{"id":697,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=697"},"modified":"2023-03-13T21:23:48","modified_gmt":"2023-03-14T00:23:48","slug":"xadrez-de-bombacha-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=697","title":{"rendered":"Xadrez de Bombacha &#8211; 3"},"content":{"rendered":"<p>02\/09\/2005, Viam\u00e3o \/ RS <\/p>\n<p>Com o presente artigo, completamos a trilogia chamada Xadrez de Bombacha. Foi apresentado o mapa das atuais for\u00e7as pol\u00edticas do Rio Grande do Sul. Seguimos um par\u00e2metro da an\u00e1lise pol\u00edtica, optando por apresentar o panorama da direita para a esquerda. Os artigos 1 e 2 analisaram especificamente a disputa eleitoral. Neste, avaliamos as poss\u00edveis conseq\u00fc\u00eancias destes movimentos no \u201cxadrez\u201d das lutas sociais ga\u00fachas. <\/p>\n<p>Ol\u00edvio Dutra ser\u00e1, com quase certeza, o pr\u00f3ximo presidente estadual do PT-RS. Dificilmente o ex-governador ser\u00e1 batido no Processo de Elei\u00e7\u00e3o Direta (PED). Mesmo porque a ala direita do partido, chamada de Amplo e Democr\u00e1tico, est\u00e1 com moral baixa. Com Tarso derrotado na interna do Campo Majorit\u00e1rio, seu candidato para o diret\u00f3rio estadual, Estilac Xavier, vai concorrer apenas para marcar posi\u00e7\u00e3o. Dificilmente a direita do PT ga\u00facho vai coordenar uma manobra de envergadura para ganhar o PED estadual. Se planejam repetir algum esquema, guardar\u00e3o as for\u00e7as para as pr\u00e9vias de 2006. Com Ol\u00edvio \u00e0 frente, o panorama da milit\u00e2ncia de esquerda volta a gravitar em torno das propostas social-democratas. <\/p>\n<p>Ap\u00f3s 25 anos de lutas legais e em nome da cidadania, \u00e9 dif\u00edcil um discurso e pr\u00e1tica classista voltar a empolgar. Esse \u00e9 o debate na interna da Via Campesina, conjunto de movimentos camponeses que tem o MST como carro-chefe. Seus dirigentes temem que as fam\u00edlias assentadas, acampadas e os pequenos-agricultores n\u00e3o tenham ainda o grau de compreens\u00e3o necess\u00e1rio para fazer luta pol\u00edtica fora do jogo eleitoral. Isto se d\u00e1 justo no Movimento Sem-Terra, onde sua coordena\u00e7\u00e3o estadual, alinhada com a proposta do Consulta Popular, est\u00e1 querendo ir para a extrema-esquerda. Inclusive, j\u00e1 deixaram transparecer que n\u00e3o v\u00e3o lan\u00e7ar ningu\u00e9m para a Assembl\u00e9ia nem para o Congresso. <\/p>\n<p>O MST tem por h\u00e1bito indicar um deputado estadual e um federal. Na atual legislatura, os parlamentares org\u00e2nicos do Movimento s\u00e3o os deputados estadual Frei S\u00e9rgio e o j\u00e1 hist\u00f3rico federal, Ad\u00e3o Pretto. Em 2002 tiveram um trauma interno, quando o ent\u00e3o deputado estadual org\u00e2nico do MST, Dion\u00edlson Marcon, se recusou a voltar para a base e se lan\u00e7ou por conta pr\u00f3pria para a reelei\u00e7\u00e3o. Marcon foi eleito, junto com Frei S\u00e9rgio, mas acabou \u201cfritado\u201d com os Sem-Terra. \u00c9 bem prov\u00e1vel que em 2006 o MST do Rio Grande n\u00e3o lance ningu\u00e9m para deputado, seja estadual ou federal. Mas, para a elei\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria, termine por fazer acordo com o PT. Isto \u00e9, aliviar as ocupa\u00e7\u00f5es de terra no segundo semestre de 2006 e pregar voto \u00fatil em Ol\u00edvio para governador. <\/p>\n<p>Caso isso aconte\u00e7a, devem at\u00e9 passar por cima das diferen\u00e7as com os setores camponeses mais brandos, como a Fetraf-Sul e a Fetag. Esta \u00faltima, est\u00e1 aliada aos fazendeiros da Farsul e defende abertamente o uso de transg\u00eanicos. O deputado federal Paulo Pimenta os ap\u00f3ia, atuando como seu representante no Congresso. <\/p>\n<p>Quando a Via Campesina recua uma casa, a ala esquerda da Igreja Cat\u00f3lica pula mais duas. Segundo pesquisa interna no clero brasileiro, n\u00e3o chega a 18% o total dos religiosos cat\u00f3licos que hoje se declaram de esquerda. Destes, apenas 4% s\u00e3o militantes e defendem uma op\u00e7\u00e3o integral pelas vias mais combativas, a exemplo do clero de El Salvador, Nicar\u00e1gua e Guatemala nos anos \u201980. Seu espa\u00e7o de di\u00e1logo s\u00e3o os servi\u00e7os e pastorais sociais vinculados aos movimentos populares. CPT, Pastoral Oper\u00e1ria, Pastoral Afro e pastorais de fronteira, em seu \u00e2mbito interno, debatem uma op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o-eleitoral. Mas, se a Via Campesina n\u00e3o puxar esta sa\u00edda, o clero n\u00e3o se mexe por conta pr\u00f3pria. Como agravante, Ol\u00edvio Dutra \u00e9 o nome consensual da ala militante da Igreja Cat\u00f3lica no Rio Grande do Sul. Sua figura \u00e9 respeitada e o estilo de vida muito admirado. Os militantes das bases de pastorais n\u00e3o v\u00e3o ignorar um dos seus. Por extens\u00e3o, esta an\u00e1lise vale para os setores militantes de outras igrejas crist\u00e3s, como luteranos e metodistas. <\/p>\n<p>Se no campo a presen\u00e7a de Ol\u00edvio Dutra alinha a esquerda indecisa de volta para o PT, na cidade o fen\u00f4meno \u00e9 mais forte. No meio sindical, PSTU e PSOL disputam a hegemonia da esquerda. Para acumularem for\u00e7as, seria importante uma op\u00e7\u00e3o organizativa \u00fanica. Mas, como o PSOL n\u00e3o entra no guarda-chuva sindical do PSTU, a Conlutas, ambos partidos trotsquistas dedicam parte de suas energias em disputas entre eles. Assim, quem vai ganhando as elei\u00e7\u00f5es sindicais importantes \u00e9 a central governista, CUT, a governista Articula\u00e7\u00e3o Sindical \u00e0 frente. Em 2006, esta disputa acirra mais. Ambos partidos peleiam as mesmas bases sindicais e estudantis, e v\u00e3o em busca do mesmo eleitorado. Com mais m\u00eddia gra\u00e7as ao seus parlamentares em Bras\u00edlia, e tendo discurso mais pot\u00e1vel, o PSOL deve sair vitorioso. Vai se afirmando como a alternativa de partido para a esquerda eleitoral. <\/p>\n<p>Caso o Consulta Popular n\u00e3o se afirme, a extrema-esquerda ga\u00facha ter\u00e1 apenas uma express\u00e3o pol\u00edtica. No estado existem tr\u00eas movimentos populares urbanos com alguma relev\u00e2ncia. O Movimento Nacional de Catadores de Material Recicl\u00e1vel (MNCR), a Resist\u00eancia Popular (RP) e o Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD). Os dois \u00faltimos organizam setores de periferia, vilas e desempregados, enquanto o MNCR articula os catadores de lixo. Trabalham com gente que, em sua maioria, vive em situa\u00e7\u00e3o de risco e praticam uma linha bastante dura. MNCR e RP s\u00e3o hegemonizados pela Federa\u00e7\u00e3o Anarquista Ga\u00facha (FAG) e s\u00e3o a pedra no sapato de muitas prefeituras da Regi\u00e3o Metropolitana. Entre outubro de 2003 e dezembro de 2004 ambos movimentos promoveram em Porto Alegre e cidades vizinhas, uma luta de rua a cada 40 dias. O MTD tem orienta\u00e7\u00e3o da Articula\u00e7\u00e3o de Esquerda (AE) e da Pastoral Oper\u00e1ria e tamb\u00e9m atua muito. Se os quadros da Via Campesina sa\u00edssem do PT, estes movimentos urbanos fariam uma alian\u00e7a mais firme, respaldada pelas respectivas organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Conforme j\u00e1 dissemos, a presen\u00e7a de Ol\u00edvio Dutra tr\u00e1s muita gente de volta para a disputa eleitoral, isola a extrema-esquerda e \u201clegaliza\u201d a luta social. Caso contr\u00e1rio, o Rio Grande ia viver tempos mais duros, aproximando a luta social dos n\u00edveis de intensidade da Argentina atual. <\/p>\n<p>\u00c9 interessante observar a posi\u00e7\u00e3o das for\u00e7as empresariais ga\u00fachas. Fiergs, Farsul, Federasul e os grupos de comunica\u00e7\u00e3o, com a RBS \u00e0 frente, ficam de cabelo em p\u00e9 com a hip\u00f3tese de Ol\u00edvio voltar ao governo. Nos bastidores confessam o contr\u00e1rio. Preferem o \u201cbigode\u201d no Pal\u00e1cio Piratini do que os barbudos do Jo\u00e3o Pedro (o St\u00e9dile) e seus aliados da cidade nas ruas. Sem o PT, o subsistema pol\u00edtico ga\u00facho embaralha de vez, e talvez se radicalize. Uma elite s\u00e1bia, sobrevivente a duas guerras civis estaduais (1893 e 1923), vai evitar isso ao m\u00e1ximo. Mesmo que tenha de aturar a estrela de volta. <\/p>\n<p>Artigo originalmente publicado no Blog de Ricardo Noblat <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>02\/09\/2005, Viam\u00e3o \/ RS Com o presente artigo, completamos a trilogia chamada Xadrez de Bombacha. Foi apresentado o mapa das atuais for\u00e7as pol\u00edticas do Rio Grande do Sul. Seguimos um par\u00e2metro da an\u00e1lise pol\u00edtica, optando por apresentar o panorama da direita para a esquerda. Os artigos 1 e 2 analisaram especificamente a disputa eleitoral. 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