{"id":2920,"date":"2022-05-09T11:15:24","date_gmt":"2022-05-09T14:15:24","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategiaeanaliseblog.com\/?p=2920"},"modified":"2023-03-13T21:58:06","modified_gmt":"2023-03-14T00:58:06","slug":"as-alternativas-ao-sistema-swift-e-a-necessidade-de-uma-moeda-de-integracao-sul-americana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=2920","title":{"rendered":"As alternativas ao Sistema Swift e a necessidade de uma moeda de integra\u00e7\u00e3o sul-americana\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p>Bruno Beaklini (@estanalise) \u2013 abril e maio de 2022<\/p>\n\n\n\n<p>Este artigo da s\u00e9rie sobre a economia pol\u00edtica internacional diante da nova bipolaridade e da ordem financeira sob as san\u00e7\u00f5es e bloqueios (rumando para autarquias armadas), traz a t\u00e3o querida mirada latino-americana. Nossa descend\u00eancia e m\u00faltiplas col\u00f4nias \u00e1rabes est\u00e3o perfeitamente integradas e somos parte deste continente em seu esfor\u00e7o de mais de 525 anos por soberania e liberta\u00e7\u00e3o. Na esfera econ\u00f4mica se trata do mesmo empenho e desafios ainda mais complexos, considerando a transnacionaliza\u00e7\u00e3o dos agentes econ\u00f4mico-financeiros e a subordina\u00e7\u00e3o de nossos pa\u00edses a carcomidas elites dirigentes com forma\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria no neoliberalismo. Vejamos a alternativa da moeda regional sul-americana.<\/p>\n\n\n\n<p>O incans\u00e1vel jornalista Luis Nassif <a href=\"https:\/\/jornalggn.com.br\/economia\/moeda-sul-americana-ampliaria-soberania-regional-segundo-haddad-e-galipolo\/\">apesenta o resumo<\/a> do artigo de Fernando Haddad e do economista Gabriel Gal\u00edpolo, a respeito da necessidade de uma moeda sul-americana, diante das press\u00f5es de bloqueios e san\u00e7\u00f5es promovidas pelos EUA e aliados. Segundo os autores, alguns aportes centrais poderiam ser garantidos pelo Brasil que:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cPoderia dar subs\u00eddios \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de uma nova moeda digital sul-americana, a partir de sua experi\u00eancia em diversas opera\u00e7\u00f5es, como a ado\u00e7\u00e3o da URV (Unidade Real de Valor). Essa moeda seria emitida por um Banco Central Sul-Americano, e sua capitaliza\u00e7\u00e3o inicial seria de responsabilidade dos pa\u00edses-membros de forma proporcional \u00e0 sua fatia no com\u00e9rcio regional. A capitaliza\u00e7\u00e3o seria feita com as reservas externas dos pa\u00edses ou por meio de uma taxa sobre as exporta\u00e7\u00f5es para fora da regi\u00e3o. Essa nova moeda poderia ser usada seja para fluxos comerciais ou para fluxos financeiros entre os pa\u00edses da regi\u00e3o.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Admito e reconhe\u00e7o que a proposta \u00e9 bastante efetiva, mas que o \u201cmomentum\u201d correto para aplica-la poderia ser dez anos atr\u00e1s. A nova moeda seria utilizada para garantir os fluxos regionais de com\u00e9rcio, portanto trata-se de uma vers\u00e3o nova da t\u00e3o propalada e nunca concretizada moeda aduaneira do Mercosul. Ou ent\u00e3o, criar um lastro concreto tendo o petr\u00f3leo sob o controle nacional como reserva de valor efetiva, na forma de um muito desejado cons\u00f3rcio entre a YPF (Argentina), PDVSA (Venezuela), YPFB (Bol\u00edvia), Petrobr\u00e1s (Brasil) e quem sabe tamb\u00e9m a PEMEX (M\u00e9xico). Atrav\u00e9s da representa\u00e7\u00e3o venezuelana estaria a Am\u00e9rica Latina com plena representa\u00e7\u00e3o na <a href=\"https:\/\/www.opec.org\/opec_web\/en\/\">OPEP<\/a> e com o aporte do Banco do Sul, poder\u00edamos financiar os projetos estrat\u00e9gicos para nosso continente.<\/p>\n\n\n\n<p>Para tanto, era necess\u00e1rio retomar o controle \u2013 se n\u00e3o p\u00fablico, ao menos do Poder Executivo das empresas, recursos e ativos estrat\u00e9gicos de nossos pa\u00edses. Na d\u00e9cada passada <a href=\"http:\/\/www.estrategiaeanalise.com.br\/ler02.php?idsecao=e8f5052b88f4fae04d7907bf58ac7778&amp;&amp;idtitulo=e612a39dd21800fc579d0e091eb4b9e5\">este que escreve elogiava a retomada<\/a> de controle da estatal petrol\u00edfera argentina, vendida a pre\u00e7os irris\u00f3rios para a ex-estatal espanhola do mesmo ramo da economia:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cA (re)-nacionaliza\u00e7\u00e3o da empresa Yacimientos Petrol\u00edferos Fiscales (YPF) foi uma a\u00e7\u00e3o correta. O equivalente a Petrobr\u00e1s argentina, privatizada a pre\u00e7os \u00ednfimos e cuja compra fora com moeda podre foi retomada atrav\u00e9s do controle acion\u00e1rio por parte do Poder Executivo. E, ao contr\u00e1rio do que por aqui foi veiculado sobre a espanhola Repsol, \u2018dona\u2019 da YPF S.A., esta petrol\u00edfera n\u00e3o \u00e9 necessariamente uma investidora. Pouco ou nada foi realizado ap\u00f3s sua aquisi\u00e7\u00e3o no meio da farra de pizza com champanhe (em 1993), caracter\u00edstica dos governos de Carlos Saul Menem. Ali\u00e1s, foi o n\u00e3o cumprimento de metas contratuais o que oportunizara a presidente Cristina Kirchner executar uma vontade pol\u00edtica das maiorias eleitorais da Argentina.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Um ano depois o elogio se torna outra evid\u00eancia da mentalidade curta, obtusa de quem dirigiu a maior parte da Am\u00e9rica Latina por um vi\u00e9s ao menos proclamado como sendo \u201cnacional-popular e de centro-esquerda\u201d. Na hora exata da reprodu\u00e7\u00e3o de elementos fundamentais como o quase executado Pacto ABC (Argentina, Brasil e Chile, na primeira metade da d\u00e9cada de 1950), outra vez mais a mesquinharia pol\u00edtica e mentalidade \u201cgerencial\u201d perdeu a oportunidade. Em agosto de 2013 <a href=\"http:\/\/www.estrategiaeanalise.com.br\/ler02.php?idsecao=&amp;&amp;idtitulo=00af696acfa0df79f0529ccc7ae21b79\">este analista escrevia<\/a>: &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cJ\u00e1 no m\u00eas de julho do corrente ano, um acordo entre a YPF &#8211; empresa sob comando da Casa Rosada \u2013 e a estadunidense Chevron (controladora da pr\u00f3pria marca, al\u00e9m da Texaco e Caltex), abala a credibilidade do discurso nacionalista da Frente para la Victoria (FPV), alian\u00e7a pol\u00edtica que abriga o guarda-chuva do governo Kirchner (tanto o de N\u00e9stor como o Cristina). O contrato com a transnacional petroleira implica operar uma zona piloto no campo de explora\u00e7\u00e3o chamado de Vaca Muerta, na prov\u00edncia de Neuqu\u00e9n, regi\u00e3o da Patag\u00f4nia argentina.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo texto, explicava que era uma experi\u00eancia piloto, onde de um campo determinado poderiam evoluir para outros campos, em terra, tanto gigantes como at\u00e9 super gigantes. Porque o governo que se afirmava como \u201cnacionalista\u201d opta pelo acordo com uma das sete irm\u00e3s? Vejamos o que estava em jogo.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cEste conv\u00eanio \u00e9 inicial, pois inclui um investimento de 1 bilh\u00e3o e 240 milh\u00f5es de d\u00f3lares para a explora\u00e7\u00e3o de 100 po\u00e7os, resultando em 10.000 barris\/dia, em uma \u00e1rea de 20 km\u00b2. A meta de explora\u00e7\u00e3o m\u00e1xima deste campo, cuja \u00e1rea chega a 395km\u00b2, seria de 1500 po\u00e7os, resultando em 50.000 barris\/ dia e 3 milh\u00f5es de m\u00b3 de g\u00e1s natural. A fonte \u00e9 inequ\u00edvoca, pois \u00e9 da assessoria de imprensa oficial argentina (Telam\/YPF). Mas, como em quase todos os comunicados oficialistas, falta a perspectiva de investimento no m\u00e9dio prazo. Para a explora\u00e7\u00e3o total da \u00e1rea, teria de haver um aporte de Usd 10 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano!\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Na sequ\u00eancia este analista apresentava o volume de reservas totais do Banco do Sul e de como seria perfeitamente poss\u00edvel elencar a uns tr\u00eas projetos pilotos e assim coordenar esfor\u00e7os com a capacidade de investimento das estatais petrol\u00edferas, mais o financiamento do banco acima citado, assim como dentro da arquitetura do Banco dos BRICS e seu fundo soberano. Desta forma, ao inv\u00e9s de ampliar endividamento junto ao Banco Internacional para Reconstru\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento, ent\u00e3o muito em voga para internacionalizar o endividamento interno do Brasil, alongando a d\u00edvida entre n\u00edveis de governo (estados e munic\u00edpios) e a Uni\u00e3o. Retornando a 2013, a cr\u00edtica vinha assim:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cO contrato tamb\u00e9m reflete a aus\u00eancia de pensamento estrat\u00e9gico dos pa\u00edses latino-americanos, em especial os que contam com estatais petrol\u00edferas, como Petrobr\u00e1s (Brasil), Ancap (Uruguai), PDVSA (Venezuela) e YPFB (Bol\u00edvia). A explora\u00e7\u00e3o de um campo desta envergadura tamb\u00e9m poderia ser um projeto do Banco do Sul, cujos aportes em julho de 2013 atingem a sete bilh\u00f5es de d\u00f3lares, estando a meta em 20 bilh\u00f5es. Alternativas n\u00e3o faltariam caso os governos de \u2018centro-esquerda\u2019 n\u00e3o reproduzissem a vis\u00e3o colonial sobre n\u00f3s mesmos.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A proposta apresentada pelo economista Gabriel Gal\u00edpolo, proveniente da escola de pensamento econ\u00f4mico da Unicamp, pode realmente implicar em uma sa\u00edda regional soberana, desde que n\u00e3o nos esque\u00e7amos das oportunidades perdidas pelas mesmas dire\u00e7\u00f5es que governaram na d\u00e9cada anterior. Do neoliberalismo n\u00e3o sai nada al\u00e9m de mais mis\u00e9ria e repress\u00e3o, com maior ou menor teor de bizarrices e protofascismos. Mas, a sa\u00edda \u201cnacional-popular\u201d vai muito al\u00e9m de ideias formuladas ou engajamento do andar de cima.<\/p>\n\n\n\n<p>Somente a disputa pela Petrobr\u00e1s nos custou dois golpes de Estado (1954 e 2016) e o controle pela YPF argentina e a YPFB boliviana mais alguns, assim como na Venezuela. Nossos pa\u00edses de origem sabem que o sionismo n\u00e3o ser\u00e1 derrotado com abaixo assinados ou apenas com conte\u00fados de redes sociais. As terras latino-americanas jamais ter\u00e3o sua emancipa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica se n\u00e3o levarem em conta o inimigo estadunidense e as elites dom\u00e9sticas mais leais a Washington do que ao centro de poder local e nacional. Que as decis\u00f5es corretas tenham o empenho e a antecipa\u00e7\u00e3o de movimentos inimigos \u00e0 altura do desafio.<\/p>\n\n\n\n<p>Artigo originalmente publicado no Monitor do Oriente M\u00e9dio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruno Beaklini (@estanalise) \u2013 abril e maio de 2022 Este artigo da s\u00e9rie sobre a economia pol\u00edtica internacional diante da nova bipolaridade e da ordem financeira sob as san\u00e7\u00f5es e bloqueios (rumando para autarquias armadas), traz a t\u00e3o querida mirada latino-americana. 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