{"id":340,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=340"},"modified":"2023-03-13T20:50:02","modified_gmt":"2023-03-13T23:50:02","slug":"lei-do-audiovisual-e-politica-do-estado-minimo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=340","title":{"rendered":"Lei do Audiovisual e pol\u00edtica do Estado m\u00ednimo"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/dorfman.jpg\" title=\"\n\n<p >O chileno Ariel Dorfman, respons\u00e1vel pela Editora Nacional Quimant\u00fa durante do governo Allende no Chile. Ao contr\u00e1rio do ministro Gil, este dramaturgo \u00e9 um homem s\u00e9rio, inimigo das caricaturas que alguns \u201cartistas\u201d fazem de si mesmo para se eximirem da responsabilidade de nada fazerem.<\/p>\n<p> &#8211; Foto:&#8221; alt=&#8221;<\/p>\n<p >O chileno Ariel Dorfman, respons\u00e1vel pela Editora Nacional Quimant\u00fa durante do governo Allende no Chile. Ao contr\u00e1rio do ministro Gil, este dramaturgo \u00e9 um homem s\u00e9rio, inimigo das caricaturas que alguns \u201cartistas\u201d fazem de si mesmo para se eximirem da responsabilidade de nada fazerem.<\/p>\n<p> &#8211; Foto:&#8221; class=&#8221;image&#8221;><figcaption class=\"fig-caption\">\n<p >O chileno Ariel Dorfman, respons\u00e1vel pela Editora Nacional Quimant\u00fa durante do governo Allende no Chile. Ao contr\u00e1rio do ministro Gil, este dramaturgo \u00e9 um homem s\u00e9rio, inimigo das caricaturas que alguns \u201cartistas\u201d fazem de si mesmo para se eximirem da responsabilidade de nada fazerem.<\/p>\n<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >O apetite do neoliberalismo n\u00e3o poupa nada que possa lembrar, nem de longe, a soberania nacional e a valoriza\u00e7\u00e3o da identidade cultural dos pa\u00edses perif\u00e9ricos. Com o cinema e as produ\u00e7\u00f5es audiovisuais dos pa\u00edses e na\u00e7\u00f5es latino-americanas n\u00e3o poderia ser diferente. Analisando-se especificamente o caso do Brasil, \u00e9 not\u00e1vel o quanto nossa produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, depois de submetida a sucessivos governos fi\u00e9is \u00e0 cartilha do Consenso fabricado em Washington, ficou completamente \u00e0 merc\u00ea das estrat\u00e9gias de mercado das cinco grandes distribuidoras norte-americanas presentes em nosso pa\u00eds. S\u00e3o elas:<\/p>\n<p >Columbia, <\/p>\n<p >Buena Vista, <\/p>\n<p >Fox, <\/p>\n<p >Warner <\/p>\n<p >UIP<\/p>\n<p >Estas se quais se tornaram, na pr\u00e1tica, as principais respons\u00e1veis pela promo\u00e7\u00e3o de nosso cinema, com a cria\u00e7\u00e3o, em 1993, da famosa Lei do Audiovisual.<\/p>\n<p >\n<p >A Lei de Incentivo ao Audiovisual foi muito mais uma medida emergencial para salvar do desaparecimento o cinema nacional do que qualquer outra coisa. Com o fechamento, em 1990, da Embrafilme, pelo governo Collor &#8211; na g\u00eanese do processo de enxugamento do Estado brasileiro &#8211; nosso cinema foi abandonado \u00e0 pr\u00f3pria sorte. Lembremos, era a estatal que financiava desde o fim dos anos \u201860 mais de 90% das produ\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas brasileiras. Com o desinteresse comercial das majors norte-americanas em veicular as obras tupiniquins, chegamos a ter uma m\u00e9dia de apenas tr\u00eas filmes brasileiros exibidos por ano em nossas salas de cinema, no per\u00edodo entre 1990 e 1993.<\/p>\n<p >\n<p >Com a introdu\u00e7\u00e3o da lei, que permite \u00e0s majors deduzirem do Imposto de Renda a quantia investida na difus\u00e3o de produ\u00e7\u00f5es brasileiras, foi poss\u00edvel superar este quadro, possibilitando uma gradual reinser\u00e7\u00e3o do <\/p>\n<p >cinema brasileiro nas telas do pa\u00eds. Contudo, o tempo de dar gra\u00e7as aos c\u00e9us por uma participa\u00e7\u00e3o de <st1:metricconverter w:st=\"on\" ProductID=\"10 a\">10 a<\/st1:metricconverter> 12% do cinema nacional na bilheteria anual em nossas salas de proje\u00e7\u00e3o j\u00e1 passou h\u00e1 muito tempo. Hoje nos deparamos com um quadro de estagna\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o audiovisual do Brasil, resultante do mesmo desinteresse comercial que as majors sempre tiveram para com nossa cinematografia. Enquanto a \u00fanica pol\u00edtica do Estado brasileiro com vistas a apoiar os profissionais do cinema nacional for \u201cempurr\u00e1-los\u201d para os bra\u00e7os das grandes distribuidoras, jamais teremos no audiovisual uma ferramenta capaz de auxiliar na consolida\u00e7\u00e3o de uma identidade cultural brasileira como ponto de partida para uma maior identifica\u00e7\u00e3o de nosso povo com as culturas latino-americanas como um todo.<\/p>\n<p >Apesar da panac\u00e9ia meta-acad\u00eamica a respeito do tema da identidade, todos sabemos que o assunto \u00e9 s\u00e9rio, estrat\u00e9gico para qualquer pretens\u00e3o de desenvolvimento nacional com algum grau de autodetermina\u00e7\u00e3o. Que o diga o Tio Sam, desde os tempos da Alian\u00e7a para o Progresso do p\u00f3s-guerra, enviando gente mais que capaz para dissolver nossa pr\u00f3pria capacidade de entender quem somos e para onde queremos ir. Lembremos, Walt Disney n\u00e3o esteve no Rio a passeio nem criou o Z\u00e9 Carioca por simpatia tropical. <\/p>\n<p >Vale a pena destacar que, de todos os pa\u00edses produtores de cinema do mundo, os \u00fanicos que contam com uma ind\u00fastria audiovisual rent\u00e1vel, sem a necessidade de subs\u00eddios estatais, s\u00e3o Estados Unidos e \u00cdndia. As produ\u00e7\u00f5es da Fran\u00e7a, Alemanha, R\u00fassia e at\u00e9 mesmo do Ir\u00e3, pa\u00edses com uma s\u00f3lida tradi\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, nunca deixaram de contar com um forte apoio de seus respectivos Estados para obterem sustentabilidade. Portanto, fica indiscut\u00edvel o car\u00e1ter neoliberal deste \u201cdesleixo\u201d dos \u00faltimos governos de nosso pa\u00eds em fomentar a expans\u00e3o do cinema brasileiro \u2013 apenas mais um aspecto dos processos de desmonte do Estado com vistas \u00e0 abertura de novos mercados para as grandes empresas estrangeiras, e de aniquilamento das culturas locais, para a posterior introdu\u00e7\u00e3o de um vazio de identidade perfeito \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o dos produtos baratos da ind\u00fastria cultural imperialista.<\/p>\n<p >A prop\u00f3sito: porque o chileno Ariel Dorfman n\u00e3o \u00e9 aplicado nas centenas de escolas de comunica\u00e7\u00e3o do Brasil?!<\/p>\n<p >Nota escrita pelo novo estagi\u00e1rio da p\u00e1gina, o estudante de comunica\u00e7\u00e3o social \u2013 jornalismo na Fabico\/UFRGS, Murilo Zardo. Nosso mais novo participante \u00e9 passofundense, ga\u00facho, colorado e, como se pode ver, bastante talentoso.<\/p>\n<p >Revis\u00e3o de Bruno Lima Rocha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-340","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/340","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=340"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/340\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11205,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/340\/revisions\/11205"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=340"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=340"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=340"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}