{"id":726,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=726"},"modified":"2023-03-13T21:23:11","modified_gmt":"2023-03-14T00:23:11","slug":"as-quatro-frentes-do-pmdb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=726","title":{"rendered":"As quatro frentes do PMDB"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/ala governista do PMDB.jpg\" title=\"Renan e Sarney articulam com o antigo opositor do regime militar, a coopta\u00e7\u00e3o da extinta legenda legal contra a ditadura, hoje chamado PMDB. Qual ala vencer\u00e1 a pugna interna? - Foto:\" alt=\"Renan e Sarney articulam com o antigo opositor do regime militar, a coopta\u00e7\u00e3o da extinta legenda legal contra a ditadura, hoje chamado PMDB. Qual ala vencer\u00e1 a pugna interna? - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Renan e Sarney articulam com o antigo opositor do regime militar, a coopta\u00e7\u00e3o da extinta legenda legal contra a ditadura, hoje chamado PMDB. Qual ala vencer\u00e1 a pugna interna?<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >Viam\u00e3o\/RS, 7 de <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>mar\u00e7o de 2006<\/p>\n<p >O ano eleitoral, que come\u00e7ou quente no <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>per\u00edodo pr\u00e9-carnavalesco, inicia sua vida \u00fatil em mar\u00e7o prometendo <st2:hm>ser<\/st2:hm> t\u00f3rrido. O que este artigo quer <st2:hdm>discutir<\/st2:hdm> n\u00e3o \u00e9 o termostato da campanha pol\u00edtica, mas sim o instrumento pol\u00edtico em uso. O jogo de competi\u00e7\u00e3o eleitoral compreende um intermedi\u00e1rio entre vontades e possibilidades. Estamos falando de partidos pol\u00edticos.<\/p>\n<p >Neste <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>texto, abordamos a pr\u00f3pria id\u00e9ia de partido caracterizada <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>pelo PMDB. Vamos <st2:hm>ser<\/st2:hm> francos e justos. As caracter\u00edsticas ressaltadas pela m\u00eddia especializada n\u00e3o s\u00e3o exclusividade do Partido pelo Movimento Democr\u00e1tico Brasileiro. Mas, a legenda de Ulysses Guimar\u00e3es e Pedro Simon se esmera dia a dia para <st2:hm>ser<\/st2:hm> cada vez mais incongruente e inorg\u00e2nica. <\/p>\n<p >Seria uma redund\u00e2ncia <st2:hm>fazer<\/st2:hm> uma listagem das contradi\u00e7\u00f5es e pugnas internas, que atravessam o dia a dia dessa legenda. Mas sempre \u00e9 bom <st2:hdm>lembrar<\/st2:hdm> o fato de que arenistas como Jos\u00e9 Sarney e Ant\u00f4nio Delfim Netto, hoje s\u00e3o membros do partido ao qual se opuseram por quase 21 anos. Ainda mais pasmos ficamos, ao lembrarmos da trajet\u00f3ria pol\u00edtica de Renan Calheiros, oriundo do grupo de Collor de Mello, ministro da Justi\u00e7a de Fernando Henrique Cardoso e hoje um dos sustent\u00e1culos do governo do ex-metal\u00fargico Luiz In\u00e1cio. <\/p>\n<p >Um curioso, leigo, militante ou leitor da \u00e1rea de pol\u00edtica se espantar\u00e1 ao <st2:hm>comparar<\/st2:hm> desempenhos, estilos, trajet\u00f3rias e programas de governo deste \u201cpartido\u201d nos estados onde exerce mandato. Mais enlouquecido ficar\u00e1, se <st2:hm>comparar<\/st2:hm> especificamente a forma de <st2:hm>governar<\/st2:hm> de um ne\u00f3fito na legenda, o ex-radialista Ant\u00f4nio \u201cGarotinho\u201d Matheus de Oliveira e Germano Rigotto. Se <st2:hm>ousar<\/st2:hm> <st2:hm>fazer<\/st2:hm> um breve exerc\u00edcio de compara\u00e7\u00e3o de desempenho destes dois pol\u00edticos profissionais, sendo Garotinho \u00e9 emin\u00eancia parda de sua esposa, com o exerc\u00edcio de governo do mesmo partido no Paran\u00e1, sob o comando de Roberto Requi\u00e3o, ent\u00e3o, definitivamente, perder\u00e1 qualquer padr\u00e3o comparativo.<\/p>\n<p >Estamos falando de compara\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcio de governo e n\u00e3o em desempenho e conduta <st2:hdm>parlamentar<\/st2:hdm>. Se entrarmos neste m\u00e9rito, a\u00ed sim, veremos uma bancada rachada, onde o presidente Michel <st2:hdm>Temer<\/st2:hdm> n\u00e3o responde por seus ministros no governo, onde ele pr\u00f3prio est\u00e1 na oposi\u00e7\u00e3o. Este analista ainda teima <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> como crit\u00e9rio de an\u00e1lise comparativa, o quesito coer\u00eancia interna. A coer\u00eancia se constr\u00f3i, tendo como estatuto a capacidade de coes\u00e3o org\u00e2nica e os aspectos disciplinares, baixados atrav\u00e9s de coer\u00e7\u00e3o. Em uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica onde ningu\u00e9m \u00e9 punido e cujo diret\u00f3rio e executiva n\u00e3o respondem por seus filiados, o que se pode <st2:hm>esperar<\/st2:hm>? <\/p>\n<p >Esta legenda, s\u00edmbolo vivo da engenharia pol\u00edtica do regime <st2:hm>militar<\/st2:hm> e do g\u00eanio de Golbery do <?xml:namespace prefix = st3 ns = \"schemas-houaiss\/dicionario\" \/><st3:sinonimos>Couto<\/st3:sinonimos> e Silva, ainda \u00e9 o maior partido do Brasil. Como <st2:hm>esperar<\/st2:hm> um comportamento pol\u00edtico compat\u00edvel com as expectativas da popula\u00e7\u00e3o brasileira?! Isto \u00e9 simplesmente imposs\u00edvel, ficando o eleitorado entregue \u00e0s artimanhas palacianas e congressuais.<\/p>\n<p >Ao inv\u00e9s de <?xml:namespace prefix = st4 ns = \"schemas-houaiss\/verbo\" \/><st4:infinitivo>demonizar<\/st4:infinitivo> o PMDB, o que este artigo pretende \u00e9 torn\u00e1-lo uma tipifica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 de hoje que a legenda \u00e9 estudada, e vem acumulando uma larga cole\u00e7\u00e3o de adjetivos e conceitos. \u201cPartido-barca, partido-\u00f4nibus, partido-frente\u201d dentre outros. Independente dos preconceitos embutidos nestas adjetiva\u00e7\u00f5es, algumas considera\u00e7\u00f5es s\u00e3o necess\u00e1rias. <\/p>\n<p >A primeira \u00e9 que o partido como tal n\u00e3o \u00e9 dotado de disciplina partid\u00e1ria. E, por mais an\u00f4malo que seja, tampouco \u00e9 dotado de mecanismos de democracia devidamente institucionalizados. Se tal n\u00e3o fosse, as pr\u00e9vias j\u00e1 estariam asseguradas h\u00e1 muito. A consulta interna, se acompanhada de cl\u00e1usulas de barreira, dificilmente permitiria a um ne\u00f3fito com ares de aventureiro, <st2:hm>ser<\/st2:hm> elevado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-candidato a presidente como \u00e9 o caso de Garotinho. Repetindo o conceito, se os crit\u00e9rios fossem relacionados a organicidade, trajet\u00f3ria interna e conduta dentro da legenda, a candidatura pr\u00f3pria teria de <st2:hm>ser<\/st2:hm> de Germano Rigotto.<\/p>\n<p >Mesmo com todas as cr\u00edticas que possamos <st2:hm>fazer<\/st2:hm>, vivendo em um estado onde o \u00edndice de IDH mais elevado do pa\u00eds n\u00e3o impede o crescimento das desigualdades sociais e o favorecimento de grandes grupos econ\u00f4micos; um partido com formato disciplinado e coerente teria de <st2:hm>escolher<\/st2:hm> a Rigotto. Se o dentista caxiense emplacaria ou n\u00e3o \u00e9 outro assunto, mas que o pol\u00edtico ga\u00facho encarna as virtudes e mazelas do PMDB, isso \u00e9 ineg\u00e1vel.<\/p>\n<p >No momento este partido nacional com lealdades estaduais est\u00e1 rachado em quatro. Uma parte embarca na aventura neo-pentecostal de Ant\u00f4nio Matheus; outra se alia nos bastidores a candidatura tucana sendo preferencialmente a de Jos\u00e9 Serra; outra ala historicamente rachada entre si tenta unificar-se com o nome de Rigotto; e outros, chamados de governistas, se aliam a Lula. Dentre estes \u00faltimos, al\u00e9m de Renan, Sarney e Delfim encontra-se o \u201cl\u00edder do governo\u201d em um STF \u00e0 la Carlos Sa\u00fal Menem. Falamos do jurista ga\u00facho, ideologicamente governista assim como Severino Cavalcanti. Nelson Jobim, vinculado ao antigo MDB do Rio Grande, ex-ministro da Justi\u00e7a de Fernando Henrique ainda em seu primeiro mandato, premiado pelo mesmo com a vaga no Supremo e que com a posse de Lula vira a casaca, alinhando-se com a nova trupe a <st2:hm>ocupar<\/st2:hm> o Planalto.<\/p>\n<p >Com o TSE barrando a quebra da verticaliza\u00e7\u00e3o, caber\u00e1 a Jobim <st2:hm>buscar<\/st2:hm> <st2:hdm>convencer<\/st2:hdm> seus pares do Supremo da import\u00e2ncia do Brasil <st2:hm>assumir<\/st2:hm> ou n\u00e3o a incoer\u00eancia pol\u00edtica como virtude. Isto a <st2:hm>julgar<\/st2:hm> pelo casu\u00edsmo que aprovara a mesma norma em 2002, sendo que agora o casu\u00edsmo aponta para o fim da regra. Da quebra da verticaliza\u00e7\u00e3o depende a pr\u00f3pria legenda, na qual o natural de Santa Maria da Boca do Monte \u00e9 vinculado. Por \u201ccoincid\u00eancia\u201d, a <st3:sinonimos>mudan\u00e7a<\/st3:sinonimos> da regra tamb\u00e9m \u00e9 muito \u00fatil para \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o de Lula.<\/p>\n<p >Como observamos ao longo destes breves e sucintos apontamentos, a import\u00e2ncia do partido de Orestes Qu\u00e9rcia, Geddel Vieira Lima, Eliseu Padilha, Jos\u00e9 Borba e Garibaldi Alves, dentre outros atores relevantes, \u00e9 enorme. Esta legenda tanto pode <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> um ne\u00f3fito como um org\u00e2nico para candidato a presidente. Independente disso, ainda n\u00e3o se sabe se haver\u00e1 ou n\u00e3o candidato pr\u00f3prio. E mesmo que este saia, concorrer\u00e1 internamente contra governistas e aliados dos tucanos. Como se v\u00ea, o partido \u00e9 t\u00e3o grande que chega a <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> quatro frentes simult\u00e2neas, todas com alguma chance de sucesso. <\/p>\n<p >Se levarmos em conta que o perfil do PMDB, embora exageradamente contradit\u00f3rio, seja a norma real e n\u00e3o a exce\u00e7\u00e3o, s\u00f3 nos resta uma conclus\u00e3o. Triste a democracia cuja regra \u00e9 a incoer\u00eancia e onde os projetos de <st2:hm>poder<\/st2:hm> pouco passam de disputas por cargos e recursos.<\/p>\n<p >Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Renan e Sarney articulam com o antigo opositor do regime militar, a coopta\u00e7\u00e3o da extinta legenda legal contra a ditadura, hoje chamado PMDB. Qual ala vencer\u00e1 a pugna interna? Foto: Viam\u00e3o\/RS, 7 de mar\u00e7o de 2006 O ano eleitoral, que come\u00e7ou quente no per\u00edodo pr\u00e9-carnavalesco, inicia sua vida \u00fatil em mar\u00e7o prometendo ser t\u00f3rrido. 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