{"id":2870,"date":"2022-01-12T12:22:54","date_gmt":"2022-01-12T15:22:54","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategiaeanaliseblog.com\/?p=2870"},"modified":"2023-03-13T21:58:19","modified_gmt":"2023-03-14T00:58:19","slug":"perspectivas-para-a-luta-arabe-palestina-a-partir-da-america-latina-em-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=2870","title":{"rendered":"Perspectivas para a luta \u00e1rabe-palestina a partir da Am\u00e9rica Latina em 2022"},"content":{"rendered":"\n<p>Bruno Beaklini (@estanalise)- janeiro de 2022<\/p>\n\n\n\n<p>Em geral, o momento de virada do ano no calend\u00e1rio gregoriano \u00e9 de retrospectiva e mirada para os pr\u00f3ximos doze meses. A produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica j\u00e1 consagrou este subg\u00eanero e realmente tem relev\u00e2ncia antecipar caminhos e possibilidades. No caso espec\u00edfico das rela\u00e7\u00f5es latino-americanas com a liberta\u00e7\u00e3o da Palestina e o conjunto dos territ\u00f3rios e pa\u00edses \u00e1rabes e vizinhos sob o ataque sionista e cruzado, \u00e9 preciso entender quais temas s\u00e3o os fundamentais. Neste artigo tomamos o exemplo do acionar do inimigo dentro das institui\u00e7\u00f5es brasileiras e generalizamos essa perspectiva em termos continentais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A disputa pelo Poder Executivo no Brasil &nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>2022 \u00e9 o ano das elei\u00e7\u00f5es gerais no Brasil, o mais importante pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina e o \u00fanico com condi\u00e7\u00f5es de gerar excedentes de poder e projeta-lo para outros continentes e em todo o Sistema Internacional. Neste sentido, podemos afirmar que a pol\u00edtica brasileira, tal como a chilena, precisa superar a \u201cteoria do empate\u201d no que diz respeito aos temas da entidade sionista e o Apartheid perpetrado sobre o povo palestino. Diante das pr\u00e9-candidaturas anunciadas, o atual presidente Jair Messias Bolsonaro (recentemente filiado ao PL), \u00e9 o mais sionista dos candidatos. O ex-juiz Sergio Fernando Moro (rec\u00e9m-filiado ao Podemos), pelos seus v\u00ednculos expl\u00edcitos com o Departamento de Justi\u00e7a dos EUA se torna, <em>de facto<\/em>, apoiador incondicional do Estado Colonial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 evidente que o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT), al\u00e9m de ser o favorito da corrida presidencial (podendo ganhar at\u00e9 em primeiro turno), demonstrou por sua pol\u00edtica externa quando fora presidente (2003-2010) e tamb\u00e9m com sua sucessora (Dilma Rousseff, de 2011 a 2016), uma inclina\u00e7\u00e3o pelo conceito cl\u00e1ssico de Pol\u00edtica Externa Independente (PEI) e rela\u00e7\u00f5es Sul-Sul. Neste sentido, as rela\u00e7\u00f5es com a Palestina e demais pa\u00edses \u00e1rabes, al\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o com Ir\u00e3 e Turquia (pot\u00eancias regionais no Oeste da \u00c1sia e Mundo Isl\u00e2mico), eram muito frut\u00edferas. O Brasil entrou como pilar de negocia\u00e7\u00e3o das rodadas iniciais do acordo nuclear iraniano e ajudou em miss\u00f5es solid\u00e1rias para a Palestina Ocupada. Com estas a\u00e7\u00f5es pregressas podemos tirar dois indicadores.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro indicador \u00e9 a evid\u00eancia que, em maior ou menor medida, dada a polariza\u00e7\u00e3o e a aberrante \u201cguerra cultural\u201d promovida pela extrema direita, com a vit\u00f3ria de qualquer um dos tr\u00eas candidatos, a balan\u00e7a pender\u00e1 mais para o invasor sionista (Bolsonaro e Moro) ou para o povo palestino (Lula). Levando em considera\u00e7\u00e3o a elei\u00e7\u00e3o de Lula, a segunda indica\u00e7\u00e3o \u00e9 que o inimigo far\u00e1 de tudo para hipotecar esta prov\u00e1vel vit\u00f3ria nas urnas. Tal \u201chipoteca\u201d seria afirmar o ditado popular: \u201cganhou, mas n\u00e3o levou\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A prov\u00e1vel vit\u00f3ria \u201chipotecada\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores (MRE) \u00e9 t\u00e3o fundamental para o inimigo como o superminist\u00e9rio da Economia \u00e9 para os especuladores da Faria Lima e arredores. Um pa\u00eds soberano necessita tanto uma pol\u00edtica externa altiva como de fundamentos econ\u00f4micos s\u00f3lidos e produtivos. Infelizmente, a \u00e1rea econ\u00f4mica (antes do desgoverno de Bolsonaro dividida entre Planejamento, Fazenda e Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio) no Brasil vem sendo colonizada pelos parasitas financeiros, Banco Central inclu\u00eddo, desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o. No per\u00edodo p\u00f3s-golpe de 2016, a situa\u00e7\u00e3o fica ainda mais expl\u00edcita e com Paulo Guedes como \u201cpilar&nbsp; econ\u00f4mico\u201d de Bolsonaro, n\u00e3o h\u00e1 mais meio termo.<\/p>\n\n\n\n<p>No MRE, na tradicional pasta do Itamaraty tamb\u00e9m cavalgamos para essa situa\u00e7\u00e3o expl\u00edcita. O limite, al\u00e9m do ex-chanceler p\u00e1ria assumido, foi a tentativa de emplacar o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), apelidado de Bananinha pelo vice-presidente, quase foi embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Entre a chancelaria brasileira e o gabinete da Presid\u00eancia, tem outro posto-chave, o de assessor especial de assuntos internacionais. Tal posi\u00e7\u00e3o, a mesma que j\u00e1 fora de intelectuais da envergadura de Marco Aur\u00e9lio Garcia (1941-2017), \u00e9 ocupado por um seguidor de Olavo de Carvalho e sujeito acusado de gesto supremacista no Congresso.<\/p>\n\n\n\n<p>Quebrada a barreira da vergonha ou mesmo do pudor, tudo o que vier depois desse espet\u00e1culo de horrores ser\u00e1 visto como \u201crazo\u00e1vel\u201d. A vit\u00f3ria da centro-esquerda poder\u00e1 ser hipotecada em \u00e1reas-chave e em especial onde \u00e9 poss\u00edvel conseguir muito apoio de institui\u00e7\u00f5es duvidosas \u2013 como as redes neopentecostais, sempre assustadas com a Receita Federal ou o comportamento duvidoso de seus pregadores. A rela\u00e7\u00e3o direta entre a demagogia fantasiosa baseada em estranhas interpreta\u00e7\u00f5es do Velho Testamento, a ades\u00e3o \u00e0 Teologia da Prosperidade e a defesa incondicional da entidade sionista e suas viola\u00e7\u00f5es ao direito internacional consegue \u201cpopularizar\u201d uma narrativa pr\u00f3-Apartheid.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, qualquer governo que venha a assumir, ser\u00e1 pressionado pelo menos a manter a \u201cteoria do empate\u201d ou evitar posi\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas contra o Apartheid na Palestina Ocupada de modo a n\u00e3o receber ataques que venham a diminuir o apoio presidencial, especialmente em seu primeiro ano de administra\u00e7\u00e3o. Uma \u201csinaliza\u00e7\u00e3o\u201d pelo \u201cempate\u201d pode ser na coloca\u00e7\u00e3o de elementos de tipo \u201cliberal-progressista\u201d, mas leais ao sionismo e capazes de criar um proselitismo normalizador da ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A press\u00e3o pol\u00edtica e a estrutura do Estado profundo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O sionismo terceirizou sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica atrav\u00e9s das bancadas neopentecostais e se alinha na extrema direita atrav\u00e9s das obscenas interpreta\u00e7\u00f5es da \u201cguerra cultural\u201d. No Estado profundo, especialmente nos aparelhos policiais e repressivos, acordos como o que est\u00e1 em andamento no Congresso Nacional brasileiro revelam o poder do Apartheid ao oferecer sua \u201ctecnologia de seguran\u00e7a\u201d amplamente testada a partir de uma economia de guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, a vit\u00f3ria eleitoral de qualquer tipo de \u201cprogressismo\u201d latino-americano, al\u00e9m das posi\u00e7\u00f5es neocoloniais e reacion\u00e1rias da maior parte destas carreiras de Estado, estar\u00e1 sentada sobre uma estrutura pouco confi\u00e1vel e com lealdades paralelas muito perigosas. \u00c9 preciso atuar de imediato e ampliar este raio em duas frentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma, na a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, criando frentes parlamentares \u00e1rabes ou \u00e1rabe-palestinas em todos os n\u00edveis legislativos. Outra, correndo em paralelo, vigiando e combatendo tanto esses acordos como as miss\u00f5es e agendas de \u201cinterc\u00e2mbio\u201d de for\u00e7as de seguran\u00e7a locais, estaduais e nacionais junto do aparato repressivo e de espionagem da entidade sionista. Est\u00e1 mais do que provado dos perigos destas estruturas quando aqui presentes e que, apesar, de ficarmos mais atentos com a vasta rede do Minist\u00e9rio de Assuntos Estrat\u00e9gicos e Diplomacia P\u00fablica do inimigo, no submundo da espionagem e \u00e1reas conexas \u00e9 onde se movem melhor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As perspectivas de luta imediata em 2022<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como o sionismo tem a capacidade de se internacionalizar e internalizar em pa\u00edses soberanos, pela l\u00f3gica o combate a esta vertente imperialista deve ocorrer simultaneamente. Com maior ou menor intensidade, o padr\u00e3o das lutas mais imediatas para 2022, tomando o Brasil como exemplo, pode ser reproduzido em toda a Am\u00e9rica Latina, incluindo a urgente necessidade de diminuir a in\u00e9rcia das col\u00f4nias e di\u00e1sporas \u00e1rabe latino-americanas.<\/p>\n\n\n\n<p>A melhor perspectiva \u00e9 contarmos com as pr\u00f3prias for\u00e7as atrav\u00e9s de parcelas confi\u00e1veis de nossa di\u00e1spora nos pa\u00edses do continente, tra\u00e7armos alian\u00e7as concretas que incidam na opini\u00e3o p\u00fablica para al\u00e9m dos importantes c\u00edrculos das esquerdas e que fiquemos muito vigilantes contra o sionismo, seus aliados do protofascismo e dos EUA operando na regi\u00e3o. N\u00e3o basta denunciar e expor as mazelas do colonialismo nas terras \u00e1rabes \u00e9 preciso atuar politicamente relacionando as lutas, causas e consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Artigo originalmente publicado no Monitor do Oriente M\u00e9dio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruno Beaklini (@estanalise)- janeiro de 2022 Em geral, o momento de virada do ano no calend\u00e1rio gregoriano \u00e9 de retrospectiva e mirada para os pr\u00f3ximos doze meses. A produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica j\u00e1 consagrou este subg\u00eanero e realmente tem relev\u00e2ncia antecipar caminhos e possibilidades. 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