{"id":2474,"date":"2020-07-05T21:33:10","date_gmt":"2020-07-06T00:33:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanaliseblog.com\/?p=2474"},"modified":"2020-07-05T21:33:10","modified_gmt":"2020-07-06T00:33:10","slug":"no-bananistao-dos-parapoliciais_2a-parte-a-macabra-fabula-do-esquema-politico-criminal-policial-no-arroio-de-fevereiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=2474","title":{"rendered":"No Bananist\u00e3o dos Parapoliciais_2\u00aa parte \u2013 a macabra f\u00e1bula do esquema pol\u00edtico-criminal-policial no Arroio de Fevereiro"},"content":{"rendered":"<p>05 de julho de 2020 \u2013 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/blimarocha\">Bruno Lima Rocha<\/a> com ilustra\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100005706308090\">Rafael Costa<\/a><\/p>\n<p>* Esta \u00e9 uma obra de fic\u00e7\u00e3o. Qualquer semelhan\u00e7a com nomes ou pessoas ter\u00e1 sido mera coincid\u00eancia.<\/p>\n<p>Na primeira parte desta trama macabra e \u201cficcional\u201d, fizemos um panorama dos momentos anteriores \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o das for\u00e7as parapoliciais. O s\u00e9culo XXI torna complexo o modelo de Estado paralelo ou Estado complementar onde o conceito muda. Podemos marcar tr\u00eas fases no n\u00facleo mais din\u00e2mico da economia pol\u00edtica do crime. As fases seriam: o jogo do bicho como operador absoluto; as redes de quadrilhas cujo neg\u00f3cio principal \u00e9 o narcotr\u00e1fico, tamb\u00e9m chamadas de \u201cfac\u00e7\u00f5es\u201d e que os conglomerados de m\u00eddia insistem em chamar de \u201ccrime organizado\u201d; por fim, o s\u00e9culo XXI apresenta a \u201cnovidade\u201d dos parapoliciais, a \u201cevolu\u00e7\u00e3o\u201d da pol\u00edcia mineira que existia na Baixada Fluminense e em algumas poucas localidades na zona oeste do Arroio, e se amplia ao ponto de dominar mais de uma centena de comunidades. Vejamos o marco temporal.<\/p>\n<p><u>A periodiza\u00e7\u00e3o da economia pol\u00edtica do crime no Arroio de Fevereiro<\/u><\/p>\n<p>Para a Regi\u00e3o Metropolitana do Arroio, o jogo do bicho operava a loteria ilegal sendo a contraven\u00e7\u00e3o com requintes e capacidade de operar como \u201cmultiplicador banc\u00e1rio\u201d do lado B da \u201clei\u201d. Cada \u201cbanca\u201d (parecida com a banca da Floren\u00e7a dos M\u00e9dici) tinha \u2013 tem &#8211; sua pra\u00e7a, seu territ\u00f3rio e havia (h\u00e1) uma banca conjunta, onde existe a possibilidade de um banqueiro cobrir o outro, incluindo o custo transacional posterior. Uma cobran\u00e7a poss\u00edvel \u00e9 o custo do dinheiro, devolvendo com juros ou margem de lucros de bancas; no limite da cobran\u00e7a, o territ\u00f3rio pode ser tomado, incorporado. A \u201cbicheirada\u201d tamb\u00e9m controlava \u2013 controla \u2013 outros neg\u00f3cios suspeitos, como m\u00e1quinas de ca\u00e7a n\u00edqueis e at\u00e9 casas de apostas n\u00e3o autorizadas. Uma das virtudes p\u00fablicas dos banqueiros era \u2013 \u00e9 \u2013 a presen\u00e7a em importantes institui\u00e7\u00f5es sociais, especificamente nas agremia\u00e7\u00f5es de escolas de samba, na tradi\u00e7\u00e3o do apadrinhamento. A banca do bicho recuou, mas n\u00e3o chegou a perder sua capacidade de existir e complementar outras cadeias de valor da economia do crime.<\/p>\n<p>A partir do final da d\u00e9cada de \u201970, dentro das instala\u00e7\u00f5es \u201ccorrecionais\u201d da Secretaria do Sistema Prisional Fevereirense (SSPF) do estado do Arroio de Fevereiro, as redes de quadrilhas se organizaram com a forma\u00e7\u00e3o e a nega\u00e7\u00e3o do \u201ccoletivo\u201d. A Fac\u00e7\u00e3o Tomate deu seu grito do Ipiranga se libertando da dire\u00e7\u00e3o da Penitenci\u00e1ria da Ilhota Gigante e, simultaneamente, confrontando com a Fac\u00e7\u00e3o Crocodilo, a hegem\u00f4nica nas galerias e \u201caliada\u201d do sistema. Na d\u00e9cada seguinte, as a\u00e7\u00f5es mais duras, de roubos a banco, joalheria e fugas espetaculares foram sendo substitu\u00eddas pelo varejo do tr\u00e1fico, o acesso a rotas de \u201cmatutos\u201d \u2013 nos pa\u00edses produtores que fazem fronteira com o Bananist\u00e3o \u2013 e o permanente controle das galerias do SSPF. A \u201cguerra do Arroio\u201d seria a disputa entre as fac\u00e7\u00f5es, Fac\u00e7\u00e3o Tomate (FT), Fac\u00e7\u00e3o Crocodilo (FC) e o racha da primeira que fecha com quem pode, a Compadre dos Compadres (CDC); e tamb\u00e9m o problema de quem fecha o que e com quem (infelizmente as alian\u00e7as s\u00e3o vol\u00faveis e os \u201csangue bom\u201d n\u00e3o s\u00e3o nada legais uns com os outros). Na FMEAF uma importante parcela da tropa e das unidades faturou muito no arrego pingado semanal, como que tributando sobre a movimenta\u00e7\u00e3o do varejo de drogas ou ent\u00e3o cobrando uma \u201clicen\u00e7a de funcionamento\u201d. No limite, uma parcela paralela da estrutura formal da For\u00e7a Militarizada Fevereirense \u201calugava\u201d servi\u00e7os ou tributava rotas e redes inteiras, mas n\u00e3o se tornava dona do neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed a periodiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da economia pol\u00edtica do crime no estado do Arroio se encontra no tempo presente. A Parcela Apodrecida vira uma das fontes das \u201cmil\u00edcias\u201d, nas bandas de parapoliciais, do paramilitarismo policialesco, e o conceito de territ\u00f3rio passa a ser plenamente aplicado. N\u00e3o era mais o morro como fortim de defesa e aglutinador de formas de vida e sobreviv\u00eancia; j\u00e1 n\u00e3o passava por amplas regi\u00f5es da cidade e do sub\u00farbio, da regi\u00e3o metropolitana fevereirense com os \u201cpadrinhos banqueiros\u201d do bicho. Agora o dono era o frente e os neg\u00f3cios locais \u2013 em especial os informais -, a popula\u00e7\u00e3o (como porteira fechada vendendo os col\u00e9gios eleitorais) e o investimento imobili\u00e1rio em zonas irregulares, com \u00eanfase na grilagem e verticaliza\u00e7\u00e3o das comunidades dominadas. Se a bicheirada e os antigos grupos de exterm\u00ednio da Baixada Fevereirense chegaram a ter prefeitos e deputados (subnacionais e confederais), os paramilitares operam desde o come\u00e7o com a representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica: conselheiros municipais, deputados na ALEAF e, de forma indireta, v\u00ednculos muito pr\u00f3ximos ao Planalto Real, o Poder Executivo m\u00e1ximo do Bananist\u00e3o.<\/p>\n<p><u>A expans\u00e3o da estrutura de poder dos Parapoliciais<\/u><\/p>\n<p>\u00c9 no m\u00ednimo curioso fazer algumas correla\u00e7\u00f5es. No mundo real, e n\u00e3o no Bananist\u00e3o, ficou na moda judici\u00e1ria em um momento a \u201cteoria do dom\u00ednio do fato\u201d; antes por\u00e9m, o emprego de pesquisas sociol\u00f3gicas atrav\u00e9s do cruzamento de dados e vari\u00e1veis no programa SPSS, em suas v\u00e1rias vers\u00f5es. Portanto, vamos colocar algumas correla\u00e7\u00f5es no texto, algo j\u00e1 assumido como dado, tanto no pa\u00eds tropical como na Rep\u00fablica Deformativa bananisteira.<\/p>\n<p>Em termos de Proje\u00e7\u00e3o territorial, em 2004, havia somente seis comunidades sob controle de mil\u00edcias. Em 2007, j\u00e1 eram 93 comunidades; sendo que em 2014, 148 comunidades. Ou seja, houve um avan\u00e7o absurdo em dez anos, cresceu mais de 100%. Mas, durante a transi\u00e7\u00e3o do governo do Ex-Sindicalista para o da Economista Vanuza, a promo\u00e7\u00e3o da Guerra do Arroio, com transmiss\u00e3o ao vivo pela Rede Bobo se deu porque o helic\u00f3ptero do Obispo Fariseu pegou um bonde transitando de uma ponta para outra do Complexo do Austr\u00edaco. Antes por\u00e9m, a Infantaria de Tamandar\u00e9 (IT) foi convocada para romper as barricadas na Cruz da Vila. Estava feito o ambiente para as opera\u00e7\u00f5es de Ordenamento Legal Garantido (OLG), com a ex-esquerda fazendo gra\u00e7a para a Rede Bobo e depois fingindo n\u00e3o enxergar o esquema dos \u201cpuli\u00e7a do Playboy\u201d fazendo a festa no paiol, cofres, estoques e demais recursos no Complexo do Austr\u00edaco. Com os OLG e a a\u00e7\u00e3o estadual da Presen\u00e7a Permanente da For\u00e7a Militarizada majoritariamente estrangulando os canais de arrecada\u00e7\u00e3o da Fac\u00e7\u00e3o Tomate, a Parcela Apodrecida e os Parapoliciais, cade vez mais \u201cjuntos e misturados\u201d, entraram em met\u00e1stase e fizeram a \u201cfesta\u201d.<\/p>\n<p>No campo da politica profissional a coisa foi adiante. Trata=se de um exerc\u00edcio l\u00f3gico correlacionar o patrim\u00f4nio do cl\u00e3 dos Fascistas Arrivistas (FA) com o exponencial crescimento das mil\u00edcias. Igualmente h\u00e1 um aumento substancial na vota\u00e7\u00e3o dentro do estado do Arroio de Fevereiro. Os dados s\u00e3o gritantes, e nos levam a algumas ila\u00e7\u00f5es. N\u00e3o h\u00e1 como provar cabalmente que os membros da FA s\u00e3o parapoliciais, mas o fato do pr\u00f3prio Matador Mariano da Obra, ter sido homenageado pelo ent\u00e3o legislador sub-nacional \u201cGelatina\u201d na ALEAF, assim como o Coiso papai, j\u00e1 indica algo.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que o n\u00facleo familiar espec\u00edfico dos FA n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico nem o pioneiro nessas perigosas correla\u00e7\u00f5es. Outros os antecederam, todos sem exce\u00e7\u00e3o com parentes sendo \u2013 tendo sido \u2013 servidores na \u00e1rea da seguran\u00e7a estadual. At\u00e9 pol\u00edtico da ex-esquerda, o veterano inspetor das Investiga\u00e7\u00f5es Judiciais Corjino Chabu, tem v\u00e1rios processos nas costas e puxou cadeia por ser acusado de liderar grupos de exterm\u00ednio ou fac\u00e7\u00f5es de parapoliciais, popular e equivocadamente chamadas de \u201cmil\u00edcias\u201d.<\/p>\n<p>Outro n\u00facleo poderoso em Big Field com dom\u00ednio expandido ao Cruzeiro Sagrado (antiga zona rural da capital fevereirense) controla a Religa da Injusti\u00e7a e atende por diminutivos: Vesperino, Herodinho e Branquinho. A l\u00f3gica de \u201ctrabalho de base\u201d, al\u00e9m da viol\u00eancia, \u00e9 o assistencialismo atrav\u00e9s de Centros Sociais espalhados pela Zona Oeste e Sub\u00farbios. O apadrinhamento de festividades locais tamb\u00e9m \u00e9 importante, como nas turmas de Bate Bola; embora boa parte dessas festas est\u00e1 sendo tolhidas pela presen\u00e7a de Empresas de Explora\u00e7\u00e3o da F\u00e9 Alheia, vulgarmente denominadas de \u201cneopentecostais\u201d. Sabe-se que tais fam\u00edlias ou grupos de interesse operam muito localmente, o que implica um diferencial competitivo para um cl\u00e3 que tenha tr\u00e2nsito em v\u00e1rios p\u00fablicos, e possa existir, sobreviver, sem um territ\u00f3rio determinado embora tenha rela\u00e7\u00f5es com a barra pesada da Porteirinha, Cai Tudo e Iarag\u00e1, alta hierarquia da Reparti\u00e7\u00e3o da Delinqu\u00eancia (RD).<\/p>\n<p>Uma hip\u00f3tese para o desenvolvimento paralelo da FA talvez seja mesmo por ser o mais afastado do olho do furac\u00e3o, e possa se relacionar sem a sujeira curricular evidente. No pr\u00f3ximo epis\u00f3dio nos dedicamos exclusivamente ao poss\u00edvel modelo de neg\u00f3cios do\u00a0 \u201cGelatina\u201d e seus amigos, al\u00e9m das rela\u00e7\u00f5es de apoio do Inomin\u00e1vel Coisificado com o pior do pior do entulho autorit\u00e1rio, tanto no estado do Arroio de Fevereiro como nas demais for\u00e7as militarizadas estaduais e adjac\u00eancias.<\/p>\n<p>Bruno Lima Rocha \u00e9 editor dos canais do Estrat\u00e9gia &amp; An\u00e1lise, a an\u00e1lise pol\u00edtica para a esquerda mais \u00e0 esquerda.<\/p>\n<p>Contato: blimarocha@gmail.com | facebook.com\/blimarocha<\/p>\n<p>Blog: www.estrategiaeanaliseblog.com<\/p>\n<p>facebook.com\/estrategiaeanaliseoficial<\/p>\n<p>Twitter: twitter.com\/estanalise<\/p>\n<p>YouTube: Estrat\u00e9gia e An\u00e1lise Blog<\/p>\n<p>Telegram: t.me\/estrategiaeanalise<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>05 de julho de 2020 \u2013 Bruno Lima Rocha com ilustra\u00e7\u00e3o de Rafael Costa * Esta \u00e9 uma obra de fic\u00e7\u00e3o. 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