{"id":2201,"date":"2020-01-07T21:42:17","date_gmt":"2020-01-08T00:42:17","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanaliseblog.com\/?p=2201"},"modified":"2020-01-07T21:42:17","modified_gmt":"2020-01-08T00:42:17","slug":"o-atentado-contra-o-general-soleimani-e-as-mudancas-no-cenario-do-oriente-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=2201","title":{"rendered":"O atentado contra o general Soleimani e as mudan\u00e7as no cen\u00e1rio do Oriente M\u00e9dio"},"content":{"rendered":"<p>07 de janeiro de 2020, por <em><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100002472324690\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pedro Guedes<\/a> &amp; <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/blimarocha\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Lima Rocha<\/a><\/em><\/p>\n<p>O ataque com drone realizado pelos Estados Unidos no Iraque, ocorrido no dia tr\u00eas de janeiro de 2020 incendiou o Oriente M\u00e9dio, abrindo maiores possibilidades a respeito da escalada das tens\u00f5es entre a Rep\u00fablica Isl\u00e2mica do Ir\u00e3 e os Estados Unidos da Am\u00e9rica. Isso aconteceu pelo fato de entre as v\u00edtimas do ataque, estar o tenente-general Iraniano Qassem Soleimani, chefe da Guarda Revolucion\u00e1ria do Ir\u00e3 (IRGC) e da For\u00e7a Qods (conhecida como For\u00e7a Expedicion\u00e1ria, destacamento da Guarda revolucion\u00e1ria respons\u00e1vel por opera\u00e7\u00f5es no exterior) assim como o comandante das For\u00e7as de Mobiliza\u00e7\u00e3o Popular (PMU da sigla em ingl\u00eas, al-Hashdi ash-Sha\u2019bi), Abu Mahdi al-Muhandis, uma das mais importantes mil\u00edcias iraquianas, estabelecida para garantir o recrutamento massivo inter-\u00e9tnico e inter-religioso.<\/p>\n<p>O atentado terrorista chocou os pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio pelo fato de a opera\u00e7\u00e3o ter violado uma regra n\u00e3o escrita que regia a rela\u00e7\u00e3o entre EUA e o Ir\u00e3, que membros do alto escal\u00e3o (de ambos os lados) n\u00e3o seriam alvos fora de opera\u00e7\u00f5es de combate<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Ou seja, a maneira mais \u201ceficiente\u201d de realizar esta opera\u00e7\u00e3o de assassinato seria pela utiliza\u00e7\u00e3o de for\u00e7as pr\u00f3- EUA na regi\u00e3o, ou com o uso de membros das for\u00e7as especiais. A postura dos Estados Unidos foi outra; Trump autorizou formalmente a ordem de assassinato e deixou evidente sua decis\u00e3o. Seu ato \u00e9 legalmente question\u00e1vel tamb\u00e9m nas leis da Superpot\u00eancia, o que n\u00e3o o impediu de ordenar a morte premeditada.<\/p>\n<p>Como resultado do assass\u00ednio e mart\u00edrio do tenente-general Soleimani, o Ir\u00e3 pode vira a perder consider\u00e1vel capacidade de proje\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Isso decorre do fato de que este oficial era um grande estrategista, com vit\u00f3rias acumuladas em uma carreira militar longa, que incluiu a participa\u00e7\u00e3o na Guerra Ir\u00e3-Iraque (1980\/1988), a Guerra Civil S\u00edria (2012\/ presente) e as campanhas militares contra o DAESH (Estado Isl\u00e2mico) entre 2015 e 2017<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Al\u00e9m da capacidade de combate, iniciada ainda no conflito contra o Iraque centrado na prov\u00edncia do Khuzest\u00e3o, de maioria \u00e1rabe, Soleimami se provara um habilidoso pol\u00edtico, que permitia ao Ir\u00e3 aglutinar grupos diversos \u00e0 sua \u00f3rbita de influ\u00eancia e a seguirem suas determina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Um dos principais legados deste general para a pol\u00edtica externa persa foi a constru\u00e7\u00e3o de vasta rede de mil\u00edcias e grupos armados n\u00e3o estatais alinhados aos interesses pol\u00edticos iranianos, cobrindo uma \u00e1rea que inclui do Iraque \u00e0 S\u00edria, L\u00edbano e mais recentemente, o I\u00eamen.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> O apoio \u00e0 forma\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o de grupos militares aut\u00f4nomos \u2013 de orienta\u00e7\u00e3o\u00a0 religiosa xiita, ou do xiismo ampliado &#8211;\u00a0 permitiu ao Ir\u00e3 compensar em termos assim\u00e9tricos a disparidade tecnol\u00f3gica e militar que existe entre o Estado persa e seus advers\u00e1rios diretos pela primazia no Oriente M\u00e9dio<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. S\u00e3o eles Israel, Estados Unidos e Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O eixo da resist\u00eancia e o campo de rela\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-militares\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>Essa estrat\u00e9gia foi constru\u00edda a partir da leitura que a elite pol\u00edtica iraniana fez de suas reais capacidades de proje\u00e7\u00e3o de for\u00e7a convencional para o Oriente M\u00e9dio, no in\u00edcio do S\u00e9culo XXI, mas tra\u00e7ada a partir da experi\u00eancia acumulada na vit\u00f3ria do Hezbollah sobre a as For\u00e7as de \u201cDefesa\u201d de Israel (IDF), em seu recuo da invas\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o do sul do L\u00edbano, Teer\u00e3o percebera que, j\u00e1 era acossada por pesadas san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas internacionais, teria de dar \u00eanfase na composi\u00e7\u00e3o de for\u00e7as irregulares e, ao mesmo tempo, na formaliza\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas (como no Hezbollah liban\u00eas), parcelas populacionais inteiras (a maioria xiita do Bahrain) e \u00e9tnico-tribais (no caso dos houthis iemenitas). Estas diferentes agrupa\u00e7\u00f5es possuem em comum, o pertencimento aos xiismos formais como o hegem\u00f4nico duodocemitano, ou \u00e0s vertentes ismaelitas ou zayidistas; a habilidade tamb\u00e9m inclui o xiismo expandido, como os alauitas da S\u00edria. Esta capacidade de juntar a habilidade com governos locais que por afinidade religiosa ou necessidade pol\u00edtica, apontava o Ir\u00e3 como um dos poucos poss\u00edveis parceiros pol\u00edticos, como o caso da S\u00edria &#8211; nominalmente ainda reivindicando sua origem baathista &#8211; do cl\u00e3 Assad<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p>Entre os v\u00e1rios aliados do Ir\u00e3, vale destacar tr\u00eas em especial, seja pela import\u00e2ncia adquirida por estas mil\u00edcias no Oriente M\u00e9dio nos \u00faltimos anos ou pelos consider\u00e1veis n\u00fameros e participa\u00e7\u00e3o nos conflitos que se seguiram na regi\u00e3o ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas. Eles s\u00e3o o Hezbollah liban\u00eas, o Kata\u2019ib Hezbollah (presente no Iraque e S\u00edria) e as For\u00e7as de Mobiliza\u00e7\u00e3o Popular (PMU, conjunto de mil\u00edcias xiitas e n\u00e3o xiitas iraquianas, mas hegemonizadas pelas primeiras).<\/p>\n<p>Destes o mais conhecido e bem estruturado \u00e9 o Hezbollah (o Partido de Deus), fundado em 1985 que em pouco tempo suplantou a Amal (criada em 1974) como for\u00e7a pol\u00edtico-militar do xiismo liban\u00eas. Baseado no L\u00edbano, com arraigo especial no sul do L\u00edbano e nos bairros mais pobres de Beirute e \u00e1rea metropolitana, foi uma das primeiras experi\u00eancias iranianas, com fomento e apoio na constru\u00e7\u00e3o de grupos armados n\u00e3o estatais no Oriente M\u00e9dio<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. Constru\u00eddo no caos da Guerra Civil Libanesa, na etapa de guerra dos campos e conflito \u00e9tnico multifacetado, o Hezbollah consolidou um bra\u00e7o pol\u00edtico paralelamente ao bra\u00e7o armado. Como resultado, possui consider\u00e1vel influ\u00eancia na pol\u00edtica do L\u00edbano, fazendo parte do atual governo de unidade nacional, constitu\u00eddo em 2017<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n<p>Do ponto de vista geopol\u00edtico e militar, o Hezbollah se consolidou como principal elemento armado do \u201cEixo de Resist\u00eancia\u201d frente a Israel<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. Em 2006, na Guerra do L\u00edbano, o grupo armado liban\u00eas conseguiu \u201cempatar\u201d com as IDF, o que lhe trouxe um prest\u00edgio ainda maior no Oriente M\u00e9dio<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>. Antes, em maio de 2000, a for\u00e7a pol\u00edtico-militar comandada pelo sheikh Hassan Nasrallah conquistou uma dupla vit\u00f3ria, pois com a retirada dos invasores israelenses de sua zona tamp\u00e3o do Sul do L\u00edbano, simultaneamente reunificam o pa\u00eds e desmantelam a mil\u00edcia financiada por Tel Aviv, o Ex\u00e9rcito do Sul do L\u00edbano (SLA ou Lahad Army). Desde ent\u00e3o, o Hezbollah se expandiu em n\u00famero e qualidade das for\u00e7as dispon\u00edveis para emprego<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>. Com a participa\u00e7\u00e3o na Guerra Civil S\u00edria, a mil\u00edcia libanesa lapidou o treinamento de suas for\u00e7as armadas, ainda que no processo, tenha perdido oficiais da sua alta administra\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>.<\/p>\n<p>O Hezbollah possui cerca de 40.000 efetivos treinados e especializados em fun\u00e7\u00f5es como explosivos, guerra urbana e anti-blindados<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>. Al\u00e9m de infantaria leve com muita experi\u00eancia em combate, seu maior trunfo militar \u00e9 o arsenal de m\u00edsseis convencionais e bal\u00edsticos, fruto da duradoura e pr\u00f3xima rela\u00e7\u00e3o com a Guarda Revolucion\u00e1ria Iraniana (IRGC) e que possui tamanho estimado em aproximadamente 130 mil m\u00edsseis, de diversos tamanhos <a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>.Como resultados de suas a\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia a Israel e EUA, sua rela\u00e7\u00e3o com a IRGC, o partido liban\u00eas faz parte das listas de grupos terroristas dos governos de Israel, EUA e UE. Tal caracteriza\u00e7\u00e3o \u00e9 a t\u00edpica hipocrisia dos invasores colonialistas. Agridem e denunciam os resistentes como agressores.<\/p>\n<p>A segunda forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-militar de relev\u00e2ncia \u00e9 a mil\u00edcia iraquiana Kata\u2019ib Hezbollah. Fundada em outubro de 2003 e ganhando a forma atual entre 2006 e 2007, durante a ocupa\u00e7\u00e3o estadunidense do Iraque, ela tornou-se conhecida pela sua atua\u00e7\u00e3o na Guerra Civil S\u00edria. Possui o seu efetivo estimado entre 3.000 e 10.000 soldados e membros filiados<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>. Ao longo das opera\u00e7\u00f5es militares contra o DAESH na regi\u00e3o fronteiri\u00e7a entre a S\u00edria e o Iraque, em 2017, o grupo foi integrado \u00e0 mir\u00edade de mil\u00edcias e grupos armados que comp\u00f5em as For\u00e7as de Mobiliza\u00e7\u00e3o Popular (PMU)<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>, sendo considerada a for\u00e7a xiita iraquiana mais importante.<\/p>\n<p>De maneira semelhante ao seu hom\u00f4nimo liban\u00eas, a Kata\u2019ib possui liga\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, militares e financeiras muito pr\u00f3xima da Guarda Revolucion\u00e1ria Iraniana. Para o seu financiamento. Assim, \u00e9 uma das mil\u00edcias pr\u00f3-Ir\u00e3 mais efetivas em combate, mesmo que sem a mesma qualidade do Hezbollah liban\u00eas.<\/p>\n<p>Por fim, h\u00e1 as For\u00e7as de Mobiliza\u00e7\u00e3o Popular, (PMF\/PMU nas siglas em Ingl\u00eas). Ao inv\u00e9s de ser um grupo espec\u00edfico, esta organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um guarda chuva que abrange cerca de 50 mil\u00edcias e grupos armados menores<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>. Foi institucionalizada pelo governo iraquiano em 2014, ap\u00f3s a virtual dissolu\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito iraquiano ap\u00f3s a derrota frente ao Daesh (tamb\u00e9m conhecido como Estado Isl\u00e2mico do Iraque e do Levante, ISIL ou ISIS na sigla) na Batalha de Mosul<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>. Na pr\u00e1tica, \u00e9 a frente de confian\u00e7a da hegemonia xiita no governo, garantindo o campo de alian\u00e7as necess\u00e1rio para evitar uma nova guerra civil de tipo sect\u00e1ria no Iraque.<\/p>\n<p>Seu surgimento se deu a partir de uma trag\u00e9dia militar. Ao perder Mosul para as for\u00e7as ent\u00e3o comandadas por Al-Baghdadi (o Daesh) Com o caminho aberto at\u00e9 Baghdad, o gabinete do primeiro ministro do pa\u00eds \u00e0 \u00e9poca, Nouri al-Maliki, criou, ap\u00f3s o fatwa do cl\u00e9rigo xiita Ali al-Sistani, as For\u00e7as de Mobiliza\u00e7\u00e3o Popular (al-\u1e24ashd ash-Sha\u02bfb\u012b em \u00e1rabe)<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a>. Inicialmente composta por sete mil\u00edcias, logo cresceu para uma composi\u00e7\u00e3o de mil\u00edcias, grupos armados menores, sendo eles xiitas, sunitas ou n\u00e3o sect\u00e1rias<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>. Em 2017, no auge da luta contra o DAESH contou com efetivo inicial de 150 mil efetivos podendo atingir a cerca de 400 mil incluindo os irregulares<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>.<\/p>\n<p>Como muitas das mil\u00edcias que compunham a PMU eram grupos veteranos da insurg\u00eancia \u2013 de maioria xiita &#8211; contra os EUA, estas mantiveram as liga\u00e7\u00f5es com seus antigos financiadores, o que na maioria dos casos, era o pr\u00f3prio Ir\u00e3. Como resultado, o Estado persa conseguiu grande influ\u00eancia na pol\u00edtica e na economia iraquiana, permitindo at\u00e9 o descumprimento das san\u00e7\u00f5es aplicadas pelos EUA e UE ao Ir\u00e3<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a>. Nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, em 2018, a coaliz\u00e3o ligada \u00e0 PMU obteve 48 assentos no parlamento iraquiano, consolidando a voz de Teer\u00e3 nas decis\u00f5es de Bagd\u00e1<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a>.<\/p>\n<p>Justamente pela rela\u00e7\u00e3o com a IRGC e para tentar diminuir a press\u00e3o dos EUA sob a PMU, de que ela seria uma for\u00e7a auxiliar do Ir\u00e3, o governo iraquiano incorporou e organiza\u00e7\u00e3o \u00e0 estrutura das for\u00e7as armadas iraquianas, movimento esse que teria sido planejado pelo tenente-general Qassem Soleimani. Este processo, ainda est\u00e1 em desenvolvimento<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a>.<\/p>\n<p>O efeito do assassinato de Soleimani foi o oposto do esperado, porque a influ\u00eancia iraniana n\u00e3o foi neutralizada, o que atualmente transforma o Iraque no tabuleiro de xadrez em que os Estados Unidos e o Ir\u00e3 duelam pela primazia na antiga Mesopot\u00e2mia, e obviamente, no controle do governo iraquiano. O ato terrorista estadunidense aqui debatido &#8211; que resultou tamb\u00e9m no assassinato de outros altos oficiais da IRGC e da PMU &#8211; \u00e9 mais uma etapa das provoca\u00e7\u00f5es da Superpot\u00eancia imperial no Oriente M\u00e9dio<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Alian\u00e7as, frente diplom\u00e1tica e perspectivas<\/strong><\/p>\n<p>A partir da identifica\u00e7\u00e3o da infraestrutura pol\u00edtica e militar comandada diretamente ou sob influ\u00eancia do major-general Soleimani, cabe agora a analisar o que levou a presente administra\u00e7\u00e3o estadunidense a autorizar a opera\u00e7\u00e3o de assassinato da sexta-feira 03\/01\/2020.<\/p>\n<p>Segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, a ordem para que a miss\u00e3o de assassinato fosse realizada foi motivada pela participa\u00e7\u00e3o de Soleimani no planejamento de supostos atos de terror contra cidad\u00e3os, diplomatas e militares estadunidenses em solo iraquiano<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a>. Essa afirma\u00e7\u00e3o, em parte \u00e9 subsidiada pelo cerco da embaixada dos Estados Unidos no Iraque, que estava ocorrendo desde o dia 30\/12\/2019<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a>. Nesse incidente, uma multid\u00e3o de partid\u00e1rios da PMU cercou e depredaram os pr\u00e9dios do complexo diplom\u00e1tico, mas n\u00e3o obtiveram \u00eaxito em entrar nos pr\u00e9dios, que estavam guarnecidos por fuzileiros navais (US Marines)<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a>. Pela l\u00f3gica do presidente que sofreu impeachment pela C\u00e2mara de Deputados dos EUA, todas as a\u00e7\u00f5es das PMU seriam ordem direta do major-general persa?! Mesmo que isso fosse ver\u00eddico, \u00e9 poss\u00edvel normalizar uma absurda viola\u00e7\u00e3o do direito internacional desta ordem? A queixa ou a retalia\u00e7\u00e3o deveria ser contra o governo nacional iraquiano, que por sinal, conseguiu reunificar a popula\u00e7\u00e3o xiita, pois o ataque interrompeu a chamada Primavera Iraquiana, onde a base s\u00f3cio-religiosa do pr\u00f3prio xiismo se revoltara contra o sistema sect\u00e1rio.<\/p>\n<p>Contudo, detalhes a respeito de quais outras opera\u00e7\u00f5es estavam sendo planejadas e operacionalizadas por Soleimani n\u00e3o foram dadas<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a>. Essa falta de informa\u00e7\u00f5es por parte do Pent\u00e1gono (Departamento de Defesa dos EUA) acaba por enfraquecer esta tese. Assim, outra hip\u00f3tese logo levantada e que possui embasamento na hist\u00f3ria pol\u00edtica estadunidense ganhou for\u00e7a nas an\u00e1lises p\u00f3s-ataque.<\/p>\n<p>Da mesma maneira que Bill Clinton ordenou ataques na S\u00e9rvia para desviar o foco da m\u00eddia no seu processo de impeachment<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a>, e Nixon recrudesceu as a\u00e7\u00f5es no Vietn\u00e3 para garantir sua reelei\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\">[31]<\/a>, Trump apostou alto em aumentar as tens\u00f5es no Oriente M\u00e9dio a fim de aumentar as chances de ser reeleito<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\">[32]<\/a>. Ainda que inicialmente esse ataque possa render frutos pol\u00edticos, dois pontos devem ser destacados. O primeiro \u00e9 que a campanha eleitoral est\u00e1 no in\u00edcio, e os ganhos pol\u00edticos podem se dissipar ao longo do tempo entre hoje (janeiro de 2019) e as elei\u00e7\u00f5es em novembro. O segundo ponto \u00e9 que o ataque efetuado pode desencadear um conflito maior com as for\u00e7as proxy do Ir\u00e3, o que poder\u00e1 resultar em baixas civis e militares estadunidenses, o que afugenta votos<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\">[33]<\/a>, ao inv\u00e9s de atrair eles.<\/p>\n<p>Enquanto os Estados Unidos enviam mais tropas para o Iraque, totalizando quase 10.000 soldados no pa\u00eds<a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\">[34]<\/a>, o Parlamento Iraquiano votou pela expuls\u00e3o de todas as for\u00e7as estrangeiras que est\u00e3o no pa\u00eds<a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\">[35]<\/a>. Isso tende a colocar o governo Trump em uma encruzilhada quanto o que fazer. Ou cria uma crise pol\u00edtica com o governo iraquiano, que em tese apoia. Ou se retira do pa\u00eds, praticamente o deixando para o Ir\u00e3 aprofundar sua influ\u00eancia<a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\">[36]<\/a>. Ao que parece, a tese do respeito a soberania formal iraquiana prevaleceu, implicando em um longo processo de retirada de tropas, movendo-as para monarquias absolutistas, como o Kuwait e Emirados \u00c1rabes Unidos (EAU), ou ent\u00e3o ampliando o contingente j\u00e1 estacionado na aliada Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p>Do lado iraniano, as poss\u00edveis retalia\u00e7\u00f5es diretas ao assassinato de Soleimani s\u00e3o limitadas<a href=\"#_ftn37\" name=\"_ftnref37\">[37]<\/a> de maneira imediata, e ilimitada na frente diplom\u00e1tica e pol\u00edtica da regi\u00e3o. Uma a\u00e7\u00e3o realizada por for\u00e7as regulares est\u00e1 fora de cogita\u00e7\u00e3o. Em um confronto convencional, com as for\u00e7as armadas de ambos os pa\u00edses envolvidos, o Ir\u00e3 a princ\u00edpio perde, pois possui equipamento obsoleto em sua maioria e os soldados s\u00e3o menos treinados que as for\u00e7as que os EUA possuem na regi\u00e3o<a href=\"#_ftn38\" name=\"_ftnref38\">[38]<\/a>. Um dos trunfos do Ir\u00e3 reside nas capacidades assim\u00e9tricas de combate<a href=\"#_ftn39\" name=\"_ftnref39\">[39]<\/a> assim como sua presen\u00e7a direta no Golfo P\u00e9rsico, em especial no Estreito de Ormuz. Outro trunfo iraniano \u00e9 sua capacidade bal\u00edstica, de alcance regional, al\u00e9m da artilharia antia\u00e9rea, de bom n\u00edvel e precis\u00e3o.<\/p>\n<p>Como conceito \u00e9 importante apontar que as capacidades assim\u00e9tricas s\u00e3o todas as ferramentas n\u00e3o convencionais dispon\u00edveis para fazer frente \u00e0 um advers\u00e1rio mais poderoso. No caso iraniano temos uma rede de mil\u00edcias e for\u00e7as que agem por procura\u00e7\u00e3o, como as mil\u00edcias expostas neste texto, for\u00e7as de intelig\u00eancia, m\u00edsseis bal\u00edsticos operados por estes grupos, propaganda e em caso de uma a\u00e7\u00e3o direta dos EUA, invadindo o territ\u00f3rio soberano do Ir\u00e3 ou de aliados, insurg\u00eancia e guerrilha.<\/p>\n<p>Uma chave no sucesso ou n\u00e3o da avan\u00e7ada diplom\u00e1tica do Ir\u00e3 est\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o com Estados aliados dos Estados Unidos, mas cujos governos explicitamente abandonam a decis\u00e3o de Trump e n\u00e3o a respaldam. Tal fato ocorrera com o premi\u00ea israelense Benjamin Netanyahu e com o monarca saudita Mohammad Bin Salman. Ambos aliados \u201cincondicionais\u201d n\u00e3o respaldaram o ato terrorista do presidente dos Estados Unidos. Para entender o que est\u00e1 em jogo no caso saudita, o I\u00eamen \u00e9 o lugar mais prop\u00edcio para esse tipo de resposta, pois na guerra que ocorre neste pa\u00eds, os EUA apoiam a coaliz\u00e3o liderada pela Ar\u00e1bia Saudita, que est\u00e1 em uma situa\u00e7\u00e3o complicada<a href=\"#_ftn40\" name=\"_ftnref40\">[40]<\/a>, com seus soldados sendo emboscados e derrotados pelo movimento houthi, mesmo com pesado investimento saudita e estadunidense nas for\u00e7as da coaliz\u00e3o apoiada pelas monarquias do Golfo e com a participa\u00e7\u00e3o de salafistas da Al Qaeda na Pen\u00ednsula \u00c1rabe (AQAP) no esfor\u00e7o de guerra anti-houthis<a href=\"#_ftn41\" name=\"_ftnref41\">[41]<\/a>. No campo da guerra de propaganda, disputa de controle da narrativa e, a\u00ed sim, da legitimidade internacional, o Ir\u00e3 est\u00e1 \u00e0 frente dos Estados Unidos ap\u00f3s o atentado autorizado e assumido pela Casa Branca.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o trunfo da legitimidade diante da agress\u00e3o imperial. O Ir\u00e3 conseguiu o espa\u00e7o necess\u00e1rio para aprofundar o chamado Eixo da Resist\u00eancia e ultrapassar as boas rela\u00e7\u00f5es diante do inimigo comum, como no caso do apoio ao Hamas e a liberta\u00e7\u00e3o da Palestina, diante do fracasso dos Acordos de Oslo, a Ocupa\u00e7\u00e3o da Cisjord\u00e2nia e o cerco \u00e0 Faixa de Gaza. Ou seja, para al\u00e9m do apoio \u00e0 Causa Palestina e as alian\u00e7as do xiismo ampliado e a alian\u00e7a com o Qatar, a diplomacia do Estado persa pode estar diante de um espa\u00e7o com margens de manobra que jamais teve desde 1979.<\/p>\n<p>Entende-se que o assassinato do tenente-general Soleimani \u00e9 o fato pol\u00edtico mais importante a acontecer no Oriente M\u00e9dio desde o estopim da Primavera \u00c1rabe, em 2010, com a configura\u00e7\u00e3o de for\u00e7as pol\u00edticas na regi\u00e3o se modificando, com tanto os Estados Unidos quanto o Ir\u00e3 necessitando refazer seus c\u00e1lculos pol\u00edticos, se preparar para poss\u00edvel a\u00e7\u00e3o militar e ver uma mudan\u00e7a completa no tabuleiro diplom\u00e1tico. Ainda que a possibilidade de Guerra Mundial seja remota, mais do que os memes das redes sociais indiquem, a tens\u00e3o militar chega a um novo patamar, que nos pr\u00f3ximos meses dever\u00e1 ditar o comportamento de atores globais, regionais, sendo estatais ou n\u00e3o estatais.<\/p>\n<p>Estudar, analisar e apontar posi\u00e7\u00f5es no Grande Oriente M\u00e9dio e nos Mundos \u00c1rabe e Isl\u00e2mico \u00e9 tarefa muito mais complexa do que aparenta ser, e nem as vincula\u00e7\u00f5es superficiais da internet pol\u00edtica e menos ainda o cinismo do estudo da geoestrat\u00e9gia podem dar conta. \u00c9 importante ressaltar que a den\u00fancia anti-imperialista diante do ato terrorista dos Estados Unidos n\u00e3o implica uma ades\u00e3o incondicional nem ao regime de Teer\u00e3 e tampouco \u00e0s posi\u00e7\u00f5es iranianas em toda a regi\u00e3o. No caso do Curdist\u00e3o e da maioria da popula\u00e7\u00e3o s\u00edria, isto \u00e9 evidente, cabendo cr\u00edtica. Quanto a Primavera Iraquiana interrompida, idem. No que diz respeito ao apoio da soberania libanesa e de uma Palestina soberana e vi\u00e1vel como Estado independente (algo que os Acordos de Oslo jamais proporcionaram), a\u00ed cabe o elogio \u00e0s posi\u00e7\u00f5es iranianas. A admira\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura persa e o respeito aos xiismos como vertentes v\u00e1lidas do Isl\u00e3 s\u00e3o valores inegoci\u00e1veis e incondicionais. A defesa da autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos e o combate aos invasores ocidentais formam a motiva\u00e7\u00e3o de fundo deste estudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><u>Pedro Guedes<\/u> \u00e9 internacionalista e acad\u00eamico de direito (pedro_0141@hotmail.com).<\/p>\n<p><u>Bruno Lima Rocha<\/u> (<a href=\"mailto:blimarocha@gmail.com\">blimarocha@gmail.com<\/a> \/ <u>Bruno Baaklini<\/u> na ascend\u00eancia \u00e1rabe-libanesa) \u00e9 p\u00f3s-doutorando em economia pol\u00edtica, doutor em ci\u00eancia pol\u00edtica e professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais, ci\u00eancia pol\u00edtica e jornalismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Obs: O texto acima foi conclu\u00eddo antes do lan\u00e7amento de uma d\u00fazia de m\u00edsseis bal\u00edsiticos vindos de territ\u00f3rio iraniano, tendo como alvo a base a\u00e9rea militar de Al Asad, utilizada pelas\u00a0 for\u00e7as imperiais dos EUA em solo iraquiano.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a><a href=\"https:\/\/www.newyorker.com\/magazine\/2013\/09\/30\/the-shadow-commander\">https:\/\/www.newyorker.com\/magazine\/2013\/09\/30\/the-shadow-commander<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a><a href=\"https:\/\/www.theatlantic.com\/international\/archive\/2020\/01\/qassem-soleimani-death-missed\/604396\/\">https:\/\/www.theatlantic.com\/international\/archive\/2020\/01\/qassem-soleimani-death-missed\/604396\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-50981383\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-50981383<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2020\/01\/03\/mundo\/noticia\/qassem-soleimani-mestre-marionetas-medio-oriente-1899171\">https:\/\/www.publico.pt\/2020\/01\/03\/mundo\/noticia\/qassem-soleimani-mestre-marionetas-medio-oriente-1899171<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a><a href=\"https:\/\/ctc.usma.edu\/qassem-soleimani-irans-unique-regional-strategy\/\">https:\/\/ctc.usma.edu\/qassem-soleimani-irans-unique-regional-strategy\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a><a href=\"https:\/\/ctc.usma.edu\/qassem-soleimani-irans-unique-regional-strategy\/\">https:\/\/ctc.usma.edu\/qassem-soleimani-irans-unique-regional-strategy\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a><a href=\"https:\/\/www.brookings.edu\/opinions\/hezbollah-revolutionary-irans-most-successful-export\/\">https:\/\/www.brookings.edu\/opinions\/hezbollah-revolutionary-irans-most-successful-export\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a><a href=\"https:\/\/www.dw.com\/en\/lebanon-forms-a-national-unity-government-nine-months-after-elections\/a-47318447\">https:\/\/www.dw.com\/en\/lebanon-forms-a-national-unity-government-nine-months-after-elections\/a-47318447<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a><a href=\"https:\/\/www.newyorker.com\/news\/our-columnists\/iran-entrenches-its-axis-of-resistance-across-the-middle-east\">https:\/\/www.newyorker.com\/news\/our-columnists\/iran-entrenches-its-axis-of-resistance-across-the-middle-east<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a><a href=\"https:\/\/www.cfr.org\/israel\/second-lebanon-war\/p11363\">https:\/\/www.cfr.org\/israel\/second-lebanon-war\/p11363<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a><a href=\"https:\/\/www.mei.edu\/sites\/default\/files\/publications\/PP4_Blanford_Hezbollah.pdf\">https:\/\/www.mei.edu\/sites\/default\/files\/publications\/PP4_Blanford_Hezbollah.pdf<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a><a href=\"https:\/\/foreignpolicy.com\/2016\/05\/13\/top-hezbollah-commander-killed-in-syria\/\">https:\/\/foreignpolicy.com\/2016\/05\/13\/top-hezbollah-commander-killed-in-syria\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a><a href=\"https:\/\/www.haaretz.com\/st\/c\/prod\/eng\/2016\/07\/lebanon2\/\">https:\/\/www.haaretz.com\/st\/c\/prod\/eng\/2016\/07\/lebanon2\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a><a href=\"https:\/\/missilethreat.csis.org\/country\/hezbollahs-rocket-arsenal\/\">https:\/\/missilethreat.csis.org\/country\/hezbollahs-rocket-arsenal\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a><a href=\"https:\/\/ctc.usma.edu\/irans-expanding-militia-army-iraq-new-special-groups\/\">https:\/\/ctc.usma.edu\/irans-expanding-militia-army-iraq-new-special-groups\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a><a href=\"https:\/\/www.counterextremism.com\/threat\/kata\u2019ib-hezbollah\">https:\/\/www.counterextremism.com\/threat\/kata%E2%80%99ib-hezbollah<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a><a href=\"https:\/\/www.globalsecurity.org\/military\/world\/para\/hashd-al-shaabi.htm\">https:\/\/www.globalsecurity.org\/military\/world\/para\/hashd-al-shaabi.htm<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a><a href=\"https:\/\/ctc.usma.edu\/irans-expanding-militia-army-iraq-new-special-groups\/\">https:\/\/ctc.usma.edu\/irans-expanding-militia-army-iraq-new-special-groups\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a><a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20150313111104\/http:\/www.al-monitor.com\/pulse\/originals\/2015\/03\/iraq-sistani-righteous-jihad-fatwa-popular-mobilization.html\">https:\/\/web.archive.org\/web\/20150313111104\/http:\/\/www.al-monitor.com\/pulse\/originals\/2015\/03\/iraq-sistani-righteous-jihad-fatwa-popular-mobilization.html<\/a><a href=\"https:\/\/carnegie-mec.org\/2017\/04\/28\/popular-mobilization-forces-and-iraq-s-future-pub-68810\">ure-pub-68810<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a><a href=\"https:\/\/carnegie-mec.org\/2017\/04\/28\/popular-mobilization-forces-and-iraq-s-future-pub-68810\">https:\/\/carnegie-mec.org\/2017\/04\/28\/popular-mobilization-forces-and-iraq-s-future-pub-68810<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a><a href=\"http:\/\/thedailyjournalist.com\/the-strategist\/irans-strategic-victory-hezbollah-ized-iraq\/\">http:\/\/thedailyjournalist.com\/the-strategist\/irans-strategic-victory-hezbollah-ized-iraq\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a><a href=\"https:\/\/www.washingtoninstitute.org\/fikraforum\/view\/the-challenge-of-sovereignty-the-pmf-and-iranian-entrenchment-in-iraq\">https:\/\/www.washingtoninstitute.org\/fikraforum\/view\/the-challenge-of-sovereignty-the-pmf-and-iranian-entrenchment-in-iraq<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a><a href=\"https:\/\/www.fpri.org\/article\/2019\/08\/the-future-of-the-iraqi-popular-mobilization-forces\/\">https:\/\/www.fpri.org\/article\/2019\/08\/the-future-of-the-iraqi-popular-mobilization-forces\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a><a href=\"https:\/\/www.al-monitor.com\/pulse\/originals\/2020\/01\/soleimani-assassination-iran-iraq-us.html\">https:\/\/www.al-monitor.com\/pulse\/originals\/2020\/01\/soleimani-assassination-iran-iraq-us.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a><a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2020\/jan\/03\/baghdad-airport-iraq-attack-deaths-iran-us-tensions\">https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2020\/jan\/03\/baghdad-airport-iraq-attack-deaths-iran-us-tensions<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a><a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2019\/dec\/31\/us-embassy-stormed-in-baghdad\">https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2019\/dec\/31\/us-embassy-stormed-in-baghdad<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a><a href=\"https:\/\/www.jpost.com\/Breaking-News\/US-to-send-Marines-to-embassy-in-Iraq-as-Trump-blames-Iran-for-attack-612685\">https:\/\/www.jpost.com\/Breaking-News\/US-to-send-Marines-to-embassy-in-Iraq-as-Trump-blames-Iran-for-attack-612685<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a><a href=\"https:\/\/archive.nytimes.com\/www.nytimes.com\/library\/world\/europe\/041899kosovo-recap1.html\">https:\/\/archive.nytimes.com\/www.nytimes.com\/library\/world\/europe\/041899kosovo-recap1.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a><a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2016\/12\/31\/opinion\/sunday\/nixons-vietnam-treachery.html\">https:\/\/www.nytimes.com\/2016\/12\/31\/opinion\/sunday\/nixons-vietnam-treachery.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32]<\/a><a href=\"https:\/\/www.politico.com\/newsletters\/playbook\/2020\/01\/03\/trump-just-made-his-most-consequential-decision-as-president-487976\">https:\/\/www.politico.com\/newsletters\/playbook\/2020\/01\/03\/trump-just-made-his-most-consequential-decision-as-president-487976<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[33]<\/a><a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/politics\/2020\/01\/04\/attacking-iran-wont-help-trump-win-reelection-heres-why\/\">https:\/\/www.washingtonpost.com\/politics\/2020\/01\/04\/attacking-iran-wont-help-trump-win-reelection-heres-why\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\">[34]<\/a><a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/world\/where-us-troops-are-in-the-middle-east-and-could-now-be-a-target-visualized\/2020\/01\/04\/1a6233ee-2f3c-11ea-9b60-817cc18cf173_story.html?arc404=true\">https:\/\/www.washingtonpost.com\/world\/where-us-troops-are-in-the-middle-east-and-could-now-be-a-target-visualized\/2020\/01\/04\/1a6233ee-2f3c-11ea-9b60-817cc18cf173_story.html?arc404=true<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\">[35]<\/a><a href=\"https:\/\/www.aljazeera.com\/news\/2020\/01\/iraqi-parliament-calls-expulsion-foreign-troops-200105150709628.html\">https:\/\/www.aljazeera.com\/news\/2020\/01\/iraqi-parliament-calls-expulsion-foreign-troops-200105150709628.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\">[36]<\/a><a href=\"https:\/\/www.al-monitor.com\/pulse\/originals\/2020\/01\/us-prepare-iran-escalation-iraq-troop-expulsion.html\">https:\/\/www.al-monitor.com\/pulse\/originals\/2020\/01\/us-prepare-iran-escalation-iraq-troop-expulsion.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref37\" name=\"_ftn37\">[37]<\/a><a href=\"https:\/\/www.al-monitor.com\/pulse\/originals\/2020\/01\/soleimani-assassination-iran-iraq-us.html\">https:\/\/www.al-monitor.com\/pulse\/originals\/2020\/01\/soleimani-assassination-iran-iraq-us.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref38\" name=\"_ftn38\">[38]<\/a><a href=\"https:\/\/warisboring.com\/stop-freaking-out-irans-military-is-weak-even-without-sanctions\/\">https:\/\/warisboring.com\/stop-freaking-out-irans-military-is-weak-even-without-sanctions\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref39\" name=\"_ftn39\">[39]<\/a><a href=\"https:\/\/www.iiss.org\/blogs\/analysis\/2019\/11\/iran-influence-middle-east\">https:\/\/www.iiss.org\/blogs\/analysis\/2019\/11\/iran-influence-middle-east<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref40\" name=\"_ftn40\">[40]<\/a><a href=\"https:\/\/foreignpolicy.com\/2019\/08\/23\/mohammed-bin-salmans-coalition-in-yemen-is-collapsing-that-means-trouble-for-trump-uae-saudi-arabia-aden\/\">https:\/\/foreignpolicy.com\/2019\/08\/23\/mohammed-bin-salmans-coalition-in-yemen-is-collapsing-that-means-trouble-for-trump-uae-saudi-arabia-aden\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref41\" name=\"_ftn41\">[41]<\/a><a href=\"https:\/\/nationalinterest.org\/feature\/saudi-arabias-war-yemen-has-been-disaster-25064\">https:\/\/nationalinterest.org\/feature\/saudi-arabias-war-yemen-has-been-disaster-25064<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>07 de janeiro de 2020, por Pedro Guedes &amp; Bruno Lima Rocha O ataque com drone realizado pelos Estados Unidos no Iraque, ocorrido no dia tr\u00eas 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