{"id":1728,"date":"2013-03-12T13:57:57","date_gmt":"2013-03-12T13:57:57","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1728"},"modified":"2013-03-12T13:57:57","modified_gmt":"2013-03-12T13:57:57","slug":"a-encruzilhada-venezuelana-e-a-hegemonia-latino-americana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1728","title":{"rendered":"A encruzilhada venezuelana e a hegemonia latino-americana"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/presidentes.jpg\" title=\"Presidentes latino-americanos unidos pelo Mercosul - Foto:\" alt=\"Presidentes latino-americanos unidos pelo Mercosul - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Presidentes latino-americanos unidos pelo Mercosul<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p>&quot;A verdade dura e crua &eacute; que, sem a press&atilde;o da Venezuela, o Brasil teria aceitado os planos da <strong>&Aacute;rea de Livre Com&eacute;rcio para as Am&eacute;ricas (ALCA)<\/strong> e, fatalmente, ser&iacute;amos s&oacute;cios minorit&aacute;rios dos EUA na alian&ccedil;a. Basta recordar novembro de 2005 e a visita de <strong>Bush Jr<\/strong> a Montevid&eacute;u e S&atilde;o Paulo para lembrar-se dos ocorridos durante e ap&oacute;s a <strong>Cumbre das Am&eacute;ricas<\/strong> em <strong>Mar Del Plata<\/strong>&quot;, escreve <strong>Bruno Lima Rocha<\/strong>,<strong> <\/strong>cientista pol&iacute;tico, jornalista e editor do portal Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise, docente de comunica&ccedil;&atilde;o social da Unisinos e de rela&ccedil;&otilde;es internacionais da ESPM-Sul e vice-l&iacute;der do grupo de pesquisa <strong>Cepos <\/strong>(hoje com sede na UFS), fundado por Val&eacute;rio Brittos e coordenado por C&eacute;sar Bola&ntilde;o.<\/p>\n<p>Segundo ele, &quot;a arena continua aberta e a encruzilhada venezuelana reposiciona toda a Am&eacute;rica Latina&quot;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Eis o artigo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Hugo Ch&aacute;vez<\/strong> faleceu e deixa uma pesada heran&ccedil;a pol&iacute;tica, al&eacute;m de um sucessor indicado pelo l&iacute;der carism&aacute;tico. Existe alguma semelhan&ccedil;a na pol&iacute;tica venezuelana e a hist&oacute;ria recente da transi&ccedil;&atilde;o brasileira, que culmina no padr&atilde;o Macuna&iacute;ma. Aqui como l&aacute;, o vice-presidente toma posse sem que o presidente houvesse feito. Tal vice, <strong>Jos&eacute; Ribamar Sarney<\/strong>, era do partido da ditadura (primeiro ARENA e depois da reorganiza&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria de Golbery, PDS) e compunha chapa com um moderado l&iacute;der da oposi&ccedil;&atilde;o oficial, <strong>Tancredo Neves<\/strong>. Em elei&ccedil;&atilde;o indireta, a caserna se retirara de cena, embora tenha exercido tutela sobre o mandato tamp&atilde;o que ficara por 5 anos e cujo pol&iacute;tico maranhense ainda manda no Senado. Ou seja, dentro dos arranjos de transi&ccedil;&atilde;o e traumas pol&iacute;ticos.<\/p>\n<p>J&aacute; na <strong>Venezuela<\/strong>, a elei&ccedil;&atilde;o de 1998 trazia como vitorioso o ex-golpista de fevereiro de 1992. O militar passa a preso pol&iacute;tico e, ap&oacute;s dois anos de reclus&atilde;o, sai do xadrez transformado em her&oacute;i nacional. Desde ent&atilde;o, <strong>Ch&aacute;vez <\/strong>enfrentou dois golpes de Estado (abril de 2002 e o locaute petroleiro na virada daquele ano) e algumas elei&ccedil;&otilde;es, incluindo referendos de reformas constitucionais. O caudilho falecido venceu quase todas, sendo que na &uacute;ltima, consegue ganhar sem chegar a tomar posse. Internado em Cuba para tratamento de c&acirc;ncer, seu vice, <strong>Nicol&aacute;s Maduro<\/strong>, assumiu de forma provis&oacute;ria, a partir da hegemonia total do chavismo dentro dos poderes do pa&iacute;s. Indicado pelo comandante, <strong>Maduro <\/strong>torna-se inquestion&aacute;vel, sendo fortalecido pelos novos oficiais-generais, militares profissionais politizados e colegas de turma do falecido tenente-coronel p&aacute;ra-quedista, e que se mostraram leais quando do putsch de 2002. Agora, mais que nunca, sua sobrevida implica na coes&atilde;o do partido chavista (<strong>PSUV<\/strong>) e nesta lealdade dos altos mandos militares. O risco de virada de mesa, embora real, nos pr&oacute;ximos meses parece improv&aacute;vel. Ao contr&aacute;rio do que se imaginava na primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo XX, o ciclo de golpes &eacute; sempre presente na Am&eacute;rica Latina.<\/p>\n<p>O paradigma dos golpes de Estado &ndash; pela via da legalidade, ou alega&ccedil;&atilde;o da mesma &#8211; est&aacute; em alta na Am&eacute;rica Latina, com &ecirc;nfase na gest&atilde;o de <strong>Hillary Clinton<\/strong> &agrave; frente do Departamento de Estado no primeiro governo do democrata <strong>Barack Obama<\/strong>. No pa&iacute;s alvo do genoc&iacute;dio americano do s&eacute;culo XIX n&atilde;o foi diferente. Em 22 de junho de 2012 o ent&atilde;o presidente eleito do Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo, foi destitu&iacute;do atrav&eacute;s de um golpe branco dado pelo parlamento. Votado de forma c&eacute;lere e com pouco ou nenhum direito a defesa, o presidente foi retirado do cargo, afastando a possibilidade de reforma agr&aacute;ria e abrindo o pa&iacute;s para instala&ccedil;&atilde;o de tropas terrestres estadunidenses. O <strong>Mercosul<\/strong>, de forma justa e apropriada, suspendeu o Paraguai do bloco, em fun&ccedil;&atilde;o do golpe apoiado pelos l&iacute;deres dos poderes constitu&iacute;dos. E se houver algo semelhante na Venezuela?<\/p>\n<p>Menos de um ano depois e a encruzilhada se encontra l&aacute;; pa&iacute;s rico e governado pelo ex-tenente coronel p&aacute;ra-quedista, ex-golpista, <strong>Hugo Ch&aacute;vez<\/strong>. Se o vice-presidente eleito, <strong>Nicol&aacute;s Maduro<\/strong>, assumir o Executivo de vez a partir da morte de seu l&iacute;der e n&atilde;o convocar novas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais, todo o Continente estar&aacute; diante de um impasse da democracia formal e pode pender a balan&ccedil;a. Isto &eacute; pouco prov&aacute;vel, mas o risco sempre &eacute; remanente. J&aacute; no caso destas elei&ccedil;&otilde;es ocorrerem, a direita latino-americana, a oligarquia esqu&aacute;lida venezuelana e o Imp&eacute;rio apostar&atilde;o todas as suas fichas no combate sistem&aacute;tico das pol&iacute;ticas do chavismo (sem <strong>Ch&aacute;vez<\/strong>) e do processo bolivariano. A derrota nas urnas da direita de l&aacute; &eacute; prov&aacute;vel, assim como o inevit&aacute;vel desgaste da gest&atilde;o de <strong>Maduro <\/strong>&agrave; frente de um <strong>PSUV<\/strong> rachado e com disputa de protagonismo com o Brasil na regi&atilde;o. E este &eacute; outro problema. Para os rumos do Continente, &eacute; melhor que o pa&iacute;s de Bol&iacute;var se mantenha na ofensiva diplom&aacute;tica; gra&ccedil;as a este movimento latino-americanista, o maior Estado da regi&atilde;o n&atilde;o p&ocirc;de conceder em demasia para o Imp&eacute;rio.<\/p>\n<p>A verdade dura e crua &eacute; que, sem a press&atilde;o da Venezuela, o Brasil teria aceitado os planos da <strong>&Aacute;rea de Livre Com&eacute;rcio para as Am&eacute;ricas (ALCA<\/strong>) e, fatalmente, ser&iacute;amos s&oacute;cios minorit&aacute;rios dos EUA na alian&ccedil;a. Basta recordar novembro de 2005 e a visita de <strong>Bush Jr<\/strong> a Montevid&eacute;u e S&atilde;o Paulo para lembrar-se dos ocorridos durante e ap&oacute;s a <strong>Cumbre das Am&eacute;ricas<\/strong> em <strong>Mar Del Plata<\/strong>. A tend&ecirc;ncia era um tratado unilateral assinado pela Casa Branca com o governo do uruguaio de <strong>Tabar&eacute; V&aacute;squez<\/strong> e o prosseguimento das tratativas para o mercado comum integrado ao Imp&eacute;rio. A pol&iacute;tica externa agressiva da Venezuela e o pesado investimento no resgate de cadeias produtivas exauridas, tal como o vidro e os pneum&aacute;ticos no <strong>Uruguai<\/strong>, deixara sem espa&ccedil;os para uma integra&ccedil;&atilde;o subordinada. A arena continua aberta e a encruzilhada venezuelana reposiciona toda a Am&eacute;rica Latina.<\/p>\n<p><em>Artigo escrito por Bruno Lima Rocha. Publicado no site do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) em 08 de mar&ccedil;o de 2013.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presidentes latino-americanos unidos pelo Mercosul Foto: &quot;A verdade dura e crua &eacute; que, sem a press&atilde;o da Venezuela, o Brasil teria aceitado os planos da &Aacute;rea de Livre Com&eacute;rcio para as Am&eacute;ricas (ALCA) e, fatalmente, ser&iacute;amos s&oacute;cios minorit&aacute;rios dos EUA na alian&ccedil;a. 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