{"id":2240,"date":"2020-03-12T17:09:52","date_gmt":"2020-03-12T20:09:52","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanaliseblog.com\/?p=2240"},"modified":"2020-03-12T17:09:52","modified_gmt":"2020-03-12T20:09:52","slug":"afinal-que-projecao-de-mundo-e-defendida-por-paulo-guedes-artigo-de-analise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=2240","title":{"rendered":"Afinal, que proje\u00e7\u00e3o de mundo \u00e9 defendida por Paulo Guedes? &#8211; artigo de an\u00e1lise"},"content":{"rendered":"<p>12 de mar\u00e7o de 2020, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/blimarocha\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Lima Rocha<\/a><\/p>\n<p>Diante de tantos desmandos, com tamanho absurdo \u00e0 frente do governo Bolsonaro e o alinhamento externo subordinado, combinando com a proposi\u00e7\u00e3o dist\u00f3pica da depend\u00eancia p\u00f3s-colonial, fica a pergunta: afinal, o que Paulo Guedes quer? Em escala de pa\u00eds vemos os projetos, um mais nefasto que o outro. Mas, em escala mundo, no que implicaria?<\/p>\n<p>Neste texto tento fazer uma s\u00edntese da distopia ultraliberal, a que marca o per\u00edodo atual do capitalismo mundializado e das evidentes fragilidades que tal projeto gera para pa\u00edses como o nosso, eterna quase pot\u00eancia da Semiperiferia. Assim, busco o refor\u00e7o de alguns aspectos centrais j\u00e1 apontados por mim e que dezenas de outros analistas v\u00eam fazendo incessantemente no Brasil, desde quando a reelei\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff implicou em ceder muito espa\u00e7o na pol\u00edtica econ\u00f4mica para o que de pior j\u00e1 surgiu no Brasil e na Am\u00e9rica Latina. N\u00e3o que o projeto anterior fosse \u201csocialista\u201d, nem chegava a \u201csocial-democrata\u201d, mas apontava para algum marco de crescimento com desenvolvimento limitado do capitalismo perif\u00e9rico. Longe de ser o projeto socialista e democr\u00e1tico que defendo, tampouco estava alinhado com a subordina\u00e7\u00e3o total reiniciada com o \u201cgoverno Joaquim Levy\u201d ainda no final de 2014. Desde ent\u00e3o o pa\u00eds vem sendo empurrado ladeira abaixo, pela soma de mentes colonizadas internas, sabotagem da ind\u00fastria nacional (tendo na ponta o desmonte dos complexos de \u00f3leo e g\u00e1s; constru\u00e7\u00e3o pesada e engenharia naval) e desmonte da prote\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Nas linhas que seguem, observamos as mazelas em escala global \u00e0s quais o pinochetista que o Bolsonaro chama de \u201cposto Ipiranga\u201d quer submeter nossa sociedade.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Caracter\u00edsticas fundamentais da hegemonia ultraliberal (atrav\u00e9s do capital financeiro) em escala mundo<\/strong><\/p>\n<p>O \u201csuper\u201d ministro da Economia que nada entende e nada quer entender de pol\u00edtica industrial, n\u00e3o faz o menor esfor\u00e7o para defender a ind\u00fastria instalada no Brasil. Verdade seja dita, uma parcela importante do segundo setor, a come\u00e7ar pelos golpistas da FIESP \u2013 os que impuseram uma agenda aceita pela ex-presidenta e depois puxaram seu tapete \u2013 tampouco querem nada em sua defesa. Defendem sim, e ardorosamente, suas vantagens b\u00e1sicas dentro da correla\u00e7\u00e3o de distribui\u00e7\u00e3o de poder espacial. As duas barreiras cl\u00e1ssicas encontradas em qualquer manual de economia pol\u00edtica que preste: a pol\u00edtico-institucional (onde os poderes f\u00e1ticos s\u00e3o mais acess\u00edveis para o topo da cadeia alimentar em diferentes espa\u00e7os geogr\u00e1ficos) e a t\u00e9cnica-produtiva (onde as normativas tendem a proteger quem j\u00e1 se instalou e vai compondo o parque \u201cprodutivo\u201d). Ocorre que, com cada vez mais intensidade, as \u201cind\u00fastrias\u201d tropicais ou os parques industriais que n\u00e3o dominam cadeias de valor com alto valor agregado, v\u00e3o dependendo mais e mais de insumos importados, com pre\u00e7os cotados em d\u00f3lar. Logo, os \u201cindustriais\u201d sabem que, na m\u00e9dia, o investimento produtivo, o que gera emprego vivo, direto e regular, tende a levar uns 10 a 12 meses para dar retorno.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a cadeia voraz do capitalismo em regime de acumula\u00e7\u00e3o financeira quer ver as metas batidas a cada 4 meses em m\u00e9dia. Isso implica que, para acumula\u00e7\u00e3o dos controladores, acionistas majorit\u00e1rios e grupo diretor (<em>board<\/em> no anglicismo colonizado), a ind\u00fastria em si \u00e9 tanto um parque \u201cindustrial\u201d (ou uma casa importadora de componentes para realizar a manufatura de pr\u00e9-moldados) como uma institui\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria junto \u00e0s autoridades constitu\u00eddas e com capacidade de oferecer \u201cgarantias\u201d (mesmo que com opera\u00e7\u00f5es muito alavancadas) para girar a ciranda financeira.<\/p>\n<p>Os efeitos desta n\u00e3o prote\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria, \u201cpregui\u00e7osa\u201d que seja, podem ser mais que nefastos. Em termos de sociedade, o emprego vivo industrial garante \u2013 ou pode garantir \u2013 empregos indiretos, como nas cadeias de sistemistas em torno dos parques automotivos. Mas, se tudo for desnacionalizado, se n\u00e3o tiver setor de autope\u00e7as incrustrado nas montadoras por exemplo, a \u201cf\u00e1brica\u201d vira <em>maquiladora<\/em> como no norte do M\u00e9xico. Empregos prec\u00e1rios, abusos de mulheres e alta rotatividade da m\u00e3o de obra formam o tecido social \u201cideal\u201d para o dom\u00ednio dos cart\u00e9is de narcotr\u00e1fico mexicanos. N\u00e3o se iludam, com exce\u00e7\u00e3o de Sinaloa, estado com agricultura pr\u00f3spera, os demais estados mexicanos com fortes carteis estabelecidos territorialmente, tamb\u00e9m s\u00e3o pra\u00e7as de <em>maquiladoras<\/em> satisfazendo o voraz apetite do NAFTA contra o qual Donald Trump hipocritamente diz querer estar contra.<\/p>\n<p>Outro problema s\u00e9rio nas fanfarronices de liquida\u00e7\u00e3o do parque industrial e transnacionaliza\u00e7\u00e3o de todos os setores de uma economia instalada \u00e9 a comodifica\u00e7\u00e3o, ou a \u00eanfase da economia prim\u00e1rio \u2013 agro-mineral \u2013 exportadora como parcela fundamental do pa\u00eds. Como j\u00e1 explicamos em textos anteriores, no capitalismo integrado, a simplifica\u00e7\u00e3o de uma economia \u00e9 a certeza de sua subordina\u00e7\u00e3o. Quanto mais complexa for uma economia, mais capacidades ela vai ter e menos \u201cexposta\u201d ficar\u00e1 aos ataques especulativos em produtos comodificados (cuja composi\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os passa pelas negocia\u00e7\u00f5es em mercados futuros), e tamb\u00e9m \u00e0s a\u00e7\u00f5es de outros centros de tomada de decis\u00e3o (como a disputa entre Ar\u00e1bia Saudita e R\u00fassia na produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e derivados, por exemplo). De forma sint\u00e9tica tentei expor acima como \u00e9 relevante duas assertivas na economia de um pa\u00eds:<\/p>\n<p>&#8211; Ter ind\u00fastrias, pois quem n\u00e3o tem fica ref\u00e9m de a\u00e7\u00f5es de tipo sabotagem ou guerra econ\u00f4mica, tomando por exemplo o mais longo bloqueio como o exercido pelo Imp\u00e9rio contra Cuba ou as san\u00e7\u00f5es contra o Ir\u00e3 atingindo sua capacidade m\u00e9dico-hospitalar no tratamento de enfermidades cr\u00f4nicas;<\/p>\n<p>&#8211; Ter estas ind\u00fastrias dotadas de complexidade econ\u00f4mica necess\u00e1rias para, em estando no Sistema Internacional das economias capitalistas integradas (e nestas incluo China, R\u00fassia e \u00cdndia, ainda que nos dois primeiros Estados o capital se subordina ao Poder Executivo tecno-pol\u00edtico-militar), n\u00e3o ser determinado por conglomerados econ\u00f4mico-financeiros que controlam (ainda que parcialmente), cadeias globais de valor.<\/p>\n<p>Neste sentido, dois elementos implicam uma composi\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio interno importante para projetar poder em escala mundo. Mesmo pa\u00edses que n\u00e3o contam com relevantes for\u00e7as militares, ou ao menos n\u00e3o t\u00eam capacidade b\u00e9lica com presen\u00e7a mundial (como os EUA), ascendente (como a China) ou regionalmente importantes (como R\u00fassia, \u00cdndia e Uni\u00e3o Europeia), precisam desenvolver empresas de tipo Transnacionais, vinculadas aos Tesouros de pa\u00edses-sede ou ao menos pa\u00edses de origem (j\u00e1 que uma parcela importante das TNCs t\u00eam suas sedes formais em Jurisdi\u00e7\u00f5es Especiais atrav\u00e9s de holdings financeiras para evas\u00e3o e elis\u00e3o de divisas e tributa\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>No p\u00f3s-2\u00aa Guerra, Alemanha Ocidental (e na sequ\u00eancia o pa\u00eds unificado), Coreia do Sul e Jap\u00e3o s\u00e3o exemplos de como \u00e9 poss\u00edvel projetar e gerar excedentes de poder dotando o capitalismo dentro de suas fronteiras de algum grau de coes\u00e3o social e apostando em planejamento econ\u00f4mico para desenvolver ind\u00fastrias de alta tecnologia embarcada. Logo, o quarto setor, o de pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D) \u00e9 fundamental para a competi\u00e7\u00e3o capitalista mundial. Quem tem controla, quem n\u00e3o tem depende.<\/p>\n<p>Quem conta com tais conglomerados econ\u00f4mico-financeiros pode us\u00e1-los como elementos de press\u00e3o externa ou internaliza\u00e7\u00e3o de interesses, como a presen\u00e7a do 5G sob c\u00f3digos-fonte chineses que apavora a seguran\u00e7a nacional dos EUA, ou as j\u00e1 conhecidas redes sociais que operam como motor de \u201crevolu\u00e7\u00f5es coloridas\u201d ou manobras eleitorais \u2013 a exemplo dos eventos ocorridos na Am\u00e9rica Latina nos \u00faltimos dois anos. N\u00e3o haveria Vale do Sil\u00edcio sem contratos do Pent\u00e1gono. Simples assim. Mas, nada impede a acumula\u00e7\u00e3o financeira em todas as escalas, diminuindo o Poder dos Estados n\u00e3o para o co-governo de uma economia, mas no conflito distributivo, fazendo com que a captura do aparelho estatal seja fundamental para aumentar a concentra\u00e7\u00e3o de riqueza e a assimetria do poder. Operando a favor desta acumula\u00e7\u00e3o em escala mundo, temos os longos bra\u00e7os do sistema financeiro e as legisla\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis ao capital vol\u00e1til, a intensa e extrema mobilidade de capitais e a integra\u00e7\u00e3o dos sistemas de cr\u00e9ditos sob vigil\u00e2ncia eletr\u00f4nica permanente.<\/p>\n<p>O uso e emprego de Jurisdi\u00e7\u00f5es Especiais &#8211; \u201cpara\u00edsos fiscais\u201d &#8211; <em>offshore <\/em>(em tese, ilhas com regimes jur\u00eddicos distintos) ou <em>onshore <\/em>(como os estados de Nevada e Delaware no territ\u00f3rio continental dos EUA) n\u00e3o \u00e9 exclusivo de pessoas jur\u00eddicas, mas tamb\u00e9m de pessoas f\u00edsicas que alcan\u00e7am cifras consider\u00e1veis. \u00c9 como se para o padr\u00e3o de riqueza atual seja uma vantagem estrat\u00e9gica na acumula\u00e7\u00e3o utilizar todas as capacidades do sistema financeiro, tanto o formal sob alguma regula\u00e7\u00e3o, como os complementares, a exemplo das empresas subsidi\u00e1rias nos \u201cpara\u00edsos fiscais\u201d (j\u00e1 demonstrado em artigos anteriores), assim como as opera\u00e7\u00f5es de risco e <em>shadow banking<\/em> (ainda n\u00e3o abordadas por mim).<\/p>\n<p>Assim, a financeiriza\u00e7\u00e3o se torna o regime padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o de todos que t\u00eam fortuna financeira. Parece uma redund\u00e2ncia, mas \u00e9 a regra de poder do capitalismo mundial no s\u00e9culo XXI. Desconhe\u00e7o grandes TNCs de capital aberto \u2013 de quaisquer pa\u00edses \u2013 que n\u00e3o estejam com opera\u00e7\u00f5es financeiras ou n\u00e3o tenham na composi\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria a presen\u00e7a de fundos de investimentos. Ocorre que este conceito de \u201cinvestimento\u201d tamb\u00e9m est\u00e1 vulgarizado. Supostamente, investimento \u00e9 de risco e se d\u00e1 sobre \u201ccapital produtivo\u201d e aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 D-D-D-D linha, se destina \u00e0 jogatina financeira, \u00e0s rela\u00e7\u00f5es com poderes de fato, opera\u00e7\u00f5es a descoberto, alavancagem quase criminosa e outras irresponsabilidades capitalistas t\u00edpicas do comportamento predador.<\/p>\n<p>Logo, para existir no Sistema Internacional de forma soberana e com algum grau de autodetermina\u00e7\u00e3o, um pa\u00eds do porte do Brasil n\u00e3o deveria se expor a tamanho grau de presen\u00e7a dominante externa. Como, por exemplo, permitir presen\u00e7a de capital transnacional em todos os setores com participa\u00e7\u00e3o de licita\u00e7\u00f5es p\u00fablicos sem restri\u00e7\u00e3o, desnacionaliza\u00e7\u00e3o do solo e do subsolo, perda da ind\u00fastria b\u00e9lica, concentra\u00e7\u00e3o do sistema financeiro (as empresas que operam o \u201ctal do mercado de capitais\u201d), n\u00e3o defender o capitalismo ainda gerador de emprego vivo e direto praticado no Brasil, e aceitar a condi\u00e7\u00e3o de exportador de mat\u00e9rias primas ou commodities fragilizadas por determina\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os externos (como a compra da China ou a disputa de seguran\u00e7a energ\u00e9tica entre sauditas e russos).<\/p>\n<p>O caso da Petrobr\u00e1s p\u00f3s-golpe \u00e9 exemplar. O \u201cmist\u00e9rio\u201d de um pa\u00eds como o nosso, nadando em petr\u00f3leo e dotado de capacidade tecnol\u00f3gica para explora\u00e7\u00e3o em grandes profundidades. Eis que acionistas minorit\u00e1rios da Bolsa de NYC (SEC) entra com uma a\u00e7\u00e3o judicial contra a estatal brasileira e um pa\u00eds soberano aceita a decis\u00e3o de 1\u00aa inst\u00e2ncia federal de uma vara dos Estados Unidos. Com isso, muda a pol\u00edtica de composi\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os da Petrobr\u00e1s, mesmo com o Brasil sendo soberano na extra\u00e7\u00e3o e quase aut\u00f4nomo no refino. Os derivados de petr\u00f3leo no Brasil come\u00e7am a oscilar segundo a press\u00e3o especulativa do indicador do Brent, uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o faz parte da seguran\u00e7a energ\u00e9tica de pa\u00edses produtores \u2013 como Ar\u00e1bia Saudita e R\u00fassia, por exemplo \u2013 e sim de pa\u00edses compradores.<\/p>\n<p>N\u00e3o apenas isso. Por determina\u00e7\u00e3o entreguista, os colonizados tentam desmontar os complexos petroqu\u00edmicos e estamos com refinarias com capacidade ociosa (n\u00e3o operando) e o Brasil comprando \u00f3leo refinado. Para que? Se algu\u00e9m projetar em termos \u201c<em>schumpeterianos<\/em>\u201d de estrat\u00e9gia econ\u00f4mica, de desmontar o que existe de modo a n\u00e3o mais permitir pol\u00edticas de soberania ou \u201cmais grave\u201d, de protagonismo popular, acertou. \u00c9 a meta chilena do golpe do 11 de setembro da Am\u00e9rica Latina, em 1973. Desmontar tudo o que possibilite a soberania do territ\u00f3rio caso o poder pol\u00edtico passe para o povo organizado. No caso do Chile, vacila\u00e7\u00f5es de Allende \u00e0 parte (como a composi\u00e7\u00e3o de gabinete c\u00edvico-militar em agosto de 1973, sendo que uma parte dos ministros do \u201ccompanheiro presidente\u201d terminou na Junta Militar, incluindo o pr\u00f3prio Pinochet), o poder real balan\u00e7ou diante da autogest\u00e3o dos cord\u00f5es industriais e comandos comunais. As for\u00e7as militares entreguistas, vende-p\u00e1trias, gorilas comandadas pelo fascista Pinochet, operam como bra\u00e7o armado do neoliberalismo extremado, ou ultraliberalismo, fazendo do cotidiano uma distopia em tempo real.<\/p>\n<p>Nada do que eu narrei acima \u00e9 novidade. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 senso comum para quem estuda com algum grau de rigor tanto economia pol\u00edtica internacional como globaliza\u00e7\u00e3o capitalista (reconhe\u00e7o que prefiro o termo-conceito franc\u00f3fono de mundializa\u00e7\u00e3o). Tampouco as afirma\u00e7\u00f5es de gera\u00e7\u00e3o de excedentes de poder s\u00e3o fortes o bastante para com isso gerar sistemas produtivos e sociedades mais justas e solid\u00e1rias. N\u00e3o d\u00e1 para confiar nem na milicada da periferia e menos ainda no \u201cpatriotismo\u201d dos capit\u00e3es da ind\u00fastria. O dirigente empresariais s\u00e3o exemplo disso. No Sistema Internacional, quando parcelas de fra\u00e7\u00f5es de classe com poder real, tal como o baronato financeiro (tamb\u00e9m representado por Paulo Guedes) s\u00e3o uma for\u00e7a geradora de mais depend\u00eancia e entreguismo, \u00e9 um sinal tenebroso de que o m\u00ednimo de soberania nacional jamais ser\u00e1 alcan\u00e7ado com essa composi\u00e7\u00e3o. O inverso tamb\u00e9m \u00e9 verdadeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Linhas conclusivas:<\/strong><\/p>\n<p>Reconhe\u00e7o, n\u00e3o abordei todos os temas relevantes no desmonte da farsa projetada por Paulo Guedes e sua trupe de especuladores. O tema mais importante hoje \u00e9 acabar com a farsa fiscalista baseada em PEC do Fim do Mundo (teto de gastos), da no\u00e7\u00e3o absurda que o \u201cdinheiro pode acabar\u201d e a mentira de que um pa\u00eds soberano pode quebrar na pr\u00f3pria moeda. \u00c9 urgente debater a Moderna Teoria Monet\u00e1ria (MMT na sigla em ingl\u00eas) e entrar nessa disputa sobre a mais censurada das pautas midi\u00e1ticas: as editorias de economia sempre cativa dos interesses parasit\u00e1rios de especuladores, financistas, consultores, opin\u00f3logos, palpiteiros com caras e bocas e mentirosos sistem\u00e1ticos defecando teorias t\u00f3xicas de ilus\u00e3o baseada na falsa premissa da teoria neocl\u00e1ssica e outras excresc\u00eancias. Sugiro, implico, suplico a leitura das obras recentes de David Graeber e Yanis Varoufakis para desmontar as mentiras. Textos p\u00f3s-2008 de arrependidos da globaliza\u00e7\u00e3o, como Joseph Stiglitz, Paul Krugman e Jeffery Sachs ilustram a panaceia furada defendida pelo Imp\u00e9rio na d\u00e9cada de \u201990 do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Voltando ao desgoverno Bolsonaro-Guedes, \u00e9 importante compreender minimamente as facetas vis\u00edveis desse projeto dist\u00f3pico onde o Brasil e suas camadas populares se tornam alvos f\u00e1ceis para o capitalismo em posi\u00e7\u00e3o mais que predat\u00f3ria. As assimetrias verificadas entre classes numa sociedade, entre pa\u00edses na escala mundo, tamb\u00e9m se verificam entre empresas de diversas escalas e capitalismos (avan\u00e7ados, tardios, atrasados, perif\u00e9ricos e etc). As ilus\u00f5es modernizantes deram em nada al\u00e9m de capitula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se trata disso. Trata-se de compreender o modelo pinochetista do \u201csuper ministro\u201d da Economia proto-fascista, uma vers\u00e3o agigantada da linha chilena e suas terr\u00edveis consequ\u00eancias. Quanto mais subordinados estivermos a centros de decis\u00f5es externos (sendo estes estatais, privados e mesmo multilaterais como FMI e Banco Mundial), mais fr\u00e1geis seremos como povo e sociedade. \u00c9 isso, somado com a posi\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica pr\u00f3-capital no conflito distributivo, que se trata a \u201cpol\u00edtica econ\u00f4mica\u201d de Paulo Guedes. \u00c9 capitalismo de desastre e financeirizado. E\u00a0 justo por isso deve se impedido e derrotado o quanto antes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>12 de mar\u00e7o de 2020, Bruno Lima Rocha Diante de tantos desmandos, com tamanho absurdo \u00e0 frente do governo Bolsonaro e o alinhamento externo subordinado, combinando com a proposi\u00e7\u00e3o dist\u00f3pica da depend\u00eancia p\u00f3s-colonial, fica a pergunta: afinal, o que Paulo Guedes quer? Em escala de pa\u00eds vemos os projetos, um mais nefasto que o outro. 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