{"id":634,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=634"},"modified":"2023-03-13T21:32:41","modified_gmt":"2023-03-14T00:32:41","slug":"a-falacia-do-desenvolvimento-sem-freios-na-amazonia-legal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=634","title":{"rendered":"A fal\u00e1cia do \u201cdesenvolvimento\u201d sem freios na Amaz\u00f4nia Legal"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/marina silva de cabelo comprido.jpg\" title=\"\n\n<p >Marina Silva volta ao Senado onde ter\u00e1 papel testemunhal perante a op\u00e7\u00e3o de seu governo por caminhar ao lado dos inimigos hist\u00f3ricos seus e de Chico Mendes. <\/p>\n<p> &#8211; Foto:&#8221; alt=&#8221;<\/p>\n<p >Marina Silva volta ao Senado onde ter\u00e1 papel testemunhal perante a op\u00e7\u00e3o de seu governo por caminhar ao lado dos inimigos hist\u00f3ricos seus e de Chico Mendes. <\/p>\n<p> &#8211; Foto:&#8221; class=&#8221;image&#8221;><figcaption class=\"fig-caption\">\n<p >Marina Silva volta ao Senado onde ter\u00e1 papel testemunhal perante a op\u00e7\u00e3o de seu governo por caminhar ao lado dos inimigos hist\u00f3ricos seus e de Chico Mendes. <\/p>\n<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >A queda de Marina Silva do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, militante hist\u00f3rica do estado do Acre, contempor\u00e2nea de Chico Mendes, trouxe para o foco da aten\u00e7\u00e3o a chamada quest\u00e3o do \u201cdesenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d. Entendo que o assunto \u00e9 visto e analisado de forma torta. E, pelo ponto de vista \u201cecon\u00f4mico\u201d, seguindo uma ilus\u00f3ria l\u00f3gica de economia pura, nada seria mais anti-econ\u00f4mico do que a estupidez de um crescimento das capacidades de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de riquezas, energias e meios vi\u00e1ticos sem um c\u00e1lculo de longevidade destes mesmos recursos. <\/p>\n<p >Se aproxima o fim da primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI sem solucionar conceitualmente um problema estrutural do Brasil e de toda a Amaz\u00f4nia Legal. No maior pa\u00eds latino-americano, a legisla\u00e7\u00e3o mais avan\u00e7ada do mundo em defesa do meio ambiente, se v\u00ea desprotegida diante da f\u00faria \u201cdesenvolvimentista\u201d. Na verdade, o avan\u00e7o da fronteira agr\u00edcola e explorat\u00f3ria \u00e9 uma quest\u00e3o ideol\u00f3gica de fundo. Derrubar a mata em p\u00e9 significa uma fonte de riqueza imediata e uma desterritorializa\u00e7\u00e3o dos povos da \u201cfloresta\u201d. Afinal, sem floresta, n\u00e3o existe(m) \u201cpovo(s) da floresta\u201d. <\/p>\n<p >O problema \u00e9 de fundo. Mais de metade da \u00e1rea agricult\u00e1vel no pa\u00eds \u00e9 usada para a especula\u00e7\u00e3o bovina. Com uma m\u00e9dia de um boi adulto por hectare, os latifundi\u00e1rios nacionais mais improdutivos hoje jogam na segunda divis\u00e3o do desmatamento. Na ponta est\u00e3o os plantadores de soja, escorados na queda de barreiras alfandeg\u00e1rias chinesas e todos regiamente financiados pelo ministro da Agricultura e correligion\u00e1rio da ARENA (partido de sustenta\u00e7\u00e3o da ditadura militar). Vale lembrar a trajet\u00f3ria pol\u00edtica do funcion\u00e1rio p\u00fablico do governo do Paran\u00e1, Reinhold Stephanes, economista e militante hist\u00f3rico do partido de apoio da ditadura militar. Stephanes, assim como outros ex-apoiadores e operadores pol\u00edticos da Ditadura (como o economista Delfim Netto), atuam por dentro e por fora do governo de Luiz In\u00e1cio (\u201clula\u201d), que por sinal foi cabo eleitoral (puntero pol\u00edtico en castellano) de Fernando Henrique Cardoso na campanha de 1978. <\/p>\n<p >Este emaranhado de capitula\u00e7\u00e3o das metas hist\u00f3ricas da esquerda ecol\u00f3gica e dos povos da floresta (extrativistas, ind\u00edgenas, ribeirinhos, remanescentes de quilombos) reflete a barb\u00e1rie conceitual aplicada por um governo de \u201ccentro-esquerda n\u00e3o classista\u201d, segundo os analistas neoliberais mais l\u00facidos. Isto porque, em termos econ\u00f4micos, o avan\u00e7o da \u201cprodu\u00e7\u00e3o\u201d na Amaz\u00f4nia legal \u00e9 absolutamente IMPRODUTIVO no prazo de uma ou duas d\u00e9cadas. Mas isso pouco ou nada importa para aqueles que se locupletam com a falta de planejamento econ\u00f4mico e aus\u00eancia de estrat\u00e9gia e planos de metas. Sem planificar dentro de um esquema l\u00f3gico e com objetivos determinados, qualquer termo de \u201cplanejamento estrat\u00e9gico\u201d n\u00e3o passa de mau uso de conceito. Em outras palavras, uma mentira sistem\u00e1tica aplicada como \u201cestelionato intelectual\u201d. <\/p>\n<p >Um \u201cgargalo\u201d do desenvolvimento sustent\u00e1vel est\u00e1 na ordem da linguagem. O arsenal dos aliados de Dilma Roussef (1\u00aa ministra e Chefe da Casa Civil) e Blairo Maggi (governador do Mato Grosso, maior plantador de soja do mundo e campe\u00e3o do desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal) utiliza-se de termos como: gargalo energ\u00e9tico, agiliza\u00e7\u00e3o das licen\u00e7as ambientais, destravar os setores produtivos do \u201cpatrulhamento de eco-chatos\u201d e outros termos neoliberais em nome de um suposto desenvolvimentismo. Mais do que sem\u00e2ntica, a crise \u00e9 de paradigma. Explico. N\u00e3o existe desenvolvimento poss\u00edvel sem o manejo racional de recursos naturais n\u00e3o-renov\u00e1veis. Assim, ou o desenvolvimento \u00e9 sustent\u00e1vel, ou simplesmente n\u00e3o \u201cdesenvolve\u201d quase nada, apenas exaure riquezas e destr\u00f3i o que v\u00ea pela frente. <\/p>\n<p >O ex-guerrilheiro Carlos Minc topou a parada, assumindo a pasta do Meio Ambiente, e partiu para a \u201cguerra\u201d em busca dos holofotes. N\u00e3o tenho d\u00favida alguma que sua presen\u00e7a ser\u00e1 mais marcante, embora n\u00e3o t\u00e3o leg\u00edtima na Amaz\u00f4nia Legal como a de Marina Silva. A ex-militante dos empates acreanos de sua parte bancou no osso e largou o barco \u00e0 deriva e navegando em turvas \u00e1guas. Ficou em sua trajet\u00f3ria, a quebra do Ibama, o assassinato da irm\u00e3 Dorothy Stang (mission\u00e1ria estadunidense radicada no Brasil desde 1966, assassinada na cidade de Anapu, estado do Par\u00e1, em 12 de fevereiro de 2005) e a super-exposi\u00e7\u00e3o de um governo local \u2013 como o do Par\u00e1, com Ana J\u00falia do PT (DS \u00e0 frente) aliado de J\u00e1der Barbalho (PMDB), madeireiros, pistolagem (sic\u00e1rios) e \u201coutros ilibados\u201d agentes de \u201cdesenvolvimento econ\u00f4mico n\u00e3o-sustent\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p >O absurdo \u00e9 t\u00e3o grande que temos de debater at\u00e9 a \u201csem\u00e2ntica anti-ecol\u00f3gica\u201d. Na aus\u00eancia de pol\u00edtica p\u00fablica contundente resta a infelicidade do debate est\u00e9ril. N\u00e3o existem atalhos na pol\u00edtica, em qualquer pol\u00edtica, incluindo a pol\u00edtica ambiental. Cabe aos protagonistas desta novela escrever seu destino, ainda que muitas vezes, a linguagem empregada seja a da viol\u00eancia, como a a\u00e7\u00e3o dos povos originais na audi\u00eancia p\u00fablica de Altamira, onde feriram a golpes de fac\u00e3o (machetazos) um engenheiro da Eletrobr\u00e1s. <\/p>\n<p >Acreditem esse epis\u00f3dio ir\u00e1 se repetir, tal e como o imbr\u00f3glio de Roraima e a possibilidade de uma reserva com dimens\u00f5es de um pa\u00eds e sob suspeita de gest\u00e3o internacionalizada. Outra vez repito o conceito. A autonomia dos povos origin\u00e1rios e o protagonismo ind\u00edgena devem ser priorit\u00e1rios para qualquer regime que se preste como \u201cdemocr\u00e1tico\u201d. Caso estes direitos n\u00e3o forem atendidos pela via legal, o ser\u00e3o pelas vias de fato. At\u00e9 porque, os agentes \u201cecon\u00f4micos\u201d operando na Amaz\u00f4nia Legal n\u00e3o encontram barreiras de veto e nem repress\u00e3o estatal \u00e0 altura dos crimes por cometidos por estes \u201cilibados empreendedores\u201d. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-634","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/634","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=634"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/634\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11560,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/634\/revisions\/11560"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=634"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=634"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=634"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}