{"id":57,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=57"},"modified":"2023-03-13T20:43:06","modified_gmt":"2023-03-13T23:43:06","slug":"a-abin-no-tempo-presente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=57","title":{"rendered":"A ABIN no tempo presente"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/abin.jpg\" title=\"A atividade de Intelig\u00eancia \u00e9 integralmente coberta pelo sigilo; age voltada para o ambiente externo \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o; seus alvos podem ser organiza\u00e7\u00f5es inimigas ou indiv\u00edduos; pode conduzir a\u00e7\u00f5es de espionagem, sabotagem, propaganda, inger\u00eancia econ\u00f4mica e outras da mesma esp\u00e9cie, sempre com a finalidade de defender os interesses do seu patrocinador. - Foto:Revista \u00c9poca\" alt=\"A atividade de Intelig\u00eancia \u00e9 integralmente coberta pelo sigilo; age voltada para o ambiente externo \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o; seus alvos podem ser organiza\u00e7\u00f5es inimigas ou indiv\u00edduos; pode conduzir a\u00e7\u00f5es de espionagem, sabotagem, propaganda, inger\u00eancia econ\u00f4mica e outras da mesma esp\u00e9cie, sempre com a finalidade de defender os interesses do seu patrocinador. - Foto:Revista \u00c9poca\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A atividade de Intelig\u00eancia \u00e9 integralmente coberta pelo sigilo; age voltada para o ambiente externo \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o; seus alvos podem ser organiza\u00e7\u00f5es inimigas ou indiv\u00edduos; pode conduzir a\u00e7\u00f5es de espionagem, sabotagem, propaganda, inger\u00eancia econ\u00f4mica e outras da mesma esp\u00e9cie, sempre com a finalidade de defender os interesses do seu patrocinador.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Revista \u00c9poca<\/small><\/figure>\n<p>Rio de Janeiro, outubro de 2001<\/p>\n<p>Este trabalho diz respeito a Ag&ecirc;ncia Brasileira de Intelig&ecirc;ncia (ABIN), no conjunto de sua estrutura e base legal. Afirmamos que desde o momento da cria&ccedil;&atilde;o da Ag&ecirc;ncia, na Medida Provis&oacute;ria (MP) 813 de janeiro de 1995, tanto este organismo como seus respectivos Sistema Brasileiro de Intelig&ecirc;ncia (SISBIN) e Subsistemas v&ecirc;m sofrendo um processo de ajuste, adequa&ccedil;&atilde;o e regulamenta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O que marca este per&iacute;odo como &uacute;nico s&atilde;o as seguintes coordenadas. O comando &eacute; permanente, sendo o general (gen.) Alberto Cardoso o chefe da Casa <st2:hm>Militar<\/st2:hm>, posteriormente como ministro do &oacute;rg&atilde;o substituto, o Gabinete de Seguran&ccedil;a Institucional (GSI). No segundo posto da cadeia de comando da atividade de intelig&ecirc;ncia, o coronel (cel.) do Ex&eacute;rcito (EB) Ariel de Cunto ocupa o cargo de diretor-chefe da Ag&ecirc;ncia. Ambos respondem ordens diretas e indiretas, de Fernando Henrique Cardoso (no 1o e no 2o mandato).<\/p>\n<p>Um dado novo, &eacute; o debate <st2:hdm>parlamentar<\/st2:hdm> a respeito do tema e a <st3:sinonimos>mudan&ccedil;a<\/st3:sinonimos> de algumas &aacute;reas-chave. Como substituto do antigo Conselho de Seguran&ccedil;a Nacional (CSN), o Executivo criou a &quot;C&acirc;mara de Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores e Defesa Nacional do Conselho do Governo (CREDENA)&quot;1. Sua organiza&ccedil;&atilde;o est&aacute; alterada desde a data de funda&ccedil;&atilde;o, em maio de 1996, at&eacute; os dias de hoje, mesmo porque v&aacute;rios &oacute;rg&atilde;os e minist&eacute;rios desapareceram, tais como o car&aacute;ter de minist&eacute;rio das For&ccedil;as Armadas, do Estado Maior das For&ccedil;as Armadas (EMFA), a Secretaria de Estudos Estrat&eacute;gicos (SAE) deixou de <st2:hm>existir<\/st2:hm> como tal e alterou-se o status da Casa <st2:hm>Militar<\/st2:hm>. Sendo esta &uacute;ltima a antecessora do atual GSI, estando o Gabinete na secretaria do CREDENA, esta &eacute; a continuidade da fun&ccedil;&atilde;o da Casa <st2:hm>Militar<\/st2:hm> como Secretaria-Geral do antigo CSN. Como tal, tem tamb&eacute;m atribui&ccedil;&otilde;es de defesa interna, e portanto, controladora da ABIN e do SISBIN.<\/p>\n<p>Utilizamos como fontes as p&aacute;ginas oficiais do GSI, ABIN e Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, expomos quais s&atilde;o e que fun&ccedil;&otilde;es tem os principais organismos e suas respectivas subordina&ccedil;&otilde;es. Ap&oacute;s, ser&aacute; exposta uma miscel&acirc;nea das bases legais e doutrin&aacute;rias, que exp&otilde;e com precis&atilde;o as bases pol&iacute;ticas e operacionais da Ag&ecirc;ncia e do SISBIN.<\/p>\n<p><span style=\"mso-tab-count: 1\">A pasta <st3:sinonimos>ministerial<\/st3:sinonimos> do <st2:hm>Poder<\/st2:hm> Executivo a qual a ABIN est&aacute; subordinada &eacute; a Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. S&atilde;o os &oacute;rg&atilde;os de assessoramento direto ao presidente, dos quais consta o GSI2. Toda a estrutura de seguran&ccedil;a f&iacute;sica, estudos estrat&eacute;gicos e intelig&ecirc;ncia que responde e serve ao presidente est&aacute; subordinada ao Gabinete.<\/span><\/p>\n<p>Diretamente subordinados ao GSI est&atilde;o os seguintes &oacute;rg&atilde;os: Subchefia <st2:hm>Militar<\/st2:hm>, Ag&ecirc;ncia Brasileira da Intelig&ecirc;ncia (ABIN), Secretaria Nacional Anti-Drogas (SENAD), Secretaria de Acompanhamento e Estudos Institucionais (SAEI), Comit&ecirc; Gestor da Seguran&ccedil;a da Informa&ccedil;&atilde;o e Plano de Preven&ccedil;&atilde;o &agrave; Viol&ecirc;ncia. Destes, os quatro primeiros t&ecirc;m car&aacute;ter permanente e pode-se <st2:hm>considerar<\/st2:hm> que os dois &uacute;ltimos s&atilde;o circunstanciais.<\/p>\n<p><span style=\"mso-tab-count: 1\">Dos &oacute;rg&atilde;os fixos, estas s&atilde;o as atribui&ccedil;&otilde;es. A Subchefia Militar atua em duas fun&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas, a seguran&ccedil;a f&iacute;sica aos membros do primeiro escal&atilde;o do governo e o enlace do GSI (em nome da Presid&ecirc;ncia) com as For&ccedil;as Armadas. A SENAD, que foi disputada entre o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a (MJ) e o GSI tanto em suas atribui&ccedil;&otilde;es como na subordina&ccedil;&atilde;o direta, est&aacute; subordinada ao ministro-chefe do Gabinete e tem fun&ccedil;&otilde;es de coordena&ccedil;&atilde;o federal e enlace estadual no combate aos narc&oacute;ticos. Substituindo a SAE, a SAEI ocupa as fun&ccedil;&otilde;es de estudo e acompanhamento, em especial dos temas considerados estrat&eacute;gicos ou de regi&otilde;es geogr&aacute;ficas de risco. Um exemplo de sua atua&ccedil;&atilde;o como sucessora da Secretaria-Geral do extinto CSN, cabe a SAEI a preocupa&ccedil;&atilde;o com o manejo e as orienta&ccedil;&otilde;es administrativas dos munic&iacute;pios em faixas ou zonas de fronteira.<\/span><\/p>\n<p>Os organismos circunstanciais tem as seguintes fun&ccedil;&otilde;es. O Comit&ecirc; Gestor da Seguran&ccedil;a da Informa&ccedil;&atilde;o realiza a coordena&ccedil;&atilde;o entre os organismos da ABIN destinados para a tarefa (tratamos destes a seguir) e os demais setores do Poder Executivo, dos meios acad&ecirc;micos e privados para a seguran&ccedil;a dos segredos sob guarda do Estado. O Plano de Preven&ccedil;&atilde;o &agrave; Viol&ecirc;ncia &eacute; o executor da a&ccedil;&atilde;o 121 do Plano Nacional de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica, lan&ccedil;ado no ano de 2000 em conjunto com o MJ. Este implementa o Plano de Integra&ccedil;&atilde;o e Acompanhamento dos Programas Sociais de Preven&ccedil;&atilde;o &agrave; Viol&ecirc;ncia (PIAPS); nos parece ser uma medida concreta que demonstra um modus-operandi pr&oacute;prio do GSI para o tema da viol&ecirc;ncia urbana e seguran&ccedil;a p&uacute;blica (em seq&uuml;&ecirc;ncia analisamos o Subsistema de Intelig&ecirc;ncia para Seguran&ccedil;a P&uacute;blica). Como primeiros cen&aacute;rios, foram escolhidas as Regi&otilde;es Metropolitanas de Recife (PE), Vit&oacute;ria (ES), Rio de Janeiro (RJ) e S&atilde;o Paulo (SP).<\/p>\n<p>A ABIN conta com estruturas complementares &agrave; sua parte operacional. Equivalem, no exemplo de um ex&eacute;rcito cl&aacute;ssico, &agrave;s armas de apoio ao combate (artilharia, comunica&ccedil;&otilde;es, engenharia, sa&uacute;de, intend&ecirc;ncia e log&iacute;stica) e de ensino (academias para oficiais, escolas de sargentos, cursos de aperfei&ccedil;oamento). O exemplo se torna compreens&iacute;vel partindo de um princ&iacute;pio que o operacional na intelig&ecirc;ncia &eacute; o trabalho de an&aacute;lise e campo, equivalente &agrave; infantaria e cavalaria.<\/p>\n<p>As estruturas de apoio da ABIN3 para as ag&ecirc;ncias e escrit&oacute;rios regionais se resumem a duas fun&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas. No &acirc;mbito do treinamento e ensino, a Escola de Intelig&ecirc;ncia (ESINT), supre a necessidade de prepara&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o de obra (analistas e agentes), al&eacute;m de cursos livres para membros da ativa ou convidados.<\/p>\n<p>&quot;Em 1999, a ESINT realizou 55 cursos. Destes, 45 destinados ao p&uacute;blico interno, enquanto os demais foram promovidos para atender &agrave;s necessidades espec&iacute;ficas de outros &oacute;rg&atilde;os da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica Federal e Estadual. A Escola estabeleceu, tamb&eacute;m, parcerias com outras institui&ccedil;&otilde;es, como a ESG, e ministrou cursos espec&iacute;ficos em atendimento &agrave;s necessidades das For&ccedil;as Armadas, das Pol&iacute;cias Militares e das Secretarias da Fazenda dos Estados, com o intuito de disseminar a doutrina de Intelig&ecirc;ncia, um dos fatores preparat&oacute;rios para a consolida&ccedil;&atilde;o do SISBIN.&quot;4<\/p>\n<p>A reformula&ccedil;&atilde;o da intelig&ecirc;ncia brasileira, com uma nova Ag&ecirc;ncia centralizadora do trabalho, se torna necess&aacute;rio um espa&ccedil;o para elaborar e reproduzir uma doutrina unificada para o SISBIN, sendo esta a fun&ccedil;&atilde;o da Escola.<\/p>\n<p>No campo da prote&ccedil;&atilde;o ao conhecimento e defesa da informa&ccedil;&atilde;o, a ABIN conta com algumas estruturas. O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento para a Seguran&ccedil;a das Comunica&ccedil;&otilde;es (CEPESC), foi incorporado &agrave; Ag&ecirc;ncia em agosto de 1999. Toda a criptografia, codifica&ccedil;&atilde;o e decodifica&ccedil;&atilde;o da Administra&ccedil;&atilde;o Federal em primeiro escal&atilde;o &eacute; responsabilidade deste Centro, incluindo o sistema de voto e apura&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica das elei&ccedil;&otilde;es. O CEPESC tamb&eacute;m atua em fun&ccedil;&atilde;o do Programa Nacional de Prote&ccedil;&atilde;o ao Conhecimento (PNPC), coordenado pela Ag&ecirc;ncia mas contando com a participa&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, acad&ecirc;micas e privadas.<\/p>\n<p><span style=\"mso-tab-count: 1\">Est&atilde;o implementando tamb&eacute;m o Centro de Informa&ccedil;&otilde;es de Fontes Abertas, para apurar e analisar o conjunto das informa&ccedil;&otilde;es circulantes em meios p&uacute;blicos, internet, publica&ccedil;&otilde;es, jornais, revistas, transmiss&otilde;es eletr&ocirc;nicas, etc. Compreende a ABIN que na atualidade &quot;uma estrutura de explora&ccedil;&atilde;o e de pesquisa em fontes abertas faz parte, na atualidade, de qualquer organiza&ccedil;&atilde;o de Intelig&ecirc;ncia.&quot;5 Conta ainda a Ag&ecirc;ncia com a Biblioteca e Memorial de Intelig&ecirc;ncia, com Ger&ecirc;ncias de Refer&ecirc;ncia e Pesquisa, An&aacute;lise Documental e de Arquivo e Mem&oacute;ria, &quot;a disposi&ccedil;&atilde;o dos servidores durante 24 horas&quot;6.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"mso-tab-count: 1\">Partindo da afirma&ccedil;&atilde;o do gen. Ivan de Souza Mendes (ex-chefe do SNI no governo Sarney, 1985-1990), &quot;que ao doutrin&aacute;rio segue-se o operacional&quot;, entendemos que para analisar a ABIN e o SISBIN, &eacute; necess&aacute;rio iniciar o estudo a partir das Diretrizes Presidenciais contidas na Pol&iacute;tica de Defesa Nacional, elaboradas pela Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, subordinando o GSI e a ABIN &agrave; estas determina&ccedil;&otilde;es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"mso-tab-count: 1\">Selecionamos os trechos da Pol&iacute;tica de Defesa Nacional que seriam fundamentais, para poder expor o que h&aacute; de doutrin&aacute;rio e sist&ecirc;mico nas pol&iacute;ticas e bases legais da ABIN e seu respectivo SISBIN. Na primeira parte do texto, a Presid&ecirc;ncia exp&otilde;e as bases atuais desta atividade, caracteriza o pa&iacute;s por suas dimens&otilde;es geogr&aacute;ficas, complexidade de cen&aacute;rios para a defesa do pa&iacute;s, prioridade na a&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica e discuss&atilde;o do tema com bases constitucionais. No que se relaciona &agrave; defesa interna, v&ecirc;-se com nitidez a rede de colabora&ccedil;&atilde;o e necessidade atual do conceito do gen. Golbery do Couto e Silva (criador do SNI) sobre o Poder Nacional, mas aplicado aos tempos atuais.<\/span><\/p>\n<p>&quot;1.7 Nesse processo, cabe conciliar as necessidades de defesa com a disponibilidade de meios, mediante aprova&ccedil;&atilde;o de recursos pelo Congresso Nacional e, sempre que poss&iacute;vel, com o envolvimento dos segmentos acad&ecirc;mico, cient&iacute;fico-tecnol&oacute;gico e industrial do pa&iacute;s.&quot;7<\/p>\n<p><span style=\"mso-tab-count: 1\">Buscando o que h&aacute; de relevante em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; &aacute;rea interna, o ponto 3 (Objetivos), nos d&aacute; a clareza que a defesa do Estado brasileiro &eacute; a preserva&ccedil;&atilde;o do regime, do modelo produtivo e da sociedade de classes. Esses elementos se revelam pouco a pouco nos textos oficiais, e de uma forma t&iacute;mida no campo da defesa externa, visto que a pol&iacute;tica de fronteiras ideol&oacute;gicas (formulada na &eacute;poca da guerra fria) est&aacute; superada.<\/span><\/p>\n<p>&quot;3.2 Em que pese a conjuntura favor&aacute;vel no entorno imediato, deve-se manter um sistema de defesa adequado &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o da soberania nacional e do estado democr&aacute;tico de direito. Esse &eacute; o sentido da formula&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica de defesa nacional, com recursos para implement&aacute;-la, que integre as vis&otilde;es estrat&eacute;gicas de cunho social, econ&ocirc;mico, militar e diplom&aacute;tico, e que conte com o respaldo da Na&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>3.3 S&atilde;o objetivos da Defesa Nacional: b. a garantia do Estado de Direito e das institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas; c. a preserva&ccedil;&atilde;o da coes&atilde;o e da unidade da Na&ccedil;&atilde;o;&quot;8 (os grifos s&atilde;o nossos)<\/p>\n<p>Este t&oacute;pico aponta os n&iacute;veis de interven&ccedil;&atilde;o (psicossocial, pol&iacute;tico, econ&ocirc;mico e militar) adequado aos meios e necessidades de defesa externa. Concluindo as observa&ccedil;&otilde;es da Pol&iacute;tica de Defesa Nacional, no ponto 5 (Diretrizes), se observa a integra&ccedil;&atilde;o do sistema ao inverso. Ou seja, a adequa&ccedil;&atilde;o do SISBIN para um sistema de defesa externa. A conversibilidade de ambos &eacute; de acordo com as necessidades hegem&ocirc;nicas, atrav&eacute;s das raz&otilde;es de Estado das elites nacionais; sejam estas semi-aut&ocirc;nomas, ou mensageiras do capital financeiro transnacional, como &eacute; o caso do governo FHC no 1o e no 2o mandatos.<\/p>\n<p>&quot;5. Diretrizes) n. aperfei&ccedil;oar a capacidade de comando, controle e intelig&ecirc;ncia de todos os &oacute;rg&atilde;os envolvidos na defesa nacional, proporcionando-lhes condi&ccedil;&otilde;es que facilitem o processo decis&oacute;rio, na paz e em situa&ccedil;&otilde;es de conflito;&quot;9<\/p>\n<p>Seguindo as premissas, entende-se um mecanismo de intelig&ecirc;ncia como um processo que reflete as condi&ccedil;&otilde;es sociais e de domina&ccedil;&atilde;o de classe do momento hist&oacute;rico vivido. &Eacute; a partir da&iacute; que se forma o doutrin&aacute;rio e deste ao operacional. Como grau de legitima&ccedil;&atilde;o em um regime de formalidade jur&iacute;dico-democr&aacute;tica, &eacute; importante expor as bases legais, ou ao menos citar as leis mais importantes para a montagem oficial (o grifo &eacute; nosso) da Ag&ecirc;ncia e o Sistema no qual ela &eacute; controladora.<\/p>\n<p>Seguindo a l&oacute;gica da subordina&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os em escala hier&aacute;rquica, o GSI exp&otilde;e toda a sua amplitude doutrin&aacute;ria e operacional dentro da MP no. 1.911-10 de 24 de setembro de 1999, que altera a Lei no. 9.649 de 27 de maio de 1998.<\/p>\n<p>&quot;Art 6o Ao GSI compete assistir direta e imediatamente ao Presidente da Rep&uacute;blica no desempenho de suas atribui&ccedil;&otilde;es, prevenir a ocorr&ecirc;ncia e articular o gerenciamento de crises, em caso de grave e iminente amea&ccedil;a &agrave; estabilidade institucional, realizar o assessoramento pessoal em assuntos militares, coordenar as atividades de intelig&ecirc;ncia federal e de seguran&ccedil;a das comunica&ccedil;&otilde;es, zelar pela seguran&ccedil;a pessoal do Chefe de Estado, do Vice-Presidente da rep&uacute;blica, e respectivos familiares, dos titulares dos &oacute;rg&atilde;os essenciais da Presid&ecirc;ncia da rep&uacute;blica; bem assim pela seguran&ccedil;a dos pal&aacute;cios presidenciais, tendo como estrutura b&aacute;sica o Conselho Nacional Antidrogas, a Secretaria Nacional Antidrogas, o Gabinete, uma Secretaria e uma Subchefia (Militar).&quot;10<\/p>\n<p><span style=\"mso-tab-count: 1\">Uma vez que j&aacute; est&aacute; expusemos as atribui&ccedil;&otilde;es do GSI, passamos agora para a Ag&ecirc;ncia propriamente dita. Tomando por base, os documentos emitidos pelo pr&oacute;prio &oacute;rg&atilde;o, se verifica um fato no m&iacute;nimo curioso. Assim como se atribu&iacute;a a Golbery v&aacute;rias das caracter&iacute;sticas do SNI, &eacute; um h&aacute;bito associar uma ag&ecirc;ncia ou organismo de seguran&ccedil;a de Estado a seu comando direto. Citando exemplos recentes, alguns nomes tornaram-se, considerando as informa&ccedil;&otilde;es e atribui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, sin&ocirc;nimos dos &oacute;rg&atilde;os aos quais estes deveriam servir. Manuel Contreras a DINA (participante da Opera&ccedil;&atilde;o Condor) chilena na &eacute;poca de Pinochet; Vladimiro Montesinos ao sistema SIN-DINCOTE na ditadura peruana de Fujimori; J. Edgar Hoover &agrave; frente por d&eacute;cadas do FBI (este serviu como base para a cria&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Federal em 1965); Reinhard Heydrich no cargo de diretor do SD na Alemanha nazista (Servi&ccedil;o de Seguran&ccedil;a do Reich); Reinhard Gehlen como fundador da organiza&ccedil;&atilde;o privada que viria a tornar-se o BND (servi&ccedil;o de intelig&ecirc;ncia externa) alem&atilde;o ocidental no p&oacute;s-guerra e alguns outros exemplos, por vezes nem t&atilde;o marcantes ou fundamentais, para suas respectivas ag&ecirc;ncias e servi&ccedil;os. Ressaltamos estes nomes apenas para exemplificar que o mesmo fen&ocirc;meno acontece com o gen. Alberto Cardoso e sua Ag&ecirc;ncia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"mso-tab-count: 1\">A respeito das atribui&ccedil;&otilde;es da ABIN, ressaltamos o que se considera de fundamental no aspecto de dupla fun&ccedil;&atilde;o (interna e externa) e de defesa n&atilde;o somente do regime, mas de uma concep&ccedil;&atilde;o de vida em sociedade. Na Apresenta&ccedil;&atilde;o, Hist&oacute;rico e Finalidade, destaca-se:<\/span><\/p>\n<p>&quot; A cria&ccedil;&atilde;o da Ag&ecirc;ncia proporciona ao Estado brasileiro institucionalizar a atividade de Intelig&ecirc;ncia, mediante uma a&ccedil;&atilde;o de coordena&ccedil;&atilde;o do fluxo de informa&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias &agrave;s decis&otilde;es de Governo, no que diz respeito ao aproveitamento de oportunidades, aos antagonismos e &agrave;s amea&ccedil;as, reais ou potenciais, para os mais altos interesses da sociedade e do Pa&iacute;s&#8230; atuar na obten&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise de informa&ccedil;&otilde;es que contribuam para a forma&ccedil;&atilde;o de conhecimento estrat&eacute;gico &uacute;til ao processo decis&oacute;rio do Governo na defesa do Estado Democr&aacute;tico de Direito, da sociedade, de seus agentes pol&iacute;ticos, econ&ocirc;micos e sociais, da efic&aacute;cia do poder p&uacute;blico, da probidade administrativa e da soberania nacional.&quot;11<\/p>\n<p>No texto da ABIN que se dedica &agrave; sua Estrutura e Funcionamento, vemos com nitidez as fun&ccedil;&otilde;es deste organismo. A parte destacada revela em termos precisos, uma proje&ccedil;&atilde;o da possibilidade de seus potenciais inimigos internos.<\/p>\n<p>&quot;&#8230; a Ag&ecirc;ncia estrutura-se em atividade de Intelig&ecirc;ncia, voltada para o conhecimento do exterior; e de Contra-Intelig&ecirc;ncia, para a salvaguarda dos interesses do Pa&iacute;s no ambiente nacional.<\/p>\n<p>O quadro esquematizado atende tanto &agrave;s necessidades rotineiras do processo decis&oacute;rio presidencial, quanto &agrave;s que dizem respeito ao acompanhamento dos fatos emergentes, previs&iacute;veis ou n&atilde;o&#8230; Por exemplo, movimentos sociais que demandam reivindica&ccedil;&otilde;es justas t&ecirc;m, se frustrados, consider&aacute;vel potencial para criar condi&ccedil;&otilde;es prop&iacute;cias a atos de viol&ecirc;ncia. Em termos ideais, ao SISBIN cabe antecipar-se ao surgimento de condi&ccedil;&otilde;es adversas que potencialmente possam ensejar rupturas da ordem constitucional. De posse desse conhecimento, o Presidente da Rep&uacute;blica pode acionar os &oacute;rg&atilde;os setoriais correspondentes, acrescentando na condu&ccedil;&atilde;o da a&ccedil;&atilde;o governamental um fator que permite seu redirecionamento para equacionar uma insatisfa&ccedil;&atilde;o social latente.&quot;12<\/p>\n<p><span style=\"mso-tab-count: 1\">Entendemos que n&atilde;o existem &quot;casualidades&quot; neste n&iacute;vel de processo decis&oacute;rio. Embora uma que outra eventualidade possa ser admitida, em um texto oficial, aberto, p&uacute;blico, de livre circula&ccedil;&atilde;o e fonte sabida e not&oacute;ria de todos os tipos de estudos, relat&oacute;rios, reportagens e at&eacute; mesmo contra-medidas da parte de poss&iacute;veis inimigos (outras ag&ecirc;ncias, organiza&ccedil;&otilde;es de esquerda revolucion&aacute;ria, advers&aacute;rios circunstanciais do campo da direita), n&atilde;o h&aacute; hip&oacute;tese de &quot;acidente ou casualidade&quot; poss&iacute;vel de sequer ser imaginada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"mso-tab-count: 1\">O texto acima, se localiza no t&oacute;pico Estrutura e Funcionamento. Ou seja, a hip&oacute;tese de fun&ccedil;&atilde;o &eacute; aquela j&aacute; praticada no presente momento. Todo organismo de combate, seja este militar, ostensivo, policial ou secreto mant&eacute;m n&iacute;veis m&iacute;nimos de aten&ccedil;&atilde;o, existindo enquanto capacidade operacional simplesmente operando. A intensidade e os objetivos destas opera&ccedil;&otilde;es em &quot;tempo de paz&quot;, ou seja, de n&atilde;o declara&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de um conflito, embora admitindo n&iacute;veis de enfrentamento em uma sociedade de regime jur&iacute;dico-democr&aacute;tico (citados pela pr&oacute;pria Ag&ecirc;ncia em seu texto) se alternam segundo uma grande vari&aacute;vel de fatores. Igualmente variado &eacute; o fato deste confronto ser ostensivo e p&uacute;blico, ou n&atilde;o. Qualquer pessoa com conhecimentos b&aacute;sicos de seguran&ccedil;a sabe que a vigil&acirc;ncia &eacute; uma das formas de controle, e a demonstra&ccedil;&atilde;o desta capacidade pode tirar a vontade do inimigo de lutar. A demonstra&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as &eacute; b&aacute;sica em todo tipo de disputa pol&iacute;tica, seja este o regime que for. &quot;A regra na guerra &eacute; esta: se suas for&ccedil;as est&atilde;o na propor&ccedil;&atilde;o de dez para um em rela&ccedil;&atilde;o ao inimigo, fa&ccedil;a-o render-se;&quot;13. Quando h&aacute; mem&oacute;ria de uso do dispositivo militar para a defesa interna, como &eacute; o caso brasileiro, esta demonstra&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda mais eficaz. <\/span><\/p>\n<p>Sendo a atividade de intelig&ecirc;ncia um conjunto de pr&aacute;ticas que vai desde a demonstra&ccedil;&atilde;o ostensiva de for&ccedil;a (como o texto da Ag&ecirc;ncia e o exemplo a ser dado a seguir) at&eacute; n&iacute;veis operacionais secretos (ex: capturas e interrogat&oacute;rios sob tortura), considera-se a tudo isto como um conjunto de medidas de for&ccedil;a. N&atilde;o se pode, entretanto, supor que a presen&ccedil;a de um alvo vis&iacute;vel no texto da ABIN (citado como movimentos sociais com reivindica&ccedil;&otilde;es justas) apenas identifica o inimigo por seu potencial perturbador. O SISBIN, assim como qualquer sistema operacional, trabalha segundo uma doutrina elaborada a partir de uma s&eacute;rie de pressupostos, e com distintos n&iacute;veis operacionais. Apontar um movimento popular com potencial de ruptura da ordem constitu&iacute;da como alvo de vigil&acirc;ncia, &eacute; tamb&eacute;m antecipar aos pr&oacute;prios setores do &quot;governo de fato&quot;, o que o governo de turno se capacita para executar.<\/p>\n<p>O exemplo do texto oficial pode ser complementado com a reportagem de uma situa&ccedil;&atilde;o exemplar. No in&iacute;cio do ano de 1997, no 3o ano do governo FHC (1o mandato), completava o primeiro anivers&aacute;rio da chacina de Eldorado de Caraj&aacute;s (sul do Par&aacute;). No dia 17 de abril de 1996, a PM paraense assassinou 19 trabalhadores rurais pertencentes ao MST. O Movimento gerou um fato pol&iacute;tico como resposta ao massacre, organizando uma marcha nacional com 3 colunas, culminando com a chegada delas em Bras&iacute;lia, no 17 de abril de 1997. A revista Veja (Grupo Abril) publicou uma s&eacute;rie de edi&ccedil;&otilde;es a respeito. A mat&eacute;ria escolhida como demonstra&ccedil;&atilde;o enfatiza o mecanismo aplicado na &eacute;poca para explicitar a vigil&acirc;ncia sobre um movimento social com potencial de ruptura.<\/p>\n<p>&quot;Em outubro do ano passado, a Embaixada do Brasil no M&eacute;xico informou, via Itamaraty, que os sem-terra brasileiros tinham anunciado, num encontro internacional patrocinado por guerrilheiros zapatistas, que fariam uma marcha do interior do Brasil at&eacute; Bras&iacute;lia. V&aacute;rias colunas se mobilizariam de cada canto do pa&iacute;s para um grande ato pela reforma agr&aacute;ria&#8230; O m&aacute;ximo que o governo providenciou foi um monitoramento das atividades do MST, sob a responsabilidade da Casa Militar, do gen. Alberto Mendes Cardoso. Militar de fala gentil, o gen. Cardoso tinha sido destacado por FHC para visitar Eldorado dos Caraj&aacute;s depois do massacre do ano passado. Ali, conversou com lideran&ccedil;as locais e, de l&aacute; para c&aacute;, fez visitas a 7 acampamentos e &aacute;reas de conflito.<\/p>\n<p>Em paralelo, encomendou aos 900 homens que trabalham nas 12 ag&ecirc;ncias regionais da intelig&ecirc;ncia do governo uma aten&ccedil;&atilde;o especial com os sem-terra. Todos os dias, &agrave;s 6 da tarde, partindo de um relat&oacute;rio de trinta p&aacute;ginas, o general operava a confec&ccedil;&atilde;o de um resumo de seis a oito p&aacute;ginas, que enviava ao presidente, &agrave;s 8 horas da noite. O gen. Cardoso tinha um controle minucioso do que aconteceu nos 2 meses que durou a marcha dos sem-terra. Sabia, por exemplo, que as colunas, que come&ccedil;aram infladas pelo entusiasmo, aos poucos, com a exaust&atilde;o, os problemas de indisciplina e de sa&uacute;de dos caminhantes, minguavam. A um m&ecirc;s da chegada dos sem-terra a Bras&iacute;lia, o general dizia: &quot;Agora s&atilde;o apenas 2.000 sem-terra andando&quot;. Estava certo. As 3 colunas que chegaram a Bras&iacute;lia somaram pouco mais de 1.500 homens, mulheres e crian&ccedil;as.<\/p>\n<p>As informa&ccedil;&otilde;es do gen. vinham do gabinete do cel. da reserva Ariel da Rocha de Cunto, chefe da Subsecretaria de Intelig&ecirc;ncia. Comandando uma rede de agentes, colaboradores, informantes, consultores e infiltrados, o cel. mantinha o Pal&aacute;cio do Planalto em dia com as andan&ccedil;as dos sem-terra. Recrutados nos acampamentos, os informantes do governo embolsam a quantia de 200 reais por m&ecirc;s.<\/p>\n<p>Mesmo confiando que a marcha dos sem-terra n&atilde;o contaria com a presen&ccedil;a de mais de 10.000 pessoas, Bras&iacute;lia preparou uma bela recep&ccedil;&atilde;o policial-militar: um esquema de seguran&ccedil;a que envolveu 5.000 soldados do EB aquartelados e 4.000 PMs da capital nas ruas. Foi h&aacute; pouco mais de 3 meses que o governo come&ccedil;ou a negociar a presen&ccedil;a do MST em Bras&iacute;lia. Os pr&oacute;prios sem-terra tiveram a id&eacute;ia de procurar a vice-governadora do DF, Arlete Sampaio, para discutir como seria a manifesta&ccedil;&atilde;o. Cobrado pelo MST, que reivindicava um apoio claro do governo petista &agrave; marcha, o governador Cristovam Buarque (PT) disse que n&atilde;o podia: &quot;Sou governador de Bras&iacute;lia, e a cidade tem gente de direita e de esquerda. N&atilde;o posso.&quot; Cobrado pelo governo federal, que queria saber o que sua PM iria fazer para impedir qualquer baderna, lan&ccedil;ou a teoria da seguran&ccedil;a relativa: &quot;Se eles vierem com paus, a gente vai com rev&oacute;lver. Se vierem com rev&oacute;lver, a gente vai com metralhadora. Se vierem de metralhadora, a gente vai de bazuca&quot;.14<\/p>\n<p>Uma vez demonstrados os exemplos tanto da p&aacute;gina oficial como o de Veja, uma revista que seria um absurdo considera-la oposicionista ou contestadora, poucos coment&aacute;rios devem ser acrescentados. De fato, o que h&aacute; de relevante na mat&eacute;ria &eacute; a exposi&ccedil;&atilde;o do processo da atividade de intelig&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Ainda que n&atilde;o traga nada novo para pessoas com um m&iacute;nimo de leitura sobre o tema, a relev&acirc;ncia se d&aacute; na enuncia&ccedil;&atilde;o por parte do organismo, de que foi feita uma vigil&acirc;ncia de fato, recorrendo aos m&eacute;todos corriqueiros na atividade, mas profundamente &quot;estigmatizados&quot; num senso comum do que &eacute; direito e dever do Estado. Neste caso, n&atilde;o cabem especula&ccedil;&otilde;es de &quot;vazamento&quot; de informa&ccedil;&otilde;es, &quot;fontes seguras do Planalto&quot; ou coment&aacute;rios &quot;informais&quot; de gabinete. Um processo deste n&iacute;vel n&atilde;o &quot;vaza&quot;, ele &eacute; anunciado pelo organismo operador (a Ag&ecirc;ncia) do agente de seguran&ccedil;a e da doutrina (o Estado). Existem muitas vari&aacute;veis de c&aacute;lculos pol&iacute;ticos para que a ABIN tome esta visibilidade em um momento cr&iacute;tico do 1o mandato de FHC. Mas, ao menos como um dos fatores preponderantes, pesou o tema dos objetivos estrat&eacute;gicos e dos alvos de investiga&ccedil;&atilde;o, que comp&otilde;em uma doutrina, anunciada, para a Ag&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Voltando aos textos oficiais, &eacute; necess&aacute;rio aprofundar a no&ccedil;&atilde;o de Sistema (no caso o SISBIN) e um de seus respectivos Subsistemas (o de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica). Vale ressaltar que o tema da defesa interna est&aacute; sempre impl&iacute;cito, e por outras vezes expl&iacute;cito, o que mant&eacute;m a dupla fun&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a e intelig&ecirc;ncia (interna e externa), a proje&ccedil;&atilde;o de poss&iacute;veis inimigos (tanto externos operando no pa&iacute;s como internos, rompedores da ordem constitu&iacute;da) e a coordena&ccedil;&atilde;o do GSI em todos os temas de relev&acirc;ncia nacional da &aacute;rea s&atilde;o uma constante nas bases das p&aacute;ginas oficiais. Os destaques vem em fun&ccedil;&atilde;o de aprofundar os conceitos apontados neste par&aacute;grafo. O texto da Lei No. 9.883\/99 afirma o seguinte:<\/p>\n<p>&quot;Art. 1o Fica institu&iacute;do o Sistema Brasileiro de Intelig&ecirc;ncia, que integra as a&ccedil;&otilde;es de planejamento e execu&ccedil;&atilde;o das atividades de intelig&ecirc;ncia do Pa&iacute;s, com a finalidade de fornecer subs&iacute;dios ao Presidente da rep&uacute;blica nos assuntos de interesse nacional.<\/p>\n<p>Inciso 3o Entende-se como contra-intelig&ecirc;ncia a atividade que objetiva neutralizar a intelig&ecirc;ncia adversa. (grifo nosso, o inimigo em potencial n&atilde;o &eacute; apontado)<\/p>\n<p>Art 2o Os &oacute;rg&atilde;os e entidades da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica Federal que, direta ou indiretamente, possam produzir conhecimentos de interesse das atividades de intelig&ecirc;ncia, especial aqueles respons&aacute;veis pela defesa externa, seguran&ccedil;a interna (grifo nosso) e rela&ccedil;&otilde;es exteriores, constituir&atilde;o o Sistema Brasileiro de Intelig&ecirc;ncia, na forma de ato do Presidente da Rep&uacute;blica.&quot;15<\/p>\n<p>Na sess&atilde;o de perguntas mais freq&uuml;entes, a de n&uacute;mero 13 deixa bem caracterizado como &eacute; o SISBIN e sua dire&ccedil;&atilde;o:<\/p>\n<p>&quot;13 &#8211; A Ag&ecirc;ncia atua em colabora&ccedil;&atilde;o com outros &oacute;rg&atilde;os?<\/p>\n<p>Sim. A ABIN, como &oacute;rg&atilde;o central do SISBIN (grifo nosso), atua em colabora&ccedil;&atilde;o com os &oacute;rg&atilde;os que o comp&otilde;em, que s&atilde;o entidades federais, e, mediante conv&ecirc;nios, com entidades estaduais, municipais e privadas que produzam conhecimentos relacionados com a miss&atilde;o da Ag&ecirc;ncia. Por ser o &oacute;rg&atilde;o central do Sistema, n&atilde;o se deve entender que a Ag&ecirc;ncia tenha ascend&ecirc;ncia hier&aacute;rquica. A ABIN coordena a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos para atender &agrave;s necessidades do Presidente da Rep&uacute;blica, por interm&eacute;dio do cumprimento do Plano Nacional de Intelig&ecirc;ncia-PNI, fixado pela Ag&ecirc;ncia com base na Pol&iacute;tica Nacional de Intelig&ecirc;ncia, e elaborada pela CREDENA, do Conselho do Governo.&quot;16<\/p>\n<p>Ao se referir ao Subsistema de Intelig&ecirc;ncia de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica, o setor cuja miss&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; o controle de dist&uacute;rbios civis e ordem p&uacute;blica, a fun&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-hier&aacute;rquica alegada cai em contradi&ccedil;&atilde;o. Observando o Conselho Especial do Subsistema, em espec&iacute;fico sua Secretaria-Executiva, vemos que o SISBIN &eacute; centralizado e a Ag&ecirc;ncia acumula em todas as possibilidades (f&iacute;sicas, or&ccedil;ament&aacute;rias, de rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a pol&iacute;ticas, corporativas e na capacidade operacional real) a centralidade do Sistema. No caso a seguir, destacamos do texto do Decreto No. 3.448 de 5 de maio de 2000:<\/p>\n<p>&quot;Art. 1o Fica criado, no &acirc;mbito do Sistema Brasileiro de Intelig&ecirc;ncia, institu&iacute;do pela Lei no. 9.883, de 7 de dezembro de 1999, o Subsistema Brasileiro de Intelig&ecirc;ncia de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica, com a finalidade de coordenar e integrar as atividades de intelig&ecirc;ncia de seguran&ccedil;a p&uacute;blica em todo o Pa&iacute;s, bem como de suprir os governos federal, estaduais e municipais de informa&ccedil;&otilde;es que subsidiem a tomada de decis&otilde;es neste campo.<\/p>\n<p>Art. 2o Integram o Subsistema de Intelig&ecirc;ncia de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica os Minist&eacute;rios da Justi&ccedil;a, da Defesa e da Integra&ccedil;&atilde;o Nacional, o Gabinete de Seguran&ccedil;a Institucional da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica e a Ag&ecirc;ncia Brasileira de Intelig&ecirc;ncia, como &oacute;rg&atilde;o central (o grifo &eacute; nosso). I- Nos termos do Inciso 2o do art. 2o da Lei no. 9.883, de 1999, poder&atilde;o integrar o Subsistema de Intelig&ecirc;ncia de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica dos Estados, do Distrito Federal e dos Munic&iacute;pios. II- Aos integrantes do Subsistema cabe, no &acirc;mbito de suas compet&ecirc;ncias, identificar acompanhar e avaliar amea&ccedil;as reais ou potenciais; promover a coleta, busca e an&aacute;lise de dados; e produzir conhecimentos que subsidiem decis&otilde;es nas esferas dos governos federal, estadual e municipal, reduzindo ao m&aacute;ximo o grau de incerteza sobre quest&otilde;es pertinentes &agrave; seguran&ccedil;a p&uacute;blica.<\/p>\n<p>Art 3o Fica criado o Conselho especial do Subsistema de Intelig&ecirc;ncia de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica, &oacute;rg&atilde;o de delibera&ccedil;&atilde;o coletiva, vinculado ao Gabinete de Seguran&ccedil;a Institucional da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, que ter&aacute; a seguinte composi&ccedil;&atilde;o: I &#8211; como membros permanentes: a) o Diretor-Geral da ABIN, que o presidir&aacute;; b) o Diretor-Adjunto da ABIN; c) dois representantes do MJ, sendo um do &oacute;rg&atilde;o de intelig&ecirc;ncia do DPF; d) cinco representantes do MD, sendo, pelo menos, um de cada &oacute;rg&atilde;o de intelig&ecirc;ncia das For&ccedil;as Armadas; e) um representante do GSI da Presid&ecirc;ncia; f) um representante da Defesa Civil do Minist&eacute;rio da Integra&ccedil;&atilde;o Nacional. II &#8211; como membros eventuais, um representante de cada um dos &oacute;rg&atilde;os de que trata o Inciso 1o do art. 2o .<\/p>\n<p>Art. 4o Cabe ao Conselho especial: IV &#8211; propor a integra&ccedil;&atilde;o ao Subsistema dos &oacute;rg&atilde;os de intelig&ecirc;ncia de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica dos estados, do distrito federal e dos munic&iacute;pios.<\/p>\n<p>Art. 7o Caber&aacute; a ABIN prover os servi&ccedil;os de Secretaria-Executiva do Conselho Especial.&quot; 17<\/p>\n<p><span style=\"mso-tab-count: 1\">Uma vez compreendida a base doutrin&aacute;ria e legal do funcionamento da ABIN e seu Sistema, cabem mais duas coloca&ccedil;&otilde;es no texto. A seguinte &eacute; de ordem estritamente operacional, uma breve descri&ccedil;&atilde;o das estruturas operacionais difundidas publicamente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"mso-tab-count: 1\">A Ag&ecirc;ncia18 tem as seguintes fun&ccedil;&otilde;es em sua hierarquia-executiva: Diretor Geral, Diretor Adjunto, Diretor Executivo, Assessoria de Rela&ccedil;&otilde;es Externas, Assessoria de Liga&ccedil;&atilde;o, Assessoria de Intelig&ecirc;ncia. Os departamentos s&atilde;o estes: Administra&ccedil;&atilde;o, Tecnologia, Intelig&ecirc;ncia, Contra-Intelig&ecirc;ncia e Contra-Intelig&ecirc;ncia; al&eacute;m de uma sess&atilde;o de Licita&ccedil;&otilde;es. Todos estes organismos se encontram na sede em Bras&iacute;lia. Ainda na p&aacute;gina oficial, constam endere&ccedil;os eletr&ocirc;nicos de ag&ecirc;ncias regionais da ABIN nas 26 capitais dos estados, al&eacute;m de uma regional pr&oacute;pria do DF, e outra em Foz do Igua&ccedil;&uacute; (PR). <\/span><\/p>\n<p>Um tema comum a respeito da capacidade operacional da ABIN &eacute; sua &quot;origem&quot;. Esta viria da a&ccedil;&atilde;o das For&ccedil;as Armadas contra a esquerda revolucion&aacute;ria entre 1965 e 1975 (MNR, ALN, VPR, VAR, PC do B, PCBR, MRT, MR8, MOLIPO, COLINA, dentre outras organiza&ccedil;&otilde;es) isto &eacute;, quando as mesmas eram o regime de fato, uma vez que vivia o pa&iacute;s sob ditadura militar. Um dos fatores de continuidade &eacute; a perman&ecirc;ncia de membros efetivos do antigo SNI na ABIN. Discordamos que isto seja um &quot;aberra&ccedil;&atilde;o&quot;, visto que &eacute; pr&aacute;tica comum dos servi&ccedil;os de intelig&ecirc;ncia estatais e seus desdobramentos privados (utilizados como rede oficiosa). &Eacute; not&oacute;ria a presen&ccedil;a de militares da reserva em firmas de seguran&ccedil;a e investiga&ccedil;&atilde;o, tanto em pequenos escrit&oacute;rios privados como nas transnacionais de investiga&ccedil;&atilde;o (como a Kroll International e a Pinkerton como exemplos cl&aacute;ssicos).<\/p>\n<p>Retornando ao tema da estrutura operacional da ABIN, o n&uacute;mero de seu efetivo n&atilde;o &eacute; anunciado de forma precisa, mas a perman&ecirc;ncia de agentes do antigo SNI sim. Na mat&eacute;ria j&aacute; citada de Veja, de abril de 1997, o texto afirma a respeito dos &quot;900 homens que trabalham nas 12 ag&ecirc;ncias regionais da intelig&ecirc;ncia do governo.&quot;19 Em outra mat&eacute;ria, esta a respeito do grampo do BNDES, O Globo afirma outro n&uacute;mero e aponta a proced&ecirc;ncia da maioria dos agentes:<\/p>\n<p>&quot;A SSI, embri&atilde;o da futura Ag&ecirc;ncia Brasileira de Intelig&ecirc;ncia (ABIN), tem cerca de 1.400 agentes espalhados em 12 escrit&oacute;rios regionais. Entre seus objetivos, destacam-se o monitoramento de &aacute;reas de tens&atilde;o social, o combate &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o no Governo e investiga&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas. Grande parte do pessoal da SSI &eacute; egresso do SNI e de outros &oacute;rg&atilde;os da comunidade de informa&ccedil;&otilde;es. (grifo nosso) S&oacute; no ano passado os crit&eacute;rios para a forma&ccedil;&atilde;o de quadros na &aacute;rea de informa&ccedil;&otilde;es deixaram de ser subjetivos. Pela primeira vez foi promovido um concurso para a contrata&ccedil;&atilde;o de 40 agentes. (grifo nosso) O cel. Geraldo Cavagnari, do N&uacute;cleo de Estudos Estrat&eacute;gicos da UNICAMP, aponta como maior problema para a falta de transpar&ecirc;ncia na &aacute;rea de informa&ccedil;&otilde;es a origem e forma&ccedil;&atilde;o dos agentes.&quot;20<\/p>\n<p><span style=\"mso-tab-count: 1\">O mesmo cel., em outra oportunidade, ainda na &eacute;poca da SAE e o DI, &quot;enfatizou a necessidade de se realizar um novo recrutamento para a &aacute;rea, uma vez que boa parte dos analistas lotados no Departamento de Intelig&ecirc;ncia atuavam no antigo SNI.&quot;21 <\/span><\/p>\n<p>Recordamos que a continuidade do pessoal dos tempos do SNI at&eacute; os dias atuais nunca &eacute; questionada pela pr&oacute;pria estrutura. Algo que poderia atenuar a presen&ccedil;a de ex-agentes do &oacute;rg&atilde;o repressivo dos militares seriam concursos p&uacute;blicos para ingresso de novos servidores. Encontramos o registro de um concurso para apenas 40 analistas (n&atilde;o para agentes de campo) em mat&eacute;ria j&aacute; citada de O Globo, de junho de 1999, na &eacute;poca cobrindo o caso do grampo do BNDES.<\/p>\n<p>Entendemos que todo organismo de intelig&ecirc;ncia tem sua g&ecirc;nese muito vinculada, tanto pela motiva&ccedil;&atilde;o como por seu car&aacute;ter doutrin&aacute;rio (e em seq&uuml;&ecirc;ncia operacional), com as for&ccedil;as dominantes e hegem&ocirc;nicas que ser&atilde;o clientes de seu servi&ccedil;o. A continuidade da m&atilde;o de obra especializada n&atilde;o &eacute; exclusiva da comunidade de informa&ccedil;&otilde;es do Brasil, &eacute; um fen&ocirc;meno que se repete em v&aacute;rios momentos. N&atilde;o caberia citar dezenas de exemplos para comprovar esta tese. Acreditamos que um caso espec&iacute;fico na hist&oacute;ria dos servi&ccedil;os de intelig&ecirc;ncia &eacute; relevante, mesmo porque marca profundamente a intelig&ecirc;ncia do per&iacute;odo da bipolaridade mundial, e em conseq&uuml;&ecirc;ncia, da doutrina das fronteiras ideol&oacute;gicas.<\/p>\n<p>Ao final da 2a guerra mundial, com a Alemanha sob ocupa&ccedil;&atilde;o aliada, os EUA capturaram o gen. do Ex&eacute;rcito Alem&atilde;o Reinhard Gehlen. Ele era o respons&aacute;vel pelo comando dos servi&ccedil;os de intelig&ecirc;ncia alem&atilde;es na frente leste. Uma vez capturado, Gehlen negociou sua liberdade a partir do compromisso de criar uma organiza&ccedil;&atilde;o de espionagem privada, que futuramente viria a se tornar oficial, na Alemanha Ocidental, hoje Alemanha unificada. O Servi&ccedil;o Federal de Informa&ccedil;&otilde;es (BND) surgiu como uma organiza&ccedil;&atilde;o de ex-oficiais do Ex&eacute;rcito Alem&atilde;o, uma boa parte ex-membros do OKW (Estado-Maior do Ex&eacute;rcito Alem&atilde;o). Selecionados individualmente por seu chefe, o n&uacute;cleo formador do futuro BND tinha ent&atilde;o (na segunda metade dos anos 1940) experi&ecirc;ncia acumulada desde os anos anteriores a 2a guerra mundial.22<\/p>\n<p><span style=\"mso-tab-count: 1\">Compreendemos que a continuidade dos membros em um servi&ccedil;o de intelig&ecirc;ncia, ou mesmo o recrutamento consecutivo de agentes de antigos servi&ccedil;os, ainda que destinados a outro tipo de regime, &eacute; uma freq&uuml;&ecirc;ncia neste ramo. &Eacute; necess&aacute;rio entender o fato do segredo de Estado ser um instrumento de trabalho, e o uso desses segredos n&atilde;o ser assunto para muitos.<\/span><\/p>\n<p>Em momentos delicados, como na forma&ccedil;&atilde;o de uma nova ag&ecirc;ncia (a g&ecirc;nese), mais al&eacute;m do plano jur&iacute;dico-legal, o n&uacute;cleo formador do servi&ccedil;o ir&aacute; reproduzi-lo por gera&ccedil;&otilde;es &agrave; sua imagem e semelhan&ccedil;a. N&atilde;o h&aacute; como imaginar que determinado tipo de agentes possam mudar o perfil de um servi&ccedil;o se este agora t&ecirc;m como cliente um Poder Executivo governando sob outro regime pol&iacute;tico. Sistemas de intelig&ecirc;ncia s&atilde;o servi&ccedil;os tamb&eacute;m de vigil&acirc;ncia e controle. O controle coletivo sobre estes controladores, &eacute; um dos mitos da democracia liberal. Parte de um modus operandi compartimentado e secreto pode ser alterado se quem os implementa t&ecirc;m como miss&atilde;o gerar um outro tipo de controle, possivelmente coletivo e social (socialista), das estruturas de uma sociedade. Isto apenas em parte, porque a viol&ecirc;ncia sistem&aacute;tica, aplica&ccedil;&atilde;o de medidas de for&ccedil;a, um certo n&iacute;vel de hierarquia funcional, manipula&ccedil;&atilde;o de dados e de pessoas, tudo isto e muito mais &eacute; inerente ao trabalho de intelig&ecirc;ncia. Seja este implementado por uma for&ccedil;a revolucion&aacute;ria operando como guerrilha urbana ou o lado oposto, o bra&ccedil;o armado da elite que combate a esta organiza&ccedil;&atilde;o. A miss&atilde;o do servi&ccedil;o determina o que pode ser alterado e posto sob controle coletivo de seu modus operandi, e a id&eacute;ia de controlar a intelig&ecirc;ncia parece t&atilde;o absurda como imaginar alguma &quot;inoc&ecirc;ncia&quot; das elites nacionais associadas do capital estrangeiro e controladoras da vida p&uacute;blica do Brasil.<\/p>\n<p>Assim, esperar &quot;transpar&ecirc;ncia dos arapongas&quot; brasileiros, &eacute; como supor uma for&ccedil;a beligerante que n&atilde;o guerreie?! Ou ent&atilde;o uma atividade de controle que n&atilde;o controle ou algo secreto com acesso p&uacute;blico. Definitivamente se trata de entender a miss&atilde;o real, sua forma de funcionamento, e a estrutura social &agrave; qual a ABIN serve como um dos elementos de manuten&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Para terminar, optamos por expor t&eacute;cnicas do trabalho de intelig&ecirc;ncia. Temos como fonte o cel. W&aacute;lter F&eacute;lix, do EB, ex-comandante do Centro de Intelig&ecirc;ncia do Ex&eacute;rcito (CIE) em Bras&iacute;lia no per&iacute;odo 1996-1998. Hoje atuando no ramo privado, o cel. F&eacute;lix presta servi&ccedil;os de consultoria de intelig&ecirc;ncia para grandes corpora&ccedil;&otilde;es. Subentende-se que as t&eacute;cnicas expostas tamb&eacute;m s&atilde;o de uso civil, portanto menos &quot;flex&iacute;veis&quot;, mas a partir destes exemplos, &eacute; poss&iacute;vel ter uma id&eacute;ia mais ampla e real do conjunto das atividades de um servi&ccedil;o de intelig&ecirc;ncia ativo. O especialista destacado repete a divis&atilde;o b&aacute;sica da atividade e atribui t&eacute;cnicas e limites para cada tipo de fun&ccedil;&atilde;o:<\/p>\n<p>INTELIG&Ecirc;NCIA (produ&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es) e CONTRA-INTELIG&Ecirc;NCIA (prote&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es)<\/p>\n<p>Condicionantes da atividade de Intelig&ecirc;ncia: &Eacute; integralmente coberta pelo sigilo; age voltada para o ambiente externo &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o; seus alvos podem ser organiza&ccedil;&otilde;es inimigas ou indiv&iacute;duos; pode conduzir a&ccedil;&otilde;es de espionagem, sabotagem, propaganda, inger&ecirc;ncia econ&ocirc;mica e outras da mesma esp&eacute;cie, sempre com a finalidade de defender os interesses do seu patrocinador; nem sempre a exist&ecirc;ncia da estrutura que a executa &eacute; admitida por quem a patrocina.<\/p>\n<p>Condicionantes da atividade de Contra-Intelig&ecirc;ncia: Sua estrutura &eacute; transparente e as a&ccedil;&otilde;es normalmente n&atilde;o violam a lei, mesmo que cobertas pelo sigilo; age prioritariamente dentro da pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o; seus alvos s&atilde;o as organiza&ccedil;&otilde;es adversas e\/ou indiv&iacute;duos hostis, clandestinos ou n&atilde;o; desenvolve medidas objetivamente voltadas para a prote&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o contra a&ccedil;&otilde;es adversas de qualquer natureza; pode atuar em estreita liga&ccedil;&atilde;o com outros organismos de seguran&ccedil;a.<\/p>\n<p>T&Eacute;CNICAS ESPECIAIS, isto &eacute;, o emprego de artif&iacute;cios que envolvem a utiliza&ccedil;&atilde;o de meios humanos e materiais na obten&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o protegida (obs. do autor, envolvem as formas cl&aacute;ssicas para realizar a atividade). As mais utilizadas s&atilde;o: Est&oacute;ria-cobertura: Artif&iacute;cios empregados para encobrir a identidade de pessoas e instala&ccedil;&otilde;es, bem como dissimular as a&ccedil;&otilde;es, tudo com o objetivo de mascarar seus prop&oacute;sitos ou atos; Vigil&acirc;ncia: A&ccedil;&atilde;o que consiste em manter pessoas e instala&ccedil;&otilde;es sob observa&ccedil;&atilde;o; Extra&ccedil;&atilde;o de Dados: A&ccedil;&atilde;o de envolvimento de uma pessoa para obter informa&ccedil;&otilde;es sem que ela perceba que est&aacute; revelando conhecimentos sobre os quais seu interlocutor tem especial interesse; Infiltra&ccedil;&atilde;o: A&ccedil;&atilde;o que consiste em introduzir agentes em uma organiza&ccedil;&atilde;o-alvo atrav&eacute;s de um processo normal de admiss&atilde;o; Intrus&atilde;o: A&ccedil;&atilde;o que consiste em garantir o acesso f&iacute;sico &agrave; instala&ccedil;&otilde;es protegidas por mecanismos de fechamento; Recrutamento Operacional: A&ccedil;&atilde;o que consiste em convencer uma pessoa n&atilde;o pertencente a uma organiza&ccedil;&atilde;o a trabalhar em seu benef&iacute;cio; Espionagem: Conjunto de a&ccedil;&otilde;es com emprego de meios ilegais para obter informa&ccedil;&otilde;es protegidas. Instrumento privilegiado da guerra militar reconvertido, sem a menor dificuldade, para a guerra econ&ocirc;mica.&quot;23<\/p>\n<p><span style=\"mso-tab-count: 1\">Muito pouco &eacute; poss&iacute;vel acrescentar ap&oacute;s expormos as bases legais, doutrin&aacute;rias e operacionais da atividade de intelig&ecirc;ncia. Considerando o n&iacute;vel de conhecimento do cel. F&eacute;lix, sendo este um manual p&uacute;blico, ou seja, uma fonte aberta (e portanto limitada, n&atilde;o aprofundada), definitivamente n&atilde;o se pode crer em transpar&ecirc;ncia da atividade. <\/span><\/p>\n<p>Basta associar as t&eacute;cnicas de trabalho acima e as hip&oacute;teses de conflito publicamente assumidos pela Ag&ecirc;ncia (expostas anteriormente), para concluir quais s&atilde;o os inimigos (reais ou potenciais) e sob qual regime e conforma&ccedil;&atilde;o hegem&ocirc;nica de classes dominantes, o aparelho de intelig&ecirc;ncia brasileiro combate e serve (respectivamente). Para contrapor de vez a id&eacute;ia de &quot;neutralidade&quot;, citamos o ex-chefe da espionagem do EB, concordando com ele em sua observa&ccedil;&atilde;o. &quot;Nos dias de hoje, a ingenuidade em mat&eacute;ria de espionagem &eacute; tola, desnecess&aacute;ria, e pode ser perigosa.&quot;.<\/p>\n<p>txt p\/ a Revista Novos Tempos, No. 3, terceiro quadrimestre de 2001, S&atilde;o Paulo\/SP<\/p>\n<p>1 ANTUNES, Priscila, &quot;ABIN: G&ecirc;nese e Antecedentes Hist&oacute;ricos&quot;, mestrado de Pol&iacute;tica, UFF, 2000, p&aacute;g. 144<\/p>\n<p>2 Dispon&iacute;vel na Internet via www.presidencia.gov.br e www.presidencia.gov.br\/gsi. Arquivos consultados em agosto de 2001.<\/p>\n<p>3 www.abin.gov.br. Arquivos consultados em outubro e novembro de 2000<\/p>\n<p>4 http:\/\/www.abin.gov.br\/abin\/port\/relatorio.htm Arquivos consultados em outubro e novembro de 2000<\/p>\n<p>5 Id.<\/p>\n<p>6 Id.<\/p>\n<p>7 &quot;www.planalto.gov.br.com.br\/pubh_04\/COLECAO\/DEFES1.HTM&quot;, Arquivo consultado em novembro de 2000<\/p>\n<p>8 Ibid. COLECAO\/DEFES4.HTM<\/p>\n<p>9 Ibid. COLECAO\/DEFES5.HTM<\/p>\n<p>10 http:\/\/www.planalto.gov.br\/estr_02\/mmtar\/cammtar.htm , Arquivo consultado em Mar&ccedil;o de 2001<\/p>\n<p>11 http:\/\/www.abin.gov.br\/abin\/port\/menu_abin.htm, p&aacute;gs.1 e 4, Arquivo consultado em novembro de 2000<\/p>\n<p>12 Ibid. p&aacute;gs. 5 e 6<\/p>\n<p>13 TZU, Sun, &quot;A Arte da Guerra, cap. III, A Espada Embainhada&quot;, Rio de Janeiro, 1996, p&aacute;g.26<\/p>\n<p>14 FILHO, Expedito, &quot;O pr&iacute;ncipe e os p&eacute;s-rapados&quot;, Veja, 23\/04\/1997, Arquivo eletr&ocirc;nico.<\/p>\n<p>15 http:\/\/www.abin.gov.br\/abin\/port\/lei.htm , p&aacute;g. 1, Arquivo consultado em novembro de 2000<\/p>\n<p>16 http:\/\/www.abin.gov.br\/abin\/port\/perguntas.htm , p&aacute;g.3, Arquivo consultado em novembro de 2000<\/p>\n<p>17 http:\/\/www.abin.gov.br\/abin\/port\/decreto.htm, p&aacute;gs. 2 e 3, Arquivo consultado em novembro de 2000<\/p>\n<p>18 www.abin.gov.br, Arquivo consultado em agosto de 2001<\/p>\n<p>19 Revista Veja, Op. Cit.<\/p>\n<p>20 PE&Ntilde;A, Bernardo de la, &quot;Intelig&ecirc;ncia continua sob cortina de fuma&ccedil;a&quot;, O Globo, Rio de Janeiro, 1o Caderno, 06\/06\/1999, Arquivo Eletr&ocirc;nico<\/p>\n<p>21 RISTOW, J&ocirc;, &quot;Outro v&ocirc;o dos arapongas?&quot;, Revista Vis&atilde;o, p&aacute;g. 11 Apud ANTUNES, Priscila, Op. Cit., p&aacute;g.114<\/p>\n<p>22 GEHLEN, Reinhard, &quot;O Servi&ccedil;o Secreto&quot;, 1972, Rio de Janeiro, p&aacute;gs. 153, 154 e 155<\/p>\n<p>23 FELIX, Walter, &quot;Manual do CISE&quot;, 2000, Florian&oacute;polis, p&aacute;gs. 2 e 3<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A atividade de Intelig\u00eancia \u00e9 integralmente coberta pelo sigilo; age voltada para o ambiente externo \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o; seus alvos podem ser organiza\u00e7\u00f5es inimigas ou indiv\u00edduos; pode conduzir a\u00e7\u00f5es de espionagem, sabotagem, propaganda, inger\u00eancia econ\u00f4mica e outras da mesma esp\u00e9cie, sempre com a finalidade de defender os interesses do seu patrocinador. 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