{"id":729,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=729"},"modified":"2023-03-13T21:21:56","modified_gmt":"2023-03-14T00:21:56","slug":"o-ministro-o-caseiro-e-o-processo-politico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=729","title":{"rendered":"O ministro, o caseiro e o Processo Pol\u00edtico."},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/caseiro de olho vivo.jpg\" title=\"Francenildo,ocaseiro de olho vivo e aberto, cuja vida privada foi devassada para \"salvar\" um ministro amigo de banqueiros e financistas. - Foto:\" alt=\"Francenildo,ocaseiro de olho vivo e aberto, cuja vida privada foi devassada para \"salvar\" um ministro amigo de banqueiros e financistas. - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Francenildo,ocaseiro de olho vivo e aberto, cuja vida privada foi devassada para &#8220;salvar&#8221; um ministro amigo de banqueiros e financistas.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >Viam\u00e3o\/RS, 28 de <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>mar\u00e7o de 2006<\/p>\n<p >Imagina-se que os artigos de um cientista pol\u00edtico refiram-se ao <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>panorama pr\u00e9-campanha pelo fato de estarmos em ano eleitoral. Embora prefira o termo analista por <st2:hm>ser<\/st2:hm> mais real e menos pretencioso que \u201ccientista\u201d, concordo com a expectativa, mas n\u00e3o com o fundamento. A Pol\u00edtica com P mai\u00fasculo \u00e9 muito mais abrangente do que as elei\u00e7\u00f5es. Estas, s\u00e3o um aspecto da pol\u00edtica, uma parte das regras de um jogo que tamb\u00e9m se joga sem regras, ou ao menos, com regras n\u00e3o escritas.<\/p>\n<p >Existe <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>tamb\u00e9m a polititica, com p <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>bem pequenino e infelizmente \u00e9 a mais corriqueira nos notici\u00e1rios brasileiros. Quem mora em bairro carente onde pululam vereadores para <st2:hm>intermediar<\/st2:hm> aquilo que \u00e9 de direito conhece bem esta realidade. Em geral, a polititica atira uma nuvem de fuma\u00e7a por cima dos processos reais, origem das desvia\u00e7\u00f5es ou mesmo das altera\u00e7\u00f5es bruscas de rumo. \u00c9 outra palavra com, P mai\u00fasculo tamb\u00e9m, e se chama Processo.<\/p>\n<p >Por <st2:hdm>desfazer<\/st2:hdm> das li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria, a esquerda nem t\u00e3o \u00e0 esquerda neste peda\u00e7o de mundo chamado Am\u00e9rica Latina mais se assemelham a outra situa\u00e7\u00e3o kafkaniana. Antes de perder-se por corredores e labirintos burocr\u00e1ticos, nossas esquerdas costumam <st2:hm>trocar<\/st2:hm> o boi pelo bife, e mais parecem com a Barata narrada no livro de Kafka. No momento o (ex) ministro da Fazenda termina a via crucis do cai-cai t\u00edpico de quem muito fez, mas deixou rabo preso atr\u00e1s. Conforme j\u00e1 dissemos em outros artigos, deixemos a investiga\u00e7\u00e3o minuciosa para os jornalistas de of\u00edcio. Os leitores de pol\u00edtica, os do Noblat em especial, sabem onde <st2:hm>buscar<\/st2:hm> informa\u00e7\u00e3o precisa e cr\u00edtica. Aqui, queria <st2:hdm>discutir<\/st2:hdm> o conceito de Processo.<\/p>\n<p >Para n\u00e3o <st2:hm>ser<\/st2:hm> redundante e <st2:hm>perturbar<\/st2:hm> aos leitores com o caseiro, Palocci, a mans\u00e3o das festinhas e a dan\u00e7a da pizza da ex-prefeita de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, trago uma realidade distinta como exemplo, mas que caracteriza a situa\u00e7\u00e3o nacional. Me perdoem os cosmopolitas, mas n\u00e3o h\u00e1 nada mais universal do que o retrato da sua prov\u00edncia. Vejamos.<\/p>\n<p >H\u00e1 10 dias atr\u00e1s, em programa que coordeno em uma r\u00e1dio comunit\u00e1ria do munic\u00edpio de Viam\u00e3o\/RS, tive a oportunidade de <st2:hm>fazer<\/st2:hm> uma entrevista com o ex-prefeito do munic\u00edpio. Eliseu Chaves Ridi foi prefeito por dois mandatos consecutivos e antes havia sido vereador por duas legislaturas. Fruto da luta popular nos anos \u201980, vive o interregno ap\u00f3s <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> elegido seu sucessor, embora n\u00e3o seu indicado na sucess\u00e3o. No momento, aguarda ansioso outubro <st2:hm>chegar<\/st2:hm> para <?xml:namespace prefix = st3 ns = \"schemas-houaiss\/verbo\" \/><st3:infinitivo>concorrer<\/st3:infinitivo> a deputado estadual. Ridi \u00e9 um exemplo vivo de um Processo Pol\u00edtico.<\/p>\n<p >Sua entrevista, esta sim, foi com E mai\u00fasculo. \u201cCoisa pr\u00e1 guasca!\u201d como dizemos aqui. Ap\u00f3s mais de um ano e meio desafiando no microfone toda a classe pol\u00edtica do munic\u00edpio para <st2:hdm>enfrentar<\/st2:hdm> a mim e a equipe numa entrevista-debate, ap\u00f3s <st2:hm>ser<\/st2:hm> cutucado pessoalmente, Ridi concordou. O acordo era simples, nenhum arranjo. Sem roteiro, assessoria, perguntas pr\u00e9-combinadas nem censura pr\u00e9via. Nada de radio-jornalismo chapa branca, nenhuma \u201cci\u00eancia\u201d pol\u00edtica neo-institucional. Respondia o que queria mas teria de <st2:hm>ouvir<\/st2:hm> todo e qualquer tipo de pergunta. O ex-prefeito vestiu as bombachas e foi para a peleia conosco.<\/p>\n<p >Perguntamos de tudo, mas algumas quest\u00f5es lhe tocaram fundo. Uma delas foi a do in\u00edcio de sua milit\u00e2ncia, ainda no governo Figueiredo. Pedimos que ele se lembrasse quem foi seu maior inimigo na pol\u00edtica econ\u00f4mica da \u00e9poca? Ele se fez de rogado, mas balbuciando disse: \u2018o ent\u00e3o ministro Ant\u00f4nio delfim Netto, autor da maxi-desvaloriza\u00e7\u00e3o do cruzeiro.\u201d Na \u00e9poca, Eliseu era l\u00edder comunit\u00e1rio em Viam\u00e3o. Ent\u00e3o pedimos que dissesse algo a respeito do governo Sarney quando tornou-se sindicalista em Porto Alegre, como eram as greves da \u00e9poca e a agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica durante a Constituinte. Ridi discorreu com detalhes as passagens mais importantes. Conclu\u00edmos perguntando-lhe como se sentia, ap\u00f3s mais de 25 anos de milit\u00e2ncia, ao <st2:hm>ver<\/st2:hm> seu partido <st2:hm>alcan\u00e7ar<\/st2:hm> o <st2:hm>poder<\/st2:hm> e levando de carona seus inimigos pol\u00edticos dos anos \u201980? Sil\u00eancio e constrangimento no est\u00fadio. Como resposta, derivou o debate para a concep\u00e7\u00e3o de hegemonia.<\/p>\n<p >Mudamos o assunto, e entramos em sua gest\u00e3o no munic\u00edpio. Sem d\u00favida, comparando com a bagun\u00e7a que havia, foram dois mandatos no m\u00ednimo regulares. Mas, quando a pergunta foi \u201co que <st2:hm>fazer<\/st2:hm> com a d\u00edvida p\u00fablica? \u00e9 poss\u00edvel <st2:hm>governar<\/st2:hm> para a maioria, <st2:hm>cumprir<\/st2:hm> a lei de responsabilidade fiscal e <st2:hm>pagar<\/st2:hm> a d\u00edvida ao mesmo tempo?\u201d Resposta seca e direta: \u201cn\u00e3o de fato n\u00e3o d\u00e1, a gente fica embretado e n\u00e3o cumpre meta nem prazo algum.\u201d <\/p>\n<p >O debate passou para o tema da milit\u00e2ncia e sua gera\u00e7\u00e3o de ativistas. Fizemos as contas no ar e a conclus\u00e3o foi a seguinte. Os que n\u00e3o foram tragados pela burocracia, a carreira pol\u00edtica e os t\u00e3o disputados CCs (cargos de confian\u00e7a), tinham ido para a casa. O exerc\u00edcio de <st2:hm>governar<\/st2:hm> sob as regras dos ex-inimigos hoje aliados esvaziou a vila e a base, consumindo todos os recursos humanos que haviam sido forjados at\u00e9 a derrota de Lula para Collor em 1989. Ap\u00f3s o in\u00edcio dos mandatos municipais, os novos correligion\u00e1rios j\u00e1 surgem para a pol\u00edtica com um p\u00e9 nos gabinetes e o outro pedindo para <st2:hm>entrar<\/st2:hm>. N\u00e3o sabem ou pouco conhecem o que \u00e9 a lida militante, <st2:hm>atuar<\/st2:hm> sem recursos e contra uma estrutura estabelecida. Como diz um professor da UNAM, Heinz Dieterich, alem\u00e3o radicado no M\u00e9xico e que muito admiro:<\/p>\n<p >\u201cN\u00e3o podem <st2:hm>trazer<\/st2:hm> solu\u00e7\u00f5es porque j\u00e1 s\u00e3o parte dos problemas!\u201d E s\u00e3o mesmo.<\/p>\n<p >No \u00faltimo bloco do debate, como a entrevista foi uma verdadeira peleia de id\u00e9ias, lhe perguntamos qual seria seu destino pol\u00edtico. \u201cO senhor vai <st2:hm>correr<\/st2:hm> para deputado estadual? Por qual corrente e aliado de quem?\u201d Nos deu a informa\u00e7\u00e3o, que ali\u00e1s j\u00e1 a t\u00ednhamos h\u00e1 30 dias, confirmando tamb\u00e9m a alian\u00e7a preferencial com Paulo Pimenta, candidato a <st2:hm>permanecer<\/st2:hm> deputado federal. <\/p>\n<p >Pimenta, como se sabe, \u00e9 ligado ao grupo de Tarso Genro, natural de Santa Maria da Boca do Monte e apoiou publicamente aos transg\u00eanicos no estado. Perguntamos como fica a sua posi\u00e7\u00e3o no munic\u00edpio e se n\u00e3o haveria choque de lealdades. Isto em fun\u00e7\u00e3o de <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> sido na gest\u00e3o Ridi que o assentamento Filhos de Sep\u00e9, do MST, se instalou em Viam\u00e3o. Eliseu ficou meio sem palavras e reconheceu que sendo amigo do inimigo de nossos amigos, portanto passa a <st2:hm>ser<\/st2:hm> tamb\u00e9m nosso inimigo.<\/p>\n<p >A \u00faltima pergunta foi direta: \u201cE a lealdade de classe companheiro?\u201d \u201cGovernei para todo o munic\u00edpio e n\u00e3o para um setor dele, farei o mesmo no parlamento ga\u00facho\u201d nos respondeu com muita franqueza. Ap\u00f3s esta pergunta, encerramos a tensa entrevista e nos despedimos dos ouvintes. <\/p>\n<p >Neste momento do artigo-relato, devem se <st2:hd>perguntar<\/st2:hd> qual a rela\u00e7\u00e3o da entrevista com a situa\u00e7\u00e3o do caseiro Francenildo dos Santos Costa, do consultor Ricardo Schumann, o presidente da Caixa Econ\u00f4mica Federal Jorge Mattoso, oex- ministro da Fazenda e tamb\u00e9m ex-prefeito Ant\u00f4nio Palocci e a dan\u00e7a da pizza de outra ex-prefeita, a deputada \u00c2ngela Guadagnin (PT-SP)? Sinto <st2:hm>dizer<\/st2:hm> que toda e qualquer rela\u00e7\u00e3o poss\u00edvel.<\/p>\n<p >N\u00e3o, n\u00e3o estamos acusando a Ridi de nenhuma das barbaridades de Bras\u00edlia, longe disso. Sua gest\u00e3o foi contestada nas ruas e microfones, n\u00e3o em tribunais. Nem tampouco esse ex-cobrador de \u00f4nibus tem sobre ele acusa\u00e7\u00f5es do tipo \u201ccasar\u00e3o da rep\u00fablica de Ribeir\u00e3o Preto\u201d, nem no campo moral e menos ainda nas malas de dinheiro.<\/p>\n<p >O problema n\u00e3o \u00e9 esse. A quest\u00e3o de fundo, voltando ao P mai\u00fasculo da pol\u00edtica e do processo, \u00e9 justamente outro P, este de \u201cporque\u201d? Porque um processo pol\u00edtico iniciado nos movimentos de massa da abertura e redemocratiza\u00e7\u00e3o termina incorrendo nos mesmo crimes e acusa\u00e7\u00f5es de ministros e pol\u00edticos da ditadura <st2:hm>militar<\/st2:hm>, como Delfim e Sarney? Ser\u00e1 este o pre\u00e7o da governabilidade? Ser\u00e1 este o destino de outros atores pol\u00edticos do continente, como Evo Morales e sua equipe tamb\u00e9m composta por muitos ex-guerrilheiros? A promiscuidade moral e a corrup\u00e7\u00e3o de valores \u00e9 inexor\u00e1vel ao exerc\u00edcio do <st2:hm>poder<\/st2:hm> pol\u00edtico?<\/p>\n<p >Nossa vontade e esperan\u00e7a dizem que n\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito entre <st2:hm>poder<\/st2:hm> pol\u00edtico e moral p\u00fablica arruinada. Mas, quando se governa com a estrutura dos outros e aliado dos antigos inimigos, a\u00ed sim, n\u00e3o pode <st2:hm>dar<\/st2:hm> em outra coisa. <\/p>\n<p >Par\u00e1bola final. Entre o ministro e o caseiro, n\u00e3o importa qual caseiro nem que tipo de ministro, que ven\u00e7a o caseiro!<\/p>\n<p >Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francenildo,ocaseiro de olho vivo e aberto, cuja vida privada foi devassada para &#8220;salvar&#8221; um ministro amigo de banqueiros e financistas. Foto: Viam\u00e3o\/RS, 28 de mar\u00e7o de 2006 Imagina-se que os artigos de um cientista pol\u00edtico refiram-se ao panorama pr\u00e9-campanha pelo fato de estarmos em ano eleitoral. Embora prefira o termo analista por ser mais real [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-729","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/729","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=729"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/729\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11452,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/729\/revisions\/11452"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=729"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=729"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=729"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}