{"id":1985,"date":"2019-04-19T13:25:57","date_gmt":"2019-04-19T16:25:57","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanaliseblog.com\/?p=1985"},"modified":"2019-04-19T13:25:57","modified_gmt":"2019-04-19T16:25:57","slug":"netanyahu-e-a-constante-ameaca-ao-oriente-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1985","title":{"rendered":"Netanyahu e a constante amea\u00e7a ao Oriente M\u00e9dio &#8211; artigo"},"content":{"rendered":"<p>19 de abril de 2019, Bruno Lima Rocha Beaklini<\/p>\n<p>O presenta artigo foi escrito no calor do momento ap\u00f3s o an\u00fancio da vit\u00f3ria do controverso e chauvinista pol\u00edtico da direita israelense. Teremos mais tens\u00f5es \u00e0 frente no barril de p\u00f3lvora permanente da humanidade. O pleito de 2019 terminou praticamente empatado, com o Likud, partido de Netanyahu, conquistando 36 cadeiras no Knesset (parlamento de Israel) e o partido de centro, Azul e Branco (Kahol Lavan) recebeu 35 assentos. A legenda do general Benny Gantz est\u00e1 sendo apoiada pelo Trabalhismo (Avoda), ainda assim a pequena margem vitoriosa pelas direitas (direita, extrema direita, direita religiosa) \u00e9 autorizada pelo presidente de Israel indica que o assecla de Trump forme uma maioria com 65 cadeiras. O sistema pol\u00edtico israelense \u00e9 muito fragmentado e o tempo de costura para montar um governo \u00e9 de 28 dias com uma extens\u00e3o de 14 dias. Neste per\u00edodo de um m\u00eas e meio, a agenda externa pode incidir, j\u00e1 que a pauta da anexa\u00e7\u00e3o \u00e9 bandeira de campanha do partido pol\u00edtico descendente dos movimentos terroristas da Stern e do Irgun. Estamos no s\u00e9culo XXI e o chauvinismo continua.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que a pol\u00edtica de seguran\u00e7a de Israel e a constante amea\u00e7a do entorno moldaram uma aut\u00eantica fus\u00e3o entre povo (em suas diversas comunidades e identidades) e ex\u00e9rcito. Tamb\u00e9m \u00e9 correto afirmar que Israel \u00e9 um Estado do Oriente M\u00e9dio, peculiar, mas muito mais m\u00e9dio oriental do que uma &#8220;cabe\u00e7a de ponte do ocidente&#8221;. Em outros termos, assim como a Israel imagin\u00e1ria dos neopentecostais e ne\u00f3fitos no apoio ao pacto neocon e telecon dos EUA &#8211; tal como o &#8220;jenial&#8221; capit\u00e3o reformado Jair Bolsonaro &#8211; s\u00f3 existe na f\u00e9rtil imagina\u00e7\u00e3o milenar e essencialista que profana uma cultura, outras analogias tamb\u00e9m s\u00e3o ficcionais. Fa\u00e7o aqui a <em>mea culpa<\/em>.\u00a0 Como militante de uma esquerda radicalizada, minha rela\u00e7\u00e3o com a tradi\u00e7\u00e3o humanista judaica \u00e9 visceral, tomando por base a tradi\u00e7\u00e3o libert\u00e1ria de Emma Goldman, Alexander Berkman. Como descendente de \u00e1rabes e ainda defensor do pan-arabismo progressista e da causa palestina, me acostumei a ver no Estado de Israel um portador de &#8220;culpa e pecado&#8221;. Cansei de acusar aos mandat\u00e1rios do sionismo vitorioso por terem atirado ao lixo &#8211; ap\u00f3s 1948 &#8211; a espetacular tradi\u00e7\u00e3o das diversas correntes socialistas que passaram pela intelectualidade e o mundo do trabalho aschkenazi, tamb\u00e9m representando pelo Partido Bund e outros afins. Cresci dizendo que os opressores dos palestinos reproduziam situa\u00e7\u00f5es vividas pelo hero\u00edsmo do Bloco Anti-Fascista (AFB) durante o Levante do Gueto de Vars\u00f3via, em posi\u00e7\u00f5es inversas. Eis que na maturidade aprendemos o oposto. Israel \u00e9 Oriente M\u00e9dio &#8211;\u00a0 com seus dramas, vergonhas e algumas virtudes-, um pa\u00eds mizrahim onde as comunidades antes minorit\u00e1rias t\u00eam um pa\u00eds para chamar de seu. \u00c9 isso.<\/p>\n<p>Este sentimento do Estado Hebreu n\u00e3o difere do chauvinismo \u00e1rabe, laico ou apoiador do wahhabismo, e menos ainda do &#8220;nacionalismo&#8221; turco em detrimento dos demais. Tampouco difere dos meus ancestrais maronitas se afirmando tanto fen\u00edcios (tudo bem) e cartagineses (tudo bem ainda), franc\u00f3fonos-franc\u00f3filos (tudo mal, tudo muito mal) e anti-\u00e1rabes (tudo p\u00e9ssimo, horr\u00edvel). N\u00e3o preciso e nem quero rasgar as feridas recordando dos massacres de Sabra e Chatila ou dos conflitos intra-crist\u00e3os entre os cl\u00e3s Chamoun e Gemayel, consequ\u00eancias diretas da guerra civil libanesa, mas tamb\u00e9m da segunda invas\u00e3o de Israel ao L\u00edbano. Enfim, h\u00e1 pouca similitude imediata entre o mapa pol\u00edtico p\u00f3s-liberalismo ingl\u00eas e p\u00f3s-iluminista para com o do &#8220;moderno&#8221; Oriente M\u00e9dio, surgido atrav\u00e9s do nacionalismo \u00e1rabe e a derrocada da \u00faltima Ummah com a queda do Imp\u00e9rio Otomano.<\/p>\n<p>Insisto. \u00c9 preciso pensar em Israel como um Estado a mais na regi\u00e3o, com la\u00e7os muito fortes com suas comunidades na di\u00e1spora e o governo reeleito de uma m\u00e1quina partid\u00e1ria chauvinista, especializada em fazer provoca\u00e7\u00f5es sem fim e combinando uma mescla perigos\u00edssima de extrema direita pol\u00edtica com apostasia religiosa. Netanyahu como primeiro ministro aumenta a tens\u00e3o dentre os israelenses, mas isso aquela sociedade aprendeu a processar. O problema \u00e9 externo ou no vizinho. N\u00e3o resta muita esperan\u00e7a de retomar os Acordos de Oslo na Palestina Ocupada reconhecida pela ONU (Gaza, Cisjord\u00e2nia e Jerusal\u00e9m Oriental), al\u00e9m de uma melanc\u00f3lica tend\u00eancia de ainda maior marginaliza\u00e7\u00e3o aos \u00e1rabes-israelenses (os cerca de 1.658.000 cidad\u00e3os do Estado Hebreu, mas com cultura e identidades \u00e1rabes). A imensa maioria destes n\u00e3o \u00e9 nem libanesa (na Galileia), nem drusa, tampouco bedu\u00edna, mas sim palestina (majoritariamente sunita e em menor escala crist\u00e3). Qual a op\u00e7\u00e3o para estas fam\u00edlias e sua juventude? Fa\u00e7amos uma compara\u00e7\u00e3o: quais as op\u00e7\u00f5es para a juventude curda em cidades como Batman ou Diyarbakir? Quem apostar em uma estrutura de marginaliza\u00e7\u00e3o e o crescimento exponencial de shahids (m\u00e1rtires) est\u00e1 bem pr\u00f3ximo de acertar.<\/p>\n<p>O que fazer quando o Poder Executivo da \u00fanica pot\u00eancia nuclear da regi\u00e3o define a si mesma como for\u00e7a militar de anexa\u00e7\u00e3o, incluindo as Colinas de Golan? Restar\u00e1 pouco ou nada ao mundo \u00e1rabe e \u00e0s comunidades isl\u00e2micas vizinhas de Israel al\u00e9m de resistirem e lutarem, das formas que sabem, com os conflitos internos, trai\u00e7\u00f5es e oportunismos de sempre. Discordo profundamente da hipocrisia \u00e1rabe e islamita (sunita ou xiita) quando afirmam ser a &#8220;entidade sionista&#8221; a fonte de todos os males. Menos ainda concordo com a estupidez de n\u00e3o reconhecer o direito de Israel em existir. \u00c9 mais um pa\u00eds do Oriente M\u00e9dio, com uma di\u00e1spora poderosa e a raz\u00e3o universal da shoah (holocausto) que legitimamente justifica sua exist\u00eancia. Mas \u00e9 isso. N\u00e3o difere em nada \u2013 ou quase nada &#8211; do comportamento dos Estados ao seu redor e como tal n\u00e3o \u00e9 uma fonte de virtude, em nenhuma hip\u00f3tese.<\/p>\n<p>A complexa sociedade civil israelense (tomando como exemplo a alian\u00e7a Hadash-Ta\u2019al) e a capacidade de resist\u00eancia do povo palestino, apesar da estupidez do Hamas e da corrup\u00e7\u00e3o da Fatah, formam a sa\u00edda poss\u00edvel, ainda muito distante reconhe\u00e7o. Estava longe antes das elei\u00e7\u00f5es de 2019 em Israel e est\u00e1 ainda mais distante na vit\u00f3ria dessa soma macabra de impulso para a economia de guerra e o chauvinismo mesclado com apostasia. Anos ainda mais duros vir\u00e3o.<\/p>\n<p>Bruno Lima Rocha Beaklini \u00e9 professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais e de jornalismo, doutor em ci\u00eancia pol\u00edtica e p\u00f3s-doutorando em economia pol\u00edtica. Acompanha o Mundo \u00c1rabe e a Causa Palestina desde a invas\u00e3o de Israel no L\u00edbano em 1982 e como docente leciona disciplinas sobre o Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>estrategiaeanaliseblog.com \/ Grupo no Telegram: t.me\/estrategiaeanalise \/ blimarocha@gmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>19 de abril de 2019, Bruno Lima Rocha Beaklini O presenta artigo foi escrito no calor do momento ap\u00f3s o an\u00fancio da vit\u00f3ria do controverso e chauvinista pol\u00edtico da direita israelense. Teremos mais tens\u00f5es \u00e0 frente no barril de p\u00f3lvora permanente da humanidade. 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