{"id":2461,"date":"2020-06-21T10:00:57","date_gmt":"2020-06-21T13:00:57","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanaliseblog.com\/?p=2461"},"modified":"2020-06-21T10:00:57","modified_gmt":"2020-06-21T13:00:57","slug":"vai-ter-golpe-analise-de-teor-especulativo-em-cima-do-tabuleiro-que-pode-se-avizinhar-no-brasil-artigo-de-analise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=2461","title":{"rendered":"Vai ter golpe? An\u00e1lise de teor especulativo em cima do tabuleiro que pode se avizinhar no Brasil &#8211; artigo de an\u00e1lise"},"content":{"rendered":"<p>Por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/blimarocha\"><u>Bruno Lima Rocha<\/u><\/a> &#8211; 21 de junho de 2020 &#8211; ilustra\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100005706308090\">Rafael Costa\u00a0<\/a><\/p>\n<p>Divido esse artigo em tr\u00eas partes para um debate urgente, que deixou de estar no universo da imagina\u00e7\u00e3o para entrar na conjectura especulativa.\u00a0 Nas \u00faltimas semanas a pergunta \u201cvai ter golpe?\u201d tornou-se recorrente em diversos debates. E reconhecemos que existe algo de muito podre na Rep\u00fablica do Bananist\u00e3o. O texto que segue se dedica a especular sobre poss\u00edveis manobras da extrema-direita no pa\u00eds. N\u00e3o me dedico a tentar \u201cdar linha\u201d pela internet, considero essa posi\u00e7\u00e3o pretensiosa e desnecess\u00e1ria, j\u00e1 que tomo como \u00fanicas linhas poss\u00edveis as tomadas em decis\u00f5es coletivas dentro de partidos, coletivos, movimentos e demais agrupa\u00e7\u00f5es mais \u00e0 esquerda. Como disse o mestre Lupic\u00ednio Rodrigues, aos quem t\u00eam \u201cnervos de a\u00e7o\u201d, vamos ao debate.<\/p>\n<p><strong>Primeiro debate \u2013 Vai ter golpe?\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>Quero arriscar a proje\u00e7\u00e3o de alguns cen\u00e1rios. Reconhe\u00e7o o risco pol\u00edtico de golpe e afirmo, com certo n\u00edvel de especula\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o passa de 20%, mas que pode entrar em espiral de incertezas, diante daquilo que n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel de ser planejado. Creio que a \u00fanica forma de haver um golpe de Estado no Brasil atual seria uma esp\u00e9cie de autogolpe tutelado com o cl\u00e3\u00a0 Bolsonaro \u00e0 frente e com apoio direto das For\u00e7as Armadas, intermediadas pelo quase 3.000 militares que ocupam cargos na administra\u00e7\u00e3o federal do atual desgoverno. A f\u00f3rmula do autogolpe n\u00e3o \u00e9 uma novidade na Am\u00e9rica Latina (Bordaberry no Uruguai, em 1973, Fujimori no Peru, em 1992) e tampouco no Brasil, com a implanta\u00e7\u00e3o do Estado Novo, em 1937. Nas tr\u00eas ocasi\u00f5es, o l\u00edder golpista civil, incluindo Vargas, contou com apoio incondicional do alto comando das for\u00e7as armadas, sendo que j\u00e1 vinham se preparando para a tomada parcial ou total do poder de Estado. Logo, ao estabelecer tamanho contingente na gest\u00e3o direta da Uni\u00e3o, militares de carreira podem pensar que se sentem preparados para assumir um governo, mas jamais para novamente tomar conta do Estado, como fizeram em 1964.<\/p>\n<p>Que tipo de motiva\u00e7\u00e3o pode haver para um autogolpe resultando num golpe de Estado, com Bolsonaro \u00e0 frente, mas diante de press\u00e3o e tutela dos generais de seu governo? Vejo como \u00fanica possibilidade a cassa\u00e7\u00e3o da chapa Bolsonaro-Mour\u00e3o, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). N\u00e3o vislumbro, caso essa decis\u00e3o seja tomada na mais alta corte eleitoral do pa\u00eds, possibilidades de que o n\u00facleo mais duro do bolsonarismo aceite a resolu\u00e7\u00e3o. Logo, de imediato, seria necess\u00e1ria a quebra evidente da disciplina militar, seja por parte do Ex\u00e9rcito Brasileiro ou mesmo de setores inteiros de Pol\u00edcias Militares nos estados, talvez em estados-chave (como Rio, S\u00e3o Paulo ou Minas Gerais), qui\u00e7\u00e1 no Distrito Federal (unidade da federa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o considero defens\u00e1vel, caso o governo distrital se mantenha legalista) ou, numa jogada de mestre, sublevar algum governo estadual comandado\u00a0 pela centro-esquerda (como Bahia, Maranh\u00e3o e Cear\u00e1).<\/p>\n<p>Entre uma decis\u00e3o do TSE e algum recurso impetrado no STF estar\u00edamos diante de uma escalada de mobiliza\u00e7\u00e3o de for\u00e7as pol\u00edticas, sociais, econ\u00f4micas (sim, porque parte do empresariado que apoiou Bolsonaro em 2018 recuaria), com \u00eanfase dentro dos estamentos que comandam os aparelhos Judici\u00e1rio (incluindo os MPs), Policial (militarizado ou civil) e militar. Existe alguma ala legalista acima de tudo? Existem generais, almirantes e brigadeiros dispostos a ir \u00e0s ultimas consequ\u00eancias para assegurar o arremedo de ordem constitucional que sobrevivera ao golpe com apelido de impeachment de 2016? Sinceramente n\u00e3o sei e desconfio que inexista. Ao mesmo tempo, reconhe\u00e7o que ao que se anuncia nos grandes portais que ainda se reivindicam como jornal\u00edsticos, tais pontes e rela\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a estariam sendo constru\u00eddas em todo momento.<\/p>\n<p><strong>Segundo debate: primeiro bloco de ang\u00fastias<\/strong><\/p>\n<p>A baderna militar pode anteceder a tomada do poder pelos generais de Bolsonaro? Tal tomada de poder pode constituir uma ordem pol\u00edtica nova, de tipo semi-parlamentarista, algo fundamental para garantir tanto a estabilidade da rep\u00fablica como tamb\u00e9m a imutabilidade das rela\u00e7\u00f5es de privil\u00e9gio e acumula\u00e7\u00e3o de riquezas e recursos de poder? Seria poss\u00edvel forjar uma sa\u00edda t\u00e3o r\u00e1pida em pouco tempo? \u00a0Se esse suposto semi-parlamentarismo for implantado, o modelo \u00e9 transfer\u00edvel ao menos para os governos estaduais? Quais dos poderes f\u00e1ticos da rep\u00fablica e dos blocos de poder e interesses identificados e com envergadura nacional estariam se antecipando? Por exemplo: no pr\u00e9-1964, o plano de conting\u00eancia seria um governo rebelde \u00e0 direita com Magalh\u00e3es Pinto em Minas Gerais, co-governo da UDN com a milicada fascist\u00f3ide. Por isso que o general integralista Olympio Mour\u00e3o Filho arrancou pela Rio-Bahia para tomar a Guanabara. Paratal, Magalh\u00e3es, Lacerda e o impag\u00e1vel Adhemar de Barros fizeram viagens \u00e0 Washington, tomaram a b\u00ean\u00e7\u00e3o do futuro finado John F. Kennedy e receberam garantias da embaixada do Imp\u00e9rio que receberiam refor\u00e7o militar. N\u00e3o foi necess\u00e1rio \u00e0 \u00e9poca. J\u00e1 agora n\u00e3o tem nada disso. Ser\u00e1 que o viralatismo fardado se arrisca a tal ponto sem a garantia de apoio expl\u00edcito dos gringos? \u00c9 de se duvidar, mas opera\u00e7\u00f5es paralelas sempre se desenvolvem nos Estados Unidos.<\/p>\n<p><strong>D\u00favidas cru\u00e9is e de tirar o sono \u2013 segundo bloco de ang\u00fastias<\/strong><\/p>\n<p>Realmente admito e entendo que estamos por diante de uma escalada do risco pol\u00edtico. Quando Romero Juc\u00e1 proclamou o arranjo de quase todos para safar da Lava Jato, trouxe a ideia de que seria \u201ccom o Supremo, com tudo\u201d. Enquanto isso, nos quarteis, a milicada disse que n\u00e3o iria interferir. Por que n\u00e3o interferir? Aponto quatro poss\u00edveis raz\u00f5es: uma \u00e9 a cruzada moralista do tipo \u201crevolu\u00e7\u00e3o colorida\u201d, em que o vento a favor jogava o poder pol\u00edtico no colo do Nosferatu Adhemarista, que traria um protagonismo de generais muito ressabiados com a Comiss\u00e3o da Verdade (t\u00edmida, incompleta e que n\u00e3o resultou em justi\u00e7a de transi\u00e7\u00e3o). A segunda \u00e9 a apar\u00eancia de legalidade, com os Lavajeteiros Made in U$A deitando e rolando nos terninhos, nas caras e bocas, com seu linguajar punitivista e o aval dos gringos. Uma terceira, porque houve a apar\u00eancia de legalidade o tempo todo, mesmo quando o Marreco da Republiqueta de Curitiba assumia todos os riscos de fraude processual, com o famoso \u201cn\u00e3o temos provas, mas temos convic\u00e7\u00f5es!\u201d, dito pelo Danoninho em rede nacional. A quarta e \u00faltima \u00e9 o fator inequ\u00edvoco que, com transmiss\u00f5es ao vivo e a cores, a Globo e outras emissoras transmitiam as vers\u00f5es contempor\u00e2neas dos fariseus, entreguistas, vigaristas de todos os tamanhos, enquanto os \u201cmeninos do Brazil\u201d, do MBL e outras excresc\u00eancias, clamavam por mais \u201cMarchas com \u2018deus\u2019 pela democracia de mercado e o fim dos direitos sociais!\u201d. Nada disso acontece agora, muito pelo contr\u00e1rio, e essa aus\u00eancia n\u00e3o deixa de ser um alento.<\/p>\n<p><strong>O viralatismo fardado est\u00e1 presente \u2013 terceiro bloco de ang\u00fastias<\/strong><\/p>\n<p>Por outro lado, o fator militar n\u00e3o estava presente e menos ainda se tinha a legitima\u00e7\u00e3o de 57 milh\u00f5es de votos para um mentecapto que n\u00e3o sabe o que \u00e9 governar. No balan\u00e7o de contas, mesmo que eleito, Bolsonaro ganha o campeonato de crimes de responsabilidade, comanda um minist\u00e9rio de alucinados e se recusa a governar durante a pandemia. Talvez ele nunca baixe de 25% e jamais ultrapasse novamente os 30% de apoio. Vejam bem, estou falando de chance de autogolpe com virada de mesa e regime de for\u00e7a com a cassa\u00e7\u00e3o da chapa pelo TSE.\u00a0 Esse n\u00e3o \u00e9 caso de impeachment com Mour\u00e3o assumindo numa gambiarra de tipo semi-parlamentarista e com algum cardeal da pol\u00edtica, como Rodrigo Mais (DEM-RJ), dando as cartas e servindo de fiador com os grupos de\u00a0 m\u00eddia, o baronato financeiro, os grandes capitais ainda operando no Brasil e o cada vez mais delicado equil\u00edbrio entre os estamentos \u00e0 frente dos aparelhos de Estado, com carreiras perenes.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que os generais, brigadeiros e almirantes arriscariam tomar o poder estando \u00e0 frente do Poder Executivo, subordinando os demais poderes oficiais e f\u00e1ticos do pa\u00eds? Ser\u00e1 que a ditadura de 1964 consolidaria um regime com regras autorit\u00e1rias, se n\u00e3o fosse a azeitada m\u00e1quina do SNI e depois da Guerra Interna? Evidente que n\u00e3o. E como agora n\u00e3o tem nada disso, existe sim um risco real de associa\u00e7\u00e3o ao bolsonarismo, por cumplicidade de nada haver feito durante a pandemia.<\/p>\n<p>T<strong>erceira parte \u2013 o que implicaria uma tomada de poder pela for\u00e7a de um autogolpe<\/strong><\/p>\n<p>Conjecturas de horror. Quando da decis\u00e3o pelo TSE, se houvesse uma manobra de tipo autogolpe, o Distrito Federal, mais especificamente, o Plano Piloto, teria de estar sob Estado de S\u00edtio, com toque de recolher e dispositivo de tropas federais, subordinadas ao Comando Militar do Planalto. Uma imagem semelhante ao ocorrido quando da vota\u00e7\u00e3o das Diretas J\u00e1, em 25 de abril de 1984. Mas, naquele momento, j\u00e1 havia no pa\u00eds aquilo que os cl\u00e1ssicos da transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica chamariam de Diarquia, com os governos estaduais sob comando da oposi\u00e7\u00e3o, sendo que, na \u00e9poca, o aparelho destes poderes sub-nacionais ainda estava intacto (contando, inclusive, com bancos e instrumentos de pol\u00edtica econ\u00f4mica para emitir t\u00edtulos e cr\u00e9ditos).<\/p>\n<p>Se hoje o pa\u00eds \u00e9 mais centralizado na Uni\u00e3o, na d\u00e9cada de \u201980 j\u00e1 n\u00e3o era tanto, ainda estando sob o comando dos pal\u00e1cios de governadores uma cole\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es importantes. Restam no \u00e2mbito estadual os aparelhos Judici\u00e1rios e Correcionais, incluindo nestes \u00faltimos as pol\u00edcias civis e os departamentos de sistema prisional. Imaginando a crise das crises, parto da premissa que a extrema-direita s\u00f3 arriscaria um golpe se tivesse uma certeza da cadeia de lealdades das PMs, cujos coron\u00e9is se subordinariam aos comandos golpistas e prenderiam os governadores estaduais. Os poderes seriam cercados como no golpe de Yeltsin contra o parlamento russo, em janeiro de 1994. Tanques e tropas de combate cercariam os pal\u00e1cios dos poderes federais e estaduais, incluindo os Tribunais de Justi\u00e7a dos estados. Ao mesmo tempo, n\u00e3o daria conta comunicar aos seguidores da extrema direita apenas atrav\u00e9s das redes sociais.<\/p>\n<p>No campo da comunica\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o basta tuitar desesperadamente. Necessariamente precisariam tomar os est\u00fadios da Globo e afiliadas, ao menos das maiores, incluindo as instala\u00e7\u00f5es da emissora l\u00edder no Rio, S\u00e3o Paulo e Belo Horizonte. Simultaneamente, seria necess\u00e1rio uma alian\u00e7a com conglomerados midi\u00e1ticos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, como um <em>pool<\/em> de redes de fariseus e daqueles que \u201ctopam tudo por dinheiro\u201d. Imediatamente, algum sentido de ordem deveria ser imposto, silenciando as oposi\u00e7\u00f5es institucionais e reprimindo com vontade os focos de resist\u00eancia popular. Quase sempre isso n\u00e3o d\u00e1 certo se n\u00e3o tiver um apoio da popula\u00e7\u00e3o disposta a se mobilizar pelos golpistas. Jango tinha mais de 70% de apoio em todas as classes, mas a direita golpista era barulhenta e contava com todo o vento a favor nas fra\u00e7\u00f5es organizadas das classes dominantes. O risco de \u201cquebra da hierarquia militar\u201d, com a sindicaliza\u00e7\u00e3o de soldados, cabos, sargentos e suboficiais motivou a ades\u00e3o de comandos de tropas ao putsch de 1\u00ba de abril de 1964. Agora seria tudo ao contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Entendo que o per\u00edodo imediatamente posterior a essa aventura tresloucada dos galinhas verdes, pintinhos amarelos, fascistoides de pijama e outras aberra\u00e7\u00f5es seria de muita repress\u00e3o, mas tamb\u00e9m\u00a0 abundando o caos e o desgoverno. Se a baderna militar come\u00e7ar, o seu final \u00e9 o imponder\u00e1vel absoluto, mas, necessariamente, passam pelo controle sobre os governos estaduais, o poder judici\u00e1rio nos estados e o mesmo em n\u00edvel federal. Tamb\u00e9m implica em subalternizar as pol\u00edcias judici\u00e1rias, a saber, as Pol\u00edcias Civis estaduais e a toda poderosa Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n<p>Seria poss\u00edvel centralizar os poderes da rep\u00fablica em torno do Poder Executivo federal e, ao mesmo tempo, subalternizar os governos subnacionais de estados e capitais ao menos? Possivelmente n\u00e3o, mas isso n\u00e3o significa que seja absolutamente invi\u00e1vel e, menos ainda, que os decr\u00e9pitos herdeiros de Sylvio Frotta, Jo\u00e3o Paulo Burnier e Carlos Penna Botto n\u00e3o tentem e qui\u00e7\u00e1, desgra\u00e7adamente, venham a ser temporariamente bem sucedidos.<\/p>\n<p><strong>Alguma conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o sei se um movimento como esse pode ser bem sucedido nas manobras t\u00e1ticas, nem qual seria o objetivo estrat\u00e9gico tipo \u201cseguran\u00e7a nacional e desenvolvimento\u201d, nas vers\u00f5es mais ponderadas de Golbery do Couto e Silva, ou do suposto \u201cpotenci\u00f4metro\u201d de Carlos de Meira Mattos. A soma caricata e rid\u00edcula de extrema direita com entreguismo, o protofascismo com mentalidade \u201c<em>marielita miamera<\/em>\u201d, e \u201cZeus, Patr\u00e3o e Famil\u00edcia\u201d, com as festas de arromba do chuveiro dourado, n\u00e3o traz meta alguma de longo prazo, a n\u00e3o ser o desmonte das capacidades e recursos de nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Como disse o finado ditador Ernesto Geisel, \u201cgolpe \u00e9 coisa muito s\u00e9ria\u201d. Golpe teve em 1945, 1954, tentativa em 1955, 1957, 1959, vit\u00f3ria dos golpistas com a emenda parlamentarista em 1961, golpe de tomada do poder em 1964, golpe dentro do golpe em 1967 \u2013 com a Constitui\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria e a posse de um marechal sucedendo a outro &#8211; e depois outro golpe dentro do golpe, em 13 de dezembro de 1968, com o AI-5. Mas, tomada do poder do Estado, pelo menos at\u00e9 onde sei, se deu no 1\u00ba de abril de 1964, um m\u00eas depois quando foi estabelecido o SNI como cabe\u00e7a de um Sistema de vigil\u00e2ncia. A\u00ed havia um controle de acesso aos postos dentro do aparelho de Estado, ou seja, a tomada de controle e censura por dentro do Estado, uma sanfona que poderia esticar ou apertar.<\/p>\n<p>Por mais que haja controle ou alguma verticalidade dentro da caserna com roupas civis ocupando milhares de postos no desgoverno Bolsonaro, a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito, mas muito distante do tipo de conspira\u00e7\u00e3o que a literatura da ci\u00eancia pol\u00edtica e da hist\u00f3ria recente exaustivamente nos demonstra. S\u00f3 n\u00e3o vejo como um gesto respons\u00e1vel ignorar completamente as bravatas e n\u00e3o supor &#8211; por algum mecanismo de nega\u00e7\u00e3o \u2013 que uma parcela dessas falas n\u00e3o tenha alguma capacidade de serem materializadas. E mais: se as falas amea\u00e7adoras s\u00e3o de autoridades constitu\u00eddas, a ideia \u201cfantasiosa\u201d se esgota e acaba como uma proje\u00e7\u00e3o de possibilidades, com baixa propor\u00e7\u00e3o de ser realizada.<\/p>\n<p>Por fim, pe\u00e7o, sugiro e suplico para que todas e todos que militem mais \u00e0 esquerda tomem esse texto como uma proje\u00e7\u00e3o de um futuro poss\u00edvel, e que se organizem a partir daquilo que j\u00e1 est\u00e1 constitu\u00eddo. Temos um tecido social profundo e cada vez mais auto organizado, que jamais permitir\u00e1 que o regime seja fechado para privil\u00e9gios da extrema direita e uma escalada ainda mais repressiva. Sem bravatas e com os dois p\u00e9s no ch\u00e3o: os povos dos Brasis conseguir\u00e3o resistir a esse intento \u2013 caso ocorra \u2013 e avan\u00e7ar\u00e3o nos direitos sociais, coletivos, individuais, difusos e de avan\u00e7ada, no rumo de uma democracia participativa, plena de direitos e com justi\u00e7a social e reparadora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Bruno Lima Rocha &#8211; 21 de junho de 2020 &#8211; ilustra\u00e7\u00e3o de Rafael Costa\u00a0 Divido esse artigo em tr\u00eas partes para um debate urgente, que deixou de estar no universo da imagina\u00e7\u00e3o para entrar na conjectura especulativa.\u00a0 Nas \u00faltimas semanas a pergunta \u201cvai ter golpe?\u201d tornou-se recorrente em diversos debates. 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