{"id":658,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=658"},"modified":"2023-03-13T21:31:58","modified_gmt":"2023-03-14T00:31:58","slug":"daniel-dantas-o-espetaculo-da-desinformacao-e-a-cegueira-institucional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=658","title":{"rendered":"Daniel Dantas, o espet\u00e1culo da desinforma\u00e7\u00e3o e a cegueira institucional"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/nelio machado.jpg\" title=\"\n\n<p >O advogado de defesa de Daniel Dantas e do Banco Opportunity, N\u00e9lio Machado, fez um verdadeiro com\u00edcio em defesa da liberdade extrema e do descontrole geral sobre os capitais ciruculantes. Segundo ele, o delegado Prot\u00f3genes Queiroz desconhece as estrat\u00e9gias empresariais e o linguajar utilizado. <\/p>\n<p> &#8211; Foto:&#8221; alt=&#8221;<\/p>\n<p >O advogado de defesa de Daniel Dantas e do Banco Opportunity, N\u00e9lio Machado, fez um verdadeiro com\u00edcio em defesa da liberdade extrema e do descontrole geral sobre os capitais ciruculantes. Segundo ele, o delegado Prot\u00f3genes Queiroz desconhece as estrat\u00e9gias empresariais e o linguajar utilizado. <\/p>\n<p> &#8211; Foto:&#8221; class=&#8221;image&#8221;><figcaption class=\"fig-caption\">\n<p >O advogado de defesa de Daniel Dantas e do Banco Opportunity, N\u00e9lio Machado, fez um verdadeiro com\u00edcio em defesa da liberdade extrema e do descontrole geral sobre os capitais ciruculantes. Segundo ele, o delegado Prot\u00f3genes Queiroz desconhece as estrat\u00e9gias empresariais e o linguajar utilizado. <\/p>\n<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >Bruno Lima Rocha<\/p>\n<p >Vila Setembrina dos Farrapos, 6\u00aa 18 de julho de 2008<\/p>\n<p >A pris\u00e3o de Daniel Dantas, a primeira ocorrida no dia 8 de julho implicou uma crise vis\u00edvel no Poder realmente existente no Brasil. Nunca \u00e9 demais ressaltar que Dantas \u00e9 o dono do Banco Opportunity (de investimentos) e operador do caixa das privatiza\u00e7\u00f5es volumosas iniciada no governo Fernando Henrique Cardoso e atualmente \u00e9 piv\u00f4 no imbr\u00f3glio da fus\u00e3o da Oi com a Brasil Telecom. Nesta grande operadora surgida com a fratira do Sistema Telebr\u00e1s (estatal), \u00e9 onde ele tinha sociedade e rivalidade de controle com o CitiGroup e a Telecom It\u00e1lia, cuja diretoria por sinal responde processo pesado na It\u00e1lia. Por outro lado, apresenta ao p\u00fablico receptor uma complexidade organizacional que escapa da compreens\u00e3o da maioria daqueles que se atrevem a tentar entender e se posicionar quanto aos acontecimentos. A crise \u00e9 intra elites, e respeita o modelo da baixaria ampla, total e irrestrita dos saques sistem\u00e1ticos que acompanharam as \u201cprivatiza\u00e7\u00f5es modernizantes\u201d na Am\u00e9rica Latina, seguindo o padr\u00e3o de Salinas de Gortari (M\u00e9xico); Alberto Fujimori (Peru); e do imbat\u00edvel Carlos Saul Menem (Argentina). <\/p>\n<p >A dificuldade de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 porque dificilmente se explicam fatores \u00f3bvios. Um deles \u00e9 a cegueira institucional. Se um consumidor qualquer gasta um pouco mais no cart\u00e3o de cr\u00e9dito, a operadora nos telefona e questiona, desconfiando que o cart\u00e3o possa ter sido clonado ou roubado. O mesmo ocorre com cheques que movimentam um valor m\u00e9dio acima da quantia que este correntista costuma movimentar. N\u00e3o h\u00e1 explica\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel al\u00e9m da sujeira e do privil\u00e9gio. No caso do cidad\u00e3o como indiv\u00edduo consumidor no capitalismo, h\u00e1 vigil\u00e2ncia. Em se tratando de grandes operadores de fundos de moeda digital, a\u00ed o Estado e o sistema banc\u00e1rio fica cego!?<\/p>\n<p >Um fundo de investimento que trabalha no off shore \u00e9 uma montanha volumosa de dinheiro, que tem correspond\u00eancia na riqueza material produzida em sociedade, circula atrav\u00e9s de infovias digitais e fica depositado nos chamados \u201cpara\u00edsos fiscais\u201d. Os para\u00edsos s\u00e3o \u201cparadis\u00edacos\u201d porque cobram pouca ou nenhuma taxa para os valores que entram e saem de um pa\u00eds ou col\u00f4nia, como \u00e9 o caso das Ilhas Cayman, Bahamas e o vizinho Uruguai. A\u00ed temos algumas possibilidades quanto \u00e0 origem e trajeto dos fundos operados por tubar\u00f5es do sistema financeiro como Dantas e Naji Nahas, maior doleiro operando no Brasil e que tamb\u00e9m foi em cana e logo saiu com as b\u00ean\u00e7\u00e3os da Suprema Corte.<\/p>\n<p >1) O dinheiro tem origem l\u00edcita e foi movimentado vindo de contas l\u00edcitas compat\u00edveis com os rendimentos m\u00e9dios de cada investidor. Mesmo com origem l\u00edcita, estes valores n\u00e3o pagam o devido valor de imposto, at\u00e9 porque saem do pa\u00eds sem ser taxados. A lei brasileira n\u00e3o permite que residentes no pa\u00eds apliquem em fundos off shore, n\u00e3o importando a origem da fonte. <\/p>\n<p >2) O dinheiro tem origem il\u00edcita e prov\u00e9m de desvios de fundos p\u00fablicos ou ent\u00e3o de dinheiro n\u00e3o pass\u00edveis de serem declarados. Neste caso, o dinheiro opera como fator de corrup\u00e7\u00e3o dos recursos do Estado e toma a infovia do mega operador off shore para se \u201clegalizar\u201d perante o sistema financeiro globalizado que tamb\u00e9m n\u00e3o paga imposto e n\u00e3o declara a titularidade dos correntistas e aplicadores.<\/p>\n<p >3) Os chamados doleiros entram na lavagem, remessa e envio. O d\u00f3lar, como moeda aceita em todo o planeta, torna-se um investimento seguro, tal como j\u00e1 o foi o padr\u00e3o ouro ou a troca de diamantes em regi\u00f5es de fronteira. Remessas ilegais e dolarizadas podem se dar atrav\u00e9s de contas de tipo CC5, onde se deposita em reais e o equivalente at\u00e9 US$ 10.000 n\u00e3o precisa ser identificada fora a titularidade da conta. Outra troca poss\u00edvel \u00e9 a compensa\u00e7\u00e3o em d\u00f3lar de valores em reais, em esp\u00e9cie ou via transfer\u00eancia eletr\u00f4nica. Caso muito comum em zonas de fronteira, uma \u201cempresa\u201d legal ou paralegal aplica em reais e a quantia equivalente em d\u00f3lares fica garantida em uma conta banc\u00e1ria \u2013 com dep\u00f3sito em d\u00f3lares, por exemplo, em alguma casa banc\u00e1ria de Punta del Este ou Montevid\u00e9u; ou na tr\u00edplice fronteira Foz do Igua\u00e7u \u2013 Iguazu \u2013 Ciudad del Este. <\/p>\n<p >4) Nos casos de entrada de fundos off shore no pa\u00eds, como as regras do Banco Central favorecem os investidores estrangeiros, quando um fundo de capitais brasileiros que sa\u00edram sem pagar o devido imposto (evas\u00e3o de divisas e sonega\u00e7\u00e3o fiscal), entra de volta no pa\u00eds como fonte de investimento, mesmo sendo proibida para residentes no Brasil (gest\u00e3o fraudulenta). Nenhum brasileiro residente (ou naturalizado residente) pode investir no pa\u00eds como \u201cestrangeiro\u201d. Portanto os off shore com titularidade de nacionais n\u00e3o podem compor cons\u00f3rcios nem participar do mercado de a\u00e7\u00f5es ou da ciranda financeira nacional. Como entram na figura de \u201cfundos estrangeiros\u201d, nada lhes acontece. <\/p>\n<p >5) Nas grandes opera\u00e7\u00f5es de compra, fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es do patrim\u00f4nio p\u00fablico ou ataques \u00e0s empresas m\u00e9dias visando a concentra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, entra o Estado que \u201cempresta\u201d dinheiro a fundo perdido. Na maior parte das vezes, como na fus\u00e3o da Brasil Telecom com a Oi, na verdade a compra pelo cons\u00f3rcio Telemar dos esp\u00f3lios da Brasil Telecom, a origem das verbas vem quase sempre do caixa federal. A gest\u00e3o fraudulenta pode ser atrav\u00e9s de \u201cempr\u00e9stimos\u201d do Banco do Brasil; do BNDES ou da composi\u00e7\u00e3o nos cons\u00f3rcios dos fundos de previd\u00eancia de servidores. Estes fundos operam em torno de R$ 700 bilh\u00f5es ano (cerca de R$ 350 bilh\u00f5es de d\u00f3lares) e s\u00e3o usados de forma discricion\u00e1ria, atrav\u00e9s de \u201cgestores\u201d de confian\u00e7a dos cons\u00f3rcios interessados e com enlaces nos governos de turno.<\/p>\n<p >6) Ainda mais grave \u00e9 o fato de que \u00f3rg\u00e3os supostamente controladores do capitalismo brasileiro nunca tenham visto nada. A Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios (CVM) teria de fiscalizar movimenta\u00e7\u00e3o em bolsa; o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), \u00f3rg\u00e3o do Minist\u00e9rio da Fazenda deveria fiscalizar e operar como unidade de intelig\u00eancia financeira vigilante sobre a lavagem de dinheiro; o Conselho Administrativo de Defesa Econ\u00f4mica (CADE), \u00f3rg\u00e3o do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a deveria justamente fiscalizar as fus\u00f5es e tentar brecar a concentra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. O caso mais absurdo \u00e9 o da fus\u00e3o da Brahma com a Antarctica, que gerou a Ambev e depois os operadores do Banco Garantia, controladores da ent\u00e3o maior cervejaria do Brasil, a vendeu para o controle dos belgas da Interbrew, gerando a Imbev e desnacionalizando a cadeia da cerveja; o pr\u00f3prio Banco Central que disse apenas \u201cfiscalizar\u201d as pessoas jur\u00eddicas e n\u00e3o os operadores individuais, correntistas e aplicadores. Ou seja, \u00e9 uma seq\u00fc\u00eancia de cegueira sist\u00eamica, fato esse que n\u00e3o \u00e9 pass\u00edvel de cren\u00e7a por nenhum brasileiro.<\/p>\n<p >J\u00e1 dizia o informante do Caso Watergate. Siga o dinheiro e ter\u00e1s as autorias. Se quem exerce a fun\u00e7\u00e3o de seguir o dinheiro e n\u00e3o o segue, ent\u00e3o ningu\u00e9m segue e nada acontece. Quando se promove uma investiga\u00e7\u00e3o de vulto e monta, como as opera\u00e7\u00f5es Chacal (outubro de 2004) e Satiagraha (julho de 2008) \u2013 de desmonte, por parte da Pol\u00edcia Federal, de uma for\u00e7a de espionagem industrial operando sobre governos eleitos e autoridades dos poderes constitu\u00eddos &#8211; os benef\u00edcios da lei que asseguram o Direito (justo e leg\u00edtimo) da ampla defesa, o constrangimento sobre os operadores da lei s\u00e3o mais fortes do que a press\u00e3o legal sobre os cors\u00e1rios da ciranda digital. Como cors\u00e1rios, a forma de coa\u00e7\u00e3o e de \u201cconcorr\u00eancia\u201d empresarial implica em a\u00e7\u00f5es de tipo tr\u00e1fico de influ\u00eancia; chantagem; corrup\u00e7\u00e3o ativa; coa\u00e7\u00e3o; espionagem industrial e infiltra\u00e7\u00e3o no aparelho de Estado. Sobre este tema, que \u00e9 o irm\u00e3o g\u00eameo das aventuras de capitalismo financeiro, abordo em nota seguinte. <\/p>\n<p >Enquanto a Pol\u00edcia Federal explicita suas diverg\u00eancias e rachas internos, a m\u00eddia nacional esfria o tema Daniel Dantas, o leitor mediano pouco ou nada compreendeu porque dele ter sido preso. E, em plena cal\u00e7ada, o advogado de defesa do Opportunity, N\u00e9lio Machado, faz com\u00edcio na frente do PF Hilton, a sede da Superintend\u00eancia da Pol\u00edcia Federal <st1:PersonName ProductID=\"em S\u00e3o Paulo\" w:st=\"on\">em S\u00e3o Paulo<\/st1:PersonName>, defendendo as estrat\u00e9gias empresariais como fundamentais para o desenvolvimento do pa\u00eds. O pa\u00eds de quem? <\/p>\n<p ><a href=\"http:\/\/www.claudemirpereira.com.br\/artigo.aspx?codigo=460\">Este artigo<\/a> foi originalmente publicado no portal do jornalista <a href=\"http:\/\/www.claudemirpereira.com.br\/\">Claudemir Pereira<\/a>. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-658","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/658","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=658"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/658\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11540,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/658\/revisions\/11540"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=658"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=658"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=658"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}