{"id":24,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=24"},"modified":"2023-03-13T20:42:53","modified_gmt":"2023-03-13T23:42:53","slug":"entrevista-com-o-presidente-da-adpf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=24","title":{"rendered":"Entrevista com o presidente da ADPF"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/bolivar1.jpg\" title=\"\u201c (...) aqui no Brasil quando uma institui\u00e7\u00e3o come\u00e7a a aparecer muito na m\u00eddia, passa a ser vitrine. Ent\u00e3o come\u00e7a a ser destaque, ent\u00e3o para tentar denegrir a imagem, ou como se diz na g\u00edria popular, \u2018fritar aquele que est\u00e1 \u00e0 frente\u2019. E a pessoa, quando come\u00e7a a aparecer, h\u00e1 ciumeira\u201d.  - Foto:Diref\" alt=\"\u201c (...) aqui no Brasil quando uma institui\u00e7\u00e3o come\u00e7a a aparecer muito na m\u00eddia, passa a ser vitrine. Ent\u00e3o come\u00e7a a ser destaque, ent\u00e3o para tentar denegrir a imagem, ou como se diz na g\u00edria popular, \u2018fritar aquele que est\u00e1 \u00e0 frente\u2019. E a pessoa, quando come\u00e7a a aparecer, h\u00e1 ciumeira\u201d.  - Foto:Diref\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">\u201c (&#8230;) aqui no Brasil quando uma institui\u00e7\u00e3o come\u00e7a a aparecer muito na m\u00eddia, passa a ser vitrine. Ent\u00e3o come\u00e7a a ser destaque, ent\u00e3o para tentar denegrir a imagem, ou como se diz na g\u00edria popular, \u2018fritar aquele que est\u00e1 \u00e0 frente\u2019. E a pessoa, quando come\u00e7a a aparecer, h\u00e1 ciumeira\u201d. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Diref<\/small><\/figure>\n<p>Entrevista com o delegado de pol&iacute;cia federal (aposentado) BOL&Iacute;VAR STEINMETZ, presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Delegados de Pol&iacute;cia Federal (ADPF) &ndash; quando da data do trabalho. A entrevista ocorrera em Bras&iacute;lia, no dia 05\/08\/2003, na sede da entidade corporativa dos delegados. A mesma fez parte do trabalho de disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica (PPG Pol&iacute;tica\/UFRGS, com bolsa de dedica&ccedil;&atilde;o exclusiva da CAPES), com o t&iacute;tulo:<\/p>\n<p>&ldquo;A Pol&iacute;cia Federal ap&oacute;s a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988: pol&iacute;cia de governo, seguran&ccedil;a de Estado e pol&iacute;cia judici&aacute;ria.&rdquo;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma vez que as entrevistas (s&atilde;o quatro) constaram como Anexo da disserta&ccedil;&atilde;o e fica absolutamente imposs&iacute;vel considerar sua publica&ccedil;&atilde;o junto do livro fruto deste trabalho, optei por public&aacute;-las aqui, em sequ&ecirc;ncia, na condi&ccedil;&atilde;o de Teoria. Teoria por ser um trabalho direcionado, roteirizado, com objetivos anal&iacute;ticos precisos. O conjunto das entrevistas aparecera no texto final da disserta&ccedil;&atilde;o como Anexo I.<\/p>\n<p>Consta neste Anexo I, entrevistas com representantes das entidades estudadas e da Dire&ccedil;&atilde;o-Geral, gest&atilde;o Paulo Lacerda. Todas as entrevistas foram realizadas em Bras&iacute;lia, no m&ecirc;s de agosto de 2003. Est&atilde;o apresentadas em ordem cronol&oacute;gica, tem suas p&aacute;ginas numeradas e n&atilde;o foram editadas (est&atilde;o na &iacute;ntegra). Abaixo, antes de entrar nas entrevistas, nos pareceu interessante expor o roteiro inicial pensado para estas entrevistas, ainda no m&ecirc;s de junho de 2003. Estas perguntas n&atilde;o est&atilde;o em ordem de import&acirc;ncia, nem tampouco seriam feitas seguindo algum ordenamento pr&eacute;vio. Apresentar este roteiro nos pareceu interessante para expor o tipo de informa&ccedil;&atilde;o que quer&iacute;amos, a busca do contradit&oacute;rio dos depoimentos e poder comparar entre o momento pr&eacute;vio e o que realmente foi obtido atrav&eacute;s destas fontes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com as perguntas previamente roteirizadas, procuramos expor um pouco do roteiro como um mapeamento anal&iacute;tico indireto. Deste mapeamento, obt&ecirc;m-se uma dedu&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de via de aproxima&ccedil;&atilde;o indireta. O guia b&aacute;sico dos conceitos embutidos no roteiro &eacute;:<\/p>\n<p>Prerrogativas das FFAA (militares) por sobre o aparelho constitucionalmente v&aacute;lido (a PF) &ndash; Esp&iacute;rito de Corpo &ndash; Obedi&ecirc;ncia a Justi&ccedil;a, ao Ministro ou a Presid&ecirc;ncia &ndash; Justi&ccedil;a X Direito &ndash; L&oacute;gica punitiva diferenciada como fator de desigualdade estrutural do Sistema &ndash; Autonomiza&ccedil;&atilde;o dos Agentes Sociais mesmo no interior da PF &ndash; Autonomiza&ccedil;&atilde;o burocr&aacute;tica no interior do Aparelho de Estado, mesmo sendo este um Aparelho policial &ndash; Espiocracia como forma de Burocracia &ndash; Criminaliza&ccedil;&atilde;o do Capitalismo &ndash; Classe Dominante e Classe Dirigente com pr&aacute;ticas criminalizadas de ordem estrutural &ndash; Organiza&ccedil;&atilde;o Criminosa X Rede de Quadrilhas &ndash; Organiza&ccedil;&atilde;o Criminosa X Fragmenta&ccedil;&atilde;o da(s) Forma(s) de Repress&atilde;o &ndash; Concorr&ecirc;ncias, Compet&ecirc;ncias e disputas Intra-Policiais &ndash; Disputas Internas da(s) Comunidade(s) de Informa&ccedil;&otilde;es e Intelig&ecirc;ncia &#8211; Limites do Jogo Democr&aacute;tico X Jogo real das disputas pelo poderes de fato em todos os n&iacute;veis &ndash; Campo Jur&iacute;dico + Burocracia Policial X Democracia Deliberativa &#8211; Repress&atilde;o Seletiva, Repress&atilde;o pol&iacute;tica (e das for&ccedil;as sociais) como forma de sub-sele&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Roteiro pr&eacute;vio para as entrevistas<\/p>\n<p>&#8211; Como o senhor analisa as acusa&ccedil;&otilde;es de inger&ecirc;ncia dos EUA (a exemplo do dossi&ecirc; da revista Carta Capital), atrav&eacute;s da embaixada e com financiamento direto de opera&ccedil;&otilde;es e treinamento por parte da CIA, DEA e FBI, no interior da PF? Estas den&uacute;ncias procedem? H&aacute; setores que n&atilde;o respondem mais &agrave; hierarquia do &oacute;rg&atilde;o e sim diretamente &agrave;s ag&ecirc;ncias dos EUA? Se a afirma&ccedil;&atilde;o for positiva, quais seriam as alternativas para realizar estas opera&ccedil;&otilde;es, equipagem e treinamento?<\/p>\n<p>&#8211; Qual &eacute;, baseado na opini&atilde;o do senhor e em sua experi&ecirc;ncia profissional, a rela&ccedil;&atilde;o e a possibilidade de trabalho em conjunto entre a PF e o GSI\/ABIN? Quais seriam, ainda na opini&atilde;o do senhor, os pap&eacute;is precisos da PF e da ABIN? Quem deveria operar, aonde e sob qual tipo de coordena&ccedil;&atilde;o? No plano do concreto, que tipo de influ&ecirc;ncia exercia o general Cardoso sobre a PF e o conjunto da &ldquo;comunidade de intelig&ecirc;ncia&rdquo;, especialmente a partir da queda de Vicente Chelotti at&eacute; o fim do 2o mandato de Fernando Henrique Cardoso?<\/p>\n<p>&#8211; Como entende que deveriam ser as carreiras de delegado e agente na PF? Considera poss&iacute;vel uma PF sob os moldes do FBI atual (p&oacute;s-Hoover e com cargo &uacute;nico)? Considera poss&iacute;vel uma PF onde os agentes ou outra categoria da carreira policial voltem a ter exig&ecirc;ncia de 2o grau completo ao inv&eacute;s de n&iacute;vel superior?<\/p>\n<p>&#8211; O que o senhor pensa sobre as transforma&ccedil;&otilde;es no MJ? Deveria funcionar como um Minist&eacute;rio do Interior? Considera necess&aacute;ria a exist&ecirc;ncia de uma Guarda Federal Fardada e com emprego a n&iacute;vel nacional? Existindo esta Guarda, como ficaria a rela&ccedil;&atilde;o com o Ex&eacute;rcito, especialmente em zonas que h&aacute; Pelot&otilde;es Especiais de Fronteira? Seria empregada esta Guarda somente na faixa de fronteira ou tamb&eacute;m para interven&ccedil;&atilde;o nos estados?<\/p>\n<p>&#8211; Qual deveria ser, tanto o crit&eacute;rio como a motiva&ccedil;&atilde;o para uma interven&ccedil;&atilde;o federal em estados, micro-regi&otilde;es e\/ou munic&iacute;pios? Poderiam ser justificativas poss&iacute;veis, apenas para exemplificar:<\/p>\n<p>Por calamidade p&uacute;blica? Zona de emerg&ecirc;ncia? Por corrup&ccedil;&atilde;o end&ecirc;mica? Por rebeli&atilde;o de pol&iacute;cias? &Aacute;rea de seguran&ccedil;a nacional? Descontrole do Estado, como no chamado Pol&iacute;gono da Maconha? Munic&iacute;pios na faixa de fronteira? Tratando de um caso espec&iacute;fico, foi a favor da interven&ccedil;&atilde;o federal no Esp&iacute;rito Santo, a que n&atilde;o ocorreu, no ano de 2002? Porque?<\/p>\n<p>&#8211; Pediria ao senhor que fizesse uma an&aacute;lise profissional e pol&iacute;tica, pormenorizada, dos seguintes profissionais, quando no exerc&iacute;cio de fun&ccedil;&otilde;es de chefia e lideran&ccedil;a no &oacute;rg&atilde;o:<\/p>\n<p>&#8211; A gest&atilde;o de Vicente Chelotti como DG da PF?<\/p>\n<p>&#8211; A gest&atilde;o de Romeu Tuma como DG da PF? A presen&ccedil;a pol&iacute;tica e profissional de Tuma no &oacute;rg&atilde;o?<\/p>\n<p>&#8211; Qual &eacute; hoje, o grau de coordena&ccedil;&atilde;o entre os MPs estaduais e Federal com a PF? Considera a atua&ccedil;&atilde;o do GAECO do MP-SP e a Superintend&ecirc;ncia naquele estado como modelar? Qual seria ent&atilde;o o tipo de coordena&ccedil;&atilde;o, incluindo o n&iacute;vel dos recursos e o grau de autonomia t&aacute;tica, necess&aacute;rios para fazer frente as urg&ecirc;ncias investigativas e processuais?<\/p>\n<p>&#8211; Como o senhor v&ecirc; o papel da PF como &oacute;rg&atilde;o executor de repress&atilde;o pol&iacute;tica e social? Esta fun&ccedil;&atilde;o seria da ABIN? Seria da pr&oacute;pria PF? Como se dariam ent&atilde;o as antecipa&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para cumprir o trabalho? Deveria ser exercida, por exemplo, infiltra&ccedil;&atilde;o no MST e repress&atilde;o &agrave;s r&aacute;dios comunit&aacute;rias?<\/p>\n<p>&#8211; O senhor v&ecirc; a necessidade da figura do delegado no processo de instru&ccedil;&atilde;o, presidindo Inqu&eacute;rito Policial? Para que serve ent&atilde;o o IPL? Como funcionaria ent&atilde;o uma pol&iacute;cia exclusivamente investigativa e judici&aacute;ria?<\/p>\n<p>&#8211; Como o senhor v&ecirc; o papel da FENAPEF e dos sindicatos estaduais na PF? Como o senhor v&ecirc; o papel da ADPF e as respectivas associa&ccedil;&otilde;es e sindicatos estaduais de delegados, na PF? Tanto hoje como durante a gest&atilde;o de Chelotti?<\/p>\n<p>&#8211; Se o senhor fizesse um mapeamento da institui&ccedil;&atilde;o, quantos setores de fato existem hoje? Seus interesses s&atilde;o conflitantes, s&atilde;o confluentes? Seus projetos para o &oacute;rg&atilde;o s&atilde;o conflitantes, s&atilde;o confluentes? A hierarquia do &oacute;rg&atilde;o exerce de fato poder de mando no conjunto dos servidores? Que setores t&ecirc;m autonomia dentro da pr&oacute;pria institui&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>&#8211; Existe continu&iacute;smo na PF? Existe continu&iacute;smo de resqu&iacute;cios e pessoal do regime militar? Que relev&acirc;ncia tem esse continu&iacute;smo, caso exista, para a filosofia de trabalho do &oacute;rg&atilde;o?<\/p>\n<p>&#8211; Existe alguma transpar&ecirc;ncia na PF? Que tipo de transpar&ecirc;ncia e rela&ccedil;&atilde;o com a sociedade, na opini&atilde;o do senhor, deveria existir?<\/p>\n<p>&#8211; Caso o senhor tivesse poder de mando e execu&ccedil;&atilde;o, que mudan&ccedil;as realizaria na PF?<\/p>\n<p>ENTREVISTA<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Dr. Bol&iacute;var, eu vou pedir para o senhor come&ccedil;ar dizendo quando entrou no &oacute;rg&atilde;o, que fun&ccedil;&otilde;es exerceu?<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; Eu ingressei no que se chama na Pol&iacute;cia Federal antigo Departamento Federal de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica (DFSP) em novembro de 1961, vindo diretamente do Rio Grande do Sul para fazer parte do Departamento Federal de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica. Aqui n&oacute;s ingressamos como guarda. Depois em 1964, eu recebi a qualifica&ccedil;&atilde;o de agente auxiliar da Pol&iacute;cia Federal, que n&oacute;s t&iacute;nhamos agente auxiliar de Pol&iacute;cia Federal e agente de Pol&iacute;cia Federal. E eu fiquei como agente auxiliar. Fui para Foz do Igua&ccedil;u, trabalhei em Foz do Igua&ccedil;u durante seis anos chefiando um posto de fiscaliza&ccedil;&atilde;o de fronteira e ap&oacute;s uma subdelegacia da Pol&iacute;cia Federal, hoje &eacute; a Divis&atilde;o de Pol&iacute;cia Federal. Em 1970 eu retornei para Bras&iacute;lia, vindo a ser lotado na Divis&atilde;o de Pol&iacute;cia Mar&iacute;tima e de Fronteira, onde aqui retornei aos estudos. Em 1975 eu conclu&iacute; a Faculdade de Direito e em 1976 eu fiz o curso de delegado de pol&iacute;cia federal, tendo sido nomeado em 1976. Continuei a trabalhar na Divis&atilde;o de Pol&iacute;cia Mar&iacute;tima de fronteira onde chefiei ao servi&ccedil;o de tr&aacute;fico internacional, por muitos anos. Na minha gest&atilde;o como chefe desse servi&ccedil;o foram criados os postos de fiscaliza&ccedil;&atilde;o em c&oacute;digos quantificados para facilitar o processamento de dados. Depois eu assumi a Divis&atilde;o de Cadastro e Controle de Procurados e Impedidos. Eram um arquivos das pessoas que eram procuradas para deporta&ccedil;&atilde;o ou extradi&ccedil;&atilde;o, enfim, expuls&atilde;o. E era diretor-substituto da DP9. Em 1984 eu me aposentei, com o direito de aposentadoria aos 25 anos de servi&ccedil;o. Fiquei um per&iacute;odo com um escrit&oacute;rio de advocacia, depois fui convidado a assumir l&aacute; no Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a a Divis&atilde;o de Perman&ecirc;ncia de Estrangeiros, onde fiquei um ano, um ano e pouco. E em 1985 eu assumi a primeira investidura na Associa&ccedil;&atilde;o como presidente, porque como conselheiro j&aacute; havia participado por diversas vezes. Para voc&ecirc; saber melhor como &eacute;, a Associa&ccedil;&atilde;o era dirigida por um conselho diretor de treze pessoas eleitas, entre os mais votados assumem o cargo de conselheiros. E entre estes escolhem o seu presidente. E eu em 1985 fui escolhido presidente e fiquei at&eacute; o final de 1986. Fui reeleito novamente mas em raz&atilde;o de problemas de fam&iacute;lia n&atilde;o exerci, n&atilde;o fiquei exercendo o cargo de conselheiro e fui para a fam&iacute;lia, para o Rio de Janeiro onde ali permaneci um ano. Retornando de l&aacute; vim para Bras&iacute;lia e aqui fui reeleito novamente. O meu primeiro mandato como presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Delegados de Pol&iacute;cia Federal iniciou-se em mar&ccedil;o de 1985 e foi at&eacute; 31 de mar&ccedil;o de 1987. Depois eu fiquei fora um per&iacute;odo, retornei a Bras&iacute;lia; houveram outros candidatos que ficaram na presid&ecirc;ncia. Em abril de 1995 eu assumi, estando at&eacute; hoje na presid&ecirc;ncia da ADPF.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; O senhor serviu de 1961 a 1964, sob o regime anterior, serviu ap&oacute;s o golpe de 1964 at&eacute; 1985, e ap&oacute;s 1985 com a volta da democracia. Nos tr&ecirc;s per&iacute;odos, qual foi a grande mudan&ccedil;a no &oacute;rg&atilde;o?<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; A mudan&ccedil;a mesmo iniciou em 1969, quando come&ccedil;aram os concursos externos, que at&eacute; ent&atilde;o n&atilde;o havia concurso. Foi com aberto a vinda dos policiais do ent&atilde;o antigo Distrito Federal do Rio de Janeiro, porque com a mudan&ccedil;a da capital para Bras&iacute;lia, porque eles teriam que acompanhar o governo. Mas muitos estavam com suas fam&iacute;lias l&aacute; e n&atilde;o quiseram sair do Rio de Janeiro. A&iacute; houve necessidade de arregimentar gente em 1961 para compor a Pol&iacute;cia em Bras&iacute;lia. Foi aonde foi feito recrutamento no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro e em Recife e nesse recrutamento feito no Rio Grande do Sul veio uma leva muito grande de ga&uacute;chos. Aqui alguns foram para a Academia Nacional de Pol&iacute;cia, onde fizeram curso de patrulheiro. Patrulheiro eram os que dirigiam as r&aacute;dio-patrulhas, porque na &eacute;poca a pol&iacute;cia tinha jurisdi&ccedil;&atilde;o t&atilde;o somente em Bras&iacute;lia, no Distrito Federal. Nesse per&iacute;odo de 1961 a 1964 n&oacute;s fizemos alguns cursos de aperfei&ccedil;oamento: curso de detetive, curso de investiga&ccedil;&atilde;o criminal, curso de informa&ccedil;&atilde;o e contra-informa&ccedil;&atilde;o. Em 1964, com a reestrutura&ccedil;&atilde;o do Departamento, onde houve a separa&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Federal com a Pol&iacute;cia Civil, que desse antigo DFSP sai uma Pol&iacute;cia Civil do Distrito Federal e a Pol&iacute;cia Federal. E foi aberto novo voluntariado para os colegas do Rio, da Pol&iacute;cia do antigo Distrito Federal do Rio de Janeiro, retornarem sendo por op&ccedil;&atilde;o a Pol&iacute;cia Federal. Alguns come&ccedil;aram a optar e ser lotados nos estados. Para eles era uma dificuldade muito grande porque o sal&aacute;rio era baixo demais e eles com as suas fam&iacute;lias estruturadas no Rio de Janeiro, mas muitos deixaram as fam&iacute;lias e iam passaram os estados t&atilde;o somente. Passavam at&eacute; dificuldades financeiras, porque n&atilde;o podiam dividir esse dinheiro entre eles e as fam&iacute;lias. Mas em 1969 foi feito o 1&ordm; concurso para motoristas policiais e inspetores de pol&iacute;cia. Em 1972 come&ccedil;aram os novos concursos e hoje n&oacute;s estamos vivendo a&iacute; uma renova&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de concursos. Ent&atilde;o a Pol&iacute;cia Federal ela come&ccedil;ou a ter for&ccedil;a e corpo a partir de 1969, com os concursos que iniciaram naquela &eacute;poca.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Nesse per&iacute;odo o cargo de inspetor equivaleria a delegado?<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; O inspetor correspondia a delegado. Em 1976 ou 1977, se n&atilde;o me falha a mem&oacute;ria, &eacute; que eles foram deixar de ser inspetores, foram para a nomenclatura de delegados de pol&iacute;cia federal.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Na atualidade o senhor acha que a Pol&iacute;cia Federal, pelas atribui&ccedil;&otilde;es da Constitui&ccedil;&atilde;o, est&aacute; com&#8230;<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; Hoje, pela Constitui&ccedil;&atilde;o, em raz&atilde;o das in&uacute;meras atribui&ccedil;&otilde;es, em qualquer fato que venha ocorrer &eacute; chamada a Pol&iacute;cia Federal para ficar &agrave; frente. Mas o efetivo &eacute; muito reduzido. N&oacute;s ter&iacute;amos que ter hoje cerca de 25 mil homens.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Que s&atilde;o 7 mil correto?<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; Hoje est&aacute; em torno de sete mil. Ent&atilde;o &eacute; um n&uacute;mero&#8230; h&aacute; uma defasagem muito grande de policiais. &Eacute; feito um grande milagre com esses policiais. Muito servi&ccedil;o tem sido feito em raz&atilde;o do respeito e do amor que as pessoas que est&atilde;o em atividade t&ecirc;m pela institui&ccedil;&atilde;o, sen&atilde;o n&atilde;o faria nada.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; A que o senhor atribui o fato de que a opini&atilde;o p&uacute;blica veja, que a gente pode ver, diferindo das demais, que o grau de respeito &agrave; Pol&iacute;cia Federal ser muito superior &agrave;s pol&iacute;cias estaduais. A que o senhor atribui isso?<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; &Eacute; que a Pol&iacute;cia Federal &eacute; uma institui&ccedil;&atilde;o mais nova. Ent&atilde;o ela ainda n&atilde;o tem os v&iacute;cios que as pol&iacute;cias estaduais t&ecirc;m, os desvios de conduta. Claro que na Pol&iacute;cia Federal existem os desvios de conduta, mas &eacute; bem mais reduzido em fun&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio efetivo. As pol&iacute;cias estaduais t&ecirc;m um efetivo muito grande, os sal&aacute;rios baixos demais. Ent&atilde;o, eu acho que o governo devia pensar um pouco mais naquelas pessoas que foram escolhidas para fazer seguran&ccedil;a p&uacute;blica. Oorque o policial &eacute; um cidad&atilde;o igual aos demais, s&oacute; que ele tem uma miss&atilde;o a mais, ele faz um concurso, faz uma Academia, recebe uma carteira policial e uma arma para fazer a seguran&ccedil;a da comunidade e dele pr&oacute;prio. E ele n&atilde;o &eacute; reconhecido, ganha um sal&aacute;rio baixo, &agrave;s vezes ele tem que arrumar bico, trabalhar em boate prestando seguran&ccedil;a, essas coisas. Ent&atilde;o, essa que &eacute; a raz&atilde;o da&#8230; o sal&aacute;rio baixo que eles ganham. A Pol&iacute;cia Federal, eu n&atilde;o sei precisar a data, mas ela come&ccedil;ou a partir da &eacute;poca do Presidente Figueiredo, ela come&ccedil;ou a ter um sal&aacute;rio mais condigno com as fun&ccedil;&otilde;es. Ent&atilde;o melhorou muito a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os. Apesar, que eu n&atilde;o quero dizer com isso, que l&aacute; atr&aacute;s n&atilde;o era feito nada. Era feito, sim. &Eacute; que as pessoas que ingressavam na pol&iacute;cia n&atilde;o foram atr&aacute;s de dinheiro, entraram por uma voca&ccedil;&atilde;o. O que acontece hoje, &eacute; que n&oacute;s temos bons policiais, &oacute;timos policiais, alguns foram felizes porque na &eacute;poca do concurso j&aacute; estavam com forma&ccedil;&atilde;o em Direito, ou outro curso, que puderam fazer a sua faculdade de Direito ou outra faculdade, pessoas essas que foram aproveitadas como delegados ou peritos. Claro que n&atilde;o &eacute; porque chegou a bacharel em Direito, acabou a faculdade, que e fez um curso na &aacute;rea de Engenharia, que assumiu o cargo de delegado ou de perito. Eles se submeteram a uma sele&ccedil;&atilde;o pela Academia. Muitos desses hoje est&atilde;o concorrendo com esses jovens que saem de uma faculdade, para conseguirem serem delegados ou peritos. Isso &eacute; uma das grandes conquistas nossa, porque se torna muito pesado para os colegas da casa eles concorrerem com jovens sa&iacute;dos da faculdade, com conhecimentos jur&iacute;dicos bem avan&ccedil;ados. Os nossos colegas para fazerem concursos &eacute; uma dificuldade, n&atilde;o se preparam como deveriam porque n&atilde;o t&ecirc;m tempo ou em raz&atilde;o do trabalho. Ent&atilde;o, concorrer j&aacute; com uma certa idade com esses jovens de vinte e poucos anos ficou muito dif&iacute;cil. Ent&atilde;o, na Lei Org&acirc;nica que est&aacute; sendo feita a&iacute; agora, at&eacute; ent&atilde;o isto n&atilde;o havia. Pensa-se em abrir um espa&ccedil;o para que o pessoal da casa tenha oportunidade de concorrer para delegado e perito. Reservaram uma proporcionalidade de uns 40% ou 50% para que eles possam fazer o concurso para delegado e perito. O que n&oacute;s temos que pensar &eacute; o seguinte: n&oacute;s temos hoje essa mo&ccedil;ada que est&aacute; saindo da faculdade, com conhecimentos jur&iacute;dicos dos melhores. Mas v&atilde;o para a Academia e fazem um curso de tr&ecirc;s meses. A&iacute; n&oacute;s temos aqueles policiais que j&aacute; t&ecirc;m 15, 18, 20, 20 e poucos anos exercendo uma atividade policial. Ent&atilde;o, essas pessoas que est&atilde;o exercendo a atividade policial s&atilde;o pessoas que conhecem de investiga&ccedil;&atilde;o. Enfim, s&atilde;o pessoas que se fazem o concurso para delegado, vai ter um equil&iacute;brio. Oque est&aacute; vindo de fora com conhecimento jur&iacute;dico e o que est&aacute; na casa com conhecimento na pr&aacute;tica policial de seguran&ccedil;a. Ent&atilde;o, haveria um equil&iacute;brio e ter&iacute;amos uma Pol&iacute;cia &agrave; altura do que a comunidade espera de n&oacute;s.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; O senhor atribuiria o alto n&iacute;vel do trabalho da Pol&iacute;cia Federal na exig&ecirc;ncia de curso superior para agente?<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; N&atilde;o sei dizer isso a&iacute;, &eacute; que eles procuram , a administra&ccedil;&atilde;o preocupada em oferecer melhor servi&ccedil;o para a sociedade, eles abriram a exig&ecirc;ncia de 3&ordm; grau para o ingresso na Pol&iacute;cia Federal. Mas hoje a gente costuma ver a&iacute;, nesses concursos que abrem a&iacute;, como no Rio de Janeiro, bem recentemente agora, abriram um concurso para gari e estavam l&aacute; engenheiros, advogados, fazendo concurso l&aacute; para entrar como gari. Ent&atilde;o, muito &eacute; a dificuldade de emprego a&iacute; fora que leva as pessoas a concorrer. Agora, a tend&ecirc;ncia &ndash; que pelo menos a gente espera &ndash; que venha a melhorar o n&iacute;vel de atendimento das pessoas. Porque se fala em Pol&iacute;cia do 3&ordm; mil&ecirc;nio, quando se fala em Pol&iacute;cia do 3&ordm; mil&ecirc;nio isso falam que &eacute; uma Pol&iacute;cia que tem que ter di&aacute;logo, que n&atilde;o use armas, que fica convencendo a criminalidade na base da conversa. &Eacute; uma coisa que eu acho meio imposs&iacute;vel, porque a cada dia que passa o mundo vem ficando &eacute; mais violento, n&eacute;?<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Uma pergunta que quero lhe fazer j&aacute; de ordem interna mesmo. No debate da Lei Org&acirc;nica a gente acompanha de fora a proposta de cargo &uacute;nico. O senhor seria&#8230;.<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; Essa proposta de cargo &uacute;nico, ela houve uma rejei&ccedil;&atilde;o muito grande pelos delegados. Para os delegados e para os peritos. Porque na proposta de Lei Org&acirc;nica que consta a&iacute;, voc&ecirc; entraria por baixo, como agente de pol&iacute;cia, n&atilde;o ter&iacute;amos mais escriv&atilde;o, n&atilde;o ter&iacute;amos mais papiloscopistas, seriam agentes. A&iacute; eles iam galgar quatro carreiras para depois chegar na especial, da especial eles fazerem uma prova de sele&ccedil;&atilde;o dada pela Academia. N&atilde;o &eacute; um trem da alegria. Eles n&atilde;o v&atilde;o chegar na especial e pular l&aacute; para a Academia, para fazer curso de delegado. Mesmo porque n&atilde;o teria, mas vai chegar uma ocasi&atilde;o que vai ter. Uma hip&oacute;tese, n&atilde;o vamos exagerar, uns 5 mil especiais. Tem 200 vagas para delegado e 300 vagas para perito, voc&ecirc; tem que selecionar para colocar o n&uacute;mero. Se voc&ecirc; dizer que &eacute; um trem da alegria, eu n&atilde;o acredito muito em trem da alegria, mesmo porque se tem s&oacute; 300 vagas, v&atilde;o ter de fazer uma sele&ccedil;&atilde;o para botar s&oacute; 300. Agora, eu acho que &eacute; ruim &eacute; que voc&ecirc; deixa de oxigenar o &oacute;rg&atilde;o. Ent&atilde;o , voc&ecirc; fazendo como eu falei, tantos percentual para o pessoal mais da casa e o ingresso de pessoas de fora&#8230; &eacute; o que eu te falei: vem o preparo de uma faculdade bem feita, de quem teve tempo para estudar, com quem j&aacute; fazia pol&iacute;cia. Far&iacute;amos uma &oacute;tima Pol&iacute;cia.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Dr. Bol&iacute;var, uma pergunta de fundo. Ontem eu recebi l&aacute; no edif&iacute;cio-sede a revista da Pol&iacute;cia Federal. E nas opera&ccedil;&otilde;es especiais, a maioria dos enquadrados que eu li ali s&atilde;o pessoas com grau de autoridade p&uacute;blica. Algum grau de autoridade e riqueza, como vereadores, pol&iacute;ticos, empres&aacute;rios no caso de roubo de cargas, entorpecentes, etc. Pela atividade do senhor, o senhor acha que hoje necessariamente deveria haver uma vigil&acirc;ncia maior sobre as autoridades?<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; Eu acho que, &oacute;bvio que &eacute; claro que a Pol&iacute;cia ela n&atilde;o v&ecirc; na frente um parlamentar como um cidad&atilde;o comum, acho que todos os infratores devem sofrer as san&ccedil;&otilde;es do seu erro. Agora n&atilde;o quer dizer que ele &eacute; parlamentar, vereador, ou coisa que pode ter uma isen&ccedil;&atilde;o. Ele &eacute; tratado pelo cargo que, fosse ou n&atilde;o eleito, ele teve uma prefer&ecirc;ncia. Agora, voc&ecirc; n&atilde;o pode considerar aquele cidad&atilde;o ali como um marginal. Voc&ecirc; vai apurar, vai ver as irregularidades para ent&atilde;o puni-lo. Quer dizer puni-lo, fazer o que tem que fazer e a condena&ccedil;&atilde;o compete ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico a den&uacute;ncia e ao juiz a condena&ccedil;&atilde;o. A Pol&iacute;cia apenas faz as investiga&ccedil;&otilde;es, acareia as provas para os autos e depois o Minist&eacute;rio P&uacute;blico, o Judici&aacute;rio &eacute; que toma a decis&atilde;o. Agora, eu n&atilde;o sei se eu respondi a sua pergunta.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Deixa eu formular melhor: &eacute; poss&iacute;vel investigar a rota internacional do crime sem apurar a lavagem de dinheiro, e &eacute; poss&iacute;vel apurar a lavagem de dinheiro sem apurar a fundo o que os bancos fazem?<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; N&atilde;o, isso a&iacute; tem que ser tudo casado. &Eacute; um problema que hoje est&aacute; acontecendo, a entrada de entorpecentes. Algu&eacute;m est&aacute; ficando rico com essa venda de entorpecentes. E o que ele est&aacute; fazendo com esse dinheiro? Est&aacute; investindo em alguma coisa, est&aacute; fazendo lavagem de dinheiro. Ou ele est&aacute; adquirindo im&oacute;veis, propriedades, fazendas, que hoje o governo se preocupa s&oacute; com o dinheiro no banco, n&atilde;o se preocupa com aquisi&ccedil;&atilde;o de propriedades, fazendas, nessas &aacute;reas, nos estados do Mato Grosso, Amazonas e Par&aacute;, que s&atilde;o das regi&otilde;es mais despovoadas. Ent&atilde;o, muitos desses a&iacute; est&atilde;o investindo dinheiro nessas &aacute;reas, est&atilde;o fazendo lavagem de dinheiro. Agora, tudo &eacute; casado. No crime organizado tem a lavagem de dinheiro, tem roubo de carga, essas coisas. E a Pol&iacute;cia vai quando h&aacute; uma den&uacute;ncia ou levantando alguma investiga&ccedil;&atilde;o aqui. Ela t&aacute; investigando algo aqui acaba por surgir nessa investiga&ccedil;&atilde;o outras atividades coisa e ela n&atilde;o pode deixar de lado aquelas novas pistas que surgiram. Ela continua, vai se ramificando e fazendo as investiga&ccedil;&otilde;es em torno daquilo que aparece.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; A respeito do crime organizado, a ADPF foi a favor ou contra a interven&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo no ano de 2002?<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; A ADPF n&atilde;o pode. Ela n&atilde;o se posicionou nem contra nem a favor. N&atilde;o cabe a n&oacute;s, isto a&iacute; &eacute; um ato de dire&ccedil;&atilde;o. N&oacute;s n&atilde;o entramos nas atribui&ccedil;&otilde;es da PF, de sugerir &agrave; Dire&ccedil;&atilde;o-Geral de sugerir o que tem que fazer, ou o que n&atilde;o tem que fazer. O Departamento &eacute; dirigido por um delegado de pol&iacute;cia federal, mas ele &eacute; independente. A Associa&ccedil;&atilde;o &eacute; uma entidade de classe que presta os apoios na sua &aacute;rea, mas como entidade de classe. O social, os benef&iacute;cios que as pessoas t&ecirc;m, o que possa acontecer no desempenho das suas fun&ccedil;&otilde;es, uma necessidade da contrata&ccedil;&atilde;o de um advogado. Ent&atilde;o, esse &eacute; o papel da entidade de classe. Agora, dizer que deve tirar fulano ou botar cicrano, isso a Associa&ccedil;&atilde;o em 27 anos de exist&ecirc;ncia nunca opinou por isso.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Eu teria mais uma pergunta nesse sentido. L&aacute; embaixo, na entrada, eu vi, apenas como exemplo. O ex-Diretor-Geral, Vicente Chelotti foi presidente da ADPF. A ADPF ela tem um certo peso na categoria correto, respaldo na categoria?<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; Eu creio que alguns pensem que ser presidente da Associa&ccedil;&atilde;o d&aacute; um status de vir amanh&atilde; ou depois pleitear o cargo de Diretor-Geral. Eu n&atilde;o acredito nisso. N&atilde;o acredito porque outros j&aacute; foram, delegados ativos, foram presidentes da ADPF e n&atilde;o chegaram ao cargo de Diretor-Geral. O Chelotti porque na &eacute;poca, houve um trabalho que o Ministro da Justi&ccedil;a era ligado &agrave; fam&iacute;lia dele no Rio Grande do Sul, Ministro Nelson Jobim, tinha conhecimento da fam&iacute;lia dele, conhecimento da vida profissional de Vicente Chelotti , isso motivou ele a ocupar o cargo de Diretor-Geral. Na &eacute;poca entre os nomes que foram apresentados o que lhe foi mais simp&aacute;tico foi o de Vicente Chelotti.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; O senhor acabou de falar que a Associa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o emite opini&atilde;o a respeito, mas eu sou obrigado pela profiss&atilde;o a fazer a pergunta. Na gest&atilde;o do Vicente Chelotti houveram v&aacute;rios casos na imprensa, de m&iacute;dia. A que o senhor atribui isso? O caso do SIVAM, depois o Grampo do BNDES, depois o Dossi&ecirc; Cayman, a que o senhor atribui isso? Houve excesso de visibilidade do &oacute;rg&atilde;o?<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; Olha, eu creio que seja; aqui no Brasil quando uma institui&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a a aparecer muito na m&iacute;dia, passa a ser vitrine. Ent&atilde;o come&ccedil;a a ser destaque, ent&atilde;o para tentar denegrir a imagem, ou como se diz na g&iacute;ria popular, &ldquo;fritar aquele que est&aacute; &agrave; frente&rdquo;. E a pessoa, quando come&ccedil;a a aparecer, h&aacute; ciumeira. Ent&atilde;o come&ccedil;am a querer derrubar a pessoa, ocupar seu cargo, eu vejo dessa maneira. O Chelotti na minha opini&atilde;o foi um bom Diretor-Geral, ele teve suas falhas, mas eu acho que ele fez mais de bom do que falhas, ele prestou mais servi&ccedil;o &agrave; institui&ccedil;&atilde;o policial e ao pa&iacute;s do que as falhas de que est&atilde;o acusando ele. Claro que h&aacute; falhas, tem algumas falhas como o problema SIVAM. O problema das Ilhas Cayman; t&atilde;o culpando ele por fatos. Tem fatos que ele tomou decis&otilde;es que ele tomou ali, tem de tomar sempre decis&otilde;es em raz&atilde;o do cargo dele. Em raz&atilde;o de preservar de certo eu n&atilde;o sei, n&atilde;o t&ocirc; afirmando, o Presidente da Rep&uacute;blica, outras coisas. Come&ccedil;aram a culpar numa &eacute;poca a&iacute; o ministro Motta, o governador de S&atilde;o Paulo, dizendo que tinha contas nas Ilhas. Mas n&atilde;o comprovaram nada. E agora eles continuam explorando. A m&iacute;dia quer explorar, a m&iacute;dia quer vender. Quanto mais chacoalhar uma not&iacute;cia, mais mente o jornal.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Nesse sentido, o relacionamento com a ABIN, n&atilde;o teria chegado ao limite da hierarquia quando, no grampo do BNDES, n&atilde;o foi feita a acarea&ccedil;&atilde;o do agente Telmiro de Souza com o general Cardoso<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; Nem sei se houve isso a&iacute;. A imprensa &eacute; que jogou ali que o general Cardoso estava querendo assumir a Pol&iacute;cia Federal. Havia um bom relacionamento com o general Cardoso inclusive com o Departamento. Especialmente na pessoa que assumiu depois como Diretor-Geral, depois do Dr. Chelotti, o Dr. Ag&iacute;lio, havia um bom relacionamento entre a ABIN e o Departamento de Pol&iacute;cia Federal. A ABIN na sua &aacute;rea de informa&ccedil;&otilde;es, com a fun&ccedil;&atilde;o de manter o presidente informado e a Pol&iacute;cia Federal exercendo sua fun&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;cia, pol&iacute;cia judici&aacute;ria da Uni&atilde;o.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Para encerrar, eu queria fazer uma pergunta anterior. O senhor &eacute; do Rio Grande, queria saber da onde no estado, e se por acaso era servidor da Brigada, da Pol&iacute;cia Civil de l&aacute;^?<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; Eu venho da vida civil l&aacute;. Eu era estudante l&aacute;, vim para c&aacute; com 21anos de idade, eu morei e nasci em Os&oacute;rio, depois fui para Gravata&iacute;, e de Gravata&iacute; &eacute; que vim para Bras&iacute;lia.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Isso em 1961?<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; 1961.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; De l&aacute; para c&aacute; a resid&ecirc;ncia do senhor &eacute; Bras&iacute;lia?<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; Bras&iacute;lia. Estive seis anos fora, quando eu estive no Paran&aacute; a servi&ccedil;o, mas a maior parte do tempo foi em Bras&iacute;lia.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Mais uma, e isso de opini&atilde;o pessoal mesmo. Hoje qual seria o local mais complicado para a PF atuar no pa&iacute;s na sua opini&atilde;o?<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; A Pol&iacute;cia Federal tem tido muita dificuldade, inclusive h&aacute; um plano do governo federal com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; regi&atilde;o Norte. O efetivo &eacute; reduzid&iacute;ssimo, as vias fluviais, as fronteiras secas, fronteiras a&eacute;reas, na selva &eacute; humanamente imposs&iacute;vel voc&ecirc; controlar a entrada. N&oacute;s temos tr&ecirc;s pa&iacute;ses produtores de coca&iacute;na: Col&ocirc;mbia, Peru e Bol&iacute;via. Ent&atilde;o o efetivo l&aacute; naquela regi&atilde;o &eacute; m&iacute;nimo. Ali &eacute; uma das regi&otilde;es mais cr&iacute;ticas, no que diz respeito &agrave; pol&iacute;cia federal, das suas atribui&ccedil;&otilde;es constitucionais. Ou seja tr&aacute;fico de entorpecentes, contrabando, biopirataria, essas coisas. Agora, em mat&eacute;ria de viol&ecirc;ncia, isso n&oacute;s temos no Rio de Janeiro, S&atilde;o Paulo, Bras&iacute;lia, mas isso n&atilde;o &eacute; compet&ecirc;ncia nossa, &eacute; da pol&iacute;cia civil e pol&iacute;cia militar.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Nesse sentido a guarda de fronteiras funciona? O senhor &eacute; a favor da cria&ccedil;&atilde;o de uma Pol&iacute;cia Federal Fardada, uma Guarda Federal Fardada?<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; Falando de pol&iacute;cia fardada, n&oacute;s j&aacute; tivemos a proposta da cria&ccedil;&atilde;o de uma guarda fardada para tomar conta das fronteiras. N&oacute;s temos a Imigra&ccedil;&atilde;o, que &eacute; um servi&ccedil;o de controle de sa&iacute;da e de entrada nas fronteiras, posto de fiscaliza&ccedil;&atilde;o. Isso j&aacute; vem h&aacute; muitos anos atr&aacute;s, e na parte de Imigra&ccedil;&atilde;o, que era um dos &oacute;rg&atilde;os que tomava conta era tudo paisano. A Pol&iacute;cia Mar&iacute;tima na &eacute;poca era uniformizada, aqueles que iam a bordo de embarca&ccedil;&otilde;es, em lanchas. Que n&atilde;o era uma farda aquilo, era um uniforme semelhante hoje ao desses comiss&aacute;rios de aeronave, era uma cal&ccedil;a azul-marinho e uma camisa branca. Esse era o uniforme que a Pol&iacute;cia Mar&iacute;tima usava, eu disse a Pol&iacute;cia Mar&iacute;tima, que era um complemento da parte imigrat&oacute;ria. A Imigra&ccedil;&atilde;o, a institui&ccedil;&atilde;o que n&oacute;s t&iacute;nhamos e a Pol&iacute;cia Mar&iacute;tima. Hoje essa parte de Imigra&ccedil;&atilde;o, que pertencia ao ent&atilde;o Minist&eacute;rio da Agricultura, passou para a Pol&iacute;cia Federal essas atribui&ccedil;&otilde;es. Mas eu acho que farda ou n&atilde;o farda n&atilde;o resolve nada. O que n&oacute;s temos que ter &eacute; gente para colocar nessas fronteiras. Que eu acho que voc&ecirc; tem de ter um civil para fazer as investiga&ccedil;&otilde;es. Um exemplo, est&aacute; acontecendo um crime numa rua ali. A&iacute; chamam a pol&iacute;cia, vem a pol&iacute;cia com as sirenes ligadas, voc&ecirc; acha que o ladr&atilde;o vai ficar esperando? A pr&oacute;pria pol&iacute;cia avisa que est&aacute; chegando. E se voc&ecirc; encontrar uma pessoa fardada numa fronteira; voc&ecirc; pode botar uma pessoa uniformizada nos aeroportos para a pessoa saber que aquela pessoa uniformizada ali &eacute; um policial que est&aacute; ali para a atividades imigrat&oacute;rias. Agora, numa fronteira, uma fronteira como Foz do Igua&ccedil;u, que l&aacute; n&atilde;o tem como controlar, que l&aacute; &eacute; que a Rua da Praia em Porto Alegre o movimento. Ent&atilde;o, o que tu faz ali? Nada. Passa perto da fiscaliza&ccedil;&atilde;o aqueles que querem ser fiscalizados, s&oacute; os que v&atilde;o ingressar no pa&iacute;s, que v&atilde;o a S&atilde;o Paulo, ou Rio de Janeiro, ou que v&atilde;o passar pelo Brasil em tr&acirc;nsito. Sen&atilde;o, ningu&eacute;m se preocupa com o policial e ele n&atilde;o tem como controlar essas pessoas. Pode estar fardado, pode estar l&aacute; do jeito que estiver, que n&atilde;o adianta. Ent&atilde;o, est&aacute; l&aacute;: Pol&iacute;cia Mar&iacute;tima\/Imigra&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o aqueles que querem adentrar ao pa&iacute;s j&aacute; sabem que t&ecirc;m que passar na fiscaliza&ccedil;&atilde;o para se submeter a um carimbo. Ent&atilde;o n&atilde;o importa que esteja l&aacute; no cargo uniformizado ou civil. S&oacute; n&atilde;o pode estar esfarrapado, eu acho que ele tem que ter uma certa apresenta&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o &eacute; isso que eu acho que &eacute; interessante.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Eu quero te agradecer pela entrevista e espero seguir na pesquisa, voltando outras vezes.<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; Ok, estamos a&iacute;. Voc&ecirc; pode reparar que a pol&iacute;cia n&atilde;o tem direitos. Quem tem direitos humanos &eacute; marginal, policial n&atilde;o tem direito a direitos humanos. O policial, ele &eacute; um cidad&atilde;o igual aos demais, recebe tratamento para zelar pela vida dele e pela vida daquelas pessoas. E no fim ele n&atilde;o pode, ele n&atilde;o presta assist&ecirc;ncia &agrave; sua vida, &agrave; sua fam&iacute;lia porque ele tem que prestar assist&ecirc;ncia ao cidad&atilde;o que paga o seu sal&aacute;rio. Agora, &eacute; um sal&aacute;rio irris&oacute;rio, que ele n&atilde;o pode nem botar o filho num col&eacute;gio decente, n&atilde;o pode ter um im&oacute;vel para morar, n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es de comprar uma casa em suaves presta&ccedil;&otilde;es. Eu acho que quem &eacute; policial, que est&aacute; numa atividade dessas e que tem que se dedicar com exclusividade &agrave; seguran&ccedil;a p&uacute;blica, n&atilde;o estou dizendo que tem que ter regalias e regalias, mas ele tinha que ser facilitado na quest&atilde;o da aquisi&ccedil;&atilde;o de uma casa pr&oacute;pria, aquisi&ccedil;&atilde;o de um transporte para os fins de semana. Ele trabalhou uma semana toda na rua, num distrito, ou numa fronteira. Chega s&aacute;bado e domingo, ele pega sua fam&iacute;lia, bota sua fam&iacute;lia num carrinho, vai l&aacute; para uma beira de rio, faz um churrasco, fica na sombra, vai jogar uma bola. Todos n&oacute;s, todo o cidad&atilde;o gostaria de ter esse benef&iacute;cio. Ah mas dizem que a gente quer regalia, e os outros que n&atilde;o tem?! Ah os outros, cada um tem as suas fun&ccedil;&otilde;es. Agora o policial que tem as suas fun&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o as fun&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a p&uacute;blica, ele deveria ser visto com outros olhos. Hoje direitos humanos s&oacute; tem para marginal, e policial, ele n&atilde;o sofre repres&aacute;lias? Cad&ecirc; os direitos humanos do policial? Essa parte de ter direito a ter uma casa e sal&aacute;rio digno, isso s&atilde;o direitos humanos, mas isso ningu&eacute;m v&ecirc;.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; A que o senhor atribui isso?<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; Eu acho que ta errado. Acho que tem que ser, os governos t&ecirc;m que criar um setor pra ver. Voc&ecirc; v&ecirc; hoje em dia, um policial participa de uma barreira de estrada, um tiroteio, uma briga, seja o que for. Ele sai dali, ele n&atilde;o tem um acompanhamento psicol&oacute;gico, n&atilde;o tem nada. Quer dizer, ele vai se embrutecendo, vai ficando violento. Eu acho que tinha que ter um acompanhamento, uma assist&ecirc;ncia psicol&oacute;gica. E hoje se tem um problema de doen&ccedil;a na fam&iacute;lia, que voc&ecirc; hoje para se ter um plano de sa&uacute;de, voc&ecirc; paga uma Unimed da vida pagando uma fortuna para ter um plano de sa&uacute;de. V&ecirc; a maioria desses policiais, qual o plano de sa&uacute;de que tem? &Eacute; hospital p&uacute;blico, com uma dificuldade para ser atendido, ou ele est&aacute; l&aacute; trabalhando com a cabe&ccedil;a voltada para casa, fica pensando &ldquo;meu filho t&aacute; l&aacute; com febre e eu n&atilde;o tenho um servi&ccedil;o que atenda&rdquo;. Ent&atilde;o eu acho que n&oacute;s dever&iacute;amos ter, o pr&oacute;prio Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a tem uma Secretaria de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica dentro do Minist&eacute;rio, que devia ser voltada para esta parte da vida do cidad&atilde;o policial.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; O senhor diz ent&atilde;o que antes de propor qualquer coisa teria de melhorar as condi&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas, &eacute; isso?<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; Eu acho que tem de melhorar as condi&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Seria o primeiro passo?<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &#8211; Hoje voc&ecirc; v&ecirc; uma coisa, tem as puni&ccedil;&otilde;es, ao menos na Pol&iacute;cia Federal. Se houver um desvio de conduta de um policial federal, ele vai responder e ele perde tudo o que ele tem. Ele volta a ser cidad&atilde;o comum. Ele perde direito &agrave;s vantagens que ele tem. Ent&atilde;o, se ele errar, ele perde tudo. Por isso &eacute; que eu acho que ele deve ter um sal&aacute;rio bom para evitar as tenta&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Assim, como comparando com a situa&ccedil;&atilde;o do Judici&aacute;rio. Tem bons sal&aacute;rios para evitar&#8230;<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; Eu acho que at&eacute; a Pol&iacute;cia, ele poderia fazer parte do Judici&aacute;rio. A&iacute; n&oacute;s ter&iacute;amos a investiga&ccedil;&atilde;o a parte policial, a apresenta&ccedil;&atilde;o da acusa&ccedil;&atilde;o ou a den&uacute;ncia pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico e a defesa e a acusa&ccedil;&atilde;o, aquilo &eacute; com o juiz.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; O senhor diz, subordinar o &oacute;rg&atilde;o policial n&atilde;o vinculando com o Executivo?<\/p>\n<p>BOL&Iacute;VAR &ndash; Digo ao Poder Judici&aacute;rio de fato tudo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c (&#8230;) aqui no Brasil quando uma institui\u00e7\u00e3o come\u00e7a a aparecer muito na m\u00eddia, passa a ser vitrine. Ent\u00e3o come\u00e7a a ser destaque, ent\u00e3o para tentar denegrir a imagem, ou como se diz na g\u00edria popular, \u2018fritar aquele que est\u00e1 \u00e0 frente\u2019. E a pessoa, quando come\u00e7a a aparecer, h\u00e1 ciumeira\u201d. 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