{"id":666,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=666"},"modified":"2023-03-13T21:32:05","modified_gmt":"2023-03-14T00:32:05","slug":"ccs-municiparios-e-o-choque-de-lealdades-coluna-da-voto-agosto-de-2008","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=666","title":{"rendered":"CCs, municip\u00e1rios e o choque de lealdades (coluna da Voto, agosto de 2008)"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sala_presidente.jpg\" title=\"\n\n<p >A mosca azul ao alcance de quase todos se materializa no poder simb\u00f3lico de um escrit\u00f3rio, com poltronas, cadeiras e mesas. Algum or\u00e7amento e uma ou duas indica\u00e7\u00f5es completam o pacote da anti-pol\u00edtica. <\/p>\n<p> &#8211; Foto:&#8221; alt=&#8221;<\/p>\n<p >A mosca azul ao alcance de quase todos se materializa no poder simb\u00f3lico de um escrit\u00f3rio, com poltronas, cadeiras e mesas. Algum or\u00e7amento e uma ou duas indica\u00e7\u00f5es completam o pacote da anti-pol\u00edtica. <\/p>\n<p> &#8211; Foto:&#8221; class=&#8221;image&#8221;><figcaption class=\"fig-caption\">\n<p >A mosca azul ao alcance de quase todos se materializa no poder simb\u00f3lico de um escrit\u00f3rio, com poltronas, cadeiras e mesas. Algum or\u00e7amento e uma ou duas indica\u00e7\u00f5es completam o pacote da anti-pol\u00edtica. <\/p>\n<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p>Bruno Lima Rocha<\/p>\n<p><font face=Arial>Os munic\u00edpios brasileiros vivem seu momento pol\u00edtico de maior tens\u00e3o. E, no olho do furac\u00e3o, est\u00e3o os sindicatos de municip\u00e1rios. Ofertas de composi\u00e7\u00e3o eleitoral, participa\u00e7\u00e3o em campanhas e promessas de trabalho no futuro pr\u00f3ximo pairam sobre a base sindicalizada. S\u00e3o formas de desmobiliza\u00e7\u00e3o desta categoria, tentando alici\u00e1-la para algum projeto de poder vindo das elei\u00e7\u00f5es e n\u00e3o da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7a do sindicato na sociedade local. Uma delas \u00e9 a figura do cargo em comiss\u00e3o, ou cargo de confian\u00e7a, tamb\u00e9m conhecido como CC. <\/p>\n<p >Uma das demandas dos servidores p\u00fablicos municipais \u00e9 o plano de cargos e sal\u00e1rios. O desejo de uma carreira progressiva \u00e9 algo necess\u00e1rio para motivar todo trabalhador. Quando este se organiza, a id\u00e9ia toma corpo de plataforma coletiva. A quebra de lealdades se d\u00e1 na perspectiva de que existe um caminho mais f\u00e1cil e de solu\u00e7\u00e3o individual. <\/p>\n<p >Qualquer conquista direta, como uma reposi\u00e7\u00e3o salarial de 15%, \u00e9 sempre uma via crucis. Implica em risco, perder ponto, ser repreendido, transferido do local de trabalho, fazer greve, organizar protestos, se arriscar a pris\u00e3o ou viol\u00eancia estatal e paira a possibilidade de n\u00e3o se arrancar nada. Por outro lado, a figura do CC est\u00e1 ali, de corpo presente, ganhando essa diferen\u00e7a a mais e sem os custos de a\u00e7\u00e3o coletiva da base sindicalizada. Refor\u00e7ando o comportamento individualista, o cargo esse \u00e9 de \u201cconfian\u00e7a\u201d de quem o indicou e n\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico local. Imaginem a d\u00favida na mente de um sindicalizado: \u201ceu me dedico, me organizo, e o fulano a\u00ed do lado, se relaciona bem, e ocupa posi\u00e7\u00e3o superior a minha!\u201d <\/p>\n<p >Mesmo em cidades populosas, a tend\u00eancia das pessoas da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00e9 se conhecer. Para subir por dentro de forma individual, \u00e9 preciso saber a quem conhecer e com quem se indispor. As redes de rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o fundamentais para todos os tipos de atividades. Como j\u00e1 afirmei em edi\u00e7\u00f5es passadas, \u00e9 nas elei\u00e7\u00f5es municipais quando as pr\u00e1ticas pol\u00edticas se aproximam do cidad\u00e3o comum. \u00c9 quando jogam com peso em dobro as rela\u00e7\u00f5es pessoais, os graus de parentesco, amizades e antipatias pouco ou nada explic\u00e1veis e favores devidos ou em falta. <\/p>\n<p >Torna-se vis\u00edvel a mobiliza\u00e7\u00e3o nesse per\u00edodo em contraste com outros meses. E o motor da efervesc\u00eancia eleitoral s\u00e3o aqueles cidad\u00e3os que alimentam a sociabilidade permanente. Na interna do aparelho de Estado local, quem mais agita \u00e9 alvo preferencial de tentativa de aliciamento. Quem conhece uma dire\u00e7\u00e3o sindical de municip\u00e1rios sabe o perfil. Gente simples, muitas secret\u00e1rias de escola, merendeiras, pessoal do setor de servi\u00e7os e obras, e quando a categoria tem unidade, existe representa\u00e7\u00e3o \u00fanica incluindo os servidores da sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, uma diretoria acaba sendo levada por dois ou tr\u00eas abnegados. Basta que um deles acredite ou pactue com a promessa de CC ou FG para quebrar a espinha dorsal da entidade. Se sair para vereador ent\u00e3o, o impacto \u00e9 maior. <\/p>\n<p >O aliciamento \u00e9 um rem\u00e9dio infal\u00edvel contra a organiza\u00e7\u00e3o coletiva. Cansei de ver municip\u00e1rios com boas dire\u00e7\u00f5es sindicais, mas cuja maioria de diretores era do mesmo partido do prefeito. Resultado corriqueiro, o prefeito se reelege, mas a diretoria perde a elei\u00e7\u00e3o sindical. Se um ex-diretor, logo ap\u00f3s a derrota, aceita uma fun\u00e7\u00e3o gratificada (FG) na prefeitura, anos de credibilidade constru\u00edda j\u00e1 \u00e9 posta <st1:PersonName ProductID=\"em d\u00favida. Por\" w:st=\"on\">em d\u00favida. Por<\/st1:PersonName> outro lado, quem se mant\u00e9m na independ\u00eancia de classe, tem maiores chances de se manter a frente de sua categoria. S\u00e3o escolhas a ser feitas. <\/p>\n<p ><a href=\"http:\/\/www.revistavoto.com.br\/visualiza_artigo.php?id=94\">Este artigo<\/a> foi originalmente publicado na <a href=\"http:\/\/www.revistavoto.com.br\/\">Revista Voto<\/a>, Ano 4, No. 46, Agosto de 2008, na p\u00e1gina 70.<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-666","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/666","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=666"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/666\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11546,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/666\/revisions\/11546"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=666"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=666"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=666"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}