{"id":22,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=22"},"modified":"2023-03-13T20:42:53","modified_gmt":"2023-03-13T23:42:53","slug":"entrevista-com-o-diretor-de-administracao-e-logistica-da-pf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=22","title":{"rendered":"Entrevista com o Diretor de Administra\u00e7\u00e3o e Log\u00edstica da PF"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/policiafederal.jpg\" title=\"(...) Pol\u00edcia Federal n\u00e3o \u00e9 uma pol\u00edcia do governo, \u00e9 uma pol\u00edcia do Estado. Ent\u00e3o, mesmo na repress\u00e3o, ela n\u00e3o agiu, ela fazia, inclusive sobrava para n\u00f3s, quando os presos eram encaminhados para a Pol\u00edcia Federal depois que o Ex\u00e9rcito fazia as pris\u00f5es e n\u00f3s faz\u00edamos o inqu\u00e9rito.\" - Foto:Exame\" alt=\"(...) Pol\u00edcia Federal n\u00e3o \u00e9 uma pol\u00edcia do governo, \u00e9 uma pol\u00edcia do Estado. Ent\u00e3o, mesmo na repress\u00e3o, ela n\u00e3o agiu, ela fazia, inclusive sobrava para n\u00f3s, quando os presos eram encaminhados para a Pol\u00edcia Federal depois que o Ex\u00e9rcito fazia as pris\u00f5es e n\u00f3s faz\u00edamos o inqu\u00e9rito.\" - Foto:Exame\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">(&#8230;) Pol\u00edcia Federal n\u00e3o \u00e9 uma pol\u00edcia do governo, \u00e9 uma pol\u00edcia do Estado. Ent\u00e3o, mesmo na repress\u00e3o, ela n\u00e3o agiu, ela fazia, inclusive sobrava para n\u00f3s, quando os presos eram encaminhados para a Pol\u00edcia Federal depois que o Ex\u00e9rcito fazia as pris\u00f5es e n\u00f3s faz\u00edamos o inqu\u00e9rito.&#8221;<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Exame<\/small><\/figure>\n<p>Entrevista com o delegado federal ALCIOMAR GOERSCHLING, no momento da entrevista (D-G Paulo Lacerda, ministro da Justi&ccedil;a M&aacute;rcio Thomaz Bastos) com o cargo de Diretor de Administra&ccedil;&atilde;o e Log&iacute;stica Policial (equivalente a Planejamento). A entrevista ocorrera em Bras&iacute;lia, na data de 07\/08\/2003, dentro do edif&iacute;cio sede do &oacute;rg&atilde;o, conhecido como &ldquo;M&aacute;scara Negra&rdquo;, na sala de trabalho do profissional entrevistado.<\/p>\n<p>A mesma fez parte do trabalho de disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica (PPG Pol&iacute;tica\/UFRGS, com bolsa de dedica&ccedil;&atilde;o exclusiva da CAPES), com o t&iacute;tulo:<\/p>\n<p>&ldquo;A Pol&iacute;cia Federal ap&oacute;s a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988: pol&iacute;cia de governo, seguran&ccedil;a de Estado e pol&iacute;cia judici&aacute;ria.&rdquo;<\/p>\n<p>Uma vez que as entrevistas (s&atilde;o quatro) constaram como Anexo da disserta&ccedil;&atilde;o e fica absolutamente imposs&iacute;vel <st2:hm>considerar<\/st2:hm> sua publica&ccedil;&atilde;o junto do livro fruto deste trabalho, optei por public&aacute;-las aqui, em sequ&ecirc;ncia, na condi&ccedil;&atilde;o de Teoria. Teoria por <st2:hm>ser<\/st2:hm> um trabalho direcionado, roteirizado, com objetivos anal&iacute;ticos precisos. O conjunto das entrevistas aparecera no texto final da disserta&ccedil;&atilde;o como Anexo I.<\/p>\n<p>Consta neste Anexo I, entrevistas com representantes das entidades estudadas e da Dire&ccedil;&atilde;o-Geral, gest&atilde;o Paulo Lacerda. Todas as entrevistas foram realizadas em Bras&iacute;lia, no m&ecirc;s de agosto de 2003. Est&atilde;o apresentadas em ordem cronol&oacute;gica, tem suas p&aacute;ginas numeradas e n&atilde;o foram editadas (est&atilde;o na &iacute;ntegra). Abaixo, antes de <st2:hm>entrar<\/st2:hm> nas entrevistas, nos pareceu interessante <st2:hdm>expor<\/st2:hdm> o roteiro inicial pensado para estas entrevistas, ainda no m&ecirc;s de junho de 2003. Estas perguntas n&atilde;o est&atilde;o em ordem de import&acirc;ncia, nem tampouco seriam feitas seguindo algum ordenamento pr&eacute;vio. <st2:hm>Apresentar<\/st2:hm> este roteiro nos pareceu interessante para <st2:hdm>expor<\/st2:hdm> o tipo de informa&ccedil;&atilde;o que quer&iacute;amos, a busca do contradit&oacute;rio dos depoimentos e <st2:hm>poder<\/st2:hm> <st2:hm>comparar<\/st2:hm> entre o momento pr&eacute;vio e o que realmente foi obtido atrav&eacute;s destas fontes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com as perguntas previamente roteirizadas, procuramos <st2:hdm>expor<\/st2:hdm> um pouco do roteiro como um mapeamento anal&iacute;tico indireto. Deste mapeamento, obt&ecirc;m-se uma dedu&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de via de aproxima&ccedil;&atilde;o indireta. O guia b&aacute;sico dos conceitos embutidos no roteiro &eacute;:<\/p>\n<p>Prerrogativas das FFAA (militares) por sobre o aparelho constitucionalmente v&aacute;lido (a PF) &ndash; Esp&iacute;rito de Corpo &ndash; Obedi&ecirc;ncia a Justi&ccedil;a, ao Ministro ou a Presid&ecirc;ncia &ndash; Justi&ccedil;a X Direito &ndash; L&oacute;gica punitiva diferenciada como fator de desigualdade estrutural do Sistema &ndash; Autonomiza&ccedil;&atilde;o dos Agentes Sociais mesmo no interior da PF &ndash; Autonomiza&ccedil;&atilde;o burocr&aacute;tica no interior do Aparelho de Estado, mesmo sendo este um Aparelho policial &ndash; Espiocracia como forma de Burocracia &ndash; Criminaliza&ccedil;&atilde;o do Capitalismo &ndash; Classe Dominante e Classe Dirigente com pr&aacute;ticas criminalizadas de ordem estrutural &ndash; Organiza&ccedil;&atilde;o Criminosa X Rede de Quadrilhas &ndash; Organiza&ccedil;&atilde;o Criminosa X Fragmenta&ccedil;&atilde;o da(s) Forma(s) de Repress&atilde;o &ndash; Concorr&ecirc;ncias, Compet&ecirc;ncias e disputas Intra-Policiais &ndash; Disputas Internas da(s) Comunidade(s) de Informa&ccedil;&otilde;es e Intelig&ecirc;ncia &#8211; Limites do Jogo Democr&aacute;tico X Jogo real das disputas pelo poderes de fato em todos os n&iacute;veis &ndash; Campo Jur&iacute;dico + Burocracia Policial X Democracia Deliberativa &#8211; Repress&atilde;o Seletiva, Repress&atilde;o pol&iacute;tica (e das for&ccedil;as sociais) como forma de sub-sele&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Roteiro pr&eacute;vio para as entrevistas<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; Como o senhor analisa as acusa&ccedil;&otilde;es de inger&ecirc;ncia dos EUA (a exemplo do dossi&ecirc; da revista Carta Capital), atrav&eacute;s da embaixada e com financiamento direto de opera&ccedil;&otilde;es e <st3:sinonimos>treinamento<\/st3:sinonimos> por parte da CIA, DEA e FBI, no interior da PF? Estas den&uacute;ncias procedem? H&aacute; setores que n&atilde;o respondem mais &agrave; hierarquia do &oacute;rg&atilde;o e sim diretamente &agrave;s ag&ecirc;ncias dos EUA? Se a afirma&ccedil;&atilde;o for positiva, quais seriam as alternativas para <st2:hm>realizar<\/st2:hm> estas opera&ccedil;&otilde;es, equipagem e <st3:sinonimos>treinamento<\/st3:sinonimos>?<\/p>\n<p>&#8211; Qual &eacute;, baseado na opini&atilde;o do senhor e em sua experi&ecirc;ncia profissional, a rela&ccedil;&atilde;o e a possibilidade de trabalho em conjunto entre a PF e o GSI\/ABIN? Quais seriam, ainda na opini&atilde;o do senhor, os pap&eacute;is precisos da PF e da ABIN? Quem deveria <st2:hdm>operar<\/st2:hdm>, aonde e sob qual tipo de coordena&ccedil;&atilde;o? No plano do concreto, que tipo de influ&ecirc;ncia exercia o general Cardoso sobre a PF e o conjunto da &ldquo;comunidade de intelig&ecirc;ncia&rdquo;, especialmente a <st2:hm>partir<\/st2:hm> da queda de Vicente Chelotti at&eacute; o fim do 2o mandato de Fernando Henrique Cardoso?<\/p>\n<p>&#8211; Como entende que deveriam <st2:hm>ser<\/st2:hm> as carreiras de delegado e agente na PF? Considera poss&iacute;vel uma PF sob os moldes do FBI atual (p&oacute;s-Hoover e com cargo &uacute;nico)? Considera poss&iacute;vel uma PF onde os agentes ou outra categoria da carreira policial voltem a <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> exig&ecirc;ncia de 2o grau completo ao inv&eacute;s de n&iacute;vel superior?<\/p>\n<p>&#8211; O que o senhor pensa sobre as transforma&ccedil;&otilde;es no MJ? Deveria <st2:hm>funcionar<\/st2:hm> como um Minist&eacute;rio do Interior? Considera necess&aacute;ria a exist&ecirc;ncia de uma Guarda Federal Fardada e com emprego a n&iacute;vel nacional? Existindo esta Guarda, como ficaria a rela&ccedil;&atilde;o com o Ex&eacute;rcito, especialmente em zonas que h&aacute; Pelot&otilde;es Especiais de Fronteira? Seria empregada esta Guarda somente na faixa de fronteira ou tamb&eacute;m para interven&ccedil;&atilde;o nos estados?<\/p>\n<p>&#8211; Qual deveria <st2:hm>ser<\/st2:hm>, tanto o crit&eacute;rio como a motiva&ccedil;&atilde;o para uma interven&ccedil;&atilde;o federal em estados, micro-regi&otilde;es e\/ou munic&iacute;pios? Poderiam justificativas poss&iacute;veis, apenas para <st2:hm>exemplificar<\/st2:hm>:<\/p>\n<p>Por calamidade p&uacute;blica? Zona de emerg&ecirc;ncia? Por corrup&ccedil;&atilde;o end&ecirc;mica? Por rebeli&atilde;o de pol&iacute;cias? &Aacute;rea de seguran&ccedil;a nacional? Descontrole do Estado, como no chamado Pol&iacute;gono da Maconha? Munic&iacute;pios na faixa de fronteira? Tratando de um caso espec&iacute;fico, foi a favor da interven&ccedil;&atilde;o federal no Esp&iacute;rito Santo, a que n&atilde;o ocorreu, no ano de 2002? Porque?<\/p>\n<p>&#8211; Pediria ao senhor que fizesse uma an&aacute;lise profissional e pol&iacute;tica, pormenorizada, dos seguintes profissionais, quando no exerc&iacute;cio de fun&ccedil;&otilde;es de chefia e lideran&ccedil;a no &oacute;rg&atilde;o:<\/p>\n<p>&#8211; A gest&atilde;o de Vicente Chelotti como DG da PF?<\/p>\n<p>&#8211; A gest&atilde;o de Romeu Tuma como DG da PF? A presen&ccedil;a pol&iacute;tica e profissional de Tuma no &oacute;rg&atilde;o?<\/p>\n<p>&#8211; Qual &eacute; hoje, o grau de coordena&ccedil;&atilde;o entre os MPs estaduais e Federal com a PF? Considera a atua&ccedil;&atilde;o do GAECO do MP-SP e a Superintend&ecirc;ncia naquele estado como <st2:hdm>modelar<\/st2:hdm>? Qual seria ent&atilde;o o tipo de coordena&ccedil;&atilde;o, incluindo o n&iacute;vel dos recursos e o grau de autonomia t&aacute;tica, necess&aacute;rios para <st2:hm>fazer<\/st2:hm> frente as urg&ecirc;ncias investigativas e processuais?<\/p>\n<p>&#8211; Como o senhor v&ecirc; o papel da PF como &oacute;rg&atilde;o executor de repress&atilde;o pol&iacute;tica e social? Esta fun&ccedil;&atilde;o seria da ABIN? Seria da pr&oacute;pria PF? Como se dariam ent&atilde;o as antecipa&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para <st2:hm>cumprir<\/st2:hm> o trabalho? Deveria <st2:hm>ser<\/st2:hm> exercida, por exemplo, infiltra&ccedil;&atilde;o no MST e repress&atilde;o &agrave;s r&aacute;dios comunit&aacute;rias?<\/p>\n<p>&#8211; O senhor v&ecirc; necessidade da figura do delegado no processo de instru&ccedil;&atilde;o, presidindo Inqu&eacute;rito Policial? Para que serve ent&atilde;o o IPL? Como funcionaria ent&atilde;o uma pol&iacute;cia exclusivamente investigativa e judici&aacute;ria?<\/p>\n<p>&#8211; Como o senhor v&ecirc; o papel da FENAPEF e dos sindicatos estaduais na PF? Como o senhor v&ecirc; o papel da ADPF e as respectivas associa&ccedil;&otilde;es e sindicatos estaduais de delegados, na PF? Tanto hoje como durante a gest&atilde;o de Chelotti?<\/p>\n<p>&#8211; Se o senhor fizesse um mapeamento da institui&ccedil;&atilde;o, quantos setores de fato existem hoje? Seus interesses s&atilde;o conflitantes, s&atilde;o confluentes? Seus projetos para o &oacute;rg&atilde;o s&atilde;o conflitantes, s&atilde;o confluentes? A hierarquia do &oacute;rg&atilde;o exerce de fato <st2:hm>poder<\/st2:hm> de mando no conjunto dos servidores? Que setores t&ecirc;m autonomia dentro da pr&oacute;pria institui&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>&#8211; Existe continu&iacute;smo na PF? Existe continu&iacute;smo de resqu&iacute;cios e pessoal do regime <st2:hm>militar<\/st2:hm>? Que relev&acirc;ncia tem esse continu&iacute;smo, caso exista, para a filosofia de trabalho do &oacute;rg&atilde;o?<\/p>\n<p>&#8211; Existe alguma transpar&ecirc;ncia na PF? Que tipo de transpar&ecirc;ncia e rela&ccedil;&atilde;o com a sociedade, na opini&atilde;o do senhor, deveria <st2:hm>existir<\/st2:hm>?<\/p>\n<p>&#8211; Caso o senhor tivesse <st2:hm>poder<\/st2:hm> de mando e execu&ccedil;&atilde;o, que mudan&ccedil;as realizaria na PF?<\/p>\n<p>ENTREVISTA<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Dr. Alciomar, como de praxe, vou <st2:hdm>pedir<\/st2:hdm> um breve resumo da carreira, que eu sei que &eacute; longa, e depois eu vou <st2:hm>entrar<\/st2:hm> na entrevista mais pol&iacute;tica em si.<\/p>\n<p>ALCIOMAR &ndash; O Departamento de Pol&iacute;cia Federal &eacute; um &oacute;rg&atilde;o de carreira institu&iacute;do por lei e est&aacute; previsto na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal artigo 144. Ele est&aacute; estruturado em cargos de delegados de pol&iacute;cia federal, peritos criminais federais, agentes de pol&iacute;cia federal, escriv&atilde;es de pol&iacute;cia federal e papiloscopista policial federal. Esses s&atilde;o os cargos do quadro da carreira policial federal. E n&oacute;s temos as estruturas dos &oacute;rg&atilde;os centrais que est&atilde;o aqui em Bras&iacute;lia e os &oacute;rg&atilde;os descentralizados, as unidades descentralizadas que s&atilde;o nas Superintend&ecirc;ncias em cada estado da federa&ccedil;&atilde;o e as delegacias implantadas estrategicamente em certos lugares do pa&iacute;s num n&uacute;mero de 78 atualmente hoje e 27 Superintend&ecirc;ncias. E n&oacute;s temos aqui no edif&iacute;cio-sede onde est&aacute; a Dire&ccedil;&atilde;o Geral, que &eacute; um Diretor-Geral auxiliado por 7 diretores que s&atilde;o as Diretorias. Tem a Diretoria Executiva, a Diretoria de Combate ao Crime Organizado, Diretoria de Intelig&ecirc;ncia Policial, Diretoria T&eacute;cnico-Cient&iacute;fica, Diretoria de Administra&ccedil;&atilde;o e Log&iacute;stica Policial, Diretoria de Gest&atilde;o de Pessoal e uma diretoria que se chama Corregedoria Geral de Pol&iacute;cia Federal. Esses s&atilde;o os sete diretores que auxiliam o diretor geral na miss&atilde;o do DPF.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Qual &eacute; o cargo que o senhor ocupa hoje?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &#8211; Eu sou atualmente Diretor de Administra&ccedil;&atilde;o e Log&iacute;stica Policial. E dentro dessas diretorias tem v&aacute;rias Coordena&ccedil;&otilde;es Gerais e Coordena&ccedil;&otilde;es para <st2:hm>facilitar<\/st2:hm> o trabalho. Para <st2:hm>facilitar<\/st2:hm> o trabalho, para <st2:hdm>otimizar<\/st2:hdm>, foi montada essa nova estrutura para <st2:hm>viabilizar<\/st2:hm> uma maneira mais eficiente, mais eficaz de <st2:hm>cumprir<\/st2:hm> as atividades da Pol&iacute;cia Federal, as suas atribui&ccedil;&otilde;es constitucionais.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; O senhor entrou no Departamento quando?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &#8211; Eu entrei em 1980 como agente de pol&iacute;cia federal. Em 1983 eu fiz concurso interno para delegado de pol&iacute;cia federal, na &eacute;poca era <st3:sinonimos>permitido<\/st3:sinonimos> concurso interno. A <st2:hm>partir<\/st2:hm> da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 n&atilde;o existe mais concurso interno, s&oacute; concurso externo e a&iacute; eu passei a <st2:hm>ser<\/st2:hm> delegado. Estou h&aacute; 3 anos em Bras&iacute;lia, trabalhando no edif&iacute;cio-sede, aqui junto, nos &oacute;rg&atilde;os, no escal&atilde;o superior da Dire&ccedil;&atilde;o Geral.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; O que essencialmente modificou, eu sei que lendo a lei a gente tem acesso; mas na pr&aacute;tica, o que mudou na atividade profissional de voc&ecirc;s depois da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &#8211; O que realmente alterou e entendo que dificultou o trabalho da Pol&iacute;cia Federal foi que acabou a permiss&atilde;o do delegado de pol&iacute;cia federal <st2:hm>expedir<\/st2:hm> o mandado de busca e apreens&atilde;o. Antes da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 o delegado podia <st2:hm>assinar<\/st2:hm> o mandado e os policiais se dirigiam a algum local, pr&eacute;dio ou resid&ecirc;ncia, e ap&oacute;s o <st2:hm>ler<\/st2:hm> o mandado eles adentravam e apreendiam bens e objetos frutos de crime. Por exemplo, no nosso caso, entorpecentes, contrabando, vest&iacute;gios de todo e qualquer crime da compet&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Federal. Ent&atilde;o, para <st2:hm>fazer<\/st2:hm> o levantamento das provas, os policiais, munidos desse mandado, eles tinham acesso a isso. Hoje, com a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, n&oacute;s s&oacute; podemos <st2:hm>entrar<\/st2:hm> em qualquer resid&ecirc;ncia com um mandado judicial, expedido por um juiz federal ou estadual, depende da comarca onde est&aacute; a unidade da Pol&iacute;cia Federal. <st3:sinonimos>Munido<\/st3:sinonimos> desse mandado &eacute; que n&oacute;s podemos <st2:hm>adentrar<\/st2:hm> numa habita&ccedil;&atilde;o. Isso d&aacute; um transtorno porque, o princ&iacute;pio da oportunidade n&oacute;s perdemos. Porque antes o policial que est&aacute; fazendo uma investiga&ccedil;&atilde;o, est&aacute; na campana, est&aacute; na rua, est&aacute; acompanhando, ele levanta o local, o dep&oacute;sito, a casa onde est&aacute; guardado o produto do crime, ele vinha diretamente ao delegado, o delegado imediatamente expedia o mandado, os policiais iam l&aacute; e apreendiam com 100% de efici&ecirc;ncia. Hoje n&oacute;s temos que, o policial se dirige ao delegado, o delegado precisa <st2:hm>fazer<\/st2:hm> um of&iacute;cio circunstanciado, justificado, <st2:hm>encaminhar<\/st2:hm> ao juiz, o juiz vai <st2:hm>mandar<\/st2:hm> muitas vezes <st2:hm>usar<\/st2:hm> toda a burocracia, <st4:infinitivo>protocolar<\/st4:infinitivo> o documento, <st2:hm>movimentar<\/st2:hm> na distribui&ccedil;&atilde;o do f&oacute;rum, at&eacute; <st2:hm>chegar<\/st2:hm> ao juiz, e passa por muitas m&atilde;os esse documento. Ent&atilde;o muita gente vai <st2:hm>estar<\/st2:hm> sabendo onde a Pol&iacute;cia vai <st2:hm>bater<\/st2:hm>, onde vai <st2:hm>fazer<\/st2:hm> uma busca, onde vai <st2:hm>fazer<\/st2:hm> uma dilig&ecirc;ncia. E tamb&eacute;m a demora, porque at&eacute; <st2:hm>chegar<\/st2:hm> &agrave; m&atilde;o do juiz, o juiz est&aacute; em audi&ecirc;ncia, o juiz est&aacute; despachando, o juiz est&aacute; julgando algum outro assunto e n&oacute;s temos que <st2:hm>aguardar<\/st2:hm> ele <st2:hdm>concluir<\/st2:hdm> o seu trabalho para nos <st2:hdm>atender<\/st2:hdm>. Algumas exce&ccedil;&otilde;es existem, tem juiz que nos atendem, interrompem uma audi&ecirc;ncia para nos <st2:hdm>atender<\/st2:hdm> e do pr&oacute;prio punho nos autorizam, no rosto do documento que o delegado expediu. Mas tem que <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> um trabalho muito fechado, muito azeitado entre o juiz e o delegado para <st2:hm>poder<\/st2:hm> <st2:hm>fazer<\/st2:hm> isso a&iacute;. Sen&atilde;o ele manda por caminhos normais para <st2:hm>chegar<\/st2:hm> at&eacute; ele, e a&iacute; n&oacute;s perdemos o princ&iacute;pio da oportunidade. Quando se vai <st2:hm>fazer<\/st2:hm> a busca o traficante j&aacute; fugiu, ou j&aacute; dispensou a droga, j&aacute; sumiu com o contrabando, ou com qualquer outro tipo de produto do crime.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; A gente v&ecirc; mesmo como leigo, at&eacute; por filme e leituras, por exemplo, que a pol&iacute;cia americana trabalha em conjunto com a Justi&ccedil;a, isto em tese, n&atilde;o sei se funciona isso na pr&aacute;tica. Essa morosidade brasileira facilita o delito?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &ndash; Com certeza. A dificuldade em <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> mais agilidade em <st2:hm>conseguir<\/st2:hm> os mandados de busca, os mandados de pris&otilde;es, isso acaba acarretando uma dificuldade para a Pol&iacute;cia <st2:hm>agir<\/st2:hm>, embora a gente tenha todo e qualquer delito em flagrante, a pol&iacute;cia pode j&aacute; <st2:hdm>prender<\/st2:hdm>. Mas para <st2:hm>ingressar<\/st2:hm> em habita&ccedil;&atilde;o geralmente tem que <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> esse cuidado para <st2:hdm>evitar<\/st2:hdm> <st2:hm>incorrer<\/st2:hm> em abuso de autoridade. Porque se tem quase certeza que tem um produto de crime dentro de uma resid&ecirc;ncia e por <st3:sinonimos>infelicidade<\/st3:sinonimos> for um policial l&aacute; sem o mandado de busca, que &eacute; flagrante, que &eacute; um crime permanente, por exemplo, t&aacute; uma droga l&aacute; dentro e n&oacute;s n&atilde;o conseguirmos encontr&aacute;-la, n&oacute;s estaremos cometendo um abuso de autoridade, invas&atilde;o de domic&iacute;lio. Ent&atilde;o &eacute; por isso que sempre tem que se <st2:hm>precaver<\/st2:hm> em <st2:hm>ir<\/st2:hm> <st3:sinonimos>munido<\/st3:sinonimos> de mandado de busca. Agora, n&oacute;s, a Pol&iacute;cia, ela faz o levantamento dos fatos, identifica os autores e indicia os autores, ouve testemunhas, faz os laudos periciais, relata o inqu&eacute;rito, encaminha &agrave; Justi&ccedil;a; que por sua vez leva ao conhecimento do procurador, que faz a den&uacute;ncia ou pede outras dilig&ecirc;ncias, ou pede o arquivamento daquele inqu&eacute;rito. Ele fazendo a den&uacute;ncia e o juiz aceitando, transforma-se em processo, da&iacute; em diante &eacute; um processo j&aacute; formado, &eacute; um processo judicial, que vai <st2:hm>correr<\/st2:hm> na Justi&ccedil;a. E aquelas provas que foram trazidas para os autos laudo inqu&eacute;rito, elas t&ecirc;m que <st2:hm>ser<\/st2:hm> convalidadas. As testemunhas v&atilde;o <st2:hm>ser<\/st2:hm> reinquiridas, exceto o laudo, porque n&atilde;o precisa <st2:hm>ser<\/st2:hm> feito novo laudo, ele tem validade, porque ele &eacute; totalmente. Porque o inqu&eacute;rito &eacute; uma pe&ccedil;a informativa, como dizem os juristas, mas na verdade, ele &eacute; a prova, a base da den&uacute;ncia do procurador, &eacute; a base do processo. Sem o inqu&eacute;rito n&atilde;o tem as pe&ccedil;as levantadas, n&atilde;o tem os elementos subjetivos e objetivos do crime. Ent&atilde;o n&oacute;s, atrav&eacute;s do inqu&eacute;rito, n&oacute;s montamos todos os detalhes, quando, como, onde e por quem cometido esse crime.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Entrando nesse tema que seria uma pol&ecirc;mica atual, ent&atilde;o o senhor seria a favor da manuten&ccedil;&atilde;o do inqu&eacute;rito?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &ndash; Sim, a manuten&ccedil;&atilde;o do inqu&eacute;rito &eacute; primordial. Sem o inqu&eacute;rito n&oacute;s vamos <st2:hm>dar<\/st2:hm> mais margem para o bandido <st2:hm>atuar<\/st2:hm> livremente. Porque hoje, com o inqu&eacute;rito, ele vai <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> que <st2:hm>vir<\/st2:hm> na pol&iacute;cia, ele vai <st2:hm>ser<\/st2:hm> identificado criminalmente, n&oacute;s vamos <st2:hm>ficar<\/st2:hm> com todos os dados dele no prontu&aacute;rio criminal, que fica no Instituto Nacional de Identifica&ccedil;&atilde;o aqui em Bras&iacute;lia, centralizado. Conforme o caso as impress&otilde;es digitais v&atilde;o <st2:hm>ser<\/st2:hm> coletadas tamb&eacute;m, qualquer d&uacute;vida na identidade dele ou se ele n&atilde;o tiver identidade n&oacute;s vamos <st2:hm>coletar<\/st2:hm>, embora ele j&aacute; tenha dito que tenha sido identificado civilmente. Porque a <st2:hm>partir<\/st2:hm> da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 tamb&eacute;m todo aquele que tem identidade, que foi identificado civilmente, n&atilde;o &eacute; mais como se dizia antigamente, &ldquo;<st2:hm>tocar<\/st2:hm> piano&rdquo;. Porque antes, at&eacute; 1988 todo o cidad&atilde;o que fosse indiciado em inqu&eacute;rito, ele tinha que <st2:hm>coletar<\/st2:hm> as impress&otilde;es digitais dos 10 dedos, isso vinha tamb&eacute;m para o prontu&aacute;rio. Hoje a Pol&iacute;cia Federal est&aacute; adquirindo um sistema de identifica&ccedil;&atilde;o criminal, com o sistema novo todos os prontu&aacute;rios, onde todas as impress&otilde;es datilosc&oacute;picas ser&atilde;o jogados para dentro do sistema e ele vai depois <st2:hm>processar<\/st2:hm> milh&otilde;es de algoritmos e vai <st2:hm>dizer<\/st2:hm> quem &eacute; quem. Se n&oacute;s pegarmos num local de crime, um fragmento, uma impress&atilde;o digital, n&oacute;s vamos <st2:hm>recolher<\/st2:hm>, <st2:hm>jogar<\/st2:hm> para dentro do sistema, ele vai <st2:hm>processar<\/st2:hm> e ele vai <st2:hm>dizer<\/st2:hm> se a pessoa j&aacute; foi indiciada na Pol&iacute;cia Federal ou n&atilde;o. Ou, depois, quando estiver tudo interligado na Pol&iacute;cia Civil, pela Secretaria de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica, ele vai <st2:hm>dizer<\/st2:hm> que aquele fragmento, aquela impress&atilde;o digital &eacute; de tal pessoa. &Eacute;, a&iacute; n&oacute;s temos condi&ccedil;&otilde;es de com certeza <st2:hm>afirmar<\/st2:hm>. Hoje isso &eacute; feito manualmente, a olho, com lupa, a pessoa vai <st2:hm>fazer<\/st2:hm> a classifica&ccedil;&atilde;o, pois cada dedo tem um tipo de impress&atilde;o, pela impress&otilde;es, pelo sistema de classifica&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o tem uma classifica&ccedil;&atilde;o e em cima daquela classifica&ccedil;&atilde;o ele vai <st2:hm>ser<\/st2:hm> arquivado. Mas a&iacute; a pessoa tem que manualmente, quando se pega um suspeito se colhem as impress&otilde;es eles v&atilde;o <st2:hm>classificar<\/st2:hm>, depois v&atilde;o nos fich&aacute;rios <st2:hm>fazer<\/st2:hm> manualmente, e isso &eacute; muito demorado e at&eacute; pass&iacute;vel de erro, &agrave;s vezes.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Deixa eu <st2:hm>retornar<\/st2:hm> a uma coisa da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 que &eacute; a manuten&ccedil;&atilde;o das fronteiras. Em rela&ccedil;&atilde;o ao controle das fronteiras, o Departamento, ou mesmo o senhor &eacute; a favor da cria&ccedil;&atilde;o de uma Guarda Fardada dentro do Departamento. Ou de um &oacute;rg&atilde;o novo, como o senhor v&ecirc; essa proposta?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &ndash; N&oacute;s tivemos, inclusive foi antes, no final do governo Fernando Henrique Cardoso, n&oacute;s propusemos, a Pol&iacute;cia Federal prop&ocirc;s a cria&ccedil;&atilde;o de uma Pol&iacute;cia Fardada. Ent&atilde;o, um segmento fardado da Pol&iacute;cia Federal, nem era fardado, era uniformizado, &eacute; um segmento uniformizado da Pol&iacute;cia Federal. Seria um concurso com o n&iacute;vel m&eacute;dio de escolaridade, que hoje para ingresso na Pol&iacute;cia Federal, todos eles tem de <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> n&iacute;vel superior. Para agente, o escriv&atilde;o, papiloscopistas que &eacute; um n&iacute;vel intermedi&aacute;rio dentro da Pol&iacute;cia Federal, ele tem que <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> n&iacute;vel superior, eles exigiram <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> 3&ordm; grau completo. E para esse segmento fardado teria que <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> apenas o 2&ordm; grau. Ent&atilde;o n&oacute;s ter&iacute;amos um pessoal a mais para <st2:hm>trabalhar<\/st2:hm> direto, inclusive sendo subordinado at&eacute; ao agente. Que podendo, ele seria um coordenador da opera&ccedil;&atilde;o no local onde estaria. E n&oacute;s ter&iacute;amos uma equipe muito maior e uniformizada, se identificaria os policiais nas fronteiras, nos portos, nos aeroportos, e seria um trabalho at&eacute; mais bra&ccedil;al praticado por esse servidor.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Essa Guarda seria subordinada ao Departamento?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &ndash; Sim. N&atilde;o seria Guarda. Quando esta exposi&ccedil;&atilde;o de motivos foi para o ministro e o ministro mandou para o Congresso &eacute; que eles trocaram, botaram &ldquo;guarda fardada&rdquo;. Foi aprovada essa Medida Provis&oacute;ria n&uacute;mero 51 no ano passado e depois foi rejeitada pelo novo governo, foi arquivada essa Medida Provis&oacute;ria, essa Medida acabou. A&iacute; que foram criados agora os cargos de administrativos, que foi <st3:sinonimos>permitido<\/st3:sinonimos> a contrata&ccedil;&atilde;o por concurso de 1.500 t&eacute;cnicos administrativos de n&iacute;vel m&eacute;dio e vai <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> tamb&eacute;m n&iacute;vel superior. Isso para <st2:hm>ser<\/st2:hm> um quadro <st2:hdm>auxiliar<\/st2:hdm> da Pol&iacute;cia Federal para <st2:hdm>auxiliar<\/st2:hdm> nos trabalhos.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Uma pergunta sobre a fronteira e interven&ccedil;&atilde;o federal. O senhor e\/ou o Departamento, n&atilde;o sei como o senhor responderia. O objetivo meu seria a opini&atilde;o pessoal, mas vale a do Departamento. A proposta anterior do general Cardoso, de <st2:hm>criar<\/st2:hm> para uma Guarda Nacional, qual &eacute; a posi&ccedil;&atilde;o do Departamento?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &ndash; &Eacute;, a Guarda Nacional, a&iacute; eu n&atilde;o tenho nada o que <st2:hdm>opinar<\/st2:hdm>, isso a&iacute; j&aacute; &eacute; uma quest&atilde;o de governo, a Guarda Nacional. Agora, o que eu falo &eacute; a quest&atilde;o do segmento fardado da Pol&iacute;cia Federal, que eles colocaram depois &ldquo;guarda fardada&rdquo;, mas n&atilde;o &eacute; isso a&iacute;. Seria um segmento fardado, de policiais federais, da Pol&iacute;cia Federal s&oacute; que um segmento fardado. Para <st2:hm>cuidar<\/st2:hm> das fronteiras, portos e aeroportos, ficando melhor identificados e inclusive podendo <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> um trabalho mais bra&ccedil;al, mais direto, podendo <st2:hm>fazer<\/st2:hm> inspe&ccedil;&atilde;o em bagagem, inspe&ccedil;&atilde;o em ve&iacute;culos, <st2:hdm>subir<\/st2:hdm> em caminh&atilde;o, <st2:hm>olhar<\/st2:hm> nas fronteiras o que &eacute; que ta tendo. Ent&atilde;o seria esse pessoal para <st2:hdm>atender<\/st2:hdm>. Mas infelizmente n&atilde;o foi avante isso a&iacute;. Saiu como medida provis&oacute;ria e depois com o novo governo mandou <st2:hm>arquivar<\/st2:hm> isso a&iacute;. Agora, a Guarda Nacional &eacute; um vai-e-vem. Esses coment&aacute;rios, essas sugest&otilde;es de <st2:hm>criar<\/st2:hm> e n&atilde;o <st2:hm>criar<\/st2:hm>. Isso a&iacute; te que <st2:hm>ser<\/st2:hm> muito bem pensado porque isso a&iacute; seria uma for&ccedil;a, eu entendo que quase que meio paralela da Pol&iacute;cia Federal. A Pol&iacute;cia Federal j&aacute; &eacute; nacional, ela atua em qualquer parte do Brasil. E uma Guarda Nacional s&oacute; seria um segmento fardado tamb&eacute;m. Ent&atilde;o eu acho que se deveria <st2:hm>dar<\/st2:hm> mais condi&ccedil;&otilde;es para a Pol&iacute;cia Federal, <st2:hm>aumentar<\/st2:hm> substancialmente o efetivo da Pol&iacute;cia Federal, que n&oacute;s atender&iacute;amos &agrave;s atribui&ccedil;&otilde;es que est&atilde;o na Constitui&ccedil;&atilde;o, que competem &agrave; Pol&iacute;cia Federal sem problemas.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Por exemplo, numa interven&ccedil;&atilde;o federal como a do Esp&iacute;rito Santo que n&atilde;o houve, caberia ao Departamento tamb&eacute;m <st2:hm>fazer<\/st2:hm> uma ocupa&ccedil;&atilde;o ostensiva do estado, j&aacute; que todo o comando da PM de l&aacute; estava sob suspeita?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &ndash; Se o governo federal&#8230;.foi feito um conv&ecirc;nio l&aacute;, inclusive. A Pol&iacute;cia Federal est&aacute; atuando l&aacute;, inclusive fazendo um trabalho que at&eacute; &eacute; da compet&ecirc;ncia da pol&iacute;cia estadual por for&ccedil;a de um conv&ecirc;nio entre o governador e o ministro da Justi&ccedil;a. Agora, l&aacute; no Rio de Janeiro n&atilde;o, &eacute;, no Rio de Janeiro &eacute; atua&ccedil;&atilde;o &uacute;nica e exclusivamente da Pol&iacute;cia Federal diretamente trabalhando nas suas atribui&ccedil;&otilde;es, ela n&atilde;o vai <st2:hm>fazer<\/st2:hm> nenhuma atividade que seja da compet&ecirc;ncia da pol&iacute;cia estadual, tanto a <st2:hm>militar<\/st2:hm> quanto a civil. N&oacute;s estamos l&aacute; fazendo o que &eacute; da compet&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Federal, o que est&aacute; na Constitui&ccedil;&atilde;o: <st2:hm>combater<\/st2:hm> o crime organizado, <st2:hm>combater<\/st2:hm> o tr&aacute;fico de entorpecentes, <st2:hm>combater<\/st2:hm> o contrabando, <st2:hm>combater<\/st2:hm> a <st3:sinonimos>sonega&ccedil;&atilde;o<\/st3:sinonimos> fiscal, <st2:hm>combater<\/st2:hm> a lavagem de dinheiro, o tr&aacute;fico de armas. Isso &eacute; o que est&aacute; sendo feito no Rio de Janeiro, por isso n&atilde;o precisa conv&ecirc;nio nem nada. N&oacute;s estamos dentro de nossa atribui&ccedil;&atilde;o. J&aacute; l&aacute; no Esp&iacute;rito Santo n&atilde;o houve uma interven&ccedil;&atilde;o, que foi pedida mas n&atilde;o houve, houve um conv&ecirc;nio. E a Pol&iacute;cia Federal foi l&aacute; <st2:hdm>auxiliar<\/st2:hdm> o estado a <st2:hm>combater<\/st2:hm> o crime organizado. Inclusive fazendo opera&ccedil;&otilde;es, que teve l&aacute;, que era tudo compet&ecirc;ncia da pol&iacute;cia estadual. Por esse motivo foi feito um conv&ecirc;nio.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Doutor o que chega para n&oacute;s como leigo, atrav&eacute;s da m&iacute;dia mesmo &eacute; que a PF teria um n&iacute;vel de enfrentamento maior com o crime organizado. Ou seja, quase que a PF enfrentaria mesmo o crime organizado e as pol&iacute;cias estaduais enfrentariam quadrilhas e bandos. Para <st2:hdm>enfrentar<\/st2:hdm> uma organiza&ccedil;&atilde;o criminosa hoje no pa&iacute;s a gente normalmente esbarra em lavagem de dinheiro, correto? Isso eu acho que &eacute; quase inevit&aacute;vel. Daria para <st2:hm>colocar<\/st2:hm> que parte da elite financeira do pa&iacute;s, parte da elite empresarial do pa&iacute;s, estaria envolvida com esse tipo de atividade, seria parte sob suspeita?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &ndash; Olha, eu n&atilde;o posso <st2:hm>dizer<\/st2:hm> isso a&iacute;, eu n&atilde;o tenho elementos para te <st2:hm>afirmar<\/st2:hm> isso a&iacute;. Agora, a lavagem de dinheiro, a <st3:sinonimos>sonega&ccedil;&atilde;o<\/st3:sinonimos> fiscal e a evas&atilde;o de divisa s&atilde;o grandes. Isso est&aacute; provado que nos &uacute;ltimos levantamentos, inclusive o caso do Banestado &eacute; uma prova, mais de 30 bilh&otilde;es de reais que sa&iacute;ram dos cofres do Brasil via l&aacute; inclusive Foz do Igua&ccedil;u. Mas o que acontece &eacute; que o crime s&oacute; cresce porque existe um expressivo abastecimento de recursos. Ent&atilde;o, n&oacute;s temos como exemplo a aquisi&ccedil;&atilde;o de armamento pesado pelas quadrilhas, porque eles t&ecirc;m recursos, eles contrabandeiam armas, porque eles t&ecirc;m maneira de <st2:hm>adquirir<\/st2:hm> isso facilmente, de <st2:hm>trazer<\/st2:hm>, <st2:hm>transportar<\/st2:hm>. E, da onde que vem este dinheiro? Do roubo de cargas, que agora a Pol&iacute;cia Federal criou uma Delegacia Especializada em Combates aos Crimes Patrimoniais. Ent&atilde;o, roubo de carga interestadual praticada por quadrilha ou bando &eacute; tamb&eacute;m de compet&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Federal. Ent&atilde;o, o que acontece, atrav&eacute;s desses crimes &eacute; que eles abastecem com recursos, porque hoje todas as empresas t&ecirc;m seguro das cargas, dos caminh&otilde;es. Ent&atilde;o dificilmente &eacute; divulgado, &eacute; <st3:sinonimos>combatido<\/st3:sinonimos> com mais efici&ecirc;ncia, mais efic&aacute;cia esse roubo. Porque muitos nem v&atilde;o na pol&iacute;cia se queixar, v&atilde;o l&aacute; <st2:hdm>pedir<\/st2:hdm> e <st2:hm>apelar<\/st2:hm> para <st2:hm>descobrir<\/st2:hm>. Eles s&oacute; fazem o registro para fins de <st2:hdm>receber<\/st2:hdm> o seguro. O seguro &eacute; nas nuvens o valor do seguro, porque as seguradoras est&atilde;o pagando fortunas em seguro devido a grandes roubos. Carga de medicamentos, carga de material de inform&aacute;tica. Isso a&iacute; depois os assaltantes conseguem <st2:hm>repassar<\/st2:hm> isso a&iacute; para grandes redes o furto, o roubo, esse produto do crime. Ent&atilde;o, o que acontece? Isso produz recurso, produz dinheiro, &eacute; uma forma de financiamento ao crime. As quadrilhas querem <st2:hm>parar<\/st2:hm> de <st2:hm>assaltar<\/st2:hm> banco, mas t&atilde;o roubando carga. Ent&atilde;o, at&eacute; diminuiu o n&uacute;mero de assaltos a bancos, hoje &eacute; o crime de tr&aacute;fico de drogas, que est&aacute; muito grande, e a <st3:sinonimos>sonega&ccedil;&atilde;o<\/st3:sinonimos> fiscal. Ent&atilde;o agora come&ccedil;ou a <st2:hm>aparecer<\/st2:hm> a ponta do iceberg, em muitos casos a&iacute; a Pol&iacute;cia Federal desvendou, levantou, de evas&atilde;o de divisa, de lavagem de dinheiro.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Um exemplo poderia <st2:hm>ser<\/st2:hm> Banestado?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &ndash; Um &eacute; o Banestado. Come&ccedil;ou tudo com aquele famoso esquema PC, n&eacute;, naquele neg&oacute;cio &eacute; que come&ccedil;ou a <st2:hm>aparecer<\/st2:hm>. E onde a Pol&iacute;cia Federal come&ccedil;ou a se <st2:hdm>estruturar<\/st2:hdm>.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; O <st2:hm>titular<\/st2:hm> do inqu&eacute;rito foi o atual D-G n&eacute;, o delegado Paulo Lacerda?<span style=\"mso-tab-count: 1\"> <\/span><\/p>\n<p>ALCIOMAR &#8211; &Eacute;, ele foi que come&ccedil;ou, quando deu in&iacute;cio a uma Divis&atilde;o de Combate ao Crime Organizado e Inqu&eacute;ritos Especiais, antiga DECOI. E ele foi o precursor, foi o que chefiou essa Divis&atilde;o, e foi o que presidiu o inqu&eacute;rito PC. Depois foram v&aacute;rios outros inqu&eacute;ritos desmembrados daquele ali.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Mas a pergunta que eu lhe fa&ccedil;o como leigo &eacute;. Se voc&ecirc;s apuram, chegam t&atilde;o perto e por que nunca prende ou quase nunca pega?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &ndash; Olha, o que acontece, geralmente o crime do colarinho branco &eacute; praticado por quem tem dinheiro. O pessoal que est&aacute; sonegando, tem dinheiro. Tendo dinheiro, entra em todas as brechas da lei, em todos os recursos que a lei permite ele entra. Ele contrata as melhores bancas de advogados, eles impetram tudo o que &eacute; recurso, agravo de tudo o que &eacute; maneira e que at&eacute; <st2:hm>ser<\/st2:hm> definitivamente combinado ou absolvido, demanda muito tempo. Por exemplo, no caso do Lalau (obs. nossa, juiz do TRT de S&atilde;o Paulo, Nicolau dos Santos Neves) foram muitas idas e vindas e agora est&aacute; em liberdade, em pris&atilde;o <st2:hm>domiciliar<\/st2:hm>, praticamente em liberdade. Ta em pris&atilde;o <st2:hm>domiciliar<\/st2:hm>, est&aacute; em casa. Ent&atilde;o s&atilde;o idas e vindas porque tem como <st2:hm>entrar<\/st2:hm> com recurso, tem como <st2:hm>pagar<\/st2:hm> advogado e o advogado realmente vai <st2:hdm>procurar<\/st2:hdm> na lei tudo o que &eacute; maneira de <st2:hm>poder<\/st2:hm> <st2:hm>defender<\/st2:hm> seu cliente. J&aacute; uma pessoa, um pobre que n&atilde;o tem recurso, n&atilde;o tem como <st2:hm>contratar<\/st2:hm> um advogado ou contrata um advogado, que est&aacute; come&ccedil;ando em carreira ou que n&atilde;o &eacute; expressivo no meio jur&iacute;dico, at&eacute; isso pesa. Se pega um advogado de renome, isso pesa, quando a Justi&ccedil;a vai <st2:hm>julgar<\/st2:hm>, porque o cara tem cacife, o cara tem defendido grandes empres&aacute;rios, grandes pessoas e que t&ecirc;m &agrave;s vezes teses que ele defende que t&ecirc;m inclusive jurisprud&ecirc;ncia afirmada, &agrave;s vezes em cima. Ent&atilde;o ele consegue <st2:hm>fazer<\/st2:hm> a sua tese.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; O que eu lhe pergunto &eacute; quase no senso de justi&ccedil;a. Vou lhe <st2:hm>dar<\/st2:hm> um exemplo, eu n&atilde;o sou de Bras&iacute;lia, estou vindo aqui pela segunda vez. <st3:sinonimos>Confesso<\/st3:sinonimos> que tomei um susto, porque caminhando pelas ruas, de cada tr&ecirc;s obras uma pertence ao Grupo Paulo Ot&aacute;vio outra do Grupo OK. Dois alvos de CPI e indiciados e investigados pela Pol&iacute;cia Federal. D&atilde;o d&aacute; uma sensa&ccedil;&atilde;o de impunidade?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &ndash; S&atilde;o grandes empres&aacute;rios, com <st2:hm>poder<\/st2:hm> <st3:sinonimos>financeiro<\/st3:sinonimos> grande, com influ&ecirc;ncia na comunidade. Agora, existem realmente apura&ccedil;&otilde;es, e a Pol&iacute;cia Federal faz sua parte, faz o inqu&eacute;rito, foram feitos inqu&eacute;ritos, que foi feito desses empres&aacute;rios e foi para a Justi&ccedil;a. At&eacute; o ex-senador Lu&iacute;s Estev&atilde;o que &eacute; do Grupo O K j&aacute; foi preso pela Pol&iacute;cia Federal. Mas &eacute; o Judici&aacute;rio que, tamb&eacute;m eles n&atilde;o t&atilde;o fazendo nada arbitr&aacute;rio. Eles usam e t&ecirc;m que <st2:hm>cumprir<\/st2:hm> a lei tamb&eacute;m. Ent&atilde;o, se os advogados impetram mandato de seguran&ccedil;a, impetram habeas corpus, recursos, agravos, tudo o que existe na lei que permite, eles est&atilde;o tomando todos os rem&eacute;dios jur&iacute;dicos. Ent&atilde;o, obviamente que a Justi&ccedil;a tem que <st2:hm>ser<\/st2:hm> pautada pela lei, n&atilde;o pode <st2:hdm>fugir<\/st2:hdm> da lei. Ent&atilde;o, obviamente que d&aacute; a sensa&ccedil;&atilde;o de impunidade, e a morosidade com que se chega o processo. Por isso que d&aacute; a sensa&ccedil;&atilde;o de impunidade, porque leva tanto tempo para depois <st2:hm>ser<\/st2:hm> condenado anos e anos depois, o cara j&aacute; est&aacute; com mais de 70 anos de idade, tem privil&eacute;gios, ou morreu. O que aconteceu? O cara n&atilde;o foi punido, como foi o caso do PC. O PC n&atilde;o chegou a <st2:hm>ser<\/st2:hm> preso, ficou s&oacute; um pequeno per&iacute;odo como preventiva, mas condenado, pena ele n&atilde;o cumpriu, e isso d&aacute; uma sensa&ccedil;&atilde;o de impunidade. O Lalau mesmo, ele ficou um tempo a&iacute; e agora j&aacute; est&aacute; com uma pris&atilde;o <st2:hm>domiciliar<\/st2:hm>. Quanto tempo ficou a&iacute; dando entrevista e passeando, e carr&otilde;es, e apartamentos, e a Justi&ccedil;a quanto tempo levou para <st2:hm>conseguir<\/st2:hm> <st2:hm>chegar<\/st2:hm> depois no final do processo, n&atilde;o &eacute;?<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Citando o caso do juiz Nicolau, eu gostaria de lhe <st2:hm>fazer<\/st2:hm> uma pergunta. Era p&uacute;blico e not&oacute;rio que ele havia sido nos anos &rsquo;70 um dos financiadores da OBAN, da Opera&ccedil;&atilde;o Bandeirantes em S&atilde;o Paulo. Esse c&iacute;rculo de influ&ecirc;ncia desse tipo de gente n&atilde;o esbarra em outra comunidade de intelig&ecirc;ncia que ainda est&aacute; atuando? Vou lhe <st2:hm>dar<\/st2:hm> um exemplo num&eacute;rico que n&oacute;s como leigos, temos. L&aacute; na ABIN, 2000 efetivos continuam e que foram do antigo Servi&ccedil;o, n&atilde;o &eacute;? &Eacute; e foram feitas apenas 80 vagas para concursos de fora ap&oacute;s a democracia. apenas. Isto n&atilde;o esbarra em outro tipo de comunidade de intelig&ecirc;ncia que seria concorrente ou disputa o mesmo espa&ccedil;o?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &#8211; N&atilde;o porque a ABIN &eacute; uma ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia do governo federal, ele abastece o presidente da Rep&uacute;blica com informa&ccedil;&otilde;es de interesse do presidente da Rep&uacute;blica. Conforme o governo, muda o tipo de interesse das informa&ccedil;&otilde;es que ele precisa, que ele quer, que ele necessita. Ele tem que <st2:hm>estar<\/st2:hm> sendo informado do que est&aacute; acontecendo para ele <st2:hdm>tomar<\/st2:hdm> medidas que antecedam algum caos ou algum problema. Ele tem que <st2:hm>saber<\/st2:hm> de todas as &aacute;reas, e eles s&atilde;o analistas experientes, que trabalham h&aacute; anos no Servi&ccedil;o Nacional de Informa&ccedil;&otilde;es, antigo SNI, depois na SAE e hoje na ABIN. E foi feito concurso para <st2:hm>repor<\/st2:hm> alguns quadros, realmente eles alegam que tem defasagem, mas eles atendem exclusivamente a Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. Ent&atilde;o sobre toda e qualquer atividade do pa&iacute;s eles t&ecirc;m que <st2:hm>estar<\/st2:hm> inteirados, t&ecirc;m que <st2:hm>estar<\/st2:hm> acompanhando e informando em tempo h&aacute;bil a Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica e o Gabinete de Seguran&ccedil;a Institucional, n&eacute;, Eles t&ecirc;m que <st2:hm>estar<\/st2:hm> abastecendo de informa&ccedil;&otilde;es. J&aacute; a Pol&iacute;cia, por exemplo, n&oacute;s temos nosso servi&ccedil;o de intelig&ecirc;ncia mas ele est&aacute; voltado para o crime, para a corrup&ccedil;&atilde;o, para o desvio de conduta.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Essa pergunta que eu lhe fa&ccedil;o, n&atilde;o esbarraria num jogo de interesses de gente que ocupa posi&ccedil;&otilde;es de <st2:hm>poder<\/st2:hm> hoje fundamentais?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &ndash; Eu acho que n&atilde;o porque as institui&ccedil;&otilde;es elas n&atilde;o podem <st2:hm>ser<\/st2:hm> partid&aacute;rias, elas n&atilde;o s&atilde;o de cores partid&aacute;rias, e nem por governo. Ela &eacute; um &oacute;rg&atilde;o de Estado, &eacute; uma unidade, &eacute; uma institui&ccedil;&atilde;o do Estado. A Pol&iacute;cia Federal ela est&aacute; acima, trocou um partido, trocou o governo, ela continua fazendo seu servi&ccedil;o independente, antes era o Fernando Henrique hoje &eacute; o Lula. Antes era o PSDB agora &eacute; o PT. N&atilde;o importa, a Pol&iacute;cia Federal est&aacute; acima disso a&iacute;, a Pol&iacute;cia Federal foi institu&iacute;da para <st2:hdm>proteger<\/st2:hdm> a sociedade, para <st2:hm>combater<\/st2:hm> o crime. Ent&atilde;o, &eacute; isso que ela faz. Ela est&aacute; atr&aacute;s do crime, do criminoso, n&atilde;o &eacute; pol&iacute;cia do governo, ela n&atilde;o &eacute; uma pol&iacute;cia do Presidente da Rep&uacute;blica. N&oacute;s estamos a servi&ccedil;o do presidente, n&oacute;s estamos a servi&ccedil;o da sociedade, do pa&iacute;s, do Estado, na&ccedil;&atilde;o brasileira.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Uma pergunta mais de ordem t&eacute;cnica: hoje para <st2:hm>dar<\/st2:hm> resposta &agrave; tecnifica&ccedil;&atilde;o do crime organizado como organiza&ccedil;&atilde;o criminosa, que tem hierarquia, que funciona como uma empresa, por vezes como uma transnacional, o que o senhor como t&eacute;cnico orientaria, qual seria a primeira medida para <st2:hm>apurar<\/st2:hm> e <st2:hm>dar<\/st2:hm> esse combate ao crime organizado?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &ndash; &Eacute; o trabalho de intelig&ecirc;ncia que est&aacute; sendo feito, &eacute; isso a&iacute;, &eacute; um trabalho de intelig&ecirc;ncia. N&atilde;o adianta <st2:hm>chegar<\/st2:hm>, ningu&eacute;m tem bola de cristal para <st2:hm>chegar<\/st2:hm> no lugar e <st2:hm>saber<\/st2:hm> quem &eacute; criminoso e quem n&atilde;o &eacute; criminoso, se tem quadrilha, se n&atilde;o tem quadrilha e quem s&atilde;o os componentes da quadrilha, n&atilde;o se tem isso a&iacute;. &Eacute; atrav&eacute;s de um trabalho de intelig&ecirc;ncia que demanda tempo e recurso. E isso realmente demanda muito recurso e muito tempo. N&atilde;o &eacute; do dia para a noite que se vai <st2:hm>conseguir<\/st2:hm> <st2:hdm>levantar<\/st2:hdm> toda uma quadrilha. &Eacute; que n&atilde;o adianta tamb&eacute;m <st2:hm>come&ccedil;ar<\/st2:hm> a <st2:hm>pegar<\/st2:hm> alguns dados e <st2:hm>come&ccedil;ar<\/st2:hm> a <st2:hdm>estourar<\/st2:hdm>, porque tamb&eacute;m n&atilde;o vai <st2:hdm>adiantar<\/st2:hdm> nada, tu n&atilde;o vai <st2:hm>conseguir<\/st2:hm> <st2:hdm>desmantelar<\/st2:hdm> a quadrilha. Tu tem que <st2:hm>aprender<\/st2:hm> a <st2:hm>apreender<\/st2:hm> o produto do crime e <st2:hdm>prender<\/st2:hdm> os criminosos. N&atilde;o adianta s&oacute; <st2:hdm>prender<\/st2:hdm> alguns, n&atilde;o adianta, tem que <st2:hdm>quebrar<\/st2:hdm> eles financeiramente tamb&eacute;m.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; E quando o produto &eacute; uma moeda virtual, que &eacute; a moeda digitalizada. No caso da moeda virtual, que &eacute; uma moeda vinculada &agrave; lavagem de dinheiro, implicaria, por exemplo, em <st2:hdm>praticar<\/st2:hdm> intelig&ecirc;ncia financeira?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &ndash; Tamb&eacute;m, a&iacute; tem o COAF, que &eacute; um &oacute;rg&atilde;o do governo, pertencente ao Minist&eacute;rio da Fazenda, que faz todo um levantamento de crimes de lavagem de dinheiro. Se eles suspeitam de crime de lavagem de dinheiro, de evas&atilde;o de divisa, eles acompanham, ent&atilde;o, eles j&aacute; recebem todos os dados sigilosos do Banco Central e, sendo acima de determinado valor, eles examinam, acompanham. Inclusive depois o governo pode <st2:hm>repatriar<\/st2:hm> recursos, valores, como no caso da Georgina, al&eacute;m de outros tantos a&iacute;. Que o governo depois, &eacute; certo que &eacute; uma burocracia, mas o governo tem tentado <st2:hm>trazer<\/st2:hm> e tem trazido alguma coisa de volta ao pa&iacute;s.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Quando o senhor colocou sobre a quest&atilde;o do princ&iacute;pio de oportunidade. H&aacute; alguma obriga&ccedil;&atilde;o legal para, por exemplo, <st2:hm>fazer<\/st2:hm> uma infiltra&ccedil;&atilde;o numa empresa suspeita hoje?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &ndash; Ainda n&atilde;o. Eu n&atilde;o saberia te <st2:hm>dizer<\/st2:hm> exatamente. Foi pedido, numa ocasi&atilde;o, atrav&eacute;s de um decreto que teve mas foi vetado na &eacute;poca pelo Fernando Henrique Cardoso, infiltra&ccedil;&atilde;o de policiais em quadrilha. Me parece&#8230;como eu n&atilde;o sou dessa &aacute;rea, a minha n&atilde;o &eacute; de crime, a minha &eacute; de moderniza&ccedil;&atilde;o, planejamento, essa outra parte vinculada &agrave; log&iacute;stica, ent&atilde;o eu n&atilde;o saberia te <st2:hm>dizer<\/st2:hm> como est&aacute; isso a&iacute;, se j&aacute; foi ou n&atilde;o, mas me parece que j&aacute; estava sendo permitida a infiltra&ccedil;&atilde;o, mas me parece, teria que <st2:hdm>levantar<\/st2:hdm> essa informa&ccedil;&atilde;o com a &aacute;rea policial mesmo, com a &aacute;rea operacional, que poderia te <st2:hm>dizer<\/st2:hm> at&eacute; a quest&atilde;o da parte do crime organizado nosso. Essa do crime organizado &eacute; uma nova Diretoria foi criada, Diretoria de Combate ao Crime Organizado, onde n&oacute;s temos 3 Divis&otilde;es: uma de Repress&atilde;o aos Crimes Financeiros, uma de Repress&atilde;o aos Crimes Patrimoniais e uma de Repress&atilde;o ao Tr&aacute;fico Il&iacute;cito de Armas, especificamente para <st2:hm>agir<\/st2:hm> em todo o Brasil nesse focal, nesses pontos.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Nesse sentido, eu como leigo, eu para <st2:hm>formular<\/st2:hm> esta pergunta eu serei obrigado a <st2:hm>fazer<\/st2:hm> duas. N&atilde;o haveria a necessidade de <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> mais adido policial l&aacute; fora, como especificamente em Miami e no Paraguai, al&eacute;m de outras rotas?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &ndash; Com certeza. N&oacute;s estamos trabalhando para <st2:hm>criar<\/st2:hm> novas adid&acirc;ncias; inclusive uma no Uruguai, uma nos Estados Unidos, uma na Fran&ccedil;a, uma em Portugal, n&atilde;o lembro a outra, s&atilde;o 5 adid&acirc;ncias j&aacute; bem adiantas para serem criadas o todo&#8230; Isso nos d&aacute; realmente uma troca de informa&ccedil;&otilde;es, agiliza a troca, eles auxiliam os embaixadores l&aacute; no pa&iacute;s, os nossos adidos, e facilitam o interc&acirc;mbio de informa&ccedil;&otilde;es junto as adid&acirc;ncias policiais dos outros pa&iacute;ses, especialmente onde eles est&atilde;o ali creditados. Ent&atilde;o isso facilita muito.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; H&aacute; conv&ecirc;nio hoje com a It&aacute;lia, com a pol&iacute;cia anti-m&aacute;fia italiana, e especificamente nas pol&iacute;ticas anti-m&aacute;fia da It&aacute;lia?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &ndash; Existe troca de informa&ccedil;&otilde;es com todas as pol&iacute;cias atrav&eacute;s da Interpol, que est&aacute; em 161 pa&iacute;ses, mas existe tamb&eacute;m aquele o interc&acirc;mbio l&aacute; dos ju&iacute;zes, que v&ecirc;m <st2:hm>dar<\/st2:hm> palestras palestras para os ju&iacute;zes brasileiros.. Inclusive aquele juiz que morreu, o Falconi, tem at&eacute; um Instituto Falconi n&eacute;, que foi criado. Ent&atilde;o eles at&eacute; vieram no Brasil, deram palestra, de como <st2:hm>combater<\/st2:hm> a m&aacute;fia, como eles fizeram para <st2:hm>combater<\/st2:hm> a m&aacute;fia italiana, foi um trabalho chamado M&atilde;os Limpas, n&eacute;&#8230;<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Dr., eu queria <st2:hm>entrar<\/st2:hm> no &uacute;ltimo ponto da entrevista, que &eacute; a discuss&atilde;o de modelo. Quando o ministro M&aacute;rcio Thomaz Bastos declara, diz que gostaria <st2:hm>ver<\/st2:hm> a PF como quem v&ecirc; o FBI, eu entendo que a&iacute; se cai na discuss&atilde;o da Lei Org&acirc;nica. Na proposta da Lei Org&acirc;nica, o senhor e\/ou o Departamento, s&atilde;o a favor do cargo &uacute;nico hoje?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &ndash; Olha, eu n&atilde;o vou <st2:hm>entrar<\/st2:hm> nesse m&eacute;rito, porque &eacute; o seguinte: foi feito um trabalho por uma comiss&atilde;o, uma comiss&atilde;o institu&iacute;da com representantes das entidades de classe, com representantes de todas as categorias, delegados, peritos, agentes, escriv&atilde;o, papiloscopistas. Todos estiveram presentes, tiveram acento, e fizeram o trabalho a quatro m&atilde;os e apresentaram para o Diretor, e o Diretor que mandou para o Minist&eacute;rio. Est&aacute; l&aacute;, isso vai para o Congresso, devem <st2:hm>sofrer<\/st2:hm> feitas algumas altera&ccedil;&otilde;es, algumas discuss&otilde;es, aperfei&ccedil;oamentos e eu entendo que como est&aacute; estruturada a Pol&iacute;cia Federal, est&aacute; funcionando bem, porque n&oacute;s estamos calcados em cima da hierarquia e da disciplina. N&oacute;s temos hoje as nossas classes, os nossos cargos est&atilde;o estruturados, e isto j&aacute; vem h&aacute; muitos anos assim, desde o in&iacute;cio. E isso, eu entendo que n&oacute;s precisamos de uma Lei Org&acirc;nica para <st2:hdm>fortalecer<\/st2:hdm> ainda mais a institui&ccedil;&atilde;o, para <st2:hm>ficar<\/st2:hm> mais forte, indestrut&iacute;vel e <st2:hm>seguir<\/st2:hm> a sua carreira mesmo. E quanto &agrave; declara&ccedil;&atilde;o do ministro, que ele realmente queria <st2:hm>deixar<\/st2:hm> no padr&atilde;o do FBI, que ele cita. Mas, a Pol&iacute;cia Federal, quando foi institu&iacute;da da tamb&eacute;m, ela foi estruturada em 1964, ela foi dentro dos padr&otilde;es das pol&iacute;cias do Canad&aacute;, da Inglaterra e dos Estados Unidos. Houve esse apanhado do que tinha e foi estruturado mais ou menos dentro do que estas pol&iacute;cias tem. S&oacute; que a Pol&iacute;cia Federal &eacute; uma pol&iacute;cia que em outros pa&iacute;ses s&atilde;o v&aacute;rias pol&iacute;cias que t&ecirc;m. Aqui a Pol&iacute;cia da imigra&ccedil;&atilde;o &eacute; dentro da Pol&iacute;cia Federal, enquanto nos Estados Unidos &eacute; separado. N&oacute;s temos a intelig&ecirc;ncia dentro da Pol&iacute;cia Federal, n&oacute;s temos a Interpol dentro da Pol&iacute;cia Federal, n&oacute;s temos a entorpecentes dentro da Pol&iacute;cia Federal, os crimes financeiros dentro da Pol&iacute;cia Federal, os crimes de contrabando dentro da Pol&iacute;cia Federal, os crimes ambientais dentro da Pol&iacute;cia Federal, os crimes previdenci&aacute;rios. Todo tipos de crime, todo tipo de combate, de atividades il&iacute;citas e outras atividades de tipo administrativa, como seguran&ccedil;a privada, que controla todas as empresas de vigil&acirc;ncia, de transporte de valores, as ag&ecirc;ncias banc&aacute;rias que tem os planos de seguran&ccedil;a tudo &eacute; controlado pela Pol&iacute;cia Federal. No Brasil &eacute; tudo uma pol&iacute;cia s&oacute;. Ent&atilde;o &eacute; uma gama de atribui&ccedil;&atilde;o muito grande na Pol&iacute;cia Federal, tudo dentro de um Departamento. Ent&atilde;o &eacute; muito pequeno o nosso efetivo para <st2:hm>dar<\/st2:hm> conta disso a&iacute; e assim mesmo a gente consegue <st2:hm>fazer<\/st2:hm> um bom trabalho.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Entrando nesse m&eacute;rito, seria um dos &uacute;ltimo. A gente como observador de fora do meio, a <st2:hm>partir<\/st2:hm> da &oacute;tica da sociedade, para a maioria dos casos se v&ecirc; uma a PF como uma exclus&atilde;o no meio policial brasileiro, ou seja, a compara&ccedil;&atilde;o n&atilde;o existe. A que o senhor atribui isso?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &ndash; Eu atribuo essa grande visibilidade, esse grande dep&oacute;sito de confian&ccedil;a da sociedade brasileira faz na Pol&iacute;cia Federal devido &agrave; sua estrutura em cima da hierarquia e da disciplina. E da sua determina&ccedil;&atilde;o em n&atilde;o compactuar com desvio de conduta. A Pol&iacute;cia Federal quando descobre, como foi, to te dando um exemplo de ontem, foram 11 policiais federais, ela corta na carne, ela corta na pr&oacute;pria carne. Ela prende o cidad&atilde;o, ela instaura um processo disciplinar, ela prop&otilde;e a demiss&atilde;o porque s&oacute; quem demite &eacute; o presidente da Rep&uacute;blica, ela faz tudo para apurar o crime dando inclusive todas as garantias de defesa desses maus policiais, que assim permite a nossa Constitui&ccedil;&atilde;o e as nossas leis. Como tamb&eacute;m n&oacute;s fizemos no in&iacute;cio desse ano a Opera&ccedil;&atilde;o Sucuri l&aacute; em Foz do Igua&ccedil;u, quando se prendeu tr&ecirc;s policiais rodovi&aacute;rios, quatro t&eacute;cnicos da Receita Federal e 23 policiais federais, que trabalhavam na ponte. Todos foram presos, em flagrante, todos est&atilde;o sendo processados e inclusive a parte disciplinar est&aacute; sendo realizada. E n&atilde;o &eacute; s&oacute; a&iacute;, n&oacute;s j&aacute; prendemos delegados da Pol&iacute;cia Federal, peritos, agentes, escriv&atilde;es, n&atilde;o &eacute; s&oacute; o policial de n&iacute;vel intermedi&aacute;rio, ou o que est&aacute; na rua n&atilde;o, &eacute; qualquer um. N&oacute;s tivemos casos, muitos casos de apurar e que vem sendo apurados, n&oacute;s temos uma Corregedoria Geral muito forte e em cada Superintend&ecirc;ncia tem uma Corregedoria Estadual. E n&oacute;s temos ainda o nosso servi&ccedil;o de intelig&ecirc;ncia que trabalha em cima dos crimes, mas tamb&eacute;m dos desvios de conduta, que ela acompanha, ela sabe. Ent&atilde;o isso a&iacute; d&aacute; um poder de acompanhar pari passo as atividades policiais. Ent&atilde;o n&oacute;s podemos prender, &oacute;s somos pagos pelo Estado para defender o Estado, somos pagos pela sociedade para dar uma sociedade justa e sadia. N&oacute;s n&atilde;o podemos permitir que pessoas, porque estejam escudados numa carteira e numa arma estejam atr&aacute;s da trincheira cometendo crimes. Ent&atilde;o n&oacute;s temos que expulsar, que expurgar esses elementos realmente, n&atilde;o podemos permitir. Por isso que a credibilidade da sociedade depositada na Pol&iacute;cia Federal &eacute; grande. E n&oacute;s temos a cada dia, o ministro da Justi&ccedil;a colocando a Pol&iacute;cia Federal &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para trabalhar, ontem por exemplo colocou a Pol&iacute;cia Federal para ajudar a descobrir o assassino do diretor, os autores do assassinato do diretor de Bangu 3, que foi morto ontem. Isso n&atilde;o &eacute; compet&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Federal, &eacute; um crime comum da compet&ecirc;ncia da pol&iacute;cia estadual, mas a Pol&iacute;cia Federal colocou seu trabalho &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o. N&oacute;s estamos em opera&ccedil;&atilde;o em todos os lugares do Brasil, n&oacute;s temos opera&ccedil;&atilde;o em Pernambuco, Opera&ccedil;&atilde;o Vassourinha, foi chamada, em que fizemos pris&otilde;es de policiais nossos tamb&eacute;m l&aacute;. Fizemos opera&ccedil;&atilde;o no Esp&iacute;rito Santo, combate ao crime organizado; opera&ccedil;&atilde;o no Rio de Janeiro, contra o crime organizado, opera&ccedil;&atilde;o grilagem aqui em Bras&iacute;lia, tem at&eacute; um parlamentar, um deputado distrital preso e oito outras pessoas, inclusive um policial civil tamb&eacute;m. Ent&atilde;o, s&atilde;o opera&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o feitas com crit&eacute;rios, levantamentos, por isso &eacute; que eu digo &eacute; o trabalho de intelig&ecirc;ncia, que tem que ter, n&atilde;o pode chegar e dizer &ldquo;ah, esse cara &eacute; c&uacute;mplice, &eacute; culpado&rdquo; N&atilde;o, n&oacute;s temos que ter certeza, temos provas que foram levantadas com bastante anteced&ecirc;ncia num trabalho dif&iacute;cil, &aacute;rduo, mas que deu elementos para chegar no momento e pedir um mandado de pris&atilde;o para o juiz, pedir um mandado de busca, e realmente cumprir, e est&aacute; aqui a prova. Porque, porque a Pol&iacute;cia Federal faz isso com crit&eacute;rio, faz isso com intelig&ecirc;ncia, usando a intelig&ecirc;ncia, ent&atilde;o ela sabe quem &eacute; quem na hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Uma pergunta mais de fundo hist&oacute;rico, A PF era foi quase que imaculada no regime militar, seria porque ela atuou pouco na repress&atilde;o pol&iacute;tica?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &ndash; Ela, &eacute; porque eu sempre digo, a Pol&iacute;cia Federal n&atilde;o &eacute; uma pol&iacute;cia do governo, &eacute; uma pol&iacute;cia do Estado. Ent&atilde;o, mesmo na repress&atilde;o, ela n&atilde;o agiu, ela fazia, inclusive sobrava para n&oacute;s, quando os presos eram encaminhados para a Pol&iacute;cia Federal depois que o Ex&eacute;rcito fazia as pris&otilde;es e n&oacute;s faz&iacute;amos o inqu&eacute;rito. Ent&atilde;o a Pol&iacute;cia Federal n&atilde;o teve assim uma repress&atilde;o violenta, por esse motivo ela sempre agiu tamb&eacute;m dentro da lei, n&eacute;? Ent&atilde;o esse &eacute; o motivo que a Pol&iacute;cia Federal n&atilde;o teve essa pecha, de ter sido a Pol&iacute;cia de repress&atilde;o na &eacute;poca da subvers&atilde;o e tudo o mais. Ent&atilde;o ela saiu assim. Foi estruturada sempre dentro da carreira, e a Pol&iacute;cia Federal ela primou pelo cumprimento da lei, sempre fazendo cumprir a lei e sempre dentro das garantias individuais. At&eacute; o hino da Pol&iacute;cia Federal, ele j&aacute; reflete isso a&iacute;, num dos versos ele diz: &ldquo;defendemos os direitos humanos&rdquo;, j&aacute; desde 1964 a Pol&iacute;cia Federal j&aacute; cantava seu hino, que &eacute; executado todos os meses pela Pol&iacute;cia Federal, uma vez por m&ecirc;s, que &eacute; um dia de hasteamento da bandeira, de forma solene, se executa o hino do DPF. Ent&atilde;o &eacute; quando que n&oacute;s mostramos, que isso n&atilde;o &eacute; de agora, &eacute; desde de 1964, quando o nosso hino foi feito.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Uma &uacute;ltima pergunta, em outros depoimentos eu ouvi sempre em rela&ccedil;&atilde;o ao capital humano que a PF tem. A infra seria muito deficit&aacute;ria, pouco or&ccedil;amento, mas alto capital humano. Isso a&iacute; &eacute; devido &agrave; exig&ecirc;ncia de ensino superior?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &ndash; Especialmente a partir de 1996 quando saiu a reestrutura&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Federal, que foi exigido ent&atilde;o 3&ordm; grau completo. Ent&atilde;o, de l&aacute; para c&aacute; s&oacute; entram pessoas com terceiro grau. E n&oacute;s temos visto, assistido e participado, que eu tamb&eacute;m leciono na Academia da Pol&iacute;cia Federal, e a gente v&ecirc; tamb&eacute;m pessoas com mestrado, doutorado, profissionais liberais de todas as &aacute;reas, auditores do Tesouro Nacional, auditores do Banco Central, promotores, ju&iacute;zes estaduais, advogados, psic&oacute;logos, farmac&ecirc;uticos, bioqu&iacute;micos, engenheiros de todas as &aacute;reas, dentistas, veterin&aacute;rios, de todas as &aacute;reas profissionais n&oacute;s temos tido uma flu&ecirc;ncia muito grande, o pessoal tem vindo. Ent&atilde;o, isso a&iacute; s&oacute; tende a elevar cada vez mais o n&iacute;vel da Pol&iacute;cia Federal. Hoje o policial federal tem um curso superior e tem uma especializa&ccedil;&atilde;o, ele vai fazer um trabalho, faz um verdadeiro laudo. Ent&atilde;o n&oacute;s temos ainda os peritos, que s&atilde;o especializados s&oacute; para fornecer laudos, fazer as per&iacute;cias, examinar, que s&atilde;o as pessoas altamente especializadas. E a Pol&iacute;cia Federal est&aacute; sendo dotada das melhores condi&ccedil;&otilde;es agora com o projeto que a gente tem a&iacute; chamado Projeto Pr&oacute; Amaz&ocirc;nia Promotech, que &eacute; um projeto de 425 milh&otilde;es de d&oacute;lares, financiamento externo, exclusivamente para reaparelhar e equipar a Pol&iacute;cia Federal. Come&ccedil;amos em 2000, agora estamos no terceiro ano, e &eacute; at&eacute; 2006 que vai. Ent&atilde;o n&oacute;s estamos utilizando esses recursos exclusivamente para a Pol&iacute;cia Federal, adquirimos j&aacute; 4 helic&oacute;pteros, adquirimos 5.700 computadores, adquirimos 10 botes, adquirimos 6 carros blindados para seguran&ccedil;a de dignat&aacute;rios, para transportar autoridades internacionais, ministros, etc, que v&ecirc;m visitar ao Brasil. Tem em S&atilde;o Paulo, Rio e em Bras&iacute;lia esses ve&iacute;culos. Estamos construindo nosso Instituto Nacional de Indentifica&ccedil;&atilde;o, que hoje &eacute; de 1400 metros, vai para 10 mil metros quadrados e vai ter todos os laborat&oacute;rios dos mais modernos que existem, desde DNA, de droga, bal&iacute;stica forense e tudo o mais. Ent&atilde;o n&oacute;s vamos dotar todo esse nosso Instituto no que tiver de mais moderno existe em tecnologia para fazer an&aacute;lises laboratoriais, bal&iacute;stica, meio ambiente, endocrinoscopia, tudo o que existe desde de DNA e drogas, vai ter.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; O senhor &eacute; afirmou por v&aacute;rias vezes que a fun&ccedil;&atilde;o e o funcionamento da Pol&iacute;cia Federal sendo baseada na hierarquia e na carreira. A pergunta que eu lhe fa&ccedil;o &eacute; a seguinte: quais foram os efeitos da greve de 1994, e se foi uma conquista dessa greve a exig&ecirc;ncia do ensino superior?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &ndash; Olha, eu acho que como a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 permitiu que a manifesta&ccedil;&atilde;o de opini&otilde;es, de id&eacute;ias e at&eacute; permitiu o movimento sindical, a cria&ccedil;&atilde;o de sindicatos, que as pol&iacute;cias mesmo montaram sindicato. Toda a reivindica&ccedil;&atilde;o, eu acho que &eacute; justa, desde que seja pac&iacute;fica, desde que seja ordeira, ent&atilde;o eu acho que ela &eacute; v&aacute;lida. Pois quem n&atilde;o quer melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, quem n&atilde;o quer melhorar seu sal&aacute;rio? Todo o mundo quer, qualquer um, desde a iniciativa privada, eu acho que &eacute; justa, mas tem que ser ordeira, tem que ser pac&iacute;fica, tem que ser racional, isso eu concordo. Agora, subverter a ordem e as leis, a&iacute; eu acho que n&oacute;s estamos cometendo um crime, n&atilde;o &eacute; nem a reivindica&ccedil;&atilde;o, a&iacute; j&aacute; estamos cometendo um crime. Como aconteceu ontem no Congresso l&aacute; (obs. nossa, o delegado fala das manifesta&ccedil;&otilde;es contra a Reforma da Previd&ecirc;ncia, quando no per&iacute;odo da tarde, manifestantes quebraram alguns vidros da entrada do Congresso Nacional), no momento em que as pessoas come&ccedil;am quebrar vidra&ccedil;a, j&aacute; est&atilde;o cometendo um dano a um patrim&ocirc;nio p&uacute;blico, ainda mais que &eacute; um patrim&ocirc;nio tombado, patrim&ocirc;nio da Uni&atilde;o, patrim&ocirc;nio mundial e tudo o mais. Ent&atilde;o isso a&iacute; eu acho que j&aacute; degringolou a coisa, j&aacute; acaba partindo para a esculhamba&ccedil;&atilde;o, para a anarquia. Eu acho que tem que ser tudo organizado. A Pol&iacute;cia Federal realmente, a partir daquela greve, que anos depois ali foi feito, foi equiparado, equiparado n&atilde;o, aumentado os sal&aacute;rios substancialmente dos agentes, dos escriv&atilde;es e dos papiloscopistas, e n&atilde;o tem nada a esconder, melhorou substancialmente o sal&aacute;rio deles e at&eacute; o relacionamento que existia antes. Existia um problema que o pessoal alegava que a classe dos delegados estava muito alta de sal&aacute;rio e a deles estava muito baixa. Ent&atilde;o existia aquele descontentamento. No momento que praticamente um policial, um agente no fim de carreira est&aacute; ganhando igual a um delegado em in&iacute;cio de carreira, ent&atilde;o agora eu acho que as coisas est&atilde;o bem niveladas. Ent&atilde;o eu acho que est&aacute; bom. S&atilde;o bandeiras que os sindicatos levantam e defendem, n&eacute;. Claro que n&oacute;s temos que ter bom senso, tudo tem que ser trabalhado com bom senso, com racionalidade. &Eacute; como eu digo, todo mundo quer melhorar de vida, eu acho que isso &eacute; justo.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Dr., as perguntas terminaram, teria alguma coisa que o senhor queira adicionar ou deixar em depoimento?<\/p>\n<p>ALCIOMAR &ndash; Eu acho que &eacute; interessante seu trabalho, at&eacute; a gente gostaria de depois, se tiver condi&ccedil;&otilde;es, depois que defender a disserta&ccedil;&atilde;o, de mandar uma c&oacute;pia da monografia, manda para n&oacute;s para a gente ter tamb&eacute;m aqui nossos anais aqui mostrando. E &eacute; coisa assim, tamb&eacute;m que a gente precisa desmistificar, as pessoas acham assim que a Pol&iacute;cia &eacute; uma caixa-preta e n&atilde;o &eacute;. A Pol&iacute;cia Federal n&atilde;o tem nada a esconder, n&oacute;s temos, claro, certos trabalhos que fazem parte da intelig&ecirc;ncia policial, mas POLICIAL, n&eacute;. Ent&atilde;o &eacute; um trabalho estritamente profissional, do qual n&atilde;o podemos dar conhecimento enquanto n&atilde;o estourar, ent&atilde;o depois que estourar &eacute; que se d&aacute; conhecimento, sai na televis&atilde;o, na m&iacute;dia, nos jornais, ou dar conhecimento por a&iacute; sobre a pris&atilde;o desses pr&oacute;prios policiais. Policial prendendo policial, agente prendendo agente, n&eacute;. E eu digo ali&aacute;s que esses n&atilde;o s&atilde;o nem policiais, s&atilde;o bandidos. Porque depois que est&aacute; com uma carteira e uma arma, e cometendo crimes, &eacute; mais bandido que o bandido, porque est&aacute; com informa&ccedil;&otilde;es privilegiadas. Agora, est&aacute; a&iacute; a credibilidade. O pr&oacute;prio policial vai l&aacute; combater outro policial, o que est&aacute; cometendo a coisa errada, aquele que se desviou do caminho certo. Ent&atilde;o, foi uma op&ccedil;&atilde;o que ele fez e ele vai ter que arcar com as conseq&uuml;&ecirc;ncias, e cabe &agrave; Pol&iacute;cia Federal estirpar, apurar e identificar o joio do trigo. E n&oacute;s estamos fazendo isso a&iacute;. Eu acho que a Pol&iacute;cia Federal est&aacute; de portas abertas, a sociedade precisa conhecer a Pol&iacute;cia Federal, precisa apoiar a Pol&iacute;cia Federal. A Pol&iacute;cia Federal tem feito, n&atilde;o digo s&oacute; porque eu estou dentro da casa, mas tem feito relevantes e in&uacute;meros trabalhos de interesse de toda a na&ccedil;&atilde;o. Tem feito independente de cores partid&aacute;rias, independente de seja quem for, a Pol&iacute;cia Federal tem feito &oacute;timos trabalhos. &Eacute; s&oacute; pegar a&iacute; os &uacute;ltimos anos, ver pela m&iacute;dia o que foi feito com grandes empres&aacute;rios, com pol&iacute;ticos, ju&iacute;zes, at&eacute; desembargadores a Pol&iacute;cia Federal conseguiu, atrav&eacute;s de um trabalho s&eacute;rio de investiga&ccedil;&atilde;o, apresentar at&eacute; aos tribunais gente de dentro que estava envolvidos com facilidades. Ent&atilde;o, isso acontece atrav&eacute;s de um trabalho que a Pol&iacute;cia Federal desenvolve s&eacute;rio. E a sociedade precisa apoiar. N&oacute;s precisamos ter o apoio, tendo o respaldo da sociedade, n&oacute;s poderemos trabalhar sempre em prol da sociedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(&#8230;) Pol\u00edcia Federal n\u00e3o \u00e9 uma pol\u00edcia do governo, \u00e9 uma pol\u00edcia do Estado. 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