{"id":731,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=731"},"modified":"2023-03-13T21:21:56","modified_gmt":"2023-03-14T00:21:56","slug":"que-classe-de-politicos-e-esta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=731","title":{"rendered":"Que classe de pol\u00edticos \u00e9 esta?"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/congresso nacional.jpg\" title=\"\n\n<p ><?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>Nos corredores do parlamento <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>brasileiro, pol\u00edticos profissionais seguem conspirando em benef\u00edcio pr\u00f3prio. Os recursos que os sustentam, somos todos n\u00f3s quem fornecemos. <\/p>\n<p> &#8211; Foto:&#8221; alt=&#8221;<\/p>\n<p ><?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>Nos corredores do parlamento <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>brasileiro, pol\u00edticos profissionais seguem conspirando em benef\u00edcio pr\u00f3prio. Os recursos que os sustentam, somos todos n\u00f3s quem fornecemos. <\/p>\n<p> &#8211; Foto:&#8221; class=&#8221;image&#8221;><figcaption class=\"fig-caption\">\n<p ><?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>Nos corredores do parlamento <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>brasileiro, pol\u00edticos profissionais seguem conspirando em benef\u00edcio pr\u00f3prio. Os recursos que os sustentam, somos todos n\u00f3s quem fornecemos. <\/p>\n<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >Viam\u00e3o\/RS, 11 de <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>abril de 2006<\/p>\n<p >Era uma quarta-feira como tantas outras. No plen\u00e1rio da <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>C\u00e2mara, o regimento assegura a <?xml:namespace prefix = st3 ns = \"schemas-houaiss\/dicionario\" \/><st3:sinonimos>absolvi\u00e7\u00e3o<\/st3:sinonimos> de mais um r\u00e9u <st3:sinonimos>confesso<\/st3:sinonimos>. Naquele in\u00edcio de noite, 5 de abril de 2006, outro cap\u00edtulo de uma na\u00e7\u00e3o vilipendiada por seu pr\u00f3prio Congresso chegava ao fim. O deputado federal Jo\u00e3o Paulo Cunha (PT-SP) fora absolvido. Pouco importa a diferen\u00e7a de votos. O pior \u00e9 a constata\u00e7\u00e3o pura e simples de que o voto foi na base do velho Robert\u00e3o: \u201c\u00e9 dando que se recebe!\u201d<\/p>\n<p ><?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>Com esse padr\u00e3o de comportamento e sem instrumentos de <?xml:namespace prefix = st4 ns = \"schemas-houaiss\/dicionario\" \/><st4:sinonimos>revoga\u00e7\u00e3o<\/st4:sinonimos> de mandato, ficamos ref\u00e9ns dessa gente. Mesmo n\u00e3o podendo <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/><st2:hm>p\u00f4r<\/st2:hm> todos os gatos na mesma bolsa, o que importa para a sociedade \u00e9 que a bolsa segue igual, e a maioria dos felinos ardilosamente entra e se encaixa muito bem nesta bolsa. A sociedade, bem, essa fica ouvindo o canto da sereia de quatro em quatro anos, pouco depois do Brasil <st2:hm>sair<\/st2:hm> campe\u00e3o ou vice de mais uma Copa do Mundo.<\/p>\n<p >O grande m\u00e9rito desta legislatura onde o Partido dos Trabalhadores tem a maior bancada \u00e9 a equidade geral e irrestrita. Assim como a Anistia perdoou a torturadores, ao contr\u00e1rio do ocorrido com os repressores da Argentina, o governo de Luiz In\u00e1cio fez todos os operadores pol\u00edticos iguais frente \u00e0s leis n\u00e3o escritas da vida republicana e n\u00e3o-republicana da na\u00e7\u00e3o brasileira. Agora a trag\u00e9dia est\u00e1 consumada e n\u00e3o basta <st2:hm>reclamar<\/st2:hm> do achatamento do sal\u00e1rio m\u00ednimo na era FHC ou das opera\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-financeiras de Sergio Motta e Lu\u00eds Carlos Mendon\u00e7a de Barros.<\/p>\n<p >Lula foi al\u00e9m dos n\u00fameros de Fernando Henrique, ultrapassou-o tamb\u00e9m na pol\u00edtica econ\u00f4mica, recrutando tucanos e neoliberais para <st2:hm>levar<\/st2:hm> adiante sua forma \u201crespons\u00e1vel\u201d de <st2:hm>governar<\/st2:hm>. Uma diferen\u00e7a cabal e contumaz \u00e9 a \u201cclasse\u201d do tucanato. N\u00e3o apenas a origem de classe, mas o estilo de <st2:hm>proceder<\/st2:hm>. Quem fez o jogo duro saiu e calou, como os famosos Eduardo Jorge Caldas e Ricardo S\u00e9rgio de Oliveira. J\u00e1 os mandarins do PT, todos deixaram rabo preso e marcas na pista. Ne\u00f3fitos no Planalto, escancaram a baixaria e partiram para a compra direta, com e sem rubrica, por dentro e por fora do or\u00e7amento da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p >Ao inv\u00e9s de <st2:hm>aumentar<\/st2:hm> o <st2:hm>poder<\/st2:hm> do Congresso Nacional e de seus l\u00edderes, os engenheiros da pol\u00edtica poderiam <st2:hm>buscar<\/st2:hm> f\u00f3rmulas e formas de <st2:hm>reduzir<\/st2:hm> este mesmo <st2:hm>poder<\/st2:hm>. N\u00e3o apenas do parlamento mas o <st2:hm>poder<\/st2:hm> do pr\u00f3prio Executivo. Para isto, necessitamos de mecanismos de veto oriundos da vontade popular e ao mesmo tempo, <st2:hdm>repartir<\/st2:hdm> o botim impositivo entre os componentes do pa\u00eds. Ou seja, passarmos de uma Uni\u00e3o para uma Federa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p >O mais desesperador \u00e9 que nada disto passa pela atual legislatura nem pela pr\u00f3xima. Passa pelas ganas de <st2:hm>agir<\/st2:hm> dos movimentos populares e das fra\u00e7\u00f5es de classe organizadas. Pena que a maior parte destes setores se encontram atadas t\u00e1tica ou estrategicamente ao governo de Roberto Rodrigues, Luiz Fernando Furlan, Henrique Meirelles, Dilma Roussef e cujo chefe de Estado e operador pol\u00edtico p\u00fablico \u00e9 o ex-metal\u00fargico.<\/p>\n<p >Retornando dos desejos \u00e0 realidade, reconhecemos que reformas pol\u00edtica e tribut\u00e1ria ajudariam a \u201c<st2:hm>moralizar<\/st2:hm>\u201d a pol\u00edtica brasileira. Mas, para atingi-las, os problemas s\u00e3o v\u00e1rios e se acumulam. Se desse para <st2:hm>fazer<\/st2:hm> pol\u00edtica com f\u00f3rmula institucional, tudo bem. Mas, como isto \u00e9 imposs\u00edvel, precisamos de um processo que empodere os agentes pol\u00edticos a concretizarem estas novas f\u00f3rmulas. Ou seja, para a pol\u00edtica, receitu\u00e1rio tipo bula de rem\u00e9dio s\u00f3 tende a <st2:hm>criar<\/st2:hm> outro cen\u00e1rio de terror, como um filme B de outra quarta-feira chuvosa. <\/p>\n<p >Este pa\u00eds precisava de gente na rua, assim como fez nas Diretas J\u00e1 e no Fora Collor. Dentre os componentes de palanques c\u00edvicos e cord\u00f5es de marcha, muitos hoje deveriam <st2:hm>estar<\/st2:hm> fazendo companhia a Salvatore Cacciola. Digo, se e caso o especulador \u00edtalo-carioca n\u00e3o tivesse \u201cfugido\u201d para Roma. Como todo criminoso de colarinho branco com ou sem mandato, ele de punido passou a foragido ou absolvido. Hoje passeia de lambretta entre o Coliseu e o Vaticano. Quanto ao nosso dinheiro, bem, este, quando escapa da rolagem da d\u00edvida, da taxa de juros e do mensal\u00e3o, cai na lei de responsabilidade fiscal. Seguimos pagando a conta, vendo os desmandos e xingando de voz baixa. <\/p>\n<p >Voltando ao Congresso, as f\u00f3rmulas e regras, algo tem de <st2:hm>ser<\/st2:hm> feito. Nosso regime \u00e9 presidencialista e quase unit\u00e1rio. N\u00e3o temos federalismo nem mecanismo de re-convocar o Parlamento. N\u00e3o quero <st2:hm>dizer<\/st2:hm> com isso que caso o regime fosse parlamentarista muita coisa mudaria. Talvez fosse at\u00e9 pior. Ou algu\u00e9m imagina um regime saud\u00e1vel dando ainda mais <st2:hm>poder<\/st2:hm> de barganha para um Congresso como o brasileiro? <\/p>\n<p >Outros formuladores de engenharia pol\u00edtica podem <st2:hm>dizer<\/st2:hm> que a lista fechada traria a solu\u00e7\u00e3o. Pode <st2:hm>ser<\/st2:hm>, alguma <st4:sinonimos>mudan\u00e7a<\/st4:sinonimos> chegaria, mas ao mesmo tempo refor\u00e7aria os caciques partid\u00e1rios. Um sistema distrital talvez? Imaginemos os efeitos concretos da institucionaliza\u00e7\u00e3o dos currais eleitorais. \u201cN\u00e3o s\u00e3o currais, mas sim redutos, diria um institucionalista!\u201d Sim, em parte teria este \u201ccientista\u201d a raz\u00e3o. Por outro lado, ter\u00edamos de <st2:hd>perguntar<\/st2:hd> ao \u201cespecialista\u201d: \u201cA qual sociedade concreta tu te refere?\u201d Sim, porque a sociedade brasileira, com certeza n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p >Poder\u00edamos <st2:hm>recome\u00e7ar<\/st2:hm> a <st2:hm>fazer<\/st2:hm> pol\u00edtica da cara limpa mudando dois mecanismos criminosos. Trata-se do col\u00e9gio de l\u00edderes e do voto secreto em plen\u00e1rio. Onde manda a desconfian\u00e7a, \u00e9 preciso a transpar\u00eancia. Pagamos a essa gente para tentarem <st2:hdm>representar<\/st2:hdm> nossos interesses e n\u00e3o para conspirarem em benef\u00edcio pr\u00f3prio. Voto em sigilo em um parlamento marcado pelo manto e suspeita da corrup\u00e7\u00e3o institucional \u00e9 um convite ao ceticismo e revolta popular. Foi o voto secreto que absolveu os suspeitos do mensal\u00e3o e o col\u00e9gio de l\u00edderes o mecanismo quem aprovou as emendas or\u00e7ament\u00e1rias. Tudo ao seu pre\u00e7o, com certeza. Restando algo de dignidade nas duas casas, n\u00e3o h\u00e1 comiss\u00e3o de \u00e9tica que resista. Perfeito, dissolvida a comiss\u00e3o, fica tudo como est\u00e1 e n\u00e3o se fala mais nisto, certo?<\/p>\n<p >Errado. Uma an\u00e1lise mais minuciosa nos faz <st2:hdm>lembrar<\/st2:hdm> o fato de que os partidos pol\u00edticos t\u00eam cerca de 10% de confian\u00e7a popular e os pol\u00edticos profissionais menos de 8%. J\u00e1 citamos estes dados em artigos anteriores e insistimos nisso. Este mesmo povo, s\u00e1bio ao n\u00e3o <?xml:namespace prefix = st3 ns = \"schemas-houaiss\/verbo\" \/><st3:infinitivo>confiar<\/st3:infinitivo> em quem representa a si mesmo, v\u00ea-se embretado no in\u00edcio do p\u00e1reo eleitoral. Agora n\u00e3o adianta <st3:infinitivo>desesperar<\/st3:infinitivo>, nem <st2:hm>buscar<\/st2:hm> voto \u00fatil ou mal menor. O melhor a <st2:hm>fazer<\/st2:hm> \u00e9 <st2:hdm>juntar<\/st2:hdm> for\u00e7as, <st2:hm>buscar<\/st2:hm> um programa unificador, algo que represente os interesses de classe e seja vi\u00e1vel. <\/p>\n<p >Caso contr\u00e1rio, resta apenas mais do mesmo. Isto significa, <st2:hm>recriar<\/st2:hm> novas burocracias com origem sindical e no movimento popular, <st2:hm>institucionalizar<\/st2:hm> estas lideran\u00e7as, <st2:hm>esperar<\/st2:hm> em torno de vinte anos e <st2:hm>ver<\/st2:hm> um por um <st2:hm>passar<\/st2:hm> para o outro lado. A hist\u00f3ria serve para n\u00e3o repetirmos os mesmos erros. Ou algu\u00e9m imaginava aquele sindicalista, discursando no 1\u00ba de maio de 1979, elevado \u00e0 l\u00edder de massas por aquela multid\u00e3o presente no est\u00e1dio de futebol em S\u00e3o Bernardo, terminasse governando junto a pol\u00edticos da UDN e da Arena? <\/p>\n<p >Este povo, composto de milh\u00f5es de Eribertos e Francenildos, n\u00e3o merece a classe pol\u00edtica que tem. Por isso mesmo, n\u00e3o pode <st2:hm>seguir<\/st2:hm> alimentando esta fra\u00e7\u00e3o de classe dominante com seus melhores quadros. Ou buscamos outras sa\u00eddas democr\u00e1ticas a longo prazo, ou veremos mais e mais epis\u00f3dios como os de quarta passada. L\u00edderes sindicais e populares, como um dia foi Jo\u00e3o Paulo Cunha, terminam absolvidos mesmo sendo r\u00e9us confessos. Triste cumplicidade com um Congresso que s\u00f3 representa a si mesmo e aos seus s\u00f3cios-financiadores de campanha e mandato. <\/p>\n<p >At\u00e9 quando?<\/p>\n<p >Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-731","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/731","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=731"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/731\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11454,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/731\/revisions\/11454"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=731"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=731"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=731"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}