{"id":730,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=730"},"modified":"2023-03-13T21:21:56","modified_gmt":"2023-03-14T00:21:56","slug":"o-poder-ou-o-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=730","title":{"rendered":"O poder ou o governo"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/marinho ainda na cut.jpg\" title=\"O atual ministro do Trabalho e ex-dirigente sindical, contenta-se com o mal menor, preocupa-se com a vit\u00f3ria eleitoral e n\u00e3o se preocupa com a derrota de classe. - Foto:\" alt=\"O atual ministro do Trabalho e ex-dirigente sindical, contenta-se com o mal menor, preocupa-se com a vit\u00f3ria eleitoral e n\u00e3o se preocupa com a derrota de classe. - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O atual ministro do Trabalho e ex-dirigente sindical, contenta-se com o mal menor, preocupa-se com a vit\u00f3ria eleitoral e n\u00e3o se preocupa com a derrota de classe.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >Viam\u00e3o\/RS, 4 de <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>abril de 2006<\/p>\n<p >A <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>queda do ministro Ant\u00f4nio Palocci e a posse de Guido Mantega refor\u00e7am no pa\u00eds para uma certeza. Tudo est\u00e1 e continua no seu devido lugar. Para alegria de poucos e desespero de muitos, os bancos seguem lucrando como nunca. Os recursos nacionais n\u00e3o s\u00e3o ilimitados, mas s\u00e3o muito grandes. Aos poucos, mesmo a opini\u00e3o p\u00fablica mais bem informada vai se acostumando com os fatos consumados. Repete-se mais do mesmo, troca-se seis por meia-d\u00fazia na Fazenda e a aten\u00e7\u00e3o est\u00e1 voltada para a investiga\u00e7\u00e3o policial sobre o ex-prefeito de Ribeir\u00e3o Preto. Suas obras como ministro, estas, s\u00e3o \u201cnaturalmente\u201d aprovadas. Mas, quem as aprovou?<\/p>\n<p >As <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>margens condicionantes, ou seja, as restri\u00e7\u00f5es estruturais, levam a uma s\u00e9rie de medidas e decis\u00f5es duras. Pregam \u201c<?xml:namespace prefix = st3 ns = \"schemas-houaiss\/dicionario\" \/><st3:sinonimos>austeridade<\/st3:sinonimos>\u201d, mas <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>para quem? Instigo aos leitores a um racioc\u00ednio l\u00f3gico. Observem as prega\u00e7\u00f5es sobre \u201cresponsabilidade\u201d nos rumos da economia brasileira. Cruzem estas declara\u00e7\u00f5es com as medidas concretas tomadas e depois trancem ambas informa\u00e7\u00f5es com os lucros do sistema <st3:sinonimos>financeiro<\/st3:sinonimos> operando no pa\u00eds. Tudo vai \u201cnaturalmente\u201d conduzindo a uma cada vez maior concentra\u00e7\u00e3o de renda, base monet\u00e1ria, recursos l\u00edquidos e capacidade decis\u00f3ria. Uma vez constatado o \u00f3bvio, resta o debate. Temos uma d\u00favida cruel em pol\u00edtica:<\/p>\n<p >&#8211; Quem governa e quem tem <st2:hm>poder<\/st2:hm> real de mando?<\/p>\n<p >Antes de <st2:hm>entrar<\/st2:hm> na discuss\u00e3o <st3:sinonimos>conceitual<\/st3:sinonimos>, vale <st2:hm>insistir<\/st2:hm> um pouco mais na crise da sociedade brasileira. Em contraparte aos lucros recordes dos bancos, o novo sal\u00e1rio m\u00ednimo de R$ 350,00 equivale a um quinto do seu preceito constitucional. Assim sendo, qual \u00e9 a Carta Magna? A Constitui\u00e7\u00e3o ou a Cartilha dos operadores de Washington, Nova York e Boston? <\/p>\n<p >Pode at\u00e9 <st2:hm>parecer<\/st2:hm> pieguice, mas fazemos quest\u00e3o de <st2:hm>citar<\/st2:hm> o texto constitucional: <\/p>\n<p >\u201csal\u00e1rio m\u00ednimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de <st2:hdm>atender<\/st2:hdm> \u00e0s suas necessidades vitais b\u00e1sicas e \u00e0s de sua fam\u00edlia, como moradia, alimenta\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, lazer, vestu\u00e1rio, higiene, transporte e previd\u00eancia social, reajustado periodicamente, de modo a <st2:hdm>preservar<\/st2:hdm> o <st2:hm>poder<\/st2:hm> aquisitivo, vedada sua vincula\u00e7\u00e3o para qualquer fim&#8221; (Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil, cap\u00edtulo II, Dos Direitos Sociais, artigo 7\u00ba, inciso IV).<\/p>\n<p >Qualquer compara\u00e7\u00e3o feita entre a capacidade real de compra do sal\u00e1rio m\u00ednimo de 1940 para c\u00e1 \u00e9 uma crueldade com nosso pr\u00f3prio bolso. Aumenta sim, a capacidade de indigna\u00e7\u00e3o, isto ao constatarmos que o PIB cresceu, numa m\u00e9dia ponderada dos \u00faltimos 60 anos, ao menos 5%. O sal\u00e1rio, bem, esse diminui numa escala cinco vezes maior que o volume das riquezas produzidas no Brasil.<\/p>\n<p >Mas, assim como destinamos a investiga\u00e7\u00e3o para os jornalistas especializados, sugerimos aos leitores uma visita prolongada \u00e0 p\u00e1gina do DIEESE. Nesta boa fonte de consulta, est\u00e3o todos os dados necess\u00e1rios para uma crise de nervos e \u00f3dios racionais. Nosso problema no artigo \u00e9 outro. \u00c9 <st2:hm>chamar<\/st2:hm> aten\u00e7\u00e3o para um debate crucial na an\u00e1lise pol\u00edtica latino-americana, e como sempre, devidamente esquecido por nossos pares brasileiros.<\/p>\n<p >Isto \u00e9, se o <st2:hm>Poder<\/st2:hm> n\u00e3o est\u00e1 no governo, ent\u00e3o onde est\u00e1? Fazendo aquilo ressaltado pelos neoinstitucionalistas, isto \u00e9, olhando para a Casa Branca, \u00e9 notada uma diferen\u00e7a. No pa\u00eds mais poderoso do mundo, as administra\u00e7\u00f5es v\u00e3o sendo alternadas entre as grandes corpora\u00e7\u00f5es transnacionais e os postos-chave da \u00fanica superpot\u00eancia mundial. Isto foi batizado de \u201cteoria da porta girat\u00f3ria\u201d e \u00e9 testada com observa\u00e7\u00e3o emp\u00edrica. Dick Cheney, o pr\u00f3prio Bush Jr., incluindo a cientista pol\u00edtica e ex-reitora de Stanford Condolleeza Rice s\u00e3o prova viva desta teoria. <\/p>\n<p >Esta condi\u00e7\u00e3o de altern\u00e2ncia dos postos-chave entre o Estado e os grandes agentes econ\u00f4micos foi \u201cnaturalizada\u201d na maior pot\u00eancia do mundo. Aqui n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o diferente, a n\u00e3o <st2:hm>ser<\/st2:hm> quando se trata de novos recrutamentos. Este \u00e9 o caso da nova elite dirigente, composta pelos quadros nacionais do PT, ao menos aqueles que sobreviverem aos esc\u00e2ndalos e inqu\u00e9ritos. Palocci foi aceito no clube, resta <st2:hm>saber<\/st2:hm> se ali permanecer\u00e1. Mantega seguir\u00e1 firme no seu encal\u00e7o, para alegria dos tucanos Meirelles, <st3:sinonimos>Fraga<\/st3:sinonimos> e Pedro Malan.<\/p>\n<p >A import\u00e2ncia dada para a pol\u00edtica econ\u00f4mica no Brasil \u00e9 justa. \u00c9 neste setor do Estado onde se fundem interesses de classe dominante, tecnocracias e elites dirigentes. O \u201cgoverno de fato\u201d \u00e9 aquele que dialoga com o <st2:hm>Poder<\/st2:hm>. E este, bem, este \u00e9 o conjunto de agentes associados com maior capacidade de exerc\u00edcio de suas vontades, dotados de recursos com enorme montante e tamb\u00e9m os maiores controladores dos recursos p\u00fablicos. Na pol\u00edtica econ\u00f4mica \u00e9 onde se manifesta o mais \u201cpuro\u201d <st2:hm>poder<\/st2:hm> de s\u00edntese entre as raz\u00f5es de Estado subserviente, interesses de classe, objetivos do Imp\u00e9rio e jogo de posi\u00e7\u00f5es dos atores individuais. Inclu\u00edmos neste \u00faltimo item aos ne\u00f3fitos no Olimpo <st3:sinonimos>financeiro<\/st3:sinonimos>.<\/p>\n<p >A soma destas vontades tamb\u00e9m tem eco e fonte de inspira\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria forma de <st2:hm>estar<\/st2:hm> no mundo. Ou seja, em alto n\u00edvel decis\u00f3rio, h\u00e1 uma conflu\u00eancia das esferas Pol\u00edtica, Econ\u00f4mica e Ideol\u00f3gica. Nesta s\u00edntese, operando sobre o controle dos recursos vitais, est\u00e1 o <st2:hm>Poder<\/st2:hm>. E no Brasil, o <st2:hm>Poder<\/st2:hm> passa pela pol\u00edtica econ\u00f4mica.<\/p>\n<p >F\u00f4ssemos um pa\u00eds menos complexo e tudo seria mais vis\u00edvel. Exemplo vivo \u00e9 a Venezuela de Ch\u00e1vez e agora a Bol\u00edvia de Morales. Pe\u00e7o distanciamento para compreens\u00e3o do exemplo. No caso venezuelano, todo o pa\u00eds \u00e9 uma plataforma de petr\u00f3leo. <st2:hm>Controlar<\/st2:hm> a empresa Pedevesa \u00e9 <st2:hm>controlar<\/st2:hm> os cofres da na\u00e7\u00e3o, ali\u00e1s, bem gordos. A toma do <st2:hm>poder<\/st2:hm> por Ch\u00e1vez n\u00e3o foi na posse e nem na retomada do Pal\u00e1cio Miraflores. \u00c9 l\u00f3gico que <st2:hm>derrotar<\/st2:hm> os golpistas de 2002, <st2:hm>controlar<\/st2:hm> as for\u00e7as armadas e <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> apoio popular foram vit\u00f3rias fundamentais. Mas, sem os recursos obtidos no controle da estatal petroleira, seria imposs\u00edvel <st2:hm>executar<\/st2:hm> suas pol\u00edticas sociais. Sem recursos, n\u00e3o d\u00e1 para <st2:hm>distribuir<\/st2:hm> dinheiro, <st2:hm>dividir<\/st2:hm> renda e nem <st2:hm>mobilizar<\/st2:hm> gente.<\/p>\n<p >O Brasil perde metade daquilo que arrecada para a rolagem da d\u00edvida, restitui\u00e7\u00e3o das taxas de juros e outras pajelan\u00e7as econ\u00f4micas. Metade dos recursos nacionais convertidos em moeda (digital ou f\u00edsica), ou escoam pelo ralo ou entram na roleta russa da jogatina financeira. Nenhum trabalhador sobrevive direito com o sal\u00e1rio m\u00ednimo que ganha. Que dir\u00e1 se, a metade daquilo que <st2:hdm>receber<\/st2:hdm>, tiver de <st2:hm>entregar<\/st2:hm> na m\u00e3o do agiota apenas para <st2:hm>pagar<\/st2:hm> juros de um empr\u00e9stimo contra\u00eddo e refeito um sem n\u00famero de vezes. N\u00e3o controlando o pr\u00f3prio recurso, o <st2:hm>Poder<\/st2:hm> se esvai pelas hiper-vias de fibra \u00f3tica conectando as pra\u00e7as banc\u00e1rias e financeiras do mundo com o \u201cnosso\u201d Banco Central.<\/p>\n<p >Enquanto isso, vamos discutindo avidamente a quebra do sigilo banc\u00e1rio do caseiro e a esb\u00f3rnia nas madrugadas do Lago Sul. Debatemos o governo e esquecemos do <st2:hm>Poder<\/st2:hm>. Este, vai bem e tranq\u00fcilo obrigado. N\u00e3o vai <st2:hm>entrar<\/st2:hm> na disputa em 1\u00ba de outubro e nem se <st2:hm>abalar<\/st2:hm> na campanha sangrenta que se avizinha.<\/p>\n<p >Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O atual ministro do Trabalho e ex-dirigente sindical, contenta-se com o mal menor, preocupa-se com a vit\u00f3ria eleitoral e n\u00e3o se preocupa com a derrota de classe. 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