{"id":1723,"date":"2013-02-26T11:08:05","date_gmt":"2013-02-26T11:08:05","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1723"},"modified":"2013-02-26T11:08:05","modified_gmt":"2013-02-26T11:08:05","slug":"a-greve-traida-de-2012-a-subordinacao-da-luta-direta-economica-em-favor-da-democracia-minimalista-burguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1723","title":{"rendered":"A GREVE TRA\u00cdDA DE 2012  &#8211; a subordina\u00e7\u00e3o da luta direta econ\u00f4mica em favor da democracia minimalista burguesa"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/greve_docente_federais.jpg\" title=\"A greve das federais e o jogo de for\u00e7as pol\u00edticas na interna do setor mais \u00e0 esquerda do movimento docente s\u00e3o analisados neste artigo, sob o prisma libert\u00e1rio do autor.  - Foto:uipi.com.br\" alt=\"A greve das federais e o jogo de for\u00e7as pol\u00edticas na interna do setor mais \u00e0 esquerda do movimento docente s\u00e3o analisados neste artigo, sob o prisma libert\u00e1rio do autor.  - Foto:uipi.com.br\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A greve das federais e o jogo de for\u00e7as pol\u00edticas na interna do setor mais \u00e0 esquerda do movimento docente s\u00e3o analisados neste artigo, sob o prisma libert\u00e1rio do autor. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:uipi.com.br<\/small><\/figure>\n<p><em>Wallace dos Santos de Moraes<\/em> [1] &ndash; setembro de 2012[2]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Durante a d&eacute;cada de 1980 no Brasil, o fim da ditadura civil-militar formal, a volta do irm&atilde;o do Henfil e de muitos exilados lutadores fez reacender a esperan&ccedil;a de um pa&iacute;s menos desigual. Embalados por tal esperan&ccedil;a, os trabalhadores se organizaram em partidos pol&iacute;ticos, sindicatos e movimentos sociais dos mais diversos. A luta por dias melhores era a t&ocirc;nica. A criticidade do rock nacional e de alguns sambas de roda ditava o ritmo das reivindica&ccedil;&otilde;es. Em resumo, tratava-se de um momento de extrema efervesc&ecirc;ncia, cuja a&ccedil;&atilde;o coletiva era a principal arma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A greve fora o mais importante instrumento dos trabalhadores para garantia de direitos, sal&aacute;rios, sempre buscando repartir o bolo do crescimento econ&ocirc;mico em condi&ccedil;&otilde;es menos desiguais. Em 1988, por exemplo, 1516 categorias, segundo o IBGE, fizeram greves. A luta trouxe uma gama de direitos para os trabalhadores e, principalmente, para os funcion&aacute;rios p&uacute;blicos. A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 foi sua maior express&atilde;o.<\/p>\n<p>O quadro da d&eacute;cada de 1990 foi absolutamente diferente. O controle sobre os grandes meios de comunica&ccedil;&atilde;o foi muito maior e mais sofisticado. O individualismo era passado, ora, de maneira patente, ora, latente, pelas novelas e pelos telejornais. Simultaneamente, na medida em que os partidos de esquerda cresceram, come&ccedil;aram a caminhar ao centro e a direita. Os sindicatos, por sua vez, cada vez mais, ficaram burocratizados e instrumentos de partidos pol&iacute;ticos e seus grupos eleitoreiros. Ganhar a dire&ccedil;&atilde;o de um sindicato passou a ser sin&ocirc;nimo de colocar-se como poss&iacute;vel candidato &agrave;s diversas elei&ccedil;&otilde;es ou a utiliza&ccedil;&atilde;o da m&aacute;quina para eleger os preferidos de seu grupo pol&iacute;tico. Muitos sindicalistas se locupletaram dos grandes recursos obtidos com a contribui&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria dos trabalhadores, servindo, mormente, &agrave;s candidaturas no af&atilde; de conquistas maiores, diziam. A corrup&ccedil;&atilde;o passou a tomar conta de muitos sindicatos, centros acad&ecirc;micos no movimento estudantil e partidos pol&iacute;ticos de esquerda. Estes que queriam mudar o mundo utilizavam as mesmas t&aacute;ticas ego&iacute;stas e autorit&aacute;rias dos capitalistas liberais. As bases foram se distanciando das dire&ccedil;&otilde;es e das lutas fratricidas entre os diversos grupos vermelhos, agora, desbotados. As pessoas come&ccedil;aram a temer a associa&ccedil;&atilde;o. Definitivamente, as lutas subordinavam-se &agrave;s esperan&ccedil;as eleitorais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enfim, a luta sindical entrou em profundo descr&eacute;dito junto aos trabalhadores que n&atilde;o conseguiram encontrar meios para afrontar a reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva, a acumula&ccedil;&atilde;o flex&iacute;vel, as pol&iacute;ticas neocl&aacute;ssicas, o desmonte do Estado, no seu veio social, e os altos &iacute;ndices de mis&eacute;ria e desemprego advindos destas a&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A esquerda se degenerou e chegou ao poder. V&aacute;rios mandatos nas c&acirc;maras e nas assembleias legislativas, depois prefeituras, seguidos por governos estaduais e por fim o governo federal foram conquistados pelo PT e seus partidos sat&eacute;lites. Entretanto, nada disso mudou qualitativamente a vida da maioria dos trabalhadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A proposta socialdemocrata defendida por Bernstein e seus seguidores, de acordo com a qual, a tomada do poder pol&iacute;tico, via institucionalidade, levaria ao socialismo, n&atilde;o se concretizou nem no Brasil, nem em qualquer outro lugar do mundo. Istv&aacute;n M&eacute;sz&aacute;ros (2010) em &ldquo;Atualidade hist&oacute;rica da ofensiva socialista &ndash; uma alternativa radical ao sistema parlamentar&rdquo; mostra o quanto o partido trabalhista renovou as medidas anti-sociais dos conservadores na Gr&atilde;-Bretanha. No Brasil, aconteceu o mesmo: o PT n&atilde;o se op&ocirc;s &agrave;s pol&iacute;ticas dos conservadores e liberais, e ainda as renovou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Durante toda a primeira d&eacute;cada de 2000, a maior parte dos trabalhadores esperou passivamente as a&ccedil;&otilde;es dos governantes com vistas &agrave; melhoria de suas vidas. Retirando o MST que lutou bravamente na d&eacute;cada de 1990, e os sem-teto, que lutaram nos primeiros anos de 2000, foram duas d&eacute;cadas perdidas do ponto de vista da luta sindical.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No in&iacute;cio dos anos 2010, mais precisamente em 2012, o funcionalismo p&uacute;blico &#8211; base hist&oacute;rica do PT e da esquerda oficial em geral &#8211; entra em greve. Ela foi iniciada pelo ANDES, sindicato nacional dos docentes das institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior. Foi uma greve que conseguiu aglutinar quase que a totalidade das universidades federais. Algo que n&atilde;o se fazia h&aacute; muito tempo. A dire&ccedil;&atilde;o do ANDES se surpreendeu com a disposi&ccedil;&atilde;o de suas bases. Foram v&aacute;rias assembleias em todo o pa&iacute;s e o apoio ao movimento s&oacute; crescia. At&eacute; se&ccedil;&otilde;es do sindicato chapa branca &#8211; PROIFES (sindicato de docentes do ensino superior que apoia o governo) &#8211; aderiram a greve.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outra caracter&iacute;stica deste movimento paredista foi as diferentes percep&ccedil;&otilde;es do processo. De modo geral, nas universidades do norte\/nordeste e nos campi do interior, ela foi mais radicalizada com amplo apoio dos novos docentes. Enquanto que nas universidades mais tradicionais, ela foi mais moderada. Tanto &eacute; que UFF e UFRJ, as duas maiores do Brasil, foram as &uacute;ltimas do ANDES a aderir a greve e as primeiras a apontar sa&iacute;da. &Eacute; claro que isto tamb&eacute;m tem a ver com a dire&ccedil;&atilde;o vacilante do processo, como veremos adiante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ap&oacute;s o ANDES parar suas atividades, praticamente, todas as demais categorias do funcionalismo p&uacute;blico federal tamb&eacute;m o fizeram. Elas almejavam aumento salarial &ndash; reivindica&ccedil;&atilde;o absolutamente leg&iacute;tima, sobretudo diante do que o governo destina para especuladores em geral. O ano de 2012, portanto, apresentava-se como um marco do revival da luta sindical no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N&atilde;o obstante, a greve do ANDES era diferenciada, pois desejava um plano de carreira decente e melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho. A expans&atilde;o da universidade transformou muitas delas em &ldquo;escol&otilde;es&rdquo; de terceiro grau, sem qualquer infra-estrutura para o desenvolver de pesquisas etc. A greve, portanto, era mais que leg&iacute;tima e tinha tudo para estar em conson&acirc;ncia com os anseios da sociedade, pois era estimulada pelas aspira&ccedil;&otilde;es por uma universidade p&uacute;blica, cem por cento gratuita e de qualidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse movimento paredista atentava contra os interesses diretos de tr&ecirc;s setores: 1) do governo, desgastando-o em ano eleitoral; 2) do PROIFES, desmoralizando-o e enfraquecendo suas bases de apoio; 3) dos fura-greves, que s&atilde;o t&atilde;o individualistas que demonstram uma enorme incapacidade para fazer a&ccedil;&atilde;o coletiva na ampla maioria das universidades. Eles chegam ao c&uacute;mulo de defender que a greve seja debatida por e-mail e votada pela internet. Em resumo, o ANDES e os seus opositores disputavam o apoio da sociedade para defesa de suas causas e\/ou justificativas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por sua vez, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o fizeram um desservi&ccedil;o &agrave; sociedade e n&atilde;o explicitaram as reivindica&ccedil;&otilde;es do movimento docente. Pior do que isso, as deturparam ou simplesmente as ignoraram. Diga-se de passagem, este historicamente foi o papel cumprido pela grande m&iacute;dia: atuar contra todo tipo de greve. Todavia, a despeito da posi&ccedil;&atilde;o majorit&aacute;ria da grande m&iacute;dia, o governo foi deveras desgastado e teve que ceder.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Depois dos primeiros meses do movimento grevista, o governo simulou um acordo com o sindicato PROIFES e cedeu 4,2 bilh&otilde;es, mas n&atilde;o tocou nos pontos de condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, e piorou o plano de carreira j&aacute; existente. Este simulacro de acordo s&oacute; aconteceu em fun&ccedil;&atilde;o da luta. &Eacute; importante ressaltar essa obviedade porque alguns grupos, para estimular as bases a sair de greve, come&ccedil;aram a deslegitim&aacute;-la enquanto principal meio reivindicativo da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A categoria compreendeu que deveria continuar lutando e as assembleias em todo o pa&iacute;s, algumas com mais de 800 docentes, mantinham a greve. Essa greve representara para muitos a retomada da possibilidade da luta sindical depois de 20 anos de in&eacute;rcia e descr&eacute;dito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste momento, inusitadamente, quando nenhuma se&ccedil;&atilde;o sindical do ANDES havia desistido do enfrentamento, come&ccedil;am a surgir as propostas de algumas agremia&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas dentro do movimento para sa&iacute;da unificada da greve. Esse movimento foi liderado por grupos pol&iacute;tico-partid&aacute;rios dentro da ADUFF e da ADUFRJ. Aprofundaremos este aspecto mais adiante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ENTENDENDO AS FOR&Ccedil;AS POL&Iacute;TICAS NO ANDES<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de continuarmos esse hist&oacute;rico, faz-se necess&aacute;rio entender a composi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica dos militantes dentro do ANDES. As diversas for&ccedil;as da esquerda institucional est&atilde;o l&aacute; representadas e agrupadas, como: o PSOL, o PCB, o PSTU e os independentes, que normalmente se afinam com um desses partidos ou com um amalgama deles. Ainda existe um movimento com significativa representatividade, chamado de MDA (Movimento em defesa do ANDES) criado no &uacute;ltimo congresso de Manaus, em 2012, composto por muitos professores independentes mais radicalizados. At&eacute; as novas elei&ccedil;&otilde;es da nova diretoria, em maio deste ano, dirigiam o sindicato o PSOL, o PSTU e os respectivos independentes de lado a lado, sendo aquele majorit&aacute;rio. Ademais, todos compunham o ANDES-AD. No congresso de Manaus, em janeiro do corrente ano, ocorreu o racha, a partir do qual se formaram duas grandes correntes compostas: 1) pelo PSOL e os seus &ldquo;independentes&rdquo; e o PCB, que agora aparece com for&ccedil;a por dirigir a ADUFRJ; 2) MDA, do qual o PSTU faz parte, mas n&atilde;o dirige.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto a alian&ccedil;a PSOL &ndash; PCB cada vez mais se consolida, estimulada, dentre outras coisas, pelo bom desempenho nas pesquisas do seu candidato comum, Marcelo Freixo, nas elei&ccedil;&otilde;es para prefeito do Rio; por outro lado, no MDA, ocorre o primeiro grande desentendimento por ocasi&atilde;o das elei&ccedil;&otilde;es para a diretoria do ANDES &ndash; quando o PSTU chamou votos para a chapa do PSOL, acusada pelos independentes do MDA de ter dado um golpe em Manaus. O segundo desentendimento foi durante a greve, quando o PSTU votou contra a mesma, enquanto os independentes do MDA a defendiam fervorosamente.<\/p>\n<p>Destarte, as alian&ccedil;as no in&iacute;cio da greve se formaram da seguinte maneira: de um lado, PSOL e PCB, majorit&aacute;rios que d&atilde;o a linha na diretoria do sindicato; de outro lado, na oposi&ccedil;&atilde;o, o MDA, no qual fazia parte o PSTU.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os resultados pol&iacute;ticos da greve foram os seguintes. A principal for&ccedil;a dentro do ANDES continuou sendo o PSOL. A greve consolidou ainda mais a alian&ccedil;a entre PSOL e o PCB, ficando o PSTU e a CSP-CONLUTAS como aliado eventual daquele. No &acirc;mbito do MDA ocorreu uma cis&atilde;o. Os independentes acusam o PSTU de trai&ccedil;&atilde;o por votar contra a greve, e o partido chama os independentes de ultra-radicais. O PSTU, em detrimento da alian&ccedil;a com os independentes radicalizados, escolheu uma pol&iacute;tica que n&atilde;o vai de encontro com os anseios da diretoria do ANDES &ndash; hegemonizada pelo PSOL. Os independentes do MDA, por sua vez, criaram um novo movimento denominado &ldquo;coletivo Andes na luta&rdquo;, por&eacute;m muito diminuto com rela&ccedil;&atilde;o ao que &eacute; o MDA.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al&eacute;m das coliga&ccedil;&otilde;es partid&aacute;rias, existem alian&ccedil;as em torno das se&ccedil;&otilde;es sindicais do ANDES. A principal delas ocorre entre ADUFF e ADUFRJ, dirigidas respectivamente por PSOL e PCB.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A TRAI&Ccedil;&Atilde;O POR DENTRO<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste t&oacute;pico optaremos por descrever como a greve foi destru&iacute;da por dentro. Para tanto utilizaremos os comunicados do CNG (Comando Nacional de Greve) e dos CLG (Comando local de Greve) da ADUFF, al&eacute;m da nossa experi&ecirc;ncia de participa&ccedil;&atilde;o nas assembleias e no referido CLG.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A greve teve in&iacute;cio em 17 de maio de 2012. A ADUFF n&atilde;o aderiu ao movimento imediatamente, somente parando as atividades no dia 22 de maio. Foram necess&aacute;rios alguns embates para tal. O grupo do MDA da UFF teve papel decisivo. N&atilde;o obstante, depois de decretada a greve, a diretoria se colocou para dirigir o processo. Assim, o PSOL e o MDA conduziram o movimento grevista em conjunto, podemos dizer com certa harmonia, at&eacute; a reuni&atilde;o do CLG do dia 20 de agosto, preparat&oacute;ria da assembleia do dia seguinte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre o quadro da greve em todo o Brasil, o comunicado do CNG do dia 18 de agosto era absolutamente claro: contabilizava-se 59 IFEs em greve e a linha das avalia&ccedil;&otilde;es dos diversos delegados era de continuar e intensificar a luta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diante do quadro supracitado, na reuni&atilde;o do CLG da ADUFF de 20 de agosto, os membros do PSOL, da diretoria, e seus independentes come&ccedil;aram a defender a sa&iacute;da unificada da greve, alegando que o movimento encontrava problemas em diversas IFEs. As palavras m&aacute;gicas para justificar eram: &ldquo;responsabilidade&rdquo;, sa&iacute;da unificada&rdquo; e a frase mais replicada era &ldquo;temos que pensar no horizonte da greve&rdquo;. Como tinham receio de usar as palavras: &ldquo;sa&iacute;da&rdquo; ou &ldquo;limite&rdquo;, utilizaram uma bem amb&iacute;gua mais com o mesmo prop&oacute;sito: &ldquo;horizonte&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por outro lado, os membros do MDA da UFF rebatiam defendendo que a greve estava forte e que nenhuma IFE tinha sa&iacute;do da greve at&eacute; aquele momento. A reuni&atilde;o ganhou ares de grande tens&atilde;o. Um dos membros da diretoria da ADUFF chegou a dizer: n&atilde;o estou entendendo porque voc&ecirc;s est&atilde;o defendendo a continuidade da greve se o chefe de voc&ecirc;s , Z&eacute; Maria (PSTU; CSP-CONLUTAS) defendeu o fim da greve&rdquo;. Ele n&atilde;o entendeu que o MDA da UFF n&atilde;o era subordinado ao PSTU.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Depois de aproximadamente 3 horas de discuss&atilde;o, na &uacute;ltima fala, um membro muito ativo do PSOL no CLG da ADUFF, encaminha como indicativo para a assembleia a proposta de sa&iacute;da unificada da greve para a semana do dia 10 de setembro. Todos do MDA ficaram perplexos, at&ocirc;nitos, indignados, tentam reverter o quadro, mas n&atilde;o conseguem e ent&atilde;o se retiram em conjunto do CLG. Entretanto o fato mais inusitado ocorreu quando ainda come&ccedil;ava a reuni&atilde;o do CLG e ent&atilde;o um membro do MDA da UFF recebe uma mensagem de texto de uma companheira da UFRJ, que tamb&eacute;m estava na reuni&atilde;o do CLG da ADUFRJ, dizendo que l&aacute; estavam afirmando que a UFF sairia de greve no dia 10 de setembro para justificar a sa&iacute;da da UFRJ. Tudo indica que estava tudo combinado entre as diretorias da ADUFF e ADUFRJ, alian&ccedil;a PSOL &ndash; PCB, para sa&iacute;da da greve.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A assembleia do dia seguinte, 21\/08, ganhou status de grande embate. Como o comunicado do CNG n&atilde;o atendia aos anseios da diretoria e do CLG da ADUFF, ent&atilde;o este produziu seu pr&oacute;prio balan&ccedil;o, induzindo aos docentes aceitarem a marca&ccedil;&atilde;o da data do fim da greve. Como que se determinasse o fim do movimento por decreto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste comunicado percebe-se aquilo que seria a grande marca do(s) intelectual(is) que o produziu(ram). A caracter&iacute;stica &eacute; come&ccedil;ar, na primeira frase, alertando para o fato de j&aacute; estarmos h&aacute; muito tempo na greve, vejamos o comunicado que inaugurou esta indu&ccedil;&atilde;o do CLG do dia 21\/08, seguido pelos demais: CLG, 21\/08: &ldquo;A greve dos docentes das Institui&ccedil;&otilde;es Federais de Ensino ultrapassou os tr&ecirc;s meses de dura&ccedil;&atilde;o&#8230;&rdquo; CNG, 25\/08: &ldquo;A greve dos docentes das Institui&ccedil;&otilde;es Federais de Ensino (IFE) completou cem dias&#8230;&rdquo;; CLG 30\/08: &ldquo;A greve dos (as) docentes das Institui&ccedil;&otilde;es Federais de Ensino j&aacute; ultrapassou os cem dias de dura&ccedil;&atilde;o&#8230;&rdquo;; CLG 02\/09: A greve dos docentes das IFE completou 107 dias em 31 de agosto&#8230;&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse tipo de reda&ccedil;&atilde;o esteve em todos os comunicados do CLG, a partir daquele que queria o fim da greve, e em alguns tamb&eacute;m do CNG, mostrando a for&ccedil;a e o dedo do CLG da ADUFF no comando nacional. A n&atilde;o ser que acreditemos em modelo &uacute;nico para comunicados de greve.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No comunicado do dia 09\/09 do CNG, que tentou reverter a tend&ecirc;ncia de finalizar a greve, quando a hegemonia foi do grupo independente do MDA, a primeira frase dizia o seguinte: &ldquo;A nossa greve em curso explicita toda a capacidade de luta e resist&ecirc;ncia dos docentes&#8230;&rdquo;. Bem diferente, n&atilde;o?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os comunicados do CNG, como eram produzidos coletivamente e existia uma grande disputa entre projetos, acabavam por expressar ambiguidades com an&aacute;lises otimistas, pr&oacute;-greve, e pessimistas, anti-greve.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos dias que antecederam ao comunicado do Comando Nacional de Greve (CNG) do dia 25\/08\/2012, ADUFF e ADUFRJ enviam seus delegados e l&aacute; tentam articular a sa&iacute;da unificada para o dia 10 de setembro. Perderam por grande margem de diferen&ccedil;a, pois a ampla maioria das se&ccedil;&otilde;es sindicais entendia que a luta era forte e devia continuar. Nesse momento, nenhuma se&ccedil;&atilde;o sindical havia sa&iacute;do. Essas propostas foram recha&ccedil;adas pelos outros representantes do pa&iacute;s. Ent&atilde;o, o documento do CNG indicava continuidade da greve com radicaliza&ccedil;&atilde;o. Mas eles n&atilde;o se contentaram e come&ccedil;aram a construir a sa&iacute;da pelos CLGs e pelas articula&ccedil;&otilde;es pol&iacute;tico-partid&aacute;rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A TRAI&Ccedil;&Atilde;O DA GREVE GANHAVA FOR&Ccedil;A PARA SE TORNAR IRREVERS&Iacute;VEL<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na semana anterior, o presidente da CSP-CONLUTAS &ndash; Jos&eacute; Maria de Almeida, do PSTU &ndash; havia visitado o CNG do ANDES e defendeu que j&aacute; estava na hora de apontar para uma sa&iacute;da unificada. Depois desse indicativo, como era de se esperar, a maioria dos militantes do PSTU, que &eacute; um partido centralizado, passou a votar contra a continuidade da greve, ou se absteve em momentos chave decis&oacute;rios em todo o pa&iacute;s, ou deixou de defender publicamente a continuidade da greve.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para a assembleia da ADUFF do dia 30 de agosto, por exemplo, o CLG ignora o comunicado do CNG, que defendia a greve, e produz o seu pr&oacute;prio comunicado para sua base apontando para a sa&iacute;da unificada para a semana do dia 10\/09. O comunicado do CNG foi at&eacute; distribu&iacute;do aos presentes, mas apenas o do CLG foi lido no microfone para a plen&aacute;ria. Al&eacute;m disso, como mais um subterf&uacute;gio para por fim a greve, um dos membros de CLG discorre muito tempo sobre a sa&iacute;da do SINASEFE da greve, e pela primeira, e &uacute;nica vez, o comunicado do SINASEFE que apontava a sa&iacute;da para o dia 10 de setembro (coincid&ecirc;ncia?) foi distribu&iacute;do para os presentes na assembleia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muitas pessoas n&atilde;o entenderam. Como? Sair por que se estamos fortes e n&atilde;o alcan&ccedil;amos nossos objetivos?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em resumo, as diretorias e os CLGs da ADUFF e da ADUFRJ foram para suas bases e constru&iacute;ram a sa&iacute;da em conjunto da greve. &Eacute; importante ressaltar que se trata das duas maiores universidades do pa&iacute;s. Estava tudo dando certo, at&eacute; que a base na UFF rejeitou a proposta de sa&iacute;da da greve para o dia 10 de setembro. Os docentes da UFF em contr&aacute;rio ao defendido pela diretoria da ADUFF e do CLG rejeitaram a proposta de sa&iacute;da unificada. &Eacute; mister destacar que, quando, a base atropela a diretoria, deve-se levar em conta que a greve est&aacute; radicalizada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na UFRJ foi diferente, a diretoria indicou a sa&iacute;da da greve e ganhou. &Eacute; necess&aacute;rio um esclarecimento sobre este caso. L&aacute;, diferente da UFF, a continuidade da greve foi amea&ccedil;ada pelo voto e foi com base neste argumento que o CLG da ADUFRJ indicou a sa&iacute;da da greve, antes que fosse atropelada pela base. N&atilde;o obstante, isso n&atilde;o poderia servir de desculpa para o pr&oacute;prio CLG defender a sa&iacute;da de greve, sobretudo porque o movimento nacional estava forte. Mesmo supondo uma derrota, o CLG da ADUFRJ n&atilde;o tinha o direito de enviar seus delegados para o CNG para defender o fim da greve. A ADUFRJ independente do movimento em contr&aacute;rio na UFRJ comprou para si a sa&iacute;da da greve. Isto est&aacute; mais do que claro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Caso parecido aconteceu com a ADUFF, mas com um tom piorado, pois em momento algum a greve fora amea&ccedil;ada pelo voto dos docentes nas assembleias. As argumenta&ccedil;&otilde;es pelo fim da greve apresentavam-se porque as outras estavam com dificuldades de manter a greve. Portanto, t&iacute;nhamos que sair o quanto antes, diziam. Como que olhassem para uma bola de cristal, eles asseveravam que tinham que acabar com a greve unificadamente. A ADUFF e a ADUFRJ se colocaram como dirigentes nacionais da greve, ou melhor, contra a greve.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com efeito, depois de ADUFRJ e ADUFF enviarem seus delegados para o CNG para novamente acabar com a greve, a diretoria do ANDES interv&eacute;m a favor da sa&iacute;da e com algumas resist&ecirc;ncias conseguem o objetivo em parte: indicam para as assembleias discutirem a sa&iacute;da unificada no comunicado do dia 02 de setembro. Esse indicativo causa um estrago enorme no movimento. A partir da&iacute;, muitas assembleias come&ccedil;aram, com a ajuda dos militantes dos partidos que queriam a volta ao trabalho, a indicar a famigerada sa&iacute;da unificada. Mais um detalhe importante &eacute; necess&aacute;rio informar. Segundo o regulamento do ANDES, s&oacute; tem direito a voto no CNG, as se&ccedil;&otilde;es sindicais que continuam em greve. Logo a ADUFRJ n&atilde;o poderia votar mais sobre os destinos da greve, todavia, a diretoria do ANDES interveio a favor dos que sa&iacute;ram da greve unilateralmente e por conta pr&oacute;pria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os militantes independentes do MDA se articulam em todo o Brasil e enviam seus delegados para tentar reverter o estrago causado com o comunicado do dia 02 de setembro e manter a greve. O comunicado sai radicalizado e pr&oacute;-greve, sem indica&ccedil;&atilde;o de sa&iacute;da, mas n&atilde;o tinha mais solu&ccedil;&atilde;o, a destrui&ccedil;&atilde;o da greve era irrevers&iacute;vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pergunta que n&atilde;o quer calar &eacute; por que sair da greve se praticamente todas as assembleias indicavam a perman&ecirc;ncia? Como argumentar que o movimento estava fraco? O indicativo de sa&iacute;da da greve favoreceria a quem? Quais setores queriam o fim da greve?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As an&aacute;lises, segundo as quais o movimento estava fraco, atrav&eacute;s de grande articula&ccedil;&atilde;o, foram ganhando for&ccedil;a at&eacute; que se transformaram em realidade. &Eacute; a autoprofecia que se cumpre. E, finalmente, votando junto com aqueles que sempre lutaram contra a greve, as diretorias do ANDES, da ADUFF e da ADUFRJ e as for&ccedil;as pol&iacute;ticas que a comp&otilde;em conseguiram acabar com a greve docente nacional.<\/p>\n<p>Algumas perguntas ainda ficam no ar. Por que essas diretorias quiseram acabar com a greve justamente com a proximidade das elei&ccedil;&otilde;es? Quais grupos pol&iacute;ticos lideram essas associa&ccedil;&otilde;es? A esperan&ccedil;a eleitoral venceu novamente a luta direta?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os grupos que comp&otilde;em e dirigem essas diretorias est&atilde;o ligadas a dois partidos pol&iacute;ticos: o PSOL e o PCB. A UFF e a UFRJ foram as &uacute;ltimas a entrar em greve. Isto j&aacute; demonstra que n&atilde;o foram impulsionadoras da greve docente federal. Depois de ser empurrada pelas bases se viram obrigadas e aderir ao movimento e depois quiseram dirigi-lo. Quando nenhuma institui&ccedil;&atilde;o do ANDES havia sa&iacute;do de greve as duas propuseram, juntas, a sa&iacute;da, alegando dificuldades em manter a luta diante das bases que queriam sair. Na UFF, particularmente, as assembleias votavam maci&ccedil;amente pela continuidade da greve. Aqueles que eram contr&aacute;rios a greve nunca passaram de 15% da plen&aacute;ria. Durante todo o processo foram muitas as vezes que a assembleia votou unanimemente pela perman&ecirc;ncia da greve.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em resumo, a uni&atilde;o entre PSOL e PCB, a partir, principalmente, da ADUFRJ e ADUFF e com a anu&ecirc;ncia participativa do ANDES e depois com a ajuda do PSTU e da CSP-CONLUTAS conseguiram acabar com uma greve forte dos docentes. Resta saber em nome do que fizeram isso?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como tentativa de resposta, levantamos algumas hip&oacute;teses explicativas: a primeira quest&atilde;o a se entender &eacute; que o PSOL, que j&aacute; nasceu burocratizado, diferentemente do PT, &eacute; hoje praticamente um partido institucionalizado voltado para a disputa eleitoral, portanto, eleitoreiro. Quando dizemos eleitoreiro queremos chamar a aten&ccedil;&atilde;o para o fato de que o partido n&atilde;o pensa mais nos marcos da revolu&ccedil;&atilde;o que visa impulsionar toda luta do trabalhador a qualquer pre&ccedil;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por conseguinte, com a proximidade das elei&ccedil;&otilde;es, a greve nas universidades prejudica, sobretudo por dois motivos: a) nas universidades est&aacute; parte consider&aacute;vel da milit&acirc;ncia do partido e os poss&iacute;veis eleitores; b) os candidatos do partido s&atilde;o questionados sobre as greves, tal como ocorreu com o candidato Marcelo Freixo no Rio, e jogados contra a parede, pois parte da sua base estava na greve, mas ao mesmo tempo precisa ganhar votos dos que n&atilde;o gostam de greve. Assim, o referido candidato, quando questionado no RJ\/TV sobre se cortaria o ponto dos grevistas foi obrigado a dizer categoricamente: &ldquo;depende&rdquo;.&nbsp; Resposta mais em cima do muro do que essa n&atilde;o seria poss&iacute;vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por outro lado, n&atilde;o conseguimos vislumbrar outros motivos que fizessem alguns quadros do partido se empenhar tanto em acabar com a greve do ANDES.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Definitivamente, as elei&ccedil;&otilde;es burguesas e principalmente a possibilidade mesmo que remota de vit&oacute;ria, leva ao abandono da luta em prol a todo custo da vit&oacute;ria eleitoral, conduzindo os partidos ao centro e depois &agrave; direita. A hist&oacute;ria do PT e de praticamente todas as agremia&ccedil;&otilde;es que nasceram socialistas e chegaram ao poder pelo mundo ratifica essa premissa (Ver M&eacute;sz&aacute;ros, Michels, Chomsky). Al&eacute;m do mais, &eacute; bastante significativo ressaltar que o &uacute;nico grupo organizado que quis manter a greve n&atilde;o tinha v&iacute;nculo de subordina&ccedil;&atilde;o a partidos pol&iacute;ticos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A hip&oacute;tese explicativa para definir a posi&ccedil;&atilde;o do PSTU &eacute; um pouco mais complexa, pois n&atilde;o se trata meramente de um partido eleitoreiro. Vamos a ela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O PSTU teve uma grande vit&oacute;ria e uma grande derrota com a cria&ccedil;&atilde;o da CSP-CONLUTAS. A vit&oacute;ria foi dirigir uma central sindical muito maior que o partido, aumentando o n&uacute;mero de militantes e de aparelhos sindicais sob sua influ&ecirc;ncia direta. A derrota adv&eacute;m desta mesma quest&atilde;o, pois o partido n&atilde;o tem pernas para dirigir a central e tem que fazer diversas concess&otilde;es ao PSOL. Ademais, depois que o PSTU criou a CSP-CONLUTAS seu principal objetivo passou a ser fortalec&ecirc;-la. Como o ANDES &eacute; dirigido pelo PSOL, para n&atilde;o perder a filia&ccedil;&atilde;o do mesmo &agrave; CONLUTAS e sua generosa contribui&ccedil;&atilde;o financeira, o PSTU cede e inclusive fica ref&eacute;m daquele partido. Em poucas palavras, o PSTU imp&otilde;e limites &agrave; luta direta econ&ocirc;mica em fun&ccedil;&atilde;o de acordos burocr&aacute;ticos, por dinheiro, e para manter a dire&ccedil;&atilde;o de uma central sindical muito maior que o partido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>M&eacute;sz&aacute;ros (2010, op cit) ao historiar a luta do movimento oper&aacute;rio afirma que o mesmo nasceu revolucion&aacute;rio e extraparlamentar, no entanto, no &uacute;ltimo ter&ccedil;o do s&eacute;culo XIX, os partidos de massa ganham for&ccedil;a e a estrat&eacute;gia de chegar ao socialismo pela via eleitoral se coloca como hegem&ocirc;nica, marginalizando a ala radical do movimento oper&aacute;rio por v&aacute;rias d&eacute;cadas. O autor ainda destaca com propriedade que a proposta de chegada ao socialismo pela via parlamentar de Bernstein, e seus descendentes, adotada como pr&aacute;tica pela segunda internacional, nunca logrou &ecirc;xito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>M&eacute;sz&aacute;ros (2010: 19) destaca ainda que o fato mais emblem&aacute;tico aconteceu com os partidos da terceira internacional. Vejamos:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;&eacute; que alguns dos partidos mais importantes em termos eleitorais, bem-sucedidos da esquerda radical, constitu&iacute;dos no &acirc;mbito da Terceira Internacional na en&eacute;rgica condena&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita do irrecuper&aacute;vel fracasso hist&oacute;rico da Segunda Internacional socialdemocrata, seguiram &ndash; dessa vez, de fato no devido tempo &ndash; o mesmo caminho desastroso dos partidos que antes haviam denunciado de forma veemente.&rdquo;<\/p>\n<p>Al&eacute;m do mais, M&eacute;sz&aacute;ros (2010: 17) reflete de maneira arguta sobre a participa&ccedil;&atilde;o dos partidos oper&aacute;rios nas contrarreformas das &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Vejamos:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;pois o ir&ocirc;nico e de muitas formas, tr&aacute;gico resultado de longas d&eacute;cadas de luta pol&iacute;tica dentro dos limites das institui&ccedil;&otilde;es politicas de autointeresse do capital revelaram que, sob as condi&ccedil;&otilde;es hoje prevalecentes, a classe foi espoliada de todos os direitos em todos os pa&iacute;ses capitalistas avan&ccedil;ados e n&atilde;o t&atilde;o avan&ccedil;ados. Essa condi&ccedil;&atilde;o &eacute; marcada pela completa conformidade dos v&aacute;rios representantes da classe trabalhadora organizada conforme as regras do jogo parlamentar&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em resumo, a maioria dos partidos pelo mundo caminha &agrave; direita por causa do crescimento dos seus parlamentares e pela prioridade m&aacute;xima dada &agrave;s campanhas eleitorais. O PSOL caminha a passos largos nesse sentido, embora nunca fosse um partido de massa, pois nasceu praticamente sem base social consistente. O PSTU vai &agrave; direita por causa do crescimento de sindicalistas burocratizados e para manter estruturas corporativas sindicais. O PCB segue a mesma trilha dos diversos Pcs pelo mundo. Por conseguinte, a luta direta econ&ocirc;mica &eacute; posta em segundo plano. Vale ver a cr&iacute;tica de Castoriadis que dedicou quase a vida inteira para denunciar como a burocracia no movimento de esquerda emperra o avan&ccedil;o revolucion&aacute;rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por tudo exposto, num futuro bem pr&oacute;ximo, o PSTU, o PCB e o PSOL estar&atilde;o juntos, mas meramente como partidos institucionais, eleitorais e reformistas e s&oacute; usar&atilde;o a greve quando lhes favorecer nas elei&ccedil;&otilde;es. Estes partidos marxistas tinham dois caminhos a seguir: 1) ditado por Bersntein e Kautsky, pelo institucionalismo e o reformismo, subordinando a luta &agrave;s esperan&ccedil;as eleitorais; 2) ditado por Rosa e Pannekoek, pela revolu&ccedil;&atilde;o. Escolheram o primeiro caminho.&nbsp; Triste fim lament&aacute;vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de terminar cabe a &uacute;ltima observa&ccedil;&atilde;o. Muitos militantes valorosos em todo o Brasil tentaram reverter esse quadro, mas n&atilde;o foi poss&iacute;vel lutar contra as m&aacute;quinas dos sindicatos, das centrais sindicais e dos centralismos dos partidos, aliados, ainda, aos fura-greves. Perdemos. Para finalizar, na UFF aconteceram falas inusitadas realizadas por militantes do PSOL, segundo os quais a greve n&atilde;o era o principal instrumento de luta, que existiam outras formas e por fim que t&iacute;nhamos que acabar com ela. Outros, ainda, come&ccedil;aram a ver grandes vit&oacute;rias na greve com os mesmo objetivos. Mas a pior de todas vinha da diretoria e do CLG da ADUFF. Como eles tinham vergonha de assumir que estavam propondo o fim da greve, usaram o subterf&uacute;gio de dizer que mantinham a greve, por&eacute;m apontando a data da sa&iacute;da, era o tal do horizonte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esdruxulamente, em uma assembleia de professores universit&aacute;rios o encaminhamento do CLG foi o seguinte: ponto 1: manuten&ccedil;&atilde;o da greve; ponto 2: sa&iacute;da da greve&#8230; para o dia tal. Esta dicotomia constitui-se em absurdo l&oacute;gico sem limites que representa a crise de valores e paradigmas na qual vivemos. Com a vota&ccedil;&atilde;o desta maneira o CLG ficava mais confortado e sem peso na consci&ecirc;ncia de ter votado pelo fim da greve e, portanto, contra ela, pois votavam no primeiro ponto a favor da greve, pela sua continuidade e no segundo ponto, em absoluta contradi&ccedil;&atilde;o, votavam pelo fim da greve no dia marcado!! Em seguida iam para casa tranquilos, pois votaram pela manuten&ccedil;&atilde;o da greve!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por fim, a greve acabou sem alcan&ccedil;ar os prop&oacute;sitos almejados. Por consequ&ecirc;ncia, saem efetivamente vitoriosos o governo, a grande m&iacute;dia, o PROIFES e os fura-greve. Saem derrotados do processo: os diferentes lutadores do MDA (Movimento em Defesa do ANDES) composto por professores independentes que defenderam a greve at&eacute; seu &uacute;ltimo suspiro bem como a Universidade p&uacute;blica e de qualidade.<\/p>\n<p>Em resumo, saiu derrotada a luta direta econ&ocirc;mica, cujos destinos est&atilde;o nas m&atilde;os dos trabalhadores, saiu vitoriosa a democracia minimalista burguesa, cuja t&ocirc;nica resume-se a votar de tempos em tempos e aguardar o que far&atilde;o os &ldquo;iluminados representantes&rdquo;. Lament&aacute;vel caracter&iacute;stica do nosso tempo. Tomara que os derrotados de hoje sejam os vitoriosos de amanh&atilde;, para podermos ter uma universidade e um mundo melhor que s&oacute; ser&aacute; poss&iacute;vel na sua plenitude no socialismo autogestion&aacute;rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[1] Prof. do Departamento de Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica da UFRJ.<\/p>\n<p>[2] Este texto foi escrito com base na minha experi&ecirc;ncia enquanto professor da UFF e participante do comando local de greve da Associa&ccedil;&atilde;o dos docentes da UFF (ADUFF). Em uma perspectiva Kropotikiana, segundo a qual, todo o conhecimento produzido na sociedade &eacute; fruto do trabalho coletivo, me vali de muitas discuss&otilde;es e debates junto com os colegas da oposi&ccedil;&atilde;o da ADUFF. &Eacute; claro que assumo toda a responsabilidade sobre o que est&aacute; escrito aqui, sendo, portanto, apenas minha percep&ccedil;&atilde;o do processo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A greve das federais e o jogo de for\u00e7as pol\u00edticas na interna do setor mais \u00e0 esquerda do movimento docente s\u00e3o analisados neste artigo, sob o prisma libert\u00e1rio do autor. 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