{"id":2972,"date":"2022-08-10T16:40:21","date_gmt":"2022-08-10T19:40:21","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategiaeanaliseblog.com\/?p=2972"},"modified":"2023-03-13T21:58:05","modified_gmt":"2023-03-14T00:58:05","slug":"um-exercicio-de-comparacao-em-historia-politica-a-carta-da-fiesp-em-1977-e-a-de-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=2972","title":{"rendered":"<strong>Um exerc\u00edcio de compara\u00e7\u00e3o em hist\u00f3ria pol\u00edtica: a carta da Fiesp em 1977 e a de 2022<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Bruno Lima Rocha <\/em>(@estanalise) \u2013 agosto de 2022<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a Carta pela Democracia e na sequ\u00eancia a Carta coordenada pela FIESP e demais atividades empresariais come\u00e7aram a circular, automaticamente nos colocamos em uma situa\u00e7\u00e3o comparativa do ano chave para a pol\u00edtica brasileira na d\u00e9cada de &#8217;70 do s\u00e9culo passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Afirmo o \u00f3bvio, tem um problema na compara\u00e7\u00e3o com 1977. Ao menos \u00e9 a opini\u00e3o deste mortal que escreve. Foi importante sim a emiss\u00e3o de documentos e manifestos p\u00fablicos para contrapor a ditadura e, em especial, no fat\u00eddico ano de 77, com o Pacote de Abril, o contragolpe da Sorbonne na Tigrada e a repress\u00e3o aos atos estudantis.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ou muito me engano, ou a FIESP \u00e0 \u00e9poca se revoltava contra o II PND e a co-tutela do aparelho de Estado sobre o capitalismo brasileiro. N\u00e3o era necessariamente uma postura &#8220;democr\u00e1tica&#8221;, mas contra o planejamento do governo federal e sua associa\u00e7\u00e3o ao capital operando no pa\u00eds, seja esse familiar e olig\u00e1rquico ou transnacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, o capital \u201cnacional\u201d se confrontava contra a tecnocracia fardada. Evidente que havia um peda\u00e7o grande do PIB brasileiro sendo mordido pelos \u201cabre portas\u201d, como corretamente nos lembra o jornalista Luis Nassif. Mas, diante do volume de contratos de um pa\u00eds que abria empresas estatais sem freio de endividamento e logo na sequ\u00eancia vinha uma enxurrada de contratos p\u00fablicos, o modelo de controle do Estado pelo aparato do SNI era o \u201cmal menor\u201d para o empresariado que apoiou o golpe de 1964. O que n\u00e3o queriam era nem sequer uma t\u00edmida sombra de \u201ctenentismo varguista\u201d, algo que definitivamente Geisel n\u00e3o fazia nem quest\u00e3o de ocultar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Momento cr\u00edtico da ditadura<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Era uma tempestade perfeita, em que o Partido Militar rachava &#8211; indo quase \u00e0s vias de fato em sua interna &#8211; as lutas populares e sociais eclodiram e a patronal em S\u00e3o Paulo largava da trajet\u00f3ria da OBAN e preferia a &#8220;democracia&#8221; como projeto pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Vem da\u00ed e na solu\u00e7\u00e3o espanhola, tipo Pacto de La Moncloa, onde o disc\u00edpulo latino americano de Juan Linz &#8211; FHC, do principado de Higien\u00f3polis &#8211; apontava a sa\u00edda e suas lealdades no grupo pol\u00edtico de Andr\u00e9 Franco Montoro.<\/p>\n\n\n\n<p>De certa forma, a FIESP sob gest\u00e3o de Josu\u00e9 Gomes \u00e9 mais industrialista e mais &#8220;combativa&#8221; do que as posturas de 1977. Mas a heran\u00e7a pol\u00edtica de Geraldo Alckmin \u00e9 bem essa, sendo ele mesmo herdeiro de M\u00e1rio Covas, engenheiro de profiss\u00e3o. E, tal como na transi\u00e7\u00e3o do Estado espanhol p\u00f3s franquista (e recheado de franquistas, a come\u00e7ar pelo pr\u00f3prio Adolfo Su\u00e1rez), o pacto no Brasil seria para se livrar da amea\u00e7a golpista. Depois \u2013 a dimens\u00e3o substantiva da sa\u00edda da crise bolsonarista-militar &#8211; fica para 1o de Janeiro de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o com outro momento hist\u00f3rico recente, &#8220;melhorou&#8221; ao menos. Levamos quase 6 anos para sairmos de agosto de 1954 e chegarmos na elei\u00e7\u00e3o de JK em 1955. Agora, na aus\u00eancia de golpe preventivo, de 1955 pulamos para 1977.<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos dizer que sim, est\u00e1 menos ruim a situa\u00e7\u00e3o, com a extrema direita ainda viva (e perigosa) mas com perda de espa\u00e7o e muito arrinconada com o setor mais fariseu dos neopentecostais, dos altos mandos militares e da nova extrema direita trumpista, vers\u00e3o tropical. Neste sentido \u00e9 positivo. Mas, na compara\u00e7\u00e3o com o ano do in\u00edcio da virada em pleno governo do Ernesto (que n\u00e3o \u00e9 o nosso), falta algo. Por exemplo, T\u00e1, e o ABC, e a segunda luta no Araguaia, e as pastorais sociais? Pois ent\u00e3o, estamos em 1977 com o PIG arrependido, os comandantes das 3 for\u00e7as alinhados ao Bozoquina e mais de 30% de voto para a direita religiosa (neopentecostal e &#8220;evang\u00e9lica&#8221; reacion\u00e1ria).<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo d\u00e1 a entender que quem cantar \u201cse gritar paga o Centr\u00e3o\u201d, est\u00e1 fechado o apoio para a tal da governabilidade. Os coroneis do or\u00e7amento secreto seguem a m\u00e1xima de Severino Cavalcanti. \u201cSe o governo me trata eu sou governo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O caminho parece de pacto nacional pelo andar de cima n\u00e3o fardado. N\u00e3o tem golpe sem a FIESP, Globo e Embaixada dos U$A apoiando, o pato agora \u00e9 vermelho lavado. Mas tem de ganhar na urna eletr\u00f4nica e se n\u00e3o fechar em 1o turno, outubro ser\u00e1 emocionante. E n\u00e3o s\u00f3 para a social-democracia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruno Lima Rocha (@estanalise) \u2013 agosto de 2022 Quando a Carta pela Democracia e na sequ\u00eancia a Carta coordenada pela FIESP e demais atividades empresariais come\u00e7aram a circular, automaticamente nos colocamos em uma situa\u00e7\u00e3o comparativa do ano chave para a pol\u00edtica brasileira na d\u00e9cada de &#8217;70 do s\u00e9culo passado. 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