{"id":2097,"date":"2019-09-28T20:56:49","date_gmt":"2019-09-28T23:56:49","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanaliseblog.com\/?p=2097"},"modified":"2019-09-28T20:56:49","modified_gmt":"2019-09-28T23:56:49","slug":"breves-reflexoes-na-relacao-brasil-america-latina-diante-da-avancada-imperialista-artigo-de-analise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=2097","title":{"rendered":"Breves reflex\u00f5es na rela\u00e7\u00e3o Brasil-Am\u00e9rica Latina diante da avan\u00e7ada imperialista &#8211; artigo de an\u00e1lise"},"content":{"rendered":"<p>28 de setembro de 2019 \u2013 <u><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/blimarocha\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Lima Rocha<\/a> <\/u><\/p>\n<p>Inicio estas brevidades para a estrutura do artigo de an\u00e1lise que segue. O tema \u00e9 delicado, embora mais que \u00f3bvio.<\/p>\n<p>Nossas sociedades s\u00e3o de certo um modo um &#8220;milagre&#8221; da humanidade. Fomos um territ\u00f3rio invadido, formado pelo genoc\u00eddio origin\u00e1rio, sequestro africano e depois popula\u00e7\u00e3o imigrante e colona interna transplantada com intuito de embranquecimento. Ainda assim temos uma chance concreta, considerando demais sociedades do planeta que foram alvos do imperialismo das navega\u00e7\u00f5es ou do s\u00e9culo XIX, e como tal seguem &#8211; seguimos &#8211; sendo alvo de muita press\u00e3o e presen\u00e7a externa.\u00a0 Temos alguma oportunidade, mas \u00e9 preciso teoria para preparar cora\u00e7\u00f5es e mentes para al\u00e9m dos necess\u00e1rios discursos e das imprescind\u00edveis identidades coletivas.<\/p>\n<p>Nossas sociedades concretas s\u00e3o abertas a variadas possibilidades, muito racistas no sentido da opress\u00e3o \u2013 na vertente mais terr\u00edvel do racismo institucionalizado n\u00e3o formal \u2013 mas menos sect\u00e1rias do que a imensa maioria das sociedades africanas, do m\u00e9dio-orientais e asi\u00e1ticas. Logo, brigamos menos entre n\u00f3s (dentro da base da pir\u00e2mide populacional) do que a maioria dos demais pa\u00edses com vaga na Assembleia Geral da ONU. Somos ocidentalizados sem ser Ocidente, o que tamb\u00e9m gera uma vantagem parcial.<\/p>\n<p>O problema reside na ultima frase acima. A coes\u00e3o interna \u00e9 fraca e o comportamento de explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria \u00e9 reproduzido pelas elites locais, classe dominante rentista e estruturas de poder olig\u00e1rquicas sem d\u00f3 e alteridade alguma para com a vida das maiorias. Fora isso, \u00e9 necess\u00e1rio observar que capacidade instalada \u00e9 o ouro da sobreviv\u00eancia em momentos de tens\u00e3o com as pot\u00eancias mundiais. A inser\u00e7\u00e3o soberana e altiva no Sistema Internacional n\u00e3o \u00e9 uma panaceia e se algu\u00e9m pensa que bloqueio econ\u00f4mico \u00e9 \u201cevit\u00e1vel\u201d observem Cuba e Venezuela e ver\u00e3o que n\u00e3o \u00e9. Logo, esta condi\u00e7\u00e3o \u00e9 quase uma imposi\u00e7\u00e3o do imperialismo que nos toca, o das 13 Col\u00f4nias Brit\u00e2nicas, fundadas por escravagistas do Destino Manifesto contra a Am\u00e9rica Latina, Africana e Ind\u00edgena.<\/p>\n<p><strong>O distanciamento entre o pa\u00eds e nossa Am\u00e9rica Latina \u00e9 fundamental para o dom\u00ednio anglo-sax\u00e3o e euroc\u00eantrico<\/strong><\/p>\n<p>Ficamos nos perguntando centenas de vezes. Porque \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil incorporar os elementos mais b\u00e1sicos de nossos vizinhos no dia a dia da cultura brasileira? Vou mais al\u00e9m. Porque somos um pa\u00eds onde a classe m\u00e9dia compreende e domina mais o ingl\u00eas do que o idioma castelhano falado no Sul do mundo? S\u00e3o perguntas que nos inquietam e definitivamente podem apontar alguns dos caminhos poss\u00edveis.<\/p>\n<p>Em geral somos muito impressionados com as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas das chamadas &#8220;democracias consolidadas&#8221;. Durante muito tempo o espelho retorcido foi a social-democracia europeia e, pasmem, n\u00e3o foi apenas a For\u00e7a Tarefa da Lava Jato a useira e vezeira da coopera\u00e7\u00e3o e interc\u00e2mbio com institui\u00e7\u00f5es semelhantes dos Estados Unidos. Subestimando o imperialismo, n\u00e3o &#8220;batendo para dentro deles&#8221; (como por exemplo, fazendo pol\u00edtica para as popula\u00e7\u00f5es latino-americanas, n\u00e3o apenas as comunidades brasileiras) o per\u00edodo do lulismo nem combateu a mentalidade &#8220;miamera&#8221; e menos ainda enviou uma leva aut\u00f3ctone de &#8220;marielitos&#8221; com passagem s\u00f3 de ida.<\/p>\n<p>Enfim, se h\u00e1 pouca sa\u00edda pol\u00edtica sem ao menos um p\u00e9 no iluminismo (aceito esse ponto de partida), ao mesmo tempo, enfiamos as duas pernas at\u00e9 os dois joelhos no esterco inf\u00e9rtil se n\u00e3o nos livramos do maldito imperialismo euroc\u00eantrico que polui nossas mentalidades pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de fomentar a oposi\u00e7\u00e3o e o dissenso em um a cada tr\u00eas cidad\u00e3os e cidad\u00e3s com passaporte dos EUA (a massa latino-americana e afro-americana), n\u00f3s, como pa\u00eds soberano e sociedade din\u00e2mica e industrial, mimetizamos a cultura urbana contempor\u00e2nea da gentrifica\u00e7\u00e3o em solo gringo. E isso ocorreu em pleno lulismo.<\/p>\n<p>N\u00e3o adianta, o ran\u00e7o do marxismo vulgar atravessa a mentalidade da ex-esquerda e no lado oposto, as esquerdas trabalham as &#8220;identidades&#8221; de forma superficial. Ideologia n\u00e3o \u00e9 nem superestrutura nem apenas est\u00e9tica e discurso vazio. Nunca foi t\u00e3o grande a presen\u00e7a de capital n\u00e3o ocidental em nosso pa\u00eds e, simultaneamente, nunca tivemos uma mentalidade pol\u00edtica t\u00e3o parecida com o Imp\u00e9rio do Mal capitaneado na base pelos Fariseus Neopentecostais.<\/p>\n<p><strong>Coment\u00e1rio final<\/strong><\/p>\n<p>Vale uma compara\u00e7\u00e3o. A partir de 1960 especificamente a partir da forma\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Produtores de Petr\u00f3leo, alguma pol\u00edtica de pre\u00e7os foi obtida por Estados subalternos como Ar\u00e1bia Saudita e Ir\u00e3.\u00a0 Neste \u00faltimo, o famigerado governo absolutista do (x\u00e1) shah de confian\u00e7a dos ingleses e gringos, Mohamed Rez\u00e3 Sh\u00e3h Pahlevi resolveu tomar a acertada medida de moderniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Mas, acompanhando a eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, injetou muito dinheiro na economia nacional, levando a um fen\u00f4meno conhecido como \u201cdesestrutura\u00e7\u00e3o do tecido social\u201d. Todas as classes com emprego formal melhoraram suas condi\u00e7\u00f5es materiais, e, ao mesmo tempo, a sociedade ficou mais dependente de suas refer\u00eancias j\u00e1 constitu\u00eddas, como o clero xiita. Diante da crise derivada por uma infla\u00e7\u00e3o por demanda, o regime se enfraquece e, rapidamente os Estados Unidos abandonam um de seus \u201cmonarcas de estima\u00e7\u00e3o\u201d. O movimento reverso foi ser\u00edssimo, sendo que algumas institui\u00e7\u00f5es estatais se comportaram como estamento &#8211; as For\u00e7as Armadas iranianas, a partir de sua alta oficialidade \u2013 e ocuparam-se primordialmente na preserva\u00e7\u00e3o de seus postos de poder.<\/p>\n<p>N\u00e3o custa o esfor\u00e7o de compara\u00e7\u00e3o. Melhoria de condi\u00e7\u00f5es materiais de vida \u00e9 sempre uma demanda permanente, mas o esfor\u00e7o de moderniza\u00e7\u00e3o e digitaliza\u00e7\u00e3o promovido pelo lulismo atirou uma sociedade nos bra\u00e7os do capital informacional e da mistifica\u00e7\u00e3o. A maldi\u00e7\u00e3o de uma economia comodificada prim\u00e1rio exportadora fez o resto, junto aos conspiradores (novos e antigos) al\u00e9m da trai\u00e7\u00e3o esperada da FIESP. Deu no que deu jogar as esperan\u00e7as na busca incessante pela tal \u201cburguesia nacional progressista\u201d. Como disse nosso Cantinflas boleiro, o\u00a0 imortal Manuel Francisco dos Santos (Man\u00e9 Garrinhca), faltou perguntar: \u201cj\u00e1\u00a0 combinaram com o outro time?\u201d. Ao inv\u00e9s de nos aproximarmos de n\u00f3s mesmos oudo que dever\u00edamos nos tornar \u2013 um epicentro do Atl\u00e2ntico Sul, o piv\u00f4 entre\u00a0 a Am\u00e9rica Latina e a \u00c1frica &#8211; nosso \u201coutro significante\u201d\u00a0 nada no bolo fecal do complexo de vira-latas; nos trata como \u201ccucarachas\u201d simb\u00f3licas, \u201cgusanos\u201d de Miami, \u201ctr\u00f3pico\u00a0 dos pecados\u201d para uma moral\u00a0 puritana e hip\u00f3crita.<\/p>\n<p>Agora j\u00e1 era, ap\u00f3s profundas modifica\u00e7\u00f5es no tecido social brasileiro e o ingresso incompleto de mais de 60\u00a0 milh\u00f5es tanto na mobilidade de classes como no mundo do consumo e do\u00a0 emprego formal (hoje frustrados) estamos \u201cagringalhados\u201d. Assim os Fariseus incidem sobre um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o e os Entreguistas com ou sem verde oliva est\u00e3o no Planalto, fazendo companhia maligna aos Chicago Boys de raiz. N\u00f3s nos tornamos um pa\u00eds mistificado e cibern\u00e9tico, os U$A sem o poder do Complexo Industrial Militar. Adoraria proclamar que h\u00e1 uma via coletivista no curto prazo, mas sei que est\u00e1 longe disso. \u00c1reas estrat\u00e9gicas de mobiliza\u00e7\u00e3o do tecido social brasileiro como no cristianismo popular (de diversos matizes, mas necessariamente dentro do protestantismo) e tamb\u00e9m na matriz (nas matrizes) afro-brasileiras. J\u00e1\u00a0 ajudava, e muito, formuladores, propagandistas, algumas lideran\u00e7as leg\u00edtimas nestes setores. Est\u00e1 na hora de pintar de verde e amarelo alguma vers\u00e3o v\u00e1lida de Malcolm X, Martin Luther King e Angela Davis e, simultaneamente, realizar uma campanha para libertar as almas do maldito individualismo. Urgente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>28 de setembro de 2019 \u2013 Bruno Lima Rocha Inicio estas brevidades para a estrutura do artigo de an\u00e1lise que segue. 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