{"id":704,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=704"},"modified":"2023-03-13T21:22:44","modified_gmt":"2023-03-14T00:22:44","slug":"cpi-do-banestado-quando-lula-perdeu-sua-melhor-chance","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=704","title":{"rendered":"CPI do Banestado, quando Lula perdeu sua melhor chance"},"content":{"rendered":"<p >Viam\u00e3o\/RS, 14\/10\/2005<\/p>\n<p >\u201cLagarto <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>que sai da <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>toca \/ quer chumbo diz o ditado.\u201d Estes versos de Pedro Orta\u00e7a, cantor e pajador de S\u00e3o Luiz Gonzaga, ber\u00e7o da Rep\u00fablica Guarani e civiliza\u00e7\u00e3o missioneira, refletem em sua simplicidade, um princ\u00edpio b\u00e1sico da estrat\u00e9gia. Havendo oportunidade, os combates devem <st2:hm>ser<\/st2:hm> r\u00e1pidos, a vit\u00f3ria fulminante e com o menor custo poss\u00edvel. O governo Lula teve esta oportunidade, de <st2:hdm>liquidar<\/st2:hdm> e <st2:hm>fazer<\/st2:hm> <st2:hm>calar<\/st2:hm> a seus opositores pol\u00edticos. A batalha, que n\u00e3o houve, era contra o PFL e seu aliado, o PSDB. O momento foi a CPI do Banestado, o ano o de 2003, auge do capital pol\u00edtico e popularidade de Lu\u00eds In\u00e1cio.<\/p>\n<p >Naquela <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>conjuntura, o Planalto preferiu <st2:hm>negociar<\/st2:hm> a <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia, transformando em pizza mais um esc\u00e2ndalo de evas\u00e3o de divisas do pa\u00eds. Afastou o delegado Jos\u00e9 Francisco de Castilho Neto e sua elogiad\u00edssima equipe de peritos e agentes. Estes federais ganharam o respeito rastreando o caminho do dinheiro, indo <st2:hm>investigar<\/st2:hm> nos Estados Unidos. O pr\u00eamio ao retornarem para o pa\u00eds, foi o descr\u00e9dito e a geladeira. Lula tinha a faca e o queijo na m\u00e3o, mas escolhera mal seus executores, pois fez alian\u00e7as por dentro do mundo policial com o grupo anterior. E, s\u00f3 para <st2:hm>manter<\/st2:hm> o padr\u00e3o de sua trajet\u00f3ria pol\u00edtica, hesitou em <st2:hdm>atirar<\/st2:hdm> na hora certa. Dois anos depois, chora a chance perdida e v\u00ea tudo <st2:hm>ruir<\/st2:hm>. <\/p>\n<p >Na frente operacional, escolheu um grupo de confian\u00e7a continu\u00edsta. A <st2:hm>come\u00e7ar<\/st2:hm> pelo diretor-geral (D-G) da Pol\u00edcia Federal (PF), indicado pelo ministro da Justi\u00e7a M\u00e1rcio Thomaz Bastos e respaldado pelo PFL. O delegado Paulo Lacerda, atual D-G, \u00e9 mais um dos federais fi\u00e9is ao grupo de Romeu Tuma, sendo que o pr\u00f3prio Lacerda fora assessor <st2:hdm>parlamentar<\/st2:hdm> de Tuma por longos seis anos. A gest\u00e3o e presen\u00e7a de Romeu Tuma \u00e9 um divisor de \u00e1guas dentro da mais respeitada e capaz institui\u00e7\u00e3o policial do pa\u00eds. O ex-diretor do DOPS de S\u00e3o Paulo deparou-se, h\u00e1 20 anos atr\u00e1s, com uma PF civil, judici\u00e1ria, altamente operacional, em vias de sindicaliza\u00e7\u00e3o e com ideologia constitucionalista. Para amparar-se, apoiou-se num trip\u00e9: &#8211; as prerrogativas dos militares; &#8211; a lealdade ao Pal\u00e1cio do Planalto; &#8211; a cobertura aos delegados da velha guarda. Boa parte dos conflitos internos da PF t\u00eam a\u00ed sua origem. <\/p>\n<p >Para <st2:hm>culminar<\/st2:hm> os erros, a lealdade da PF n\u00e3o foi inteiramente garantida. Muito em fun\u00e7\u00e3o de dois movimentos do <st2:hm>titular<\/st2:hm> do MJ. O primeiro foi a demiss\u00e3o, ainda em 2003, de Lu\u00eds Eduardo Soares, homem com tr\u00e2nsito nas federa\u00e7\u00f5es e sindicatos de peritos e agentes, e apoiador destes servidores na <?xml:namespace prefix = st3 ns = \"schemas-houaiss\/dicionario\" \/><st3:sinonimos>mudan\u00e7a<\/st3:sinonimos> da Lei Org\u00e2nica, que rege a Pol\u00edcia Federal. Caso a altera\u00e7\u00e3o fosse aprovada, a PF teria implantado o modelo do FBI, com academia e cargo inicial \u00fanicos. Seria o fim dos poderes atribu\u00eddos aos delegados, completando a medida iniciada com a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, que j\u00e1 retirara destes o <st2:hm>poder<\/st2:hm> de <st2:hdm>prender<\/st2:hdm> para averigua\u00e7\u00e3o. A segunda foi o <st3:sinonimos>endurecimento<\/st3:sinonimos> na greve dos agentes, papiloscopistas e peritos federais, iniciada em abril de 2004. Com a derrota do movimento grevista da PF, os setores mais ativos da corpora\u00e7\u00e3o se distanciam do governo, entregando-o \u00e0 pr\u00f3pria sorte. Lula fica \u00e0 merc\u00ea da vontade pol\u00edtica da dupla Romeu Tuma e Paulo Lacerda, e seu corpo de diretores, superintendentes e delegados leais aos \u201cvelhos tempos\u201d.<\/p>\n<p >N\u00e3o por acaso, a montagem do flagrante nos Correios partiu da ABIN. Se fosse apenas um caso de corrup\u00e7\u00e3o, uma sindic\u00e2ncia aberta e posteriores investiga\u00e7\u00f5es da PF resolveriam o assunto. Com o flanco operacional desguarnecido, puseram a bomba rel\u00f3gio chamada Maur\u00edcio Marinho no colo de Roberto Jefferson. Este, ao ver-se abandonado pelo ent\u00e3o chefe de governo Jos\u00e9 Dirceu, a atira de volta. A <st2:hm>partir<\/st2:hm> da\u00ed a hist\u00f3ria j\u00e1 \u00e9 mais do que conhecida. <\/p>\n<p >Voltando ao flanco pol\u00edtico, especificamente ao Congresso e a CPI do Banestado, observamos o seguinte. Sem vontade pol\u00edtica para <st2:hm>apurar<\/st2:hm>, com medo de <st2:hm>desagradar<\/st2:hm> ao sistema <st3:sinonimos>financeiro<\/st3:sinonimos>, <st3:sinonimos>apavorado<\/st3:sinonimos> com a hip\u00f3tese de <st2:hm>p\u00f4r<\/st2:hm> grandes institui\u00e7\u00f5es em rota de colis\u00e3o com o Banco Arauc\u00e1ria e o Banestado na gest\u00e3o do governador Jaime Lerner (PFL-PR), a maioria do governo concorda em <st2:hm>arquivar<\/st2:hm> a CPI. Vale <st2:hdm>lembrar<\/st2:hdm>, investiga\u00e7\u00f5es preliminares indicaram um desvio de mais de US$ 30 bilh\u00f5es de d\u00f3lares entre roubo aos cofres p\u00fablicos e evas\u00e3o de divisas atrav\u00e9s das famosas CC-5. Ainda assim, Sarney e Mercadante prepararam a pizza. Dois anos depois, os ventos mudaram e a pizza azedou. Tivessem emparedado o senador Bornhausen (PFL\/SC), este teria renunciado e n\u00e3o partido para cima do governo, conforme o mesmo declarou, disposto \u201ca <st2:hm>acabar<\/st2:hm> com essa ra\u00e7a petista\u201d. <\/p>\n<p >Vale <st2:hdm>lembrar<\/st2:hdm>, em 2003, o governo Lula tinha um rolo compressor no Congresso. Para <st2:hdm>demarcar<\/st2:hdm> o terreno da rinha, uma esporada precisa alcan\u00e7ava. N\u00e3o precisaria nem <st2:hm>ressuscitar<\/st2:hm> investiga\u00e7\u00f5es arquivadas no governo FHC, tais como: a compra de votos para a emenda da reelei\u00e7\u00e3o; a fraude no leil\u00e3o do Sistema Telebr\u00e1s, conhecido como o grampo do BNDES; a CPI do sistema <st3:sinonimos>financeiro<\/st3:sinonimos>, quando Salvatore Cacciola pagou o pato sozinho por mais de 1.200 pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas que lucraram, e muito, com a desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real; isso sem <st2:hdm>falar<\/st2:hdm> em privatiza\u00e7\u00f5es escandalosas como a da Cia. Vale do Rio Doce. Bastava um tiro e este n\u00e3o foi dado.<\/p>\n<p >Um dos problemas da \u201cesquerda\u201d, quando ela se posiciona mais \u00e0 direita, \u00e9 o fato desta nova fra\u00e7\u00e3o de classe dirigente, <st2:hm>tentar<\/st2:hm> se <st2:hm>confundir<\/st2:hm> e <st2:hm>entrosar<\/st2:hm> com a direita org\u00e2nica. Os operadores pol\u00edticos do governo podem <st2:hm>querer<\/st2:hm> <st2:hm>fazer<\/st2:hm> parte do time, mas destes, s\u00f3 Palocci entrou <st3:sinonimos>pra<\/st3:sinonimos> <st2:hm>valer<\/st2:hm> no clube dos eleitos e favoritos. Os demais s\u00e3o uma moda passageira, que ao primeiro descuido, ser\u00e3o combatidos com a tenacidade de sempre. A equipe de Lula e Dirceu confundiu-se com a direita, lavando o discurso, rebaixando a plataforma e at\u00e9 adotando alguns de seus m\u00e9todos. S\u00f3 esqueceu o principal, <st2:hm>assegurar<\/st2:hm> a vit\u00f3ria quando esta cai de madura.<\/p>\n<p >Tamanha displic\u00eancia em um governo com pol\u00edticos t\u00e3o experientes, recheado de ex-guerrilheiros, \u00e9 quase inexplic\u00e1vel. Basta <st2:hm>recordar<\/st2:hm> o que fez Jos\u00e9 Serra em 2002 para <st2:hm>entender<\/st2:hm> o que dizemos. Com um tiro certeiro, Serra tirou a aliada Roseana Sarney do p\u00e1reo. Bastou <st2:hm>rosnar<\/st2:hm> para os correligion\u00e1rios Paulo Renato e Tasso Jereissati e os dois tiraram o time de campo. A CPI do Banestado foi a batalha que o governo Lula abdicou de <st2:hdm>ganhar<\/st2:hdm>. Agora amarga a mazela de <st2:hdm>esvair<\/st2:hdm> em sangue, pouco a pouco, aguardando um prov\u00e1vel funeral em 2006.<\/p>\n<p >Artigo originalmente publicado no site do Noblat <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viam\u00e3o\/RS, 14\/10\/2005 \u201cLagarto que sai da toca \/ quer chumbo diz o ditado.\u201d Estes versos de Pedro Orta\u00e7a, cantor e pajador de S\u00e3o Luiz Gonzaga, ber\u00e7o da Rep\u00fablica Guarani e civiliza\u00e7\u00e3o missioneira, refletem em sua simplicidade, um princ\u00edpio b\u00e1sico da estrat\u00e9gia. 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