{"id":706,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=706"},"modified":"2023-03-13T21:22:44","modified_gmt":"2023-03-14T00:22:44","slug":"a-norma-e-a-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=706","title":{"rendered":"A norma e a crise"},"content":{"rendered":"<p >Viam\u00e3o\/RS, 28 de <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>outubro de 2005 (data que o artigo foi escrito) <\/p>\n<p >O <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>cotidiano pol\u00edtico nacional \u00e9 o da crise. Ao menos, esta \u00e9 a impress\u00e3o que fica para a maioria dos brasileiros. Conforme dissemos no artigo da semana anterior, o grau de confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es de representa\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m nos bra\u00e7os regulat\u00f3rios e repressivos do Estado s\u00e3o baix\u00edssimos. Vale <st2:hdm>lembrar<\/st2:hdm>, segundo o nada contestador Ibope, apenas 8% dos brasileiros confiam nos pol\u00edticos e 10% nos partidos pol\u00edticos como estruturas representativas. A pergunta portanto \u00e9, que crise \u00e9 essa?<\/p>\n<p >Vivemos na <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>era da informa\u00e7\u00e3o imediata, onde quase tudo \u00e9 revelado a respeito de quase todos a todo o momento. Estar\u00edamos assim acostumados a <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/><st2:hdm>ter<\/st2:hdm> como norma a um esc\u00e2ndalo pol\u00edtico, correto? E porque ent\u00e3o nos comportamos justo ao contr\u00e1rio? Uma boa vari\u00e1vel explicativa \u00e9 o fato de nos acostumarmos com uma id\u00e9ia de norma a <st2:hm>ser<\/st2:hm> perseguida. Ou seja, um tipo ideal de funcionamento e \u201cnormalidade\u201d democr\u00e1tica, noite e dia defendido pelos \u201cespecialistas\u201d, os partidos e a grande m\u00eddia. Tamb\u00e9m, atrav\u00e9s dos fatos revelados e bombardeados por esta mesma m\u00eddia, a\u00ed sim de todos os tamanhos, esta \u201cnormalidade\u201d \u00e9 desmentida. <\/p>\n<p >Apenas nos tr\u00eas dias anteriores da publica\u00e7\u00e3o deste artigo, o cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro viveu os seguintes atos, aqui apresentados em ordem aleat\u00f3ria e sem nenhum intento de combina\u00e7\u00e3o subliminar. O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), ex-governador de Minas (segundo maior col\u00e9gio eleitoral) deixa a presid\u00eancia do partido que governou o pa\u00eds por oito anos consecutivos por den\u00fancias de Caixa 2 em sua campanha para reelei\u00e7\u00e3o em 1998. O senador Geraldo Mesquita (PSOL-AC), desfilia-se da rec\u00e9m criada legenda sob den\u00fancias de <st2:hm>cobrar<\/st2:hm> taxas sobre os sal\u00e1rios de seus assessores, algo \u201ctecnicamente\u201d conhecido como <?xml:namespace prefix = st3 ns = \"schemas-houaiss\/dicionario\" \/><st3:sinonimos>rebate<\/st3:sinonimos>. O secret\u00e1rio particular do presidente eleito, seu amigo pessoal, Gilberto Carvalho, vai a CPI dos Bingos para uma acarea\u00e7\u00e3o (medida de investiga\u00e7\u00e3o criminal) com os irm\u00e3os do ex-prefeito assassinado de Santo Andr\u00e9, o petista Celso Daniel. O senador Jo\u00e3o Capiberibe (PSB-AP), ex-governador do Amap\u00e1, \u00e9 cassado pelo TSE.<\/p>\n<p >Se algu\u00e9m j\u00e1 se mostrou <st3:sinonimos>cansado<\/st3:sinonimos>, em fun\u00e7\u00e3o da leitura de temas requentados, pedimos que relaxe porque tem mais. O ex-ministro da Casa Civil Jos\u00e9 Dirceu, perde recurso impetrado, o <st2:hm>parecer<\/st2:hm> do deputado de J\u00falio Delgado (PSB-MG) \u00e9 lido e aprovado por 13 votos a 1. Todos pedem a cabe\u00e7a de Dirceu, inclusive o Minist\u00e9rio P\u00fablico, que entra com processo de improbidade administrativa contra Dirceu, seu filho Zeca Dirceu (prefeito da hoje not\u00f3ria Cruzeiro do Oeste\/PR) e o ex-assessor Waldomiro Diniz. No senado, o PSDB for\u00e7a o governo amea\u00e7ando <st2:hm>criar<\/st2:hm> a CPI do Caixa 2. O PFL embarca na medida que pode <st2:hm>vir<\/st2:hm> a <st2:hm>destruir<\/st2:hm> todo o sistema pol\u00edtico do Brasil. A amea\u00e7a \u00e9 protocolada com 38 assinaturas e soa como brado na voz do senador Artur Virg\u00edlio (PSDB-AM). Voltando \u00e0s medidas cl\u00e1ssicas de investiga\u00e7\u00e3o criminal, a CPI do Mensal\u00e3o promove grande acarea\u00e7\u00e3o, estrelando o tesoureiro expurgado do PT, Del\u00fabio Soares; o ex-operador <st3:sinonimos>financeiro<\/st3:sinonimos> do PSDB mineiro recrutado pelo PT, Marcos Val\u00e9rio; o ex-deputado Waldemar Costa Neto e o tesoureiro \u201cinformal\u201d do PL, Jacinto Lamas.<\/p>\n<p >Justi\u00e7a seja feita, esta \u201cnorma\u201d na arte de <st2:hm>fazer<\/st2:hm> pol\u00edtica no Brasil n\u00e3o \u00e9 exclusividade do governo Lula. Talvez por sua inexperi\u00eancia no governo da Uni\u00e3o, pela escolha de aliados de 2\u00ba escal\u00e3o nas oligarquias brasileiras (como o PL, PTB e PP) e a for\u00e7a da oposi\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de um PFL que ficou no governo de 1964 a 2003, o governo de Dirceu e cia. tenha metido cedo os p\u00e9s pelas m\u00e3os. Tivesse a oposi\u00e7\u00e3o ao governo FHC tanta for\u00e7a no Congresso como agora, esc\u00e2ndalos como estes e talvez piores iriam <st2:hdm>estourar<\/st2:hdm> em 1998, o ano do leil\u00e3o do sistema Telebr\u00e1s e do grampo do BNDES. Ou no ver\u00e3o de 1999, quando da desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real. Talvez com investiga\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas, tanto nas CPIs como em for\u00e7as-tarefa do MP e da PF, tendo como alvo a figuras como S\u00e9rgio Mota, Lu\u00eds Carlos Mendon\u00e7a de Barros, Ricardo S\u00e9rgio de Oliveira, o insubstitu\u00edvel Eduardo Jorge Caldas e, certamente, os \u00faltimos 4 anos de Fernando Henrique seriam t\u00e3o agitados como est\u00e1 sendo 2005.<\/p>\n<p >Voltando a crise, na aus\u00eancia de uma luta de fundo classista ou contradi\u00e7\u00e3o que obrigue os agentes a se posicionarem, sobra apenas a guerra intestina dos gabinetes e corredores do Congresso e do Planalto. Nesta arena pol\u00edtica onde n\u00e3o h\u00e1 luta popular envolvida, resta a \u201cnormalidade\u201d da classe pol\u00edtica brasileira. Ou seja, fica aquilo que j\u00e1 estamos acostumados: desvio de dinheiro p\u00fablico; abuso de <st2:hm>poder<\/st2:hm>; a\u00e7\u00f5es de tipo criminal; golpes de colarinho branco; conluio para favorecimento de parentes e amigos; alian\u00e7as com setores mercen\u00e1rios, tais como publicit\u00e1rios, banqueiros de investimento e doleiros, antes trabalhando para o advers\u00e1rio; esp\u00f3lio do Estado para benef\u00edcio de grandes grupos econ\u00f4micos nacionais e estrangeiros. Isto, dentre outras dezenas de manobras cl\u00e1ssicas e experimentais (como o Mensal\u00e3o), tantas que poder\u00edamos <st2:hm>ficar<\/st2:hm> descrevendo-as por dias seguidos. <\/p>\n<p >Para <st2:hdm>concluir<\/st2:hdm> esta curta mostra de fatos mesclados com an\u00e1lise indireta, entramos na ter\u00e7a-feira 25\/10 em clima de crise. Bras\u00edlia amanhece coberta por 3.000 cartazes mostrando Herr Bornhausen segurando uma revista Veja nas m\u00e3os. Por \u201ccoincid\u00eancia\u201d, o ministro do Trabalho e ex-presidente da central sindical hoje oficial, a CUT, havia declarado algo parecido h\u00e1 bem pouco tempo. Para c\u00famulo das contradi\u00e7\u00f5es, a a\u00e7\u00e3o \u201csubversiva\u201d \u00e9 paga com cheque pessoal e a arte dos cartazes \u00e9 enviada a <st2:hm>partir<\/st2:hm> de um endere\u00e7o eletr\u00f4nico localizado em dom\u00ednio oficial, com CNPJ e tudo. <\/p>\n<p ><st2:hm>Fazer<\/st2:hm> pol\u00edtica olig\u00e1rquica sempre \u00e9 <st2:hm>p\u00f4r<\/st2:hm> a milit\u00e2ncia em crise, e mais uma vez n\u00e3o deu outra. Nesta singela opera\u00e7\u00e3o macarr\u00f4nica vemos um problema de fundo. Um dos fen\u00f4menos que ocorrem com os militantes quando estes v\u00e3o se adequando ao jogo burocr\u00e1tico e as comodidades do luxo, \u00e9 <st2:hm>deixar<\/st2:hm> a guarda baixa. Pouco a pouco as dire\u00e7\u00f5es se distanciam das pessoas que as elegeram e v\u00e3o ficando pregui\u00e7osas. Perdem o jeito tanto para o trabalho de base como os m\u00ednimos reflexos operacionais. Ao fazerem uma \u00ednfima opera\u00e7\u00e3o de propaganda, j\u00e1 se atrapalham, deixam rastros e o esquema cai em menos de vinte e quatro horas. Esta gente, esqueceu como se milita no movimento popular e ainda n\u00e3o tem o gabarito para <st2:hm>fazer<\/st2:hm> pol\u00edtica tradicional, de acertos, gabinete e corredor.<\/p>\n<p >Vale <st2:hdm>lembrar<\/st2:hdm> do coment\u00e1rio de Willian da Silva Lima, o Professor, fundador do Comando Vermelho, veterano da Ilha Grande, quando viu seus colegas de cela serem anistiados pela <st3:sinonimos>revoga\u00e7\u00e3o<\/st3:sinonimos> da Lei de Seguran\u00e7a Nacional apenas para os presos pol\u00edticos:<\/p>\n<p class=MsoPlainText style=\"MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center\" align=center>\u201cIsso n\u00e3o \u00e9 coisa de bandido s\u00e9rio!\u201d<\/p>\n<p >E n\u00e3o \u00e9 mesmo. <\/p>\n<p >Originalmente publicado no blog de<\/p>\n<p >Ricardo Noblat <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viam\u00e3o\/RS, 28 de outubro de 2005 (data que o artigo foi escrito) O cotidiano pol\u00edtico nacional \u00e9 o da crise. 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