{"id":713,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=713"},"modified":"2023-03-13T21:22:57","modified_gmt":"2023-03-14T00:22:57","slug":"chavez-no-lugar-de-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=713","title":{"rendered":"Ch\u00e1vez no lugar de Lula"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/chavez e lula 2.jpg\" title=\"A hegemonia no bloco, disputada entre apertos de m\u00e3o, recursos naturais e financiamentos Sul-Sur.  - Foto:\" alt=\"A hegemonia no bloco, disputada entre apertos de m\u00e3o, recursos naturais e financiamentos Sul-Sur.  - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A hegemonia no bloco, disputada entre apertos de m\u00e3o, recursos naturais e financiamentos Sul-Sur. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >A <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>reuni\u00e3o da c\u00fapula do Mercosul, realizada em Montevid\u00e9u na \u00faltima sexta-feira dia 9 de dezembro, culminou na entrada da Venezuela como membro pleno do bloco econ\u00f4mico. Como todos sabemos, este pa\u00eds produtor de <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>petr\u00f3leo \u00e9 governado pelo tenente-coronel p\u00e1ra-quedista Hugo Ch\u00e1vez, seguidas vezes eleito e reeleito desde o ano de 1998. Distintas rea\u00e7\u00f5es foram manifestadas na m\u00eddia brasileira, entre escolas opostas de \u201cespecialistas\u201d, operadores pol\u00edticos e empres\u00e1rios. Com este artigo, pretendemos <st2:hm>aportar<\/st2:hm> uma vis\u00e3o te\u00f3rica de fundo quase sempre relegada a segundo plano.<\/p>\n<p ><?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>Enquanto Bol\u00edvia, Chile, Col\u00f4mbia, Equador e Peru ainda est\u00e3o sob a condi\u00e7\u00e3o de membro associado, o Estado venezuelano, torna-se pleno ultrapassando outros pa\u00edses h\u00e1 mais tempo na fila. O bloco econ\u00f4mico contar\u00e1 a <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/><st2:hm>partir<\/st2:hm> de 2007 com parlamento pr\u00f3prio. Tanto poder\u00e1 <st2:hm>ser<\/st2:hm> uma caricatura figurativa, como o Parlatino ou o Parlamento Amaz\u00f4nico, ou uma inst\u00e2ncia mais resolutiva. Para tanto, tem gravita\u00e7\u00e3o central o grau de interdepend\u00eancia a <st2:hm>ser<\/st2:hm> desenvolvido por estes pa\u00edses. No momento, o grau real \u00e9 de depend\u00eancia, sendo que o Brasil \u00e9 o mais importante parceiro comercial de Argentina, Uruguai e Paraguai.<\/p>\n<p >Uma unidade pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 apenas fruto de integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Ainda falando de interdepend\u00eancia, o grau de envolvimento e resolu\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, implicam e muito no seu desenvolvimento. Conforme afirmamos no artigo \u00faltimo, no mundo real das for\u00e7as sociais \u00e9 imposs\u00edvel <st2:hdm>separar<\/st2:hdm> em planos absolutos o n\u00edvel econ\u00f4mico, pol\u00edtico e ideol\u00f3gico. Ou seja, sem uma base material produtiva, inst\u00e2ncias de resolu\u00e7\u00e3o comuns e m\u00fatuo reconhecimento entre as partes, este Mercosul segue estagnado. Isto, ao menos nos planos ideais dos mercados comuns.<\/p>\n<p >Na urg\u00eancia das economias sem muita liquidez, os petrobol\u00edvares de Ch\u00e1vez j\u00e1 s\u00e3o a t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o dos governos argentinos e uruguaios. A Argentina conta com somas altas e importantes vindas da Venezuela. Kirchner est\u00e1 em franca <?xml:namespace prefix = st4 ns = \"schemas-houaiss\/dicionario\" \/><st4:sinonimos>supera\u00e7\u00e3o<\/st4:sinonimos> de uma etapa hist\u00f3rica, iniciada com a desindustrializa\u00e7\u00e3o promovida pelos militares, a infla\u00e7\u00e3o assombrosa de Alfons\u00edn e o saque aos bens p\u00fablicos promovidos por Menem e companhia. Crescendo mais que o dobro do Brasil no \u00faltimo ano, o pa\u00eds austral precisa de alto volume de empr\u00e9stimos a baixo custo. Neste momento, Ch\u00e1vez \u00e9 a escora do pol\u00edtico que fora governador da prov\u00edncia de Santa Cruz e em cujo primeiro escal\u00e3o ocupam postos-chave v\u00e1rios ex-Montoneros. <\/p>\n<p >No Uruguai, o sufoco \u00e9 tamanho que at\u00e9 um jornal notoriamente ligado aos partidos tradicionais como El Pa\u00eds de Montevideo est\u00e1 comemorando abertamente. Cadeias produtivas quase falidas como a do cimento e a do \u00e1lcool ser\u00e3o refinanciadas pelo dinheiro venezuelano. O perfil do governo de Tabar\u00e9 Vazquez \u00e9 o mais parecido com o de Lula e sua base aliada. O presidente eleito tem como homem forte um senador da direita da Frente Ampla (FA), Danilo Astori, de perfil e pr\u00e1tica pol\u00edtica muito assemelhada a de Ant\u00f4nio Palocci. Dando provas de \u201cmaturidade\u201d, Astori aplica o receitu\u00e1rio do FMI e governa de m\u00e3os dadas com a Banca. Mesmo assim, est\u00e3o todos content\u00edssimos ao saberem que agora ter\u00e3o um parceiro forte, dentro de um marco jur\u00eddico comum.<\/p>\n<p >No presente momento, o Mercosul caminha com a morosidade de um burocrata. N\u00e3o alcan\u00e7a <st2:hm>ser<\/st2:hm> um mercado comum, nem uma uni\u00e3o aduaneira e nem sequer uma zona de livre com\u00e9rcio. Nos primeiros anos de implanta\u00e7\u00e3o, ainda que fosse uma iniciativa pouco ou nada sentida na economia brasileira, o Mercosul inicial servira para <st2:hm>terminar<\/st2:hm> de <st2:hdm>liquidar<\/st2:hdm> cadeias produtivas e setores industriais inteiros do Uruguai e da Argentina. Os produtos brasileiros n\u00e3o somente inundaram os mercados internos desses pa\u00edses, como parte dos principais capitais argentinos e uruguaios, tal como a gigante Bunge, que transferiu suas plantas para o Brasil. <\/p>\n<p >Foi justo neste momento que houve a necessidade do Brasil impor-se como parceiro forte do bloco. N\u00e3o vamos <st2:hm>entrar<\/st2:hm> aqui nos meandros do estilo do Itamaraty nem tampouco no hist\u00f3rico sub-imperialismo nacional para com os pa\u00edses hermanos. Mas, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 simples. Na segunda metade da d\u00e9cada de \u201990, o Brasil n\u00e3o exerceu uma lideran\u00e7a de forma a <st2:hdm>auxiliar<\/st2:hdm> os parceiros do bloco, Paraguai inclu\u00eddo. Manteve sim, sua condi\u00e7\u00e3o de parceiro hegem\u00f4nico e com estilo de real politik. Agora que Ch\u00e1vez acena com financiamento direto e a custo quase zero, o governo Lula v\u00ea <st2:hm>escorrer<\/st2:hm> entre as m\u00e3os o posto de pa\u00eds l\u00edder da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p >Para sermos justos, estas pol\u00edticas n\u00e3o foram iniciadas no governo de Luiz In\u00e1cio, e sim na era FHC. Tanto foi assim, que no come\u00e7o de seu mandato, ainda em 2003, Celso Amorim e Marco Aur\u00e9lio Garcia agiam como \u00e1rbitros de contendas no continente. De uma forma discreta e bastante \u201ctucana\u201d, o governo brasileiro fez o que pode para <st2:hm>manter<\/st2:hm> o presidente boliviano Gonzalo S\u00e1nchez de Lozada no <st2:hm>poder<\/st2:hm>. N\u00e3o podendo <st2:hdm>segurar<\/st2:hdm> \u201cGoni\u201d em La Paz, Bras\u00edlia imediatamente reconheceu Carlos Mesa, presidente eleito no col\u00e9gio eleitoral. De uma forma tamb\u00e9m discreta e eficiente, Lula procurou <?xml:namespace prefix = st3 ns = \"schemas-houaiss\/verbo\" \/><st3:infinitivo>cacifar<\/st3:infinitivo> a si e ao seu mandato como \u00e1rbitros de conten\u00e7\u00e3o entre os intentos de golpe de Estado promovidos por Bush Jr. contra Ch\u00e1vez. Simultaneamente, tratava-se a ALCA como fato consumado, reunindo-se as delega\u00e7\u00f5es de Brasil e Estados Unidos em separado e com agenda pr\u00f3pria.<\/p>\n<p >A posi\u00e7\u00e3o \u201cmadura\u201d e subserviente de Lula foi sendo colocada pouco a pouco contra a parede. De um lado, a fun\u00e7\u00e3o de bombeiro da Am\u00e9rica Latina pendeu para um homem de confian\u00e7a de George W. Bush, seu velho amigo Vicente Fox, presidente do M\u00e9xico. Por outro, a posi\u00e7\u00e3o de l\u00edder das rela\u00e7\u00f5es latino-americanas passou a Ch\u00e1vez. Isto porque este tem mais agressividade pol\u00edtica assim como mais dinheiro l\u00edquido em caixa. E como bem se sabe, na pol\u00edtica internacional, o que vale mesmo s\u00e3o os recursos econ\u00f4micos e o poderio b\u00e9lico. <\/p>\n<p >Tanto isto \u00e9 fato, que o pequeno Paraguai cede territ\u00f3rio nacional para os EUA instalarem bases militares pr\u00f3prias. Em troca, o governo de Bush Jr. aporta recursos financeiros de baixo custo e volume relativamente elevado para o porte daquele pa\u00eds. Assim, o pa\u00eds guarani estaria hoje jogando na fun\u00e7\u00e3o de pe\u00e3o dos Estados Unidos, sendo o M\u00e9xico seu bispo. <\/p>\n<p >Esta situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m oferece uma compara\u00e7\u00e3o interessante. Tanto Ch\u00e1vez como Lula tem problemas internos ser\u00edssimos. Na apar\u00eancia, a ret\u00f3rica \u00e9 semelhante e haveria alguma aproxima\u00e7\u00e3o entre ambos. Pura ilus\u00e3o. Se os setores sociais que d\u00e3o suporte ao governo Lula, a <st2:hm>come\u00e7ar<\/st2:hm> pela base aliada e aos bancos, fossem venezuelanos, estariam promovendo boicote eleitoral e arrecadando fundos para outra tentativa de golpe. J\u00e1 do lado venezuelano, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o <st2:hm>associar<\/st2:hm> o estilo de Cisneros, o magnata das comunica\u00e7\u00f5es naquele pa\u00eds, com a forma de <st2:hm>proceder<\/st2:hm> de boa parte da m\u00eddia brasileira. Talvez o cidad\u00e3o Kane da Venezuela seja mais ideol\u00f3gico, ou ao menos mais franco e direto. <\/p>\n<p >Voltando a pol\u00edtica externa brasileira, sem d\u00favida o momento \u00e9 grave. O governo Lula v\u00ea o Brasil <st2:hm>perder<\/st2:hm> tanto a condi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a do Mercosul, como a capacidade de se <st2:hm>contrapor<\/st2:hm> aos EUA. At\u00e9 a figura de bombeiro foi-lhe tomada pelo presidente mexicano. <\/p>\n<p >Algu\u00e9m deveria <st2:hd>perguntar<\/st2:hd> ao presidente se ele viajou tanto para <st2:hm>conseguir<\/st2:hm> \u201ctudo\u201d isso?!<\/p>\n<p >Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hegemonia no bloco, disputada entre apertos de m\u00e3o, recursos naturais e financiamentos Sul-Sur. Foto: A reuni\u00e3o da c\u00fapula do Mercosul, realizada em Montevid\u00e9u na \u00faltima sexta-feira dia 9 de dezembro, culminou na entrada da Venezuela como membro pleno do bloco econ\u00f4mico. 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