as programa&ccedil;&otilde;es com qualidade similar ao som de um CD. Em todas as faixas &eacute; poss&iacute;vel transmitir dados, simultaneamente ao &aacute;udio.<\/p>\n<p>Com a iminente digitaliza&ccedil;&atilde;o, todavia, os custos aumentam consideravelmente. A transi&ccedil;&atilde;o custar&aacute; caro para as emissoras, especialmente para as comunit&aacute;rias e educativas, al&eacute;m de praticamente marginalizar as chamadas &ldquo;r&aacute;dios livres&rdquo;. Os aparelhos digitais s&atilde;o importados e custam bem mais que os equipamentos de transmiss&atilde;o anal&oacute;gica.<\/p>\n<p>Da forma como est&atilde;o postos, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o parte imanente da difus&atilde;o de ideologias de uma classe hegem&ocirc;nica na sociedade. Caparelli constata que a imprensa, no modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista, age no sentido de seu refor&ccedil;o e expans&atilde;o, contribuindo decisivamente para a naturaliza&ccedil;&atilde;o da domina&ccedil;&atilde;o da classe hegem&ocirc;nica (Caparelli, 1986; p.43). Nesse sentido:<\/p>\n<p>no exerc&iacute;cio de sua fun&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica, ligada ao capital, a m&iacute;dia &eacute; cada vez mais requisitada a cumprir o papel de divulgadora e introdutora do capitalismo, tarefa que, diante da complexifica&ccedil;&atilde;o da sociedade, com menos for&ccedil;a &eacute; gradualmente desempenhada por outras institui&ccedil;&otilde;es. Utilizando-se de avan&ccedil;adas redes digitais, as ind&uacute;strias da cultura s&atilde;o hoje os principais ve&iacute;culos de apresenta&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o do viver capitalista, agora renovado com as pseudovantagens da sociedade global (Brittos; Miguel, 2008: p. 38).<\/p>\n<p>Contudo, evidentemente, as janelas contra-hegem&ocirc;nicas continuam existindo e s&atilde;o apropriadas conforme as possibilidades de cada momento hist&oacute;rico, passando por quest&otilde;es que envolvem a comunica&ccedil;&atilde;o, mas que v&atilde;o al&eacute;m dela, principalmente em sua concep&ccedil;&atilde;o instrumental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Considera&ccedil;&otilde;es conclusivas<\/strong><\/p>\n<p>Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa exercem influ&ecirc;ncia sobre os indiv&iacute;duos, auxiliando a forma&ccedil;&atilde;o de opini&otilde;es e decis&otilde;es destes e pautando os assuntos que as pessoas debater&atilde;o durante o dia, inclusive nas discuss&otilde;es relativas aos pleitos eleitorais, como sugere o cl&aacute;ssico estudo de Maxwell Mccombs e Donald Shaw (1972: p. 176-187). Al&eacute;m da faculdade de legitima&ccedil;&atilde;o, a m&iacute;dia atua como mediadora entre as experi&ecirc;ncias coletivas e as individuais, contribui com a atividade do consumo, integra um novo conjunto de institui&ccedil;&otilde;es produtoras e emissoras de sentido nas sociedades modernas e ocupa o posto de arena dos debates pol&iacute;ticos.<\/p>\n<p>Para al&eacute;m dessas constata&ccedil;&otilde;es, a aus&ecirc;ncia de uma massa letrada de cidad&atilde;os refor&ccedil;a a relev&acirc;ncia pol&iacute;tica das m&iacute;dias eletr&ocirc;nicas no Brasil. O projeto de pa&iacute;s e sua integra&ccedil;&atilde;o nacional t&ecirc;m na forma&ccedil;&atilde;o de um mercado de comunica&ccedil;&atilde;o com base na classe de oligop&oacute;lio uma de suas bases.<\/p>\n<p>A altera&ccedil;&atilde;o da estrutura produtiva nos mercados de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o muda a conforma&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas destes agentes econ&ocirc;micos com o Estado. A abertura de possibilidades d&aacute;-se na chegada de novos agentes (como as transnacionais) e n&atilde;o em novas rela&ccedil;&otilde;es, que poderiam avan&ccedil;ar em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; simetria.<\/p>\n<p>Qualquer atua&ccedil;&atilde;o contra-hegem&ocirc;nica na interse&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica com a m&iacute;dia brasileira implica no desenvolvimento soberano da estrutura produtiva para a comunica&ccedil;&atilde;o (na converg&ecirc;ncia com as telecomunica&ccedil;&otilde;es) e no dom&iacute;nio das m&iacute;dias por parte de agentes coletivos distintos e em posi&ccedil;&atilde;o diversas dos l&iacute;deres do oligop&oacute;lio. Toda altera&ccedil;&atilde;o estruturante neste setor pode influir decisivamente para mudar as rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas nos Estado brasileiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer&ecirc;ncias:<\/strong><\/p>\n<p>ALVES, Eliezer. M&iacute;dia e poderes: pol&iacute;tica de concess&otilde;es de r&aacute;dio e TV &ndash; uma abordagem sobre os MCM e o campo dos medias: o caso do Piau&iacute;. In: ROCHA, Fenelon (org.). <em>Comunica&ccedil;&atilde;o e sociedade: a influ&ecirc;ncia da comunica&ccedil;&atilde;o na imagem, na pol&iacute;tica e na identidade cultural do Piau&iacute;<\/em>. Teresina: EDUFPI, 1999, p. 103-137.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ANTUNES, Am&eacute;rico. Democratiza&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o. IN: CAVALCANTI FILHO, Jos&eacute; Paulo (org.). <em>Informa&ccedil;&atilde;o e poder<\/em>. Rio de Janeiro: Record; Recife: Funda&ccedil;&atilde;o de Cultura Cidade do Recife,1994. P. 109-116.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BEAKLINI, Bruno Lima Rocha. A interdepend&ecirc;ncia estrutural das tr&ecirc;s esferas: uma an&aacute;lise libert&aacute;ria da Organiza&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica para o processo de radicaliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. Tese (Doutorado em Ci&ecirc;ncias Pol&iacute;ticas) &ndash; Instituto de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Humanas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2009.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">BRITTOS, Val&eacute;rio Cruz<em>. Capitalismo contempor&acirc;neo, mercado brasileiro de televis&atilde;o por assinatura e expans&atilde;o transnacional<\/em><strong>.<\/strong> Tese (Doutorado em Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura Contempor&acirc;neas) &ndash; Faculdade de Comunica&ccedil;&atilde;o, Universidade Federal da Bahia, Salvador , 2001.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BRITTOS, Val&eacute;rio Cruz. Digitaliza&ccedil;&atilde;o, democracia e diversidade na fase da multiplicidade da oferta. In: BRITTOS, Val&eacute;rio Cruz (Org.). <em>Digitaliza&ccedil;&atilde;o, diversidade e cidadania: converg&ecirc;ncias Brasil e Mo&ccedil;ambique<\/em>. S&atilde;o Paulo: Annablume, 2010. p. 17-29.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BRITTOS, Val&eacute;rio Cruz; BEAKLINI; Bruno Lima Rocha; ROSA; Ana Maria; BITTENCOURT, Ma&iacute;ra Carneiro. Converg&ecirc;ncia digital: a&ccedil;&otilde;es com horizonte nas tecnologias e conte&uacute;dos de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o<strong>.<\/strong> In: BRITTOS, Val&eacute;rio Cruz (Org.). <em>Economia Pol&iacute;tica da Comunica&ccedil;&atilde;o: converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica e inclus&atilde;o digital<\/em>. S&atilde;o Leopoldo: Mauad X, 2011.<\/p>\n<p>BRITTOS, Val&eacute;rio; MIGUEL, Jo&atilde;o. Ind&uacute;stria cultural: conceito, especificidades e atualidade no capitalismo contempor&acirc;neo<strong>.<\/strong> In: BRITTOS, Val&eacute;rio; CABRAL, Adilson (Orgs.). <em>Economia pol&iacute;tica da comunica&ccedil;&atilde;o: interfaces brasileiras<\/em>. Rio de Janeiro: E-Papers, 2008. p. 37-56.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>CAPARELLI, S&eacute;rgio. <em>Comunica&ccedil;&atilde;o de massa sem massa<\/em><strong>.<\/strong> 3. ed. S&atilde;o Paulo: Summus, 1986.<\/p>\n<p>CARNEIRO, Maria Luiza Tucci. Imprensa irreverente, tipos subversivos<strong>.<\/strong> In: CARNEIRO, Maria Luiza Tucci; KOSSOY, Boris (Orgs.). <em>A imprensa confiscada pelo DEOPS: 1924 &ndash; 1954<\/em>. S&atilde;o Paulo: Ateli&ecirc; Editorial; Imprensa Oficial do Estado de S&atilde;o Paulo, 2003. p. 19-59.<\/p>\n<p>CHAGAS, Catarina; FIGUEIRA, Ana Cristina; MAZZONETTO, Marzia. <em>Ci&ecirc;ncia em sintonia: guia pra montar um programa de r&aacute;dio sobre ci&ecirc;ncias<\/em><strong>.<\/strong> Rio de Janeiro: Fiocruz; Museu da Vida, 2010.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>DIAS, Lia Ribeiro. TV digital, o day after: as decep&ccedil;&otilde;es da TV digital<strong>. <\/strong><em>Observat&oacute;rio da Imprensa<\/em>, S&atilde;o Paulo, n. 462. Dez. Dispon&iacute;vel em <http: cod=\"462TVQ011\" com.br=\"\" www.observatoriodaimprensa.=\"\">. Acesso em: 1 jul. 2010.<\/http:><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>DIAS, Marco Antonio Rodrigues. Pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil<strong>. <\/strong>In: WERTHEIN, Jorge (Org.).<\/p>\n<p><em>Meios de comunica&ccedil;&atilde;o: realidade e mito<\/em>. S&atilde;o Paulo: Nacional, 1979. p. 252-277.<\/p>\n<p>FARAONE, Roque (1979). Meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa na Am&eacute;rica Latina<strong>.<\/strong> In: WERTHEIN, Jorge (Org.). <em>Meios de comunica&ccedil;&atilde;o: realidade e mito<\/em>. S&atilde;o Paulo: Nacional. p. 147-169.<\/p>\n<p style=\"margin-left:-.25pt;\">GUARESCHI, Pedrinho. <em>Comunica&ccedil;&atilde;o e poder: a presen&ccedil;a e o papel dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa estrangeiros na Am&eacute;rica Latina<\/em><strong>.<\/strong> Petr&oacute;polis: Vozes, 1987.<\/p>\n<p>LIMA, Ven&iacute;cio (2009). Revisitando sete teses sobre m&iacute;dia e pol&iacute;tica no Brasil<strong>.<\/strong> <em>Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade<\/em>, S&atilde;o Bernardo do Campos, v. 30, n. 51. Jan\/Jun. p. 13-,37. Dispon&iacute;vel em: <https: 1106=\"\" 853=\"\" article=\"\" cso=\"\" index.php=\"\" revistas=\"\" revistasmetodista=\"\" view=\"\" www.metodista.br=\"\">. Acesso em: 27 out. 2009.<\/https:><\/p>\n<p style=\"margin-left:-.25pt;\">MATTOS, S&eacute;rgio. <em>Hist&oacute;ria da televis&atilde;o brasileira: uma vis&atilde;o econ&ocirc;mica, social e pol&iacute;tica.<\/em> Petr&oacute;polis: Vozes, 2002.<\/p>\n<p>MCCOMBS, Maxwell; SHAW, Donald. The agendasetting function of mass media<strong>.<\/strong> <em>Public Opinion Quarterly<\/em>, Oxford, v. 36, 1972, p. 176-187.<\/p>\n<p style=\"margin-left:-.25pt;\">ORTRIWANO, Gisela Stwetlana. <em>A informa&ccedil;&atilde;o no r&aacute;dio: os grupos de poder e a determina&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos<\/em><strong>. <\/strong>S&atilde;o Paulo: Sumus, 1985.<\/p>\n<p>R&Aacute;DIO digital: decis&atilde;o antes da hora?. <em>Revista M&iacute;dia com Democracia<\/em><strong>,<\/strong> Porto Alegre, n. 3. Set.\/2006, p. 16-18. Dispon&iacute;vel em: <http: arquivos=\"\" midia3__internet.pdf=\"\" www.fndc.org.br=\"\">.&nbsp; Acesso em: 16 ago. 2010.<\/http:><\/p>\n<p>RAMOS, Murilo C.; MARTINS, Marcus (2000). A TV por assinatura no Brasil: conceitos, origens, an&aacute;lise e perspectivas. In: RAMOS, Murilo C. <em>As margens da estrada do futuro: comunica&ccedil;&otilde;es, pol&iacute;ticas e tecnologia<\/em>. Bras&iacute;lia: Faculdade de Comunica&ccedil;&atilde;o da UnB. Dispon&iacute;vel em <http: fac=\"\" murilo=\"\" publicacoes=\"\" unb.br=\"\" vsites.=\"\">. Acesso em: 26 set. 2010. p. 139-169.<\/http:><\/p>\n<p>SCHUMPETER, Joseph A. <em>Teoria do desenvolvimento econ&ocirc;mico<\/em><strong>.<\/strong> S&atilde;o Paulo: Abril Cultural, 1982.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Capa da revista onde est\u00e1 inserido este artigo Foto:www.unicentro.br Uma justa homenagem Tomamos a palavra, quase que indevidamente, para prestar uma justa homenagem. Ao receber o texto do Val&eacute;rio Brittos em 10 de maio de 2012, n&atilde;o t&iacute;nhamos a menor ideia de que este talvez fosse um dos seus &uacute;ltimos textos escritos e encaminhado para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1719","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1719","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1719"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1719\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1719"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1719"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1719"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}