{"id":709,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=709"},"modified":"2023-03-13T21:22:50","modified_gmt":"2023-03-14T00:22:50","slug":"palocci-e-o-governo-de-fato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=709","title":{"rendered":"Palocci e o governo de fato"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Palocci, Meirelles e Lula.jpg\" title=\"Da esquerda para direita. O Chefe de Estado eleito por voto popular, ointermedi\u00e1rio docapital financeiro e o gerente de neg\u00f3cios da Banca internacional para o Brasil. - Foto:\" alt=\"Da esquerda para direita. O Chefe de Estado eleito por voto popular, ointermedi\u00e1rio docapital financeiro e o gerente de neg\u00f3cios da Banca internacional para o Brasil. - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Da esquerda para direita. O Chefe de Estado eleito por voto popular, ointermedi\u00e1rio docapital financeiro e o gerente de neg\u00f3cios da Banca internacional para o Brasil.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >Viam\u00e3o, 18 de <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/><st2:verbetes>novembro<\/st2:verbetes> de 2005<\/p>\n<p ><st2:verbetes>Quarta-feira<\/st2:verbetes>, 16 de <st2:verbetes>novembro<\/st2:verbetes> de 2005, <st2:verbetes>mais<\/st2:verbetes> <st2:verbetes>um<\/st2:verbetes> <st2:verbetes>dia<\/st2:verbetes> de <st2:verbetes>longo<\/st2:verbetes> <st2:verbetes>depoimento<\/st2:verbetes> no <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/><st1:hm>Poder<\/st1:hm> <st2:verbetes>Legislativo<\/st2:verbetes> da <st2:verbetes>rep\u00fablica<\/st2:verbetes>. O <st2:verbetes>ministro<\/st2:verbetes> da <st2:verbetes>Fazenda<\/st2:verbetes> Ant\u00f4nio Palocci antecipa <st2:verbetes>sua<\/st2:verbetes> <st2:verbetes>ida<\/st2:verbetes> <st1:dm>para<\/st1:dm> <st1:hm>depor<\/st1:hm> na <st2:verbetes>Comiss\u00e3o<\/st2:verbetes> de <st2:verbetes>Assuntos<\/st2:verbetes> <st2:verbetes>Econ\u00f4micos<\/st2:verbetes> do <st2:verbetes>Senado<\/st2:verbetes>. A <st2:verbetes>sabatina<\/st2:verbetes> <st2:verbetes>dura<\/st2:verbetes> <st2:verbetes>mais<\/st2:verbetes> de <st2:verbetes>oito<\/st2:verbetes> <st2:verbetes>horas<\/st2:verbetes> e o <st2:verbetes>que<\/st2:verbetes> se viu foi a <st2:verbetes>invers\u00e3o<\/st2:verbetes> de pap\u00e9is. A <st2:verbetes>oposi\u00e7\u00e3o<\/st2:verbetes> publicamente <st2:verbetes>manifesta<\/st2:verbetes> <st2:verbetes>sua<\/st2:verbetes> <st2:verbetes>concord\u00e2ncia<\/st2:verbetes> <st2:verbetes>com<\/st2:verbetes> a <st2:verbetes>pol\u00edtica<\/st2:verbetes> monetarista de Meirelles e Portugal. <st2:verbetes>J\u00e1<\/st2:verbetes> os <st2:verbetes>pol\u00edticos<\/st2:verbetes> do <st2:verbetes>governo<\/st2:verbetes>, <st2:verbetes>parte<\/st2:verbetes> da <st2:verbetes>bancada<\/st2:verbetes> do PT, questiona moderadamente os <st2:verbetes>rumos<\/st2:verbetes> da <st2:verbetes>economia<\/st2:verbetes> e do <st1:dm>pr\u00f3prio<\/st1:dm> <st2:verbetes>pa\u00eds<\/st2:verbetes>. Naquilo <st2:verbetes>que<\/st2:verbetes> <st2:verbetes>mais<\/st2:verbetes> interessava <st1:dm>para<\/st1:dm> a <st2:verbetes>maioria<\/st2:verbetes> dos <st2:verbetes>brasileiros<\/st2:verbetes>, de <st2:verbetes>nada<\/st2:verbetes> adiantou o <st2:verbetes>depoimento<\/st2:verbetes> do <st2:verbetes>homem<\/st2:verbetes> <st2:verbetes>forte<\/st2:verbetes> do <st1:dm>Planalto<\/st1:dm>.<\/p>\n<p ><?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>Como j\u00e1 \u00e9 sabido e not\u00f3rio, PFL e PSDB protelaram o inqu\u00e9rito. V\u00e3o <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/><st2:hm>tentar<\/st2:hm> <st2:hm>emparedar<\/st2:hm> Palocci no segundo tempo desta partida, a <st2:hm>ser<\/st2:hm> jogada na CPI dos Bingos. A\u00ed sim, v\u00e3o <st2:hm>utilizar<\/st2:hm> toda a muni\u00e7\u00e3o acumulada contra ele. Ser\u00e3o levantadas suspeitas sem fim, iniciadas ainda quando o hoje ministro cumpria mandato na prefeitura da rica cidade paulista de Ribeir\u00e3o Preto. Suspeitas e den\u00fancias estas, que os bem informados leitores deste blog ir\u00e3o <st2:hm>considerar<\/st2:hm> uma redund\u00e2ncia se as retomarmos. Neste artigo portanto, vamos nos <?xml:namespace prefix = st4 ns = \"schemas-houaiss\/verbo\" \/><st4:infinitivo>ater<\/st4:infinitivo> aquilo que nos parece <st2:hm>ser<\/st2:hm> o mais importante. <\/p>\n<p >Retomando a an\u00e1lise dos efeitos, no dia seguinte do depoimento, a sensa\u00e7\u00e3o transmitida pelos comentaristas pol\u00edticos e econ\u00f4micos \u00e9 de \u201ctranq\u00fcilidade no mercado\u201d. Este mito dos tempos atuais, o \u201cmercado\u201d, \u00e9 a personalidade coletiva agregadora de pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas manejando especula\u00e7\u00e3o financeira de alto n\u00edvel. S\u00e3o todas ardentes defensoras da livre circula\u00e7\u00e3o de capital vol\u00e1til e ficaram tranq\u00fcilas depois que um ex-militante socialista dep\u00f4s por horas seguidas. Para <st2:hm>alegrar<\/st2:hm> o resto da semana dos banqueiros e financistas, o ministro n\u00e3o s\u00f3 disse que continuava, como vinculava sua perman\u00eancia no cargo a execu\u00e7\u00e3o da mesma pol\u00edtica econ\u00f4mica. A consequ\u00eancia imediata \u201csinaliza\u201d a satisfa\u00e7\u00e3o do \u201cmercado\u201d. Palocci dep\u00f4s, o d\u00f3lar caiu e a Bolsa subiu.<\/p>\n<p >Um dia antes do depoimento, quando se especulava abertamente em todos os meios a poss\u00edvel queda de Palocci, alguns nomes eram cotados para <st2:hm>assumir<\/st2:hm> a pasta. O substituto imediato, Henrique Meirelles, talvez j\u00e1 seja o ministro de fato. O ex-presidente mundial do Banco de Boston e deputado federal eleito pelo PSDB de Goi\u00e1s, representa sem <st2:hdm>tirar<\/st2:hdm> nem <st2:hm>p\u00f4r<\/st2:hm>, a continuidade da pol\u00edtica econ\u00f4mica de Pedro Malan e Arm\u00ednio <?xml:namespace prefix = st3 ns = \"schemas-houaiss\/dicionario\" \/><st3:sinonimos>Fraga<\/st3:sinonimos>. Outro poss\u00edvel substituto, o secret\u00e1rio-executivo da Fazenda Murilo Portugal, nada alteraria das orienta\u00e7\u00f5es j\u00e1 praticadas desde 1994. Na hip\u00f3tese de nenhum desses operadores pol\u00edtico-t\u00e9cnicos de orienta\u00e7\u00e3o tucana assumirem a pasta, outros dois nomes foram cotados.<\/p>\n<p >Para quem j\u00e1 se surpreendera com a presen\u00e7a de tucanos no minist\u00e9rio de Lula, dando a continuidade a pol\u00edtica monetarista que faz a alegria do sistema <st3:sinonimos>financeiro<\/st3:sinonimos>, garantimos que o susto \u00e9 maior ainda. No dia da proclama\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica, a especula\u00e7\u00e3o girava tamb\u00e9m em torno de dois arenistas. O primeiro e mais forte \u00e9 hoje deputado pelo PMDB de S\u00e3o Paulo, Ant\u00f4nio Delfin Netto. Uma outra possibilidade mais remota, era o tamb\u00e9m ex-membro de governos militares, Afonso Celso Pastore. Definitivamente, para a percep\u00e7\u00e3o da maioria dos brasileiros, n\u00e3o foi para <st2:hm>endossar<\/st2:hm> Chicago boys que o companheiro Lula foi eleito.<\/p>\n<p >Como se v\u00ea, acentuando ou aliviando timidamente a <st3:sinonimos>ortodoxia<\/st3:sinonimos>, qualquer op\u00e7\u00e3o seria apenas mais do mesmo. Juros altos, super\u00e1vit prim\u00e1rio aos custos da f\u00faria fiscal e aumento da carga tribut\u00e1ria, crescimento inercial que talvez n\u00e3o atinja nem 3,5%, rolagem da d\u00edvida p\u00fablica, pagamento religioso dos lotes de empr\u00e9stimos contra\u00eddos com o FMI, al\u00e9m das perdas sem fim nos servi\u00e7os e juros da d\u00edvida externa. Ou seja, nada de distribui\u00e7\u00e3o de renda, aumento do emprego formal e fim da quebradeira de micro e pequenas empresas. <\/p>\n<p >Sendo assim, duas perguntas s\u00e3o inevit\u00e1veis e devem <st2:hm>ser<\/st2:hm> feitas. Se pouco ou nada muda com ou sem Palocci, seja o ministro da Fazenda do PSDB ou da ARENA, ent\u00e3o quem exerce o governo de fato? Considerando que o presidente eleito da 11\u00aa economia do mundo tem margens m\u00ednimas de manobra, ent\u00e3o quais s\u00e3o os agentes coletivos operando no pa\u00eds que ajudam a <st2:hm>estreitar<\/st2:hm> estas margens? Com certeza, na atual conjuntura que vive o pa\u00eds, estes agentes s\u00e3o os grandes operadores do \u201cmercado\u201d, materializados nos membros do Copom, nas dire\u00e7\u00f5es executivas da Banca privada nacional e estrangeira, na alta ger\u00eancia de fundos de investimentos e nos tecnocratas de carreira dos organismos internacionais. S\u00e3o estas as pessoas f\u00edsicas, brasileiras ou n\u00e3o, que operam a execu\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas orientadas a <st2:hm>partir<\/st2:hm> de pessoas jur\u00eddicas hegem\u00f4nicas hoje no Brasil. Traduzindo, s\u00e3o estes os que mandam de fato. Mandam a ponto de <st2:hm>tornar<\/st2:hm> sem efeito a chiadeira do empresariado, da ministra Dilma Roussef, do ex-primeiro ministro Jos\u00e9 Dirceu, do vice-presidente e tamb\u00e9m empres\u00e1rio Jos\u00e9 de Alencar, dos altos mandos das For\u00e7as Armadas e de quem mais quiser <st2:hdm>gritar<\/st2:hdm>. <\/p>\n<p >Tudo isto vai al\u00e9m da crise de paradigmas, da crise pol\u00edtica e da \u201cgovernabilidade\u201d. Esta \u00e9 uma crise da pr\u00f3pria capacidade de governo. H\u00e1 quase quarenta anos atr\u00e1s, alguns pesquisadores brasileiros exilados no Chile, dentre eles Fernando Henrique e Jos\u00e9 Serra, ajudaram a <st2:hdm>construir<\/st2:hdm> a Teoria da Depend\u00eancia. Mesmo que o primeiro tenha pedido para esquecermos o que ele escreveu e o segundo seja um dos nomes de confian\u00e7a da FIESP, esta foi uma importante contribui\u00e7\u00e3o ao pensamento latino-americano. Hoje, durante o governo do Chefe de Estado Luiz In\u00e1cio, dever\u00edamos nos <st2:hdm>dedicar<\/st2:hdm> a constru\u00e7\u00e3o da Teoria da Subservi\u00eancia. Isto porque, o Brasil n\u00e3o somente abriu os portos as na\u00e7\u00f5es amigas como tamb\u00e9m seus cofres. Os c\u00e1lculos mais conservadores indicam a perda m\u00e9dia de R$ 1 bilh\u00e3o de reais, escoando ralo abaixo nos juros e servi\u00e7os da d\u00edvida, al\u00e9m das perdas com corrup\u00e7\u00e3o passiva e ativa. N\u00e3o h\u00e1 tesouro nacional que ag\u00fcente nem governo que possa <st2:hdm>exercer<\/st2:hdm> de fato o mandato que recebeu para faz\u00ea-lo. <\/p>\n<p >L\u00e1stima mesmo \u00e9 a aus\u00eancia das for\u00e7as sociais atuando nessa crise. Quando um governo eleito n\u00e3o corresponde aos anseios de quem o elegeu, somente estes mesmos eleitores para desautoriz\u00e1-lo. Temos certeza que milh\u00f5es de brasileiros n\u00e3o chegaram a <st2:hm>ler<\/st2:hm> \u00e0quela famigerada Carta ao Povo Brasileiro, redigida a quatro m\u00e3os pela Banca e o Campo Majorit\u00e1rio. A massa votou num sentimento e este se transformou em frustra\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m votou em Palocci e Meirelles e muito menos no sistema <st3:sinonimos>financeiro<\/st3:sinonimos> para <st2:hm>governar<\/st2:hm> o pa\u00eds. Esta conta, a cada dia mais cara, terminar\u00e1 por <st2:hm>ser<\/st2:hm> cobrada e n\u00e3o apenas nas urnas.<\/p>\n<p >Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da esquerda para direita. O Chefe de Estado eleito por voto popular, ointermedi\u00e1rio docapital financeiro e o gerente de neg\u00f3cios da Banca internacional para o Brasil. Foto: Viam\u00e3o, 18 de novembro de 2005 Quarta-feira, 16 de novembro de 2005, mais um dia de longo depoimento no Poder Legislativo da rep\u00fablica. 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