{"id":260,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=260"},"modified":"2023-03-13T20:48:08","modified_gmt":"2023-03-13T23:48:08","slug":"o-estado-e-a-rocinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=260","title":{"rendered":"O Estado e a Rocinha"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/rocinha 2.jpg\" title=\"At\u00e9 quando este bairro seguir\u00e1 sendo um territ\u00f3rio em disputa? At\u00e9 quando os 200 mil moradores ser\u00e3o vistos como cidad\u00e3os sob suspeita? - Foto:\" alt=\"At\u00e9 quando este bairro seguir\u00e1 sendo um territ\u00f3rio em disputa? At\u00e9 quando os 200 mil moradores ser\u00e3o vistos como cidad\u00e3os sob suspeita? - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">At\u00e9 quando este bairro seguir\u00e1 sendo um territ\u00f3rio em disputa? At\u00e9 quando os 200 mil moradores ser\u00e3o vistos como cidad\u00e3os sob suspeita?<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p>A \u00faltima madrugada de 4a. para 5a. marcou mais uma trag\u00e9dia para o povo do Rio de Janeiro. Estoura outra batalha de uma guerra sem fim, sem p\u00e9 nem cabe\u00e7a. Um &#8220;bonde&#8221; &#8220;invade&#8221; um morro que j\u00e1 tem &#8220;dono&#8221;. Os &#8220;donos&#8221; do Morro reagem, e tiros correm por vielas e ruas, toda a noite. A pol\u00edcia est\u00e1 ausente e n\u00e3o faz incurs\u00f5es noturnas.<\/p>\n<p>Se e caso o mesmo fato ocorresse no bairro vizinho, S\u00e3o Conrado, tudo seria diferente. A pol\u00edcia entraria em a\u00e7\u00e3o a qualquer hora do dia e da noite, com ou sem altos n\u00edveis de risco. Portanto, como explicar?<\/p>\n<p>Uma pergunta t\u00eam de ser feita e de forma direta:<\/p>\n<p>&#8211; O Estado \u00e9 ou n\u00e3o respons\u00e1vel pela seguran\u00e7a e bem-estar de TODOS os seus cidad\u00e3os?!<\/p>\n<p>Se a resposta for sim, ent\u00e3o o Estado faliu no Rio de Janeiro, e h\u00e1 muito tempo. Quando uma parcela significativa de um territ\u00f3rio sob governo aut\u00f4nomo n\u00e3o obedece mais aos controles dos poderes estatais, tecnicamente essa \u00e1rea torna-se um santu\u00e1rio ou \u00e1rea liberada para um grupo opositor. No Rio n\u00e3o chega a tanto, mas \u00e9 um local de disputa, onde a hegemonia \u00e9 moment\u00e2nea e conquistada a bala.<\/p>\n<p>Das 4 redes de quadrilhas, chamados de &#8220;comandos&#8221;, operando no Rio, o mais recente deles foi capa do conservador jornal O Globo e denunciado por ser composto somente por ex-policiais. No ano de 2000, era vis\u00edvel nos muros do Complexo da Mar\u00e9, picha\u00e7\u00f5es onde estava escrito:<\/p>\n<p>Comando Azul chegou! Na g\u00edria, o comando azul \u00e9 em fun\u00e7\u00e3o do uniforme da PMERJ. Tratava-se da chegada do 22o BPM, transferido de Benfica para aquela mega-favela.<\/p>\n<p>Tamanha semelhan\u00e7a vai al\u00e9m do Santo padroeiro comum, S\u00e3o Jorge, O Guerreiro. T\u00e3o parecida que torna-se promiscuidade, como \u00e9 o caso da rela\u00e7\u00e3o c\u00ednica com a banca do jogo do bicho.<\/p>\n<p>Mas, se o Estado n\u00e3o faliu e nem abriu m\u00e3o de defender a TODOS os seus cidad\u00e3os, ent\u00e3o s\u00f3 resta uma conclus\u00e3o l\u00f3gica. Os moradores de zonas favelizadas na cidade do Rio de Janeiro e sua Regi\u00e3o Metropolitana n\u00e3o s\u00e3o considerados cidad\u00e3os plenos de direitos e deveres.<\/p>\n<p>Sendo tecnicamente tratados como cidad\u00e3os de 2a categoria, o Estado e seu bra\u00e7o armado terminam por perder o direito de mando sobre aqueles\/as a que o mesmo Ente se recusa a governar.<\/p>\n<p>Especificamente o Rio de Janeiro n\u00e3o \u00e9 a cidade mais violenta do pa\u00eds. Nem tampouco a 2a, n\u00e3o est\u00e1 nem entre as 20 mais violentas. Se comparada, a viol\u00eancia mais organizada carioca e fluminense, est\u00e1 girando em torno da exclus\u00e3o social e da ilegalidade capitalista, atesta o que afirmei acima.<\/p>\n<p>O Estado n\u00e3o faliu. Simplesmente o Estado t\u00eam dono, e estes n\u00e3o se localizam nas regi\u00f5es de favela e periferia da &#8220;Cidade Maravilhosa&#8221;!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 quando este bairro seguir\u00e1 sendo um territ\u00f3rio em disputa? At\u00e9 quando os 200 mil moradores ser\u00e3o vistos como cidad\u00e3os sob suspeita? Foto: A \u00faltima madrugada de 4a. para 5a. marcou mais uma trag\u00e9dia para o povo do Rio de Janeiro. Estoura outra batalha de uma guerra sem fim, sem p\u00e9 nem cabe\u00e7a. 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