{"id":60,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=60"},"modified":"2023-03-13T20:43:13","modified_gmt":"2023-03-13T23:43:13","slug":"a-farc-o-movimento-dos-cocaleros-e-a-rede-da-sociedade-civil-no-meio-da-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=60","title":{"rendered":"A FARC, o Movimento dos Cocaleros e a rede da sociedade civil no meio da guerra"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mercado-campesino.jpg\" title=\"O longo caminho para o poder desta classe, passa pelo di\u00e1logo interno como frente de oprimidos e a vit\u00f3ria contra o Estado p\u00e1ra-colonial. - Foto:alai\" alt=\"O longo caminho para o poder desta classe, passa pelo di\u00e1logo interno como frente de oprimidos e a vit\u00f3ria contra o Estado p\u00e1ra-colonial. - Foto:alai\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O longo caminho para o poder desta classe, passa pelo di\u00e1logo interno como frente de oprimidos e a vit\u00f3ria contra o Estado p\u00e1ra-colonial.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:alai<\/small><\/figure>\n<p>Vila Setembrina dos Farrapos, janeiro de 2003<\/p>\n<p>1- Abertura<\/p>\n<p>O artigo de Mar&iacute;a Clemencia Ram&iacute;rez (in Santos, 2002, na bibliografia) tomado como texto base para este trabalho aborda um interessante cen&aacute;rio de negocia&ccedil;&atilde;o e conflito. Contando com intensa participa&ccedil;&atilde;o de setores populares, cuja caracter&iacute;stica marcante &eacute; se desenvolver em &aacute;rea conflagrada de guerra civil h&aacute; no m&iacute;nimo tr&ecirc;s d&eacute;cadas. Trata-se da regi&atilde;o da Amaz&ocirc;nia Ocidental colombiana, especificamente nas micro-regi&otilde;es do Putumayo, Guaviare, Caquet&aacute; e Baixa Bota Caucana (todas estas &aacute;reas produtoras de folha de coca). De julho a setembro de <st1:metricconverter w:st=\"on\" productid=\"1996, a\">1996, a<\/st1:metricconverter> Col&ocirc;mbia viu uma articula&ccedil;&atilde;o de camponeses desta zona, tamb&eacute;m conhecidos como cocaleros, como uma rea&ccedil;&atilde;o a pol&iacute;tica de for&ccedil;a do Estado colombiano para erradicar as culturas tradicionais consideradas il&iacute;citas.<\/p>\n<p>A articula&ccedil;&atilde;o do movimento dos cocaleros, sob forma de movimentos c&iacute;vicos cuja tradi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica nesta zona &eacute; bastante anterior, &eacute; o eixo de an&aacute;lise deste trabalho que apresentamos. Utilizaremos no texto, conceitos apresentados por autores contempor&acirc;neos da teoria democr&aacute;tica, esfera p&uacute;blica e sociedade civil. A partir destes conceitos, que muitas vezes n&atilde;o os compartilhamos de todos, vamos analisar alguns aspectos deste processo que se desenvolve na selva colombiana, e que nos pareceram relevantes.<\/p>\n<p>Optamos por desenvolver um determinado eixo de discuss&atilde;o. Este trata da forma das rela&ccedil;&otilde;es, processo organizativo da sociedade civil local e autonomias negociadas entre as For&ccedil;as Armadas Revolucion&aacute;rias da Col&ocirc;mbia (FARC), o Movimento C&iacute;vico Regional do Putumayo e o Movimento Pac&iacute;fico do Cauca (dos camponeses da Baixa Bota Caucana). Como complemento, procuramos desenvolver uma an&aacute;lise dos n&iacute;veis locais do Estado e sua presen&ccedil;a dentro das redes de rela&ccedil;&otilde;es vinculadas a FARC. Esta seria mais uma an&aacute;lise cr&iacute;tica das rela&ccedil;&otilde;es entre a FARC, os movimentos sociais e o Estado colombiano em suas formas apresentadas no conflito (militares e altos funcion&aacute;rios) e na gest&atilde;o do poder local (funcion&aacute;rios da pr&oacute;pria regi&atilde;o). Nunca &eacute; demais recordar que os distintos atores est&atilde;o envolvidos em negociar num cen&aacute;rio complexo, onde a linguagem pol&iacute;tica predominante &eacute; a viol&ecirc;ncia sistem&aacute;tica. Terminamos com uma breve conclus&atilde;o, apontando as id&eacute;ias-for&ccedil;a do cen&aacute;rio dado, a partir do eixo de an&aacute;lise conceitual empregado.<\/p>\n<p>2- Movimentos, FARC, gest&atilde;o do poder local e funcion&aacute;rios do Estado, um cen&aacute;rio complexo de sociedade civil<\/p>\n<p>A regi&atilde;o da Amaz&ocirc;nia ocidental colombiana &eacute; vista pelos centros urbanos daquele pa&iacute;s, como um territ&oacute;rio selvagem e n&atilde;o-civilizado. Uma fixa&ccedil;&atilde;o de imagens dos tempos da invas&atilde;o e conquista espanhola, teve perman&ecirc;ncia para o per&iacute;odo atual, sendo esta zona habitada por migrantes em busca de sorte e fortuna f&aacute;cil, orientados pela insurg&ecirc;ncia e cuja fonte de renda s&atilde;o as culturas il&iacute;citas (Ram&iacute;rez, p.179). &Aacute;rea colonizada por migrantes despossu&iacute;dos e que vivem em uma das frentes de combate da FARC, o governo central colombiano cria e reproduz uma imagem de representa&ccedil;&atilde;o onde estes camponeses (cocaleros, entre outros) s&atilde;o desprovidos de autonomia decis&oacute;ria, vontade pol&iacute;tica e capacidade de viver dentro dos par&acirc;metros da sociedade constitu&iacute;da.<\/p>\n<p>O Estado colombiano, tomando orienta&ccedil;&otilde;es e financiamento direto dos Estados Unidos da Am&eacute;rica (EUA; Ram&iacute;rez, p.198), decreta em maio de 1996 duas opera&ccedil;&otilde;es militares (Condor e Conquista), de ocupa&ccedil;&atilde;o militar do terreno e fumiga&ccedil;&atilde;o dos plantios respectivamente. Uma vez que os cocaleros, por encontrarem-se &agrave; margem da lei, estariam impossibilitados de negociar e se organizar, o Ex&eacute;rcito, a Pol&iacute;cia Nacional e o governo central tomaram por princ&iacute;pio iniciarem uma a&ccedil;&atilde;o unilateral. J&aacute; havendo uma trajet&oacute;ria e cultura pol&iacute;tica de articula&ccedil;&atilde;o anterior, os camponeses destas regi&otilde;es iniciaram uma contra-resposta j&aacute; pr&eacute;-acordada um ano antes, em reuni&otilde;es de l&iacute;deres camponeses durante um Semin&aacute;rio Internacional de Culturas Il&iacute;citas.<\/p>\n<p>Aos olhos do Estado colombiano e suas For&ccedil;as Armadas (FFAA), n&atilde;o haveria a possibilidade de organiza&ccedil;&atilde;o aut&ocirc;noma dos cocaleros, uma vez que estes, estando &agrave; margem da lei e sob tutela das FARC, seriam meros reprodutores das vontades pol&iacute;ticas do ator armado insurgente. Segundo nossa vis&atilde;o, a constitui&ccedil;&atilde;o da identidade exclu&iacute;da, de afirma&ccedil;&atilde;o de todo um setor como cidad&atilde;os de uma regi&atilde;o (putumayenses, Ram&iacute;rez, p.200), estabelece uma vigorosa capacidade de exerc&iacute;cio da vontade pol&iacute;tica. Supostamente desprovidos de autonomia, vivendo e se organizando em um cen&aacute;rio de guerra civil, como e a partir do que estes cocaleros se organizam?<\/p>\n<p>Segundo Fraser (in Calhoun, p.127), em sociedades estratificadas, ao contr&aacute;rio de pa&iacute;ses com regime democr&aacute;tico e de direitos universalmente estabelecidos, d&aacute;-se a necessidade de forma&ccedil;&atilde;o de contra-p&uacute;blicos, criados a partir da pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o de domin&acirc;ncia e subordina&ccedil;&atilde;o. Ao gerar um contra-discurso, os cocaleros se afirmam a partir da pr&oacute;pria exclus&atilde;o exercida sobre eles, sendo a sua esfera p&uacute;blica, todo um setor social que sob intento de subordina&ccedil;&atilde;o (ocupa&ccedil;&atilde;o militar, erradica&ccedil;&atilde;o da cultura e implanta&ccedil;&atilde;o de planejamento estatal sobre a regi&atilde;o), assim se identifica para responder &agrave; ofensiva militar.<\/p>\n<p>Quando em dezembro de 1995 os camponeses rejeitam em carta enviada ao ent&atilde;o presidente Samper o Plano Nacional de Desenvolvimento Alternativo (Plante), se estabelece operando no real as bases de associa&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de forma&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o e contra-posi&ccedil;&atilde;o, de forma p&uacute;blica e vinculada &agrave; uma identidade espec&iacute;fica. Keane (apud Habermas, in Calhoun, p.454) aponta a import&acirc;ncia de associa&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o, mas neste caso, esta n&atilde;o &eacute; apenas consultiva, mas &eacute; o motor de propostas (contra-propostas) perante ao Estado. Ainda nas observa&ccedil;&otilde;es de Habermas, o autor alem&atilde;o tr&aacute;s o pensamento de Arendt (p.454) quando esta afirma ser a exist&ecirc;ncia de entidades associativas formadoras de opini&atilde;o a base da constitui&ccedil;&atilde;o da esfera p&uacute;blica aut&ocirc;noma, que por si &eacute; um dos fundamentos da sociedade civil.<\/p>\n<p>Segundo a fil&oacute;sofa judia alem&atilde;, a forma&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o livre &eacute; alvo da repress&atilde;o de um regime com ordem totalit&aacute;ria. Concordamos com esta afirma&ccedil;&atilde;o dizendo que em sociedades estratificadas, os agentes armados do stablishment (no caso colombiano, as FFAA do Estado e o P&aacute;ra-Estado, aglutinado nas Autodefesas Unidas de Col&ocirc;mbia, AUC, Uribe apud Ram&iacute;rez, p.191) t&ecirc;m a preocupa&ccedil;&atilde;o de deslegitimar a legalidade e autonomia, chegando at&eacute; mesmo a atentar contra o direito de exist&ecirc;ncia organizada do movimento dos cocaleros. Ou seja, al&eacute;m do exerc&iacute;cio puro e simples da for&ccedil;a, realizam um di&aacute;logo (ao menos com a esfera p&uacute;blica que estes agentes tem como v&aacute;lida, m&iacute;dia inclu&iacute;da e que justifica e classifica a identidade dos seus opositores. J&aacute; o Movimento C&iacute;vico pelo Desenvolvimento Integral do Putumayo, assim como os demais atores sociais cocaleros, se afirma enquanto campon&ecirc;s e procura estabelecer bases de di&aacute;logo e discuss&atilde;o program&aacute;tica &#8211; em termos de reconhecimento das identidades e de pol&iacute;tica de desenvolvimento &#8211; com todos os atores presentes nas rodadas oficiais de negocia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Foi justo o esfor&ccedil;o por gerar e circular opini&atilde;o pr&oacute;pria de setores a princ&iacute;pio sem autonomia de voz, o que segundo os depoimentos existentes no texto base, gerou uma capacidade de mobiliza&ccedil;&atilde;o, consciencializa&ccedil;&atilde;o e a unificar setores n&atilde;o necessariamente reconhecidos como cocaleros. Tilly (apud Arato &amp; Cohen, p.500) afirma o v&iacute;nculo entre o repert&oacute;rio de possibilidades de a&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas e as mudan&ccedil;as estruturais que alterariam a vida cotidiana. Atrav&eacute;s da cobertura do territ&oacute;rio, com esfor&ccedil;o pol&iacute;tico de gerar opini&atilde;o pr&oacute;pria, a pr&eacute;-constitui&ccedil;&atilde;o do Movimento C&iacute;vico do Putumayo gerou uma unidade pol&iacute;tica constru&iacute;da, segundo o relato, a partir da a&ccedil;&atilde;o comunicacional operando sobre condi&ccedil;&otilde;es concretas, e por sinal bastante adversas. Atrav&eacute;s de oficinas de informa&ccedil;&atilde;o sobre o plano de erradica&ccedil;&atilde;o da coca, seguido de discuss&atilde;o ao n&iacute;vel local, se atinge dois marcos importantes: a unidade do Putumayo, a autonomia decis&oacute;ria da Baixa Bota Caucana em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; FARC.<\/p>\n<p>Segundo o texto base, atrav&eacute;s da discuss&atilde;o e da gera&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o aut&ocirc;noma, os camponeses desta regi&atilde;o se posicionam contra uma orienta&ccedil;&atilde;o da FARC. A orienta&ccedil;&atilde;o era a de levar a marcha para fora das terras de sua zona (Ram&iacute;rez, p.187). Os cocaleros habitantes de algumas estradas vicinais da zona, simplesmente recusaram-se em ir, por identificar ser seu primeiro objetivo, a constitui&ccedil;&atilde;o de um munic&iacute;pio na &aacute;rea. Entendemos que isso empiricamente vai de encontro a um conceito expresso por Habermas (p.427), quando este afirma ter se dado conta que a cultura e voz pleb&eacute;ia n&atilde;o eram apenas um eco da cultura dominante. N&atilde;o apenas, mas tamb&eacute;m &eacute; um contraprojeto &agrave;s estruturas hier&aacute;rquicas de um mundo de domina&ccedil;&atilde;o. Segundo este autor, tais contra-efeitos n&atilde;o podem ser simplesmente neutralizados. Entendemos que embora menos tensa do que com o Estado, as AUC ou mesmo os partidos pol&iacute;ticos tradicionais, a exist&ecirc;ncia de uma rela&ccedil;&atilde;o hier&aacute;rquica de fato com a FARC levou, atrav&eacute;s de um processo de forma&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o, a expressar um contra-efeito de discrep&acirc;ncia pol&iacute;tica (1).<\/p>\n<p>&Eacute; importante notar que a discuss&atilde;o e um minucioso trabalho de oficinas de informa&ccedil;&atilde;o, levou aos camponeses da Baixa Bota Caucana a identificarem em uma antiga reivindica&ccedil;&atilde;o &#8211; a cria&ccedil;&atilde;o do munic&iacute;pio de Piamonte (Ram&iacute;rez, p.188) &#8211; o principal objetivo nesta nova situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, de fumiga&ccedil;&atilde;o e protesto c&iacute;vico. N&atilde;o se pode afirmar que a esfera p&uacute;blica Caucana levou diretamente &agrave; autonomia pol&iacute;tica integral destes camponeses, mas sim que fortalecera uma capacidade de autonomia relativa. Esta autonomia relativa j&aacute; se manifesta no momento do protesto c&iacute;vico (greve de mobiliza&ccedil;&atilde;o de massa) e toma forma de representa&ccedil;&atilde;o e defesa de interesses nas rodadas de negocia&ccedil;&atilde;o (Ram&iacute;rez, p.189).<\/p>\n<p>S&oacute; &eacute; poss&iacute;vel intentar compreender aspectos da rela&ccedil;&atilde;o da FARC com os camponeses, atrav&eacute;s das bases de poder local, informa&ccedil;&atilde;o esta que o texto base nos oferece. Mas, gostaria de antes apontar uma reflex&atilde;o e cr&iacute;tica de Fraser na rela&ccedil;&atilde;o da esquerda, o aparato de Estado e a cidadania. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel uma compara&ccedil;&atilde;o da FARC com um proto-Estado, nem nenhum conceito ou id&eacute;ia relativa similar. Mas, segundo o texto base, a rela&ccedil;&atilde;o da FARC com os movimentos sociais c&iacute;vico-camponeses n&atilde;o se d&aacute; sob bases horizontais. H&aacute; algum grau coercitivo, ou de tomada de decis&otilde;es unilaterais da parte do agente armado insurgente. Segundo Fraser (p.110), a sobreposi&ccedil;&atilde;o de um Estado de base socialista sobre uma esfera p&uacute;blica de associa&ccedil;&atilde;o e discuss&atilde;o, subordinando e ligando a segunda &agrave; primeira, cortara as possibilidades de desenvolvimento de uma id&eacute;ia de socialismo com orienta&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. N&atilde;o se pode afirmar que a guerrilha n&atilde;o promovera a participa&ccedil;&atilde;o popular e descentraliza&ccedil;&atilde;o administrativa como um de seus princ&iacute;pios e m&eacute;todos organizativos (Ram&iacute;rez, p.183). Mas ao mesmo tempo, nota-se um certo exagero de prerrogativas da parte deste ator ao exercer sua autoridade pol&iacute;tica (constru&iacute;da tamb&eacute;m atrav&eacute;s da manuten&ccedil;&atilde;o da ordem e do monop&oacute;lio da viol&ecirc;ncia), prerrogativas estas que (legitimam tanto as suas a&ccedil;&otilde;es como o seu autoritarismo (Ram&iacute;rez, p.185) (2).<\/p>\n<p>O outro lado da rela&ccedil;&atilde;o de autonomia restrita com a FARC, &eacute; justo a oposta das prerrogativas narradas no par&aacute;grafo acima. Al&eacute;m do plano declarativo, a FARC impulsiona e operacionaliza uma descentraliza&ccedil;&atilde;o de poder, incentivando e gerando condi&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a que possibilitam esta participa&ccedil;&atilde;o. Isto se d&aacute; na Col&ocirc;mbia, quando muitas vezes significa que a guerrilha garante a vida dos ativistas sociais. O agente armado v&ecirc; a legitimidade republicana ser constru&iacute;da atrav&eacute;s da participa&ccedil;&atilde;o cidad&atilde;, que seria uma obriga&ccedil;&atilde;o de envolvimento pol&iacute;tico (FARC apud Ram&iacute;rez, p.183). Interessante &eacute; ver que este tipo de tradi&ccedil;&atilde;o, segundo Arato &amp; Cohen (p.38), remontaria ao comunismo de conselhos e\/ou a tradi&ccedil;&atilde;o anarquista de autogest&atilde;o s&oacute;cio-pol&iacute;tica. Segundo estes autores, as formas de auto-organiza&ccedil;&atilde;o da sociedade pol&iacute;tica s&oacute; se manteriam aut&ocirc;nomas caso houvesse condi&ccedil;&otilde;es de preservar e proteger o desenvolvimento de espa&ccedil;os e formas apol&iacute;ticas de solidariedade, intera&ccedil;&atilde;o e vida coletiva.<\/p>\n<p>Compreende-se assim que, se transmutarmos estes conceitos para a realidade colombiana narrada no texto base, entendemos ser a supremacia t&aacute;tica e a hegemonia militar em determinadas regi&otilde;es o elemento gerador desta prote&ccedil;&atilde;o de desenvolvimento de participa&ccedil;&atilde;o cidad&atilde; sobre uma realidade bastante dif&iacute;cil e com risco de vida permanente. Por outro lado, esta supremacia unilateral &eacute; o que gera um grande n&uacute;mero de prerrogativas onde as decis&otilde;es da FARC s&atilde;o inquestion&aacute;veis, e noutras onde s&atilde;o apenas parcialmente question&aacute;veis.<\/p>\n<p>O mecanismo desenvolvido na regi&atilde;o, e que faz parte do programa da FARC segundo o texto base, &eacute; o desenvolvimento de formas de gest&atilde;o local. A forma encontrada na Amaz&ocirc;nia Ocidental da Col&ocirc;mbia s&atilde;o as Juntas de A&ccedil;&atilde;o Comunal. &Eacute; atrav&eacute;s destas que se organizam as marchas, como uma express&atilde;o da rede de rela&ccedil;&otilde;es sociais e pol&iacute;ticas de toda a zona (Ram&iacute;rez,p.185). Estes &oacute;rg&atilde;os, localizados nos distritos, articulados atrav&eacute;s de seus chefes, conseguiram congregar diversos agentes coletivos, FARC, funcion&aacute;rios estatais locais, movimentos c&iacute;vico-camponeses e partidos tradicionais inclu&iacute;dos. S&atilde;o os chefes comunais que tem a delega&ccedil;&atilde;o para realizar o esfor&ccedil;o de recorrerem os distritos mais distantes, gerando uma voz e sentido de identidade pol&iacute;tica, que &eacute; complementar a identidade exclu&iacute;da dos migrantes que s&atilde;o os colonos da &aacute;rea. Podemos apontar como decisiva a exist&ecirc;ncia de uma rede de rela&ccedil;&otilde;es e de uma esfera p&uacute;blica dos atores interessados, que possibilitou a realiza&ccedil;&atilde;o e legitimidade das marchas e greves, chamados de paros civicos.<\/p>\n<p>Percebe-se tamb&eacute;m que a constitui&ccedil;&atilde;o de identidade pol&iacute;tica &eacute; uma categoria fundamental para os colonos dessa zona. A soma das trajet&oacute;rias individuais, dentro de um mesmo sentido coletivo (trajet&oacute;ria de um setor social), gera v&aacute;rios pontos de conflu&ecirc;ncia que facilitam o relacionamento das FARC com os camponeses (Ram&iacute;rez, p.182). Outro ponto de converg&ecirc;ncia e que facilita a rela&ccedil;&atilde;o entre guerrilha e movimentos sociais, est&aacute; no fato destes movimentos verem um avan&ccedil;o em suas agendas a partir da pr&oacute;pria rela&ccedil;&atilde;o com os insurgentes (Romero apud Ram&iacute;rez, p.183).<\/p>\n<p>Se entendermos que a capacidade de negocia&ccedil;&atilde;o se d&aacute; sobre condi&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a, e que a viol&ecirc;ncia &eacute; a linguagem pol&iacute;tica hegem&ocirc;nica na Col&ocirc;mbia, esta equa&ccedil;&atilde;o torna-se assim &oacute;bvia. Assim, se est&aacute; desconstruindo um argumento de poss&iacute;vel vitimiza&ccedil;&atilde;o dos movimentos sociais para com os insurgentes. Por sua parte, os movimentos sociais, segundo a autora, e cuja afirma&ccedil;&atilde;o concordamos, conseguem manter sua autonomia de decis&atilde;o (ainda que relativa) com a FARC atrav&eacute;s de duas bases. Uma &eacute; a vontade pol&iacute;tica da FARC de estabelecer a gest&atilde;o do poder local. A outra base decis&oacute;ria, e que para n&oacute;s &eacute; predominante, &eacute; a densidade que legitima os movimentos camponeses da regi&atilde;o. O que gera esta densidade &eacute; justo o fato destes desenvolverem a esfera p&uacute;blica de seu setor social e assim constitu&iacute;rem sua identidade pol&iacute;tica. Estes dois pilares permitem processar as condi&ccedil;&otilde;es para a exist&ecirc;ncia de uma rede da sociedade civil local, ainda que sob intensa guerra civil.<\/p>\n<p>De acordo com as declara&ccedil;&otilde;es do agente armado insurgente e dos fatos narrados no texto base, a FARC n&atilde;o impede, muito ao contr&aacute;rio, incentiva a participa&ccedil;&atilde;o cidad&atilde; nos assuntos p&uacute;blicos. Assim, ela controla as administra&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas ao n&iacute;vel dos munic&iacute;pios onde det&ecirc;m a hegemonia pol&iacute;tica e a supremacia militar (Ram&iacute;rez, pp.183-184). &Eacute; interessante notar que a guerrilha n&atilde;o s&oacute; estimula a cobran&ccedil;a, mas a elabora&ccedil;&atilde;o de projetos oficiais em conjunto com a administra&ccedil;&atilde;o do Estado ao n&iacute;vel local e regional. Apontamos isto como uma das hip&oacute;teses para o fato dos camponeses ter rejeitado o planejamento do Plante e proposto um outro projeto do governo central. A cobran&ccedil;a perante o Estado, vinda dos setores populares organizados, inclu&iacute;dos nas redes sociais vinculadas a FARC, possibilita a correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as para que os militantes possam exercer a participa&ccedil;&atilde;o com menor risco de vida. Conforme dissemos, a guerrilha se legitima tamb&eacute;m fazendo avan&ccedil;ar a agenda dos movimentos sociais. O adendo &eacute; que estes n&atilde;o apenas reivindicam resultados, mas tamb&eacute;m o co-planejamento.<\/p>\n<p>Fraser comenta a possibilidade de rela&ccedil;&atilde;o entre projetos e realiza&ccedil;&otilde;es sociais quase autogestion&aacute;rias e sua capacidade de rela&ccedil;&atilde;o com corpos decis&oacute;rios centrais ou regionais. Isto tamb&eacute;m seria um di&aacute;logo manifesto, entre a esfera p&uacute;blica da interna destes setores sociais (contra-p&uacute;blico), e o grande p&uacute;blico, ou seja, a esfera p&uacute;blica vinculada aos setores decis&oacute;rios da sociedade. (Fraser, p.135). Podemos afirmar sem exagero que a FARC concretamente se posiciona como um agente pol&iacute;tico-armado que defendera os interesses diretos da popula&ccedil;&atilde;o. E, a promo&ccedil;&atilde;o destes interesses se inclui realizar accountability do Estado nos planos regionais e municipais, mesmo que sob guerra civil. Sempre &eacute; bom lembrar que a FARC decretou penalizar aos funcion&aacute;rios p&uacute;blicos corruptos, assim como qualquer um que desvie dinheiro p&uacute;blico. Cabe uma observa&ccedil;&atilde;o; digamos que este modo de accountability, &eacute; muito funcional no caso colombiano.<\/p>\n<p>Isto obviamente aproxima a posi&ccedil;&atilde;o de alguns funcion&aacute;rios do Estado, especialmente os naturais da zona, para a compreens&atilde;o e defesa de interesses dos cocaleros. A linha divis&oacute;ria entre sociedade civil e sociedade pol&iacute;tica quase que desaparece para os presidentes das C&acirc;maras e o funcionalismo da regi&atilde;o (Ram&iacute;rez,p.206). Estes se posicionam junto aos cocaleros (inclusive por trajet&oacute;ria e hist&oacute;rico comum) e s&atilde;o part&iacute;cipes do Plano de Desenvolvimento Integral. Podemos justificar que tanto pela trajet&oacute;ria e origem comuns, como pela forma com que as administra&ccedil;&otilde;es municipais foram envolvidas, a sociedade civil local-regional avan&ccedil;ou incluindo setores de funcionalismo e de gest&atilde;o de poder local.<\/p>\n<p>O avan&ccedil;o da sociedade civil e a sobrecarga de mobiliza&ccedil;&otilde;es significam, para Arato &amp;Cohen (p.51), um aumento do custo se e caso as posi&ccedil;&otilde;es mais reacion&aacute;rias se fizerem por avan&ccedil;ar. A quebra de unidade de discurso dos funcion&aacute;rios do Estado colombiano nos parece um reflexo emp&iacute;rico, operacionalizando assim este conceito. Reconhecemos que um processo de transi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, vindo de regimes autorit&aacute;rios para democr&aacute;tico-representativos, &eacute; distinto de uma democracia formal marcada pela guerra civil, como &eacute; o caso da Col&ocirc;mbia. Mas ainda assim, a sociedade civil local gera um constrangimento de discurso, medidas e pol&iacute;ticas por parte do Estado, operando atrav&eacute;s de Ex&eacute;rcito e Pol&iacute;cia Nacional inclu&iacute;dos.<\/p>\n<p>Contrabalan&ccedil;ando, a n&atilde;o-divis&atilde;o de espa&ccedil;o entre as sociedades civil e pol&iacute;tica gera uma situa&ccedil;&atilde;o d&uacute;bia. Se por um lado aumenta a legitimidade e poder de negocia&ccedil;&atilde;o o posicionamento do funcionalismo local junto aos cocaleros, a libera&ccedil;&atilde;o (via renda e sal&aacute;rio) de treze dirigentes, com verba oficial, profissionalizando-os como negociadores e implementadores do processo de discuss&atilde;o (Ram&iacute;rez, p.207), isto tamb&eacute;m abre margens para deslegitimar o pr&oacute;prio processo. Arato &amp; Cohen discutem justo este tipo de auto-instrumentaliza&ccedil;&atilde;o, fato que empiricamente narrado acima, se aproxima do processo da oligarquiza&ccedil;&atilde;o de partidos e movimentos sociais (p.561). Segundo os autores, haveria de ir se apontando o potencial e a presen&ccedil;a m&uacute;ltipla de atores do tipo social e pol&iacute;tico como algo positivo. E, o intento de gerar uma outra forma de rela&ccedil;&atilde;o entre estes atores, distinta assim da libera&ccedil;&atilde;o financeira e da profissionaliza&ccedil;&atilde;o de dirigentes.<\/p>\n<p>3 &#8211; Apontando conclus&otilde;es<\/p>\n<p>O texto base e o os conceitos empregados por autores da sociedade civil e da teoria democr&aacute;tica nos apontam conclus&otilde;es significativas. A primeira delas &eacute; a possibilidade de uma outra articula&ccedil;&atilde;o entre a sociedade civil e a sociedade pol&iacute;tica (3), possibilidade esta t&atilde;o vi&aacute;vel que se realiza mesmo sob guerra civil. &Eacute; &oacute;bvio tamb&eacute;m que isto s&oacute; se realiza assim no caso narrado por ser uma orienta&ccedil;&atilde;o program&aacute;tica de um dos agentes armados, organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-militar (OPM), como &eacute; o caso da FARC.<\/p>\n<p>De sua parte, a guerrilha orienta e incentiva a participa&ccedil;&atilde;o, mas sem abrir m&atilde;o de uma s&eacute;rie de prerrogativas que esta OPM proclama como suas. Conclui-se assim que a rede de rela&ccedil;&otilde;es da sociedade civil local, constru&iacute;da sob apoio da pr&oacute;pria guerrilha, na correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as, carece de uma maior autonomia decis&oacute;ria. Levantamos a hip&oacute;tese de a libera&ccedil;&atilde;o financeira dos dirigentes haver sido uma aproxima&ccedil;&atilde;o de um modus operandi j&aacute; conhecido, o da autonomia relativa. A diferen&ccedil;a est&aacute; que neste segundo caso, a autonomia relativa se dar&aacute; com o Estado colombiano e n&atilde;o mais apenas com o Contra-Estado.<\/p>\n<p>Por fim, o &uacute;ltimo tema a ser comentado &eacute; das identidades pol&iacute;ticas. Sendo a Amaz&ocirc;nia Ocidental colombiana uma regi&atilde;o povoada de colonos de culturas il&iacute;citas, povos ind&iacute;genas e migrantes por motivos de falta de oportunidades s&oacute;cio-econ&ocirc;micas, &eacute; a identidade a partir da trajet&oacute;ria comum de exclus&atilde;o o tra&ccedil;o unificador entre estes camponeses, os guerrilheiros e o funcionalismo local. Esta proximidade via origem comum, sem d&uacute;vida nos parece ter sido um dos fatores que possibilitara a extens&atilde;o de uma rede de sociedade civil, motivada por a&ccedil;&atilde;o comunicacional, dando vaz&atilde;o a voz de um setor simplesmente n&atilde;o-reconhecido pelo Estado central, e seus interesses diretos agregados, como o de reprodutor da pol&iacute;tica externa dos EUA.<\/p>\n<p>A capacidade de articula&ccedil;&atilde;o entre estes setores, especialmente os camponeses em geral, cocaleros e ind&iacute;genas, gerou a condi&ccedil;&atilde;o de realizar uma mobiliza&ccedil;&atilde;o em massa, for&ccedil;ando assim uma rodada de negocia&ccedil;&otilde;es e a constru&ccedil;&atilde;o de um plano alternativo de desenvolvimento diferente do original (que consistia em erradica&ccedil;&atilde;o, fumigamento e nenhum gradualismo). O fruto pol&iacute;tico destas mobiliza&ccedil;&otilde;es retorna ao n&iacute;vel simb&oacute;lico, sendo que este processo torna-se um s&iacute;mbolo pol&iacute;tico de mem&oacute;ria recente, que pode vir a incentivar outra necessidade e\/ou possibilidade de mobiliza&ccedil;&atilde;o semelhante.<\/p>\n<p>Assim, o exemplo dos camponeses desta regi&atilde;o colombiana, ainda que no meio da guerra, significa uma capacidade de luta e organiza&ccedil;&atilde;o popular como nega&ccedil;&atilde;o de uma condi&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica que naturalizara o abandono, estigma, marginaliza&ccedil;&atilde;o e supress&atilde;o de vontade pol&iacute;tica dos pr&oacute;prios camponeses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bibliografia<\/p>\n<p>ARATO, L. &amp; COHEN, J. Civil Society and Political Theory. Cap 1. The Contemporary Revival of Civil Society. Cap 10. Social Movements and Civil Society. Cambridge:MIT Press,1999.<\/p>\n<p>FRASER, Nancy. Cap 5. Rethinking the Public Sphere: a contributionto the Critique of Actually Existing Democracy. in CALHOUN, Craig. (ed), Habermas and the Public Sphere. Cambridge:MIT Press, 1996<\/p>\n<p>HABERMAS, Jungen. Cap 17. Further Reflection on the Public Sphere. in CALHOUN, op. cit.<\/p>\n<p>RAM&Iacute;REZ, Mar&iacute;a Clemencia. Cap <st1:metricconverter w:st=\"on\" productid=\"3. A\">3. A<\/st1:metricconverter> pol&iacute;tica do reconhecimento e da cidadania no Putumayo e na Baixa Bota Caucana: o caso do movimento cocalero de <st1:metricconverter w:st=\"on\" productid=\"1996. in\">1996. in<\/st1:metricconverter> SANTOS, Boaventura de Souza (org), Democratizar a Democracia, os caminhos da democracia participativa; Rio de Janeiro, Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 2002.<\/p>\n<p>Notas<\/p>\n<p>1 Entendemos que o estabelecimento de uma rela&ccedil;&atilde;o hierarquizada entre um partido pol&iacute;tico e um movimento social que se constitui a partir da nega&ccedil;&atilde;o ao direito a ter direitos e de identidade exclu&iacute;da, n&atilde;o seja de forma alguma algo (inevit&aacute;vel( ou (natural( no jogo pol&iacute;tico. O mesmo vale para a rela&ccedil;&atilde;o comum ator armado, que classificar&iacute;amos como um partido armado, como &eacute; o caso da FARC. Tal rela&ccedil;&atilde;o pode ser ou n&atilde;o hierarquizada, democr&aacute;tica, ou totalit&aacute;ria, conforme apontaremos, brevemente, mais adiante.<\/p>\n<p>2 N&atilde;o se questiona, nem tampouco seria a fun&ccedil;&atilde;o de um trabalho do g&ecirc;nero, o acionar armado <st1:personname w:st=\"on\" productid=\"em si. O\">em si. O<\/st1:personname> que se constata, a partir da cr&iacute;tica de Fraser (1996), &eacute; o tipo de rela&ccedil;&atilde;o que se d&aacute; entre a institui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica FARC e os movimentos camponeses da regi&atilde;o. Tamb&eacute;m n&atilde;o afirmamos a incondicionalidade de rela&ccedil;&atilde;o hier&aacute;rquica entre um ator armado insurgente e os movimentos sociais existentes em sua &aacute;rea geogr&aacute;fica e\/ou setor social de opera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>3 Isto profanamente tamb&eacute;m &eacute; chamado de uma nova articula&ccedil;&atilde;o entre o pol&iacute;tico e o social, onde as rela&ccedil;&otilde;es seriam mais de di&aacute;logo,diminuindo assim as formas cl&aacute;ssicas de correia de transmiss&atilde;o do pol&iacute;tico para o social.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O longo caminho para o poder desta classe, passa pelo di\u00e1logo interno como frente de oprimidos e a vit\u00f3ria contra o Estado p\u00e1ra-colonial. Foto:alai Vila Setembrina dos Farrapos, janeiro de 2003 1- Abertura O artigo de Mar&iacute;a Clemencia Ram&iacute;rez (in Santos, 2002, na bibliografia) tomado como texto base para este trabalho aborda um interessante cen&aacute;rio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-60","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/60","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=60"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/60\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10960,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/60\/revisions\/10960"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=60"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=60"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=60"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}