{"id":1876,"date":"2019-01-07T22:53:11","date_gmt":"2019-01-08T00:53:11","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanaliseblog.com\/?p=1876"},"modified":"2019-01-07T22:53:11","modified_gmt":"2019-01-08T00:53:11","slug":"a-petrobras-publica-e-a-salvaguarda-da-soberania-do-povo-brasileiro-artigo-de-analise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1876","title":{"rendered":"A Petrobr\u00e1s p\u00fablica \u00e9 a salvaguarda da soberania do povo brasileiro &#8211; artigo de an\u00e1lise"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/blimarocha\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Lima Rocha<\/a>, 07 de janeiro de 2019<\/p>\n<p>A era do petr\u00f3leo iniciou com o c\u00e2mbio for\u00e7ado pelo ent\u00e3o ministro Winston Churchill \u2013 um civil \u00e0 frente do almirantado \u2013 para a poderosa marinha brit\u00e2nica buscar fontes e modificar o padr\u00e3o energ\u00e9tico usado na for\u00e7a naval de sua majestade. Isso come\u00e7ou em 1911 e desde ent\u00e3o o planeta assistiu a dezenas de \u201cguerras por petr\u00f3leo\u201d, tendo o combust\u00edvel f\u00f3ssil como motiva\u00e7\u00e3o direta ou indireta. Desde ent\u00e3o, os pa\u00edses soberanos, ou t\u00eam acesso a reservas de combust\u00edvel f\u00f3ssil, ou deste ficam dependentes.<\/p>\n<p>Tem momentos que \u00e9 preciso debater mais do mesmo, oscilando entre o \u00f3bvio e a necessidade. Existe um temor \u2013 concreto ao menos \u2013 de que uma parcela dos ativos da empresa brasileira de petr\u00f3leo, a Petrobr\u00e1s, venha a ser privatizada. A possibilidade maior, caso ocorra, \u00e9 a entrada de capital transnacional, provavelmente especializado, comprando uma capacidade j\u00e1 instalada. \u00c9 uma a\u00e7\u00e3o t\u00edpica do Brownfield \u2013 usando o termo anglicista \u2013 quando o capital estrangeiro compra o que j\u00e1 existe, geralmente incorporando cadeias nacionais ou atrav\u00e9s de programas de privatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se o investimento ser\u00e1 na forma de Brownfield, \u00e9 porque n\u00e3o teve \u2013 e pelo visto n\u00e3o ter\u00e1 \u2013 o Greenfield. Ou seja, nenhum conglomerado econ\u00f4mico transnacional parece estar disposto a investir pesado, a criar uma nova infra-estrutura instalada, e atrav\u00e9s dos benef\u00edcios da lei brasileira, que permite a instala\u00e7\u00e3o de refinarias privadas, investir no refino. Curiosa a \u201cl\u00f3gica da efici\u00eancia\u201d. Detalhe: petr\u00f3leo e derivados n\u00e3o se trata de simplesmente colocar dinheiro, ou obter cr\u00e9dito a fundo perdido do pa\u00eds que supostamente estaria recebendo os investimentos. \u00c9 preciso conhecer da \u00e1rea, ter alta capacita\u00e7\u00e3o de engenharia de minas e naval, al\u00e9m de equipe preparada em escala de milhares. Portanto, se as petroleiras n\u00e3o entraram antes (n\u00e3o entraram sequer na distribui\u00e7\u00e3o) \u00e9 porque n\u00e3o querem colocar dinheiro no Brasil, mas simplesmente comprar a pre\u00e7o deprimido o que j\u00e1 est\u00e1 pronto.<\/p>\n<p>Em termos de pol\u00edtica energ\u00e9tica, o pa\u00eds foi \u201cvirado de cabe\u00e7a para baixo\u201d, e sem nenhum raz\u00e3o funcional a n\u00e3o ser a fabrica\u00e7\u00e3o de uma crise. As reservas de Pr\u00e9-Sal capacitam a Petrobr\u00e1s para contrair empr\u00e9stimos com car\u00eancia centen\u00e1ria, significando a sa\u00fade financeira\u00a0 e a liquidez da empresa. Ou seja, a empresa jamais esteve \u201cquebrada\u201d e menos ainda com perda de faturamento.<\/p>\n<p>A Petrobr\u00e1s est\u00e1 com capacidade ociosa de refinarias, comprando diesel no mercado internacional e balizando pre\u00e7os co-determinados: uma determina\u00e7\u00e3o vem dos pa\u00edses produtores e exportadores de petr\u00f3leo, como \u00e9 o caso da Ar\u00e1bia Saudita ap\u00f3s o golpe palaciano que consagra Mohammad bin Salman em junho de 2017. Outra determina\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais perversa e parte da a\u00e7\u00e3o dos traders internacionais, os conglomerados que operam a log\u00edstica e estoques (ambos privados) e com isso pressionam o pre\u00e7o do barril de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Cabe um racioc\u00ednio l\u00f3gico. Cotizar o pre\u00e7o do barril e dos \u00f3leos refinados que s\u00e3o comercializados no Brasil, usando \u00edndices como o Barril Brent (de mercado futuros) \u00e9 subordinar todo o pa\u00eds aos ataques especulativos e as press\u00f5es advindas do \u201cacordo\u201d de compliance com a Justi\u00e7a dos EUA, onde a Petrobr\u00e1s se comprometeu a pagar um acordo de US$ 853,2 milh\u00f5es (estimado em R$ 3,6 bilh\u00f5es pela estatal) para cessar as investiga\u00e7\u00f5es que iniciaram com a Lava Jato. Porque simplesmente os corruptos n\u00e3o foram julgados apenas pela Justi\u00e7a brasileira e se os Estados Unidos quisessem realmente punir, que pedissem extradi\u00e7\u00e3o dos condenados?!<\/p>\n<p>Trata-se de evidente viola\u00e7\u00e3o de soberania. O Departamento de Justi\u00e7a de outro pa\u00eds multa uma empresa brasileira e condiciona o acordo a balizar os pre\u00e7os de venda do barril segundo o interesse dos acionistas da Bolsa de Nova York. Urge compreender o b\u00e1sico da geopol\u00edtica do petr\u00f3leo e da \u00e1rea sens\u00edvel de seguran\u00e7a energ\u00e9tica para inverter o consenso forjado que atinge a capacidade soberana do Brasil.<\/p>\n<p>Na linguagem pol\u00edtica brasileira isso se chama entreguismo e devemos defender o oposto.\u00a0 Uma condi\u00e7\u00e3o ideal \u00e9 a mudan\u00e7a nos estatutos da Petrobr\u00e1s, de modo que ela se torne 100% p\u00fablica, com diretoria eleita por seus trabalhadores, influ\u00eancia direta da sociedade civil\u00a0 alizando um pre\u00e7o justo e nacional na ponta das bombas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uma commodity estrat\u00e9gica ref\u00e9m da especula\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>No final de novembro de 2018 o barril de petr\u00f3leo cotado pelo \u00edndice Brent (de contratos futuros) estava em Usd 60,26. Em 2008 a mesma unidade \u201ccont\u00e1bil\u201d atingiu a 140 d\u00f3lares o barril. Isso sem haver eleva\u00e7\u00e3o dos custos de extra\u00e7\u00e3o, refino e distribui\u00e7\u00e3o. Justo ao contr\u00e1rio; cada vez mais se extrai \u00f3leo de melhor qualidade \u2013 exemplificando com o Pr\u00e9-Sal brasileiro \u2013 h\u00e1 capacidade log\u00edstica sobrante (com o papel nefasto dos traders internacionais) e de refino ocioso em pa\u00edses produtores \u2013 como \u00e9 o caso do Brasil. Ou seja, se o pre\u00e7o do barril for \u201cregulado\u201d pelos \u201cpre\u00e7os internacionais\u201d isso se trata de um perigoso eufemismo. O termo correto seria ter o pre\u00e7o do barril determinado pela\u00a0 press\u00e3o dos especuladores na ciranda do mercado futuro.<\/p>\n<p>Se buscarmos qualquer lista das 25 ou 30 maiores empresas petrol\u00edferas do planeta, veremos que as maiores s\u00e3o estatais, com exce\u00e7\u00e3o das herdeiras das chamadas Sete Irm\u00e3s (hoje apenas quatro: ExxonMobil, Chevron, Shell e BP), sendo que estas tamb\u00e9m foram constitu\u00eddas \u2013 a parte europeia \u2013 ou por empresas controladas pelo Estado ou por um complexo energ\u00e9tico militar, embri\u00e3o da ideia de complexo industrial vinculado diretamente \u00e0 Defesa de imp\u00e9rios capitalistas.<\/p>\n<p>Parece uma obviedade entender que um pa\u00eds produtor de petr\u00f3leo deve dominar todo o ciclo e operar com pre\u00e7os protegidos, ao menos no que diz respeito ao seu mercado interno e assim financiar a roda da economia nacional. Quando ficamos expostos aos \u201cpre\u00e7os internacionais\u201d, na verdade estamos subordinados a contratos especulativos, justamente o oposto da decis\u00e3o soberana de controlar n\u00e3o apenas um ativo estrat\u00e9gico, mas toda uma cadeia de alto valor agregado que passa pela extra\u00e7\u00e3o, refino, distribui\u00e7\u00e3o mas tamb\u00e9m transforma\u00e7\u00e3o em petroqu\u00edmica e qu\u00edmica fina.<\/p>\n<p>O Brasil e a categoria de trabalhadores e trabalhadoras do petr\u00f3leo e derivados t\u00eam todos os requisitos de cumprir esta miss\u00e3o de interesse popular. O impeditivo maior \u00e9 sempre a dupla associa\u00e7\u00e3o da internaliza\u00e7\u00e3o de interesses externos (atrav\u00e9s de uma elite org\u00e2nica predat\u00f3ria e o recrutamento de pol\u00edticos profissionais para tal) com a vis\u00e3o ideol\u00f3gica regressiva (j\u00e1 que toda proje\u00e7\u00e3o de valores \u00e9 ideologia) de que n\u00e3o precisamos ter condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de implementar pol\u00edtica econ\u00f4mica em esfera alguma. Resta saber: a quem interessa liquidar a capacidade soberana de destino do povo brasileiro?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruno Lima Rocha, 07 de janeiro de 2019 A era do petr\u00f3leo iniciou com o c\u00e2mbio for\u00e7ado pelo ent\u00e3o ministro Winston Churchill \u2013 um civil \u00e0 frente do almirantado \u2013 para a poderosa marinha brit\u00e2nica buscar fontes e modificar o padr\u00e3o energ\u00e9tico usado na for\u00e7a naval de sua majestade. 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