{"id":733,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=733"},"modified":"2023-03-13T21:22:03","modified_gmt":"2023-03-14T00:22:03","slug":"controle-e-democracia-na-comunicacao-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=733","title":{"rendered":"Controle e democracia na comunica\u00e7\u00e3o &#8211; 1"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/roberto_marinho_sentado.jpg\" title=\"\n\n<p >O homem que foi uma das <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>bases de sustenta\u00e7\u00e3o da ditadura eatrav\u00e9s de seu legadoexecuta o mesmo <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>papel da \u201cdemocracia\u201d de monop\u00f3lios e oligop\u00f3lios.<\/p>\n<p> &#8211; Foto:&#8221; alt=&#8221;<\/p>\n<p >O homem que foi uma das <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>bases de sustenta\u00e7\u00e3o da ditadura eatrav\u00e9s de seu legadoexecuta o mesmo <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>papel da \u201cdemocracia\u201d de monop\u00f3lios e oligop\u00f3lios.<\/p>\n<p> &#8211; Foto:&#8221; class=&#8221;image&#8221;><figcaption class=\"fig-caption\">\n<p >O homem que foi uma das <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>bases de sustenta\u00e7\u00e3o da ditadura eatrav\u00e9s de seu legadoexecuta o mesmo <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>papel da \u201cdemocracia\u201d de monop\u00f3lios e oligop\u00f3lios.<\/p>\n<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >Viam\u00e3o\/RS, 25 de <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>abril de 2006<\/p>\n<p >Muito al\u00e9m daquilo que vemos e lemos nas entrelinhas da aus\u00eancia de editoriais do Jornal Nacional, a pol\u00edtica do controle das comunica\u00e7\u00f5es no Brasil atravessa uma luta de vida ou <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>morte. Neste e nos pr\u00f3ximos dois artigos semanais, iremos <st2:hm>abordar<\/st2:hm> o tema sob um outro \u00e2ngulo. Ou seja, a <st2:hm>partir<\/st2:hm> da an\u00e1lise estrat\u00e9gica da conjuntura vivida, buscaremos <st2:hm>apontar<\/st2:hm> outras sa\u00eddas para a soberania popular e a constru\u00e7\u00e3o de um novo espa\u00e7o p\u00fablico. Para quem ainda n\u00e3o se localizou, estamos falando da Rede Globo, seu ministro H\u00e9lio Costa e o \u201camigo\u201d ocupante do Planalto no momento.<\/p>\n<p >Na <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>semana passada, os telejornais da Globo transmitiram com euforia a simples assinatura de um protocolo de inten\u00e7\u00f5es entre o governo do Brasil e algumas grandes empresas de tecnologia japonesas. Embora seja um <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>debate complicado para o grande p\u00fablico, este deve <st2:hm>ser<\/st2:hm> feito. O padr\u00e3o digital a <st2:hm>ser<\/st2:hm> escolhido pelo pa\u00eds, significa muito em termos de soberania, controle da cadeia produtiva dos semicondutores e do pr\u00f3prio controle da comunica\u00e7\u00e3o pelos interesses nacionais. Abordaremos este tema na pr\u00f3xima semana, agora vamos <st2:hm>concentrar<\/st2:hm> o foco nos grandes agentes econ\u00f4micos da ind\u00fastria midi\u00e1tica.<\/p>\n<p >A disputa pela digitaliza\u00e7\u00e3o revive na primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI os embates da lei da difus\u00e3o a cabo. Naquele momento, a maior emissora do pa\u00eds iniciou seu processo de endividamento sem fim. Processo este que, se n\u00e3o fosse por vultosas ajudas do BNDES e de sucessivos governos da Uni\u00e3o, a mesma j\u00e1 estaria falida. Justi\u00e7a seja feita, n\u00e3o apenas o maior dos conglomerados estaria falido, mas tamb\u00e9m o total das seis redes privadas nacionais, que comp\u00f5em o oligop\u00f3lio da comunica\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p >Isto porque, como modelo de neg\u00f3cios, a tele-difus\u00e3o aberta no Brasil est\u00e1 quebrada. Todas elas, a Globo, Bandeirantes, SBT, Record, Rede TV e CNT n\u00e3o conseguiriam <st2:hm>saldar<\/st2:hm> nem 50% dos seus custos fixos, se n\u00e3o fosse pela publicidade oficial veiculada nas emissoras. Como neg\u00f3cio, a TV aberta depende diretamente de verbas p\u00fablicas. Ou seja, publicidade estatal, a mesma que \u00e9 desviada e some pelos ralos do Valerioduto. E como todos sabemos, o que n\u00e3o falta \u00e9 propaganda paga com o dinheiro do <?xml:namespace prefix = st3 ns = \"schemas-houaiss\/dicionario\" \/><st3:sinonimos>contribuinte<\/st3:sinonimos>. As receitas do r\u00e1dio v\u00eam minguando muito em fun\u00e7\u00e3o disso. Do montante de publicidade p\u00fablica e privada aplicada nas m\u00eddias, apenas 4% do total vai para o r\u00e1dio; 56,1% deste \u00e9 para a TV; 21,5% para os jornais e 10,6% para revistas. Para as outras m\u00eddias, onde se inclui a eletr\u00f4nica, o montante \u00e9 de 6,9%. <\/p>\n<p >Em recursos, a ind\u00fastria da m\u00eddia movimenta em publicidade o total de R$ 5 bilh\u00f5es e 358 milh\u00f5es de reais. Deste montante, mais da metade, ou seja, R$ 2 bilh\u00f5es e 679 milh\u00f5es saem diretamente dos cofres p\u00fablicos para <st2:hm>fazer<\/st2:hm> propaganda de governo, institucional, e conforme provado na CPI dos Correios, <st2:hm>ser<\/st2:hm> devidamente desviado para Caixas 2 de campanha e outros \u201cinvestimentos\u201d. Dos gastos estatais com publicidade, mais da metade tem como destino os cofres da fam\u00edlia Marinho e suas emissoras nos estados.<\/p>\n<p >O mais perverso deste modelo de oligop\u00f3lio, financiado com dinheiro p\u00fablico, \u00e9 o fato do modelo apresentado em escala nacional reproduzir-se de forma id\u00eantica nos estados. Por <st2:hm>morar<\/st2:hm> no Rio Grande, obviamente surge a imagem da matriz do grupo RBS, controlado pela fam\u00edlia Sirotsky h\u00e1 quatro gera\u00e7\u00f5es. A import\u00e2ncia da presen\u00e7a dos captadores de recursos p\u00fablicos e o livre tr\u00e2nsito pelos corredores do Planalto e do minist\u00e9rio das Comunica\u00e7\u00f5es \u00e9 evidenciado pela presen\u00e7a de Pedro Parente, ex-ministro de Or\u00e7amento e Gest\u00e3o de FHC, como vice-presidente executivo do grupo ga\u00facho. Conforme dissemos no artigo da semana passada, quando a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 estrutural, mudam os atores individuais, mas as disputas e os interesses s\u00e3o os mesmos.<\/p>\n<p >No Brasil, o chamado 4\u00ba <st2:hm>poder<\/st2:hm> se funde com a classe pol\u00edtica e os grandes grupos econ\u00f4micos. \u00c9 imposs\u00edvel <st2:hm>diferenciar<\/st2:hm> os campos de atua\u00e7\u00e3o e os interesses diretos entre pol\u00edticos e donos de m\u00eddia. No senado da rep\u00fablica, um em cada tr\u00eas senadores s\u00e3o donos ou testas-de-ferro de donos de grupos de comunica\u00e7\u00e3o. J\u00e1 na C\u00e2mara, a mesma que absolveu o r\u00e9u <st3:sinonimos>confesso<\/st3:sinonimos> Jo\u00e3o Paulo Cunha, 40% dos parlamentares est\u00e3o na mesma situa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p >Mesmo reconhecendo que n\u00e3o existe imparcialidade jornal\u00edstica, pelo menos os dados e situa\u00e7\u00f5es factuais deveriam <st2:hm>ser<\/st2:hm> a fonte e mat\u00e9ria-prima da ind\u00fastria, correto? Portanto, era de se <st2:hm>esperar<\/st2:hm> algo como \u201cobjetividade\u201d, ou que as constru\u00e7\u00f5es de imagem, narrativas da hist\u00f3ria cotidiana, identidades real\u00e7adas ou deturpadas tivessem como fonte o real. Mas nem isso, considerando este padr\u00e3o de comportamento assemelhado ao do Congresso, se pode se <st2:hm>esperar<\/st2:hm> dos donos de m\u00eddia no Brasil.<\/p>\n<p >Antes de <st2:hdm>prosseguir<\/st2:hdm>, \u00e9 preciso <st2:hm>dizer<\/st2:hm> que a fonte destes dados, n\u00e3o a an\u00e1lise, prov\u00e9m do F\u00f3rum Nacional pela Democracia na Comunica\u00e7\u00e3o (www.fndc.org.br) e especificamente de um gr\u00e1fico produzido pelo Epcom &#8211; Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunica\u00e7\u00e3o, daqui de Porto Alegre. A an\u00e1lise, leitura e interpreta\u00e7\u00e3o dos dados e conclus\u00e3o l\u00f3gica \u00e9 toda de minha autoria e responsabilidade. Mais do que a leitura de n\u00fameros, este texto \u00e9 uma an\u00e1lise pol\u00edtica.<\/p>\n<p >Desde a Constituinte, diversos grupos de interesses vinculados ao movimento popular e sindical v\u00eam tentando se <st2:hm>contrapor<\/st2:hm> a este modelo. Nos debates, verifica-se que nenhum modelo \u00e9 t\u00e3o concentrador como o brasileiro. Para espanto de todos, mesmo os marcos regulat\u00f3rios da comunica\u00e7\u00e3o social dos Estados Unidos s\u00e3o mais democr\u00e1ticos. Pela lei dos EUA, \u00e9 inimagin\u00e1vel um telejornal <st2:hm>atingir<\/st2:hm> um pico de audi\u00eancia de 70% ou 80%, como \u00e9 a m\u00e9dia do Jornal Nacional. Tamb\u00e9m \u00e9 impens\u00e1vel a produ\u00e7\u00e3o <st2:hm>ser<\/st2:hm> t\u00e3o concentrada como \u00e9 no Brasil. L\u00e1, \u00e9 prevista 70% de regionaliza\u00e7\u00e3o dos produtos de comunica\u00e7\u00e3o. Aqui, como bem sabemos, a m\u00e9dia \u00e9 inversa.<\/p>\n<p >Avaliando a urg\u00eancia dos tempos e o aperto <st3:sinonimos>financeiro<\/st3:sinonimos> do maior dos grupos de comunica\u00e7\u00e3o, \u00e9 f\u00e1cil <st2:hm>saber<\/st2:hm> porque o governo faz a pol\u00edtica da Globo. Ao isentar-se de <st2:hm>fazer<\/st2:hm> pol\u00edtica de comunica\u00e7\u00e3o, prevalece a atual, a hegem\u00f4nica, controlada pelo ministro de confian\u00e7a do monop\u00f3lio, o senhor H\u00e9lio Costa. Entre o choque de seus interesses diretos com suas op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, a fam\u00edlia Marinho prefere <st2:hm>resguardar<\/st2:hm> seu pr\u00f3prio caixa. Este \u00e9 um fator, com certeza o determinante e n\u00e3o o \u00fanico, do apoio velado da Rede Globo ao governo do ex-desafeto e ex-militante de esquerda Luiz In\u00e1cio. <\/p>\n<p >Se considerarmos o perfil de alian\u00e7a dos setores hegem\u00f4nicos com Lula, notadamente na Fazenda, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio e Agricultura, vemos o porque deste governo de \u201cesquerda\u201d n\u00e3o <st2:hm>amedrontar<\/st2:hm> ningu\u00e9m. Dentre as op\u00e7\u00f5es fundamentais destas quatro \u00e1reas, Luiz In\u00e1cio se alia com a Banca e a Globo, atendendo interesses e assegurando seus lucros e vantagens. Visto isso, \u00e9 poss\u00edvel <st2:hm>compreender<\/st2:hm> muitos fen\u00f4menos. Dentre eles, os maus len\u00e7\u00f3is onde se encontra Alckmin e a quebra sucessiva de recordes de apreens\u00e3o de emissoras de r\u00e1dios comunit\u00e1rias pela Anatel.<\/p>\n<p >Mantido este modelo concentrador das comunica\u00e7\u00f5es no Brasil, nossa democracia ser\u00e1 sempre uma meia-verdade, dita e repetida entre an\u00fancios do governo da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p >Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-733","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/733","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=733"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/733\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11456,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/733\/revisions\/11456"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=733"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=733"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=733"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}