{"id":565,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=565"},"modified":"2023-03-13T21:41:00","modified_gmt":"2023-03-14T00:41:00","slug":"a-receita-de-zero-hora-para-compreender-as-avessas-a-seguranca-publica-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=565","title":{"rendered":"A receita de Zero Hora para compreender \u00e0s avessas a seguran\u00e7a p\u00fablica de S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/rebeliao_PCC.jpg\" title=\"\n\n<p >Negar a esta for\u00e7a social \u00e9 negar o \u00f3bvio, tentando passar a id\u00e9ia de que a realidade deixa de ser real. Triste papel mil vezes repetido. <\/p>\n<p> &#8211; Foto:&#8221; alt=&#8221;<\/p>\n<p >Negar a esta for\u00e7a social \u00e9 negar o \u00f3bvio, tentando passar a id\u00e9ia de que a realidade deixa de ser real. Triste papel mil vezes repetido. <\/p>\n<p> &#8211; Foto:&#8221; class=&#8221;image&#8221;><figcaption class=\"fig-caption\">\n<p >Negar a esta for\u00e7a social \u00e9 negar o \u00f3bvio, tentando passar a id\u00e9ia de que a realidade deixa de ser real. Triste papel mil vezes repetido. <\/p>\n<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >O jornal Zero Hora em sua \u00faltima edi\u00e7\u00e3o dominical (20 de janeiro de 2008) apresenta em sua se\u00e7\u00e3o de pol\u00edcia, p\u00e1ginas <st1:metricconverter w:st=\"on\" ProductID=\"33 a\">33 a<\/st1:metricconverter> 36, uma mat\u00e9ria de f\u00f4lego a respeito das mudan\u00e7as na seguran\u00e7a p\u00fablica no estado de S\u00e3o Paulo. A reportagem <a href=\"http:\/\/zerohora.clicrbs.com.br\/zerohora\/jsp\/default2.jsp?uf=1&amp;local=1&amp;source=a1741326.xml&amp;template=3898.dwt&amp;edition=9148&amp;section=69\">\u201cA receita paulista contra a viol\u00eancia\u201d<\/a> \u00e9 assinada pelos rep\u00f3rteres Carlos Etchigury (texto) e Ronaldo Bernardi (foto). A opini\u00e3o qualificada \u00e9 do polit\u00f3logo e soci\u00f3logo T\u00falio Kahn, coordenador de An\u00e1lise e Planejamento da Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Estado de S\u00e3o Paulo. O tema \u00e9 delicado e as cr\u00edticas devem estar \u00e0 altura do desafio da abordagem proposta.<\/p>\n<p >Logo no in\u00edcio da reportagem, ap\u00f3s os numerais (1, 2 e 3), na p\u00e1gina 33, o texto aponta \u00edndices controversos. Na transcri\u00e7\u00e3o textual:<\/p>\n<p >\u201cOs nove primeiros meses do ano passado comparados com o mesmo per\u00edodo de 2006 tiveram redu\u00e7\u00e3o e 13 dos 15 itens de seguran\u00e7a. Apenas o trafico de drogas e os roubos cresceram\u201d. <\/p>\n<p >Qualquer redator sabe que a forma de abordagem \u00e9 a orienta\u00e7\u00e3o de fundo. Toda a mudan\u00e7a estrutural apontada por Etchigury pode ser lida \u00e0s avessas. E, justo por isso, poderia ser escrita ao contr\u00e1rio. O ano de 1995 marca a chegada do PSDB ao Pal\u00e1cio dos Bandeirantes. \u00c9 tamb\u00e9m <a href=\"http:\/\/blogentrelinhas.blogspot.com\/2006\/07\/noblat-quem-pariu-o-pcc-que-o-embale.html\">o ano de nascimento do Partido do Crime,<\/a> tamb\u00e9m conhecido como Primeiro Comando da Capital (PCC). Come\u00e7ou a ser gerido nos por\u00f5es medievais do Cadei\u00e3o de Taubat\u00e9 e veio \u00e0 tona dois anos depois. <\/p>\n<p >Os \u00edndices apontados pelo rep\u00f3rter de ZH podem ser lidos como fator PCC. Explico. Em geral, quando mais o crime de baixa incid\u00eancia se organiza, a coopta\u00e7\u00e3o e a coer\u00e7\u00e3o operam como reguladores. A seguran\u00e7a individual, o respeito ao patrim\u00f4nio em uma favela carioca \u00e9 mil vezes maior do que o respeito \u00e0 propriedade em uma resid\u00eancia de vila na Grande Porto Alegre. A organiza\u00e7\u00e3o do crime praticado pela massa analfabeta funcional \u00e9 sentida no dia a dia das comunidades mais carentes. N\u00e3o que a organiza\u00e7\u00e3o e aprimoramento do aparelho policial de S\u00e3o Paulo n\u00e3o tenha sido relevante para a diminui\u00e7\u00e3o dos \u00edndices. Mas, negar o fator PCC \u00e9 negar o \u00f3bvio.<\/p>\n<p >\u00c9 o que faz o especialista T\u00falio Kahn. Afirma que o PCC est\u00e1 sob controle. Ao mesmo tempo, se elogia a pol\u00edtica prisional dos seguidos governos tucanos <st1:PersonName w:st=\"on\" ProductID=\"em S\u00e3o Paulo. E\"><st1:PersonName w:st=\"on\" ProductID=\"em S\u00e3o Paulo.\">em S\u00e3o Paulo.<\/st1:PersonName> E<\/st1:PersonName> \u00e9 justo ao contr\u00e1rio. O poder do PCC rebrota a cada fim de semana, quando os mais de 143 mil presos recebem visitas familiares e afins. De um para cinco na propor\u00e7\u00e3o, estamos falando de uma m\u00e9dia de 500 mil pessoas deslocando-se a cada s\u00e1bado e domingo, o que implica um processo organizativo de enorme propor\u00e7\u00e3o. Essa ind\u00fastria da pris\u00e3o tamb\u00e9m se expressa como uma f\u00e1brica de rebeli\u00f5es. <\/p>\n<p >Impressiona a capacidade de oferecer vers\u00f5es narrativas a partir de um conjunto de cifras e depoimentos. Esta \u00e9 a natureza do jornalismo, a proposta da mat\u00e9ria, a intencionalidade da reportagem e a linha editorial do ve\u00edculo. \u00c8 por isso que o conceito \u00e9 a maior ferramenta de an\u00e1lise, desde que n\u00e3o obstrua ou negue os fatos. No caso da mat\u00e9ria de Etchigury e Bernardi, al\u00e9m de n\u00e3o ter o contradit\u00f3rio, o tema central passa ao largo. <\/p>\n<p >Como negar as duas rebeli\u00f5es do PCC em 2006? Como aceitar a vers\u00e3o de T\u00falio Kahn, quando categoricamente o especialista afirma que o PCC est\u00e1 \u201ccontrolado\u201d? Como, ap\u00f3s as constata\u00e7\u00f5es, ter alguma confian\u00e7a tanto na mat\u00e9ria como na linha editorial do jornal? <\/p>\n<p >Simplesmente imposs\u00edvel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-565","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/565","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=565"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/565\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11647,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/565\/revisions\/11647"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=565"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=565"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=565"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}