{"id":2839,"date":"2021-09-13T14:59:42","date_gmt":"2021-09-13T17:59:42","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategiaeanaliseblog.com\/?p=2839"},"modified":"2021-09-13T14:59:42","modified_gmt":"2021-09-13T17:59:42","slug":"debatendo-a-intersecao-entre-imperialismo-e-capital-financeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=2839","title":{"rendered":"Debatendo a interse\u00e7\u00e3o entre imperialismo e capital financeiro"},"content":{"rendered":"\n<p>Bruno Lima Rocha (@estanalise \u2013 <a href=\"mailto:blimarocha@gmail.com\">blimarocha@gmail.com<\/a> \u2013 estrategiaeanaliseblog.com) \u2013 artigo originalmente publicado na <a href=\"https:\/\/www.revistamanutencao.com.br\/colunas\/conjuntura\/politica\/debatendo-a-intersecao-entre-imperialismo-e-capital-financeiro.html\">Revista Manuten\u00e7\u00e3o<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em artigo anterior deste portal debatemos de forma comentada as contribui\u00e7\u00f5es de John Hobson quanto ao imperialismo entrecruzado pelo poder do capital financeiro. Mesmo n\u00e3o sendo marxista, sigo no debate sem sect\u00e1rio atrav\u00e9s das boas contribui\u00e7\u00f5es desta tradi\u00e7\u00e3o&nbsp; para a economia&nbsp; pol\u00edtica&nbsp; (a cr\u00edtica da economia pol\u00edtica) e a economia pol\u00edtica internacional. No texto que segue, aportamos bons textos de comentaristas brasileiros\/as no debate das interpreta\u00e7\u00f5es de Lenin (o pr\u00f3prio, dirigente bolchevique que pode ser considerado um advers\u00e1rio pol\u00edtico da tradi\u00e7\u00e3o anarquista, a qual eu perten\u00e7o) e tamb\u00e9m de Rudolf Hilferding. Come\u00e7amos pelo economista austr\u00edaco, que n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o alguma com a met\u00e1stase doutrin\u00e1ria derivada deste pa\u00eds e que atende pela alcunha de \u201cescola austr\u00edaca\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Hilferding (1910, apud ROIO, 2018, p. 02) h\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o entre a carteliza\u00e7\u00e3o dos segmentos empresariais, a presen\u00e7a de capitais cruzados e a participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria dos grandes bancos nestes gigantescos conglomerados econ\u00f4micos, conformaria o papel estrat\u00e9gico das ent\u00e3o modernas pra\u00e7as banc\u00e1rias. No desenvolvimento te\u00f3rico, o autor j\u00e1 observa uma dimens\u00e3o ainda mais organizada do capitalismo em sua etapa monopolista, cuja dimens\u00e3o concorrencial se daria entre pa\u00edses (elites dirigentes e classes dominantes controlando empresas e institui\u00e7\u00f5es-chave de Estado), e n\u00e3o necessariamente na concorr\u00eancia dom\u00e9stica entre empresas capitalistas. A dimens\u00e3o concorrencial n\u00e3o tem mais a estatura estrat\u00e9gica, a n\u00e3o ser que a concorr\u00eancia se d\u00ea em termos da expans\u00e3o global do capital. Conforme Roio, (2018, p. 02),<\/p>\n\n\n\n<p><em>Hilferding percebia na forma\u00e7\u00e3o e afirma\u00e7\u00e3o dos cart\u00e9is e dos trustes a particularidade do capitalismo do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, que tendiam a monopolizar o mercado. Crucial seria o papel dos bancos \u2013 tamb\u00e9m eles em processo de crescimento e fus\u00e3o \u2013 na constitui\u00e7\u00e3o das grandes empresas monop\u00f3licas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda na contribui\u00e7\u00e3o de Hilferding (1910), a forma\u00e7\u00e3o do capital financeiro era justamente o processo de fus\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o dos grandes bancos, seja como acionista, controlador ou financiador. Observe-se que, dependendo da dimens\u00e3o destas fus\u00f5es, sempre h\u00e1 algum papel do Estado, com licen\u00e7as autorizativas, mecanismos de fiscaliza\u00e7\u00e3o, \u00f3rg\u00e3os avalistas e afins.&nbsp; Logo, conclui-se que n\u00e3o se trata necessariamente de laissez faire e sim a necess\u00e1ria coordena\u00e7\u00e3o privada-estatal ou estatal-privada para fazer o deixa ir (do termo consagrado laissez faire) ser ajustado para ter a \u201cpermiss\u00e3o para ir\u201d. Segundo Roio (2018, p. 02-03),<\/p>\n\n\n\n<p><em>A virtual fus\u00e3o do capital industrial em processo de concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o com o capital banc\u00e1rio constitu\u00edam o capital financeiro. A implica\u00e7\u00e3o desse processo seria a diminui\u00e7\u00e3o da concorr\u00eancia no mercado interno e o aumento de pre\u00e7os, al\u00e9m da introdu\u00e7\u00e3o de importantes elementos de planejamento empresarial.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Neste trecho abaixo, Hilferding (1910) nos aponta a antessala do arranjo interno que pode levar \u00e0 guerra, mundializando a disputa entre os imp\u00e9rios, fazendo da corrida imperialista a etapa anterior ao conflito, em todos os n\u00edveis. \u00c9 o capitalismo organizado que possibilita a guerra total, \u00e0quela mesma antevista por Clausewitz e por ele t\u00e3o temida. A articula\u00e7\u00e3o entre ind\u00fastria, Estado, tecnocracia, controles empresariais, institui\u00e7\u00f5es-chave e proje\u00e7\u00e3o de excedentes de poder nas col\u00f4nias, faz a associa\u00e7\u00e3o de pot\u00eancias e a concorr\u00eancia entre blocos levada \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias.&nbsp; Apenas as formas de capitalismo organizado conseguem promover as condi\u00e7\u00f5es para o poder global e sua disputa. De acordo com Roio (2018, p. 03),<\/p>\n\n\n\n<p><em>Nessa situa\u00e7\u00e3o, a concorr\u00eancia se projeta para o mercado mundial, com a necessidade de se exportar o capital excedente, que busca sempre novos mercados e for\u00e7a de trabalho barata, al\u00e9m de fontes de recursos naturais. A concorr\u00eancia no mercado mundial demanda o apoio e a presen\u00e7a constante do Estado junto ao capital, de modo que se estreitam as rela\u00e7\u00f5es entre Estado e burguesia. Junto com os elementos de planejamento empresarial, os v\u00ednculos entre Estado e burguesia apontam para a constitui\u00e7\u00e3o de um capitalismo organizado.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Dentro desse debate sobre as interse\u00e7\u00f5es do capital financeiro como a fus\u00e3o dos trustes banc\u00e1rios com os oligop\u00f3lios industriais, a contribui\u00e7\u00e3o de Lenin (1916) ainda se mant\u00e9m relevante. H\u00e1 diversas releituras, interpreta\u00e7\u00f5es e resumos dos trabalhos do l\u00edder da minoria, que se transformara em maioria, ao atacar o Pal\u00e1cio de Inverno. Ressalto que o aporte do autor russo aqui n\u00e3o implica em afilia\u00e7\u00e3o te\u00f3rica ou ideol\u00f3gica com ele (muito longe disso), mas o reconhecimento que este trabalho foi pioneiro e importante, mantendo-se atual.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale a pena observar a caracteriza\u00e7\u00e3o de Lenin (1916) sobre as \u201cilus\u00f5es\u201d das formas dos capitais, porque ele contesta a exist\u00eancia de uma natureza diferente entre o produtivo e o especulativo, entre o que gera riqueza material e o fict\u00edcio. Para Lenin (1916, apud TRANSPADINI e BUENO, 2014, p. 191):<\/p>\n\n\n\n<p><em>A associa\u00e7\u00e3o entre grandes bancos e grandes ind\u00fastrias permitir\u00e1 ao capital construir uma dupla ilus\u00e3o envolvendo o capital na fun\u00e7\u00e3o de mero emprestador. De um lado, essa fun\u00e7\u00e3o desempenharia um papel aparentemente menos perverso que o capital produtivo industrial, pois n\u00e3o seria respons\u00e1vel direto pela explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho j\u00e1 que apenas empresta dinheiro. De outro, tamb\u00e9m pode ser vista como uma fun\u00e7\u00e3o parasit\u00e1ria, que drena, na forma de juros, as for\u00e7as do capital produtivo. Essas ilus\u00f5es s\u00e3o desfeitas quando lembramos que o capital banc\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 outro sen\u00e3o o capital desmembrado e autonomizado em fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para a produ\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o da propriedade individual da riqueza social.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A leitura do trecho abaixo permite algumas interpreta\u00e7\u00f5es, dentre as quais a observa\u00e7\u00e3o de que, supostamente, o capital banc\u00e1rio derivaria do produtivo, algo que realmente n\u00e3o se realiza como fen\u00f4meno hist\u00f3rico. J\u00e1 o complemento entre ambos e a interpenetra\u00e7\u00e3o do circuito banc\u00e1rio nos conglomerados oligopolistas \u00e9 uma caracteriza\u00e7\u00e3o efetiva, que at\u00e9 o per\u00edodo hist\u00f3rico desta pesquisa \u00e9 verific\u00e1vel. Para tanto, Transpadini e Bueno (2014, p. 191-192) acrescentam que:<\/p>\n\n\n\n<p><em>[&#8230;] esse \u00e9 o mote da formula\u00e7\u00e3o do conceito de capital financeiro em Lenin, express\u00e3o da uni\u00e3o permanente entre v\u00e1rios capitais em um s\u00f3 capital, nublando o come\u00e7o e o t\u00e9rmino do poder individual de cada capitalista na extra\u00e7\u00e3o de mais-trabalho na nova fase do capitalismo. \u00c9 assim como na forma do emprestador, o capital banc\u00e1rio ganha, na sociedade em que o mercado aparece como sujeito, um status de \u201csalvador da p\u00e1tria\u201d, impulsionador do crescimento econ\u00f4mico e da moderniza\u00e7\u00e3o, uma vez que sua apari\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais invis\u00edvel que a do propriet\u00e1rio da sociedade an\u00f4nima, da qual este capital \u00e9 parte integrante.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A dupla conclui que a caracteriza\u00e7\u00e3o do capital financeiro em Lenin (1916) leva \u00e0 interpenetra\u00e7\u00e3o do capital financeiro em todas as classes de mercado das economias capitalistas. Os autores completam (2014, p. 192):<\/p>\n\n\n\n<p><em>O que, ent\u00e3o, caracteriza o capital financeiro, para Lenin? \u00c9 a express\u00e3o da uni\u00e3o permanente entre v\u00e1rios capitais em um s\u00f3 capital, nublando o come\u00e7o e o t\u00e9rmino do poder individual de cada capitalista na extra\u00e7\u00e3o de mais-trabalho na nova fase do capitalismo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Entendo que h\u00e1 uma din\u00e2mica pr\u00f3pria para cada modelo empresarial, classe de mercado e espa\u00e7o geogr\u00e1fico em que a pr\u00e1tica incide. A defini\u00e7\u00e3o de imperialismo do pr\u00f3prio Lenin (1916) \u00e9 muito mais sofisticada do que a que costuma ganhar incid\u00eancia nos debates correntes. Para o ex-dirigente dos social-democratas da R\u00fassia (1916), o imperialismo implica em cinco tra\u00e7os fundamentais, conforme segue:<\/p>\n\n\n\n<p><em>1) a concentra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e do capital levada a um grau t\u00e3o elevado de desenvolvimento que criou os monop\u00f3lios, os quais desempenham um papel decisivo na vida econ\u00f4mica; 2) a fus\u00e3o do capital banc\u00e1rio com o capital industrial e a cria\u00e7\u00e3o, baseada nesse &#8220;capital financeiro&#8221; da oligarquia financeira; 3) a exporta\u00e7\u00e3o de capitais, diferentemente da exporta\u00e7\u00e3o de mercadorias, adquire uma import\u00e2ncia particularmente grande; 4) a forma\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es internacionais monopolistas de capitalistas, que partilham o mundo entre si, e 5) o termo da partilha territorial do mundo entre as pot\u00eancias capitalistas mais importantes.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Cabe retornar \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es de Hilferding, em artigo&nbsp; comentado, no que diz respeito \u00e0 extra\u00e7\u00e3o e renda da periferia para o centro do mundo capitalista, e o conluio de interesses entre \u201cburguesia\u201d local e especuladores transnacionais.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Parte de tal din\u00e2mica se assenta no livre tr\u00e2nsito do investimento de portf\u00f3lio nas diferentes pra\u00e7as de zona de expans\u00e3o imperialista. E \u00e9 imperialismo, sobretudo, porque no contexto atual se imp\u00f5e um controle transnacional sobre as pol\u00edticas econ\u00f4micas, principalmente dos pa\u00edses perif\u00e9ricos, que objetivam garantir a mobilidade do capital, neutralizando a capacidade nacional de definir uma pol\u00edtica monet\u00e1ria pr\u00f3pria, um determinado regime de c\u00e2mbio e uma maior autonomia sobre o or\u00e7amento p\u00fablico. <\/em>(Traspadini e Bueno, 2018, p.152)<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, a ortodoxia neoliberal \u00e9 inclemente na&nbsp; imposi\u00e7\u00e3o de receitu\u00e1rio de tipo \u201cterra arrasada\u201d, a exemplo do que ocorre no Brasil desde o \u201cgoverno Joaquim Levy\u201d (2015), piorado no governo Temer-Meirelles (de 2016 a 2018) e chafurdando ainda mais no mesmo modelo horroroso e sociopata no Desgoverno Bolsonaro-Guedes, aposta na subordina\u00e7\u00e3o de pa\u00edses e sociedades inteiras, e exporta\u00e7\u00e3o de capital para o centro, extra\u00e7\u00e3o de renda e pauperiza\u00e7\u00e3o da maior parte da popula\u00e7\u00e3o. O mecanismo \u00e9 demonstrado abaixo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>A especula\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria e o investimento em renda fixa conduzidos pelo capital internacional, ainda que n\u00e3o gere valor nos termos do IDE como interpretados por Hilferding, consiste em sua ess\u00eancia no mesmo dom\u00ednio imperial, pois arregimenta um controle do capital monopolista que subordina as pol\u00edticas econ\u00f4micas dos pa\u00edses hospedeiros \u00e0s suas necessidades de valoriza\u00e7\u00e3o. No limite, \u00e0 medida que se sacramenta a conversibilidade na conta financeira do balan\u00e7o de pagamentos e remunera\u00e7\u00e3o real por meio de elevadas taxas de juros, fortalece-se o canal de extra\u00e7\u00e3o de renda da periferia para as economias centrais, dimensionado, ali\u00e1s, por um arco de interesses entre burguesias locais e internacionais. <\/em>(Traspadini e Bueno, 2018, p.152)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rio final<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Particularmente entendo que estamos diante de um problema de luta conceitual, mas tamb\u00e9m sem\u00e2ntica. O imperialismo, como fen\u00f4meno do capitalismo monopolista e a disputa entre pot\u00eancias, foi corretamente interpretado por Lenin (1916), mas em uma dimens\u00e3o parcial. A liberta\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios, povos, soberanias coletiva e na\u00e7\u00f5es sem Estados nacionais \u00e9 anterior \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do capitalismo monopolista do \u00faltimo quarto do s\u00e9culo XIX e do primeiro do s\u00e9culo XX. N\u00e3o se trata do objeto deste estudo, mas como um aporte ao esfor\u00e7o decolonial e anti-imperialista, vejo-me obrigado a refor\u00e7ar esta caracter\u00edstica. A imposi\u00e7\u00e3o de normas e valores, institui\u00e7\u00f5es e alian\u00e7as, da primazia das for\u00e7as externas sobre as rela\u00e7\u00f5es sociais concretas nos territ\u00f3rios existentes, em que as formas de trabalho assalariado muitas vezes sequer eram majorit\u00e1rias (ou s\u00e3o ainda nesta etapa do s\u00e9culo XXI), e as rela\u00e7\u00f5es de classe se subordinam a outras formas de vida e \u00e0 rendi\u00e7\u00e3o dos Estados do socialismo real (ou do capitalismo de Estado), foram t\u00e3o imperiais como as invas\u00f5es navais brit\u00e2nicas ou o <strong>big stick<\/strong> estadunidense.<\/p>\n\n\n\n<p>Traspadini e Bueno (2018, p. 154) apontam uma linha conclusiva importante, de caracteriza\u00e7\u00e3o do capital financeiro, seu car\u00e1ter de unidade e valoriza\u00e7\u00e3o de si mesmo em detrimento dos processos produtivos que geram trabalho vivo e emprego direto.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cO capital financeiro seria a intersec\u00e7\u00e3o das diferentes fra\u00e7\u00f5es de classes, pois mesmo com distintos tempos hist\u00f3ricos e origens, ele soldaria suas bases, projetando-a&nbsp; internacionalmente. Sem eliminar as disputas intercapitalistas, o capital financeiro permitiria arregimentar as grandes burguesias numa nova esfera de valoriza\u00e7\u00e3o, na qual a centraliza\u00e7\u00e3o do capital refletiria o curso que os diferentes padr\u00f5es mundiais de acumula\u00e7\u00e3o assumiriam no futuro\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A cita\u00e7\u00e3o acima vai ao encontro do tema de f\u00f4lego deste analista no estudo entre capital financeiro e a mundializa\u00e7\u00e3o do capitalismo improdutivo e absolutamente parasit\u00e1rio. Cabe analisar a fundo o papel estrat\u00e9gico das Jurisdi\u00e7\u00f5es Especiais para o imperialismo do s\u00e9culo XXI sob o regime de acumula\u00e7\u00e3o financeira, \u00e9 necess\u00e1rio caracterizar os conceitos-fundamentais para contribuir no esfor\u00e7o anal\u00edtico e de compreens\u00e3o do tema. Quanto menos nossas sociedades e cadeias de valor estiverem expostas \u00e0 press\u00e3o e chantagem especulativas, mais soberania e capacidade produtiva teremos, podendo estar menos distante o bem estar social t\u00e3o almejado.<\/p>\n\n\n\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n\n\n\n<p>Marcos del Roio, <strong>Uma nota sobre a teoria do&nbsp; Imperialismo<\/strong> &#8211; 2018 (<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/cemarx\/ANAIS%20IV%20COLOQUIO\/comunica%E7%F5es\/GT3\/gt3m4c6.pdf\">https:\/\/www.unicamp.br\/cemarx\/ANAIS%20IV%20COLOQUIO\/comunica%E7%F5es\/GT3\/gt3m4c6.pdf<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<p>F\u00e1bio Antonio de Campos e Mauricio de S. Sabadini, <strong>Hilferding e o Nexo Imperialista entre Capital Financeiro e Exporta\u00e7\u00e3o de Capital<\/strong> \u2013 2018 (<a href=\"\\Users\\Dell\\Downloads\\35042-Texto%20do%20Artigo-117421-1-10-20190711.pdf\">file:\/\/\/C:\/Users\/Dell\/Downloads\/35042-Texto%20do%20Artigo-117421-1-10-20190711.pdf<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<p>Roberta Traspadini e F\u00e1bio Marvulle Bueno \u2013 <strong>Lenin e a interpreta\u00e7\u00e3o do imperialismo no s\u00e9culo XX e XXI<\/strong> \u2013 2014 (<a href=\"https:\/\/www.nexos.ufsc.br\/index.php\/rebela\/article\/view\/2708\/1839\">https:\/\/www.nexos.ufsc.br\/index.php\/rebela\/article\/view\/2708\/1839<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruno Lima Rocha (@estanalise \u2013 blimarocha@gmail.com \u2013 estrategiaeanaliseblog.com) \u2013 artigo originalmente publicado na Revista Manuten\u00e7\u00e3o Em artigo anterior deste portal debatemos de forma comentada as contribui\u00e7\u00f5es de John Hobson quanto ao imperialismo entrecruzado pelo poder do capital financeiro. 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