{"id":739,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=739"},"modified":"2023-03-13T21:22:10","modified_gmt":"2023-03-14T00:22:10","slug":"democracia-ritual-e-desmobilizacao-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=739","title":{"rendered":"Democracia ritual e desmobiliza\u00e7\u00e3o popular"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mlst_no_congresso.jpg\" title=\"\n\n<p >O fato pol\u00edtico marcado pelo ataque simb\u00f3lico e f\u00edsico contra a institui\u00e7\u00e3o que incorpora a decep\u00e7\u00e3o popular. O Congresso Nacional \u00e9 a prova viva de que a auto-regula\u00e7\u00e3o n\u00e3o pune ningu\u00e9m.<\/p>\n<p> &#8211; Foto:&#8221; alt=&#8221;<\/p>\n<p >O fato pol\u00edtico marcado pelo ataque simb\u00f3lico e f\u00edsico contra a institui\u00e7\u00e3o que incorpora a decep\u00e7\u00e3o popular. O Congresso Nacional \u00e9 a prova viva de que a auto-regula\u00e7\u00e3o n\u00e3o pune ningu\u00e9m.<\/p>\n<p> &#8211; Foto:&#8221; class=&#8221;image&#8221;><figcaption class=\"fig-caption\">\n<p >O fato pol\u00edtico marcado pelo ataque simb\u00f3lico e f\u00edsico contra a institui\u00e7\u00e3o que incorpora a decep\u00e7\u00e3o popular. O Congresso Nacional \u00e9 a prova viva de que a auto-regula\u00e7\u00e3o n\u00e3o pune ningu\u00e9m.<\/p>\n<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >06 de <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>junho de 2006<\/p>\n<p >Vila Setembrina dos Farrapos de Viam\u00e3o, <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>Rio Grande de S\u00e3o Sep\u00e9 <\/p>\n<p >Um dos maiores problemas na pol\u00edtica atual \u00e9 o controle da popula\u00e7\u00e3o sobre a classe pol\u00edtica. N\u00e3o apenas a tal \u201cmaioria silenciosa\u201d, mas mesmo os grupos militantes exercem muito pouco controle sobre seus representantes. Este \u00e9 um problema vital para qualquer regime democr\u00e1tico. O pouco exerc\u00edcio de controle, a sistem\u00e1tica frustra\u00e7\u00e3o das expectativas se reflete na desconfian\u00e7a permanente da popula\u00e7\u00e3o para com os atores individuais (pol\u00edticos). \u00c9 da natureza da pol\u00edtica: sem controle n\u00e3o h\u00e1 exerc\u00edcio de <st2:hm>poder<\/st2:hm>. Pela l\u00f3gica, se n\u00e3o h\u00e1 efetivo controle pela maioria, ent\u00e3o o sistema \u00e9 controlado por poucos. Sendo assim, o exerc\u00edcio de <st2:hm>poder<\/st2:hm> termina por <st2:hm>beneficiar<\/st2:hm> aos controladores do pr\u00f3prio sistema. E a democracia, onde est\u00e1?<\/p>\n<p ><?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>Parto do <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>princ\u00edpio que a meta democr\u00e1tica n\u00e3o pode <st2:hm>ser<\/st2:hm> apenas um rito de normas e procedimentos. O rito da competi\u00e7\u00e3o eleitoral n\u00e3o substitui, nem pode <st2:hm>ser<\/st2:hm> mais importante do que a participa\u00e7\u00e3o direta. Participa\u00e7\u00e3o \u00e9 a palavra chave, mas com <st2:hm>poder<\/st2:hm> decis\u00f3rio, e n\u00e3o uma maquiagem onde os recursos de mobiliza\u00e7\u00e3o atendem aos objetivos das pr\u00e1ticas pol\u00edticas de cabresto. As entranhas da sociedade organizada s\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es de base. \u00c9 deste tecido social esfacelado, que nascem e at\u00e9 rebrotam as possibilidades de transforma\u00e7\u00e3o. Na aus\u00eancia desta participa\u00e7\u00e3o, abundam os programas de assist\u00eancia direta. <\/p>\n<p >Desde a volta do regime democr\u00e1tico no Brasil, em 1985, e especificamente ap\u00f3s a Constituinte \u201ccidad\u00e3\u201d de 1988, vivemos uma situa\u00e7\u00e3o social esquizofr\u00eanica. Por um lado, em tese, aumentam os direitos das maiorias. Por outro, uma s\u00e9rie de barreiras estruturais brecam o avan\u00e7o popular: &#8211; o direito n\u00e3o \u00e9 normatizado em leis funcionais; &#8211; a classe pol\u00edtica vai se autonomizando para com seus representados; &#8211; os recursos necess\u00e1rios para o exerc\u00edcio destes direitos nunca constam nas diretrizes or\u00e7ament\u00e1rias, e mesmo quando constam s\u00e3o coincidentemente contingenciados; &#8211; aumenta a carga impositiva, mas o Estado cada vez funciona menos e piora seus servi\u00e7os.<\/p>\n<p >Durante os \u00faltimos 12 anos, o Estado brasileiro operou com uma l\u00f3gica absurda. Abriu m\u00e3o do exerc\u00edcio de fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas, recusou-se a <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> objetivos estrat\u00e9gicos de m\u00e9dio e longo prazo e ancorou sua alian\u00e7a na ciranda financeira e no monop\u00f3lio da comunica\u00e7\u00e3o. Este mesmo estilo \u201clow profile\u201d de <st2:hm>governar<\/st2:hm>, capitaneado por FHC e o tucanato, foi, fielmente, reproduzido por Lula, o Campo Majorit\u00e1rio e seu N\u00facleo Duro de governo. Para isto, o PT deu sua grande contribui\u00e7\u00e3o para o rito da \u201cdemocracia\u201d brasileira. Por um lado, dedicou seus melhores e mais bem preparados quadros para serem reprodutores de um estilo e escola de governo pactuado, e que n\u00e3o atende os interesses das maiorias. Por outro, acalmou e desarticulou estas mesmas maiorias. <\/p>\n<p >Sen\u00e3o a pactuar o pa\u00eds socialmente, ajudou a desorganizar a classe a qual se dizia representar e aumentou o v\u00ednculo direto da maioria exclu\u00edda com os programas de ajuda do Estado. Isto garante que, as tais \u201cmassas em disponibilidade\u201d, se mantenham em disponibilidade eleitoral e n\u00e3o mudem nada de suas rela\u00e7\u00f5es sociais b\u00e1sicas. Ao inv\u00e9s de mobiliza\u00e7\u00e3o social, cestas b\u00e1sicas. A moeda de troca \u00e9 o voto e n\u00e3o a press\u00e3o. Os movimentos populares n\u00e3o conseguem chegar sequer a ser clientes do governo. A imensa massa de jovens desempregados ou subempregados, abundando em favelas e periferias de norte a sul do pa\u00eds, fica como est\u00e1, at\u00e9 que vire o m\u00eas e chegue em suas casas o pr\u00f3ximo bolsa fam\u00edlia. Entre bolsa e bolsa, \u00e9 mais f\u00e1cil o caminho do crime do que o da milit\u00e2ncia. <\/p>\n<p >Qualquer um que j\u00e1 se ocupou da dura tarefa de mobilizar pessoas, trabalhar para que estas se tornem sujeitos e protagonistas de seu pr\u00f3prio destino, sabe como \u00e9 dura esta lida. Mais pesada ainda quando h\u00e1 uma profunda confus\u00e3o de conceitos, confundindo movimento popular, partido pol\u00edtico e governo eleito. Mais confuso ainda quando todas as expectativas foram jogadas no exerc\u00edcio de uma parcela do poder real da sociedade, justo aquele ocupado atrav\u00e9s da elei\u00e7\u00e3o ao Poder Executivo. <\/p>\n<p >Some-se a isso algo que mais ao sul chamamos de \u201clavar o discurso\u201d, como erva lavada de um mate j\u00e1 frio e sem gra\u00e7a. Lavando o discurso e profissionalizando a milit\u00e2ncia, se acalmam os \u00e2nimos. Um processo desta envergadura \u00e9 fruto de ao menos uma d\u00e9cada, e n\u00e3o meses ou mesmo anos de governo. O resultado \u00e9 vis\u00edvel: quanto menor a mobiliza\u00e7\u00e3o popular, maior ser\u00e1 o assistencialismo. O ceticismo para com a classe pol\u00edtica cresce de um lado, mas n\u00e3o encontra eco na pouco praticada independ\u00eancia de classe. Ausente esta \u00faltima, a l\u00f3gica eleitoral impera, aumentando assim a autonomia da mesma classe pol\u00edtica, em quem ningu\u00e9m confia mais.<\/p>\n<p >Neste breve artigo, n\u00e3o queremos aumentar o lugar comum do \u201cningu\u00e9m presta\u201d e \u201cnada podemos fazer\u201d. \u00c9 justo o oposto. A primeira medida para sair da crise pol\u00edtica, onde se encontra a milit\u00e2ncia dos movimentos populares deste pa\u00eds, \u00e9 reconhecer a crise e ver as causas e conseq\u00fc\u00eancias diretas da mesma. Reconhecido o problema, identificando sua quest\u00e3o central, entram em a\u00e7\u00e3o a coragem e a lucidez de cortar na pr\u00f3pria carne e fazer o que tem de ser feito. Os leitores me perdoem a extrema franqueza, mas fa\u00e7o an\u00e1lise para o campo ao qual perten\u00e7o. <\/p>\n<p >Em uma comunidade tradicional, regida por elementos federalistas, os chefes e conselheiros tinham o poder e o dom da palavra. Ainda assim, a qualquer momento poderiam ter o dever de mandar, retirado pela maioria que o outorgou. Considerando que vivemos em uma sociedade complexa, injusta e multifacetada, uma reflex\u00e3o \u00e9 mais que urgente: &#8211; Como exercer controle direto sobre a classe pol\u00edtica?!<\/p>\n<p >Detalhe, hora alguma esta mesma sociedade tradicional desmobiliza suas for\u00e7as e delega tudo para os mandat\u00e1rios. Justamente o oposto do que ocorre aqui..<\/p>\n<p >Voltando para o Brasil contempor\u00e2neo, a realidade nua e crua, conhecida por todos os brasileiros, \u00e9 a seguinte: &#8211; As institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas n\u00e3o funcionam e n\u00e3o atendem a maioria de nosso povo. <\/p>\n<p >Obviamente, este tema n\u00e3o passa nem perto dos \u201cs\u00e1bios\u201d, que vem discutindo a reforma pol\u00edtica ao longo da \u00faltima d\u00e9cada. Em tese, a \u201cdemocracia\u201d seria o regime do mando do povo. Fica ent\u00e3o outra pergunta: &#8211; Se o regime tem como base o mando do povo, porque a maioria precisa ficar desmobilizada para que esta democracia funcione? <\/p>\n<p >Considerando o que os s\u00e1bios, especialistas, atores individuais e cons\u00f3rcios partid\u00e1rios nos dizem com seus pr\u00f3prios atos, e n\u00e3o com seus estudados gestos, a d\u00favida s\u00f3 aumenta. \u00c9 \u00f3bvio que, aumentando os recursos de mobiliza\u00e7\u00e3o popular, aumentam tamb\u00e9m a desconfian\u00e7a com os pol\u00edticos profissionais, alto tecnocratas e seus aliados das grandes corpora\u00e7\u00f5es privadas. O modelo democr\u00e1tico praticado no Brasil n\u00e3o ag\u00fcenta a desconfian\u00e7a somada com a press\u00e3o popular. <\/p>\n<p >\u00c9 s\u00f3 isso a democracia? Ent\u00e3o que democracia \u00e9 esta?<\/p>\n<p >Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-739","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/739","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=739"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/739\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11460,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/739\/revisions\/11460"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=739"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=739"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=739"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}