{"id":735,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=735"},"modified":"2023-03-13T21:22:03","modified_gmt":"2023-03-14T00:22:03","slug":"controle-e-democracia-na-comunicacao-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=735","title":{"rendered":"Controle e Democracia na comunica\u00e7\u00e3o \u2013 3"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/grafico_de_mapa_dos_negocios.gif\" title=\"\n\n<p ><?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>Enquanto este for o mapa dos neg\u00f3cios gerenciados pela Anatel, seguiremos ignorando nossa pr\u00f3pria <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>realidade e tudo o que acontece ao redor do Brasil.<\/p>\n<p> &#8211; Foto:&#8221; alt=&#8221;<\/p>\n<p ><?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>Enquanto este for o mapa dos neg\u00f3cios gerenciados pela Anatel, seguiremos ignorando nossa pr\u00f3pria <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>realidade e tudo o que acontece ao redor do Brasil.<\/p>\n<p> &#8211; Foto:&#8221; class=&#8221;image&#8221;><figcaption class=\"fig-caption\">\n<p ><?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>Enquanto este for o mapa dos neg\u00f3cios gerenciados pela Anatel, seguiremos ignorando nossa pr\u00f3pria <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>realidade e tudo o que acontece ao redor do Brasil.<\/p>\n<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p ><?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>Vila Setembrina dos Farrapos de Viam\u00e3o \u2013 <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>Rio Grande \u2013 09 de maio de 2006<\/p>\n<p >Com este artigo, conclu\u00edmos a breve trilogia sobre a luta pela democracia na comunica\u00e7\u00e3o social no Brasil. Buscamos <st2:hm>difundir<\/st2:hm> um panorama geral, somando uma vis\u00e3o cr\u00edtica do oligop\u00f3lio que controla a comunica\u00e7\u00e3o de massas em nosso pa\u00eds. <st2:hm>Desenvolver<\/st2:hm> este texto, n\u00e3o partindo de dados como nos dois primeiros, e sim dois fatos singulares vistos como \u201cnovidade\u201d pela audi\u00eancia receptora brasileira.<\/p>\n<p >Iniciamos <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>com um tema \u201cdom\u00e9stico\u201d. H\u00e1 cerca de um m\u00eas, a revista eletr\u00f4nica dominical O Fant\u00e1stico, programa s\u00edmbolo da Rede Globo assim como o Jornal Nacional, transmitiu <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>para todo o pa\u00eds as mazelas das favelas brasileiras. O foco no document\u00e1rio produzido pelo rapper MVBill e Celso Athayde eram as favelas do Rio e Grande Rio. \u00c9 certo que foram narradas e expostas situa\u00e7\u00f5es em v\u00e1rias periferias de norte a sul do Brasil. De qualquer maneira, as experi\u00eancias de cotidiano filmadas s\u00e3o vividas diariamente por milh\u00f5es de brasileiros. Fica a d\u00favida:<\/p>\n<p >\u201cSe a rotina desses lugares funciona assim h\u00e1 mais de 20 anos, ent\u00e3o o porqu\u00ea do esc\u00e2ndalo?\u201d<\/p>\n<p >Dentro da literatura espec\u00edfica variando na mesma tem\u00e1tica, ou seja, a situa\u00e7\u00e3o de ilegalidade plena, atua\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias como grupo de exterm\u00ednio e corrup\u00e7\u00e3o sist\u00eamica, j\u00e1 foram escritas v\u00e1rias obras. Uma delas nos chama a aten\u00e7\u00e3o pela crueza. Trata-se do livro \u201cElite da Tropa\u201d, escrito a seis m\u00e3os, por Luiz Eduardo Soares, Andr\u00e9 Batista e Rodrigo Pimentel. Os dois \u00faltimos s\u00e3o oficiais da PM do Rio de Janeiro com longa passagem pelo Batalh\u00e3o de Opera\u00e7\u00f5es Especiais (BOPE). Alguns trechos do livro foram narrados como mat\u00e9rias de telejornalismo. Resultado: mais esc\u00e2ndalo e um \u201ccurioso\u201d espanto da sociedade.<\/p>\n<p >Em ambos os casos, as obras documentais, embora muito bem feitas, de fato, trouxeram pouca ou nenhuma novidade. Resta a pergunta:<\/p>\n<p >\u201cOnde est\u00e1 a m\u00eddia brasileira que n\u00e3o reflete nem espelha as d\u00favidas e agonias das maiorias de nossa sociedade?\u201d<\/p>\n<p >Semana passada, um novo \u201cfato singular\u201d espanta a maioria dos brasileiros. Desta vez, a \u201cnovidade\u201d n\u00e3o mora ao lado, mas sim no pr\u00f3prio continente. O presidente eleito da Bol\u00edvia, o dirigente cocalero Evo Morales, nacionaliza o petr\u00f3leo e seus derivados, expropriando as instala\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias empresas. Obviamente, a m\u00eddia nacional chama correndo dezenas de \u201cespecialistas\u201d que ciclicamente repetem os chav\u00f5es de \u201cpopulismo\u201d e \u201cirresponsabilidade\u201d. O \u201cespanto\u201d sobre a medida do novo governo boliviano simplesmente porque desconhecemos nossos vizinhos, assim como n\u00e3o conhecemos a n\u00f3s mesmos. A demanda da nacionaliza\u00e7\u00e3o dos hidrocarbonetos j\u00e1 \u00e9 reiterada h\u00e1 d\u00e9cadas. Desde a funda\u00e7\u00e3o do Instrumento Pol\u00edtico dos Povos Originais de Bol\u00edvia, nome e conceito definidor do MAS, est\u00e1 \u00e9 uma medida estrat\u00e9gica e cuja press\u00e3o popular for\u00e7a o novo executivo a <st2:hm>avan\u00e7ar<\/st2:hm> nesta ofensiva.<\/p>\n<p >Mesmo que a TV aberta brasileira n\u00e3o tenha fundos para <st2:hm>cobrir<\/st2:hm> o continente, gastando toda sua verba mantendo correspondentes em Nova York, Londres, Paris, Jerusal\u00e9m e at\u00e9 em Beijing, poder\u00edamos nos <st2:hm>informar<\/st2:hm> atrav\u00e9s da cabodifus\u00e3o, correto? Errado. Isto porque o padr\u00e3o das TVs a cabo assim como as demais televis\u00f5es por assinatura no Brasil reflete o mesmo padr\u00e3o concentrador, de oligop\u00f3lio e com <?xml:namespace prefix = st3 ns = \"schemas-houaiss\/dicionario\" \/><st3:sinonimos>programa\u00e7\u00e3o<\/st3:sinonimos> colonialista. Todos n\u00f3s conhecemos fam\u00edlias cujos filhos adolescentes acompanham filmes falados em ingl\u00eas todos os dias na TV, com legenda em nosso idioma, e isso h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p >Estes mesmos adolescentes, grande parte da audi\u00eancia cativa da TV por assinatura, que mal arranham um castelhano portenho, cantam e escrevem m\u00fasicas em ingl\u00eas. O cabo argentino por exemplo, mesmo sendo concentrador e com uma m\u00eddia cujo empresariado \u00e9 pirata e aventureiro, oferece mais de 100 canais nacionais e com farta cobertura e <st3:sinonimos>programa\u00e7\u00e3o<\/st3:sinonimos> latino-americana. Se estamos de olhos fechados para n\u00f3s e a nossos vizinhos, como podemos <st2:hm>saber<\/st2:hm> e inteirar-nos daquilo que acontece ao nosso redor?<\/p>\n<p >N\u00e3o podemos, at\u00e9 porque n\u00e3o estamos refletidos na televis\u00e3o e nem no r\u00e1dio. Novas formas e ve\u00edculos avan\u00e7am e a tend\u00eancia \u00e9 o padr\u00e3o digital <st2:hm>convergir<\/st2:hm> todas as m\u00eddias em menos de duas d\u00e9cadas. Mas, se esta converg\u00eancia <st2:hm>reproduzir<\/st2:hm> o modelo concentrador, a\u00ed sim, a comunica\u00e7\u00e3o social no Brasil estar\u00e1 em um profundo e escuro labirinto.<\/p>\n<p >Para <st2:hm>sair<\/st2:hm> deste labirinto, mais de uma dezena de movimentos populares e entidades da sociedade civil est\u00e3o em luta franca desde a Constituinte de 88. Al\u00e9m dos grupos de estudo, semin\u00e1rios, encontros, lobbies do bem apoiando a Lei da Informa\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica, trabalhando nas brechas legais da Lei da Cabodifus\u00e3o, peleando o padr\u00e3o digital brasileiro e n\u00e3o o japon\u00eas, temos na ponta da lan\u00e7a, as r\u00e1dios comunit\u00e1rias. <\/p>\n<p >Por defini\u00e7\u00e3o da Anatel e do Minist\u00e9rio das Comunica\u00e7\u00f5es, as associa\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias de radiodifus\u00e3o praticam desobedi\u00eancia civil. Embora seja este o enquadramento legal, salvo toda a pirataria e picaretagem, como as r\u00e1dios vinculadas a igrejas neo-pentecostais e pol\u00edticos locais, \u00e9 nas emissoras comunit\u00e1rias que se encontram a gesta\u00e7\u00e3o de uma outra forma de <st2:hm>comunicar<\/st2:hm>. Hoje, outorgadas, j\u00e1 s\u00e3o mais de 2.500 r\u00e1dios. Sem a outorga definitiva, outras 2.000 enfrentam a batalha di\u00e1ria de <st2:hm>ir<\/st2:hm> ao ar e n\u00e3o serem apreendidas, clausuradas ou lacradas. Mesmo \u00e0quelas com outorga, a visita dos fiscais da Anatel, geralmente acompanhados de forte contingente da Pol\u00edcia Federal, \u00e9 uma triste constante. Imaginem se o mesmo acontecesse com as grandes r\u00e1dios e as cabe\u00e7as de rede?! <\/p>\n<p >\u00c9 preciso <st2:hm>reconhecer<\/st2:hm> que nem tudo s\u00e3o flores. Dentro do perfil definido pelo movimento popular e especificamente por sua maior express\u00e3o no setor, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Radiodifus\u00e3o Comunit\u00e1ria (Abra\u00e7o), o conjunto das r\u00e1dios comunit\u00e1rias de fato e com democracia interna, seriam 300 em todo o pa\u00eds.Mesmo com tantos problemas, esta \u00e9 a trincheira de m\u00eddia onde as vontades pol\u00edticas das maiorias e as identidades regionais e locais podem se <st2:hdm>manifestar<\/st2:hdm>. Remando contra a mar\u00e9, as milhares de emissoras comunit\u00e1rias resgatam uma forma de <st2:hdm>falar<\/st2:hdm> e <st2:hm>ouvir<\/st2:hm> pr\u00f3prias daqueles que n\u00e3o tem espa\u00e7o. \u00c9 certo que muito h\u00e1 para se <st2:hm>evoluir<\/st2:hm>, especialmente no trabalho de linguagens e informa\u00e7\u00e3o horizontal. Mas, que o espa\u00e7o est\u00e1 aberto e opera como contraponto das grandes redes, esta \u00e9 uma realidade.<\/p>\n<p >Isto porque, tecnicamente, o oligop\u00f3lio da comunica\u00e7\u00e3o no Brasil exerce o chamado dom\u00ednio de enclave. Entre an\u00fancios de governo e propaganda de sab\u00e3o em p\u00f3, os brasileiros se v\u00eaem e ouvem atrav\u00e9s de um espelho torto que reflete apenas as condi\u00e7\u00f5es de vida e de comportamento de uns poucos quarteir\u00f5es do Rio de Janeiro e de S\u00e3o Paulo. Ou algu\u00e9m conhece uma escola p\u00fablica com o padr\u00e3o de estudo, instala\u00e7\u00f5es desportivas e mesmo as g\u00edrias utilizadas na novela juvenil Malha\u00e7\u00e3o? <\/p>\n<p >Precisamos sempre <st2:hdm>lembrar<\/st2:hdm> que \u00e9 o botim impositivo, a fonte que nunca seca, que sustenta tudo isso. Com 10% dos gastos da propagada estatal hoje aplicados nas redes privadas, toda a rede p\u00fablica, incluindo a Rede Cultura, a Rede das TVs Educativas, TVs Universit\u00e1rias e Legislativas seria sustentada e desenvolvida. Com mais 10% dos gastos e uma outra rede de r\u00e1dios e televis\u00f5es comunit\u00e1rias poderia se <st2:hm>desenvolver<\/st2:hm>.<\/p>\n<p >Ou seja, se R$ 2,00 de cada R$ 10,00 reais gastos com propagada estatal e institucional de autarquias, empresas ou cons\u00f3rcios com participa\u00e7\u00e3o do Estado &#8211; como o cons\u00f3rcio Visanet e os Fundos de Pens\u00e3o de Servidores \u2013 poder\u00edamos nos <st2:hm>contrapor<\/st2:hm> ao oligop\u00f3lio. <\/p>\n<p >Com estas medidas t\u00e3o simples como duras de serem conquistadas, tudo seria diferente. Dentro de 15anos, operando o padr\u00e3o brasileiro de R\u00e1dio e TV Digital, difundindo um sem n\u00famero de emissoras de r\u00e1dio e televis\u00e3o comunit\u00e1rias, a m\u00eddia poderia n\u00e3o <st2:hm>ser<\/st2:hm> uma, mas v\u00e1rias. Somadas aos tele-centros em favelas e bairros perif\u00e9ricos, a m\u00eddia seria democratizada e sem modelo concentrador. Sua grade iria adaptar-se, inovando linguagens e formatos de acordo com o perfil das comunidades, setores de classe e territ\u00f3rios de onde s\u00e3o gerados e geridos as identidades e espa\u00e7os p\u00fablicos. <\/p>\n<p >Se assim fosse, com certeza nunca mais ser\u00edamos \u201csurpreendidos\u201d ao nos depararmos com nossas realidades e a de nossos vizinhos. <\/p>\n<p >Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-735","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/735","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=735"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/735\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11457,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/735\/revisions\/11457"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=735"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=735"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=735"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}