{"id":2026,"date":"2019-07-03T17:30:14","date_gmt":"2019-07-03T20:30:14","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanaliseblog.com\/?p=2026"},"modified":"2019-07-03T17:30:14","modified_gmt":"2019-07-03T20:30:14","slug":"o-individualismo-os-individualismos-simbolicos-e-a-bizarrice-como-forma-de-fazer-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=2026","title":{"rendered":"O individualismo, os individualismos simb\u00f3licos e a bizarrice como forma de fazer pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p><u>Bruno Lima Rocha<\/u>, 03 de julho de 2019<\/p>\n<p>Definitivamente podemos afirmar que a segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI coloca o debate \u201cpol\u00edtico\u201d dos Estados Unidos dentro da esfera p\u00fablica brasileira, em especial das esferas p\u00fablicas cibern\u00e9tica e acad\u00eamica nacionais. Poderia ser uma situa\u00e7\u00e3o positiva, visto que a multiplicidade de sujeitos sociais traria uma pot\u00eancia emergente de distintas camadas de nossa sociedade com vontade pr\u00f3pria e uma agenda pol\u00edtica coletiva. Os ent\u00e3o chamados \u201cnov\u00edssimos movimentos sociais\u201d hoje s\u00e3o uma realidade parcial, onde abundam as \u201cpersonalidades\u201d e escasseiam de inani\u00e7\u00e3o as inst\u00e2ncias apropriadas. As palavras que seguem aportam um gr\u00e3o de areia cr\u00edtico neste debate.<\/p>\n<p><strong>Qual o limite para a bizarrice? Uma cr\u00edtica por esquerda <\/strong><\/p>\n<p>Reconhe\u00e7o que o uso intenso de redes sociais &#8211; no meu caso em particular &#8211; vai ao encontro da quebra da rotina e da aus\u00eancia de inser\u00e7\u00e3o social direta. Recentemente em entrevista ao programa de webradio catarinense Planeta Ilha, afirmei que hoje no pa\u00eds temos uma colet\u00e2nea de subcelebridades cibern\u00e9ticas e que isso causa um mal ao movimento popular brasileiro. Fazia autocr\u00edtica e falava de mim mesmo, em escala regional. N\u00e3o me referia tamb\u00e9m aos que entraram para a pol\u00edtica pelo atalho das redes, como o esfor\u00e7ado deputado conservador Alexandre Frota (PSL-SP, sem ironia dessa vez). Digo para uma legi\u00e3o que toma atalho ou potencializa sua proje\u00e7\u00e3o &#8211; autopromo\u00e7\u00e3o &#8211; sem estar necessariamente vinculado, vinculada &#8211; a um projeto coletivo.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as ao esp\u00edrito livre de S\u00e3o Sep\u00e9 eu estou, modestamente, no c\u00edrculo de apoio fixo ao projeto socialista e libert\u00e1rio da coordena\u00e7\u00e3o brasileira. Ainda assim, \u00e9 absurda a propor\u00e7\u00e3o que por vezes, toma uma posi\u00e7\u00e3o individual em detrimento da opini\u00e3o coletiva. A esquerda, as esquerdas, com certo zelo pelas esquerdas mais \u00e0 esquerda e com determina\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica de ajudar na organiza\u00e7\u00e3o popular, se veem nesta encruzilhada. Refor\u00e7o. Quem est\u00e1 mais \u00e0 esquerda se preserva, at\u00e9 pastoralmente, mas a internet brasileira tem uma cole\u00e7\u00e3o de generais e generalas avermelhadas, debatendo &#8220;estrat\u00e9gia&#8221; sem base social definida e individualizando o n\u00edvel de an\u00e1lise. Ou seja, quase tudo acaba no limbo do individualismo e dos &#8220;projetinhos pessoais&#8221;. Falta virt\u00fa, falta muita virt\u00fa.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Qual o limite para a bizarrice? Uma cr\u00edtica para a direita <\/strong><\/p>\n<p>Mesmo ponderando que o labirinto identitrio despolitizado levou uma parcela das esquerdas nacionais \u00e0s raias do manic\u00f4mio colonizado &#8211; reproduzindo e mimetizando a sandice da &#8220;esquerda acad\u00eamica&#8221; da gringol\u00e2ndia aqui nos tr\u00f3picos e subtr\u00f3picos -, \u00e9 preciso admitir que a bizarrice se tornou a arma da rea\u00e7\u00e3o. E mais uma vez estamos diante do jogo de espelhos, espelhos retorcidos \u00e9 verdade, das direitas mais \u00e0 direita segundo a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos EUA, e atuando em terras brasileiras.<\/p>\n<p>O cl\u00e3 Bolsonaro \u00e9 fruto direto destas redes embora a clientela pol\u00edtica do primeiro, a baixa soldadesca e os corpos policiais militarizados estaduais, seja anterior ao caos cibern\u00e9tico nacional. Se admitirmos que o pa\u00eds vive uma onda da nova extrema direita em sintonia com o que h\u00e1 de pior no Norte Hegem\u00f4nico &#8211; Trump no Imp\u00e9rio do Hamburguest\u00e3o; Matteo Salvini na pen\u00ednsula it\u00e1lica e Viktor Orb\u00e1n na Hungria da \u201cpureza magiare\u201d &#8211; logo a capacidade de sermos colonizados tamb\u00e9m por a\u00ed \u00e9 enorme. Como nem tudo \u00e9 reprodu\u00e7\u00e3o, a vers\u00e3o nacional &#8211; antinacionalista e entreguista por sinal &#8211; atende pelo nome de bolsonarismo e est\u00e1 se desvencilhando, apeando do movimento de massas manobr\u00e1veis que inicia no segundo turno de 2014 e culmina no golpe jur\u00eddico-parlamentar que dep\u00f4s a ex-presidenta Dilma Rousseff sem lhe cassar os direitos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Afirmo. O bolsonarismo virou o pr\u00f3prio jogo, n\u00e3o \u00e9 ref\u00e9m de militares de alta patente; fez de Moro p\u00f3s-Intercept passar de Batman \u00e0 Robin e hoje polariza a nova (velha, bem velha) direita brasileira. As micaretas fascistoides de domingo dia 30 de junho refletem isso. Os desentendimentos entre &#8220;movimentos&#8221; cibern\u00e9ticos do bolsonarismo e as estruturas semi-formais do MBL resultaram em tapas sem beijos em plena Avenida Paulista e outros locais p\u00fablicos. O que era para ser um &#8220;happening fascistinha&#8221; do tipo Marcha de Fariseus pela Fam\u00edlia, a Propriedade e o Entreguismo terminou em &#8220;briga de galera&#8221; entre ultraliberais colonizados e neo-integralistas aderentes a teses que nem o pior del\u00edrio de Gustavo Barroso admitiria.<\/p>\n<p>Logo, se este analista torce efusivamente para que o impag\u00e1vel vereador pelo PSC-RJ, Carlos Bolsonaro, crie uma, duas, v\u00e1rias crises por semana, por outro, reconhe\u00e7o que o bolsonarismo vive de e para suas crises. Sei que nada disso impede o caos social e nem vai frear o desmonte da base industrial restante pelo especulador Paulo Guedes &#8211; Chicago Boy de raiz &#8211; e os ocupantes de postos-chave no desgoverno. Ou seja, a bizarrice faz em grande parte o papel de oposi\u00e7\u00e3o interna e situa\u00e7\u00e3o desconfort\u00e1vel. Tem limite para o caos administrativo? Os manuais de ci\u00eancia pol\u00edtica falam no perigo da &#8220;paralisia decis\u00f3ria&#8221;. Ser\u00e1 esta a esperan\u00e7a vis\u00edvel?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil ampliar os conflitos j\u00e1 existentes nas bases da nova (velha) direita que chega ao poder atrav\u00e9s de uma elei\u00e7\u00e3o onde o \u00fanico centro poss\u00edvel era a centro-esquerda e cujo favorito estava preso sem provas &#8211; e como tal segue. O dif\u00edcil \u00e9 transformar em pot\u00eancia social e organizada essa profus\u00e3o de identidades e representa\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas que marcam a segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI em nosso pa\u00eds. Que todas e todos os sujeitos sociais sejam transformados em agentes coletivos e marquem uma pauta de lutas que convirjam para uma agenda comum e solid\u00e1ria. Mas para tal, ao menos uma parcela dos e das arrivistas ter\u00e1 de ser deposto dos status simb\u00f3licos. Portanto, que tenham como &#8220;lugar de fala&#8221; apenas e t\u00e3o somente as posi\u00e7\u00f5es delegadas pelas devidas inst\u00e2ncias sociais ou pol\u00edticas. Sei que soa &#8220;antiquado&#8221;, mas fora do coletivismo classista n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda alguma para ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Obs: quem escreve \u00e9 socialmente branco, professor universit\u00e1rio e de classe m\u00e9dia composta por fam\u00edlia de origem imigrante. N\u00e3o tenho nenhuma &#8220;legitimidade de ber\u00e7o&#8221; para afirmar o \u00f3bvio, somente a for\u00e7a do \u00f3bvio mesmo.<\/p>\n<p><em>Bruno Lima Rocha<\/em> (<a href=\"mailto:blimarocha@gmail.com\">blimarocha@gmail.com<\/a> \/ t.me\/estrategiaeanalise) \u00e9 p\u00f3s-doutorando em economia pol\u00edtica, doutor e mestre em ci\u00eancia pol\u00edtica, professor nos cursos de rela\u00e7\u00f5es internacionais, comunica\u00e7\u00e3o social e direito; membro do Grupo de Pesquisa Capital e Estado (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/capetacapitaleestado\/\">https:\/\/www.facebook.com\/capetacapitaleestado\/<\/a>)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruno Lima Rocha, 03 de julho de 2019 Definitivamente podemos afirmar que a segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI coloca o debate \u201cpol\u00edtico\u201d dos Estados Unidos dentro da esfera p\u00fablica brasileira, em especial das esferas p\u00fablicas cibern\u00e9tica e acad\u00eamica nacionais. 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